A LOGICA INVISIVEL

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23:32



a logica absurda da poesia é sentir.
odeio a lógica mas amo o absurdo,
crio enigmas que serão desvendados só por mim,
a chuva acida de sonhos pela metade me fabrica,
goles de venenos subconscientes esfaqueia-me por dentro,
confesso que já decidi viver e não apenas existir,
apertarei o botão de autodestruição na hora vestical,
abismos abstratos percorrem o interior
dos meus olhos causando lagrimas
que so serão sentidas quando eu mergulhar em mim mesmo
escrevo agora sob o efeitos de cacos de vidros
formando a tez da madrugada.,
qual a lógica da tua alma e qual tua simetria?
se eu quisesse desvendar teu corpo
viajairia ate os confins procurando
rastros de finitas nuvens de desejos,
de qualquer formas as formas descritivas
nao cabem na memória soterrada de verdades,
o mundo dorme enquanto sonhamos acordados,
somos estranhos anjos poetas
nos versos infernais da cidade caótica,
caminhamos invisíveis pelo horror
pos-sonho e adentramos
com tubos de pura matemática
os números acorrentados no chão invulnerável,
sentimos a dor infitessima dor de ser
nós mesmo perante o mundo,
o mundo se ressente por termos o nosso próprio mundo,
ele quer nos alcançar não sendo ele mesmo,
quando nuvens de pensamentos
me carca gritando tempestuosidades
e soprando violentamente as paginas da poesia para longe
eu mergulho nela e não fujo,
termino poema como começo, sentindo por completo.
mesmo assim, o fracasso é um satélite
que paira nos meus ombros e observa-me sutilmente,
ilumindando meu mundo com cores crepusculares
e de aurora com tons feitos de noites oblíquos
e madrugadas que vagam solitárias a procura de companhia,
a solidao mais cheia de companhias solitárias é a solidão de si mesmo,
personagens caminham pela noite
e se arrastam com medo da manha
como seu houvesse um grande abismo a baixo das horas,
no diálogo espacial com meu amigo
as vezes estou do outro lado da conversa observando-me,
sou aquela fantasma que assusta-me,
a inquietude é como um vulcão
no centro gravitacional do meu coração desconsolado
meu grito nao é nem de liberdade nem de desespero
é um grito de quem engoliu o infinito.



By: João Leno Lima

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Entrevista com David Lynch

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18:38

entrevista de um dos mestres do cinema moderno, com sua lógica do absurdo e abstratas dimensões oniricas torna o encontro com a arte filmada de David Lynch, obrigatória.



Muitas pessoas acreditam que seus filmes seguem a lógica dos sonhos. Mas você escreve no livro que é muito raro tirar idéias de algum sonho para um filme.


Lynch: É verdade, eu quase nunca tiro idéias dos sonhos que tenho dormindo. Mas sonhar acordado é uma outra coisa. É uma forma ótima de ter idéias. O desejo é a isca. Se você deseja enquanto está sonhando acordado, as idéias vêm à sua mente. Você pode não gostar delas, mas outras virão. Você pode estar sentado em uma cadeira, pode estar andando ou almoçando num restaurante. Uma pequena coisa pode engatilhá-la. Daí você precisa botar no papel. Diga a todos: sempre escreva as idéias pelas quais você se apaixona, porque você não pode esquecê-las.


Como foi a experiência de trabalhar na TV com Twin Peaks? O tempo mais longo da série em relação a um filme permite um fluxo melhor das idéias?


Lynch: Sim, contar uma história numa série é emocionante, porque as idéias não precisam ser concluídas de forma tão rápida como em um longa-metragem. O problema é que a TV consome demais o seu tempo. Em um ponto de Twin Peaks, eu parei de escrever e de me envolver com a série. E daí deixou de ser divertido. Eu filmei o longa Coração selvagem [1990] em meio à série. Não é a forma certa de fazer as coisas. Você tem que estar envolvido o tempo todo, estar dentro do processo, sentir o trabalho.


No livro, você conta que estava obcecado com o julgamento de O.J. Simpson durante a filmagem de A estrada perdida, e que isso se refletiu no filme (como Simpson, o protagonista teria sofrido uma “fuga psicogênica”, em que sua mente se ilude para não pensar no horror cometido). Você parece um artista mais voltado para seu interior do que para o mundo externo. Foi uma surpresa saber que você acompanhava um fato tão mundano como o julgamento de Simpson. De que forma você acompanha questões urgentes do dia-a-dia, como as eleições americanas, por exemplo?


Lynch: Antes de responder, tenho que dizer que vou votar em Barack Obama... Bom, eu sempre fico obcecado por certas coisas, e o julgamento de O.J. Simpson foi uma delas. Eu costumo dizer que seres humanos são como detetives, nós pensamos no mundo como eles. Pistas dispersas vêm de todos os lugares, TV, rádio, revistas, e nós tentamos usá-las para desvendar o grande quadro.



História real (1999) é um trabalho de encomenda, com uma narrativa muito mais linear que a maioria de seus filmes, embora ainda tenha várias marcas de sua obra. Foi mais difícil trabalhar dessa forma, já que essa não é a maneira como sua cabeça geralmente funciona? Você acha que Hollywood tornou-se linear e óbvia em excesso?


Lynch: Com certeza. Mas talvez tenha sido sempre assim. Eu costumo dizer que História real é meu filme mais experimental, porque há uma emoção que eu tentei tirar da narrativa, mas poucos elementos se movimentando para isso. Essa história de uma pessoa na tela chorar, mas o sentimento não se traduzir para o espectador... É delicado, arriscado. Mas às vezes uma pessoa ri na tela e todos vão junto. É uma mágica. Como acontece? Não sei. Por isso digo que esse é um filme experimental.


