Vote em Debora Costa melhor atleta feminina 2011!!!!

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11:42

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A paraense Debora Costa foi indicada a melhor atleta feminina 2011. A atleta foi medalhista no Parapan e faz parte da equipe de basquete de cadeira de rodas.

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Para onde vai o capitalismo?

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13:56





ESCRITO POR WLADIMIR POMAR


A atual crise econômica e financeira mundial tem de positivo o fato de que está suscitando debates, há muito amortecidos, sobre a gravidade e a profundidade das crises do capital. O mundo de paz e prosperidade, prometido pela propaganda neoliberal, especialmente após o colapso da União Soviética e do socialismo do leste europeu, está se transformando rapidamente não só num mundo hipócrita e perigoso, como acentuamos em comentário anterior, mas também de desemprego, pobreza e desesperança nos países que antes se arrogavam os centros desenvolvidos e ricos do planeta.

Nessas condições é natural que ressurjam, com ênfase cada vez maior, perguntas sobre os caminhos reais do capitalismo. Afinal, qual a natureza da presente crise e para onde vai esse modo de produção que se proclamava eterno? Muitas pessoas se perguntam se a crise atual é igual à de 1929, ou tem algo de diferente. Outras acham que estamos diante de uma crise terminal, e que os países imperiais, ou imperialistas, buscarão nas guerras a saída para suas dificuldades estruturais. E, paradoxalmente, também existem aquelas pessoas que consideram a China a responsável por tudo que está acontecendo.

A crise atual tem semelhança com a de 1929, na medida em que seu epicentro está localizado nos Estados Unidos. O Japão já sofrera as conseqüências dos problemas norte-americanos desde antes, mas só agora suas ondas de choque estão abalando a Europa, embora muita gente não acreditasse que isso ocorreria. Fora isso, sua natureza é diferente. A crise atual, embora tenha muitas características de superprodução, tem por base a transformação da ciência e tecnologia nas principais forças produtivas, e dos capitalismos monopolistas nacionais, ainda comuns nos anos 1920 a 1960, num capitalismo corporativo transnacional.
As corporações transnacionais, embora ainda mantenham matrizes em seus países de origem, transferiram suas plantas de fabricação para outros países, às vezes mantendo nos Estados Unidos e na União Européia apenas unidades de montagem. Ainda mais sério é que possuam uma ação global, que as torna independentes de suas nações.

Nos anos 1980, suas unidades de projetos, e de pesquisa e desenvolvimento, também eram conservadas em território dos países centrais. Porém, nos anos posteriores, até mesmo essas unidades “cerebrais” foram realocadas rumo a países que ofereciam melhores condições para elevar as margens de rentabilidade.
Paralelamente, todas as corporações transnacionais incorporaram novos braços comerciais e financeiros, os primeiros para impor preços internacionais administrados a seus produtos, e os segundos para ingressar na jogatina da especulação financeira, na ânsia de elevar seus lucros através da criação de dinheiro fictício, sem base real na riqueza material. O chamado mercado mundial, onde se daria a competição, se transformou momentaneamente numa ficção.

Essas mudanças estruturais no capitalismo desenvolvido causaram modificações importantes no ritmo de crescimento dos produtos internos brutos. Os países desenvolvidos reduziram seu ritmo, enquanto vários dos países da periferia capitalista os elevaram substancialmente, em especial a China. Enquanto parte do produto interno bruto dos países da periferia era transferido para os países centrais, estes ainda podiam manter mecanismos de estímulo aos padrões de consumo interno.

No entanto, à medida que os países periféricos adotaram medidas para elevar seu produto nacional bruto, reduzindo aquelas possibilidades de altas transferência de rendas, e em que a ciranda financeira atingiu patamares hoje considerados irresponsáveis, as corporações transnacionais viram-se diante do retorno de parte da competição do mercado e viram-se obrigadas a adotar medidas para manter sua lucratividade, fazendo isso às custas dos seus Estados nacionais.

Nessas condições, as corporações transnacionais transferiram, pelo menos momentaneamente, a tendência de crise de realização do capital para os Estados nacionais, transformando-a em crise fiscal. Isto é o que explica, pelo menos em parte, o fato de que os Estados centrais vivem uma crise sem solução aparente, enquanto suas corporações transnacionais parecem demonstrar grande vigor, porque ainda retiram sua rentabilidade dos diversos países em que se realocaram.

As duas tendências principais, decorrentes dessas mudanças, residem no declínio lento e extremamente perigoso da hegemonia norte-americana e de seus parceiros europeus, e da ascensão não só dos BRIC, mas também de diversos outros países emergentes. Há, portanto, um paradoxo em que o capitalismo entra em declínio nos países centrais, todos eles tendendo a se transformar numa Inglaterra pós-final do colonialismo, e o desenvolvimento do capitalismo no resto do mundo, com a participação direta das corporações transnacionais.

Assim, a não ser que ocorram revoluções sociais nos países centrais, que os transformem em países socialistas de transição para um novo modo de produção, o capitalismo ainda possui o resto do campo planetário para desenvolver-se, antes de esgotar todas as suas possibilidades de reprodução. Não se deve, pois, pensar que esta seja uma crise terminal.

É lógico que a hipótese de guerras também continua presente. Por outro lado, quanto mais os Estados Unidos e os países centrais europeus e o Japão investirem recursos públicos em armas, para tentar fazer com que seus complexos industriais bélicos reergam suas economias, mais profundas se tornarão as crises fiscais de seus Estados. A experiência recente tem mostrado que, ao contrário do passado, as guerras deixaram de ser produtoras de riquezas das grandes potências industriais e se transformaram em dilapidadoras da riqueza acumulada. Nada muito diferente do que ocorreu com o Império Romano a partir de determinado momento de sua história.
Quanto ao papel da China nessa situação complexa, fica para a próxima semana.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.


Via>correiocidadania
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ACORDE

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13:39



Ao Léo

Há um resto de uma múltipla existencialidade nessa tarde,
frascos contínuos se decaindo,
- como gotas sobre um piano -
em indecentes posições poéticas inabitáveis,
na fragrância de um lapso,
na perplexa palidez da aparecia.
Á mil horas atrás um poeta que amava as cordas as usou
para seu último delírio, e nós, chocados com a música,
nos tornamos rádios ambulantes sintonizadas ao mesmo tempos,
com a freqüentes lembranças
ultra contínuas do amanhecer...
 
 
 
Por: João Leno Lima
05-12-2011
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COPA 2014 - Esquema de desvio de verbas começa a ser desvendado

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11:03

 

Por AE | Agência Estado – 1 hora 59 minutos atrás

Em entrevista exclusiva ao jornal "O Estado de S. Paulo", o policial militar João Dias Ferreira contradisse a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois e deu mais detalhes do esquema de corrupção na pasta. Ferreira afirmou que o ministro propôs pessoalmente, numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo para que os desvios de verba envolvendo o Programa Segundo Tempo não fossem denunciados.


“O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério”, detalhou o policial.

Nas declarações sobre o caso, concedidas na segunda (17) à tarde, o ministro afirmou ter se encontrado com Ferreira apenas uma vez, entre 2004 e 2005, para discutir convênios das entidades dirigidas pelo policial com o Ministério do Esporte. Na época, Orlando era secretário executivo e Agnelo Queiroz - hoje governador do Distrito Federal pelo PT -, o ministro da pasta. “Foi a única vez que encontrei essa pessoa”, disse o ministro.

O policial militar, porém, garante que esse encontro quase protocolar mencionado por Orlando jamais ocorreu. Segundo Dias, o “verdadeiro” encontro ocorreu em outro momento. “Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade. Ele esteve comigo uma vez para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema”, afirmou ao Estado.

Ferreira deu detalhes do encontro que diz ter tido com o ministro do Esporte em março de 2008 para negociar o sumiço de R$ 3 milhões dos convênios do governo com sua entidade. “O acordo era para que eles tomassem providências internas, limpassem meu nome e eu não denunciaria ao Ministério Público o esquema”, afirmou.

Cúpula
Na entrevista, o policial contou que, além do ministro, membros da cúpula do ministério estavam presentes nesta reunião. “O Orlando disse para eu ficar tranquilo, que tudo seria resolvido, que não faria escândalo. Eu disse que se isso não fosse feito eu tomaria todas as providências e denunciaria o esquema”, afirmou Ferreira. “E eu disse na reunião que descobri todas as manobras, a ligação dos fornecedores do Programa Segundo Tempo com o PC do B.”

Segundo ele, as entidades tinham que dar 20% dos recursos para o PC do B.

O policial disse que, no encontro com Orlando Silva em março de 2008, negociou com ele a produção de um documento falso para selar o acordo com o governo. “Nessa reunião com o Orlando, eles falaram em produzir um documento sem data. Ele foi pré-produzido e consagrado. A reunião foi em março, mas eles colocaram um documento com data de dezembro de 2007 dizendo que eu encerrava o convênio. É um documento fraudado”, disse João Dias.
Ferreira diz que voltou ao ministério duas semanas depois para um nova reunião com três dirigentes da pasta, Wadson Ribeiro, Fábio Hansen e Júlio Filgueiras. Neste encontro, após o horário do expediente, eles voltaram a discutir um acordo, que, segundo o policial, nunca foi cumprido. João Dias Ferreira afirma que essa reunião foi gravada por ele.
Segundo o policial, o ministro recebeu dinheiro do esquema. Na entrevista ao "Estado", ele reafirmou que Fredo Ebling, dirigente do PC do B, representava o ministro nas negociações. “O próprio Fredo relatou para mim que entregou dinheiro, por diversas vezes, para o Orlando.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Copa 2014 – Farra e corrupção dos gastos públicos

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15:42

 

A 1000 dias da Copa, desregulação de gastos públicos e escárnio geral são fatos consumados

ESCRITO POR GABRIEL BRITO

 

A mil dias de iniciar a Copa do Mundo, os trabalhos de preparação e organização do mundial seguem a toada prescrita por este Correio desde a eleição do Brasil como sede do evento, ou seja, uma balbúrdia de atrasos, custos que crescem inexplicavelmente e inescapáveis leis flexibilizadoras.

