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simon reynolds e a arte da crítica

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12:22

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Por | Joao Roc

 

Com pouco mais de 20 anos, Simon Reynolds já era um dos grandes nomes da revista britãnica Melody Maker. Esta havia, na década de 60, se tornado uma das grandes referências da música underground do Reino Unido, considerada a “voz” do progressivo. Entretanto, perdeu espaço com o advento do Punk. Então, anos depois, para rivalizar com a forte NME, um grupo de jovens impetusos escritores começaram a redesenhar o períodico e este em pouco tempo se revelaria um dos mais febris e pontuais da crítica musical inglesa, já nos finais dos  anos 70. Recuperando seu posto e sendo a porta-voz de novos grupos, movimentos e a cena pós-punk até o início dos anos 90.

 

‘Beijar o Céu’ foi lançado pela Editora Conrad com tradução de Camilo Rocha e traz alguns dos mais fantástico trabalhos da crítica musical dos anos oitenta e noventa sob a escrita análica, séria e apaixonada de Simon Reynolds. Os artigos versam sobre a rivalidade entre Hip-Hop e Indie Rock por exemplo. O crítico adentra o universo dos Rappers, com profunda análise sobre trabalhos como ‘Rhythm King’ de Schoolly ou ‘Music Madness’ de Mantrnix, passando pelos Beastie Boys. Para Renolds existe uma ruptura de aborbagens entre o pop que ele chama de ‘branco’ e o que ele chama de ‘negro’. O primeiro busca raízes na realidade: “O rock branco se volta cada vez mais para dentro, garipando o estreito veio de seu próprio passado” enquanto que o segundo se agarra à “protolocos sexuais” e “caricaturas utópicas

 

Outra pontual artigo é o fantástico  “Peal Jam versus Nirvana”. Reynolds traça um imparcial paralelo entre os dois frontmans. Enquanto Vedder parece exibir um tom messiânico em suas apresentações com o Peal Jam, uma espécie de líder de uma geração de jovem perdidos,  o Nirvana parecia querer sabotar sua próprio carreira depois do aclamado Nevermind. Mas ao contrário do que possa parecer, apesar das intensas contradições e do aparente (e real) antagonismo entre ambos, o escritor não julga, não ergue planos morais ou filosóficos, se atenta a fatos, palavras, letras das músicas e o contexto daqueles anos, para no final escrever taxativamente: “Junte Vedder e Cobain e você terá algo próximo de um ser humano por inteiro

 

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Outra grande trabalho dessa coletânia de artigos que é “Beijar o Céu” se faz sobre a banda inglesa Pink Floyd e sua primeira figura icônica, Syd Barrett. Simon se concentra em um dos temas centrais do grupo, “o fim da infância”, as relações do antigo vocalista em seu contexto familiar e como isso moldou a visão dos primeiros álbuns,  sobretudo “Piper at the gates of dawn (1967) e A Saucerful of secrets (1968) dos Floyds.  Em outro ponto de grande relevância nesta passagem é quando Reynolds analisa a importância do Pink Floyd para bandas que nasceram justante de sua temáticas pastorais, como o “shoegazes” e indo mais a fundo, o legado da banda britânica para a geração rave dos ano 90.

 

Ainda dos anos 90 mas especificamente nos anos 00, Simon Reynolds faz uma análise sobre como uma banda com alta vendagem e comoção no mainstream, como o Radiohead, conseguiu ser capa de uma das mais respeitáveis e considerada uma das revistas alternativas mais importantes do mundo, a The Wire.  Para isso, o crítico se aprofunda em uma hilária, surpreendente e relevadora entrevista com os membros da banda de Oxford. E se choca com a simplicidade, quase constragedora de Thom Yorke, para quem se acreditava ser uma figura de caráter problemático, como sugere os discos do Radiohead pós-Ok Computer (1997) revelou-se simples, modesto em sua real dimensão para o rock. Fuga ou escudo ou simplesmente um artista na real dimensão do termo.

