LABIRINTO OCO

0
10:11

Quero me disparar para imensas crateras numa gelada invisibilidade.
Traçando meu plano de não definhar antes da chuva habitual.
Sou parte do que se chama desolação social,
Fragrância lúdica de devaneios congelados,
Mudez que perfura o coração da fala e come seus restos previsíveis.
Meu coração geme na ponta da lança do instante
O que era eternidade não passa de embriaguez suprema nessa fração abstrata.
Oceanos; levem-me para o fundo sem salvas vidas poéticos.
Tremo de frio as perceber minha própria ausência.
O filosofo diz que tudo é desespero
Mas eu prefiro acreditar nas manhãs ensolaradas do destino.
Mesmo assim canso de ser nuvem.
No quintal dos meus cinco sentidos enterro-me de frente para o horizonte.
Sou a troca de telepatias entre as estrelas.
Na verdade no fundo, sou o sexo entre as letras da poesia.
Engravidado de palavras que se aglutinam na imensidão incerta.
Fecho os olhos para não ouvir os conselhos dos segundos.
Não!
Não quero as lagrimas quero as galáxias dos meus próprios sentimentos inteiros
Quero transbordar nas bordas dos litorais de Deus e sair rolando entre os mantos irretocais dos anjos numa ladeira delirante para um confim onisciente.
Chega...
Retomo a idéia de ir para o trabalho como se desse corda intermináveis no tempo,
Ele reiniciar seu processo de dilacerar-me lentamente,
Já estarei puído antes do meio dia
E serei apenas sombra nas tardes invioláveis,
Mesmo assim, mesmo assim inexoravelmente,
Mesmo assim num ato de transgressão cósmica,
Num uivo que romperá os cordões umbilicais entre matéria e espírito,
Mesmo assim, mesmo assim...
Respirarei esse instante como se ultimo ele fosse,
Fosse,
O ultima instante poético.










João Leno Lima
22-06-2009
Continue

As 10 melhores fotos captadas pelo telescópio Hubble no espaço

0
20:24
1º- A Galáxia do Sombrero - distante 28 milhões de anos luz da Terra - foi eleita a melhor foto, captada pelo Hubble. As dimensões desta Galáxia, oficialmente denominada M104, tem uma aparência espetacular, com 800 bilhões de sois e um diâmetro de 50.000 anos luz.

2º -A Nebulosa da Formiga, que é uma nuvem de poeira cósmica e gás, cujo nome técnico é Mz3, assemelha-se a uma formiga quando observada por telescópios fixos. Esta Nebulosa, esta distante da nossa Galáxia, e da Terra, entre 3.000 a 6.000 anos luz.



3º - Em terceiro lugar está a Nebulosa NGC2392, chamada Esquimó, pois se assemelha a um rosto circundado por chapéu ou gorro enrugado. Este chapéu, na realidade, é um anel formado por estruturas ou restos desagregados de estrelas mortas. A Esquimó está há 5.000 anos luz da Terra.


4º - Em 4º lugar temos a Nebulosa Olho de Gato, que tem uma aparência do olho esbugalhado do feiticeiro Sauron do filme "O senhor dos anéis".



5º - A Nebulosa Ampulheta, distante 8.000 anos luz, que tem um estrangulamento no meio, por causa dos ventos que modelam a nebulosa, serem mais fracos na sua parte central.

6º - Em 6º lugar está a Nebulosa do Cone. A parte que aparece na foto tem 2.5 anos luz de comprimento (o equivalente a 23 milhões de voltas ao redor da Lua).



7º - A Tempestade Perfeita, uma pequena região da Nebulosa do Cisne, distante 5.500 anos luz; descrita como "um borbulhante oceano de hidrogênio, e pequenas quantidades de oxigênio, enxofre e outros elementos".

8º - Noite Estrelada, assim chamada por lembrar aos astrônomos um quadro de Van Gogh com este nome. É um halo de luz que envolve uma estrela da via Láctea.


9º - Um redemoinho de olhos "furiosos" de duas galáxias, que se fundem, chamadas NGC 2207 e IC 2163, distantes 114 milhões de anos luz na distante Constelação do Cão Maior (Canis Major).



10º- A Nebulosa Trifid. É um "berçário estelar", afastado da Terra 9.000 anos luz, e é o lugar onde nascem as novas estrelas.












Continue

Peso

0
09:50

No sonho, o momento passado é um momento presente desabitado.
Desertos de palavras formam as células antepassadas e a dor comete o ato de alojar-se...
Nossos estranhos mecanismos íntimos sentem as infiltrações dos sentidos dispersos, o mar deságua no litoral do rosto entregue.
Nem sonho nem abrigo, quero desintegrar na úmida desesperança.
Blocos de gelo saem dos meus gritos.
Sou parte das paisagens invisíveis.
Meu deus, cada segundo me consome como um trago inesgotável.
Oniricamente faminto preciso das caricias sempre suaves das nuvens,
Dos conselhos sábios das estrelas
- Não há lugar algum quando não há a si mesmo, elas dizem...
Mas mesmo assim ouvirei a declamação do sol
E descansarei em alguma rocha num oceano imaginário...





















João Leno Lima
19-06-2009
Continue

O ENIGMA dos SENTIDOS POETICOS

0
13:11




São intermináveis as incertezas que motivam o ser.
Como goles de vinho passeando pelas goelas do espírito.
Prometo não me embriagar de noites solitárias de sentidos.
Quero fabricar em mim as certezas possíveis.
Com a lanterna mágica dos versos, vou vasculhando os horizontes.
E tremendo de frio na gélida tristeza que sempre adormece comigo.
Encontro no verso mais intimo de cada homem um inesgotável,
As suas almas sobrevivem e atravessam um túnel e transpassam o centro do mundo.
Nossos mundos?
Pequenos líquidos que escorrem do rosto de Deus rumo aos sublimes oceanos que se materializa...
Estamos quase sempre enganados...
O verso mais inesgotável é o que possui em si mesmo um coração inesgotável.
Meu coração em desordem crônica com o mundo
É uma criança que estende a mão para alcançar as estrelas de si mesma.

















João Leno Lima
18 de junho de 2009
Continue

A MARCHA SENTIMENTAL

0
19:18


No fundo somos selvagens anarquistas do destino.
Queremos juntar as peças,
os monilitos sonoros dos nossos proprios gritos entranhados
e recombinar com nossas asas além da invenção das horas.
Cada palavra se desmancha simetricamente.
Coloco a mão no rosto e mergulho num confim palpavel.
Tememos a indefirença mesmo a desejando inconscientemente
nas ruas sujas indo para o trabalho.
Quando a visao da minha sombra é meu espelho
sou parte desconectiva.
Elementar paisagem psicoconcreta
entre as girafas estaticas que roçam os céus.
Transfiguro-me para as bordas.

Agora sou as incertezas que brotam no jardim desemperançoso do meio dia.
atado pelo globo ocular pos-lagrimejante do amigo incalculavel.
E a ressaca dos amantes indefesos.
uma impeciencia que geme mais que uma criança solitária.
num tunel...

O mundo é um tunel desconhecido que agride nossos passos que tremem
percebo a velice dos deuses do medo
Mas o mundo cria mecanismo de defesa contra os poemas.
Somos os mecanismos.
Então fundo-me em teatros sem gente
Sou parte dos raios da chuva não desejada
O que passeia nas paginas que estão sendo açoitadas
pela maquina de escrever cansada.
Quem no mundo sentiu tal evento melindroso...
Ou quando as mãos dos que se desejavam deixaram-se...
Naquela distancia se esticando...
Mesmo que momentaneamente...quem sentiu...

Temo a realidade ilusoria
como a materia teme a putrefação dos sentidos.
Temo mais os grunidos dos urubus da memoria
do que os assassinos incontroláveis.
Porque a ponta dos meus dedos é uma lança rasgando o coração dos instantes...
Quantas mães-anjos devem estar nesse exato
momento latejando de existencias transbordantes
Quanto segredos estao sendo revelados...
Quantas faces lantamente enrugando na invisibilidade da célula poetica
Num abrir e fechar de portas
Quantos olhos fechando e nessa fraçao escura intantanea...
Quantos sonhos?

