A segunda morte de Osama bin Laden

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23:26

 

por Paul Craig Roberts

Cartoon de Latuff.Se hoje fosse 1º de Abril e não

2 de Maio, podíamos ignorar como uma brincadeira a manchete desta manhã de que Osama bin Laden foi morto num combate armado no Paquistão e rapidamente lançado ao mar. No actual estado de coisas, devemos considerar isto como prova adicional de que o governo estado-unidense tem uma fé ilimitada na credulidade dos americanos.


Pense nisso. Quais são as probabilidades de uma pessoa que alegadamente sofre dos rins e precisa de diálise, e que além disso é afligido por diabete e baixa tensão arterial, sobreviva em esconderijos na montanha durante uma década? Se bin Laden fosse capaz de adquirir o equipamento de diálise e os cuidados médicos que as suas condições requeriam, será que o despacho do equipamento de diálise não apontaria a sua localização? Por que foram precisos dez anos para encontrá-lo?


Considere também as afirmações, repetidas pelos media triunfalistas dos EUA a celebrarem a morte de bin Laden, que "bin Laden utilizou seus milhões para financiar campos terroristas no Sudão, nas Filipinas e no Afeganistão, enviando 'guerreiros sagrados' para fomentar a revolução e combater com forças fundamentalistas muçulmanas no Norte da África, Chechénia, Tajiquistão e Bósnia". Isso é um bocado de actividade para ser financiado por uns meros milhões (talvez os EUA devessem tê-los colocado na conta do Pentágono), mas a questão principal é: como é que bin Laden foi capaz de movimentar o seu dinheiro de um lado para o outro? Que sistema bancário o ajudou? O governo estado-unidense tem êxito em apresar os activos de povos de países inteiros, sendo a Líbia o mais recente. Por que não os de bin Laden? Estaria ele a carregar consigo US$100 milhões em moedas de ouro e a enviar emissários para distribuir os pagamentos das suas operações dispersas por lugares remotos?


A manchete desta manhã tem o odor de um evento encenado. O fedor emana dos noticiários triunfalistas carregados de exageros, dos celebrantes que ondeiam bandeiras e cantam "USA, USA". Poderia algo diferente estar em curso?


Não há dúvida de que o presidente Obama precisa desesperadamente de uma vitória. Ele cometeu o erro do idiota ou o recomeço da guerra no Afeganistão e agora, após uma década, os EUA enfrentam o impasse, se não a derrota. As guerras dos regimes Bush/Obama levaram os EUA à bancarrota, deixando no seu rastro enormes défices e um dólar em declínio. E o momento da re-eleição está a aproximar-se.


As várias mentiras e enganos, tais como "armas de destruição maciça", das últimas administrações têm consequências terríveis para os EUA e o mundo. Mas nem todos os enganos são o mesmo. Recordem, toda a razão para invadir o Afeganistão era em primeiro lugar para apanhar bin Laden. Agora que o presidente Obama declarou que bin Laden levou um tiro na cabeça, dado pelas forças especiais dos EUA a operarem num país independente e que estas o lançaram ao mar, não há razão para continuar a guerra.


Talvez o declínio precipitado do US dólar nos mercados de câmbio estrangeiros tenha forçado algumas reduções reais no orçamento, as quais só podem vir da travagem de guerra ilimitadas. Até o declínio do dólar ter atingido o ponto de ruptura, Osama bin Laden, o qual muitos peritos acreditam ter sido morto há anos, era um bicho-papão útil para alimentar os lucros do complexo militar e de segurança dos EUA.

02/Maio/2011

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OAB CONTRA o Lixão de Marituba

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08:43

Agora não são apenas populares, lideranças ou políticos sem mandatos, pois os com mandato até agora não se pronunciaram,agora é a OAB, através do Seu presidente da Comissão de Meio Ambiente, Zé Carlos Lima, que entrou na Briga contra o Lixão, algo que os defensores do Lixão não esperavam, a própria empresa " Revita que é ligada a holding Solví" ao saber que a OAB e Zé Carlos iriam participar da Audiência, resolveu cancelar, fato esse, segundo uma funcionária da empresa, porque não tinham todos os documentos e dados para a Audiência.

Isso significa dizer que os organizadores do Encontro, FAMEP, SEMA, P.M.M. e Revita simplesmente estavam preparados para um público leigo e pouco informado sobre o tema, e não para alguém do cacife de Zé Carlos, que junto com a OAB, não pode barrar, mais atrasar em muito a execução de um projeto danoso como esse.

Para exemplificar, funcionários da Revita estiveram no bairros onde será instalada a Uzina, e simplesmente encheram de promessas os moradores da área, agora é importante lembrar que para se instalar um presidio em Marituba, o Governo do estado também fez promessas semelhantes e até agora nada foi cumprido, outro detalhe importante é que o Lixão do Aurá fica bem na divisa de Ananindeua e Marituba, e há um forte indicio que o lixão contaminou os lençóis do Bairro do Pato Macho, mas até hoje Marituba nunca recebeu nenhuma compensação por isso, ou seja, serão promessas vazias que nunca serão cumpridas.



Agora o Blog faz aqui alguns alertas

1º Ponha no SITE do TSE o Nome REVITA, e você vai ver que essa empresa financia milhares de campanhas eleitorais em todo o Brasil.


2º É importante entender quem realmente vai ganhar com esse projeto, pois podem ter certeza alguém vai ganhar e muito com isso, uma empresa não vai de graça instalar uma Usina de Reciclagem e de compostagem de lixo só porque gosta e ama Marituba.


3º O Governo do Estado está por trás disso tudo, é o presente que Simão Jatene da ao povo de Marituba, por ter vencido a eleição aqui na cidade. Com a palavra os que apoiaram Jatene (Mário Filho, Mello, BC e A3)


4ª O que dizem nossos dignificos vereadores sobre isso, Vereadora Chica o que fala sobre o tema, tendo em vista que sua base eleitoral se concentra justamente nos bairro afetados pelo Lixão.


5ª Caso o projeto seja executado, serão 140 caminhões de lixo por dia despejados em Marituba, ou seja, uma média de 01 caminhão a cada 10 minutos durante 24 horas por dia, todos os dias da semana.

O primeiro passo e movimento contrário foi dado pelo Partido verde da Cidade através de FRED e JHONY, que juntos com Elivan, reuniram cerca de 1000 pessoas, entre lideranças e populares no Mangueirão do Samba na BR no último dia 28/04 as 19:00, em uma espécie de reunião preparatória para a Audiência Pública, o que ninguém contava era com a Presença de Zé Carlos Lima no encontro e na Audiência que acabou não ocorrendo.

Segundo Elivan, o movimento "Não ao Lixão" é supra partidário e todos aqueles que amam Marituba de verdade devem aderir ao Movimento, ou terão o risco de serem taxados como "pessoas ingratas ao município."

Para Jhony Santos, a posição do PV de Marituba será sempre pela defesa do Meio Ambiente e acima de tudo das pessoas, por isso o PV de forma oficial será contra esse projeto.

Já FRED, colocou bem claro que Marituba tem a menor Área do pará, e o espaço em que se instalaria este lixão poderia ser usado para outro fim, como um parque ecológico.

O Professor Doutorando Jean, em sua fala, colocou que esse projeto de maneira nenhuma é bom para o município, e levantou uma série de dados técnicos que justificam essa tese.