Cidade dos sonhos tem uma visão dura de Hollywood. De certa forma, o filme compara os produtores com mafiosos. Isso reflete sua opinião sobre Hollywood?


Lynch: Essa é sua visão do filme. Não há uma maneira de um único filme representar toda a Hollywood. É sempre uma pequena fatia de algo. Como acontece com meu filme preferido, Crepúsculo dos deuses [1950], de Billy Wilder, que captura o sentimento de Hollywood em uma época específica.


Você diz que não há só uma Hollywood. E, observando a vista do seu estúdio, dá para entender por que você gosta daqui como um espaço geográfico. Mas como é sua relação com os estúdios?


Lynch: Eu nunca trabalharia em um estúdio. Apesar de sabermos que essa é uma cidadecheia de absurdos, certas coisas podem ser muito dolorosas. Mas há algo de mágico em Hollywood também: ela é sempre a mesma, mas está sempre mudando.Se você quer sobreviver, é melhor encontrar o balanço no sucesso e no fracasso. Aí você estará OK.


Muitos espectadores tentaram decifrar quais partes de Cidade dos sonhos eram pesadelo, imaginação ou realidade. Você considera esse tipo de interpretação válida ou preferia que as pessoas simplesmente aceitassem o mistério do filme? Por que você sempre se recusa a explicar seu trabalho ou a gravar faixas de comentários para seus DVDs?


Lynch: É perfeitamente normal tentar fazer qualquer interpretação do filme. A razão pela qual eu não falo sobre meus filmes é que o que eu tenho a dizer realmente não importa. Sou apenas mais uma pessoa. Se disser algo, é o que representa para mim. Eu não quero estragar as interpretações de ninguém. É importante tentar manter o filme o mais puro possível.Ele leva muito tempo para ser feito. Depois que está concluído, nada deve ser adicionado, nada deve ser tirado.


No livro, você diz que não faz idéia do que a caixa e a chave representam em Cidade dos sonhos. É verdade?


Eu sei o que é para mim. Mas não quero arruinar a visão das outras pessoas sobre o assunto.


Depois das experiências com vídeo digital em Império dos sonhos, para onde vai sua carreira no cinema?


Lynch: Não sei. Estou fazendo um documentário sobre a turnê que fiz por 50 países falando de meditação e paz. Quando terminar, verei o que acontece. Quero saber aonde as coisas estão indo, porque o cinema não é mais o mesmo. Onde um filme será exibido? Que mundo será esse? Eu estou em uma fase de contemplação.


Vou mencionar dois fatos que podem ter te deixado com raiva de Hollywood em diferentes épocas e você me diz se a meditação ajudou a superá-los: o primeiro foi não ter o corte final de Duna (1984) e o outro foi não ter encontrado distribuidor americano para Império dos sonhos (2006).


Lynch: Foi uma tristeza e um pesadelo não ter o corte final de Duna. Eu sabia, intelectualmente, que não deveria aceitar isso. E, assim que topei, percebi que estava me vendendo. Mas não haveria um corte do qual eu me orgulharia, porque comecei a me vender já na fase do roteiro. Sabendo que [o produtor] Dino [De Laurentiis] pensava de um jeito, eu tentei conseguir tudo que queria dele, mas certas coisas eu sabia que não ia conseguir, elas saíram do caminho. No fim do processo, eu estava destruído internamente. Porque o filme sempre sou eu. Eu me identifico tanto com meu trabalho que, se ele é ferido, eu também saio machucado. Eu juro: se eu não estivesse meditando, algo muito ruim teria acontecido comigo.


Como tentar se matar?


Lynch: Ou isso ou ter ficado muito, muito doente. Eu não podia suportar. Mas, de alguma forma, vi que ia passar. Não foi divertido, mas eu aprendi uma lição e superei. Com Império dos sonhos, foi bem diferente. Se você faz um filme no qual realmente acredita e ele não vai bem no mercado, você pode viver com isso facilmente. Se você faz um filme como Duna, no qual não acredita, e ele ainda fracassa, você morre duas vezes. Império dos sonhos é um filme que me levou a lugares lindos, a uma promessa de futuro. Eu amo o filme, então não me importa se ele foi bem ou não no mercado. Além disso, ele foi lançado em uma época que o cinema está mudando radicalmente, como a música. Os lançamentos em salas de cinema raramente se pagam, o DVD também está em crise, tudo acaba desaguando na internet. Império dos sonhos foi pego no meio dessa transição. Além disso, claro, é um filme com três horas de duração que quase ninguém entende. Mas há pessoas que amam o filme. E eu sou uma delas.



Você sempre foi um defensor dos experimentos visuais na internet. E, depois da experiência com o vídeo digital em Império dos sonhos, declarou que a película está morta. A sala de cinema também está em vias de extinção?


Lynch: Está e não está. Há algo sobre uma sala de cinema e uma experiência compartilhada que eu não vejo muito como pode morrer. Mas acho que o cinema vai se tornar cada vez mais uma arena de eventos. Vai ser difícil para as pequenas salas sobreviver. Também acho que os centros de entretenimento caseiros vão se tornar cada vez melhores. Eu acredito que ver um filme é um evento sagrado. Não posso dizer às pessoas o que fazer, mas acho que a luz deve estar baixa, não deve haver interrupções, o som deve ser incrível e a tela a maior possível, para que você tenha a chance de ir para outro mundo. Eu tenho um home theater, e os DVDs ficam lindos nele. Se a imagem está definida demais, você pode tirar um pouco do foco e ter uma grande experiência.


Você continua freqüentando o cinema? Que filmes recentes lhe agradaram?


Eu gostei de Onde os fracos não têm vez, dos irmãos Coen, com exceção do fim. Assim que o herói foi morto, o que nós nem vimos acontecer, eu saí completamente do filme, não me importei com nada do que veio depois.


Como foi sua infância? Você identifica algo naquele período de sua vida que ajuda a explicar o cineasta que você se tornou?