 

 

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Morrissey (quem Reynolds é fã), de Joy Division ao rap feminino à geração pós-rave, o delicioso trabalho de construção de uma critica que foge do óbivio, do lugar comum, que tenta aproximar o leitor do mais próximo possível da experiência de ouvir um álbum em palavras. Estes são alguns dos grandes triunfos destes artigos compilados em “Beijar o Céu”

 

Importante dizer que Simon Reynold também colaborou para algumas das mais importantes publicações do mundo como The New York Times, The Guardian, New Musical Express e a The Wire.  Alguns artigos deste trabalho foram  tirados de alguns dos seus melhores livros como The Sex Revolts: Gender, Rebellion And Rock’n’Roll (1996) e também do Rip It Up and Start Again: pós Punk 1978-1984 (2005). Além de matérias das publicações no qual ajudou a construir um legado.

 

“Beijar o Céu” é para todos, como fator histórico e riqueza cultural e também para quem gosta de ler sobre música, pormenores, construções apaixonadas e tramas filosóficos em suas entrelinhas, algo só possível com alguns dos grandes artistas compilados nesse trabalho.

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Explorando O Universo Com ‘Universal Consciousness’ De Alice Coltrane

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22:31

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Há muito já se sabia que Alice Coltrane havia achado uma forma de explorar as galáxias, muito além da física elementar, muito além de qualquer teoria plausível, suas descobertas propulsoras estavam em harpas-pássaros que sobrevoavam as claves até então ocultas e desafiavam o som ao baile perante os Cinturões da Via láctea. Já nas primeiras faixas, Universal Consciousness vai escavando o misterioso vácuo, nossos ouvidos pressionados pelos ecos indomáveis do percurso, gritam como elefantes mágicos fugindo do circo mântrico da inconsciência e saltando pelos descampados limites onde a Voyager é fotografada e já ultrapassada progressivamente.

Battle At Armageddon’ segue explorando as dimensões, sobrepondo-se em uma bateria descontínua enquanto metais vão abrindo as vísceras e reconstruindo a beleza não obvia e reluzente de nossos chácaras. Aqui o jazz é o suco mítico que escorre do átomo lúdico debaixo das saias orientais de Alice Coltrane. A certeza de quem somos até aqui, dependerá de nossa retorcida natureza passageira, espontâneo em seu confuso alicerce, capaz de proezas bélicas de palavras e de ruidosos textos nas costas do espaço intrínseco.

Oh Allah’  nos apresenta os primeiros raios do sol de alguma nebulosa que vai sendo desvendada em pequenos olhares pelos solavancos dos ombros ou pelas silhuetas sábias da musa. Uma oração crepúsculos que se afasta de nós como um passageiro futurístico que se perdeu de vista antes da chegada inconfessável ao extremo pulsar das estrelas. ‘Hare Krishina’  é a chagada aos úteros das singularidades, desbravando os anéis muito mais distante daqueles vistos tão de perto em saturno, pelas cores que jamais poderíamos conhecer e que vão sendo escolhidas a dedo por Coltrane. Ela, na particularidade profunda de uma declamação mosaica que refaz antigas máximas humanas, que redesenha as notas musicais para além da geometria, para além do som combinado entre duas ou mais formas inventadas pelos campos harmônicos do destino.

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Recriando a beleza libertadora da canção sem qualquer resquício terreno, Alice olha para os lados e entrega-se aos seus próprios limites de beleza até então desgastado pelo antigo senhor-tempo, esse já apenas uma nomenclatura em algum lugar do passado. ‘Sita Ram’  é aquela razão que emerge do líquido olhar pingando nas bordas dos exoplanetas e causando sensações de arco-íris por quem por ventura puder perceber naquele instante nas longínquas civilizações invisíveis. Mas, temos que voltar, ou não, e The Ankh Of Amen-Ra’ faz nossa reentrada pelos litorais dos berços estelares. Cometas são agora pequenos golfinhos que se arremessam nas órbitas de algum satélite a fim de conhecer seu lado secreto e fabuloso. Voltamos a avistar a terra, Alice mergulha, não no mar, mas sim em harpas vestidas de oceanos que amortecem nossa consciência.

Explorar o universo sob as bênçãos de Alice Coltrane e seu Universal Consciousness é uma experiência metafísica que só a arte é capaz de abrir tal porta.

