Tentando o possivel

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14:33

Curitiba foi a 1ª cidade a implantar o Sistema de Coleta de Lixo Seletivo no Brasil, foi no ano de 1989 que tudo começou. Hoje o programa atinge 100% da cidade, que tem uma produção de 2,2 toneladas de lixo seco por dia. Deste total, 550 toneladas são separadas, o equivalente a 70% da população curitibana contribui com a coleta seletiva.A questão dos resíduos sólidos da cidade desperta muitos interesses e é vista como modelo por todo o país. Os resíduos são recolhidos por caminhões conhecidos como "Lixo que não é Lixo" e também por um exército de trabalhadores informais, que ganham a vida com a coleta do material que não teria nem uma importância para a maioria das pessoas.O lixo reciclável é coletado em todos os bairros da capital paranaense e diariamente enchem 42 caminhões, mas essa quantia não representa a totalidade do material que é separado nas casas, comércio e empresas, pois na cidade existem muitos catadores de lixo reciclável e através de acordo com lojas e condomínios arrecadam o material. No Paraná, dos 399 municípios, 124 ainda despejam os resíduos em lixões a céu aberto. O site do Instituto Akatu revela que 88% dos municípios brasileiros não têm aterro sanitário. Enquanto os municípios que têm gastam R$ 4,6 bilhões para manter esses locais. Para tentar reduzir o número de lixões, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente lançou no Paraná o programa “Desperdício Zero”, e pretende reduzir em 30% o volume de lixo gerado. Segundo a secretaria, já foram investidos R$ 6,5 milhões na construção de aterros sanitários em 57 municípios. A reciclagem de lixo é uma das grandes questões da humanidade porque atua em duas vertentes do processo de consumo, evita o desgaste de recursos naturais e, também, o abandono do material no meio ambiente.Além da coleta seletiva, a capital paranaense faz uma coleta específica para lixo tóxico domiciliar, como pilhas, baterias e remédios. O lixo comum é destinado ao aterro sanitário, que também recebe os resíduos de mais 14 municípios da região metropolitana. Muitos anos após a implantação do sistema, Curitiba tem o maior índice de aproveitamento de lixo reciclável entre as cidades do Brasil, vamos levar essa iniciativa a todo o território nacional. Juntos podemos fazer a diferença em um MUNDO MUITO MELHOR. Tempo de Decomposiçãodo lixo
Papel
3 meses
Palito de fósforo
6 meses
Ponta de cigarro
1 a 2 anos
Goma de mascar
5 anos
Lata
10 anos
Sacos plásticos
30 a 40 anos
Garrafa pet
Mais de 100 anos
Fraldas descartáveis
600 anos
Latinha de Cerveja
200 anos
Tecido
100 a 400 anos
Vidro
Mais de 4000 anos
O que pode reciclar
O que não pode
Papel
Papel carbono
Papelão
Celofane
Caixas
Papel Vegetal
Jornais
Papel encerado
Revistas
Papel higiênico
Livros
Guardanapos
Cadernos
Fotografias
Cartolinas
Fitas
Embalagens longa-vida
Etiquetas adesivas
Sacos plásticos
Plásticos metalizados (salgadinhos)
CDs
Isopor
Disquetes
Espelhos
Embalagens Plásticas
Cristais
Garrafas PET e vidro
Cerâmica
Canos
Porcelana
Plástico em geral
Computadores
Frascos em geral
Clips
Copos
Grampos
Vidros em geral
Esponja de aço
Latas de alumínio
Pregos
Latas de Produtos Alimentícios
Canos
Embalagens metálicas de congelados
Termofax
Tampas de garrafas
Lenços de Papel
Você sabia?Uma pessoa produz todos os dias uma média de 1,2 kg de lixo;O Brasil produz cerca de 115 mil toneladas de lixo por dia;30% do lixo produzido é composto de materiais recicláveis como papel, vidro, plástico e latas. O Brasil recicla menos de 5% do lixo urbano que produz;Pelo menos 35% do lixo que produzimos poderiam ser reciclados ou reutilizados, e outros 35%, serem transformados em adubo orgânico; Para a produção de uma tonelada de papel são derrubados vinte eucaliptos, que demoram sete anos para crescer;Cada lata de alumínio reciclada economiza energia elétrica equivalente a manter uma lâmpada de 60 watts acesa por quatro horas. Uma torneira que pingue durante todo o dia representa 190 litros de água jogados fora. A reciclagem de 100 toneladas de plástico evita o uso de 1 tonelada de petróleo.Hoje, no Brasil, milhares de famílias se favorecem dos resíduos sólidos que são fabricados todos os dias. Separá-los evita que pessoas precisem revirar sacos de lixo. Redação: Raquel Susin

