Microbunny - Dead Stars

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De repente somos abduzidos para um mundo distante, cheio de ambientes claro escuros, soturnos, becos frios da nossa mente, espaços umedecidos de subconsciências, como se a viajem já tivesse começado, mas só agora estamos com a consciência disso e pior, não sabemos para onde estamos indo... Dead stars.
Formado por al okada e Tamara Williamson. O Mycrobunny, grupo canadense de downbeat. Lançou em 2002 seu primeiro álbum e logo em seguida lançaria um dos melhores discos da historia da musica eletrônica. O texturizado e cosmicamente genial Dead Stars (2004). disco que tem a personalidade dos grandes álbuns. É orgânico dentro da inogarnicidade eletrônica. Há texturas jazzistas que se misturam a batida breakbets, doses de blues Spaces, cordas se entrelaçando com metais, violinos e trompetes sendo entrecortados por um vocal cosmicamente esquizofrênico. Batidas etéreos sobrevoam a melodia enquanto trompetes distantes passeim pela extremidade de "HONEYTONE" o vocal de Tamara adentra os tempo e espaço sendo conduzido por ásperas texturas de pianos gélidos e beckvocais caindo em abismos próximos de nós. Em "Gamma Hydra IV" sintetizadores alucinados misturam-se a intensa bateria e logo ouvimos ensurdecedoramente metais rasgando a melodia, órgãos engolindo o vocal de Tamara que flutua acima de todo o caos sonoro enquanto somos soterrados por fragmentos jazzy transformados em angustiantes Ambientes cosmicamente perturbadores. "Grey Stars" surge em freqüências paralelas, beats que uivam soprando-nos para sermos conduzidos a outras galerias do nosso cérebro.
Enquanto "Henoch" surge como uma forte e curta tempestade sintética e nos arremessa em "Wishing" um piano, melancolicamente crepuscular, joga nosso ouvidos no espaço intermediário entre a consciência e o tênuo descompasso existencial, o vocal disperso estende seus braços para alcançar nossa inalcansabilidade e tudo se acalma em entorpecimentos mútuos, o piano parafraseia nossos lamentos cheio de universos paralelos e vocais e pianos e pratos que explodem contra a parede da melodia nos levando a "Binbo Furi", batidas constantes se entrelaçam os sintetizadores fugitivos e um piano ao longe vai sendo coberto pelos nevoeiros cheios de uivos de "Season Of Change", estamos alucinados, sons de águas metálicas e ecos repletos de cristais e um vocal entregue a seu espaço interior, abocanha partículas de pianos e metais, criando pequenas colunas que sustentam o texturizado corredor dos nossos sentidos cheios de cavidades de sonhos espaciais mas definhanhos prematuramente, nascedo a alienígena "Silver Stars", notas de pianos abrem as portas e fortes gritos roucamente inoxidados ensurdecem os quatro cantos para então "Blue Stars", surgir das cinzas gravitacionais da melodia. Trêmulos espaços são preenchidos por uma ambiente grave, passionalmente vulcânico, onde o vocal de Tamara destila-se adentrando todos os pedaços de trompetes e sintetizadores e com uma falsa calma vai se esculpindo em desequilibrada fuga desesperadoramente sentida na vocalização final, ela vai desaparecendo aos poucos para surgi num horizonte vertiginoso "Eminiar VII". Ecos mistura-se a scratchs e todos abraçados por alucinantes ruídos andróginos para então "The Drifter" arrasta-nos para alem dos espaços físicos, somos levados para fronteiras entropofagicamente ciborgs, onde uivos são ouvidos a quilômetros como cápsulas acústicas onde gritamos desenfreiadamente sem poder ser-mos ouvidos, a insuportabilidade do silencio nos agredindo em telas que capturam nossos gritos e o arremessa no abismo do esquecimento irreparável.
Então em "Rose-Coloured Glasses" já estamos rendidos, o vocal de Tamara para nos fazer lembrar de nos mesmos, a bareria inicial que puxa a melodia serve como um despetar da sonífera vertigem absoluta, a textura beat racha as câmaras densamente etéras da melodia, soluços de trompetes se transformam em braços nos conduzindo a completa transcendência e pianos deságuam nos deixando sozinhos por alguns segundos. em "Dead Star" ouvimos a madrugada e ecos acoplados em órgãos Hi-Tec e espaçonaves descem pelos campos dos nossos sussurros e ouvimos faíscas imaginarias brotando de todos os lugares, mas a bateria surge grave e algo começa a tremer, esparsos ruídos estilhaçados nevam sobre nossas cabeças e esperamos para sermos embebedados pelo caótico universo de nós, o vocal ainda surge sublime, como se pouco se importasse agora, definha para cima, conversa consigo mesmo, num monologo feito de universos paralelos completos, novamente tudo se espalha, batidas entubadas chocam-se em pura esquizofrenia cosmicamente eletrônica, pianos despencam, o vocal desaparece surgindo abismais ventos despersonalizados e depois dessa tempestade, um piano faz renascer no ambiente a calma noturna das estrelas, baterias voltam a circular pela melodia, já se ouve pequenos esparsos do vocal timidamente que vai crescendo enquanto os segundos são transformados em matemáticos gemidos que logo mais uma vez são sobrepostos por um tempestuoso som inominável que brota do silencio e toma conta de todos os espaços, trompetes se espalham por meio de pianos e a tempestade soterra todas as saídas, somos transportados para desertos e oceanos, galáxias e vulcões, florestas derradeiras e planetas desabitados e lentamente improváveis dedilhados de violões se infiltram trazendo o vocal de volta, para o derradeiro recomeço, deixando com seus mais de 20 minutos, entorpecidos até a alma e desacordados de tudo que somos e onde estamos...Para terminar num expiral de conversas paralelas e raios de luz saindo de nossas cabeças desarticuladas rumo ao infinito espaço interminável.
"Season of Change" retorna em meio ao violão, a melodia minimalista agora tem um vocal masculino e soturnamente belo e é uma faixa curta e quando ainda nem acordamos "Untitled" encerra o album entre diálogos ao fundo de crianças brincando, estranhos ruídos metálicos e arranhões de portas embutidas sendo abertas e estamos de volta, cuspidos e asfixiados, mas, quem somos e onde estivemos? E pra onde vamos depois de visitar as galáxias mais distantes dentro de nós mesmos?

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Por: João Leno Lima

Entulho Cósmico

Toda a palavra é um verso e todo o verso é um infinito

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