Track |

1. Universal Consciousness

2. Battle At Armageddon

3. Oh Allah

4. Hare Krishna

5. Sita Ram

6. The Ankh Of Amen-Ra

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Discos dos anos 00

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19:34

Emiliana Torrini - Fisherman's Woman (2005)

 

Violões mágicos e voz vinda das estrelas numa tarde chuvosa. Emiliana Torrini ao tentar soar despretensiosa comete uma obra de arte. Uma pequena caixa escondida debaixo da cama ou em alguma passagem secreta, onde encontramos mémorias, pequenos versos há tempos guardados, lúdicas cartas esboçadas mas jamais enviadas a destinatários tão perto e tão longe de nossos corações como restos de impressões digitais de outrora entoados num canto angelical orquestrado de sutilezas.

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Discos dos anos 00

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08:44

alpha - the sky is mine (2007)

As vezes uma canção quando está sendo tocada é capaz

de suprimir o tempo e onde a imensidão das nossas percepções

se estremecem rumo ao alvoroço calmo do sonho…

Poucos grupos conseguem isso como o Alpha.

Não só um dos discos mais belos da década

como um das paisagens sonoras mais delicadas da nossa geração.

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Discos dos anos 00

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22:18


Air - Talkie Walkie (2004)

O terceiro resgistro do duo francês de downbeat (sem contar com a trilha
para o filme da Sofia Copolla) foi a prova definitiva
da magfnicancia sublime de suas composições.
Em Talkie Walkie, o Air está mais humano e destila
suas camadas sedutoras pelo poros do silêncio
impregnado de um ar fresco com paisagens delicadas,
calmarias doces, vozes femininas remoendo antigas memorias,
Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel assinam
um dos discos mais belos do excentrico grupo.

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Discos dos anos 00

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12:14


Sigur Rós - ( ) (2002)


Qual sentimento traduz o sublime?
A "Perfeição", a "beleza", o gesto que eterniza?
Ou uma melodia inesquecível, entoada por seres
vindos dos mais delicados sonhos e tocando nossos sentidos
e nos convidando para não muito longe...apenas...
dentro de nós mesmo. ( ).


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Discos dos anos 00

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21:08


Primal Scream - Exterminator (2000)

Bobby Gillespie e companhia nos arremessam no século XXI
como um vômito sintetico dado por um ciborg futurista.
Eletrônica, jazz e guitarras se unem em passagens caóticas,
catarticas interverções lisergicas num mundo submerso
antropofagicas melodias, como que vindas,
da mente doentia de William Gibson,
O Primal Scream assinava assim,
uma das primeiras obras atemporais da década.



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Discos dos anos 00

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12:20


Emily Haines - Knives Don't Have Your Back (2007)

Emily Haines, também conhecida pelo vocal do Metric,
mostra em seu debut o poder da melodia.
Disco de camadas de pianos e sussurros flutuantes,
doces reverberações nos entorpecendo
com a beleza de acordes suaves.
Linhas cintilantes de madrugadas sussurantes
e um vocal lagrimejantemente inspirado.
Knives Don't Have Your Back é um tratato com o sublime.
Onde cada passagem releva longas paisagens de vislumbração.
Um verdadeiro achado nos báus dessa década.


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Discos dos anos 00

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11:58


Microbunny - Dead Star (2004)

al okada e Tamara Williamson nos apresentam sua estrela morta
sulgada por um buraco negro indivizível de camadas de jazz espacial,
fusoes de matais com samples alucinados,
esquizofrenicas passagem abstratas,
faixas que duram segundos,
como pequenas passagens secretas nos becos da melodia.
Dead Star, segundo reberto,
desse extraordináriamente desconhecido grupo canadense,
é um das grandes obras primas do Downbeat dessa década.


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Discos dos anos 00

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11:37


Bjork - Vesperine (2001)

Em 2001, Bjork volta com uma obra prima.
Vespertine lançado em 2001 é uma análise sobre o amor
e as relações humanas sem cair no clichê, natural dentro de um tema tão batido.
Vespertine com densos arranjos minimalistas, instrumentos pouco usuais,
camadas eletrônicas e um vocal arrebatador,
é um dos grandes discos pra mim dessa década.