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Redor

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09:56

Pintura de Rene Magritte



Acredito nos oceanos ao meu redor
Acredito nas nuvens repletas de versos
Acredito ate no abismo que flutua por cima do meu
Rosto como um horizonte constante
Mas não me acredito.
Acredito nas formas sublimes de sonhos irremediáveis
Acredito no corredor que alcança seu objetivo Mágico
Acredito que as noites contem os mais profundos segredos
Acredito ate que uma troca de olhares ja contem um
Poema absoluto
Mas não me acredito.
Acredito nos desertos como desolações intimas
Acredito no mais intenso âmago da tristeza
Acredito que o tempo - espaço tem a pele de uma alma
Mas ainda assim não me acredito.
Aquele grito que transpassa o corpo atirado no seu
Próprio cárcere e que atinje-me parece acreditar em Mim,
Aquele braço que me impede de ser fugitivo e que faz
Voltar-me ao centro gravitacional dos meus
Companheiros poéticos parecem acreditar em mim,
As crianças abandonadas pelo acaso que pousam no
Na palma da minha mão
Pedindo uma ajuda silenciosa parecem
Acreditar em mim,
A musica que entorpece todos os mecanismos do
Meu movimento parece acreditar em mim,
O descompasso dos coraçoes em troca mutua de
Universos inabaláveis parecem acreditar em mim,
Mas não me acredito
Sinto que a morte lentamente esculpida no canto da
Minha lagrima também me acredita,
Sinto que todas as angustias numa conversão
De angustias inquebraveis também me acredita,
Sinto que a chuva que planeja me afogar de
Memórias crepusculares também me acredita,
Sinto que o piano tocado em notas longas de
Desespero trilhando a melodia do uivo
Desenperançoso também me acredita,
Sinto que a solidão que vem como um anjo
Destemido que me acompanha pelos quatro cantos
De todas as poesias também confessa que
Acredita-me,
Eu que pensei que a aurora voraz que machuca meu
Coração com cotidianos asfixiadores, ela acredita-me,
Eu que pensei que meu destino havia se perdido por
Caminhos tortuosos de fracassos e inalcansabilidade,
Ele acredita-me,
Eu que pensei que meu futuro fosse apenas mais uma
Gota no mar infinitésimo mar do mundo, ele acredita-me,
Eu que pensei que o amor não passasse do limite
Frágil limite do impossível, ele acredita-me.
Ate as pegadas do que deixei para traz
Sentindo e não sentindo mais, acredita-me.
Ate o verso que escrevo
Acredita que o verso que virá em seguida
Virá para completá-lo em absoluto,
Ate o poema que escrevo
Acredita que ao ser lido ira consolar o ser desconsolado
Mesmo que momentaneamente,
Ate os lábios invisíveis da mulher amada
Acredita que será tocado
Pelos lábios invisíveis do meu pensamento,
Ate o vento indomável
Acredita na minha companhia imprencidivel ao seu lado
No meu sonho impenetrável de poeta,
Ate os cometas e as estrelas tremulas
Do sussurro do universo
Acreditam que passei por elas vertiginosamente,
Ao surgir entrelaçado
Nas mais profundas leis da natureza
O existir acreditou-me,
Ao surgir nos seios de pais e estranhos do mundo
Eles acreditaram-me,
Antes dos primeiros passos
Das primeiras palavras do primeiro sentido
Do primeiro silencio e da primeira lagrima
Todos eles acreditaram-me,
Inesgotavelmente
Cada infinito
E cada eternidade
De cada coisa
Acredita-me
Inesgotavelmente.



By João Leno Lima

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Mapa

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09:06



A Jorge Burlamaqui


Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado.
Estou limitado ao norte pelos sentidos,
ao sul pelo medo,
a leste pelo apóstolo São Paulo,
a oeste pela minha educação.
Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluidso,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregam numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chama pelo número, detesto a hierarquia.
Me puseram o rótulo de homem, vou rindo , vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei o que é o bem
nem o mal.
Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos,
não acredito em nenhuma técnica.
Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim.
Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações...
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.
Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noite, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção,
o mundo vai mudar a cara,
a morte vai revelar o sentido verdadeiro das coisas.
Andarei no ar.
Estarei em todos os nascimentos e todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artitas doentes, dos revolucionários...
Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor ,outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos,
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres,
vibrarei nos canjêres do mar, abraçarei as almas no ar,
me insinuarei nos outros cantos do mundo.
Almas desesperadas eu vos amo. Almas insastifeitas, ardente.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens "práticos"...
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
e os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os dois bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito...
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.



By Murilo Mendes

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ODE A VIOLENCIA CONTRA OS SENTIDOS

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09:02
Pintura de Rene Magritte