Piso nos meus proprios passos à sobrescreve-los em vão
Se o passado é irreversivel
por que tentamos evitar comete-los novamente?
eu, poeta, principio vital
que movimenta as palavas além das combinações plausiveis
Que se alimenta dos poros do mundo pensado,
planejo poesias infindaveis
Como o ludico louco que boceja perante a razão dos outros.
Na minha razão, a unica razão é o sentimento.





João Leno Lima
08-06-2009
Continue

CANTO-ENTRANHA

0
22:20




Dispara novamente sobre meu canto a insatisfação do tempo.
No intermédio desfavorável das caricias silenciosas dos ventos,
Vaga os sorrisos na contramão.
Enamorados silenciosos ventam
Cruzando os caminhos da cena frágil do olhar;
Quero devorar as horas
Insisto quero devorar a solidão.
Alimenta-la com vultos indesejáveis de sonhos
E cobri-la com meu manto oculto decapitado pelo destino.
Rendo-me
Quero devorar-me com salivas de tardes desabitadas da fala
O que é a fala se tudo em mim espatifa-se num grito incomunicável?





















João Leno Lima
07-06-2009 Continue

O ENIGMA DA CHEGADA DO MEIO DIA

0
13:31

Titulo do Poema Retirado de um titulo do Quadro de Giorgio De Chirico




Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.
Com vogais esfaqueando os umbigos dissonantes das
Palavras ocultas num dialogo comigo mesmo.
Disparo para perto,
Sou a construção desconstrutiva das leis da natureza intima
Sou os blocos de gelo queimando os corpos do orgulho
E a bola de fogo atravessando a garganta do medo metafísico.
Trabalhadores navegando nos seus próprios passos
Num trem invisível da memória.
Como posso conte-los?
E declamar meus poemas ocultos até a mim?
E aquela criança com envergadura de nuvem?
Como posso convencê-la
que sou pequenos feixes de luz que falham as vezes?
Às vezes dissonantes versos com cabeça de manhãs
tropeçam rachando o chão ensolarado
E ruindo o horizonte.
Dou voltas e voltas neles
Meus corrimões desaparecem ensolarados pela sombra das horas.
O que são as horas perante a vastidão da eternidade?
"Cala-te"
Diz Rimbund pegando seu café vulcânico
que queima os lábios dos instantes.
Leopardos se acumulam a minha espera na porta do trabalho.
Querem eles me caçar ou me ajudar a caçar a mim mesmo?
Serei eu um leopardo metafísico
que geme tubarões num mar decapitado pela razão?
Desintegro-me pelos trovoes da chegada.
Perco pernas e braço na colisao com a queda intima
E desço longos tubos da inquietação matinal.
Sou mais manhã ou mais noite?
A tarde presa nos túneis do trompete
desafinando a melodia desejada.
Dança os segundos uns com os outros
e desaparecem num limbo inconsciente
Pequenos rostos sobrevoam a calçada carcomida
Mãos atravessam o outro lado de si mesmas se beijando
Pressa insaciável
Deixa-me!
Minha angustia espera na parada de ônibus
Pássaros desviam da minha sombra
Cuspo cometas...
Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.











João Leno Lima
05-06-2009
Continue

DIALOGO COM AS NUVENS

0
13:35


Se junto os fragmentos dos instantes
Como cacos espalhados num chão entrelaçado com o espírito,
Junto a construção refletida de mim mesmo por algum momento.
Não cabe eu compreender os espaços atemporais do tempo
Nem os longos dentes afiados dos leopardos
Da minha momentânea desesperança em mim mesmo.
Só cabe a mim,
Atravessar as paredes da irremediável
onisciência dos universos completos.
Levo os fragmentos além das portas,
Passo indesejavelmente cinza pelo asfalto
E logo o céu-azul-espelho espalha-me pelos longos corredores do dia.
Sinto-me gigante
Com os cabelos roçando a extremidade das nuvens...
Sentes a atemporalidade?
Sentes a união dos passos formando pequenas estrelas nas calçadas?
Sentes o vácuo deixado pela presença do esquecimento?
Sentes o hálito da noite apos longas caminhadas longe de si mesmo?
Sentes como Deus sopra os tempestuosos navios-nuvens
Como uma criança transbordando o sublime?
E nos traz um quadro de sensações que titilam nos poros do mundo?
Ousou Deus imitar Van Gogh inconscientemente?
Fragmenta-me.
Sou o espaço interior refletido na eternidade.
Meu grito abraça meu silencio
E sobrevoa o poema sem asas
E ambos despencam em minhas mãos flutuantes.
Junto-me...
Volto para casa...











João Leno Lima
04-06-2009
Continue

11

0
19:56




Quando o universo e eu seremos um só?
Quando as cartas de Rilk serão escritas na minha alma?
Pertencerei ao mundo exterior arremessado no sonho?
Reluz minha respiração,
O vasto raio de sombra anoitece a aurora,
Pianos confundem os segundos,
Cai o lápis da minha mão
Antes que eu chegasse no fundo do poema,
Deslizo pelos para brisas da memória,
Desço ate as altas camadas congeladas das palavras,
Atravessando as intermináveis feições oceânicas dos desejos,
Pego uma embarcação e penetro na gélida ilusão do auto-retrato,
Caminho pelos confins imaginários
Para contemplar de perto a perfeição,
Quem seria eu nesse instante?
Adormeço no portal transcendental da lembrança.
Sonho com objetos inanimados
E rostos que flutuam por serem si mesmos,
A dor de existir e maior quando chega a noite,
Adormece no meu colo o absoluto,
Engulo a madrugada misturando-a ao copo d água,
Quando acordo não sou nem mais eu nem ninguém,
As cordas vocais falham como se fosse a opera do fim do mundo,
Treme fantasmagoricamente a insuportabilidade,
Desando e patino pelas montanhas brancas e congelo,
Antes ainda apalpo teu rosto contendo desesperadamente o calor,
Torno-me vulcão que avança destruindo as cidades
Do outro lado do mundo da minha angustia,
Misturo-me ao todo
E o todo tem a exatidão de mim.



João Leno Lima
Continue

SAIL TO THE MOON

2
12:00
Vi pessoas humildes se reunindo com suas almas gigantes
e senti a eternidade como quem sente uma chuva inesperada
na contra mão dos corações soterrados de tristezas.
Margulhar na eternidade;
com seus dentes sublimes de tubarões imaginários
devorando com destreza a mim,
é devorar buracos negros insatisfeitos e contemplativos
de imensas tempestades, as vezes, maior que nossas
próprias sombras.
Essas pessoas tinham nos olhos
suas próprias almas penduradas nas palpebras.
E suas vibrações sonoras ensurdecem
com rosnar de violinos e grito-pianos
as horas mortas de sentir.
O que é o delírio perante crianças brincando
no vasto campo aberto de si mesmas?
O que é a insatisfação perante o olhar recipocro
dos invenciveis amentes pendurados
na magia sentimental das almas?
Penduro a chuva na minha pulsação noturna
e canto a canção de flutuação inesgotada.
As vezes minha desafinação pulsa por longos quilometros
acorrentada as nuvens ilusórias de mim mesmo
Mas, sempre volto... como pequenos versos sublimes
com litorais de crianças com brinquedos mágicos
que se cercam em volta da existência
como quem ouve os conselhos
de todos os universos...







João Leno Lima
28-05-09
Continue

REVERSA VISIBILIDADE

0
07:09





O universo,
Me oprime.
Luzes oceânicas brotam lentamente,
Assim como Chaplin em o Grande ditador
Carregou o mundo nas mãos eu o carrego e o arremesso,
O universo,
Me oprime.
Grita o milésimo olhar transcendente
Abocanha arrancando o coração do acaso
Quantos acasos formam um universo?
O oceano se espatifa
Em pequenas gotas de lágrimas,
Minha cabeça gira pelas escadarias abaixo dos instantes,
Sou meu próprio livro do desassossego,
Assim como Allen Ginsberg subiu no topo do prédio da RCA
Subo ate as altas montanhas invisíveis do sentir
O que sinto?
Observo de longe a vasta multidão,
O cotidiano tem nas pontas dos dedos
O fio de cabelo da minha desolação cronometrada,
Eu, uma queda para cima.
Assim como Maldoror passeia com seu buldogue
Passeio com meus fantasmas pelos litorais crepusculares,
Sou o fumo esquecido na ultima respiração de Artaud,
Desintegro meu coração para que ele possa respirar,
Comprimo meu fôlego e entrego aos segundos,
Eles caminham mais acelerados
Por que eu caminho mais acelerado,
O universo me comprime
Eu comprimo o universo,
Nossa troca dissonante de musicas inesgotáveis
Embala o sono latejante dos poetas,
Na rua reencarno-me a cada passo,
Tenho a sensação de estar na bolha de um sonho,
No tentáculo arquitetônico do existir em si,
Assim como Withiman escreveu as folhas da relva
Na sua infinita eternidade,
Escreverei a folha de todos os instantes da alma humana
Em suas sensações eternamente finitamente infinita.