Veja o que Zé Carlos Lima publicou em seu BLOG

 

MATÉRIA ENCONTRADA EM> PORTAL DE MARITUBA

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WikiLeaks: sai do isolamento Bradley Manning

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09:36

O soldado Bradley Manning, suspeito de ter sido o informador que passou ao WikiLeaks milhares de documentos diplomáticos confidenciais dos EUA, foi transferido para uma nova prisão, deixando para trás um período em que esteve em isolamento total e em condições que motivaram fortes protestos de organizações diplomáticas.

 

 

Manning foi detido no ano passado no Iraque e posteriormente transferido para Quântico, base da Marinha norte-americana na Virgínia. Chegou a ser colocado em regime de prevenção de suicídio e as condições a que foi sujeito durante o encarceramento e os interrogatórios provocaram fortes protestos por parte de organizações de defesa dos direitos humanos e levou mesmo a uma demissão no Departamento de Estado.

O Pentágono leva agora a cabo uma operação de limpeza da sua imagem, abrindo à comunicação social as portas da prisão para onde foi transferido Manning, um estabelecimento de alta segurança situado nas planícies do Kansas. "Terminou o processo de avaliação mental do soldado, o que nos permite transferi-lo para uma prisão mais adequada para a sua situação. Agora estamos à espera de uma investigação segundo o artigo 32, que é o equivalente militar a uma investigação som um grande júri", explicou o coronel Thomas Collins, citado pelo El País.

O jornal espanhol visitou a nova prisão de Manning e conta que este deixará de estar em isolamento. Passará de uma sela vazia para outra maior, com luz natural e com mais três presos. Poderá comer na cantina e passar uma hora por dia no recreio ao ar livre, nos pavilhões internos ou na biblioteca. Tem direito a 10 livros e 20 cartas ou jornais e pode ser visitado diariamente por amigos e familiares, assim como falar com estes por telefone.

 

 

 

MATÉRIA ENCONTRADA EM> dN Globo

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Luz nas trevas

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14:09

 

 

 

 

 

Escrito por Paulo Metri

 

A partir de um olhar humano, nossa espécie caminha a passos imperceptíveis em direção a seu desenvolvimento humanístico, pois nosso tempo de vida é curto demais para testemunhar algum avanço significativo. Isto ocorre em contraste com o desenvolvimento tecnológico, cuja evolução é sensível até para quem vive somente uma idade abaixo da média da espécie. Inclusive, quanto à evolução humanística, há períodos em que claramente regredimos, por exemplo, durante as guerras.

A grande maioria da sociedade humana sempre esteve sendo explorada. A forma mais primitiva da exploração, que persiste até hoje, se dá pela força bruta. Grupos bárbaros e exércitos saqueavam aldeias e cidades, senhores feudais confiscavam parcelas da produção dos aldeões, reis arrebanhavam impostos dos súditos, piratas pilhavam navios e mercadores caçavam negros na África para serem escravos. Países europeus criaram colônias nas Américas, na África e na Ásia para as riquezas destes continentes serem exploradas por eles que tinham o poder das armas. E, se alguém nas colônias se rebelasse contra a exploração da "desenvolvida" Europa, era exemplarmente punido.

A História humana é impregnada de brutalidade, incompreensão com o semelhante, egoísmo e ganância. Existem também exemplos de fraternidade, amizade, compreensão, mas raramente entre países e classes. Nenhuma outra espécie viva matou tantos dos seus quanto à humana. Pode-se até dizer que a humanidade é desumana e causa estranheza se dizer que a falta de humanidade existe nos homens. Hipocritamente, houve "evolução" no ato de explorar, pois ele passou a ser mais dissimulado. Por exemplo, os cruzados foram ao Oriente para combater os infiéis mouros e os jesuítas se espalharam pelo mundo para catequizar os nativos impuros.

A História conseguiria, se bem descrita, expandir nosso horizonte de percepção e, assim, creio que seria possível afirmar que nos últimos 500 anos a nossa espécie teve alguns momentos de avanço humanístico e muitos de estagnação e recuos. Iremos pinçar os últimos 500 anos, porque o período imediatamente anterior corresponde à Idade Média, quando uma treva quase total escureceu o planeta.

Assim, nestes últimos 500 anos, existiram eventos que representaram, comparativamente, clarões de desenvolvimento humanístico, na escuridão em que vivia a espécie. Pode-se listar, por exemplo, o Renascimento, que nos empurrou para fora da Idade Média, com transformações na filosofia, artes, ciência, comportamento social, política e organização econômica. Durante esta fase de mudanças, que se iniciou antes da entrada no século XVI, surgiu o mercantilismo, com o término da economia feudal. Em época posterior, o capitalismo. Pode-se citar também, sem se estar hierarquizando por grau de importância, o término do poder absoluto da monarquia britânica por obra de Cromwell, cujo início da participação política deu-se em 1628.

O Iluminismo e a Revolução Francesa, esta começando em 1789, trazem esperança de liberdade, igualdade e fraternidade. O Manifesto Comunista de Marx, de 1848, e toda sua obra tentam difundir, além de outras esperanças, a socialização dos meios e benefícios da produção. Então, desde o século XVI, tem-se uma manifestação humanística forte, a cada século, menos no XX.

Entretanto, quando se pensou que o máximo do refinamento na arte de ludibriar havia sido atingido recentemente, a dissimulação conseguiu se suplantar, atingindo o ápice quando a exploração entre países e de classes dentro de um país não consegue ser identificada pelos próprios explorados. Criou-se todo um arrazoado teórico para justificar o capitalismo levado ao extremo. Quem ajudou a fundamentar a base teórica para tal, não importando a falta de análises sociais, políticas e estratégicas dos fundamentos, é guindado a ganhador de prêmio Nobel. A máquina internacional do capitalismo foi colocada nesta empreitada. Governos confiáveis a ele foram requisitados para darem e difundirem o exemplo, que é o momento em que surgem Thatcher e Reagan. De países satélites, é exigida a adoção incondicional do novo modelo. Esta tese é propalada como o remédio milagroso que trará sucesso para todos os subdesenvolvidos.

Contudo, os desenvolvidos não precisavam seguir à risca o mesmo receituário. É tolhido em diversos países um debate aberto em que o novo modelo pudesse ser contestado.

Entidades de representação internacional, como FMI, Banco Mundial e OMC, controladas por poucos países desenvolvidos, impõem a aceitação das teses neoliberais e da globalização de interesse do capital internacional. Grandes agências de notícias mundiais, que são controladas pelo capital, assim como muitos grupos de mídia em países do ocidente, difundem somente uma versão dos fatos, inclusive, em muitos casos, não verdadeira. Às agências classificadoras de risco é delegada a fiscalização da aplicação dos conceitos recém impostos, além do FMI e de outros órgãos internacionais. Com o neoliberalismo e a globalização desinteressante, foram retirados dos países, principalmente dos em desenvolvimento, graus de liberdade nas decisões, que foram entregues ao capital internacional.

Então, estabeleceu-se que: 1) não devem ser criados impedimentos nos países ao livre fluxo de capitais; 2) as economias devem ser desregulamentadas; 3) devem ser retiradas as barreiras alfandegárias de cada país, decretando o fim do protecionismo; 4) devem ser produzidos em cada um, somente, os produtos e serviços para os quais é "vocacionado"; 5) devem ser acabados os subsídios às produções nacionais; 6) deve ser adotado o Estado mínimo e, assim, empresas estatais devem ser privatizadas; 7) são criadas agências reguladoras de mercado, que, de maneira escamoteada, servem para garantir a máxima rentabilidade para os investidores; 8) não deve haver constrangimento à desnacionalização da economia.