Parto do principio que a arte é a valorização mais profunda da razão humana.
Substancia que deve permanecer atrelada profundamente em nossas mentes
Desde primeiros acordes da nossa infância,
A poesia como conseqüência transforma todo o átomo de palavra na revolução eternamente renascida de todos os sentidos expressados
Com todos os dizeres visíveis ou invisíveis de nossa alma.
A humanidade perdeu-se em algum caminho qualquer
Da própria consciência inconsciente
Engolida por suas razoes matematicamente idealistas
Engoliu os sonhos mais utópicos de existência
Dando espaço progressivamente para o individualismo capitalista e neoliberal e nos impondo com suas ideologias selvagens e entropofagicas a sua lei mutante que se materializa num cão devorador de sentidos,
Inventar novas saídas para a própria sobrevivência mágica do individuo e ou reiventar-se a cada metro quadrado enquanto se alastra o que nos destrói profundamente,
A arte para algumas almas é seu extinto de sobrevivência sua garantia
De respiração momentânea seu ar puxador como desesperadora
Atitude humana seu grito indivisível e mesmo invisível engole o visível
E o próprio invisível,
Em todos os quatro cantos essa profusão cataclismatica
É a união da matéria viva com sua subconsciência arrebatadora ela jamais deixara de fluir nos corações trasbordantes que mesmo que seu espaço
Sensorial e físico não seja dado,
Ela infilutra-se pelos azulejos da câmara dos deputados, debaixo da porta das secretarias de cultura pelos tubos de ventilação do senado pela frechas imperceptíveis dos mictorios da prefeitura pelos corredores que fedem a fracasso politicamente correto e estupidez inanimada que assalta os cofres públicos de nossos sonhos mais sublimes, ela envolve num nó inconseqüente e renasce num ambiente mais transcendente, como numa praça publica mesmo desarticulada, nas casas de vidro que apenas habitam seres envidraçados morrendo de fome, nas panelas de pressão que evaporam o absoluto, nos pratos de comida.
Se tornando o impossível cotidiano,
A poesia invade todos esses portais que banqueteiam o futuro o presente o inalcançável passado, mostrando que a humanidade não veio apenas para respirar seu próprio eco asfixiado ou para amamentar seus filhos pelos porões dos corredores dos hospitais cheios de filas que vão ate o outro lado do mundo ou param serem mortas com armas de fogo trazidas das goelas dos que também sofrem uma dor paralisante transformada em violência que vagueia pelas artérias poluídas de chumbo e ácido vulcânico de inércias ou para comprar ternos importados dos mundos exteriores tirados dos bolsos paralíticos da multidão,
Que a humanidade não veio para servir de curral apocalíptico de fantasmas da própria mascara, não veio para transformar seus sonhos mil vezes sonhados em mero devaneio de quem não pode trabalhar no comercio.
A humanidade é a união de todos os sentimentos entrelaçados com toda a metafísica e transcendência inesgotável em camadas e camadas de desejos inexploráveis, não pode ser apenas dizer “sim” e “não” em seus olhos funebrimente futuristas e deitarem suas cabeças latejantes nos seus travesseiros puídos de tristeza e conformismo petrificado,
Faz-se poesia se faz arte se faz seres que se fazem inadequados marginais do mundo dos que apenas vieram para serem conquistados se faz poetas e loucos sonhadores que passeia pelas extremidades de si mesmo como exemplo que qualquer um de nós pode passear pala extremidade de si mesmo, mesmo se for colocado uma corda metálica no pescoço mesmo que se for colocado uma camisa de força de leis e ordens e censuras disfarçadas e senso comum vindos de algum lugar menos das nossas próprias visões existenciais, mesmo que seja imposta em nossa conduta pequenos hologramas explicando que não podemos ser nós mesmos para não afetar a ordem das coisas, pequenas cartas escritas na televisão nos explicando como o mundo é e tem que ser, e que mesmo se fizermos barulhos e sinfonias de bolso apenas estaremos delirando como piratas num mar desconhecido porem a arte veio para salvar o mundo mesmo que ele despreze da sua ajuda incansável a arte veio para engolir os seres escondidos em si mesmo que de braços cruzados vem a criança brincar na borda do abismo de sua sensibilidade sonhadora,
E se tornar a deformação catatônica da falta de identidade consigo mesmo e se sues anseios ancestrais e intermináveis
A poesia mesmo amordaçada renasce eternamente e seus vastos campos têm a força de mil gritos se multiplicando tem a força da união de todas as asas tem a força da união de todas as mãos tem a força dos cinco sentidos visionários e sua decretada morte é apenas o único sonho que jamais verá a luz.








Uivo

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08:53
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Entranhada entre o silencio
E o grito nebuloso das tempestades
É onde esta minha alma.
Parto do principio que ainda não foi da ultima vez
Que alcancei meu ser por absoluto,
Minha memória rasga-se nascendo pequenas poças de momentos,
Quem eu sou é um vento que passeia no crepúsculo,
Quem eu fui começou a definhar na aurora,
Mesmo assim me embriago
Todos os dias de tempo e espaço,
Ah o tempo e o espaço não cabe
Dentro do meu rosto feito de invisível,
Parece que estou correndo de mim mesmo o todo o tempo,
Transformei meu ambiente de trabalho
Num universo paralelo
Que sobe pelas paredes e se refugia
Nos tubos de ventilação do acaso,
As possibilidades que se destroçam,
O vinho que evapora levando meu destino,
Cansei de cair de andares fabricados por minha própria ilusão
Se for para despencar
Que eu desça finalmente todos os abismo
E escreva lá intermináveis poesias,
Lá exatamente lá
Onde se misturam todos os elementos e todos os sentidos,
A poesia é um estado elevado de consciência,
Às vezes é uma queda elevada que espatifa e deixa irreversível,
Somos obrigados a ser a pagina em branco do nosso próprio recomeço,
E assim nasce de novo e de novo uma forma de horizonte,
E assim como num dialogo de sensações
Despeço-me do mundo dentro dele mesmo,
E assim sendo rei do meu próprio mundo
Invento a lei sub-infinita...
É proibido não haver poesia.
Na verdade é insuportável não haver poesia,
Sem poesia somos insuportáveis,
Não quero mais escrever
Quero soprar as palavras com a força de mil tornados
E fazer teu ser
Ser levado pelos confins para encontrar-se
Com todos os infinitos no mesmo segundo,
Ah nesse segundo meu corpo incapaz de ter asas
Vê minha alma sobrevoar as extremidades
Dos sonhos que a consome,
Ser consumido pelo sonho
É estar sobrevivente ao verso que te engole e te mata,
Eu perco o caminho de volta todo o tempo,
Meus passos para ir ao trabalho
E meus passos para voltar para casa
Fazem exatamente o mesmo percurso
Com a precisão calculada pelo vazio,
O vazio não é um personagem
É um órgão que se alojou em mim
E devora minha alma por dentro,
Mesmo assim leio em voz alta
A poesia que esta em mim mesmo e isso o ensurdece,
Preciso que alguém escreva um poema para mim,
Com poucas palavras, mas com versos que medem um infinito,
A culpa é da solidão,
Ela tem forma de noite inconsolável
E madrugada que congela as veias da lagrima,
Forma de horas que não se esgotam
E forma de verso escrito no cotidiano de uma intimidade,
A culpa é minha,
Escrevo versos e esse é meu ultimo refugio.
Então mergulho na tempestade
Para depois renascer oceano,
Nadando pelas extremidades
Eu encontro o destino final dos segundos,
Espalho-me pelos poros do mundo,
Não sou mais o vírus da minha própria alma,
Sou uma doença crepuscular
Que ainda assola a aurora transcendente,
Meu infinito se desprende de mim
E foge pela respiração das horas
Eu pretendo alcança-lo
Com minhas mãos cheias de poesias
Prontas para serem inesgotavelmente sentidas,
É por isso que escrevo versos
Para cada palavra virar um horizonte dentro do coração do mundo,
Desço pelas goelas e adormeço no tempo-espaço,
E permaneço lá nos hemisférios dos meus sentidos,
Apesar da desordem ainda sou um abismo de infinitudes,
Meu coração é um lugar escondido
Rodeado de nuvens que se transformaram em poemas,
Estou sendo sulgado para fora de mim,
Na madrugada escondida na extremidade do meu ser
Eu disse coisas que estavam escondidas nas profundezas da alma
E assim reencontrei a mim mesmo
Como ultima forma de sonho possível,
Quantas formas de sonhos são possíveis nas mãos
Tudo que resume um ser?
Respiro auroras e sopro crepúsculos,
Engulo as ruas e vomito longos percursos pelos universos,
Só o invisível consegue explicar-me,
E se de repente o invisível desprende-se de ti
E revelasse tua partícula intima de verdade?
Planejo sempre milhões de recomeços,
E faço planos com o mundo e com outros mundos
Mas só meu próprio infinito consegue revelar meu ser
Alem dos olhos do possível.
O meu coração é um vulcão que extrai do centro da minha alma
Os sonhos mais irreversíveis.
Só a poesia consegue me fazer sentir.