João Leno Lima
Continue

RELVA INVISIVEL

0
02:03




Morre dentro de mim o universo
Cala minha voz eternamente vulcânica
Sangra meu desejo oco por transcendência
Atinge a ultima torre gélida da aurora
Pratica sexo com minha infinitude alucinante
Quem poderia ser eu a não ser, relva.
Punhado de poças de lamas flutuantes
Convexos inesgotáveis
Substancias alquimistas do cosmo
Estrelas que saem das bocas das crianças
Atalho que leva a nuvem
Olhar que devora ate os ossos os movimentos
Não há movimento que não seja inconscientemente observado
Não há desejo sem trasnconciencia mágica
Não há formula que contenha todas as formulas oniscientes
Fujo ate poente
O poente foge-me entre os dedos
invento a leitura matinal da minha alma
Os livros da minha alma estão cheio de traças poéticas
Quero declarar a independência da minha matéria inócua
Que salivar meus sonhos nos ouvidos da inesgotabilidade
Quero atravessar os oceanos dos sentidos
Apenas num absoluto pensamento
Rasgo as folhas em branco
É melhor um poema do que o nada
É melhor o nada do que desaparecimento inevitável
É melhor uma vida do que uma não-vida respirando
A idéia de Deus é oca a idéia que o universo se expande
Este escrito na minha existencialidade
Cada lágrima contem a segredo que move o mundo
Ou cada lágrima contem o segredo que me move
Ou seja, quem será mais improvável eu ou minha sombra?
Minha sombra sangra por mim eu sangro por minha alma
Minha alma sangra mundo o mundo sangra no meu ser
Sua loucura e raciocínio me faze delirar
Numa orgia desesperante e lenta, mas elétrica, mas extraordinária.
Mas inexplorável, mas inalcançável,
mas incompreensível,
mas infinitamente humana...












João Leno Lima
Continue

DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL

0
10:11

















Em que adianta a filosofia da tua existência
Se o que importa para o caos é a orgia
O teu ninfomaníaco vazio atraído pelo teu nada
Ah
Dessa relação nascem fetos-silencio
Estuprados com violência pelos espelhos
Vindos dos cabarés dos reflexos
E da radiografia desse reflexo
Sonhos utópicos de existência

















TITULO DO QUADRO DE MAX ERNST
DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL
Continue

TRANSVERSAL

0
17:26

Despenca sobre mim o impossível.
Sangrando, debatendo-se nos meus poros mundanos,
Vestido de noiva do meu absoluto
Em coito com a magnificência do caos ,
O tempo e o espaço beijando-se no infinito,
Tremendo de frio com olhares,
Castrado sonho que rodopia,
Vagina que ancora sobre a criança chorando,
A visão que perfura a antevisão,
Tecido nervoso que pula de pára-quedas,
Crânio esmagado pelas escalas oitavadas da musica,
Meu copo banqueteado pela lagrima,
Vagando pelos vácuos inaudíveis,
Onde tudo se fragmenta lentamente,
Onde minhas palavras poluem no ambiente da poesia,
Quebro as ondas sonoras da minha memória,
E arremesso-me...Não sou mais eu digo a mim mesmo,
Sou metade tempo metade espaço
Metade vazio metade tudo
Metade silencio metade grito
Metade trasncedentalismo
Metade efemeridade,
A poesia que vem de mim tem gosto inalcansabilidade,
A poesia que vem de mim tem sombra de imensas tempestades,
A poesia que vem de mim não encontra
O amor nem seus mais nebulosos demônios,
Visão que perfura a antevisão
Alastra-me em ódio carnal pela nuvem,
Uma nuvem ataca-me,E me absorve,
Leva-meSou só nuvem agora,
Flutu-o sem rumo pelas bordas da noite do meu sonho,
Qual o maior desejo da minha poesia?
Desabafos infinitos do infinito da pagina,
Vomito minhas vísceras e ela vira palavra,
Que se espalham pelos tubos de ar do cotidiano
Contaminando a manhã com infinitudes,
Escolho a mim mesmo
Escolho o mundo transversal da poesia
Escolho a lógica do impossível.







João Leno Lima Continue

MOMENTO IRREVERSIVEL

0
07:31


A minha forma fantasmagoricamente
se arrasta pelas frechas dos olhos inalcançáveis.
Eu procuro a proteção da minha sombra fragmentada pelo tempo.
Na calçada eu acorrento meus poros numa nuvem desavisada.
Meus olhos procuram o oceano de almas naufragadas para mergulhar.
Mas só encontra o chão para se deitar no caos cinza sem horizonte.





João Leno Lima
Continue

DESCOSMO

0
13:58



Ah Fernando pessoa não passa de um vinho,
Tomado pelo meu desespero.
A morte, essa inesgotável companheira ausente,
De mãos dadas com o invisível.
Traduz certos desvarios nebulosos.
Anti-materia que mordo os calcanhares.
Meu lábio revirando as caixas de segredos da inconsciência mutua,
Traduz teus mecanismos.
Sou a nuvem que paira no teu rosto de vinho.
O cansaço toma-me pelo pescoço.
A febre mutila meu desejo de sobrevoar-me.
Tira-me de mim a inércia carcomida,
Tira esses blocos de concretos sobre meus passos leopardianos,
Fere-me com utopias maçantes e magníficas.
Ah mundo inteiros cabem num só verso
Mas constelações precisam de novos poemas
Para não implodirem de si mesmas.
Escrevo correndo pelos longos túneis do meu trabalho.
Esses olhares em volta pregados nas paredes das razões,
Como quadros abandoados pela ausência fétida da luz do sonho.
Olhando as paisagens ao redor esqueço
Dos imensos terremotos que saboreiam meu fôlego nas noites insones,
Das embarcações-tempestades viajando rumo ao lugar nenhum de mim.
Rumo ao catedrais analgésicas que se recriam na fabula do nada,
Rumo a extensa lista de oníricos inacabados.
Longas línguas ensopando as barbas das angustias,
Espinhos de aço perfurando o gelo do nao-delirio da manhã.
Se espero a letal união futuristica vinda na sonolência imediata,
Espero ter tocado nas sombras de Deus pelo menos na metade quebrável de um segundo.
Canto a canção desrefletida pelos anjos,
Canto o jardim sinfônico regado pelo verso-poeta de tez lúdica
Canto a desafinação momentânea da minha alma.
Em partículas particulares de vozes declamando nuvens-monstros pisoteadores de ausências.
Tua visão extra-corpórea é a nudez que me alucina.
Os lábios cotidianos estão borrados de vermelho sangue
De asas que nunca viram a luz da manhã,
Alguém proclamou a inconsciência dos atos,
Alguém apagou os poemas nunca escritos, mas sentidos com exatidão.
Mesmo assim não é impossível traduzir o poeta,
Já faz poesia quem existe inesgotavelmente existindo.