Lynch: Tudo que você assimila quando criança é importante. Meu pai era um pesquisador do Departamento de Agricultura. Ele cresceu em Montana e amava árvores de uma maneira que você não pode imaginar. Ele me levava de tempos em tempos à floresta. E eu continuo indo hoje. Amo as árvores do Noroeste americano, principalmente o pinho. Já a minha mãe cresceu no Brooklyn. Quando eu era pequeno, era comum sair desse clima de floresta do Noroeste para Nova York. E esse contraste violento impressiona uma criança. No Brooklyn, eu sentia uma incrível tensão no ar, violência, medo. Já a floresta eu achava amigavelmente misteriosa. Você podia sentar, ouvir e olhar por horas. Parecia que não acontecia muita coisa, mas era mágico. Não há nada como a natureza.


Você era considerado uma criança excêntrica?


Não. Na verdade, eu nunca tive uma idéia original até eu chegar a 19, 20 anos.E qual foi essa idéia?Não me lembro. Mas me recordo de pensar algo que era mais meu do que de qualquer outra pessoa. Era algo relacionado ao meu trabalho como pintor.


Quando você descobriu que a pintura não seria suficiente para você?


Lynch: Não é que não era suficiente. Eu amava e ainda amo a pintura. O que aconteceu foi o seguinte: eu acabei indo estudar na Pennsylvania Academy of Fine Arts, na Filadélfia. Eu nunca quis pisar na Filadélfia. Mas eu estava lá. E foi um grande lugar para mim, porque os alunos eram pintores sérios, e nós inspiramos uns aos outros. Eu tinha um cubículo em um grande estúdio na escola. E estava lá fazendo uma pintura de um jardim à noite. Eu estava olhando para a pintura e de dentro dela veio um vento que moveu as plantas. Eu pensei: uma pintura em movimento! Havia um concurso de pintura experimental no fim de cada ano. E decidi fazer justamente uma pintura em movimento, um filme com um loop de 1 min sobre uma tela esculpida, com um barulho de sirene ao fundo. Chamava-se Seis homens ficando doentes. Ganhei o primeiro prêmio. E esse foi meu começo no cinema.


Logo depois da escola de arte, você começou a filmar Eraserhead e a praticar meditação transcendental. No livro, você conta que foi uma época turbulenta em sua vida pessoal, e o filme reflete o conflito do protagonista com a idéia de casamento e da paternidade. A meditação também ajudou nessas questões íntimas?

Lynch: Eu me casei e me separei três vezes. Então você pode dizer que tenho problemas no departamento matrimonial. Mas, na minha cabeça, as coisas mudaram. Os eventos na sua vida podem permanecer basicamente os mesmos quando você começa a meditar, mas a maneira como você os enfrenta certamente melhora com o tempo. As relações melhoram. Mesmo as relações estremecidas. Os problemas continuam lá, mas há uma gentileza e uma compreensão maiores pela outra pessoa. Tudo pode estar desmoronando, mas isso não vai mais matar as duas pessoas.


É verdade a história de que, ao ser apresentado à atriz Isabella Rossellini (que depois se tornaria sua namorada por quatro anos), você teria comentado: “Você poderia ser a filha de Ingrid Bergman!” (sem saber que, na verdade, Isabella é realmente filha de Ingrid com o cineasta Roberto Rossellini)?



Lynch: História verdadeira. Eu estava com outras três pessoas. A gente foi apresentado em um restaurante de Nova York. Eu estou lá sentado e olhando para Isabella. Daí fiz aquele comentário. A outra garota na mesa me olhou como se eu fosse um idiota. Mas a Isabella levou na boa.


E quanto à história de que você teria sido convidado por George Lucas para dirigir O retorno do Jedi (1983), depois que ele viu seu trabalho em O homem elefante?


Lynch: Sim, é verdade. Mas era uma história do George. Eu apenas respondi que ele mesmo deveria dirigir.


Depois do fracasso de Duna, você se consagrou com Veludo azul, que tem muito das marcas do seu cinema posterior. Eu gostaria de saber como nasce a idéia de um filme tão peculiar como esse,de entender um pouco seu processo de criação.


Lynch: Quando Bobby Vinton gravou a música “Blue Velvet”, eu não gostei muito. Não era rock’n’roll. Mas, quando a ouvi de novo anos depois, ela despertou algo em mim. Ela tinha o clima do que o filme se tornaria. Eu escutei a música e pensei em gramados verdes de noite, lábios vermelhos e um carro. Isso foi o começo. O filme nunca aparece para mim de uma só vez, ele vem em fragmentos. Esses foram os primeiros.



Entrevista cedida a resvista Trip, em seu estúdio em Los Angeles, em 18 de julho, 2008

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Phoenix confirma existência de água em Marte

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00:54

A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta quinta-feira que testes de laboratório realizados por sua sonda espacial Phoenix confirmaram a existência de água em Marte.
Há anos os cientistas sabiam que havia gelo em Marte. Phoenix foi enviada para o quarto planeta do Sistema Solar para estabelecer se se tratava de gelo formado por água, dióxido de carbono ou outro tipo de substância.
A amostra de gelo foi recolhida na quarta-feira pelo braço robótico de Phoenix e depositada em um instrumento que identifica vapores produzidos pelo aquecimento do material.
"Nós temos água", disse William Boynton, da Universidade do Arizona, responsável pelo analisador termal da Phoenix. "Nós vimos indícios desta água congelada antes em observações feitas pela nave Mars Odyssey e em fragmentos que se diluíram aos serem observados pela Phoenix no mês passado, mas esta foi a primeira vez que água marciana foi tocada e testada."
A amostra de solo foi extraída de uma perfuração de aproximadamente cinco centímetros no solo. Neste ponto, o braço robótico deparou com uma camada dura de material congelado.
'Surpresas'
O material foi exposto por dois dias e parte da água na amostra começou a evaporar, tornando o solo mais fácil de manipular.
"Marte está nos trazendo algumas surpresas", disse o principal investigador da missão, Peter Smith, da Universidade de Arizona.
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores mantém alguma cautela. Segundo eles, a constatação não prova que o gelo existia na forma líquida na superfície do planeta, ou que as condições em Marte alguma vez tenham sido favoráveis a isso. Serão necessários mais testes para verificar isso.
Os pesquisadores precisam verificar se água congelada já derreteu alguma vez o suficiente para estar disponível para a sustentação de vida e se substâncias com carbono e outras matérias-primas para a vida estão presentes.
Os resultados obtidos por Phoenix levaram ainda a Nasa a estender sua missão, que terminaria em agosto.
Agora a sonda, que desceu no superfície marciana em 25 de maio, vai prosseguir com suas observações em solo marciano até 30 de setembro.