Resta dizer que, dentre os países em desenvolvimento, os que se saíram melhor, no período neoliberal (aproximadamente, as décadas de 80, 90 e 2000), foram os que não seguiram esta receita. É triste constatar que os capitais nacionais preferiram ficar com as migalhas do projeto neoliberal alienista a fechar acordo com a sociedade brasileira para protegê-la - a si próprios também.

Chegou-se ao incrível ponto da exploração ser instituída na sociedade, através de constituições nacionais aprovadas pelos representantes do povo que mais pareciam ser seus carrascos. Muitas instituem a legalidade da transferência de renda entre classes da sociedade, assim como de riquezas pertencentes a todos para grupos representantes do capital. Freqüentemente, dentro de um país, a legislação permite a concentração de renda e riqueza e a transferência para o exterior de lucros e riquezas. Governantes e políticos sem compromissos com o povo ajudaram muito o sucesso deste processo de engodo, ao atuarem para beneficiar grupos menores, prejudicando o todo. O mais triste de tudo é que conseguiram incutir na sociedade que este processo era inexorável e o exército de desempregados que o novo modelo acarretou era por culpa do próprio trabalhador que não tinha habilidades suficientes. É como se alguém chegasse para um cego de nascença e dissesse que o culpado dele ser cego era ele próprio. Incutiram na sociedade também o absurdo que a miséria era conseqüência da inépcia e da preguiça dos mais pobres.

Depois, devido à ganância extremada de alguns, buscando incessantemente o acúmulo de riquezas, não importando as conseqüências dilacerantes nos menos alertados, a não transmissão de velhas experiências para novas gerações, a fadiga da sociedade na busca por um mundo melhor, sem conseguir avanços significativos, o sucesso da máquina de enganação que consiste a comunicação de massas e a proximidade pecaminosa de alguns intelectuais, políticos e lideranças diversas com os corruptores do capitalismo, que não são poucos, ocorreu uma deterioração tão arrasadora das conquistas anteriores que se pode dizer, hoje, que retornamos às trevas. No entanto, é uma Idade Média dissimulada, pois muitos de nós somos capazes de jurar que se está em um período de plena liberdade. Supomos que vivemos em liberdade, ilusão que só é conseguida graças à catequese da mídia que desinforma, em ato maquiavélico. O cidadão não tem nem consciência que está sendo manipulado e está tudo mal.

O liberalismo econômico não é atrelado ao liberalismo político, pois qualquer um pode existir com ou sem a existência do outro. Para verificação se há coincidência de conceitos, considero o liberalismo político altamente recomendável, enquanto o econômico extremamente reprovável. Pois bem, o liberalismo econômico foi ressuscitado das décadas de 20 e 30 do século passado, por inexpressiva minoria que se beneficia materialmente, acumulando mais riqueza, graças ao fato de deter os instrumentos de controle da opinião das massas. É interessante notar que os porta-vozes do capital nunca querem debater a democracia econômica. O acordo internacional AMI, cuja imposição foi tentada e sepultada somente por causa de desavenças entre os grandes, significaria a completa desregulamentação financeira dos países com garantias extremas para os investimentos do capital no mundo. Isto tudo fez parte da passagem para o novo período de escuridão.

Assim, o país mais poderoso do mundo, tanto militar como economicamente, decide quais ditaduras devem ser consideradas como agressoras dos direitos humanos. Então, a ditadura da Arábia Saudita não causa problema algum para os direitos humanos, enquanto Kadafi é um ditador sanguinário. Mubarak passou 29 anos sendo um ditador irrepreensível para os Estados Unidos e, quando não tinha mais sustentação política, virou um ditador mau. Ditaduras foram apoiadas pelos Estados Unidos na América Latina, nos anos 70, se não foram planejadas por este país, especificamente no Brasil, no Chile, no Uruguai e na Argentina.

A lição que se pode tirar de uma análise mais cuidadosa sobre o Oriente Médio e o Norte da África hoje é que, segundo a lógica do mais forte, países com grandes recursos petrolíferos, que querem maximizar seus ganhos nesta atividade, minimizando o lucro das empresas estrangeiras do setor, e não querem ofertar quantidades consideráveis de petróleo no comércio internacional, têm seus governos caracterizados como ditaduras. Entre as forças de Kadafi e as da OTAN, não opto por nenhuma delas e tenho profunda tristeza pelo sofrimento do povo líbio. Hoje, a OTAN são forças armadas auxiliares das forças norte-americanas e, assim, deseja-se que ela atue em qualquer país considerado rebelde, mesmo que não esteja no Atlântico Norte.

O discurso de pregação da democracia e a favor dos direitos humanos deve ser sempre utilizado em países sem ditaduras colaborativas, pois a vitória do capital na guerra da comunicação e das campanhas eleitorais é acachapante. Com a comunicação de massas dominada pelo capital e o marketing político, é fácil o mandatário, que será sufragado pelo povo, ser escolhido, previamente, pelos detentores de capital com interesses na região. Assim, eleição não pode nunca ser ganha pela escolha consciente do povo, e sim sempre pelo capital, que a vê como um investimento de altíssima rentabilidade.

A novidade, a luz nas trevas, consiste em que existem exceções a este padrão e elas estão se tornando mais numerosas na América do Sul, além existirem também em outros países do mundo em desenvolvimento. Outra novidade é o retorno lento, mas constante, ao mundo bipolarizado, estando em processo de finalização o período de país hegemônico dos Estados Unidos, sem querer negar a superpotência que são. As redes sociais começam a contestar a rede anti-social que é a mídia do capital. Entretanto, é preciso estar alerta porque mesmo as redes sociais sofrem influência do capital. WikiLeaks e outros furos e denúncias mostram o verdadeiro espírito das nações e as verdadeiras forças que dominam a política mundial. Apesar de muitos grupos, em especial no mundo árabe, estarem sendo manipulados pela CIA e outros órgãos espúrios de países amigos do capital, e estando a milhares de quilômetros de distância dos acontecimentos e abastecido com informações filtradas pelos controladores do mundo virtual, os povos do Oriente médio e do norte da África estão, aparentemente, mais conscientes. Haveria indícios de alguma melhoria na conscientização da população mundial. Estaríamos no meio do aparecimento de um novo clarão humanitário? Ou estou somente esperançoso?

 

 

 

Paulo Metri é engenheiro e conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros.

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Wikileaks: o saque do petróleo no Iraque

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22:43

Por Altamiro Borges

Documentos vazados pelo WikiLeaks nesta terça-feira (19) comprovam, mais uma vez, que a "guerra" no Iraque foi uma grande farsa - tramada pelas potências capitalistas e amplificada pela mídia corporativa.


Eles mostram que o governo britânico, em conluio com o dos EUA, discutiu a partilha do petróleo do país invadido um ano antes da invasão. A história da existência de armas de destruição em massa foi mais uma mentira abjeta e descarada das nações imperialistas.


Partilha combinada um ano antes


Conforme notícia publicada no jornal inglês The Independent, os documentos vazados pelo WikiLeaks revelam que "os planos para exportar as reservas de petróleo do Iraque foram discutidos por ministros do governo britânio e as principais petroleiras internacionais um ano antes da Grã-Bretanha aceitar, junto com os Estados Unidos, invadir osolo iraquiano".


O jornal lembra que a grave denúncia sobre a existência do plano prévio já havia sido feita em março de 2003. Na época, tanto Shell com a BP negaram que tivessem se reunindo às escondidas em Downing Street, sede do governo britânico, para discutir a partilha do petróleo. O primeiro-ministro na época, o capacho Tony Blair, também qualificou as denúncias de "totalmente absurdas".