João Leno Lima
20-05-09
Continue

Mar Intraduzível

0
18:44







Meu coração é um verso numa tarde em frente ao horizonte
Meu horizonte se traduz num poema
Meu poema deságua num oceano de paginas incalculáveis







João Leno Lima
19-05-09
Continue

"impacto é anterior à extinção"

0
17:14

Desde 1980, um asteroide é o principal suspeito da extinção dos dinossauros. Dois novos estudos mostram que eles sobreviveram ao impacto

Em Fantasia, o clássico filme da Disney de 1940 que uniu animação e música erudita, o episódio "Gênesis" faz uma alegoria sobre a evolução da vida na Terra (ao som de "A sagração da primavera", de Igor Stravinsky). "Gênesis" se desenrola na era mesozoica, dos répteis gigantes que habitaram o planeta entre 220 milhões e 65 milhões de anos atrás. O grande astro – meio século antes de O parque dos dinossauros – era o tiranossauro. Em Fantasia, o longo reinado dos dinossauros acaba em tempestades de areia, calor asfixiante e sol abrasador.


Quando só restam esqueletos num mar de dunas, o solo se abre e engole tudo. Cordilheiras projetam-se às alturas, apenas para ser tragadas pelo dilúvio universal. O cataclismo reflete uma concepção ultrapassada da extinção dos dinossauros. Desde 1980, sabe-se que o vilão foi a queda de um meteoro no México. Será?


Dois estudos publicados no final de abril podem afundar a teoria do meteoro. Num deles, a geóloga alemã Gerta Keller, de 64 anos, da Universidade Princeton, diz que o meteoro não causou a extinção. No outro, James Fassett, de 76 anos, geólogo aposentado do Serviço Geológico americano, não descarta que o meteoro tenha sido responsável pela extinção – mas seu efeito não foi imediato. Ele descobriu que havia dinossauros na Terra 500 mil anos depois do impacto.


Entender a causa da extinção dos monstros "antediluvianos" é uma meta da ciência desde 1842, quando o inglês Richard Owen cunhou o termo dinossauro (do grego deinos, terrível, e sauros, lagarto). Teorias nunca faltaram. A primeira foi a do dilúvio. O fim dos dinos já foi creditado a uma supernova, uma estrela vizinha do Sol que explodiu, banhando a Terra com radiação mortífera. Em outra hipótese, a Terra cruzou uma nuvem de gás interestelar que teria sufocado os bichos. Culpou-se até um vírus, que seria causador de uma pandemia planetária.


Essas teorias começaram a ser descartadas em 1980, quando os americanos Luis Alvarez, um físico ganhador do Nobel, e seu filho Walter, um geólogo, disseram que o vilão veio do espaço. Eles descobriram um acúmulo anormal do elemento químico irídio numa estreita faixa de rochas de 65,5 milhões de anos, o chamado limite K/T. Abaixo dele, estão as últimas rochas do período Cretáceo (K), quando ainda havia dinossauros.


Acima, estão as rochas terciárias (T), onde eles desapareceram. O irídio quase não existe na Terra, mas é abundante em meteoros. Luis e Walter Alvarez calcularam que a concentração de irídio decorreria da queda de um astro de 10 quilômetros de diâmetro, voando a 20 mil quilômetros por hora. O impacto teria gerado uma explosão igual a 5 bilhões de bombas de Hiroxima. Montanhas de rocha pulverizada foram lançadas na estratosfera, cobrindo o Sol por séculos. Segundo a tese, os animais que não morreram de imediato sucumbiram à fome e ao frio.


Em 1991, a teoria ganhou ares de fato comprovado. Prospecções petrolíferas no Golfo do México detectaram a cratera do meteoro. Ela tem 180 quilômetros de diâmetro e está soterrada por 2 quilômetros de rocha, sob a cidade de Chicxulub, na Península do Yucatán, no México. Escavações provaram sua idade: 65,5 milhões de anos. Tudo levava a crer que Luis e Walter Alvarez tinham razão. Ou não?


Os paleontólogos nunca se convenceram. Eles sabem que o meteoro poupou as espécies menores e muitas de grande porte. Os tubarões surgiram há 400 milhões de anos e sobreviveram incólumes.


O mesmo se deu com os crocodilos. Quem sumiu foram os grandes répteis, nas versões alada (pterossauros) e marinha (plesiossauros), e a maioria dos terrestres, os dinossauros. Nem todos. Alguns sobreviveram. São as aves


Desde 1989, Keller quer provar que a queda do meteoro não acabou com os dinossauros. "Nos últimos 20 anos, tenho sido a bad girl da geologia", disse a ÉPOCA, enfatizando seu distanciamento dos colegas geólogos, para quem a teoria do meteoro era fato consumado.


Em 2004, Keller foi ao México coletar rochas em torno do limite K/T. Ao analisá-las, achou fósseis de 52 espécies de animais abaixo da faixa de irídio. As mesmas 52 espécies continuavam presentes nos 9 metros de sedimento acima da faixa, depositados durante 300 mil anos. "É a prova de que o meteoro precedeu à extinção em 300 mil anos", diz Keller no estudo publicado no Journal of the Geological Society of London. "Nenhuma espécie se extinguiu como resultado do impacto."


Se não foi o meteoro, o que causou a extinção? "Sabe-se que, bem antes da extinção, os dinossauros sofriam uma redução de biodiversidade", diz Keller. "A extinção não foi repentina. Ela se deu ao longo de 2 milhões de anos, em quatro ondas sucessivas." Keller achou evidências dessas extinções em amostras coletadas no México, no Texas e no Oceano Índico. Todas apontam um culpado: a megaerupção vulcânica iniciada há 68 milhões de anos nas Deccan Traps, um planalto formado pelo acúmulo de lava no centro-sul da Índia. "A primeira erupção ocorreu 2 milhões de anos antes do meteoro", diz Keller. "As outras três se deram acima do limite K/T. A última foi a pior de todas. Ocorreu 300 mil anos após o impacto em Chicxulub." As erupções provocaram um colossal vazamento de magma, que cobriu com 3,5 quilômetros de lava uma área do tamanho do Amazonas, alterando o clima do planeta. "As espécies que não se adaptaram à mudança climática desapareceram", diz Keller. "Foi o caso dos dinossauros."


Fassett não inocenta o meteoro. Mas afirma que nem todos os dinossauros sumiram. Ao estudar amostras de solo coletadas no Novo México e no Colorado, 500 mil anos mais recentes que a faixa de irídio, Fassett achou 34 ossos de um alamossauro, um dino bípede de 10 metros de comprimento – conforme narra no periódico Palaeontologia Electronica. "Os ossos não foram espalhados pela erosão. A conclusão é que o animal viveu 500 mil anos após o impacto", disse a ÉPOCA. "É uma evidência inequívoca de que os dinossauros não se extinguiram de imediato."


Entre os paleontólogos, é quase consenso que o meteoro é página virada. "As Deccan Traps estavam causando um enorme estresse ambiental antes do impacto", diz Donald Prothero, um respeitado paleontólogo americano. "Apesar da fascinação da imprensa com o modelo do asteroide, a extinção foi complexa demais para ser explicada por uma pedra do espaço."


Fonte>http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3508&Itemid=88
Continue

MORNING BELL

1
13:38

No jornal dessa manhã
Vi frágeis crianças se dissolvendo nas salivas do abandono.
Foi quando me tornei mais veloz
Que os leopardos flutuantes da minha angustia
E pensei no absoluto.
Nessa manhã insuportável para algumas almas
A minha encontrava o sublime no alvoroço da inevitabilidade do dia
Encontrava leves seres desacordados após delírios antepassados das madrugadas
Leves viajantes dos ônibus subaquáticos dos oceanos dos instantes
Leves e tão ou mais perdidos que eu sob as nuvens das obrigações
Meu deus... Basta-me o sublime!
Para perceber além dos cinzentos fatos dessa manhã.

























João Leno Lima
19-05-09
Continue

FEBRE COSMICA

1
13:00

Atravesso um túnel
Com paredes de soluço
E encontro abrigo
Do outro lado da alma...

Do outro lado da alma
Onde encontro abrigo
Atravesso um túnel
Com paredes de soluços

Encontro abrigo
No outro lado da alma
Com paredes de soluços
Atravesso um túnel

Com paredes de soluço
O túnel atravesso
Para encontrar no outro
Lado da alma o abrigo

Atravessoatravessoatravesatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravesso

Tuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltunel

Paredesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedes

Soluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluço

Encontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontro

Abrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigo

Outrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutro

Ladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladolado...

...Da alma.