Dessa forma, segue impossível fazer qualquer cálculo fidedigno acerca do preço final do torneio. Nos últimos dias, a ABdib (Associação Brasileira das Indústrias de Base) divulgou o seu ‘palpite’: 112 bilhões, ou 84 bilhões considerando apenas as principais necessidades estruturais. Até porque o governo finalmente conseguiu aprovar o Regime Diferenciado de Contratações, algo imaginado por muitos, com as previsíveis alegações de atrasos nas obras e processos licitatórios, que precisam ser acelerados em nome da honra do país, que segundo Dilma Rousseff fará “a melhor Copa da história”.

No entanto, seria bom a presidenta começar a olhar para o Ministério dos Esportes da mesma maneira que tem se dedicado a outros, tumultuados por infindáveis escândalos e demissões, de preferência evitando posteriores indicações fisiológicas para a continuidade dos trabalhos na respectiva pasta.

Nesta semana, o ministro Orlando Silva Jr deu importante pista acerca dos embustes que sofreremos com a Copa, vendidos ao público sob os famosos discursos de “legado” a ser deixado pelo evento, indefinidamente desfrutável pela população local.

Em encontro realizado nesta quarta, 14, em Brasília, com representantes de estados e municípios envolvidos, o ex-presidente da UNE e membro do PC do B ressaltou que diante dos atrasos (cada vez mais irreversíveis), as “obras de mobilidade urbana não estão entre os pilares essenciais da Copa”. Estes seriam representados pelos estádios e aeroportos, já no devido caminho das privatizações.

Dessa forma, nossa classe política, que nada faz pelo decadente e bagunçadíssimo futebol nacional, mas entra de cabeça em projetos bilionários a ele relacionados, começa a escancarar as vísceras de um “sonho” desde o princípio nefasto às contas do país, que sequer carecia de qualquer clarividência para se antever como corrupto ao extremo.

Vale lembrar que logo após a escolha do Brasil, não houve quem deixasse de afirmar que todos, ou quase, os custos do mundial seriam bancados pela iniciativa privada, que em tempos de prosperidade econômica nacional “nunca dantes vista” afluiria com a mesma naturalidade dos rios que deságuam no Amazonas.

Claro que nada disso provou-se verdadeiro, até pelas conhecidas características das parcerias público-privadas que assaltam rotineiramente os erários de todos os entes nacionais, em todo e qualquer setor, seja ele estratégico, seja secundário. O próprio caos permanente nos Ministérios de Dilma deixa claro que tal lógica se encontra cada vez mais cristalizada em nossa política. Pra não falar da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que as empreiteiras conseguiram sustar, as mesmas associadas à Copa verde e amarela.

Remoções

Fundamental na questão do legado urbanístico, o ministro das Cidades, Mario Negromonte, manifesta preocupação com o atual estado de coisas, e começa a receber cada vez mais pressões para que o governo trabalhe por outra lei flexibilizadora, que facilite o caminho para as desapropriações.

E aqui temos aquele que promete ser um dos maiores focos de tensão dos preparativos. Tal como já observado por urbanistas como Raquel Rolnik e diversos movimentos sociais, as desapropriações em áreas pobres serão uma tônica neste boom de negócios gerado pelos megaeventos. Só no Rio de Janeiro, já são previstas remoções de famílias em 120 áreas diferentes.

No entanto, elas devem se multiplicar. Cidades como São Paulo, Fortaleza e Recife já começam a ser agitadas por movimentos de resistência (os Comitês Populares da Copa) ao caráter truculento das negociações com as famílias cujas residências viraram alvo dos projetos, sejam de mobilidade, aeroportos ou estádios.

Estádios

Por sua vez, a construção dos estádios já se encontra sob diversos problemas. Mesmo tratando-se dos mais caros já construídos, com bilhões de reais da sociedade nas mãos do velho cartel de construtoras que praticamente governa o país, não tem sido possível evitar as greves dos operários. No momento, os do Maracanã e do Mineirão estão de braços cruzados pela segunda vez, sendo o segundo caso desde quinta, 15; o mesmo já ocorreu em Fortaleza, além de ameaças em Cuiabá e Salvador.

Tal como anunciado na construção do estádio paulista (que para tornar-se aceitável ao público, diante da existência do Morumbi, foi vinculado ao Corinthians, único grande da cidade sem casa particular à altura), o novo expediente dos empreiteiros, com todo apoio do governo federal, é empregar presidiários nas obras da maioria dos estádios.

Assim, monta-se (e prega-se) mais uma perfeita peça publicitária a respeito do mundial. Obras, legado, empregos e ainda como brinde ressocialização de marginais, demonstrando como uma Copa do Mundo pode propiciar grandes mudanças numa sociedade. Pena que se trata apenas de trabalho semi-escravo e potencialização de lucros, como se verifica nas queixas emitidas pelos operários do ex-maior do mundo e do Mineirão, que passam por pontos básicos, como qualidade da alimentação e alojamento.

Avança o descontrole

Já a FIFA, mundialmente desmoralizada pelos escândalos denunciados em avalanche pela mídia inglesa, e posteriormente mundial, segue fazendo seu jogo sujo de bastidores, reiterando exigências etéreas que apenas encarecem as obras. Apesar de proibir em seu estatuto a interferência estatal no futebol dos países, aceita de braços abertos que os Estados banquem suas festanças, tal como se viu no sorteio das Eliminatórias, realizado na Marina da Glória, em evento que custou 30 milhões de reais, divididos entre Sergio Cabral e Eduardo Paes, que repassaram imediatamente tal verba para a Geoeventos (empresa de marketing esportivo das Organizações Globo) promover o evento. Uma perfeita ilustração do que e de quem será esta Copa do Mundo.

Por fim, o grande responsável de tudo, o governo, faz jogo duplo. No discurso, fala que fiscalizará todos os custos e que as flexibilizações nas contratações de obras não significarão portas abertas à corrupção, apenas agilização dos procedimentos necessários, haja vista que os órgãos reguladores e contábeis continuarão tendo acesso aos números.

No entanto, tal publicidade dos gastos ainda não está realmente esclarecida, assim como a capacidade de atuação do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União. Além disso, os portais do governo, e também outros, que prometiam acompanhar os gastos e garantir a transparência exigida estão francamente desatualizados.

Ainda assim, algumas autorizações e liberações de verbas e medidas são contidas por tais órgãos controladores, o que faz o governo e seus aliados (políticos e empresariais) intensificarem o jogo de bastidores por mais e mais flexibilizações por meio de leis.

Enquanto isso, na prática menos da metade dos projetos estão em fase de execução e os prazos continuam se comprimindo. O governo não dá sinais de que colocará todos na linha e organizará, de fato, alguma coisa. Assim, veremos um crescente terrorismo dos “gringos” e empreendedores da Copa, apoiados no discurso de que temos de evitar o vexame. A partir disso, é melhor não pensar no que pode acontecer para que se acelerem os projetos e se entregue tudo, ao menos o necessário àquele sagrado mês, a tempo.

 

 

TEXTO ORIGINAL EM> correiocidadania

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Pará terra sem lei: Fundador de acampamento rural é assassinado no Pará

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08:28

Um dos fundadores de um acampamento de trabalhadores rurais foi encontrado morto anteontem em Rondon do Pará, a 538 km de Belém.

José Ribamar Teixeira dos Santos, 49, foi assassinado a pauladas e com golpes de faca em sua casa.

De acordo com informações de integrantes da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), a orelha direita de Santos teria sido decepada.

Pai de quatro filhos, Riba, como era conhecido, foi um dos fundadores do acampamento Deus é Fiel, em 2006.
O acampamento ocupa parte de uma fazenda.

Segundo os trabalhadores rurais, a propriedade é proveniente de grilagem.

A Polícia Civil confirmou a ocorrência, mas ainda não sabe dizer se a morte foi motivada por questões agrárias.

Próximo dali, também no sudeste paraense, foi assassinado, em maio deste ano, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

Para a polícia, o crime foi motivado por um conflito pela posse de uma área no assentamento onde os dois moravam.

 

Folha

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No Fantástico, Dilma reforça política como show da vida

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13:42

Por: Francisco Bicudo

Sem tergiversar (tenho certeza que a presidenta Dilma Rousseff prefere que seja dessa maneira): fiquei incomodado e lamentei profundamente que a entrevista exclusiva de vinte minutos em horário nobre tenha sido dada a um programa de entretenimento, o "show da vida". No domingão, final de noite, depois do almoço em família e da rodada do futebol, na maioria das vezes quem senta na frente da telinha e procura narrativas como as oferecidas pelo "Fantástico" está justamente disposto a manter a cabeça desligada, prolongando ao limite do impossível mais um final de semana que insiste teimosamente em escorregar pelos dedos, anunciando a agonia de mais uma segunda-feira de trabalho, transtornos, tarefas, reuniões e tensões. Estamos quase a dizer - 'não quero pensar, sem preocupações, só amanhã, mais um pouco, por favor'. É legítimo. Mas é preciso que se trate dessa maneira - como entretenimento.

A presidenta - e a assessoria dela - sabem disso. Não escolheram o Fantástico ao acaso. Não foi aleatório. Não foram obrigados. Foi feita uma opção. Antes de mais nada, depois de alguns dias em que se falou sobre propostas de regulação da mídia, seria bom mostrar afinidades, sintonias e encantamentos com a principal e mais poderosa emissora de TV do país, como a dizer "calma, nada muda, estamos no mesmo barco". A proposta da conversa também não era de forma alguma fazer pensar, mas tocar pelas sensações e emoções. Provavelmente a escolha foi mais uma peça de uma estratégia de popularização da imagem da presidenta, algo como "uma mulher como qualquer outra, informal, leve, risonha e brincalhona". As expectativas estavam explicitamente voltadas para a construção da marca de "alguém que também é comum, que tem desejos, vaidades, manias e vontades, como quaisquer outras brasileiras" - uma presidenta que cria empatias e identidades, capaz de cair no gosto popular.