Saqueadores e criminosos


Agora, porém, os documentos vazados pelo WikiLeaks confirmam a trama e desmascaram os mentirosos - que deveriam ser processados pela morte de milhares de pessoas no Iraque. Os memorandos publicados no The Independent, datados de outubro e novembro de 2002, dão detalhes sobre as reuniões.


Num deles, de cinco meses antes da invasão, Elizabeth Symons, ministra de Comércio, afirma à BP que o governo queria que as companhias energéticas britânicas recebessem parte dos enormes benefícios do petróleo e do gás do Iraque como recompensa pela ajuda militar dada por Blair aos Estados Unidos para a mudança do regime iraquiano.

 

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altamiro borges.blogspot

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Tragédia em Realengo se transforma em circo de horrores dissociado de reflexão social

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21:25

 

ESCRITO POR DUARTE PEREIRA

13-ABR-2011

"Alô, alô, Realengo:

Aquele abraço!"

(Gilberto Gil, no samba-exaltação Aquele abraço, ao partir para o exílio, forçado pela ditadura militar)

A dor pelas mortes e pelos ferimentos, brutais e gratuitos, das crianças e pré-adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, não deve obscurecer nossa consciência crítica.

Nada que é humano é somente individual. É individual e social. Mesmo a loucura e suas consequências.

Em que exemplos de violência e insensibilidade, reais e fictícios, o rapaz Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno da escola atingida, buscou inspiração? Onde conseguiu informações sobre o manejo de armas e o planejamento de massacres? Como adquiriu os dois revólveres e a farta munição que utilizou? Por que Wellington, filho de uma paciente psiquiátrica, arredio desde criança, e que já apresentava há vários meses, após o falecimento dos pais adotivos, sinais perceptíveis de descontrole e decadência pessoal, foi esquecido sozinho numa casa herdada, sem apoio nem assistência?

A forma capitalista de vida social, sobretudo em seus traços contemporâneos, engendra um individualismo cada vez mais exacerbado e uma perda crescente de atenção e solidariedade das pessoas entre si. Não é possível outra forma de sociabilidade humana, que reduza tragédias como a que ensanguentou ontem pela manhã o bairro carioca de Realengo?

Estou cada vez mais estarrecido com a cobertura predominantemente passional e facciosa da tragédia ocorrida em escola municipal do Rio de Janeiro, no bairro do Realengo.

O jovem Wellington de Oliveira, autor dos disparos que mataram e feriram alunos inocentes da escola, foi chamado de "meliante" nas primeiras declarações do policial que o abateu e continua sendo indigitado como "assassino" por quase toda a mídia, embora já se saiba que sofria de esquizofrenia desde criança. A mídia negligencia as informações de que Wellington, quando era aluno da escola, passou por vexames e humilhações por causa de sua introversão e bizarrices. Não aborda a falta de acompanhamento e tratamento adequados de um paciente diagnosticado de esquizofrenia desde criança, o que agravou a evolução de sua enfermidade. Não trata das informações sobre atentados e manejo de armas que podem ser acessadas facilmente na internet. Não reavalia a divulgação maciça, cotidiana e acrítica dos mais variados atos e formas de violência praticadas por grandes potências e contumazes delinquentes, reproduzidos em filmes de sucesso e até mesmo em jogos eletrônicos. Não esclarece como Wellington conseguiu as armas e as munições, sem as quais não poderia ter feito seus disparos cruéis e desvairados. Não alerta para a atmosfera envenenada de individualismo e competição em que a infância e a juventude vêm sendo forjadas.

Com essa cobertura irresponsável e superficial, a maioria da mídia apenas acirra a dor e as reações equivocadas dos parentes das vítimas e de um amplo setor popular. E, nesse clima irracional, as autoridades policiais já alertam para possíveis ataques de represália a familiares do jovem atirador.

São poucos também os professores e mais reduzidas ainda as entidades do magistério que têm vindo a público para lembrar a violência que se tornou endêmica nas escolas, principalmente nas escolas públicas, rebatendo a ideia de que a tragédia do Realengo possa ser considerada um fato isolado e imprevisível. Surpreende também que os movimentos de saúde, sobretudo os de saúde mental, não se empenhem em repor a apreciação do trágico acontecimento num quadro mais objetivo e multilateral, que leve em conta a condição do autor dos disparos, a falta de acompanhamento e tratamento de seu padecimento mental e as circunstâncias finais de abandono e solidão que precederam seu gesto de sofrida insanidade. Preocupa também que juristas de indiscutíveis convicções democráticas não se pronunciem para reclamar o tratamento jurídico adequado que merece um jovem esquizofrênico, mesmo que pratique atos de grande crueldade.

Abalados pelo acontecimento, que não conseguem entender satisfatoriamente, muitos parecem retroceder à Idade Média, quase pregando a condenação dos loucos como endemoninhados e bruxos e seu justiçamento nas chamas de fogueiras.

Vêm à lembrança as advertências de Engels e de Rosa Luxemburgo de que o declínio da civilização capitalista poderia ser seguido não por um salto socialista, mas por uma regressão à barbárie. É preciso insistir, portanto, na necessidade de lutar pela alternativa de uma civilização superior, socialista, baseada não apenas no poder democrático dos trabalhadores, na propriedade social dos meios de produção, no  planejamento das atividades econômicas ou em serviços públicos universais e de qualidade, principalmente nas áreas de saúde, educação e previdência, mas também em valores de respeito, solidariedade e ajuda mútua no convívio social.

Questões que não querem calar

O programa “Fantástico” transmitido pela Rede Globo na noite de domingo exibiu novas reportagens sobre a tragédia que se abateu sobre a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. As reportagens devem ter suscitado novas preocupações nos espectadores atentos.

1) É legal e admissível que a polícia carioca repasse imagens e documentos da investigação para a Rede Globo com exclusividade, discriminando os outros veículos de comunicação?

2) Segundo as imagens transmitidas, as professoras das duas salas de aula invadidas pelo atirador foram as primeiras a fugir, deixando para trás as crianças e adolescentes pelos quais eram responsáveis. Por que a entrevistadora não questionou esse comportamento? Por que as autoridades educacionais do Rio de Janeiro não apuram, nem discutem com as famílias dos alunos, a conduta da direção, dos professores e dos funcionários da escola no episódio, até mesmo para estabelecer padrões de reação escolar na eventual repetição de ocorrências semelhantes? Segundo regra conhecida, o comandante de uma embarcação que naufraga deve ser o último a abandoná-la.

3) Relatos de colegas de Wellington de Oliveira, reproduzidos pelo programa da Globo, confirmaram que o menino introspectivo e vulnerável costumava ser objeto de gozações e humilhações na escola. Grupos de alunas o cercavam, roçando seu corpo e simulando assediá-lo sexualmente, para o sádico divertimento de outros alunos e alunas que assistiam. Em uma ocasião pelo menos, colegas mais fortes o levantaram pelas pernas, enfiaram sua cabeça numa privada e acionaram a descarga, conforme os entrevistados admitiram. Contraditoriamente, uma das professoras que abandonou precipitadamente a sala de aula, deixando para trás seus alunos, declarou enfaticamente no programa da Globo que nunca houve “histórico de violência” na Escola Municipal Tasso da Silveira. O que era feito com Wellington não configura violência e violência repetida? Como são supervisionados os banheiros, os horários de recreio e as saídas das escolas, que se têm revelado momentos e espaços críticos para a integridade e a segurança de alunas e alunos mais indefesos?