By João Leno Lima

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Manifesto Nômade

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08:42

Tom-B


Liberte-se do átomo. Não tenho muita certeza quanto ao Negroponte, mas uma ele deu dentro: entre o átomo e o bit, fique com o bit. Trabalhe com a mente, não com a mão, e que o fruto do seu trabalho seja digital. Liberte-se da corporação. ''Patrão'' e ''empregado'' são palavras que não têm mais sentido, assim como ''senhor'' e ''escravo''. Trate as corporações de igual pra igual, com cuidado! - pois são feras poderosas. Dê a elas uma dose do seu próprio veneno: a oferta e a procura. Cobre sem dó. Liberte-se do tempo e do espaço. Pra que acordar de manhã e bocejar em uníssono com o resto da cidade? Pra que enfrentar congestionamentos só para se deslocar até um cubículo odioso cuja única função é te colocar sob a vigilância de bedéis e babás? Faça o seu trabalho fluir através dos fios. Trabalhe nu. Arranje ferramentas para o seu cérebro. Outro paradigma: esqueça caixotes estacionários, pense em portáteis baratos e versáteis enfiados numa mochila. Se tiverem a aparência de uma bolha colorida e translúcida, melhor. Se a velha-guarda der risada, deixe. Lembre-se que caixotinhos bege combinam com isórias bege, carpetes cinza, luzes fluorescentes e almoço das 12:00 às 12:30. Você pode escolher: é por isso que dreadlocks serão o símbolo de status do futuro. Por enquanto você ainda vai estar preso: a fios de telefone e ethernet; à área de cobertura do seu celular. Mas fique esperto: daqui a vinte minutos o céu vai se coalhar de satélites e você vai poder sair correndo pra praia. Arme-se! Os monolitos do poder não verão com bons olhos esses bandos de freaks correndo por aí, vivendo de produção intelectual pura, cagando pras regras do passado industrial. Fique ligado em criptografia, em redes de contatos e nos caminhos da economia. A época é de transformação. Caos e oportunidade. É a nova fronteira - laptops estão para os anos 00 assim como os clássicos Colts de 6 tiros estão para o Velho Oeste.



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Manhã

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08:38


Não é verdade que uma vez vivi urna juventude amável, heróica,
fabulosa, digna de gravar-se em páginas de ouro? Incomparável
ventura! Por que crime, por que erro, vim a ser castigado com a
fraqueza de hoje? Vós que pretendeis que os animais solucem de
dor, que os doentes desesperem, que os próprios mortos sofram
pesadelos, procurai aclarar os motivos da minha queda e do meu
sonho. Quanto a mim, não posso melhor explicar-me do que um
mendigo com seus monótonos Pater e Ave Maria. Eu não sei mais
falar.
Todavia, agora, creio ter encerrado o relato de meu inferno. Era, não
há negar, o inferno; o antigo, aquele cujas portas o filho do homem
descerrou. Do mesmo deserto, na mesma noite, meus olhos sempre
cansados se voltam para a estrela de prata, sempre, sem que os Reis
da vida, se comovam, os três magos, o coração, a alma, o espírito.
Quando iremos enfim, para além das praias e das montanhas, saudar
o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos
tiranos e dos demônios, o desaparecimento da superstição; quando
iremos adorar - os primeiros! - a Natividade sobre a terra?
O canto dos céus, a marcha dos povos! Escravos, não amaldiçoemos a vida.