Não é difícil perceber que os marqueteiros (figuras cruciais da política como entretenimento) do Planalto não desgrudam os olhos dos tais índices de popularidade. Muitas das ações e das falas presidenciais têm sido guiadas por esses números mágicos de aprovação - ou trágicos de reprovação. Desde os recordes atingidos pelo ex-presidente Lula, a impressão que tenho é que se tornou uma obsessão conhecer como a opinião pública avalia ações de governo - o que obviamente tem lá sua importância, mas, ao mesmo tempo, quando elevada à enésima potência, faz dos administradores públicos reféns de institutos de pesquisas. Pensam em cada lance. Jogam para a platéia. Aguardam os aplausos. Ficam frustrados quando não os ouvem. E repensam suas ações e agendas. Egos precisam ser acariciados - sobretudo.

Mais uma vez, o Fantástico cai como uma luva para dar conta dessa demanda - depois de um período difícil, com turbulências, crises e demissões de ministros, eis agora a presidenta doce e meiga, que se reencontra com seu povo, arruma tempo para brincar com o neto, não gosta de ar condicionado (sabiam?), escolhe sem ajuda as roupas e está sempre muito bem alinhada (tem até usado mais saias, vejam só), faz a própria maquiagem (que bom!) e quer muito perder alguns quilinhos extras. A pauta da entrevista, que tragédia, poderia ter sido feita por uma criança de cinco anos, quem sabe até o neto da presidenta pensasse em questões mais relevantes, como chegou a ser comentado nas redes sociais. Mas e quem estava mesmo interessado no debate político?

Pois esse é justamente o ponto fundamental da discussão, o que mais me incomoda e para o qual desejo chamar a atenção - ao escolher o Fantástico e favorecer mais uma vez a lógica e a estética do entretenimento, sempre grandiosas e arrebatadoras, a presidenta faz submergir o complexo exercício de racionalidade que marca o debate político. Diante dos olhares desejosos de distração da opinião pública, em horário nobre, a política aparece banalizada, surge como frivolidade, algo secundário, curioso, superficial, simplificado, leve, quase sem conflitos, professoral - vá lá, um tema até interessante, mas não exatamente importante.

Esse movimento, aliás (o que é mais preocupante e acachapante), parece ser a tendência dominante do atual governo - e também do anterior. Quais são afinal de contas as iniciativas políticas que estão sendo sustentadas e bancadas pela administração Dilma Rousseff? Para além do gerenciar a herança lulista, quais as transformações de fato que estão acontecendo na área social, por exemplo? Quais suas bandeiras e prioridades? Pois não nos disseram que o tal presidencialismo de coalizão era fundamental exatamente para garantir maiorias, a governabilidade e a implementação das ações de governo? Ah, entendi... as alianças não foram ideológicas, mas fisiológicas; não foram programáticas, mas pragmáticas.

O que acontece é que a Política (com "P" maiúsculo mesmo)... não acontece. O Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados não era o que Dilma queria - mas o governo também não fez força alguma no Parlamento para aprovar proposta alternativa. Temeu melindrar aliados ruralistas. Foi só a ala amiga-religiosa-reacionária gritar um pouco mais alto que o kit anti-homofobia que seria distribuído nas escolas públicas com intuito de combater o preconceito foi suspenso, sob a alegação que não é "consenso no governo". Dilma não quer a aprovação da emenda 29, diz ser contra a volta da CPMF, mas reconhece que a saúde de fato precisa de mais recursos. De onde virão, afinal? O governo não quer se comprometer. Abre mão de contrariar interesses - ou seja, de fazer política. Lava as mãos. Não quer se desgastar com a classe média (imagem é tudo, lembram-se?). Líderes de trabalhadores rurais são mortos. A presidenta não vem a público para condenar com veemência os assassinatos - e explicitar ao lado de quem está nessa disputa. Democratizar e regulamentar a mídia, quebrar monopólios da informação, cobrar impostos de grandes fortunas? Nem pensar. Podem achar que ela é muito radical, não? Sobre a abertura dos arquivos secretos, puxa vida, as mudanças de discursos já foram tantas que já nem sabemos mais o que Dilma pensa. E até mesmo a Comissão da Verdade, que era questão de honra, precisa das bênçãos do DEM (que patrocinou a ditadura militar) para ser aprovada, para "não causar traumas". Durma-se com um barulho desses.

Fica difícil. Respeitados os fundamentos e princípios da democracia, política significa tensão. Divergência. Debate. Disputa. Enfrentamento. Exige escolhas. E não aceita omissão. Nem medo. Como bem lembra o poeta, escritor e dramaturgo alemão Berthold Brecht, não adianta estufar o peito e nele bater dizendo "não gosto disso". Quando nos recusamos a fazer política, há certamente alguém disposto a fazê-lo por nós. Espaço vazio é espaço ocupado. Que o diga o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em nome da conciliação, de afagos em republicanos e por imaginar que seus competentes discursos e belos olhos seriam suficientemente sedutores para governar o país, enfrenta atualmente a fúria fanática de um movimento chamado Tea Party.

Não tenho dúvidas: lá, como cá, a desmobilização do debate que deveria marcar a esfera pública e ser a tônica da vida cotidiana, patrocinada por aqueles que tratam a política como mero produto do entretenimento, em grande medida é diretamente responsável pelo avanço do discurso e das práticas conservadoras.

 

Via>Correio da Cidadania

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O terrorismo de estado americano ameaça a humanidade e impede a paz

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10:47

por Miguel Urbano Rodrigues [*]

A humanidade enfrenta a mais grave crise de civilização da sua história. Ela difere de outras, anteriores, por ser global, afectando a totalidade do planeta. É uma crise política, social, militar, financeira, económica, energética, ambiental, cultural.


O homem realizou nos últimos dois séculos conquistas prodigiosas. Se fossem colocadas a serviço da humanidade, permitiriam erradicar da Terra a fome, o analfabetismo, as guerras, abrindo portas a uma era de paz e prosperidade.


Mas não é o que acontece. Uma minoria insignificante controla e consome os recursos naturais existentes e a esmagadora maioria vive na pobreza ou na miséria.


O fim da bipolaridade, após a desagregação da URSS, permitiu aos Estados Unidos adquirir uma superioridade militar, política e económica enorme que passou a usar como instrumento de um projecto de dominação universal. As principais potências da União Europeia, nomeadamente o Reino Unido, a Alemanha e a França tornaram-se cúmplices dessa perigosa política.


O sistema de poder que tem o seu pólo em Washington, incapaz de encontrar solução para a crise do seu modelo, inseparável da desigualdade social, da sobre-exploraçao do trabalho e do esgotamento gradual dos mecanismos de acumulação, concebeu e aplica uma estratégia imperial de agressão a povos do chamado Terceiro Mundo.


Em guerras ditas de baixa intensidade, promovidas pelos EUA e seus aliados, morreram nos últimos sessenta anos mais de trinta milhões de pessoas. Algumas particularmente brutais, definidas como "preventivas" visaram o saque dos recursos naturais dos povos agredidos.


Reagan criou a expressão "o império do mal" para designar a URSS no final da guerra fria. George Bush pai vulgarizou o conceito de "estados canalhas" para satanizar países cujos governos não se submetiam às exigências imperiais. Entre eles incluiu o Irão, a Coreia Popular, a Líbia e Cuba.


Em Setembro de 2001, após os atentados que destruíram o World Trade Center e demoliram uma ala do Pentágono, George W. Bush (o filho) utilizou o choque emocional provocado por esse trágico acontecimento para desenvolver uma estratégia que fez da "luta contra o terrorismo" a primeira prioridade da política estado-unidense.


Uma gigantesca campanha mediática foi desencadeada, com o apoio do Congresso, para criar condições favoráveis à implantação da política defendida pela extrema-direita. Segundo Bush e os neocon, "a segurança dos EUA" exigia medidas excepcionais na esfera internacional e na interna.


Os grandes jornais, as cadeias de televisão, as rádios, a explorando a indignação popular e o medo, apoiaram iniciativas como o Patriot Act que suspendeu direitos e garantias constitucionais, legalizando a prática de crimes e arbitrariedades. A irracionalidade contaminou o mundo intelectual e até em universidades tradicionais professores progressistas foram despedidos e houve proibição de livros de autores célebres.


A campanha adquiriu rapidamente um carácter de caça às bruxas, com perseguições maciças a muçulmanos. Uma vaga de anti-islamismo varreu os EUA, com a cumplicidade dos grandes media. O Congresso legalizou a tortura.


No terreno internacional, o povo do Afeganistão foi a primeira vítima da "cruzada contra o terrorismo". Os EUA, a pretexto de que o governo do mullah Omar não lhe entregava Bin Laden – declarado inimigo numero um de Washington – invadiu, bombardeou e ocupou aquele pais.


Seguiu-se o Iraque após uma campanha de desinformação de âmbito mundial. O Governo de Bagdad foi acusado de acumular armas de extermínio massivo e de ameaçar portanto a segurança dos EUA e da Humanidade. A acusação era falsa, como se provou mais tarde, e os EUA não conseguiram obter o apoio do Conselho de Segurança. Mas, ignorando a posição da ONU, invadiram, vandalizaram e ocuparam o país. Inicialmente contaram somente com o apoio do Reino Unido.


Crimes monstruosos foram cometidos no Afeganistão e no Iraque pelas forças de ocupação. A tortura de prisioneiros no presídio de Abu Ghrabi assumiu proporções de escândalo mundial. Ficou provado que o alto comando do exército e o próprio secretário da Defesa, Donald Rumsfeld tinham autorizado esses actos de barbárie. Mas a Justiça norte-americana limitou-se a punir com penas leves meia dúzia de torcionários.


Simultaneamente, milhares de civis, acusados de "terroristas" -muitos nunca tinham sequer pegado numa arma – foram levados para a base de Guantanamo, em Cuba, e para cárceres da CIA instalados em países da Europa do Leste.


As Nações Unidas não somente ignoraram essas atrocidades como acabaram dando o seu aval à instalação de governos títeres em Cabul e Bagdad e ao envio para ali de tropas de muitos países. No caso do Afeganistão, a NATO, violando o seu próprio estatuto, participa activamente, com 40 mil soldados, da agressão às populações. Dezenas de milhares de mercenários estão envolvidas nessas guerras.