4) Conforme as declarações de um dos irmãos de criação de Wellington, a mãe deles foi chamada à escola, alertada para o comportamento discrepante do aluno e aconselhada a procurar um psicólogo ou psiquiatra para avaliá-lo. Isso foi feito? Em nossa sociedade capitalista, sobretudo na fase neoliberal e privatizante que atravessa há cerca de duas décadas, existe serviço público na região capaz de assegurar esse atendimento, tratamento e acompanhamento? Por que esses aspectos da tragédia não são pesquisados, nem discutidos?

5) Por que não têm sido ouvidos juristas competentes sobre os aspectos penais envolvidos em atos de jovens esquizofrênicos, mesmo que esses atos sejam chocantes, brutais e injustificáveis como os que abalaram a escola do Realengo? Se Wellington tivesse sobrevivido, ele poderia ser levado a júri e condenado à prisão? É correto tratá-lo raivosamente como “criminoso” e “assassino” como qualquer jovem normal e imputável, esquecendo seu prolongado e negligenciado sofrimento mental? A dor merecida pelas vítimas de sua insanidade e a solidariedade com os familiares dos alunos mortos e feridos devem impedir a solidariedade com os familiares do autor dos disparos e a compaixão pelo jovem que premeditou e executou o massacre e acabou sendo vítima de seus próprios atos tresloucados?

A tragédia do Realengo precisa ser debatida de forma séria e multilateral se a intenção for evitar a repetição de ocorrências semelhantes e não apenas disputar índices de audiência.

É preciso insistir: tudo que é humano é inseparavelmente individual e social. Inclusive a loucura e suas consequências. O capitalismo contemporâneo incentiva, mais do que nunca, o individualismo, a competição, a insensibilidade. Exalta os vencedores e despreza os derrotados. Pode queixar-se de colher os frutos de seu darwinismo social?

Internem a Globo?

O locutor William Bonner anunciou ontem à noite (11/04) em tom dramático pelo Jornal Nacional, transmitido pela Rede Globo para todo o país, que o "homem" que assassinou "covardemente" alunas e alunos da escola carioca Tasso da Silveira mantinha contatos com um grupo "terrorista" supostamente islâmico, insinuando que esse grupo o poderia ter influenciado a planejar e executar o ataque sangrento à escola.

Era o que faltava. A Globo encontrou a linha ideal de investigação policial para tentar impedir qualquer discussão séria e abrangente sobre as causas que levaram à tragédia do Realengo e para deslocar as responsabilidades por essa tragédia da direita para a esquerda do espectro político. Nada de falar na esquizofrenia do jovem Wellington de Oliveira, nem na falta de apoio e tratamento que agravou sua enfermidade. Nada de recordar as perseguições e humilhações que sofreu quando era aluno da escola atacada. Nada de mencionar as informações sobre armas e massacres que podem ser acessadas facilmente na internet. Nada de aludir à cultura de individualismo, competição e insensibilidade disseminada pelo capitalismo contemporâneo. Nada de referir-se aos filmes, jogos e exemplos de truculência e crueldade que vêm dos Estados Unidos e das outras potências imperialistas. A grande questão passou a ser, para a Globo, os contatos de Wellington com um alegado grupo "terrorista", que pode nem ser real, mas criado pela imaginação doentia do jovem.

Acresce que para os monopólios capitalistas de informação como a Globo a palavra "terrorismo" abarca tanto os atos de terror propriamente ditos e as organizações que os praticam quanto à resistência armada de povos oprimidos, como o palestino. Em contrapartida, para esses monopólios da informação, Estados, exércitos e partidos como os de Israel e dos Estados Unidos, que bombardeiam e devastam outros países e assassinam seletivamente seus líderes, não praticam o terrorismo. Assim, ao tentar envolver um suposto grupo "terrorista" nos atos tresloucados do jovem Wellington, a Globo busca comprometer setores que a população costuma considerar de esquerda no massacre justificadamente repudiado.

No esforço para montar essa versão tendenciosa, a Globo não se constrangeu sequer com uma objeção de simples bom senso: por que algum grupo terrorista, de direita ou de esquerda, teria interesse em insuflar um ataque à modesta escola municipal de bairro periférico do Rio de Janeiro?

Para revestir de alguma credibilidade a insinuação, o Jornal Nacional ouviu o ministro da Justiça que se prestou a declarar que a Polícia Federal apoiará todas as linhas de investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, inclusive a do alegado envolvimento de grupo "terrorista" com as maquinações do jovem Wellington de Oliveira. O que não consegue a poderosa Globo?

Duarte Pacheco Pereira é jornalista, escritor e ex-dirigente da Ação Popular

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SAMPLER

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10:31

De: Júlio Siqueira

 

Na contramão de cada percurso distingue-se devaneios e extremidades,como loucos procurando a saída num barco naufragado,mas com o mar a volta para lembrar do longo caminho; desejamos por ventura que não houvesse obstáculos mas, uma vida num deserto evitaria a presença movediça dos fantasmas?

Calo sobre o espiral do olhar dos outros, observo a estranha boca cheia de razões dos meus amigos,seus padrões de vidas anti-redomas,vitrines para longos modelos de invulnerabilidades prodigiosas.

Mas num vento contrário, que racha o leme e parte o remo do tratado do equilíbrio, acudimos o espelho com longas massagens que gemem em Lagrimas, tanto para o assassino como para o anjo, a paz é desejada sedentamente, a diferença é o grau da estrada passageira.

Recolho-me, e os pés da multidão desviam-se como água ao redor da rocha,quero apenas o afago intrometido da paisagem recriada,minha insatisfação abre uma fissura na gravidade me expando junto aos universos.

 

 

Poema para o livro

“Onírico Percurso por dentro do movimento” de Júlio Siqueira

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Videoart: Olhar

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09:26

De João Leno Lima

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COLIDIR

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09:03

De: Júlio Siqueira

No absurdo momento deparo-me com a

verdade, sou um átomo.

Choca-me as dúvidas como punhais,

sangro no chão mais disfarço,

so há um caminho, um túnel que me levará a

ponte entre a vertigem e a lagrima.

Mas no absurdo momento, disparo-me

acidentalmente perto de uma criança

e diluo-me, e deixo apenas rastros pelas teclas dos

computadores, e deixo apenas vestígios pelos arredores das

esquinas, me esquivo de cada sombra,

percebo nos retrovisores, invulneráveis

deformações da manhã,

no absurdo momento,

adormeço num esconderijo entre a janela dos

onibus mágico e os movimentos bailarinos

dos gestos indefesos ao sentido das coisas.

sou um átomo vulnerável ao meu próprio

sentir.

.

 

Poemas para o livro

Onírico Percurso por dentro do Movimento” de Júlio Siqueira

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BREVIEDADE

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12:57

De: Júlio Siqueira

 

 

 Na respiração de todas as incertezas há um acúmulo ofegante de medo serpenteando cobrindo como um nevoeiro os pensamentos que passeiam nas orlas do meio dia.

Nenhum salmo afaga nesse momento nenhuma lança também transcreve o sague no chão febril da tarde.

O que sinto é uma imensidão capaz de dá voltas e voltas no mundo - aquecendo suas mais vulneráveis impaciências.