João Leno Lima
15-05-2009
Continue

CANIBALESCO

0
14:02



...
Sinto-me...
Vácuo Vácuo VácuoVácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo VácuoVácuoVácuo...
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo
Vácuo... Vácuo... Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo...
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
... Vácuo
SINTO-ME?
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo...






João Leno Lima
14-05-2009 Continue

CAN - Tago-Mago (1971)

0
01:55

Esse disco é uma experiência psiquica iniqualável.

É provável que seja o álbum mais amado dos CAN
aquele que desenvolveu maior e irresistível aura mítica em seu redor.
Um catálogo de experiências sónicas, que teria feito Stockhausen e Berio
desmaiar de inveja nos seus estúdios,
enquanto buscavam o definitivo som hipnótico.
Capa propositadamente ingénua em “primitive-painting”,
título anunciando a palavra mágica de uma primordial linguagem,
que se poderá repetir até à exaustão.
Depois das espasmódicas e perturbantes gravações com Malcolm Mooney
em “Monster Movie” (há ainda “Delay 1968”, editado postumamente) de 1969
e em metade de “Soundtracks” (há temas recuperados em “Unlimited Edition”,
mais tarde, vocalizados por Malcolm),
os CAN encetaram uma empolgante trilogia com Damo Suzuki,
esticando como ninguém o conceito de fusão experimental.
Donos de uma genialidade subversiva,
foram uma voz essencial de um movimento musical
sediado no coração da Europa industrial, denominado “Krautrock”
(possivelmente num “brainstorming” de um crítico americano),
epíteto nada abonatório para diferençar a excêntrica música alemã,
fora do puzzle e sem bases claras no rhythm & blues.
Cá para nós faz mais sentido o termo “rock alemão”.
Estabelecer coordenadas
para um disco tão arrevesado como este não é tarefa fácil.
Os CAN tal como os Faust, subiram a cordilheira a pique,
e há uma foto admirável no livrete
em que os cinco músicos escalam uma montanha,
metáfora fascinante para caracterizar
a herança que legaram à música popular.
Os CAN sempre estiveram cinco milhas acima,
e estudando “Tago-Mago”
podemos pensar nos universos de H.P. Lovecraft
e Philip K. Dick, em utopias de ficção científica,
nos Novos Expressionistas ou no Realismo Fantástico,
nas heranças étnicas e no poder macrobiótico,
para nomear aleatoriamente.
“Tago-Mago” abre com o psicadelismo, “Paperhouse”
e “Mushroom” são duas faces da mesma alteração caleidoscópica;
“Paperhouse” é enérgico e nervoso, repleto de ritmos trepidantes;
“Mushroom” é uma dança narcótica arrastada pelo coração aos pulos.
Ambos os temas revelam finalmente a maturidade do grupo
e uma inequívoca união criativa,
Holger Czukay referindo-se ao grupo
viu-o como um “enorme e vibrante organismo”.
Todo o psicadelismo posterior viria absorver aqui,
envergonhado com o estigma do rock progressivo,
uma linguagem sóbria distante da paleta de cores “hippie”,
veja-se o caso dos Sonic Youth, My Blood Valentine
ou obviamente todos os grupos de Manchester e Liverpool.
Aliás “Mushroom” é porventura o duradouro ícone da canção psicadélica,
se Syd Barrett nos autorizar pois não vamos esquecer
“Astronomy Domine” e “Lucifer Sam”.
A carga apocalíptica, a guitarra atingindo subliminarmente o cérebro
em cicatrizes dolorosas, a bateria inconfundível de Jaki Liebezeit
(portento de baterista ao lado de Bill Bruford
e Dave Kerman, este nos dias de hoje!)
insistindo num ritmo selvagem (tem passos de elefante),
escutado secretamente em algum ritual ancestral.
“Oh Yeah” começa no campo da explosão nuclear de “Mushroom”,
uma cavalgada feérica programada pelos teclados de Schmidt,
a voz de Suzuki a ditar textos ao contrário,
um breve momento de paisagismo vespertino,
logo incendiado por rifes de guitarra em chamase percussão ensimesmada.
“Halleluhwah” é um mantra “rockligioso” afinado pelo “wah-wah” das guitarras
e um baixo mais sóbrio, os teclados esfumando-se em resquícios estelares,
a bateria presa a um ponto qualquer do espaço,
movimentando-se em padrões circulares.
Ainda há tempo para Karoli improvisar em límpida guitarra acústica
e num violino tocado pela luz do Ganges.
Na parte final, o baixo vai na dianteira banhando-se
em aquáticas ondulações dos teclados,
tudo inesperadamente sugado
por um buraco negro em desvario concêntrico,
os instrumentos peneirados no cosmos e Suzuki acordando da câmara de sono,
exaltado com novas vistas além.
“Aumgn” e “Peking O” são de outra nascença,
toda a sequência do primeiro é inimitável na música popular
e abala-nos profundamente, mas no segundo
já é fácil soltarmos um sorriso nervoso face a toda aquela neurose extravagante.
“Aumgn”, distorção animalesca do som sagrado Aum (ou Om),
nunca apareceria num disco dos Moody Blues, vá não vamos brincar,
mete tanto medo como “Nature Unveiled” dos Current 93
ou “Saint Of the Pit” de Diamanda Gàlas.
Há vibrações, ruídos e lamentações,
contrabaixos sufocados para surtirem o efeito cavernoso,
a devoção vinda do susto, instrumentos atirados ao chão;
há pânico, gritos, berros e urros,
é impressão minha ou Suzuki chega a ladrar,
transfigurado em lobisomem no estúdio?
A visita correu mal, somos apanhados no meio de mil tambores
que criam uma sequência impressionante,
os teclados indicam erro, a percussão insistente redobra a cadência,
urros abafados e num abrir e fechar de olhos estamos a salvo,
toca a conquistar outro planeta, teremos sorte desta vez?
Não, a julgar pelo discurso de camisa-de-força
do ditador na tribuna de “Peking O”.
Ainda há um interregno lounge,
onde as caixas de ritmo adoçam a disfunção,
mas Suzuki é irredutível na sua demente personagem,
as caixas de ritmo não têm antídoto e saltitam,
Suzuki disparata com garatujas vocais,
impropérios em línguas desconhecidas,
onomatopeias atormentadas, a um passo do precipício nesta insanidade.
E o grupo com culpa no cartório, atirando-se para cima dos instrumentos:
exorcismo ou catarse?Para serenar os sentidos,
Czukay e comparsas trazem uma certa bonança em “Bring Me Coffee or Tea”,
um órgão delicioso traz bom vento
e os CAN estão de férias no País das Maravilhas,
em ácida sugestão de bebidas modificadas (Ei, Gong!)
e o álbum desloca-se em serenidade aparentemente controlada,
mas a encerrar um certo entusiasmo na despedida
deixa adivinhar que puseram qualquer coisa no chá…
“Tago-Mago” é um padrão de descobrimentos,
competindo com o marco de estrada dos Kraftwerk.
Continue

krautrock

0
12:26


Julian Cope editou em 1995 o livro Krautrocksampler, obra fundamental na redescoberta da cena “krautrock” alemã surgida em finais dos anos 60/princípios dos anos 70. Segue-se uma listagem por ordem alfabética dos 50 álbuns mais representativos do género para o bardo louco dos Teardrop Explodes.


Um breve guia para iniciar a viagem ao maravilhoso mundo da “kosmische musik”.