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Os Oito Circuitos da Consciência

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09:53

por: Robert Anton Wilson

Trecho do livro "Cosmic Trigger: Final Secret of the Illuminati"["Gatilho Cósmico: O segredo final dos Illuminati"]


Vamos tentar entender a perspectiva do Dr. Leary a respeito desses mistérios. Para compreender o espaço neurológico, o Dr. Leary supõe que o sistema nervoso consiste de oito circuitos potenciais, ou "engrenagens", ou mini-cérebros. Quatro desses cérebros estão no lóbulo esquerdo, geralmente ativo, e estão preocupados com nossa sobrevivência terrestre; quatro são extraterrestres, residem no lado direito, "mudo" ou inativo, e são para uso em nossa evolução futura. Isso explica porque o lóbulo direito é geralmente inativo nesse estágio de nosso desenvolvimento, e porque se torna ativo quando a pessoa ingere psicodélicos. (A visão do cérebro simplificada por hemisférios direito-esquerdo é hoje contestada, mas a idéia permanece válida enquanto metáfora, já que a localização dos "cérebros" não interessa na verdade. N. do T.) Iremos explicar brevemente cada um desses oito "cérebros".



I. O CIRCUITO DA BIO-SOBREVIVÊNCIA Este cérebro invertebrado foi o primeiro a evoluir (2 a 3 bilhões de anos atrás) e é o primeiro ativado quando a criança humana nasce. Ele programa as percepções em uma tabela dividida em Coisas úteis-alimentíceas (das quais se aproxima) e Coisas prejudiciais-perigosas (Das quais ele foge, ou as quais ataca). A impressão desse circuito condiciona a atitude básica de confiança ou suspeita a qual sempre afetará os gatilhos de aproximação ou esquiva.


II. O CIRCUITO EMOCIONAL Esse segundo bio-computador, um pouco mais avançado, formou-se quando os vertebrado apareceram e começaram a competir por território (talvez 500.000.000 AC). No indivíduo essa realidade-túnel ampliada é ativada quando a fita mestre de DNA aciona a metamorfose de rastejar para caminhar. Como qualquer pai sabe, o neném já não é mais uma criança passiva (bio-sobrevivência) mas um mamífero político, cheio de exigências territoriais (e psíquicas), em pouco tempo se meterá nos negócios da família e na tomada de decisões. Novamente a primeira impressão desse circuito permanece constante pela vida inteira (exceto quando eliminado por lavagem cerebral) e identifica os estímulos aos quais engatilhará comportamentos dominantes/agressivos ou submissivos/cooperativos. Quando dizemos que uma pessoa está se comportando emocionalmente, egoisticamente ou 'como uma criança de dois anos', estamos querendo dizer que ele/a está seguindo cegamente um dos túneis-realidadel impressos nesses circuito.


III. O CIRCUITO DA DESTREZA/SIMBOLISMO Esse terceiro cérebro se formou quando os hominídeos começaram a se diferenciar dos outros primatas (cerca de 4 a 5 milhões de anos atrás) e é ativado pelas funções lineares do lóbulo esquerdo do cérebro, determina nossos padrões convencionais de manufatura de artefatos e pensamento conceitual. Esta é a terceira "mente" circuito. Não é por acidente portanto que nossa lógica (e nosso desenvolvimento de computadores) siga a estrutura binária desses circuitos. Não é acidente que nossa geometria, até o século passado, tenha sido Euclidiana. A geometria de Euclides, a lógica de Aristóteles e a física de Newton são meta-programas sintetizando e generalizando as programações para frente/para trás do primeiro cérebro, para baixo/para cima do segundo cérebro e esquerda/direita do terceiro cérebro.


IV. O CIRCUITO SEXUAL/SOCIAL O quarto cérebro, lidando com as transmissões de cultura étnica ou tribal através das gerações, introduz a quarta dimensão, tempo. Já que cada um desses túneis-realidade consiste de impressões bioquímicas ou matrizes no sistema nervoso, cada uma delas e especificamente acionada por neurotransmissores e outras drogas. Para ativar o primeiro cérebro tome um opiáceo. Mamãe Ópio e Irmã Morfina trarão você lá para baixo, até a inteligência celular, até a passividade da bio-sobrevivência, até a consciência flutuante do recém nascido. (Esta é a razão pela qual os Freudianos identificam adição aos opiáceos como um desejo de retorno a infância.) Para ativar o segundo túnel-realidade, tome uma quantidade abundante de álcool. Padrões territoriais dos vertebrados e política emocional mamífera aparecem imediatamente enquanto a bebida desce, como Thomas Nashe intuitivamente percebeu quando categorizou os vários estados alcóolicos com rótulos: "bêbado como um asno", "bêbado como um bode", "bêbado como um porco", "bêbado como um urso", etc. Para ativar o terceiro circuito, tente café ou chá, uma dieta rica em proteínas, anfetaminas ou cocaína. O neurotransmissor específico para o quarto circuito ainda não foi sintetizado, mas é gerado pelas glândulas após a puberdade e flui vulcanicamente através dos condutos sangüíneos dos adolescentes. NENHUMA DESSAS DROGAS TERRESTRES ALTERAM AS IMPRESSÕES BIOQUÍMICAS BÁSICAS. Os comportamentos que elas acionam são aqueles que foram armazenados no sistema nervoso durante os primeiros estágios de vulnerabilidade à impressão. O circuito II bêbado exibe os jogos emocionais aprendidos dos pais na infância. O circuito III "mente" nunca vai além das permutações e combinações desses túneis-realidade originalmente impressas, ou com abstrações associadas com essas impressões através de condicionamento posterior. E assim por diante. Mas todo esse robotismo Pavloviano/Skinneriano muda drasticamente e dramaticamente quando nos viramos para o lóbulo direito, os circuitos futuros e os químicos extraterrestres. Os quatro futuros "cérebros" são:


