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*pouca vezes vi tamanha expressão visual no cinema como nessa obra de arte.

"Asas do Desejo" é um espetaculo visual e poético indescritivel.

é poesia levada ao âmago do absoluto.


“Quando começa o tempo e onde acaba o espaço?”
Dessenterro-mo mil vezes nas
Densas camadas vulcânicas do quarto.
Certezas indesejáveis consomem meu pulmão jovial.
Restos de paredes balbuciam meu horizonte.
Então por que eu não sou um cometa?
Desintegro-me mil vezes e caminho.
Sinto que não há lugar, nem lugar comum
Nem lugar nenhum para descansar minhas memórias.
Estou entre o vácuo da desordem perfeita do labirinto intimo
E o choro invisível de criança ensurdecendo os desejos.
Por que eu não sou uma nuvem?
Viveria entre o céu e as palavras vazias onde já esperei versos,
Sentiria a dor da partida
Mas sentiria também o frio atravessar meu corpo
Com a chegada aos cabelos dos sonhadores.
Sufoco-me mil vezes e ainda corro.
Dasabo-me no espiral de sensações repetidas
Cavernas saídas de dentro dos meus passos
E esconderijos de cabeça para baixo das reflexões.
Possuirei o corpo da musa como
quem possuiria um universo completo.
Tomarei café da manha com meu medo
E serei aconselhado pelo anjos indivisíveis
A quilometro de distancia das lagrimas.
Quero partir em caravelas ou balões vindos de todos os possíveis.
Espero encontrar com meus amigos na esquina da eternidade.
Por que eu não sou um raio?
Atingiria as camadas mais profundas das verdades
Qual das verdades?
Falo baixo comigo mesmo para não acordar o grito silencioso,
Caio no abismo mil vezes e continuo o flutuar nas previsibilidades.
Atravesso as portas abafadas,
Desço as escadas com rosto rarefeito,
Poluo o ar com olhares calmos desesperados por mar,
Mulheres e homens passando de uma seta a outra procurando
Os melhores ângulos de si mesmos,
No duelo particular com a criança eu sou o inimigo de mim mesmo
e reconheço que perdi a mim para um nada.
assim a intensa desordem permanece,
Calculo meus antídotos que não posso tomar e
As pílulas de sorrisos passageiros,
Chega a hora derradeira e eu preciso voltar aos
Braços de um uivo murmurante de pensamentos.
Por que eu não sou vento?
Afogo-me mil vezes mais continuo descendo
As profundezas desconhecidas.
Minha mãe, irmã e conhecidos planejam ser eles mesmo
Nos próximos segundos
Mas eu planejo ser alguma estrela.
Não, não quero brilhar,
Só quero o silencio das galáxias por algumas horas
E observar os passos quebradiços dos meus amados de longe...
Descendo e demonstrando coragem na dor.
Eu procuro nas incertezas alguma certeza metafísica e
Não quero mais sentir o absoluto através das ausências translúcidas,
Sou meu próprio exílio e tranco-me a mim mesmo por fora e
Quando desaba a chuva permaneço sentado engolindo a tempestade.
Só há uma certeza na tempestade,
Que ele passará levando uma parte de mim, mas não o todo...
Por que não sou o que sempre penso que sou
Mais que só dura alguns segundos
E nesse segundo é possível abrigar-me tudo que sou?
Se a pergunta for de uma criança sou o feto agarrado aos joelhos do universo,
Deus diz: "larga-me!”.
E me solta como uma folha solta num céu incerto monstruosamente enorme
Quantas vidas ainda?
Quantos pormenores? Quantos fazeres cotidianos imperfeitos?
Quantos copos de café na madrugada?
Quantas passagens de ônibus acumuladas na manha?
Quantas pedaladas por segundos na temporalidade da matéria?
Quantos sorrisos numa só estrofe de dialogo?
Quantos amores apenas contemplativos?
Quantos amores vividos até explodir o coração em
Constelações incompreensíveis?
Quantas mentiras insuperáveis? Quantas verdades que deixaram ser absolutas?
Quantos goles de
Tempo-
Espaço-
Eu-
Tudo-
E nada-
Ninguém-
Alguém-
E tudo-
Eu - nós...










João Leno Lima
30 de Dezembro de 2008
O primeiro verso do poema foi tirado do genial filme de
Wim Wenders “Asas do Desejo”

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