1. Amon Düül I - Paradieswärts Düül (1970)
2. Amon Düül II - Phallus Dei (1969)
3. Amon Düül II – Yeti (1970)
4. Amon Düül II - Carnival In Babylon (1972)
5. Amon Düül II - Wolf City (1972)
6. Ash Ra Tempel - Ash Ra Tempel (1971)
7. Ash Ra Tempel – Schwingungen (1972)
8. Ash Ra Tempel & Timothy Leary – Seven Up (1973)
9. Ash Ra Tempel - Join Inn (1973)
10. Can - Monster Movie (1969)
11. Can – Soundtracks (1970)
12. Can - Tago Mago (1971)
13. Can - Ege Bamyasi (1972)
14. Can – Delay 1968 (1981)
15. Cluster - Cluster II (1972)
16. Cluster – Zuckerzeit (1974)
17. Cluster – Sowiesoso (1996)
18. Tony Conrad w/ Faust - Outside The Dream Syndicate (1972)
19. Cosmic Jokers - Cosmic Jokers (1973)
20. Cosmic Jokers - Galactic Supermarket (1974)
21. Cosmic Jokers - Planeten Sit-In (1974)
22. Cosmic Jokers - Sci-Fi Party (1974)
23. Cosmic Jokers & Sternmadchen - Gilles Zeitschiff (1974)
24. Faust – Faust (1971)
25. Faust - So Far (1972)
26. Faust - The Faust Tapes (1973)
27. Faust – IV (1974)
28. Sergius Golowin - Lord Krishna Von Goloka (1973)
29. Guru Guru - U.F.O. (1970)
30. Harmonia - Musik Von Harmonia (1974)
31. Harmonia – Deluxe (1975)
32. Kraftwerk - Kraftwerk (1970)
33. La Dusseldorf - La Dusseldorf (1976)
34. La Dusseldorf – Viva (1978)
35. Moebius & Plank – Rastakraut Pasta (1980)
36. Neu! - Neu! (1972)
37. Neu! - Neu! 2 (1973)
38. Neu! - Neu! '75 (1975)
39. Popol Vuh – Affenstunde (1970)
40. Popol Vuh - In Den Gärten Pharaos (1971)
41. Popol Vuh - Einjäger & Siebenjäger (1974)
42. Popol Vuh - Hosianna Mantra (1972)
43. Tangerine Dream - Electronic Meditation (1970)
44. Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971)
45. Tangerine Dream - Zeit (1972)
46. Tangerine Dream – Atem (1973)
47. Klaus Schulze – Irrlicht (1972)
48. Klaus Schulze - Black Dance (1974)
49. Walter Wegmuller – Tarot (1973)
50. Witthuser & Westrupp - Trips & Traume (1971)
Continue

"FRAGMANTO"

0
11:29




Confesso...
Tentei senti todo os universos de uma só vez...
Restaram poemas,
que são pequena formas de reconciliação
e asas que são pequenos pergaminhos escritos
em nossos sentidos para traduzirmos com poesia.
sim confesso de uma só vez...
cometi o ato-poema
e sinto-me NELE e
Perto de todos os universos
mas ainda longe de mim por completo.











João Leno Lima
13-05-09
Continue

MOMENTÂNEO

0
14:02


Ao som do relâmpago inicio o poema.
Mas antes de inicia-lo bebo as manhãs chuvosas lá fora incompreendias.
Colido com as gotas.
Há frascos-destino rachando.
Planejo palavras que nao saem,
e rabiscos poemas invisíveis sobre o poema visível.
O choque entre as nuvens dos meus pensamentos ensurdece o espírito.
ah viajantes solitários,
viajo em cada gota da chuva que irá se chocar com o solo-abismo.
suicidando-me para melhor sentir os fragmentos do todo
clamo pela eletrecidade do caos.
suspiro nos litorais-asas onde perco o foco.
bebo rimbund como se vinho fosse.
enveneno-me com as páginas mudas
meus dias ocultos a mim e nublados com sol.
clamo pelo próximo relâmpago.
penetrarei no véu das estrelas cadentes
e sentarei na pedra que separou o sonho e o poeta
quem, quem ira conter a ausência?
planto fôlegos e latejamentos.
há um quintal de delírio no quarto vulcânico.
a rua Vinte e um de Abril
são os longos degraus por onde adormeço e acordo vácuo.
quero vômita-la nos anéis de saturno fronteirissos.
quero ser a comunicação entre as nuvens.
leve-me para uma breve eternidade ó anjos
e solte-me desse cansaço de ser.
nao quero mecanismo.
nao quero formulas acabadas.
nao quero olhares de descaso.
nao quero ser possuido pela certeza fria.
nao quero ouvir minha razao kamikaze.
nao quero simplesmente flutuar.
nao quero vagar pelos ceu da boca de Deus.
entao...
ao som do relâmpago inicio o poema.






João Leno Lima
Continue

MAR LAPSIANTE

0
09:43


No leme azul dos fragmentos ,
algo poça vira um mar
que assola a consciência do grito asfixiado.

No leme azul dos fragmentos,
meus pedaços são arremessados
nas bocas úmidas do leopardo da noite.

No leme azul dos fragmentos,
a memória arranha seu corpo
com estilhaços da hora metralhada pelo destino.

No leme azul dos fragmentos,
um câncer vazio carcomida os litorais irreversíveis do ser
desbotado de delírios...

Ah! leme azul dos fragmentos
que esse navio-ser encontre a direção irremediável
do sonho-abraço recipocro.











João Leno Lima
12-05-2009
Continue

PULSAR DESERTICO

1
10:28


à Nádia


Ao Som de “Trouble”
de Elliot Smith.


Há sobre a alma um canto desolado.
Há sobre a alma uma chuva de pianos.
Há sobre a alma uma febre fragmentaria.
Há sobre a alma a sede no centro do mar da lágrima.
Há sobre a alma a pulsação que comove deus
Há sobre a alma um grito oculto vindo do feto ao encontrar a luz do mundo.
Há sobre a alma a ausência dos versos de um poema.
Há sobre a alma as mãos que vão embora.
Há sobre a alma o suor fantasmagórico das idas e vindas.
Há sobre a alma o amor as estrelas e universos de cada um.
Há sobre a alma um leve sopro de deserto.
Há sobre a alma dentes que se arranham de angustias.
Há sobre a alma mecanismos de noites de frio descamacado.
Há sobre a alma olhos que se olham mas não se sentem.
Há sobre a alma crianças brincando no útero da noite.
Há sobre a alma bêbados mergulhados em si mesmos.
Há sobre a alma lisérgicos homens despencando das escadarias da solidão.
Há sobre a alma um uivo partido.
Há sobre a alma verbos asfixiados pela mudez.
Há sobre a alma as palavras que fogem ou que nunca se fazem presentes.
Há sobre a alma o poema rabiscado que chora desprezado.
Há sobre alma a música ferozmente criada, mas mutilada pelo esquecimento.
Há sobre a alma as asas dos desejos.
Há sobre a alma o cúmplice olhar para si.
Há sobre a alma o peso recipocro de existir.
Há sobre a alma um esfarelamento de sentidos.
Há sobre a alma migalhas de horas absolutas.
Há sobre a alma túneis secretos sem saída.
Há sobre a alma papeis borrados irreversíveis.
Há sobre a alma mãos ao rosto-abrigo.
Há sobre a alma cansaço tempestuoso.
Há sobre a alma neblinas de sombras de outroras.
Há sobre a alma
Há sobre a alma
O peso de
Ser.









João Leno Lima
11-05-2009
Continue

O Subtexto da chuva

1
11:29





Nesses dias de chuva,

há algo de extremidade no Fôlego.

Pequenas aglutinações

de estreitos mecanismos-ponte.

O silêncio não é mais só o silêncio,

Ele é um abismo...

Não despenco dessa vez.

Pairo...

Nas paisagens...

Não se pode conter a eternidade.








João Leno Lima
08-05-09 Continue

CAO AZUL SUSPENSO

0
11:06



Na manhã azul
Os rostos se afastam uns dos outros
Na contramão de si
Rumo ao abismo obliquo do mundo.
Vespertinamemente desolados
Eles se abraçam à indiferença.
Toneladas de silencio afundam as palavras
Num ralo de desejos dissolvidos.
Como posso alcançar-me se me cega à direção impossível?
Quando serei gelo e fogo para melhor entender
A solidão ocultada nos elementos cotidianos?
Deixo-me envolver novamente com os segundos.
QUANDO SEREI DEVORADO PELA ETERNIDADE?
Na manhã azul íntima
Sou parte incomunicável do cotidiano.








João Leno Lima
Continue

DUAS ALUCINAÇÕES

1
09:29
Apenas quero te abraçar com palavras.
Lápis, canetas e sensações.
Um frio artificial almeja congelar os sonhos intocáveis.
Procuro o metodo-asa
Minha técnica de invisibilidade falha,
Não há olhares
Não há olhares
Longas nuvens tempestuosas tocando flauta na manhã.
A musica se dissolve nas engrenagens dos ônibus,
Onde estará escondido o violino da alma?
Guardo as sensações num pote-passagem secretas,
O café materializa-se em um anjo distorcido vulnerável,
Os passos confessam segredos para o chão das ruas.
"Não há violino tu és o próprio violino"
Calo-me...
...
Apenas queria te abraçar com palavras.

