V. O CIRCUITO NEUROSSOMÁTICO Quando esses quinto "corpo-cérebro" é ativado, configurações planas Euclidianas explodem multi-dimensionalmente. Mudança gestalt, nos termos de McLuhan, do ESPAÇO VISUAL linear para um todo-penetrante ESPAÇO SENSÓRIO. Uma excitação hedonística ocorre, uma surpresa extasiante, um desprendimento dos mecanismos compulsivos dos primeiros quatro circuitos. Eu acionei esses circuitos com maconha e Tantra. Esse quinto cérebro começou a aparecer cerca de 4.000 anos atrás nas primeiras civilizações que mantiveram uma "classe de lazer" e tem aumentado estatisticamente nos séculos mais recentes (mesmo antes da Revolução das Drogas), um fato demonstrado pelas artes hedonísticas da Índia, China, Roma e outras sociedades influentes. Mais recentemente, Ornstein e sua escola demonstraram com eletroencefalogramas que este circuito representa o primeiro salto do linear lóbulo esquerdo para o analógico lóbulo direito. A abertura e impressão desses circuito tem sido a preocupação dos "técnicos do oculto" — xamãs tântricos e hatha yogis. Enquanto a quinta realidade-túnel pode ser atingida por privação sensorial, isolamento social, estresse psicológico ou choque brutal (táticas de terror cerimonial praticadas por gurus patifes tais como Don Juan Matus ou Aleister Crowley), tem sido mais tradicionalmente atingida pela aristocracia educada das sociedades de lazer que resolveram os quatro problemas de sobrevivência terrestres. Cerca de 20.000 anos atrás, o quinto neurotransmissor específico foi descoberto por xamãs na área do Mar Cáspio na Ásia e rapidamente se espalhou por outros magos através da Eurásia e África. É, claro, a cannabis. Erva. Mamãe Maria Joana. Não é acidental o fato de que o "cabeção-emaconhado" geralmente refere-se a seu estado neural como "alto", ou "fora do espaço". A transcendência das orientações planetárias gravitacionais, digitais, lineares, ou Aristotélicas, ou Euclidianas, ou Newtonianas (circuitos I-IV) é, numa perspectiva evolucionária, parte de nossa preparação neurológica para a inevitável migração de nosso planeta natal, hoje em seus primórdios. Esta é a razão pela qual tantos "cabeções-emaconhacos" são freaks de Jornada nas Estrelas e adeptos da ficção científica. (Berkeley, California, certamente a Capital da Cannabis dos EUA, tem um Posto de Troca da Federação na Avenida dos Telégrafos, onde o abonado pode facilmente gastar US$500 ou mais num único dia, comprando contos, revistas, bugigangas em geral).O significado extraterrestre de estar "alto" é confirmado pelo astronautas; 85% daqueles que já entraram na queda livre da gravidade zero descrevem "experiências místicas" de êxtase típicas do circuito neurossomático. "Nenhuma foto pode mostrar quão bela a Terra parecia," delira o Capitão Ed Mitchell, descrevendo sua Iluminação em queda livre. Ele soa como qualquer yogi ou "cabeção-emaconhado" bem sucedido. Nenhuma câmara pode mostrar essas experiências, já que elas ocorrem dentro do sistema nervoso. QUEDA LIVRE, NO MOMENTO EVOLUCIONÁRIO CORRETO, ACIONA A MUTAÇÃO NEUROSSOMÁTICA, crê Leary. A princípio essa mutação foi alcançada "artificialmente" por treinamento yogico ou xamânico ou pelo estimulante do quinto circuito, a cannabis. Surfar, esquiar, mergulhar e a nova cultura sexual (massagem sensual, vibradores, arte Tântrica importada, etc.) evoluíram ao mesmo tempo como parte de uma conquista hedonista da gravidade. O estado "Ligado" é sempre descrito como "flutuante", ou na metáfora Zen, "um pé acima do chão."