Em ambos os casos, Washington sustenta que essas guerras preventivas representam uma contribuição dos EUA para a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos humanos e da paz e foram inspiradas por princípios e valores éticos universais. O presidente Barack Obama, ao receber o Premio Nobel da Paz em Oslo, defendeu ambas, num discurso farisaico, como serviço prestado à humanidade. Isso no momento em que decidira enviar mais 30 mil soldados para a fogueira afegã.


Os factos são esses. Apresentando-se como líder da luta mundial contra o terrorismo, o sistema de Poder dos EUA faz hoje do terrorismo de Estado um pilar da sua estratégia de dominação.
A criação de um exército permanente em África – o Africom – os bombardeamentos da Somália e do Iémen, a participação na agressão ao povo da Líbia inserem-se nessa politica criminosa de desrespeito pela Carta da ONU.


Mas a ambição de poder absoluto de Washington é insaciável.
O Irão, por não capitular perante as exigências do sistema de Poder hegemonizado pelos EUA, é há anos alvo permanente da hostilidade dos EUA. Washington tem saudades do governo vassalo do Xá Pahlevi e cobiça as enormes reservas de gás e petróleo iranianas.
A campanha de calúnias, apoiada pelos media, repete incansavelmente que o Irão enriquece urânio para produzir armas atómicas. A acusação é gratuita. A Agencia Internacional de Segurança Atómica não conseguiu encontrar qualquer indício de que o país esteja a utilizar as suas instalações nucleares com fins militares. O presidente Ahmanidejah, aliás, de acordo com o Brasil e a Turquia, numa demonstração de boa fé, propôs-se a enriquecer o urânio no exterior. Mas essa proposta logo foi recusada por Washington e pelos aliados europeus.


Sobre as armas nucleares de Israel, obviamente, nem uma palavra. Para os EUA, o Estado sionista e neo fascista, responsável por monstruosos crimes contra os povos do Líbano e da Palestina, é uma democracia exemplar e o seu melhor aliado no Médio Oriente.
O agravamento das sanções que visam estrangular economicamente o Irão é acompanhado de declarações provocatórias do Presidente Obama e da secretaria de Estado Clinton, segundo as quais "todas as opções continuam em aberto", incluindo a militar.

Periodicamente jornais influentes divulgam planos de hipotéticos bombardeamentos do Irão, ou pelos EUA ou por Israel, sem excluir o recurso a armas nucleares tácticas. O objectivo é manter a tensão na guerra não declarada contra um pais soberano.


Lamentavelmente, uma parcela importante do povo dos EUA assimila as calunia anti-iranianas como verdades. A maioria dos estado-unidenses desconhece a gravidade e complexidade da crise interna. A recente elevação do teto da divida publica de mais de 14 mil milhões de dólares para 16 mil milhões – total superior ao PIB do pais – é, porem, reveladora da fragilidade do gigante que impõe ao mundo uma politica de terrorismo de estado.


Entretanto, o discurso oficial, invocando os "pais da Pátria", insiste em apresentar os EUA como o grande defensor da democracia e das liberdades, vocacionado para salvar a humanidade.


Sem o controlo pelo grande capital da esmagadora maioria dos meios de comunicação social e dos áudio visuais pelo sistema de poder imperial, a manipulação da informação e a falsificação da História não seriam possíveis. Um instrumento importante nessa politica é a exportação da contra-cultura dos EUA, país -- registe-se -- onde coexiste com a cultura autêntica.
A televisão, o cinema, a imprensa escrita e, hoje, s

obretudo a Internet cumprem um papel fundamental como difusores dessa contra cultura que nos países industrializados do Ocidente alterou profundamente nos últimos anos a vida quotidiana dos povos e a sua atitude perante a existência.


A construção do homem formatado principia na infância e exige uma ruptura com a utilização tradicional dos tempos livres. O convívio familiar e com os amigos é substituído por ocupações lúdicas frente à TV e ao computador, com prioridade para jogos violentos e filmes que difundem a contra cultura com prioridade para os que fazem a apologia das Forças Armadas dos EUA.


A contra-cultura actua intensamente no terreno da música, da canção, das artes plásticas, da sexualidade. A contra-musica que empolga hoje multidões juvenis é a de estranhas personagens que gritam e gesticulam, exibindo roupas exóticas, berrantes em gigantescos palcos luminosos, numa atmosfera ensurdecedora, em rebeldia abstracta contra o vácuo.


O jornalismo degradou-se. Transmite a imagem de uma falsa objectividade para ocultar que os media ao serviço da engrenagem do poder insistem, com poucas excepções, em justificar as guerras americanas como "cruzada anti-terrorista" em defesa da humanidade porque os EUA, nação predestinada, batalhariam por um mundo de justiça e paz.


É de justiça assinalar que um número crescente de cidadãos americanos denunciam essa estratégia de Poder, exigem o fim das guerras na Ásia e lutam em condições muito difíceis contra a estratégia criminosa do sistema de poder.


Nestes dias em que se multiplicam as ameaças ao Irão, é minha convicção de que a solidariedade actuante com o seu povo se tornou um dever humanista para os intelectuais progressistas.


Visitei o Irão há cinco anos. Percorri o país de Chiraz ao Mar Cáspio. Escrevi sobre o que vi e senti. Tive a oportunidade de verificar que é falsa e caluniosa a imagem que os governos ocidentais difundem do país e da sua gente. Independentemente da minha discordância de aspectos da politica interna iraniana nomeadamente os referentes à situação da mulher -- encontrei um povo educado, hospitaleiro, generoso, amante da paz, orgulhoso de uma cultura e uma civilização milenares que contribuíram decisivamente para o progresso da humanidade.


Para mim o Irão encarna muito mais valores eternos da condição humana do que a sociedade norte americana, cada vez mais robotizada.

Porto, Portugal, 10/Agosto/2011

[*] Texto enviado ao Festival Internacional Justiça e Paz que se realizará no Irão em Outubro próximo
O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2178

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Century of Self (2002) – Século do Ego

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08:34

 

(Grã-Bretanha, 2002 - Direção:Adam Curtis)
Documentário da BBC "The Century of the Self" descreve a irônica jornada de como a revolução de psicoterapeutas e filósofos nos anos 60 e 70 contra as ideias de Freud sobre o inconsciente (usadas pelo mundo do Marketing Publicidade e Governos para fins de manipulação) resultou no oposto: o surgimento do sujeito fractal, vulnerável, isolado e, acima de tudo, ganancioso.


Comentários de psicologiadospsicologos.blogspot.com: Descobri no Youtube esta pérola: o documentário "Century of the self" (Inglaterra, 2002), do diretor Adam Curtis, sobre a utilização das idéias freudianas na manipulação das massas. Excelente! Este polêmico documentário é dividido em 4 episódios:

(1) Máquinas de felicidade; (2) Engenharia do consenso; (3) Há um policial dentro de nossas cabeças. Ele deve ser destruído; (4) Oito pessoas bebericando vinho em kettering. Cada epsódio dividido em quatro ou cinco partes, todos legendados e com duração total de cerca de 240 minutos.

 

 

dOCVERDADE lINK

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PLAGICOMBINAÇÃO OU o culto ao amor e ao dinheiro na música pop brasileira.

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10:55

Por: Cybernic

 

 

O tema "amor" é universalmente e historicamente o tema mais vestilado nas artes e na cultura ocidental, é recorrente e rarrismo encontrar um artista que não tenha tocado no tema pelo menos alguma vez. Não só o amor (homem e mulher) mas a relaçoes humanas em seus graus mais profundos em seu laços.

Trazendo expecificamente para a música e jogando uma lupa sobre a música pop nacional e até mesmo em boa parte da chamada "MPB" a temática define até toda a discografia de alguns artistas como o alagoano Djavan por exemplo.

Mas essa incenssante produção de composições que giram sobre o lirismo romantico remete a dois pontos centrais: ou se confessa que boa parte desses artistas estão eternamente apaixonados, o amor saí por seus poros quase que independentes ou é o tipo de fórmula que lhe irá garantir (ou pelo menos encaminhar) para o sucesso comercial.

Vide o soterramento de produções da industria fonografica, a fabricação de sub_estilos e a controversa mistura de estilo que permeia a mente de alguns músicos como base para sua ilusoria sensação de "novo". As bases para uma literatura pop de carater romantico (temas que giram sobre relacionamentos, separação, traição, sexo, brigas, amores partidos, paixões diversas) é a estrutura necessaria para que se forme um público e uma gama de artistas de pouco senso crítico e pouca ousadia.

Mas será que é necessária a crítica e a ousadia nas artes?

A música nacional é vendida (com o velho ufanismo global) como uma das músicas mais bem feitas no mundo. Sua mistura de ritmos, estilos é dita como uma das mais ricas desdos tempos da bossa nova. Aliás, essa, um dos movimentos mais abrangentes da música nacional em todo o mundo (chegando a influenciar o jazz e a própria música conteporanea até os dias de hoje) tem como uma das suas bases, o amor.

A qualidade da música nacional é indiscutivel. Alguns artistas da bossa nova influencia outros artistas em todo o mundo, o movimento tropicalia é um dos mais respeitados e é referencia numa época de transformaçao na cultura nacional, intensa mundanças universais, ditadura e ousadia. O movimento punk no brasil foi proficuo e ainda é nos dias atuais, com dezenas de bandas espalhadas pelas perefiria das cidades.

Mas a industrua da música de intretenimento, aliada a pouca vontade de alguns artistas de ir mais além, com a metéria sendo abarrotada nas rádios (numa especie de acordo temático vigente) rende pouco espaço para o melhor da música nacional.

Na verdade o que se vê nas radios, programas de Tv, festivais carnavalescos (dentro e fora de época) bandas de rock midiaticas e outras bandas (padoge, forró) cantores chamados de "sertanejos" e outros artistas/cantores diversos  é uma medriocre variação temática.

Na verdade, o que se vê é um ironico jogo de palavras com pseudo formas de falar/cantar/gesticular/expressar a mesma temática. É incrível a capacidade da música pop nacional em criar novas melodias assoviaveis e gesticular frases e versos como uma especia (roubando a frase do musico Tom Zé) de "plagiocombinação" enlouquecedora e demente.