By Artur Rimbaud

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Imperio dos Sonhos

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14:00

“Eu não sei o que veio antes ou depois. Não consigo distinguir o ontem do amanhã e isso está fodendo com a minha cabeça.” Essa fala da personagem de Laura Dern, que acontece por volta das duas horas do total de três do longa-metragem, surge como um bem-vindo perdão ao espectador completamente desnorteado pelos saltos no tempo, no espaço, na história e nas personalidades da protagonista, que se empilham por minuto. É também tudo o que o espectador não deveria ouvir: quando a impossibilidade de resolução é reconhecida, o espectador perde por completo a rede de segurança. Aqui temos o diretor assumindo ao público que o barco está desgovernado e insinuando que tanto o criador quanto o receptor encontram-se igualmente reféns de um universo sombrio, vivo e independente. Não haverá ninguém para nos resgatar. Hollywood precisa fabricar passado e futuro no presente para realizar obras que ficam suspensas no tempo. Uma vez pronto, o filme é uma entidade que passa a existir na dimensão cinematográfica, onde nunca mais envelhece, nunca mais morre, mas de vez em quando é esquecido. E quando isso acontece, remakes são providenciados. Diferentes das montagens teatrais (uma vez que o teatro é sempre acontecimento real, nunca é ilusão), o remake cinematográfico, uma vez realizado, é lançado para a mesma dimensão que o seu original. Remakes são justificados de várias formas: podem ser atualizações de clássicos muito bem amados para gerações deslumbradas com os astros da contemporaneidade, ou apresentarem evoluções técnicas que trariam o filme muito mais perto da visão originalmente concebida pelo diretor. Crise de identidade, auto-questionamento, o filme original se defronta com seu remake e se questiona o motivo de ter sido substituído: não era bom o bastante? Era mal feito? Foi ultrapassado? Filmes são as fundações sobre a qual Hollywood se sustenta e remakes não são uma mera reforma, mas a substituição completa do esqueleto estrutural da indústria cinematográfica em questão. Nesse constante reinventar, temos o risco da perda de referência, uma esfera definida por um estado de esquizofrenia galopante (afinal, sua realidade é a fabricação de ilusões) que se auto-sustenta, que se auto-consome, regida por leis e gramática próprias, na qual o tema dos filmes deixa de ser a vida, mas os próprios filmes. A fantasia deixou de ser as aventuras na tela, mas todo o universo além-tela: o indivíduo idealiza-se celebridade, estar não na ação fantasiada e sim no processo de fabricação da ação. Não por acaso, "INLAND EMPIRE" começa com uma imagem familiar: uma imagem chuviscada de uma televisão fora de sintonia, a mesma forma que o diretor abre "Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer". De dentro dessa imagem, surge uma transmissão de "Rabbits", sitcom de Lynch anteriormente só disponível na Internet (e a sobreposição do cenário da sitcom com a habitação primeira da personagem de Dern já indica o intercâmbio sem barreiras alfandegárias entre real e perturbação mental). Os bastidores da boate de burlesque são cobertos por cortinas vermelhas tal qual a famosa sala dos sonhos do Agente Cooper no seriado televisivo. Até os créditos finais, personagens de outros filmes poderão reaparecer aqui. Remake. Referência. Reaproveitamento. Nenhuma das obras de Lynch é encerrada, mas permanece viva na cabeça de seu autor como um sonho ainda a ser decifrado e sonhos subseqüentes que pegam emprestados momentos dos anteriores, auxiliando na sua compreensão ou transformando o seu sentido por completo. Artífices presos dentro do turbilhão, David Lynch e Laura Dern encontraram numa Sony PD-150 (uma câmera digital de nível profissional, mas de preço acessível ao consumidor, daí o termo "prosumer") o escafandro para o mergulho mais profundo no subconsciente em toda obra cinematográfica de ambos. "INLAND EMPIRE" é um jogo de associações regido pela maior liberdade tanto na sua fabricação quanto na sua recepção, ao que, sem uma linha clara, Lynch e os atores decidiam casualmente que cenas filmariam juntos meros minutos antes de ligarem as câmeras. O resultado final é um exercício exasperante e perturbador, igualmente irritante e hipnotizante, mas em nenhum momento irresponsável: cada cena se liga com as anteriores numa teia complexa demais para ser concebida propositalmente, como ordenadas por uma lógica indescritível. Se Lynch revela que ele não é tão refém assim das maquinações independentes da mente (há uma reviravolta "acordada" demais em seus minutos finais e que revela um tecido narrativo pré-concebido – isso não é uma negação direta do que afirmo no final do primeiro parágrafo, mas coloca a possibilidade de interpretação proposta em cheque), ele parece menos um auteur malicioso e mais solidário com a angústia do espectador ao tentar ele mesmo aplicar uma interpretação possível a toda enxurrada de imagens assombrosas (e nunca Lynch chegou tão perto de fazer um filme de horror assumido como aqui; uma das cenas finais que envolve um confronto armado entre Laura Dern e seu marido polonês no corredor azulado de uma espécie de hotel parece impressa diretamente de um pesadelo febril - e o longa está repleto de idéias visuais de fazer a pele formigar). Não seria a primeira vez. Se "INLAND EMPIRE" alonga-se por 3 horas, isso é reflexo da liberdade técnica e artística que o formato digital lhe permitiu. David Lynch constantemente foi obrigado a terminar suas obras com finais artificiais, enganadores, talvez até improvisados, abruptos: falo do final criado para a versão VHS do piloto de "Twin Peaks" que sugeria um assassino próprio e fechava-se enquanto um longa-metragem independente do seriado televisivo, falo do final de “Mulholland Drive" (do qual "INLAND EMPIRE" pode ser considerado obra-irmã, já a partir mesmo de sua referência titular a Los Angeles: o título refere-se à área ao sudeste de Los Angeles que apreende as cidades mais antigas da região), anexado a um piloto de um seriado não-aprovado e também transformado em longa-metragem, assim recebendo um destino muito mais generoso do que o ostracismo reservado a tantos projetos como esse. O que era apenas um projeto casual - iniciado a partir da cena entre Dern e seu sombrio psiquiatra mudo - se revelou um projeto de fascínio para o diretor que continuou explorando o significado da trama através da filmagem de mais cenas, inicialmente instintivas e sem relação obrigatória com um