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ha uma alma mas não ha ninguém.
estou tomado pela absoluta certeza de não saber nada,
não quero toda a infinitude do mundo
só quero toda a infinitude
que caiba no meu coração,
minha boca invisível
abocanha a boca invisível das manhãs
e trocamos salivas de abismos,
quero todas as galáxias
e se não puder quero tudo inesgotável
e se não puder quero desejar sonhar...
fui abandonado pelo tempo-espaço implacável,
me sinto órfão das auroras
acolhido pelas madrugadas crepusculares,
sinto o frágil colo dos precipícios íntimos
e me encolho nos braços
de uma momentânea ausência de solidão irreparável.
e essa tempestade interna que não passa?
e essas noites longas onde caminho pisando em fôlegos?,
e essas inevitabilidades cotidianas?
e essas asas que desaparecem no ar dos meus sentidos...
a ausência interna
é um vácuo onde procuro uma porta,
me sinto as horas
um animal incontrolável
que foge levando meu grito,
lá fora, passeio pelo sussurro das tardes
mas eu ainda me sinto uma criança
com medo chorar no possível,
qualquer lagrima é uma gota de oceano
que tem o mesmo peso da minha alma a noite.
meus rastros tocam as pálpebras
das cordas bambas das pequenas felicidades
e quando parece que nada
absolutamente nada
é capaz de me mover
para fora dos meus pensamentos mais dilaceradores
começo a sentir o impossível através de uma poesia
reencontro-me por segundos
levanto de mim e ando...
eu, o impossível sendo possível em mim mesmo.

Entulho Cósmico

Toda a palavra é um verso e todo o verso é um infinito

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