Se produz novos duplas ou cantores sentanejos a cada temporada, a industria é inteligente e muda semanticamente a forma de vender esse "produtor" os jovens musicos sertanejos são chamandos de “sertanejos pop". Incrível uma país que teve bandas de rock relevantes consiga - no atual estado de coisas da música brasileira - que seu versos/refrãos sejam confundidos com qualquer refrão cantado por algum grupo de forró ou tecnobrega ou qualquer outra variação de ritmo de apelo mais popular.

A música brasileira é sim uma das mais ricas do mundo, sua ritmica é conteporanea, suas letras (quando não se reduz a temas medriocres e de pouca imaginação) conseguem render grandes e profundos versos, a língua portuguesa é capaz de surpreender com sua atemporalidade sensivel e singular.

Mas parace que alguns artistas e a induatria da música aqui nesse país não pensa da mesma forma. E para quem não tem acesso a outros meios, é soterrado com uma esquizofrenica forma de variação que se traduz em pouca vontade, cansaço ou simplesmente abraça a fórmula capaz de garantir o sucesso, esse, para alguns artistas, a verdadeira razão de fazer arte nos tenebrosos tempos da música pop brasileira.

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Wikileaks desmascara mídia brasileira

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08:41

Aconteceu o que já era de conhecimento dos menos desavisados. A grande imprensa brasileira foi finalmente desnudada, com tudo comprovado em documentos oficiais e sigilosos. Quem ainda tinha motivos para outorgar credibilidade à estes veículos e seus jornalistas, não tem mais.

William Waack, da Globo, aparece nos documentos secretos

Novos documentos vazados pela organização WikiLeaks trazem à tona detalhes e provas da estreita relação do USA com o monopólio dos meios de comunicação no Brasil semicolonial. Um despacho diplomático de 2005, por exemplo, assinado pelo então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra o encontro em Porto Alegre do então embaixador John Danilovich com representantes do grupo RBS, descrito como "o maior grupo regional de comunicação da América Latina", ligado às organizações Globo.

O encontro é descrito como "um almoço 'off the record' [cujo teor da conversa não pode ser divulgado], e uma nota complementar do despacho diz: "Nós temos tradicionalmente tido acesso e relações excelentes com o grupo".

Outro despacho diplomático datado de 2005 descreve um encontro entre Danilovich e Abraham Goldstein, líder judeu de São Paulo, no qual a conversa girou em torno de uma campanha de imprensa pró-sionista no monopólio da imprensa no Brasil que antecedesse a Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, no que o jornalão O Estado de S.Paulo se prontificou a ajudar, prometendo uma cobertura "positiva" para Israel.

Os documentos revelados pelo WikiLeaks mostram ainda que nomes proeminentes do monopólio da imprensa são sistematicamente convocados por diplomatas ianques para lhes passar informações sobre a política partidária e o cenário econômico da semicolônia ou para ouvir recomendações.

Um deles é o jornalista William Waack, apresentador de telejornais e de programas de entrevistas das Organizações Globo. Os despachos diplomáticos enviados a Washington pelas representações consulares ianques no Brasil citam três encontros de Waack com emissários da administração do USA. O primeiro deles foi em abril de 2008 (junto com outros jornalistas) com o almirante Philip Cullom, que estava no Brasil para acompanhar exercícios conjuntos entre as marinhas do USA, do Brasil e da Argentina.

O segundo encontro aconteceu em 2009, quando Waack foi chamado para dar informações sobre as conformações das facções partidárias visando o processo eleitoral de 2010. O terceiro foi em 2010, com o atual embaixador ianque, Thomas Shannon, quando o jornalista novamente abasteceu os ianques com informações detalhadas sobre os então candidatos a gerente da semicolônia Brasil.

Outro nome proeminente muito requisitado pelos ianques é do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, d'A Folha de S.Paulo. Os documentos revelados pelo WikiLeaks dão conta de quatro participações do jornalista (ou "ex-jornalista e consultor político", como é descrito) em reuniões de brasileiros com representantes da administração ianque: um membro do Departamento de Estado, um senador, o cônsul-geral no Brasil e um secretário para assuntos do hemisfério ocidental. Na pauta, o repasse de informações sobre os partidos eleitoreiros no Brasil e sobre a exploração de petróleo na camada pré-sal.

Cai também a máscara de Fernando Rodrigues, da Folha

Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha de S.Paulo, chegou a dar explicações aos ianques sobre o funcionamento do Tribunal de Contas da União.

Outro assunto que veio à tona com documentos revelados pelo WikiLeaks são os interesses do imperialismo ianque no estado brasileiro do Piauí.

Um documento datado de 2 de fevereiro de 2010 mostra que representantes do USA participaram de uma conferência organizada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na capital Teresina, a fim de requisitar a implementação de obras de infra-estrutura que poderiam favorecer a exploração pelos monopólios ianques das imensas riquezas em matérias-primas do segundo estado mais pobre do Nordeste.

A representante do WikiLeaks no Brasil, a jornalista Natália Viana, adiantou que a organização divulgará em breve milhares de documentos inéditos da diplomacia ianque sobre o Brasil produzidos durante o gerenciamento Lula, incluindo alguns que desnudam a estreita relação do USA com o treinamento do aparato repressivo do velho Estado brasileiro. A ver.

Hugo R C Souza

 

Blog Saraiva

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Artista é processado por vídeo que critica aumento salarial de deputado

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12:13

 

Um músico gaúcho está sendo processado por ter criticado o reajuste de salário dos deputados estaduais do Rio Grande do Sul. Tonho Crocco, que já foi da banda Ultramen e hoje segue carreira solo, está sendo acionado por causa de seu rap “Gangue da Matriz”.

A “gangue” no caso são 36 parlamentares que concederam aumento de 73% a si mesmos em dezembro do ano passado (apenas 11 do PT e um do PTB votaram contra) A música motivou o deputado Giovanni Cherini (PDT) a enviar uma representação ao Ministério Público por “crime contra a honra”.

De acordo com matéria do site Sul 21, o deputado expressou “insurgência contra a manifestação espúria de Antonio Crocco, que enseja o presente pedido de providências ao Ministério Público Estadual”

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EUA bloqueiam celulares para impedir passeata contra a polícia

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08:33

 

O sistema de transportes de São Francisco, nos EUA, foi atacado pelo Anonymous. O grupo atacou osite do sistema de Trânsito Rápido de São Francisco (Bart, na sigla em inglês) no domingo, e o serviço permaneceu fora do ar até segunda-feira, 15, com a mensagem “este site está no momento sob renovação”.

O ataque foi uma resposta à medida da direção do Bart de bloquear o funcionamento de celulares para tentar impedir um protesto. Um grupo de manifestantes havia planejado uma ação na quinta-feira, 11, em protesto ao assassinato de um homem por um policial no metrô. A polícia e a direção do sistema de transportes optaram pelo bloqueio para tentar impedir a manfestação.

A direção do Bart disse que a medida foi “uma de várias táticas para garantir a segurança de todos na plataforma”. Houve várias manifestações contra a medida, do Twitter à Eletrônic Frontier Foundation, que classificou a decisão como uma afronta à liberdade de expressão.

Depois, no sábado, o Anonymous anunciou a #OpBART para derrubar o site da empresa. A primeira ação foi divulgar informações de contato para que os usuários pudessem enviar e-mails de protesto; depois, além de desfigurar a página, o grupo também divulgou informações pessoais de pelo menos 2,4 mil usuários.

“Na Bay Area, temos visto pessoas sendo amordaçadas. E uma vez mais, o Anonymous tentará mostrar àqueles envolvidos com a censura como é ser silenciado. A #OperationBART é uma operação voltada para o equilíbrio. Você não censura as pessoas por causa da vontade delas de falar contra as ocorrências nocivas em volta delas. O Bay Area Rapid Transit tomou a decisão consciente de ordenar às várias companhias de telefonia que encerrassem seus serviços do centro, inibindo aqueles nessas áreas de usarem seus celulares – mesmo em caso de emergência”.

“Nós sinceramente esperamos que essa série de ações sirva como alerta à Bart e todas as organizações públicas dos EUA a não se envolverem nesse tipo de comportamento perigoso e violador dos direitos humanos”.

 

 

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Reflexão sobre a música mais popular do Pará

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13:41

Por: Cybernic

O universo da música popular é vasto. Em todos os lugares da grande globo, há dignas e interessantes manifestações culturais envolta na música e nas artes de um modo generalizado.

especificamente, no Pará, nos ultimos anos, cresceu de forma mais clara (chegando a outras regiões do país e da mídia) o chamado "Tecnobrega". movimento que visa trazer à luz da modernidade, uma música que já estava sendo feita mas que pouco havia de diálogo com o grande público fora do âmbito do estado.

Como movimento, o techno brega, carrega um interessante jogo de marketing em se tratando de distribuição de seu material pelas rádios e as chamadas "aparelhagens" (grandes estruturas que comporta palcos, maquinários de iluminação, djs) tudo de forma itinerária, circulando por várias regiões e municípios, além de Belém, capital.

Se apoiando na indústria informal, no jabás das rádios locais e sobretudo nas aparelhagens, os músicos conseguem divulgar seus trabalhos, por vezes, feito de apenas uma música, que navega por todas as formas de acesso pelo estado, causando a sensação de um grande sucesso de público.

o faça você mesmo, encontra uma repaginação, enquanto a falta de apoio de grandes gravadoras e até o déficit financeiro que alguns dos música passa, até ter sua canção na mente do povo.

Como música o Tecnobrega não traz nada de novo e de inovador para a música feita nos tempos atuais. Suas incessante reciclagem de sons de outros artistas, muitas das vezes os mesmos que freqüentam as novelas globais e outras mídias mais populares, é um atestado controverso.

Apesar de levar o nome "techno" como difusor de uma música eletrônica mais de caráter moderno e popular também encontra pouco sentido quando o teste do ouvido é ativado para uma leitura mais cuidadosa das músicas. O Techno ( um dos ou o movimento de música mais inovador da música contemporânea) pouco é representado. Na verdade, o chamado techno brega poderia facilmente enquadrado em "eletro brega" com o abuso de vocais manipuladores, passagens com samples e cliques diversos em suas canções computadozidas.