Ah meus amigos,

a plantação que nasce nos hemisférios

exteriores e dá vida aos campos

brota em mim mil quilômetros ao longe,

estendo os braços e toco dá cidade às verdes razões da natureza.

mas assim, como num truque da inconsciência, de Jung à ortodoxos pensamentos arbitrários, mesmo na incerteza, respiro através de uma fissura atômica aberta sem data, onde despejo minúsculos pergaminhamentos imateriais em forma de claves que só serão ouvidas pelos cometas em tempos em tempos.

 

POEMAS PARA O LIVRO

“ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO” de Júlio Siqueira

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21 MIL SENTIDOS

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12:16

De: Júlio Siqueira

E então, que quereis?...

 

Se sou redemoinho és estático e sem ar,

se sou água és deserto,

se sou nuvem és céu azul cinza,

se sou poeta és a página vazia...

E então, que quereis?...

se atravesso os descampados, foges pelo mar,

se corro nas rodovias ensurdecedores, vais de bicicletas pelas trilhas imperfeitas,

se mergulho em Grutas oníricas, sentas sobre a rocha na ponta das montanhas íntimas...

E então, que quereis?...

se morro, renasce,

se sobrevivo estais prestar a desfalecer,

se assola-me a febre, em ti abraça-te o calor do sol das manhãs,

se naufrago, te atolas,

E então, que quereis?...

 

Se dialogo, gritas

se grito silencia com passos distantes,

se distancio torna-te frio,

se esfrio, afunda no esquecimento,

se permaneço quem eu sou, nao mudas,

se por alguns instantes convergimos

foi como linhas se cruzando

antes de se tornarem imaginárias

na memória volúvel do tempo.

 

POEMAS PARA O LIVRO

“ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO” de Júlio Siqueira

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Tímida pressa

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12:00

de: Júlio Siqueira

Abrindo a porta nessa manhã,Uma habitável incerteza num delírio desavisado. Tomou-me nos braços e gritou paredes de palavras que machucaram na pele o meu presente.

Seu peso era feito de toneladas de disfarças íntimos soterrando como um golpe certeiro no rosto; as porventura, razões contínuas.

Meus sentidos, todos inquietos, dialogaram numa conferencia eletrizante à margem da minha lucidez que se distraia com as crianças alvejadas pela cólera cochichando na contramão do cotidiano onde carros e trens se chocavam na minha intimidade.

Observei o manhã, sem lupas, mas oque espero do dia é apenas uma carta sublime vindas das profundezas do vento roçando aquilo que eu quisera que fosse verdade...

Essa, a verdade, uma caixinha de música, no lugar invisível do destino.

POEMAS PARA O LIVRO “ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO”

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Esculpir o Tempo (PDF) – Andrei Tarkovski

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Mais do que um estudo sobre o cinema, ou uma autobiografia cinematográfica, Esculpir o tempo do mestre Tarkovsky é um estudo sobre a significância da arte.

O cultuado e absurdamente desconhecido Diretor, filho do Poeta Arseni tarkovaki, foi um verdadeiro poeta das imagens e dos símbolos. Avesso as grandes montagens (base do cinema atual) seus filmes esculpiam o tempo, moldando a realidade presente dentro da película e se tornando assim atemporal na poética.

Esculpir O tempo faz uma análise sobre os valores, conceitos do cinema e da arte, procurando expor uma espiritualidade que torna a comunhão com a obra (dele ou de qualquer artista) fundamental. O livro é um passeio e uma aula de um sábio, de um mestre que reinventou o cinema para além da tela.

TARKOVSKI, Andrei. Esculpir o Tempo. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1998. 314 págs

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Livro (PDF) – DIALOGO IMPOSSIVEL de João Leno Lima

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TODOS OS POEMAS ESCRITOS POR JOÃO LENO LIMA ENTRE 2005 E 2007.

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RIZOMA - INTERVENÇÕES

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Reunião de textos traduzidos e escritos por Ricardo Rosas na sessão “Intervenções” do clássico e já desativado site, um dos mais completos e undergrounds da rede. 

 

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Livreto-Zine – ZOOM NAS VÍSCERAS de João Leno Lima (versão em PDF)

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Poemas:

.Vazio Atravessando a Rua
.A Marcha Sentimental
.Fugitiva Constelação
.Nuvens Internas
.Trombetas
.A Procissão dos Mil sentidos
.A Infinita Asa do Infinito
.Entre os Raios da Eternidade
.Sail to the Moon
.Desacordo
.A Persistência do Impossível
.Oculto espaço em Branco

.Exaltação de um percurso Íntimo
.A Natureza Intima absoluta
.Quando o instante é uma pequena eternidade
.A Lei Poética

Todos de João Leno Lima

 

Obrigado a todos que baixarem ou lerem esses versos*

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GRUPO FLUXUS: VIDA ARTE VIDEOARTE (1962-1973)

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Performance de Yoko Ono, Cut a Piece
Foi um movimento artístico organizado primeiramente em 1961 pelo lituano George Maciunas, através da Revista Fluxus que tinha como objetivo publicar textos dos artistas da vanguarda de várias nacionalidades que colaboravam entre si. Fluxus incorporou diferentes tipos de arte, como performances, vídeos e música.
Participaram do movimento, entre outros artistas, George Brecht, John Cage, Jackson Mac Low e Toshi Ichijanagi, Joseph Beuys, Dick Higgins, Gustav Metzger, Nam June Paik, Wolf Vostell e Yoko Ono.
O grupo Fluxus desenvolveu uma atuação social e política radical que contestava o sistema museológico. Assim, teve um profundo impacto nas artes das décadas de 60 e 70 a partir de sua
postura radical e subversiva, trabalhava com o efêmero, misturando arte e cotidiano, visando destruir convenções e valorizar a criação coletiva.


O estilo dos artistas e da teoria do Fluxus foi muito comparado a estética do Dadaísmo e da Pop art. A partir da década de 90, a comunidade Fluxus começou a se reorganizar através da internet e comunidades on-line em todo mundo trocando experiências reais de poesias visuais, performances culturais, música e vídeo. A unidade entre arte e vida é a ideia principal do grupo Fluxus.


"Fluxus não foi um momento na história ou um movimento artístico. É um modo de fazer coisas (...), uma forma de viver e morrer". Com essas palavras D. Higgins define o movimento, enfatizando o seu principal traço. Menos que um estilo, um conjunto de procedimentos, um grupo específico ou uma coleção de objetos, Fluxus traduz uma atitude diante do mundo, do fazer artístico e da cultura que se manifesta nas mais diversas formas de arte: música, dança, teatro, artes visuais, poesia, vídeo, fotografia etc. Seu nascimento oficial está ligado ao Festival Internacional de Música Nova, em Wiesbaden, Alemanha, 1962, e a George Maciunas (1931-1978), artista lituano radicado nos Estados Unidos, que batiza o movimento com uma palavra de origem latina, que significa fluxo, movimento, escoamento.

O termo, originalmente criado para dar título a uma publicação de arte de vanguarda, passa a caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa, entre 1961 e 1963. São elas que estão na raiz de festivais - os Festum Fluxorum - realizados em Copenhague, Paris, Düsseldorf, Amsterdã e Nice. De feitio internacional, interdisciplinar e plural do ponto de vista das artes, Fluxus mobiliza artistas na França - Ben Vautier (1935) e R. Filiou; Estados Unidos - D. Higgins, Robert Watts (1923-1988), George Brecht (1926), Yoko Ono (1933); Japão - Shigeko Kubota (1937), Takato Saito; países nórdicos - E. Andersen, Per Kirkeby (1938) - e Alemanha - Wolf Vostell (1932-1998), Joseph Beuys (1912-1986), N. June Paik. As músicas de John Cage e Nam June Paik, comprometidas com a exploração de sons e ruídos tirados do cotidiano, têm lugar central na definição da atitude artística de Fluxus.