João Leno Lima
06-05-09 Continue

LABIRINTICO

0
21:33


Nos espaços íntimos há algo de nuvens.
Longos braços da vertiginosa rua íntima.
Por onde passeia crianças e adultos ocultos
Paredes presas nas poças recém nascidas....
As mãos desdenham-se
Há um longo colo-tunel
Corrimões de chuva
Tua voz lagrima-me
Não em vulnerabilidades descontinuas
Não em gemidos presos na imagem refletida
Poço-abrigo onde descansas a dor
A noite fotografa tudo em preto e branco
E depois rasga a fotografia-alma e a joga no espaço
Teu silencio procura a hora real
Tua angustia corta a própria garganta
O sangue escorre criando rios de segundos
A alma vira neblina
Não te enxergo
Te sinto
Te sinto?
Nuvens...






















João Leno Lima
05-05-09
Continue

A SOMBRA DE UM MAR OCULTO

1
12:56


Alguém no fundo chora no desconhecido
Que se revela apenas para a sombra
Caminha estático em passos longos
Longos ventos que arranham a ausência de sentido

Alguém no fundo espatifa-se...
Calcula a volta para casa como uma matemática puída
Já não almeja o alcançável
Sua dor é um labirinto vivo sufocado

Alguém no fundo desaparecendo no fundo
Onde suas mãos só desejavam o abrigo de outras mãos
E seu rosto desmoronado pela chuva
Se dissolve lento, vira poça, afunda, afoga-se, fundo...






De João Leno Lima
Maio/09
Continue

Infinitismo

0
10:28


A poesia é o gole de vinho tomado pelos deuses do infinito.
Que espalha sua dor-ultragalatica nos seios mundanos do destino.
Esgotado, o mítico viajante sentimental.
Definha nos imensos colos do abismo invisível da memória
Como seres com corações desabrigados pela enchente da loucura do sentir!
Deus nessas horas parece ser a transgressão poética do avesso dos sonhos.
Na travessia intrépida das almas algumas sucumbem afogadas
Pelo fôlego úmido da noite.
Somos crianças acima de tudo;
Que se lambuzam de sensações magníficas.
Na poética do delírio, corrimões nos sobem.
E ruas andam sobre o poeta e não ao contrario,
Pegando estrelas com nossas bocas-verbos e dentes-metaforas
E engolimos universos ate o amago-utero da sua infinita essência,
O delírio é uma ambarcação com asas
Que sai da boca da poesia, como escarrada,
Navega no mar que sai da íris lacrimejante dos anjos
Para nos entorpecer com o ópio divino futurístico
Nas naus da eternidade onde adormeço nos colos das palavras não ditas.

Tens algo a dizer sobre o delírio?

Meus braços são longas escadarias
Por onde sobem a força motiz da transfiguração dos sentidos...
O verso é a tradição mais cósmica do universo.
Cada fagulha da tua consciência intriga-me.
Sou tentado a transar com tua metamorfose irreversível.
Es tu o rio onde não posso me banhar cotidianamente?

Esgotado, o jovem poeta senta-se na cadeira de balanço do absoluto intimo.
A chuva o escolhe para sua momentânea exuberância.
Seus versos estão repletos de cólera-poetica
Dentro de pequenos copos d agua-poças que alguém serve na manhã
Maldoror da gargalhadas debaixo dos seus poemas.
Suas traças ironicamente rimadas
Saboreiam as paginas-delirio e as palavras-cometa.
Debruço-me sobre a chuva-sufoco.

Ela debata-se e orgasmicamente e cada gota ensurdece-me

Tenho horror à não-poesia.
Quebro-me em restos de delírios
Há um doce ocultismo nos passos.

Os deuses da poesia, com seus longos sopros.
Descabelam a inspiração descomunal e desata os nós da inércia.
Sou a parte úmida dos desertos.
Sou as pequenas poças azuis esperando
a fúria dos vulcões selvagens da indiferença-espelho
As mãos esperando ser tocada
nem que seja pela sombra sublime das mãos da musa.
Sou os confusos cabelos da chuva.
Embriagados, os deuses espalham o vinho pelo céu da boca dos poetas.
E ele escorre nas essências num instante apenas visível para o sublime.

O que tens a dizer sobre esse instante?

A poética revele segredos indomáveis,
Como um fugitivo que é consolado por uma voz de abrigo.
Como aleatórios desconhecidos que se conhecem debaixo da chuva
Mas que jamais voltam a se ver.
A ligação telefonica-cometa que nos leva ao desconhecido de nós mesmos.
Como o amigo poeta que se sente incapaz
perante sua própria capacidade incalculável.
Como a mão que estende a mão para a outra e ambos dialogam
Na montanha mágica do silencioso vento.
Como os versos azuis da poetisa que arreganha o útero do infinito
A fim de encontrar a si mesma.
Como a criança que deixa de ser criança para o mundo,
mas não para os universos.

A poética tem algo de sonhos.
Manhã que passei de bicicleta sobre nossos pescoços.
Musica que violina a inevitável sensação da presença fundamental.
No lápis que aos poucos vai embora deixando a eternidade para o poeta.

-porque me dizes que não sentes a felicidade perto?
-meu coração é uma passagem secreta
que apenas os deuses do infinito conhecem
-por que queres me mutilar arrancando meu delírio?
-não sou nada já disse que não sou nada

Oh poetas e amantes de poetas e da poesia...
Não percebem que não passamos de corações que regem o tempo-espaço?
Mesmo que por alguns segundos acreditastes num jardim impossível
Aos olhos, mas não a alma?
Não percebes que o infinito é uma lei da natureza?

O perspicaz viajante quer engolir toda a paisagem quer for possível.
Se for possível quer engolir toda a tempestade
E vomita-la no peito do tempo implacável.
Essa tempestade saída da pulsação do viajante
É um mar revolto que quer emcobri-lo com seu manto impalpável
Mas deixo-o com o sol-palavra enradiando-se na pagina da existencia-verso.
O viajante dos sentidos é uma criança que jamais abandona sua alma essencial.
Os deuses do infinito são pequenos salmos
Que praticamos inconscientemente no cotidiano.

O viajante tenta sobrepor-se ao onírico consciente destino
E quebra-se, nascendo infinitudes que são sarais flutuantes.
E sangra asas pelos seus poros tranausentes
E soluça, soluça mil vezes.
Embriagado de vinho servido amigavelmente pelos deuses do infinito
Como o cão voador das sensações que não findam.
Ele não é mais o feto que chora no fundo
Debruçado em si mesmo
Ele é o mecanismo elevado por foguetes
Levando sua alma para as distancias que desintegram a matemática
Onde lá ela, a alma, sentirá a essencial liberdade.