Porém, o Tecnobrega, em se tratando de letra, não foge a regra do que é feito na música pop brasileira nos ultimos 20 anos.

Em comparação com outros estilos (axé, pagode, rock, sertanejo)  que freqüentam a grande mídia corporativa e os mais acessíveis meios, o movimento também encontra não um postura de inferior e sim de no mínimo igualitária e condizente com o modelo de música que preenche radiofonicamente as praças mais populares da música brasileira e nesse sentido, a música brasileira apresentada dentro e fora do país pelos mais respeitados meios de comunicação, é lamentável.

É notório também o apelo popular do movimento no estado do Pará e até de uma classe de músicos (da chamado MPP) que aderiu e incorporou alguns artistas do estilo em palcos e festivais antes um pouco mais inacessíveis.

Se o faça-você-mesmo para ser o espirito de vanguarda dos músicos do chamado techno brega o mesmo não aconteceu com sua música. De cunho até conservadora e de pouca ousadia em sua estrutura, com letras condescendes com as temáticas vigentes e vendáveis e de apelo simplório em muitos casos, o Tecnobrega, preenche bem  a lacuna deixada por músicos/artistas que poderiam até buscar novos mecanismo e revoluções para sua música, mas que ficaram pelo caminho, apenas posando de “artistas”, como uma paisagem de si mesmo, com seus violões inteligentes e com a inercia criativa e a pouca vontade de inovar no peito.

Também se deve ao descaso absoluto dos medias comercias, em acreditar na variedade de artistas que existe em Belém e no estado, nos meios alternativos, no subsolos undergrounds que existe em cada cidade, bairros etc... do estado. De acreditar na pluralidade de estilos e em novas linguagens.

Vivemos na verdade um período (universalmente) onde, a arte, acima de tudo, precisa saber dialogar com as pessoas como produtor e não como arte.

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ARQUIVO RIZOMA - CANETA DIGITAL

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12:55

CANETA DIGITAL

 

Patrícia Moran


Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
O slogan punk do início dos anos 80 do it youself, chegou ao vídeo. A miniaturização de equipamentos de produção como câmeras digitais e ilhas de edição em computadores domésticos está criando o vídeo de garagem. A qualidade do equipamento permite tanto o transfer para cinema 35mm, quanto um trabalho jornalístico. Já na realização artística o maior acesso a um equipamento praticamente portátil e com recursos sofisticados cria uma outra cultura de produção; câmera e ilha de edição funcionam como caneta e caderno de notas. Há um tempo maior para imersão nos trabalhos. Por outro lado, mais de um trabalho costuma ser produzido ao mesmo tempo. Algumas vezes os trabalhos surgem do registro gratuito de situações, roteiros são apresentados em vídeo. Em suma, a caneta digital é a versão garagem do audiovisual com as portas abertas a diversas experiências. ...........................................................................................................

 

Agosto, de Avi Mograbi
Vinheta de apresentação
Na introdução de seu livro The language of new media, Lev Manovich coloca o desafio de se pensarem as novidades das novas mídias no momento em que as estamos experimentando. Para o autor estudos desta natureza podem ter mais equívocos, o que seria um resultado do olhar projetivo e da falta de maturidade no uso do meio. Mas este tipo de esforço tem além do papel que cabe a qualquer ensaio teórico – o de elaborar uma perspectiva de análise sobre um assunto específico - fornecer a futuros estudiosos nosso ponto de vista ainda verde em algumas questões, sobre as novas mídias. Estaremos assim mostrando o olhar da descoberta e por conseqüência o que estas inovações significaram por ocasião de seu lançamento para as pessoas que viveram sua instauração.


Nos propomos a abraçar esta “causa” e tentar mapear e analisar algumas mudanças na maneira de produção audiovisual tendo em vista a generalização do uso do equipamento digital, seja na captação ou finalização. Nossa ênfase é a tecnologia digital e como novos hábitos, comunidades e culturas resultantes desta produção fazem emergir um novo processo criativo, uma nova criatividade.
Gostaríamos de lembrar que um novo artefato tecnológico não se traduz necessariamente em uma proposta de linguagem inovadora.

Mas diversos trabalhos exibidos tanto no circuito comercial quanto no alternativo têm mostrado experiências instigantes que souberam utilizar recursos oferecidos pelo equipamento digital de uma maneira ainda não vista. Realizadores consagrados como Godard em seu último filme O elogio do amor trata a cor conferindo novo sentido às imagens. O documentarista israelense Avi Mograbi, um dos vencedores do Festival de Berlim de 2002 e de diversos festivais, entre eles o “It´s all true” 2002, no Rio de Janeiro e

São Paulo com seu filme Agosto também tem uma perspectiva particular e inventiva. Destacamos o trabalho de Mograbi menos pelo uso da cor e mais pela maneira como a câmera, uma mini-DV, imprime à movimentação e à imagem captada uma tensão e descomprometimento típicos do que denominamos caneta digital. O realizador vai para as ruas e se propõe explicitamente a aventura de ser sujeito e objeto do trabalho. Ele tem um propósito, ele busca uma questão, e sai para a rua em busca dela. Este é um dos aspectos da miniaturização do equipamento que iremos tratar adiante. Nos dois casos temos peças audiovisuais marcadas por uma opção técnico-estética.


O cinema digital atinge tanto a ponta comercial da arte do audiovisual, quanto possibilita a invenção de novas formas de trabalho à qual denominamos de vídeo de garagem, numa alusão direta ao rock de garagem e à liberdade de expressão proporcionada nesta situação de trabalho. Buscaremos um paralelo entre a cena punk do início dos anos 80 e a situação do audiovisual nos dias de hoje.


Também utilizaremos a título de exemplo experiências como as de Avi Mograbi acima citado, e de Éder Santos, artista brasileiro que tem uma carreira internacional construída com sua criação audiovisual em vídeo, instalações e performances.


Recentemente, na apresentação de seu último projeto de roteiro Blue Desert, vencedor do concurso promovido pela Fundação Vitae, Éder entregou parte dos aspectos formais exigidos pelo edital em vídeo. Ou seja, antes de desenvolver o roteiro - o concurso era para a realização do roteiro - ele apresentou imagens e sons. O que aparentemente é um paradoxo, entregar um vídeo para pleitear recursos para redigir um roteiro, pode estar se configurando em outra escrita.


Em suma, nos propomos a mapear uma nova cultura de produção proporcionada pelo barateamento e melhoria de qualidade do equipamento digital. Consideramos que esta mudança traz um novo olhar, um novo tipo de imersão no trabalho o que resulta na escrita da caneta digital.


A cena digital


A consolidação da pesquisa e produção audiovisual vem acompanhada da união de empresas como a Lucas Filmes, de instituições governamentais como a NASA, de universidades e de artistas para a investigação e descoberta de soluções tanto no âmbito de simuladores com uma utilização prática imediata, quanto de trabalhos artísticos e comerciais(1). Essa união de saberes para a criação de hardware, software ou peças de arte testemunha a importância da união e troca de conhecimentos possibilitados e demandados pela cena digital. A associação dos grupos acima citados não se restringe à invenção de novos instrumentos de trabalho, passa por soluções que se fazem presentes no trabalho, na imagem no som, enfim na linguagem. Essa união é ainda importante em termos da filosofia da ciência pois saberes que estavam separados são chamados novamente a operar em conjunto.


Os realizadores que não tem acesso à tecnologia mais cara de uma linha, que fazem seus vídeos de garagem, também participam dos debates de criação e ajuste de programas. Hoje já é praxe nas corporações produtoras de software a consulta regular a diversos realizadores e/ou técnicos espalhados pela rede. Sejamos mais claros. Um programa antes de ser lançado no mercado, têm versões beta disponíveis na rede para o uso dos curiosos. Alguns destes, normalmente jovens inventivos, se deliciam em apontar falhas nos programas, inclusive criam uma disputa entre si para ver quem conseguirá entender melhor o programa e descobrir usos não previstos dos mesmos. De acordo com as sugestões oferecidas pelo testador curioso, as companhias elegem alguns para receber diversos produtos da empresa e testá-los.

Listas de discussões na rede sobre programas aprovados, mas com suas primeiras versões ainda com problemas, também utilizam as questões levantadas pelos usuários para repensar e refazer a nova versão do programa.


Estas situações são um esboço de uma nova cultura de troca e produção da cena digital. De um lado há o esmaecimento da linha divisória entre profissionais e amadores. Os testadores nem sempre são desenvolvedores de programas, mas estão sugerindo mudanças para estes. Outro dado interessante é que muitas vezes quem mais contribui são jovens com tempo disponível, jovens que tem uma relação apaixonada com as máquinas e em suas “garagens” operam como profissionais. A fronteira arte e não arte também é atingida. Designers gráficos e realizadores de filmes voltados para a rede por exemplo, não necessitam do carimbo de arte para produzir, e assim caminham e criam experimentações originais entendidas pelos estudiosos de arte como tal. (2)


O acesso a programas também não se pauta em divisões profissional e amador. Alguns softwares como o Photoshop (3) são utilizados tanto por amadores, quanto profissionais. Do garoto que tem uma cópia pirata, ou um genérico segundo os vendedores, ao profissional de Hollywood, todos usam o Photoshop. Mas não é apenas no acesso a um software que percebemos a proximidade do trabalho amador e profissional, diversos procedimentos de manipulação de programas são próximos. O uso de programas é assim a porta de acesso a uma lógica de trabalho que será desenvolvida em escala de mercado ou doméstica.


A possibilidade do entusiasta do audiovisual ou do artista ter acesso a programas complexos em sua própria casa acontece graças à diminuição do tamanho e dos custos do equipamento.

Um computador G4 da Macintosh, um software de edição de imagens, outro para o som, uma câmera digital funcionando como vídeo, duas caixas de som, um amplificador e um monitor são mais baratos que dois vídeos Betacam, e com vídeos Betacam nada se faz, enquanto com esta configuração de equipamento é possível se realizar a captação, finalização e até distribuição pela rede do trabalho. O avanço da indústria no barateamento das máquinas tem proporcionado a um número cada vez maior de pessoas o acesso à criação.