todo. As 3 horas são o produto final de dois anos e meio de pesquisa cinematográfica em sua melhor forma: a filmagem. Lynch é capaz de explorar o pesadelo com pesquisa de campo. Um filme inacabado é também o desafio da personagem de Dern, uma atriz caída no ostracismo que consegue um papel no longa enigmaticamente intitulado “On High In Blue Tomorrows”, ao lado do galã interpretado por Justin Theroux. Ao longo das filmagens, eles descobrem estar trabalhando num remake... ou quase: o roteiro, baseado numa fábula cigana e originalmente intitulado em alemão “Vier Sieben” (47), que seriam números malditos, já teria inspirado um filme que nunca foi acabado, uma vez que a atriz enlouquecera durante a produção. A própria história do filme não terminado – vivida repetidas vezes por Lynch durante sua carreira, como já falamos – é um dos folclores mais populares na indústria cinematográfica norte-americana: podemos citar como exemplos “Four Men On A Raft” de Orson Welles, “Dark Blood” de George Sluizer (interrompido pela morte de River Phoenix), ou até mesmo “The Brave”, roteiro considerado maldito pelos produtores (o ator principal teria morrido de conseqüências misteriosas) e por isso mesmo escolhido por Johnny Depp para ser seu primeiro (e curioso) filme enquanto diretor. Um filme inacabado lança uma aura maléfica em cima de todos os envolvidos, como se abrisse um portal para uma outra dimensão ou que fundisse as esferas do real e do imaginário/fabricado. Ou pelo menos, coloca suas carreiras em suspenso. A Hollywood construída na primeira parte de “INLAND EMPIRE” é uma impossível de ser real, uma vez que concentra a maioria dos cameos célebres em aparições de pequena importância, como se insinuasse um universo onde o anunciante de programa de TV não poderia ser ninguém outro do que William H. Macy. Ou a apresentadora trash de programa de entretenimento não poderia ser nenhuma outra do que Diane Ladd (retornando à companhia de Lynch e sua filha Dern após “Coração Selvagem” – sinto-me tentado a relembrar a insubordinação de Ladd, quando sua filha foi parar no blockbuster “O Parque dos Dinossauros”, aceitando o papel de cientista no oportunista “Carnossauro” de Roger Corman, dispondo-se a pôr um ovo gigante em cena, mesmo embora essa anedota nada acrescente à análise). Tal mundo contrastará diretamente com aquele povoado por imigrantes poloneses, prostitutas fantasmagóricas, casas de subúrbio e nenhum glamour, contraste tamanho que virá a negar por completo a existência dos personagens – que podem ser ou não idealizações de protagonistas invisíveis. “INLAND EMPIRE” rompe o complexo projeção-identificação enfiando-lhe ao meio um espelho deformador, separando-o em duas realidades nada ideais, odiosas, aterrorizantes. Lynch encontra em Dern o “cavalo” ideal para submeter às suas manipulações e poucas vezes se viu um ator se permitir afetar-se tão profundamente pelo subconsciente de terceiros. A gradual demolição do universo de fantasia do filme está imediatamente representado na forma como o rosto de Dern parece se derreter na tela. Não surpreende a feiúra estética de grande parte dos momentos de “INLAND EMPIRE”, fazendo a produção aparentar os valores de um filme de terror tipo Z feito no quintal de casa por um bando de adolescentes (afinal, esta é uma produção que a StudioCanal resolveu bancar mesmo com o diretor admitindo que não sabia o que estava fazendo e tendo como equipe estagiários e universitários recém-graduados), mais do que ela é encorajadora, contrastando com os planos-assinatura de Lynch – sempre envolvendo luzes vibrando por um mau contato que pode ser elétrico ou espiritual. O efeito, pela textura do novo meio, é diferenciado: o vídeo digital tenta simular o efeito cinematográfico não através do “flickering” da projeção 24fps, mas com a suavidade das linhas nos movimentos. Película e Vídeo Digital têm diretrizes diferentes para induzir o efeito hipnótico no espectador e é necessário dizer que o segundo ainda não o alcançou com sucesso. “INLAND EMPIRE” é um filme mais assustador do que “Mulholland Drive” pela aspereza e imediatismo na sua textura que traz aquele universo sombrio para o nível do real, ao que o filme anterior, até nos seus momentos mais aterradores, preservava aquela artificialidade tão idealizada pelo cinema em sua encarnação clássica, permitindo ao espectador um afastamento saudável, mas que o mantinha numa esfera segura. Se o diretor declarou publicamente que jamais voltará a produzir filmes em película novamente (mesmo embora eu pessoalmente acredite que é possível que ele retire o que disse em algum momento futuro e retorne aos “velhos métodos”; para falar a verdade, eu até espero que isso aconteça), imagino que seja tanto pelas facilidades e liberdades que o Vídeo Digital lhe permite, como também pelo efeito final se aproximar muito mais do que ele almejava: mais delírio do que devaneio. Tudo é auxiliado por um design de som cujos graves vibram caixa afora, como se as placas tectônicas da Califórnia estivessem finalmente se acomodando para o grande choque que a separará do continente. Talvez o grande terremoto seja a expressão psicossomática da artificialidade hollywoodiana do estado, uma dimensão paralela não apenas dos EUA, mas de todo o planeta. David Lynch acredita na maldição e não se permitirá ser afetado por ela. No que parece um grande exorcismo, Lynch termina “INLAND EMPIRE” com o maior final capaz de conceber, uma despedida em grande escala do redemoinho (ao que tudo indica, uma interpretação bastante peculiar de “Alice no País das Maravilhas”, tocas de coelhos e tudo o mais), ao que seus créditos finais envolvem dança contemporânea, Ben Harper (marido de Laura Dern), um orangotango de circo e um lenhador, todos dentro de uma mansão ao som de “Sinner Man” na voz de Nina Simone. Num universo cinematográfico reinado pela caretice de pontos finais, David Lynch escolhe deixar o espectador mais atônito ainda ao colocar em exposição sua habilidade sobrenatural de transformar pontos de interrogação em uma única e gigantesca exclamação. Joseph Mankiewicz disse: “A única diferença entre um filme e a vida real é a que o filme tem que fazer sentido.” Assim sendo, “INLAND EMPIRE” é inegavelmente vida pura, bruta, terrível. “INLAND EMPIRE” EUA/França/Polônia, 2006. 180min. Direção: David Lynch. Estrelando: Laura Dern, Justin Theroux, Jeremy Irons, Peter J. Lucas, Julia Ormond, Gracie Zabrinski, Harry Dean Stanton. Distribuidora: StudioCanal/Absurda/Ryko Entertainment (DVD).Site oficial: http://www.inlandempirecinema.com/