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Krautrokando

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11:25


Timewind, de Klaus Schulze


Virgin, 1975, 58m




O Ex música do Tangerine Dream e Ash Ra Tempel (duas lendas do Krautrock) nos presentei com esse
monolito sonoro indiscutivelmente surrealista. Continue

Você chega em casa e coloca um disco pra tocar...

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Submerso você encontra-se numa teia de sussurros
que se entrelaçam com a melodia.
Sons de ninar para uma noite qualquer e palavras distorcidas
num espectograma inenarravel.
Pulsações frenéticas rompem as barreiras palpáveis que treme os arredores.
Kid A parace ser a reafrmação andrógina do que nos tornamos.
Balbuciadores de nós mesmo, lamentaradores
que se alimentam de sonhos desfeitos mas ainda sonhados,
febre que se vulcaniza e névoa decomposta dentro da própria boca...
Pequenos gemidos ao longe em um ultimo fôlego sedento...

"oque está acontecendo?"

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Disco para se ouvir antes da noite e depois do dia

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15:02



Emiliana Torrini - Fisherman's Woman (2005)
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Thomas Edward Yorke sopra as velinhas hoje!

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O mais genial compositor da minha geração nascia em 7 de Outubro de 1968 pra ser o frontman dos já lendários Radiohead.


Estar ali, há alguns metros dessa entidade da arte moderna em 22 de Março de 2009 em São Paulo foi umas das experiências mais inesquecíveis de todos os meus anos.

Ouvi-lo é ouvir uma voz bela, atormentada, rara, emocional, confessional, seria a voz das estrelas cadentes, ou seria o sussurros dos oceanos? o sopro dos ventos mais delicados, estranhamente confusos, confusamente inimaginaveis, lúdicos como os poetas, frágeis como seus versos e sinceros como sua alma.








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Popol Vuh, In den Gärten Pharaos

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11:39



Por Ricardo Gross



Tão bom como aquilo que referi a propósito dos exemplos anteriormente citados é o que se reúne neste disco dos Popol Vuh, In den Gärten Pharaos. A banda de Florian Fricke, Holger Trulzsch e Frank Fiedler teve o mérito de imaginar uma música só sua a partir de elementos cultural e geograficamente díspares, que sendo francamente moderna (e então à época, inícios de 70!) trazia consigo uma qualquer marca de tempos imemoriais. Chega-se ao âmago do trabalho dos Popol Vuh por um processo de desarmamento da interpretação. O caminho vai da impressão causada pelos sons naquilo que estes têm de concreto, para que depois se dê o passo seguinte. Uma rota que se permite ser tão pessoal quanto mais numerosos sejam os destinatários. Imagino a música deste disco como a interpretação que uma civilização extraterrestre faria a partir da recolha de elementos musicais do nosso planeta a que a mesma teria tido acesso na sua forma rarefeita. A música de In den Gärten Pharaos oferece espaço de arejamento para que o seu poder sugestivo possa assumir as mais diversas formas. Exótica e muito além.

http://devaneios-ricardo.blogspot.com/2008/10/discutir-em-vo.html Continue

Alpha - Come From Heaven ou a união espacial dos sentidos

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16:24

com Come From Heavan podemos viajar no espaço.
formado por Andy Jenks e Corin Dingley o alpha,
grupo britanico de downbets nos aremessa pela primeira vez em seu jazz espacial com vocais negros bluseiros e ambiantes retro com camadas noturnas de madrugadas solitarias.
Com uma carreita ate hoje impecavel,
aqui no alpha em seu debut de 1997 cometou o ato de ser sublime.
Rain, por exemplo, nos afunda em cordas e pianos constantes que pulsam em nossa materia flexivel e doses de melodia irresistivel.
Gravado no estudio criado pelos Massive Attack, o alpha ainda bebe em portishead e no classic jazz e penetra nos ambientes com aveludados delirios eletronicos.
Sometime Later é uma camera lenta descendo pelos nossos sentidos,
capturando cada detalhe em gruas poeticamente angustiante cançao que pulsa melancolica,
cançao indispensável para se entender o faz o Alpha e qual o poder arrebatador de uma cançao.
Canções hipnotizantes como Slim ou alucinaçoes auditivais como a faixa titulo como from heaven, torna essa pérola dividiva em quartoze pedaços de canções-nuvens em luzes que dialogam com o interior da alma e voltamos para casa ou melhor para nosso mundo nas asas de Somewhere Not Here agora com vocal feminino, nossos sentidos recuperam-se lentamente mas nao foi um vertigio temos marcars de infinitudes nos nossos ouvidos e coraçoes...