O aumento da quantidade de trabalhos produzidos extrapola um dado estritamente estatístico. Um maior número de trabalhos representa potencialmente mais pessoas realizando e de maneira diferente. A qualidade, o novo, não tem uma relação causal com a quantidade, mas potencializa alternativas de expressão diferenciadas, principalmente quando consideramos que os custos de alguns trabalhos são pequenos pelo fato dos meios de criação estarem ao alcance do realizador.

A ampliação dos “circuitos” de exibição como já citamos é uma novidade da cena digital. Um filme produzido digitalmente pode ser exibido na internet e também transferido (4) para o cinema alcançando assim os circuitos tradicionais. A internet é o campo por excelência de expressão de trabalhos experimentais, a ausência praticamente completa de compromissos institucionais ou comerciais faz dos filmes produzidos para a internet um campo ideal para a experimentação.


Em se tratando da exibição no cinema, além dos aspectos comerciais implicados na possibilidade de se alcançar o circuito mais organizado em termos de mercado temos a abertura de flancos para experiências

pessoais chegarem aos rincões mais conservadores da produção audiovisual, promovendo discussões de linguagem em um âmbito oficial. Novamente o digital proporciona a duas pontas opostas em termos de condições e estrutura o acesso à produção de bens simbólicos. Do mainstream da sala de cinema a filminhos colocados na rede há uma lógica digital.


A captação em vídeo, para a posterior utilização da imagem no cinema não é uma novidade. Pelo contrário, muitas experiências pioneiras foram realizadas antes de entrarmos no uso generalizado do vídeo para a pós-produção em cinema como vemos hoje. Em 1988 Arlindo Machado (5) já discutiu em seu livro A arte do vídeo a aproximação entre o cinema e o vídeo. Na época o sinal era analógico e o equipamento eletrônico, hoje é digital. Mas as diferenças entre aquele momento e hoje não se restringem a um aspecto técnico. Estas têm implicações na quantidade de trabalhos realizados, na ampliação do alcance potencial destes filmes e na maneira de criação.


Em suma, a cena digital não obedece a modelos excludentes de invenção. Temos distintos projetos de realização, de linguagem e de formato. Na sala de cinema o digital aparece na transferência de fita para filme e em efeitos especiais. De outro lado há uma gama praticamente imensurável de trabalhos sem muitos vínculos institucionais, sem compromisso com procedimentos de linguagem usuais. Estes são livres, muitas vezes criativos, são as expressões de subjetividade produzidas para a internet ou para ser exibida em mostras locais, bares e festivais de cinema. As listas distribuídas pela internet de festivais e eventos internacionais não param de chegar solicitando trabalhos que muitas vezes são a manifestação de grupos e tem a intenção de expressar anseios dos criadores do trabalho.


Algumas defesas da cena digital têm o tom das utopias modernistas. Nas comunidades virtuais de discussão vemos um entusiasmo militante. Este tem seu correspondente em estudiosos que em vez de fechar os olhos aos novos trabalhos se debruçam neles buscando trazer sua novidade como pensamento e proposta de linguagem sobre/do nosso tempo.

Novamente cito Lev Manovich (6) quando na conclusão de seu texto sobre a Geração Flash (7), chama nossa atenção para as possibilidades de montagem materializadas na internet. Por que as pessoas se dedicam a fazer filminhos, com programas disponibilizados na rede? É porque “nós ainda precisamos de arte. Nós ainda queremos dizer alguma coisa sobre o mundo e sobre nossas vidas nele, nós ainda precisamos de nosso próprio espelho no meio de uma estrada empoeirada, segundo expressão de Stendhal para chamar a arte do século XIX.” (8) Conclui esta parte do seu texto com um convite para a aventura de criação possibilitada por programas utilizados na internet: “Welcome to visual remixing Flash style.”


Alex Sernambi (9) diretor de fotografia de Houve uma vez dois verões, primeiro longa do diretor gaúcho Jorge Furtado, também destaca as alternativas potenciais de invenção de um trabalho em DV. “Como fotógrafo me entusiasmo com as possibilidades do processo de transferência digital e não só quando a captação é feita em DV, pois entendo que isso é uma prerrogativa do produtor, mas porque ele aumenta de diferencial fotográfico.” Em suma a cena digital impõe novos procedimentos, pede outras habilidades e maneira de pensar. Até situações de trabalho corriqueiras podem responder diferente no trabalho. Há uma instabilidade inicial interessante para o realizador que decidir abraçar a alternativa de transformar sua maneira de criar, de deixar seus hábitos, para também fazer da técnica uma fonte de inspiração, uma aliada na exploração recursos de linguagem ainda não experimentados.

O vídeo de garagem


Temos usado a expressão vídeo de garagem para nomear uma condição de trabalho criada com a miniaturização do equipamento de captação e finalização. O barateamento de equipamentos para produção audiovisual esta socializando os meios de produção. Em países como o Brasil onde as desigualdades e carências atingem grande parte da população, onde grande parte da população é excluída do consumo é difícil falar em socialização em um sentido amplo (10), mas há um acesso maior a equipamentos. Escolas de comunicação e de artes tem mais facilidades para adquirir as máquinas e pessoas tem comprado o equipamento individualmente ou em grupos. Novas formas de organização aparecem.


Uma produção de garagem retoma um estado de espírito da contracultura. O compromisso do realizador é com suas questões. O vídeo de garagem é uma proposta de organização e de trabalho. Uma pessoa pode ter um equipamento destes e fazer um uso convencional do mesmo. O realizador de garagem não faz, para ele ter acesso a um meio de produção é uma maneira de falar, de se expressar, de construir representações sobre seu tempo.
Um dos pontos que os aproxima da cena punk está no slogan do movimento punk, a palavra de ordem era “do it yourself”. Este slogan trazia embutida a idéia de que não havia porque se esperar gravadoras para produzir os discos, eles deveriam ser realizados independente de um domínio técnico virtuose do meio, independente de gravadoras e mesmo de empresários. Existia a proposta de uma relação social de produção. Hoje os garotos que auxiliam na definição da dinâmica de programas e fazem vídeo instalações, filmes para internet ou para o cinema estão imbuídos deste estado de ânimo, eles fazem seus filmes independentes sem compromissos institucionais. Isso implica uma maior liberdade de criação.


A maneira como as pessoas se organizam nas garagens têm um espírito comunitário. Os trabalhos são discutidos e criticados em grupos, as idéias circulam. Curiosamente foi este princípio que uniu a dupla Steve Jobs e Steve Wozniac inventores da Apple, atual fabricante do G4. Em meados da década de 70, ainda sob a égide do movimento hippie eles se reuniam em garagens no Silicon Valley para desenvolver traquitanas tecnológicas.

“O campus de Berkeley não ficava muito longe; a paixão pela bricolagem eletrônica se misturava então a idéia sobre o desvio da alta tecnologia em proveito da ‘contracultura’ e a slogans tais como Computers for the people (computadores ‘para o povo’ ou ‘a serviço do povo’ ou ‘ao serviço das pessoas’)”(Levy. pg 43). Os computadores que tem possibilitado o vídeo de garagem são tataranetos dos ideais de liberdade, da aventura (11) do fazer aonde o compromisso é com a necessidade pessoal de expressão, seja representativa de minorias ou trabalhos mais poéticos e pessoais.


Esta alternativa de criação gera trabalhos marcados pela condição de produção do digital de garagem. O vídeo Só de Conrado Almado é um exemplo. Com duração de quatro minutos, ele foi exibido no VídeoBrasil de 2001. Segundo sinopse do catálogo do Festival, Só “narra a insólita trajetória de um jovem ao interior de seu ego. Lá, ele se vê só, tendo como única companhia sua própria pessoa”. Só utiliza um único ator e pelo corte quase obsessivo de alguns frames desumaniza a pessoa. A personagem é transformada em uma animação, sua questão existencial não é apresentada por textos ou reflexões, é na maneira de se relacionar com o espaço, em como ela se situa no espaço, que vemos seus estados emocionais.

O desconforto da perda parâmetros existenciais têm seu correlato na imagem, na maneira como o filme é cortado. O desespero da personagem está no ritmo frenético da imagem e do som, é linguagem. Conversei com Conrado sobre este trabalho e ele narrou uma situação exemplar de uma certa incompatibilidade da experiência de garagem e do mercado. Para o mercado tempo é dinheiro, para o mercado publicitário a solicitação de vídeos é para ontem. Para a garagem tempo é invenção, é erro, é acerto, é descoberta, é uma série de versões para o mesmo trabalho. Conrado costuma ser procurado por agências de publicidade que solicitam um VT comercial com as características de montagem como as de seu filme de garagem Só. Perguntei-lhe como reagia, sorriu e disse, impossível.

O vídeo de garagem pede o tempo da utopia, pede um tempo desperdício; tempo do erro para o encontro de um caminho para o trabalho. Os realizadores de garagem investem em cada frame. Lembrando que cada segundo tem 29,97 frames o trabalho no frame a frame em máquinas semi-domésticas exige uma imersão e tempo fora de praticas comerciais. Arrisco-me a pensar que um trabalho como Só existe graças a esta condição de trabalho.
Um diferencial em termos de linguagem de filmes produzidos em computadores é essa manipulação do detalhe, de cada frame. No cinema do filme fotográfico é o laboratório quem vai fazer, na era do eletrônico, de ilhas de edição analógica, a fita que é a parte material do trabalho não suportava muitos cortes. A constante pressão do cabeçote do vídeo na fita acabava por danificar a mesma, ela ficava amassada ou se rompia.

Hoje, nos computadores, imagem e o som são arquivos que podem ser cortados e colados ad infinitum sempre juízo da existência física do mesmo, alias no computador eles nem existem fisicamente.
Filmes experimentais em película e vídeo eletrônico também buscavam alcançar a materialidade do frame. No cinema (12) temos exemplos de cineastas como Fernand Léger, Man Ray e cineastas brasileiros do udigrudi dos anos 70 que desenhavam, arranhavam ou colocavam objetos no negativo para alcançar formas abstratas no positivo. No vídeo um procedimento usualmente utilizado era fazer uma série de cópias xerox e gravá-los quadro a quadro, na cena digital esta manipulação do frame se concentra na finalização. Um dos grandes trunfos do cinema digital é ter conseguido elevar a quantidade de cortes e ordenação significante dos mesmos a tal ponto que chega, com é o caso de Só ao transformar imagens realistas em abstrações dada a quantidade de cortes e tratamento de cor a que a imagem é submetida. Nestes casos o programa mais utilizado é o After Effects, como o Photoshop, também da Adobe.
Outros trabalhos.