Fonte: Zeta Filmes

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Elliot Smith

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11:33

Em 21 de Outubro de 2003 o mundo da música perderia um dos seus grandes compositores contemporâneo, enfiando uma faca no peito um viajante solitário com seu violão dilacerante capaz de nos arrebatar com suas melodias lagrimejantes partiria não só a si mesmo mas nós como um todo. Steven Paul Smith, ou melhor, Elliot Smith, o "Bob Dylan da década de 90". O Americano de Portland lançaria em 1994 o seu primeiro disco “Roman Candle” e deixou cinco belos álbuns recheados de texturas melancolicamente poéticas baseada em sua voz inconfundivelmente frágil e seu violão sussurrante.
Em 1997 lançaria uma de suas grandes obras prima o soturno Either Or e no mesmo ano concorreria ao Oscar como melhor canção incluída no filme Gênio Indomável com a musica Mss Misery, Either Or possui toda a gama de texturizaçoes folks de Elliot, um álbum minimalista onde Elliot mostra que precisa de pouco para emocionar, como Speed Trids que adentra-nos com seu violão constante e Elliot cantando em tom sublimemente grave quase como se fosse um grande segredo que poucos podem saber ele confessa "estou correndo distancias permanecendo parado, correndo distancias permanecendo parado" em Alameda ouvimos ao longe uma pequena vocalização uivante e Elliot falando sobre alguém que através dos seus erros partiu o seu próprio coração, a beleza dos dedilhados mistura-se ao ambiente entrecortante da voz de Elliot "ninguém partiu o teu coração você o próprio partiu" já em Between The Bars um violão saído do limbo mais assustador de algum poeta arrebata-nos pela carga de melancolia delicadamente bem dosada e Elliot nos convidando "Beba comigo agora e esqueça toda a pressão do dia" síntese de toda a sinceridade melódica Elliot ainda confessa "beba mais uma vez e eu vou te fazer minha e a manterei profundamente no meu coração" uma das grandes perolas de toda a sua discografia. Either Or vai avançando e Elliot canta dispersamente dentro de profundidades agonizantes em No Name #5 o violão indiscuitivalmente Elliotiano rasga-se de tristezas e memórias dilacerantes e como diz o poeta "tive um segundo só com a chance que deixei passar e no fim tudo se foi..." certo equilíbrio intimo é momentaneamente restaurado em Rose Parade, as frases de violão são cúmplices de um Elliot que machuca pela sinceridade visceral de sua voz, cordas e versos "...e quando limparem as ruas eu serei o único lixo deixado para trás" Angeles é sem duvida uma das grandes canções da década de 90, os dedilhados de violão paracem sair do âmago de toda a profundidade do mundo e Elliot canta confessionalmente sobre o anjo que tentamos encontrar em cada uma de nossas vidas como consolo para nossa alma Either Or vai encerrando sua jornada como um álbum perfeito para instantes intropesctivamente frágeis, detalhes sendo consumidos e corações sendo escavados e corações rasgados como feridas expostas pela noite, memórias como "Rachaduras ocultas que não se revelam mas que constantemente se alargam" em Say Yes, Elliot tossi e guarda certo silencio e com calma vai nos entregado sua ultima pérola entre um violão apaixonante e uma melodia feita de nuvens embaladas pela voz que hoje deve estar ao lado de Jeff Buckley, Nick Drak e Renato Russo num lugar sublime assim como sua musica, "Fui mandado embora e nunca mais retornarei " só em nossas almas como que "Procurando pelos braços de alguém para mandar para longe as feridas do passado" esse foi e é o eterno Elliot Smith “Anjos, me respondam, Vocês estarão por perto se a chuva cair?”
Por: João Leno Lima