Oh deuses do infinito
Ouso proclamar todas as almas
Deuses de seus próprios infinitos
Na comunhão primordial dos sentidos
Onde o pungente sublime dissolverá o medo
Em múltiplos múltiplos múltiplos múltiplos múltiplos

INFINITISMOS POETICOS























João Leno Lima
Abril-2009
Continue

A PROCISSAO DOS MIL SENTIDOS

2
11:59




Não que alma esteja em constantes abismos,
Sou alma mais do que tudo em tudo.
Não que minhas asas invisíveis sejam
Realmente invisíveis para os anjos do absoluto.
Não que as salivas dos amantes do delírio não
Esteja nos copos de café dos instantes sublimes.
Esse alvoroço das praças, essas lentas armadilhas
Das Palpebrantes sufocações intimas.
Essa estranha intimidade com o cotidiano,
Essa indiferença que assola com cicatrizes a volta para casa do trabalho
Como vulcões que acordaram translúcidos e
Voltaram a dormir com medo de si mesmo.
Não que desejos não passem de profundidades desconhecidas até para
Os buracos negros, não que cada verso não seja uma via Láctea por si só,
Não que Deus realmente necessite estar só consigo mesmo.
Longe lá nos vastos campos ocultos a nós,
Como a musica que pergaminha nossos pensamentos magistrais,
Como os longos beijos da noite sob a benção da madrugada,
Como a lúdica sensação de estar de volta aos seios do destino,
Como um viajante que viaja nas caldas do acaso.
Não... Só há nesses olhares descabelados pelo sol uma alma vestida de
Mão que segura com a força do tempo-espaço os
Braços fugitivos do horizonte...
"Estais machucando o horizonte com tua própria ausência de si mesmo?"
"O solta” e "deixe-o"
Não que tu não sejas o próprio horizonte a si próprio machucar
Pegando nos braços,
Não que tua poesia se perca nos armários deteriorados pelo
Confuso materialismo abstrato do poeta,
Não que os pássaros realmente levem a serio nossos desejos de voar,
Não que a lua confessadamente não se sinta atraída pelos nossos
Olhares - paginas de poesia soltas no ar de um poente interno
Onde mergulhamos nosso mil sentidos.
Não que o teu destino não seja a eternidade.
Catapulto minha angustia para tua margem desbotada e
Toco tua sombra desavisada na procissão dos segundos.
Não que tu não sejas uma construção de mecanismos-verso.
Não que a tristeza dos meus amigos desamparados
Por suas musas não seja um aglomerado de estrelas transbordando
De pequenas chuvas por segundo.
Não que nossas febris impaciências sejam tão profundas quanto a
Impaciência dos nossos sonhos gigantes.
Eu, que tanto anseio pelo infinito.
E tu que tanto anseias pelo infinito.










João Leno Lima
24-04-09
Continue

A Lei Poetica

0
11:55

Quero me esconder em algum universo barato.
Longe das confusas abstrações cotidianas,
Perto das ausências sempre tão serenas.
Pelos ambientes úmidos do universo paralelo,
Quero ascender um cigarro com o fogo dos cometas
Ou com os vulcões que saem do meu delírio,
Quero abandonar esse trabalho gélido e
Com as forças intrínsecas dos redemoinhos dos pensamentos
Sobrevoar paisagens ainda não desbravadas pela inconsciência.
Quero, quero me esconder em algum universo barato.
Com vinho que mancham as paginas da pura poesia embriagada de si mesma,
Em outras estações absolutas.
Quero me tornar a boca que devorará os
Verbos das cirustancias desequilibradas,
Os dentes que estraçalhará o véu poluído de imagens turvas,
Que as mãos dos ventos impulsionem minhas asas,
Que a cura esteja nos longos cabelos do destino,
Que o mar seja o liquido que sai dos olhares da criança,
Que o verdadeiro esconderijo seja o mais próximo dos anjos possíveis,
Que o invisível seja os braços maternos da poesia.
Sim, quero me esconder em algum universo barato.
Sem ter que amarrar fantasmas nos pés da cama,
Sem ter que sentir as dores pela queda na bolsa de valores,
Sem ter que me amargurar com estranhas razões dos ingratos ou
Os estranhos gestos do orgulhoso,
Quero me preocupar com o próximo poente e se vou estar nele ou
Até se vou sê-lo.
Meu deus! Quero ser esse blues que toca no fundo
Quero ser o fluido oculto que dá movimento ao poema,
Quero ser as partículas em forma de pergaminho trazendo
Os ensinamentos do sol conferencista da alma,
Quero desejar apenas estar perto da musa por toda a eternidade,
Quero que essa vulnerabilidade-sombra não passe de
Um vulto-cosmico do universo que não desejo,
Quero fazer companhia para os sublimes amantes da beleza sentimental,
Quero apenas escrever algumas cartas
Aconselhando Bernardo Soares e Werther a
Serem o que foram na simplicidade de uma colisão de galáxias.
Estou distante dentro do abismal mecanismo da insatisfação estrelar,
Não me basta mais planetas, eu quero universos inteiros só pra mim...
Quero inventar doces constelações de palavras,
Quero povoar os mundos inabitados com as razoes de uma criança,
O mundo da razão condena-me por ser abstrato
O mundo abstrato condena-me por ser racional,
Ambos estão errados!
Sou a comunhão espiritual de mundos fazendo sexo.
Sou a lama-anjo nos solos do viajante translúcido e a
Embarcação na lagrima no peito do jovem com o coração partido,
A dor invisível como uma bala que transpassa o peito do sonhador.


Como a fétida matemática das horas,
Os moribundos passos da inércia,
A ode a não-liberdade mágica,
Como uma espera-navalha que ameaça a garganta da alma,
Como uma sufocação silenciosa no centro da rua vinte e um de abril.
Quero... Me esconder em algum universo barato...
Perto da amada amiga para todas as vidas possíveis,
Perto do sussurro do olhar do coração poeta ao
Encontrar sua musa-cosmo desejada.
Perto das silhuetas dos abismos doces desvertiginosos,
Perto das mãos entrelaçadas dos seres recipocros,
Perto do ultimo fio de cabelo do infinito,
Perto da pulsação da mãe ao presentear o mundo,
Perto do soluço de quem dorme para anestesiar as feridas escancaradas,
Perto dos lábios de quem proclama a poesia saída do
Seu próprio âmago desconhecidamente ultrapoetico.
Perto das pálpebras do homem com medo de sentir
E da mulher com medo de não-sentir,
Perto das pontas dos dedos de deus,
Perto de alguma nuvem que traga o sono-calmaria,
Perto das batidas das asas dos pássaros apos a tempestade,
Perto da fronteira entre o sonho e o inalcançável,
No limiar entre eu e nada...
Quando impossível e possível apertam as mãos na consciência da poesia
Quando finalmente constato a mim mesmo
Decreto a todos e a mim
Poesias...























João Leno Lima
22-04-09
Continue

O Concreto

0
11:52

De repente Deus mandou a chuva ensurdecer-me.
Como Uma legião de galáxias desabrigadas pelo meu delírio.
Um longo túnel que leva ao labirinto íntimo.
Meu amigo ao pintar seus sentidos pinta a todos nós num sonho.
A poesia mistura meus sentidos.
Desvio-me de cada fragmento da chuva que pretende estraçalhar-me.
Sou o tempo que se esgota a si mesmo.
Lá fora a umidade da madrugada aliada
A escuridão das ruas entrelaçadas com
A passagem dos seres translúcidos que
Voltam para casa trazendo pequenos mecanismo esgotados de
Si funde-me comigo que
Espero a beleza da lua invadir com
Seus trompetes luminosos meu fôlego de
Noite mal dormida em teias solitárias...
Depois da chuva o silencio volta a dialogar calmamente...
Como uma criança que cansou de chorar da espera interminável.
Como o amigo-mago do destino açoitado pela matéria.
Há um piano com teclas do mundo debaixo dos meus pés.
Sou o sussurro do poeta da música na
Comunhão com seus ouvintes-cometas
Meu corpo ascende um cigarro espiritual onde
Consumo lentamente o infinito.
Desloco-me em direções interruptas e
Esse poema é a fabricação atemporal da temporalidade das horas.
Depois de engolir Andrômeda com a
Boca enorme de uma estrelar a
Rua vinte de abril parece mais o braço de
Alguma constelação perdida num confim espectral..
Sim, sou o guardador de rebanhos da eternidade.
Mesmo assim sangro abstrações.
Sangro cavernas intimam escondidas debaixo das pálpebras,
Medos confessados apenas nos ouvidos das paredes do quarto-cosmo.
Fracassos como barcos afundados numa profundidade oceânica,
Sinto-me a porta irreal que leva ao outro lado impenetrável.
Sinto-me o vidro invisível que separa os corpos nas ruas alvoroçadas.
Sinto-me o lateja mento do amante lutando contra o passado numa arena lacrimejante
Ou alguém que não pode mais ouvir a musica que entes embalava as memórias...



Canso de mim as vezes...
Canso...
De mim...
As vezes;;
As vezes...
Canso
As vezes acredito na ilusão solitária das horas mas
Logo a alma paira novamente planando em galáxias em galáxias...
Quando dei por mim
Deus já havia mandado a chuva embora lentamente
e
Fiquei com o silencio concretos dos segundos.
























João Leno Lima
08-04-09
Continue