VI. O CIRCUITO NEUROELÉTRICO No sexto cérebro o sistema nervoso se torna consciente de si mesmo como separado de mapas de realidade gravitacionais (circuitos I-IV) e mesmo separado do êxtase-corporal (circuito V). O semantista Conde Korzybski, chama este estado de "consciência da abstração." O Dr. John Lilly chama ele "metaprogramação", i.e., consciência de programar a própria programação. Essa conteligência (consciência-inteligência) Einsteiniana relativística reconhece, por exemplo, que os mapas da realidade Euclideanos, Aristotélicos e Neutonianos são somente três entre bilhões de possíveis programas ou modelos para a experiência. Eu liguei esse circuito com Peyote, LSD e os metaprogramas de "Magick" de Aleister Crowley. Esse nível de funcionamento cerebral parece ter sido primeiro relatado lá por 500 BC entre vários grupos "ocultos" ligados pela rota da Seda (Roma - Norte da Índia) Está tão além dos túneis-realidade terrestres que aqueles que o alcançaram mal podem falar sobre ele para a humanidade comum (circuitos I-IV) e podem dificilmente ser entendidos mesmo pelos Engenheiros do Êxtase do quinto circuito. As características do circuito neuroelétrico são alta velocidade, escolha múltipla, relatividade, e a fissão-fusão de todas as percepções em universos paralelos de possibilidades alternativas como os da Ficção Científica. As políticas mamíferas que monitoram as lutas por poder entre a humanidade terrestre são aqui transcendidas, i.e., vistas como estáticas, artificiais, uma charada elaborada. A pessoa não é nem manipulada coercivamente até uma realidade territorial alheia nem é forçada a lutar contra ela com um joguinho emocional recíproco (o costumeiro dramalhão de novela). A pessoa simplesmente escolhe, conscientemente, se vai ou não, e até onde, compartilhar o modelo-de-realidade do outro. Táticas para a abertura e impressão do sexto circuito são descritas e raramente experimentadas em rajah yoga avançada, e nos manuais herméticos (codificados) dos alquimistas e Illuminati medievais-Renascentistas. Nenhum químico específico para o sexto circuito é disponível ainda, mas psicodélicos fortes como a mescalina (do cactus sagrado, o peyotl) e a psilocibina (do "cogumelo mágico" Mexicano, teonactl) abrem o sistema nervoso para uma serie misturada dos canais V e VI. Isso é apropriadamente chamado "viajar", como distinguido do "se ligar" ou "ficar alto" exclusivos do V circuito. A supressão de pesquisa científica nessa área tem trazido o resultado desafortunado de trazer a cultura marginal das drogas de volta ao hedonismo do quinto circuito e as realidades-túnel pré-científicas (a revivescência do ocultismo, solipsismo, Orientalismo Pop, etc.). Sem a disciplina e metodologia científicas, poucos conseguem decodificar com sucesso sinais de metaprogramação que são muitas vezes assustadores (mas filosoficamente cruciais). Cientistas que continuam a estudar esse assunto não ousam publicar seus resultados (que são ilegais) e cada vez mais as largas realidades-túnel somente são percebidas em conversações privadas — como os eruditos da era da Inquisição. (Voltaire anunciou a Era da Razão dois séculos atrás. Nós ainda estamos na Era Negra. A maioria dos alquimistas underground desistiram de tal desafiante e arriscado trabalho individual e restringiram suas viagens aos túneis eróticos do quinto circuito.) A função evolucionária do sexto circuito é permitir a nós uma comunicação na relatividade Eisteiniana e na velocidade neuro-elétrica, não usando os símbolos laringísticos do terceiro circuito mas diretamente via feedback, telepatia e ligação computadorizada. Sinais neuroelétricos irão continuamente substituir a "fala" (grunhidos hominídeos) depois da migração espacial. Quando os humanos tiverem escalado para fora do meio de atmosfera-gravidade da vida planetária, a conteligência acelerada do sexto circuito tornará possíveis a comunicação de alta-energia com "Inteligências mais Altas", i.e., nós-mesmos-no-futuro e outras raças pós terrestres. É charmosamente simples e óbvio, a partir do momento que percebemos que nossas experiências neurais fora-do-espaço são realmente extraterrestres, ficar alto e sair do espaço passam a ser metáforas acuradas. O êxtase neurossomático do quinto circuito é uma preparação para o próximo passo em nossa evolução, migração para fora do planeta. O circuito VI é uma preparação para um passo após isto, comunicação entre as espécies com entidades possuidoras de túneis-realidade eletrônicos (pós-verbais). O Circuito VI é o "tradutor universal" muitas vezes imaginado pelos escritores de ficção científica, já embutido em nossos cérebros pela fita de DNA. Da mesma forma eu os circuitos da borboleta futura já estão embutidos na lagarta.


VII. O CIRCUITO NEUROGENÉTICO O sétimo cérebro começa a agir quando o sistema nervoso começa a receber sinais de DENTRO DO NEURÔNIO INDIVIDUAL, do diálogo DNA-RNA. Os primeiros a alcançar essa mutação falam de "memórias das vidas passadas", "reencarnação", "imortalidade", etc. Que esses adeptos estão falando de algo real é indicado pelo fato de muitos deles (especialmente Hindus e Sufis) deram visões poéticas maravilhosamente acuradas da evolução, 1000 ou 2000 anos antes de Darwin, e previram a Super-humanidade antes de Nietzsche. Os "registros akáshicos" da Teosofia, o "inconsciente coletivo" de Jung, "o inconsciente filogenético" de Grof e Ring, são três metáforas modernas para este circuito. As visões de passado e futuro descritas por aqueles que tem experiências "fora do corpo" durante os episódios de proximidade da morte também descrevem o circuito transtemporal da realidade-túnel VII. Exercícios específicos para acionar o circuito VII não serão achados em ensinamentos yogis; após muitos anos do rajah yoga avançada, normalmente acontece, se é que chega a acontecer, o desenvolvimento de circuitos do tipo VI. O neurotransmissor específico do circuito é, é claro, o LSD. (Peyote e psilocibina também produzem algumas experiências do tipo). O circuito VII é melhor entendido, em termos da ciência de 1977, como os arquivos genéticos, ativados por proteínas anti-histônicas. (A ciência de 1996 ainda não contestou isso. N. do T.) A memória DNA se enrolando até a aurora da vida. Um sentido de inevitabilidade da imortalidade e simbiose entre espécies é comum aos mutantes do circuito VII, nós agora percebemos que isto, também, é uma coisa preparada pela evolução, já que ESTAMOS AGORA NO LIMITE ENTRE LONGEVIDADE EXTENDIDA E IMORTALIDADE. O papel exato do circuitos do hemisfério direito e a razão da seu acionamento pela revolução cultural dos anos 60 se torna clara. Como o sociólogo F. M. Esfandiary escreveu em UPWINGERS, "Hoje quando falamos de imortalidade ou de ir para outro mundo nós não mais estamos falando destes em seu sentido teológico e metafísico. As pessoas estão viajando para outros mundos. As pessoas estão lutando pela imortalidade. Transcendência não é mais um conceito metafísico. Ele se tornou realidade." A função evolutiva do sétimo circuito e de sua realidade-túnel é nos preparar para imortalidade consciente e simbiose entre espécies.