Outras experiências Neste ensaio usamos exemplos de filmes muito diferentes, pois como temos dito uma das características da cena digital é promover uma aproximação de procedimentos de trabalho em proposta de linguagem bem distintas. Há no entanto diferenças em termos de velocidade e precisão das tarefas solicitadas à máquina, mas o tempo de dedicação ao filme cria novos caminhos.


Outro aspecto desta nova cena é o crescimento do papel da montagem na construção da linguagem do filme. Se em animação em ambientes virtuais pode-se prescindir da captação, quando temos imagens captadas estas podem ser manipuladas em praticamente todos os seus parâmetros de cor, luz, forma, etc. O laboratório perde sua função nos efeitos especiais. Se tomarmos como exemplo o cinema eletrônico, os efeitos de computação eram criados e desenvolvidos em computadores para posterior incorporação ao trabalho. Hoje tudo está no computador O filme de Godard O elogio do amor já citado acima modificou principalmente os parâmetros de cor. O que mais chama a atenção neste trabalho em relação ao uso do digital é a desnaturalização da paisagem proporcionada pela cor. Godard usa filme preto e branco e quando trabalha com fita digital mantém as imagens coloridas. A cor da paisagem de Godard só existe no filme não é um verde como o da natureza. A natureza de Godard é de um amarelo árido misturado com um certo roxo leve, puxado ligeiramente para o magenta. Jogar com o naturalismo e a encenação faz parte do filme. Ele aborda temas como o cinema, a guerra e a encenação de uma maneira geral. Em um jogo de naturalizar a encenação, Godard nos fazer crer que um teste de atores é uma situação que está acontecendo no filme. Por outro lado, o campo é desnaturalizado.

Em suma, a representação como um todo é colocada em questão. É sempre bom lembrar que o tratamento significante da cor foi usado em O mistério de Oberwald e em diversos filmes de Peter Greenaway o que muda hoje é que alternativas deste tipo estão disponíveis em escala comercial, são uma opção barata e o espectro de mudanças possíveis é bem maior. A gama de recursos disponíveis é mais ampla.


Na captação a cultura do digital, da pequena câmera cria o que estamos chamando de caneta digital. A câmera é usada como bloco de notas ela é um rascunho que pode virar matriz, que pode estar no produto final. É na hora de gravar o trabalho que ele é pensado. Isso não significa falta de reflexão anterior, mas o embate com o tema fornece ao realizador dados para a mudança do mesmo na hora da filmagem, principalmente em se tratando de trabalhos mais subjetivos ou de documentários.


Mudanças de andamento na captação sempre acontecem, costuma-se dizer que no audiovisual existem três trabalhos, o da idéia e roteiro, o da captação e o da montagem, ou seja em cada etapa de trabalho um novo filme vai se fazendo. Mas agora, a disponibilidade de tempo para filmar, a fita é mais barata e longa, e a praticidade proporcionada pelo tamanho da câmera, permite ao realizador uma agilidade maior e o confronto com o tema muitas vezes transforma-se em enredo.


É na hora de se fazer o trabalho que a estratégia de sua realização é elaborada. O filme August, dirigido por Avi Mograbi é um exemplo. Este trabalho é um documentário com trechos ficcionais. É a história de um diretor de cinema que considera o mês de agosto uma metáfora dá má sorte de Israel, ele decide fazer um documentário e se confrontar com o azar e a violência. Sua mulher, papel representado pelo próprio diretor, pensa diferente e conversa com ele algumas vezes. Um produtor, também Mograbi, cobra do diretor o elenco de seu próximo filme de ficção. As situações ficcionais são todas realizadas na sala da casa do diretor, testes com atores acontecem no mesmo lugar. A câmera é fixa em um tripé. A cena ficcional é utilizada como momento de reflexão sobre as imagens captadas, sobre as situações de violência a que estão submetidos o diretor e o povo de Israel, que é filmado em momentos de embate tornados corriqueiros nas ruas de Israel. Quando vai para rua, ele é questionado o tempo todo sobre o porque de estar fazendo imagens, para qual emissora de TV está fazendo o trabalho. Sua câmera é nervosa, é militante.


Nas reflexões de Mograbi colocadas no documentário são analisadas as dificuldades do documentarista. Ele sai às ruas com a câmera em busca de cenas de confronto, nada encontra. Em outro momento ele sem câmera nas ruas, perde uma situação importante aos objetivos de seu trabalho. “When I started filming, I thought I would shoot events, small and big, whose potential violence would materialize. But once you go to the street with an intention to film it the way you conceive it in your mind´s eyes, you find that it has a mind of its own” (13).

É a pulsão dos acontecimentos, a mente dos acontecimentos, para usar a expressão de Mograbi, que é revelada na escrita digital. Em certos aspectos aproxima-se da câmera jornalista, a imagem é mais instável, mais suja. Mas tanto nos aspectos formais do trabalho como um todo, quanto na insistência de manter planos longos, sem corte, incômodos, ele instaura outra situação, ele constrói outra linguagem.

O confronto com policiais ou passantes não é encenado, este é o ponto documentário do filme, em um momento sua câmera é atingida. Manter a cena no todo de sua duração parece dilatar o tempo do acontecimento. As situações ficam em suspenso. O desfecho da cena ganha em tensão pois a informalidade da câmera nos faz sentir que tudo pode acontecer a qualquer momento. A câmera de Mograbi é o típico caderno de notas. Ele anda pelas ruas fazendo anotações em fita digital para posterior ordenação do material.

Seu filme tem o frescor e a desordem de um caderno de notas. Frame do projeto Blue Desert de Éder Santos
Outro tipo de escrita digital é a de Éder Santos. Há cerca de dois anos atrás Éder ministrou uma oficina de vídeo no Festival de Inverno de Ouro Preto. Para produzir uma instalação com o grupo de alunos foram feitas imagens. Éder participava de todo o processo, tanto na concepção quanto na captação do material. Para fazer a vídeo instalação foram projetadas dentro em uma caverna pessoas se movimentando. As condições de luz da caverna eram poucas, a imagem ficou nebulosa, difícil de se identificar o que havia. Talvez a textura da caverna ajudava a se criar uma ambiência que lembrava a caverna primitiva. Éder gostou das imagens e as manteve ali à mão, o que significa dentro do seu G 4 portátil ou numa fita bem identificada. Daí, revendo a imagem, começou a ter outras idéias. A imagem suscitava uma situação possível de ser continuada.


Corta para Austrália.


Olhando o deserto na Austrália Éder têm a idéia de fazer um longa-metragem de ficção. Em sua história o personagem principal tem o sonho de conhecer o deserto. Como ele tem medo de ir ao deserto faz um robô que irá em seu lugar. O personagem passa a ver o mundo pelos olhos do robô e não consegue mais distinguir o que é uma experiência sua ou do robô. Uma das experiências do robô acontecerá em uma caverna, onde ele se encontrará com homens pré-históricos.


As imagens produzidas durante o Festival são chamadas a entrar na estória. Mas a estória ainda não existia, ainda não existe, é apenas uma sinopse, é apenas um indicativo de um futuro trabalho. Éder decide mandar sua idéia para o concurso de bolsas da Fundação Vitae, este concurso apóia o desenvolvimento de roteiros. Como as imagens da caverna já estão em seu computador, como as imagens já estão sendo trabalhadas, como elas serão incorporadas ao filme através da

transferência Éder decide entregar um projeto com as imagens montadas, ele entrega um vídeo em processo.
Considero este caso exemplar desta idéia de caneta digital. Você registra alguma situação ou evento sem muita expectativa sobre o mesmo.

E este, e alguma imagem que você faz, puxa uma associação e já é um outro projeto, uma outra idéia. O interessante neste caso é que a idéia vem de uma imagem em movimento, e já é parte do trabalho, principalmente em se tratando de criador como Éder que em toda sua trajetória nunca se apegou a padrões de qualidade de imagem pré-estabelecidos. Suas imagens têm uma plasticidade que dispensa a figurativização realista.


É do encontro com a imagem que surge o trabalho. A gênese dele é lúdica, é imagética, é resultado de uma aventurar do querer fazer, é resultado da facilidade de se ter uma câmera na mão. Originalmente há uma idéia na cabeça também. Mas a imagem se presta a outras idéias. Assim uma câmera na mão está não só a serviço de uma idéia na cabeça, mas posteriormente poderá suscitar outras idéias.
Os casos de Conrado Almada, Avi Mograbi e Éder Santos são exemplos diferentes de propostas de trabalho marcados pelas novas possibilidades de produção audiovisual da garagem, da caneta digital que imprime sua assinatura no trabalho juntamente com o diretor.


Referências Bibliográficas

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Lévy, Pierre. 1995.As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. 2 a ed. Tradução: Carlo Irineu da Costa. Rio de Janeiro. Editora 34.
Machado, Arlindo. 1990. A Arte do Vídeo. 2a ed. São Paulo: Brasiliense.
_________________ . 1993. Máquina e Imaginário: O desafio das poéticas tecnológicas. SP: Edusp.
Manovich, Lev. 2001. The Language of New Media. Cambridge, Massachusetts: MIT press.
Pires, Paulo Roberto. Idéia na cabeça, mouse na mão. Revista do Centro Cultural Banco do Brasil. Ano 7. número 76. abril 2002.
Rees, A.L. 1999. A history of experimental film and video. From the canonical Avant-Garde to Contemporary British Practice. London: British Film Institute.
Weibel, Peter. 1984. “On the History and Aesthetics of the Digital Image”. In: Druckrey, Timothy. 1999. Ars Electronica. Facing the Future. A Survey of Two Decades. Massachusetts and London: MIT press.
Revista de Cinema – Ano II, no 23. Março de 2002. Alex Sernambi.
Revista Sinopse, no 8, Ano 4, abril de 2002.


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