Trata-se de romper as barreiras entre arte/não-arte, dirigindo a criação artística às coisas do mundo, seja à natureza, seja à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. Além da música experimental, as principais fontes do movimento podem ser encontradas num certo espírito anárquico de contestação que caracterizou o dadaísmo, nos ready-mades de Marcel Duchamp (1887-1968), e em sua crítica à institucionalização da arte, e na action paiting de Jackson Pollock (1912-1956), com sua ênfase no processo de criação ancorado no gesto e na ação.

As performances e happenings, amplamente realizados pelos artistas ligados ao Fluxus, remetem ainda a uma vigorosa tendência da arte norte-americana de finais dos anos 50, por exemplo, aos trabalhos de Robert Rauschenberg (1925 - 2008) ligados ao teatro e à dança, às esculturas junk de D. Smith e Richard Peter Stankiewicz (1922-1983), feitas a partir da combinação de refugos e materiais descartáveis e aos eventos de Allan Kaprow (1927), aluno de Cage em cursos em que o compositor combinava idéias de Duchamp e Artaud, com a filosofia zen-budista.

As realizações Fluxus justapõem não apenas objetos mas também sons, movimentos e luzes num apelo simultâneo aos diversos sentidos: visão, olfato, audição, tato. Nelas, o espectador é convocado a participar dos espetáculos experimentais, em geral, descontínuos, sem foco definido, não-verbais e sem seqüência previamente estabelecida. Já em 1957, John Cage definia a direção das novas produções artísticas: "Para onde vamos a partir de agora? Em direção ao teatro. Essa arte, mais que a música, liga-se à natureza. Temos olhos, assim como ouvidos, e é nossa tarefa utilizá-los".


As performances conhecem inflexões distintas, podendo adquirir tom minimalista ou acento mais teatral e provocador. Aquelas concebidas por Joseph Beuys na Alemanha se particularizam pelas conexões que estabelecem com um universo mitológico, mágico e espiritual. Nelas chamam a atenção o uso freqüente de animais - por exemplo, as lebres em The Chief - Fluxus Chant, Copenhague, 1963 -, a ênfase nas ações que conferem sentidos aos objetos e o uso de sons e ruídos de todos os tipos, num apelo às experiências anteriores à linguagem articulada e ao reino dos instintos, que os animais representam.


No Brasil, alguns críticos apontam parentescos entre o Grupo Rex, criado em São Paulo por Wesley Duke Lee (1931), Nelson Leirner (1932), Geraldo de Barros (1923-1998), Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945) e Frederico Nasser (1945), com o movimento Fluxus. Integrantes do Fluxus estiveram presentes na 17ª Bienal Internacional de São Paulo (1983) que teve uma ala dedicada à exposição de obras e documentos do grupo.

As propostas do grupo eram politizadas e de cunho libertário, se aproximando muito dos ideais primeiro sugeridos pelo Dadaísmo e o Construtivismo russo. Ela a partir de então se une ao grupo.
Em 1964, Yoko Ono lança o livro Grapefruit, uma compilação de "instruções de obra de arte" (entre elas Hide & Go Seek: "Se esconda até que todos se esqueçam de você. Se esconda até que todos morram.") e começa uma longa série de happenings.

 

 

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Bradley Manning, a fonte do WikiLeaks, preso político torturado nas masmorras de Obama

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13:45

 

O jovem ex-soldado do exército dos Estados Unidos, Bradley Manning, está preso na Base dos Fuzileiros Navais em Quântico, Virgínia, desde julho de 2010, sob a acusação pelo governo ianque de “conluio com o inimigo”. O Departamento de Estado americano o acusa de “vazar” documentos secretos do Exército para o WikiLeaks e divulgar na internet vídeo no qual militares estadunidenses metralharam e assassinaram a sangue frio dezenas de civis iraquianos desarmados. As condições carcerárias às quais está submetido Manning são as piores possíveis, além de serem totalmente ilegais. Não tem direito a habeas corpus, está em confinamento solitário num cubículo, é obrigado a ficar nu nos “interrogatórios”, impedido de dormir exposto a luzes intensas e vigiado 24 horas por câmeras de TV. Enquanto isso, Julian Assange... lança livros, prepara um filme produzido pelo hollywoodiano Steven Spielberg, abocanha quantias milionárias junto a ONGs e a grande mídia burguesa.

A prisão imediata de Bradley Manning é uma ilegalidade até mesmo do ponto de vista da Constituição americana em sua 6ª Emenda (todo acusado em qualquer processo criminal tem direito a julgamento rápido e público). Mas a situação é a tal ponto esdrúxula que a prisão foi justificada pelo porta-voz militar de Quântico, Coronel Thomas V. Johnson, em declaração ao Washington Post (15/3), da seguinte forma: “Manning foi colocado em custódia máxima porque sua fuga pode representar um risco para a vida, a propriedade ou à segurança nacional”. Para o Pentágono, este jovem franzino acometido por depressão e sem qualquer antecedente criminal, é um elemento de “alta periculosidade” que desafia o regime político ianque. Assim, o único “julgamento” a que Manning vai ser submetido é aquele que já o condenou a priori e, muito provavelmente, baterá o martelo pela prisão perpétua, não descartando-se a possibilidade da pena de morte devido à acusação de “alta traição”.

Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, é apresentado pela grande imprensa e por setores da “esquerda” como o responsável por colocar em xeque o establishment mundial a partir das revelações dos dados vazados por Manning. Seria ele um perigoso revolucionário como difunde a mídia venal mundo afora ou um militante das causas sociais como assevera a esquerda revisionista? Não. Muito longe disso!

O jovem soldado Bradley Manning foi o verdadeiro responsável por dar visibilidade mundial ao WikiLeaks. Captou os dados da “Net Centric Diplomacy”, um imenso arquivo que contém toda a corrupção e patifarias ianques provenientes da “diplomacia secreta” de todas as nações do planeta enquanto prestava serviço militar no Iraque. Na prática, é um centro ativo de espionagem intimamente vinculado a CIA. Manning forneceu a Julian Assange 250 mil telegramas secretos retirados destes arquivos, além do vídeo “Colateral” em que mostra o massacre de civis metralhados por um helicóptero americano em Bagdá em 2007. Em um dos diálogos dos soldados no vídeo aparece a ordem que muito bem expressa os “valores” do imperialismo ianque: “Light'em all up. Shoot” (“Acendam eles todos. Atirem” [nos civis]). Em consequência desta macabra descoberta, todos os “louros” da divulgação ficaram com Assange. A Manning restou o sofrimento da prisão e as feridas da tortura.

Assange, outrora um ilustre desconhecido, atuava no meio hacker sob a alcunha de “Mandrax” (o mentiroso). Define-se a si mesmo como um jornalista disposto a “democratizar as informações” e de modo algum enfrentar-se abertamente contra a democracia burguesa porque é parte integrante dela, na condição de liberal. Eis o supra-sumo de seu pensamento: “Ela [a web] não é uma tecnologia que favoreça a liberdade de expressão. Não é uma tecnologia que favoreça os direitos humanos. Não é uma tecnologia que favoreça a vida civil. É mais uma tecnologia que pode ser usada para estabelecer um regime totalitário de espionagem, de contornos nunca vistos. Ou, por outro lado, se tomada por nós, se tomada por ativistas e por todos aqueles que querem uma trajetória diferente para o mundo tecnológico, pode ser algo que todos esperamos”. A seu “dispor”, Assange tem um incomensurável banco de dados acumulados em nível mundial resultante da tecnologia da internet.