Por: João Leno Lima
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R.E.M - UP

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16:56

1. Airportman
2. Lotus
3. Suspicion
4. Hope
5. At My Most Beautiful
6. The Apologist
7. Sad Professor
8. You're In The Air
9. Walk Unafraid
10. Why Not Smile
11. Daysleeper
12. Diminished
13. Parakeet
14. Falls To Climb
Automatic For The People (1992) é um dos melhores discos de todos os tempos mas o meu disco favorito do R.E.M é Up (1998), depois da saida do baterista Bill Berry a banda mostrou que ao juntas os cacos ainda restava a genialidade sublime da melodia que poucas bandas conseguem sustentar por tanto tempo, pianos se entrelaçando com sinterizadores e baterias eletronicas envolvidas com letras desconsoladas embrulhada num vocal arrebatador.
pOr: João Leno Lima
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Flaming Lips The Soft Bulletin

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13:34

por Cassiano Fagundes


Robert O’Connor, do semanário New York Press, sugere que todos nós precisamos às vezes de amigos imaginários, e que no caso ele poderia ser o Flaming Lips. Porque a imprensa americana trata Wayne Coyne e sua banda como o primo mais novo que ficou louco de ácido e nunca mais voltou, suas armações são sempre vistas sob a lente da compaixão (condescência). "Soft Bulletin" deve reafirmar a imagem de um trio de lunáticos, mas também pode dar a idéia de que sua piada esquisita é necessária para o bem-estar da música no momento pasteurizado pelo qual passamos. Piada para quem não gosta de ficção científica. Numa canção logo no começo do CD, um órgão meio John Paul Jones abre alas para Coyne (Race For the Prize): "Two Scientists are racing for the good of all mankind/both of them side by side, so determined/ Locked In heated battle for the cure that is the prize/It’s so dangerous, but they’re determined..." (Dois cientistas estão disputando pelo bem de toda a humanidade/os dois lado-a-lado, tão determinados/ Envolvidos em batalha brava pela cura que é o prêmio/ é tão perigoso, mas eles estão determinados"; ou para quem não acha genuína a tentativa de explicar o começo dos tempos no encarte (lê-se que "What Is The Light" é sobre a hipótese não testada de que a mesma reação química em nossos cérebros que nos faz sentir amor causou o Big Bang que deu origem ao universo em expansão).
A co-produção impecável de Dave Fridmann (ex-Mercury Rev, a banda irmã dos Lips) e uma mixagem que distanciou os instrumentos ao máximo uns dos outros a fim de realçar a forma (e efeitos) de cada som deram ao disco uma delicadeza sombria que por vezes causa estranheza quando se tenta combinar as imagens sugeridas pelas palavras à música. A tensão causada pode perturbar ou ser até difícil de engolir para não-iniciados, porém quando se descobre que "Soft Bulletin" é do tipo que funciona como um álbum e deve ser escutado do começo ao fim para se ter prazer, há uma grande possibilidade de você achar que está diante de um dos melhores sons dos últimos 12 anos. Já se você não entende inglês e está acostumado a se contentar com a melodia dos vocais, deve desconsiderar todos as convenções de como um bom vocalista deve ser. Do contrário, há o risco de implicar com a voz de Coyne.
Sinto no ar de Soft Bulletin pretensão não levada à sério. E uma pegada claramente Led Zeppelin em alguns momentos que contrabalançam a melancolia festiva e por vezes épica dos 14 números. Não há nada de novo e revolucionário aqui. Só a certeza de que nunca houve nada tão novo e revolucionário.
20 anos atrás, se alguém houvesse tentado prever como seria o disco do ano de 1999, o resultado não teria sido muito diferente deste que está tocando no meu som nesse exato segundo.
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