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O IRREPARÁVEL

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09:04



Não sinto a alma mas sossego
Mesmo assim sinto que o verso impossível
é o único verso inalcançável no poema da minha alma.
Mesmo assim sinto que minha alma
tem o mesmo peso do irreparável
Sobre não sentir,
Afirmo que no âmago dos meus sentidos,esta o infinito,
O derradeiro tentáculo da transcendência,
Não sinto a alma mas sossego.
Agora respiro as sombras das tempestades
Que encobrem meu pequeníssimo horizonte.
Dizem que já não sinto,
Insisto no verso como para insistir em mim mesmo,
Atiro-me na insistência transcendente de desejar o irrecuperável,
Desfiguro-me sendo quem em sou,
Enésima parte vazia do cosmo,
Animal cuspidor do vulcão inocente que esta na criança-tempestades
Que abriga a criança transparente Que sou eu,
a molécula liberta.
Que cai como uma chuva de pensamentos indomáveis.
Mas ainda sou a união de trovoes
Que ainda não tiveram chance.
Não sinto a alma mas sossego
Perco a respiração quando vejo tua forma de nuvem
Que é a forma de um poema escrito no inesgotável.
Repito-me sempre, assim como a noite
E descubro nisso palavras que disse
A séculos atrás antes de mim mesmo.
Portanto, sou a construção milimetrica.
De inconscientes que se atraem.
Não sinto a alma mas sossego
Busco a musica que ira alegrar meus calcanhares.
Encontro nos rostos cotidianos
A expressão intima do abismo.
Esse poema nasceu dentro do útero
Do grito de toda a humanidade.
E nesse momento sinto uma dor
Que pega o corredor do meu corpo
E se mistura com os universos do vazio
que me usa como escudo de sensações
Que não podem se realizar,
E o oceano quer engolir outro oceano que sou eu,
Por que ele quer ensopar o mundo com tanta lagrima?
Não sinto a alma mas sossego
Nos hemisférios do verso impossível
Os sonhos que por eternidades
Deixaram de ser sonhos
Ressurgem me engolido
Como se eu fosse
Vulcões, mares, desertos, crepúsculos e universos inteiros,
Tudo isso eu mastigo
E vomito na pagina
Faço-me reviver por uma eternidade passageira
O que é ser;
união espacial;
todos os mundos juntos convergindo...
hora absoluta.
Não sinto a alma mas sossego
Por que qualquer espaço vazio momentâneo
Deixa-me inconsolável?
Nos primeiros raios da manhã
Sou o vento capturado pela cápsula da loucura,
No primeiro passo começo a descer
todas as escadas dentro de mim,
Começo a subir os grandes degraus crepusculares,
Começo a escalar os segundos da hora morta,
Começo a ruir em partes simétricas,
No final da tarde chuvosa
Não sou mais tempo-espaço
Sou apenas tempo
às vezes espaço
Ou precipício,
onde a solidão se joga de braços abertos
Trazendo o mundo consigo.
Meu ser torna-se a rua vinte e um de abril
Onde a tristeza passeia de bicicleta num nevoeiro invisível,
Destruo esse pensamento
E começo a ser o consolador irremediável
Da minha pequena partícula de universo intimo.
Não sinto a alma mas sossego
Por isso estou partindo em todos os instantes,
O longe demais é o mais perto que suporta meu ser
Com minha força na ponta dos dedos do poema...
Eu Não sinto a alma mas sossego
O que não traz angustia traz-me solidão verossímil,
Movo-me através de abismos,
Mas sempre caio
No deserto de mim mesmo,
Já estou no chão da hora desgovernada,
Não sinto a alma mas sossego.
Transfiguro-me.
Sou aquela sensação de morte que desce pela goela do grito,
Às vezes no vinho, o gosto tem sabor de memória naufragada,
Não sinto a alma mas sossego.
Quero flutuar para sempre no meu próprio sonho
Como será ser a nuvem do seu próprio sonho?
O verso que me acalma esta na tua alma
Onde esta tua alma nesse exato infinito instante?
Onde esta teu rosto irreversível ao controle do tempo?
Não sinto a alma mas sossego.
Cuspo-me na extremidade,
Quero compartilhar com minha amiga seu cigarro eterno
Para eu finalmente provar a saliva do mundo.
Cansei de tropeçar em invisibilidades,
Deito no colo dos pensamentos e espero a asas,
E se elas não existirem?
O que me move para fora do percurso
Do meu próprio universo?
Cravo meu dentes na rotina cotidiana e percebo...
Não fui...
Nunca fui parte do todo
Nem quando desejei ser,
Sou parte do vazio mesmo sendo também
Parte da angustia mesmo sendo parte da lágrima
Mesmo sendo algo que definha com as coisas que definham
Mesmo sendo o infinito inclinado para um caos absoluto,
Bebo as bordas e abocanho pequenos sonhos irremediáveis,
Mas ainda tenho que bater o ponto no meu trabalho invisível.
A fragilidade não esta no meu rosto,
Sou transparente perante o crepúsculo
Na aurora uso a máscara cheia de poemas,
Respiro o ar das multidões e adoeço de inconsolável,
Só me quebro nas pequenas quedas,
As pequenas coisas para mim são pequenos oceanos
Mergulho-me...
O mundo lança sua rede inominável,
Sou aqueles pequenos objetos perdidos e mudos de versos,
Retorno à tona no confim de mim mesmo
E sinto meu chão de deserto e não sinto meu chão de galáxias,
Todos no congresso devem estar achando
Que sou apenas parte dos segundos,
Todos a minha volta devem estar preocupados
Com seus dejetos fabricados na hora escura do relógio,
Todos que não me conhecem
Devem estar mergulhados nos seus próprios livros íntimos
Achando que isso não passa
De uma autoconsolação de mim para o nada,
Responderei a todas as almas quando sentir a minha,
Escreverei o verso ainda não lido quando encontrá-lo em mim,
Lerei a carta redigida pelo silencio para meu choro de criança oca,
Mas... ainda
Não sinto a alma mas sossego.
Mesmo assim quero engolir todas as tempestades
Não sinto a alma mas sossego
Digo
Todas as tempestades
Não sinto a alma mas sossego
E implodir de eus
Não sinto a alma mas sossego
Na ultima eternidade da alma
De todas as poesias.



De: João Leno Lima

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LONGÍNQUO

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08:57






Aceito a infinitude das tempestades
Mas não aceito a finitude das sensações.
Quero a marítima sensação
De se afogar nos universos da existência,
Quero que o mar de lágrima que me acompanha
Esqueça de mim por alguns segundos,
O meu coração abriga pequenos cinemas mudos de desejos,
Subo a escada que vem por fora das ausências,
Dou contornos no teu silencio,
Sinto o descaso de mim para mim
Quando olho-me pela frecha da noite desoladora,
Caminho ate o horizonte
Só para confirma sua inexistência,
Reencontrei a canção que me alegra
Mas ela me entristeceu de mundos distantes,
Às vezes o inalcançável é querer morrer
Nos braços da solidão
Numa nebulosidade que dura alguns minutos
Mas parece toda a eternidade consumida ate o ultimo suspiro,
O longínquo é meu sexto sentido.
Toco no rosto dos poemas para sentir alguma realidade,
Adormeço no firmamento dos poentes das lamentações,
Escrevo livros e ouço a pagina em branco
me dá conselhos dispersos,
Mas não me iludo
Despenco na hora de despencar
O quanto mais cedo esquecer-me, mas cedo anularei a dor
Que dentro de mim é uma tarde interna que chove
Quase interminavelmente...
Mastigo essa nuvem sem razão de ser
E fantasio um outro mundo,
Onde estrelas são espelhos onde podemos ver a extremidade de tudo,
Onde as ruas são goles de vinhos
Que bebemos para transcender alem dos muros cotidianos,
Sim
Aceito a infinitude das tempestades
Não aceito a finitude das sensações.
De: João Leno Lima

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