VIII. O CIRCUITO NEURO-ATOMICO Segurem seus chapéus e respirem fundo — esse é o ponto mais avançado onde a inteligência humana já se aventurou: Consciência provavelmente precede a unidade biológica, ou fita DNA. "Experiências fora do corpo," "projeção astral," contato com "entidades" alienígenas (extraterrestres?) ou com uma Super-mente galáctica, etc., como as que eu já experimentei, tem sido descritas por milhares de anos, não somente pelo ignorante, o supersticioso, o simplório, mas freqüentemente pelas mentes mais conceituadas entre nós (Sócrates, Giordano Bruno, Edison, Buckminster Fuller, etc.). Tais experiências são relatadas diariamente a parapsicólogos e foram experimentadas por cientistas como o Dr. John Lilly e Carlos Castañeda. O Dr. Kenneth Ring atribuiu a esses fenômenos o que ele chama, muito apropriadamente, de "inconsciente extraterrestre." O Dr. Leary afirma que o circuito VIII é literalmente neuro-atômico — infra, supra e meta-fisiológico — um modelo quântico da consciência e/ou um modelo consciente da mecânica quântica pelos físicos "ligadões" discutidos anteriormente (Prof John Archibald Wheeler, Saul-Paul Sirag, Dr. Fritjof Capra, Dr. Jack Sarfatti, etc.) indicam enfaticamente que a "consciência atômica" primeiro sugerida por Leary em As Sete Línguas de Deus (1962, The Seven Tongues of God) é a conexão que unificará parapsicologia e parafísica nos primeiros experimentos científicos empíricos teológicos da história. Quando o sistema nervoso é ligado nesse circuito de nível quântico, o espaço-tempo se destrói. A barreira da velocidade da luz einsteniana é transcendida; na metáfora do Dr. Sarfatti, escapamos ao "chauvinismo eletromagnético." A conteligência dentro da barraca da projeção quântica É o "cérebro" cósmico inteiro, da mesma forma que a espiral de DNA é um cérebro micro-miniaturizado guiando a evolução planetária. Como Lao-tsé disse de sua própria perspectiva do oitavo circuito, "O maior está dentro do menor." O Circuito VIII é acionado pela ketamina, um neuro-químico pesquisado pelo Dr. John Lilly, o qual é também (de acordo com um boato generalizado, mas não confirmado) dado aos astronautas para prepará-los para o espaço. Altas doses de LSD também produzem alguma consciência quântica do VIII circuito. Essa conteligência neuro-atômica está quatro mutações além da domestificação terrestre. (A corrente rixa ideológica está entre os moralistas tribais do IV circuito e os individualistas hedonistas do V.) Quando nossa necessidade por maior inteligência, maior envolvimento na escritura cósmica, maior transcendência, não mais se satisfizer em corpos físicos, nem mesmo por corpos imortais se movendo pelo espaço-tempo em "Warp 9", o circuito VIII abrirá uma nova fronteira. Novos universos e realidades. "Além da teologia: a arte e a ciência de se tornar Deus," como Alan Watts uma vez escreveu. É portanto possível que as misteriosas "entidades" (anjos e extraterrestres) monotonamente registrados pelos visionários do VIII circuito sejam membros de raças que já alcançaram esse nível. Mas também é possível, como Leary e Sarfatti sugeriram recentemente, que Eles sejam apenas nós-mesmos-no-futuro. Os circuitos do hemisfério esquerdo contém as lições aprendidas por nosso passado (e presente) evolutivo. Os circuitos extraterrestres do lado direito são o roteiro evolucionário de nosso futuro. Até agora existem duas explicações diferentes do acontecimento da Revolução das Drogas. A primeira é apresentada de forma sofisticada pelo antropolólogo Weston LaBarre, e numa maneira ignorante e moralista pela maioria das propagandas anti-drogas nas escolas e mídia de massa. Essa explicação diz, em essência, que milhões saíram das drogas legais "para baixo" (downers) para as drogas "para cima" (uppers) ilegais porque estávamos vivendo tempos conturbados e muitos procuraram escapar na fantasia. Essa teoria, no que há de melhor nela, somente parcialmente explica o aspecto mais feio e mais divulgado dessa revolução — o abuso irresponsável de drogas, característico dos imaturos. Não diz nada a respeito dos milhões de doutores respeitáveis, advogados, engenheiros, etc., que haviam se desligados da intoxicação do segundo circuito com álcool para o êxtase do quinto circuito com maconha. Nem fala ela das investigações pensativas, filosóficas de pessoas de alta sensibilidade e inteligência tais como Aldous Huxley, Dr. Stanley Grof, Masters-Houston, Alan W. Watts, Carlos Castañeda, Dr. John Lilly e milhares de outros pesquisadores da consciência, científicos ou leigos. Uma teoria mais plausível, desenvolvida pelo psiquiatra Norman Zinberg a partir do trabalho de Marshall McLuhan, diz que a moderna mídia eletrônica mudou tanto os parâmetros do sistema nervoso que os jovens não apreciariam mais drogas "lineares" tais como o álcool e achariam significado apenas nos psicodélicos e erva "não-lineares". Certamente isso é parcialmente verdade, mas é muito estreito e supervaloriza computadores e TV sem contar com a cena tecnológica como um todo — a revolução da Ficção Científica da qual os mais significativos aspectos são Migração Espacial (Space Migration), Inteligência Aumentada (Increased Intelligence) e Prolongamento da Vida (Life Extension), a qual Leary condensou em sua fórmula SMIILE. Migração Espacial mais Inteligência Aumentada mais Prolongamento da Vida indicam a expansão da humanidade em todo o espaço tempo. SM + I2 + LE = infinito. Sem totalmente aceitar o misticismo tecnológico de Charles Fort, é óbvio que a metáfora do metaprograma do DNA para evolução planetária é muito mais sábia que qualquer um de nossos sistemas nervosos individuais, que são, de certa forma, robôs ou sensores gigantes ou sensores para o DNA. A ficção científica inicial de escritores brilhantes tais como Stapleton, Clarke, Heinlen; 2001 de Kubrick, estavam todos aumentando os sinais claros do DNA transmitido através do hemisfério direito dos artistas sensíveis, nos preparando para mutação extraterrena. É pouco coincidente que intelectuais "literários" do mainstream — os herdeiros da tradição platônica-aristocrática de que um gentleman jamais usa suas mãos, brinca com ferramentas ou aprende um trabalho manual — desprezem tanto a ficção científica quanto a cultura da droga. Também não é coincidência o fato de que os WHOLE EARTH CATALOGS — criados por Stewart Brand, um graduando dos Travessos Felizes de Ken Kesey — são o Novo Testamento da cultura rural drop-out, cada exemplar com toneladas de informações sobre todos conhecimentos manuais, habilidosos, engenhoquísticos, que Platão e seus herdeiros consideravam apropriados somente para escravos. Não é de surpreender que a última publicação de Brand, CO-EVOLUTION QUATERLY, tenha sido destinada a divulgar o habitat espacial do Prof. Gerard O'Neill, o L5. Não é um acidente que os drogadões prefiram ficção científica a qualquer outra literatura, incluindo aí as escrituras Hindus cheias de aspectos extraterrestres e os poetas viajandões ocultistas-xamânicos dos circuitos VI a VIII como Crowley e Hesse. As drogas do VI circuitos podem ter contribuído muito para a consciência de metaprogramação que tem levado a consciência súbita de "chauvinismo masculino" (feminismo não-facista), "chauvinismo das espécies" (ecologia, os estudos com golfinhos do Dr. Lilly), "chauvinismo de estrela de média grandeza" (Carl Sagan), mesmo "chauvinismo do oxigênio" (a conferência CETI), etc. As realidades-túnel que se identificam alguém como "branco-macho-americano-terrestre", etc. ou "preta-fêmea-cubana", etc, não são mais suficientes para conter nossa conteligência explosiva. Como a revista Time disse em 26 de novembro de 1973, "Dentro de dez anos, de acordo com farmacêuticos, eles terão aperfeiçoado pílulas e eletrodos para o crânio que proverão êxtase contínuo durante toda a vida de qualquer um sobre a terra." (De fato o conhecimento farmacológico na década de 90 pode ser percebido dessa forma, vide Prozac e outras drogas em teste. N. do T.) A histeria dos anos 60 sobre erva e ácido era somente a rompimento dessa passagem para o quinto circuito. Nathan S. Kline, M.D., prevê afrodisíacos verdadeiros (MDMA, Ecstasy, sintetizado em 79 e moda dos anos 90, N. do T.), drogas ampliadoras da rapidez de aprendizado (provavelmente E4Euh — "Intellex", N. do T.) ou, drogas para acionar ou acabar com qualquer comportamento. Alguns foram queimados ou enjaulados no início da revolução da Tecnologia Externa. Alguns que foram enjaulados ou surrados por policiais nos anos 60 eram pioneiros da revolução da Tecnologia Interna. Jornada nas Estrelas é um melhor guia para realidade emergente do que qualquer coisa na New York Review of Books (uma seção de crítica literária de um dos maiores periódicos norte-americanos, N. do T.) O engenheiro dos sistemas de defesa e suporte a vida, Scotty (circuito I), o emocional-sentimental Dr. McCoy (circuito II), o oficial lógico-científico Sr. Spock (circuito III) e o alternadamente paternalista ou romântico Capitão Kirk (circuito IV) estão perpetuamente viajando através de nossa história neurológica futura e encontrando inteligências dos circuitos V, VI, VII e VIII, por mais que sejam toscamente representadas. (O ser chamado "Q" em um dos episódios é claramente uma visão moralista de IV circuito de um ser no VIII, toscamente representado comicamente e pejorativamente pela visão IV circuito dos redatores. N. do T.) Em resumo, os vários níveis de consciência e circuitos que nós estivemos discutindo, e exemplificando, são todos impressões bioquímicas na evolução do sistema nervoso. Cada impressão nova cria um túnel-realidade maior. Na metáfora Sufi, o macaco em que nós cavalgamos vira um novo macaco a cada impressão. O metaprogramador continuamente aprende mais e se torna cada vez mais hábil de se tornar consciente da operação de si mesmo. Nós estamos portanto evoluindo para inteligência-estudando-inteligência (o sistema nervoso estudando o sistema nervoso) e a cada passo nos tornamos mais capazes de acelerar nossa própria evolução. Leary agora simboliza a inteligência-estudando-inteligência pelo logo: I2. Nos níveis baixos, você vê com um "I" somente, generalizando. Nos níveis altos, você vê com muitos "I"s. (Trocadilho impossível em português: "I" se pronuncia igual a "Eye" — "Olho", em inglês, além de ser o pronome pessoal "Eu", N. do T.) E o espaço-tempo rompe das três dimensões euclidianas para a multidimensionalidade não-euclidiana.


Tradução e notas de Eduardo Pinheiro.

Fonte: (Arquivo Rizoma)

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