Hoje, com a fama adquirida, apesar das perseguições políticas, trata de colocar números em sua calculadora para planejar como será seu faturamento das parcerias com o The Guardian, El Pais, New York Times, Le Monde, Der Spiegel, ONGs e direitos sobre livros e filmes a respeito do WikiLeaks. Neste sentido, ninguém menos que Steven Spielberg já comprou os direitos do livro “WikiLeaks: Inside Julian Assange’s War on Secrecy” (Wikileaks: Por dentro da guerra de Julian Assange contra o serviço secreto), dos jornalistas David Leigh e Luke Harding, do jornal britânico “The Guardian”, para produzir um filme sobre a vida de Assange.

A tarefa da derrubada da diplomacia secreta e do modo de produção capitalista, portanto, só pode ser levada a cabo pela ação revolucionária do proletariado no enfrentamento direto com a ditadura dos bancos e megaempresas monopolistas transnacionais, as quais mantêm no limbo diplomático os chamados segredos comercias e militares. Julian Assange, nada tem a ver com os interesses do proletariado mundial, haja vista que defende a manutenção do status quo do sistema capitalista, de seu regime da propriedade privada e do monopólio dos meios de comunicação. Precisamente por isso, Assange entrega os documentos secretos à grande imprensa pró-imperialista, aos mais raivosos defensores dos grandes monopólios econômicos e dos interesses imperialistas dos EUA e Europa. Assange não é um ativista anti-imperialista como entusiasticamente proclamam setores da esquerda, os mesmos que relegam ao esquecimento o próprio Bradley Manning! Exigimos a liberdade imediata para Bradley Manning e não reconhecemos nenhuma autoridade moral no imperialismo e de nenhum Estado capitalista para encarcerar e perseguir o ex-soldado. Ao mesmo tempo nos opomos a toda sanha neomacarthista voltada a calar o WikiLeaks, sem nutrir a menor confiança política neste Portal de informações e muito menos no seu pérfido fundador, que abandonou Manning a própria sorte!

[07/04/2011; 18h20min]

 

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Bradley Manning e os "valores estadunidenses"

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13:29

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Há poucos dias o mundo assistiu a um discurso do Presidente Barack Obama onde este evocava a defesa dos "valores estadunidenses" para justificar a intervenção imperialista na Líbia. [1]
Tais valores seriam os direitos humanos, as liberdades individuais e a democracia; itens os quais os Estados Unidos, nas palavras dos seus sucessivos dirigentes, seriam os campeões da defesa e da prática.


O que Obama supostamente defende e cobra no plano externo - já que é preciso lembrar que os Estados Unidos são amigos de muitos regimes que não praticam tais valores - não se verifica muito no plano interno. Pelo menos é o que atesta explicitamente o caso do jovem soldado de 23 anos, Bradley Manning.
Manning está preso desde julho de 2010 sob a acusação de "conluio com o inimigo". [2]


Qual conluio? Ele é suspeito de vazar documentos para o Wikileaks onde constam crimes de guerra e embaraços comprometedores da diplomacia internacional. Ele teria sido também o responsável por divulgar um vídeo onde soldados estadunidenses assassinaram civis iraquianos desarmados - crianças inclusive!
Mas se estas são as acusações que pesam sob os ombros de Manning quem seria o inimigo com o qual ele estaria em conluio? Tal inimigo seria o direito de acesso a informação? Seria a verdade dos fatos que o regime, "modelo a ser seguido", quer esconder?
Fosse Bradley Manning soldado de um regime inimigo dos Estados Unidos certamente assistiríamos a discursos inflamados de Obama e Hillary Clinton em defesa deste que seria um "herói dos direitos humanos" que teria tido a "coragem de denunciar os excessos de um regime bárbaro que havia praticado crimes contra a humanidade" e estariam em campanha internacional por um "Nobel da Paz" ao jovem.
Mas como não

é o caso, assistimos a P.J. Crowley, porta-voz de Hillary Clinton, ser forçado a pedir demissão após criticar a tortura a qual havia sido submetido o jovem soldado na prisão. Crowley não criticou a prisão, pois a defende, mas os excessos. Ele se deu conta, minimamente, da contradição constrangedora do discurso do império com a sua prática:


"Meus comentários tiveram a intenção de chamar atenção para o impacto maior e estratégico de ações das agências de segurança nacional em nossa liderança global"
(...)
"O exercício do poder no ambiente atual de desafios e de uma mídia persistente deve ser prudente e coerente com nossas leis e valores."
[3]


Obama, que durante a campanha eleitoral chegou a dar declarações de repúdio aos tratamentos dados a prisioneiros sob responsabilidade dos Estados Unidos e prometeu providências, considerou "apropriado" o tratamento dado a Manning na prisão.
"Eu perguntei ao Pentágono se os procedimentos de confinamento (de Manning) são apropriados ou não e se estão de acordo com as novas normas básicas. Eles me asseguraram que estão". [4]
A organização estadunidense Aclu, que defende os direitos civis, revelou quais são as condições "apropriadas" do prisioneiro, em carta enviada ao Secretário da Defesa, Robert Gates:
"Escrevemos ao senhor para expressar nossa grande preocupação com as condições desumanas em que está detido o soldado Bradley Manning na prisão militar de Quantico"
(...)
"A Suprema Corte estabeleceu que o governo viola a VIII emenda da Constituição proibindo castigos cruéis e não habituais quando ''inflige um sofrimento arbitrário e sem motivo''
(...)
"Nenhuma razão legítima justifica deixar Bradley Manning (...) em isolamento sem qualquer atividade, privado de sono, com as inspeções multiplicadas durante a noite, sem a possibilidade de se exercitar, mesmo em sua cela, e sem seus óculos para que não possa ler"
(...)
O Pentágono "não tem mais motivo legítimo para exigir que o soldado Manning que fique totalmente nu, de pernas afastadas, com as genitais expostas diante dos guardas e agentes presentes" (...) "O real objetivo de um tratamento como esse é humilhar e traumatizar"
. [5]


Manning encontra-se em tal situação sem que tenha sido sequer condenado. Se for, pode pegar prisão perpétua. Mas houve até quem, na "terra da liberdade", chegou a defender a aplicação da pena capital - a qual de fato ele corria o risco de ser sentenciado.
O jovem soldado não é o único a ter os supostos "valores estadunidenses" violados. Recentemente 35 pessoas foram presas na Virgínia por fazer um ato em solidariedade a ele, evento que reuniu 400 pessoas. Entre os presos estavam Daniel Ellsberg, que vazou os "Papeis do Pentágono" durante a guerra do Vietnã, e Ann Wright, Coronel que se opôs a invasão do Iraque. [6]


O país que mantém um preso político, encarcerado sem condenação e torturado, reprime a liberdade de opinião e expressão; busca convencer o mundo de que está invadindo países para exportar seus "nobres" valores. Acredita quem quer e apóia quem se beneficia!

 

 

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Os super-ricos do mundo

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08:18

Os multimilionários prosperam e as desigualdades aprofundam-se quando as economias "recuperam"

por James Petras

As operações de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milionários passaram a multimilionários e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relatório anual da revista de negócios Forbes, há 1210 indivíduos – e em muitos casos clãs familiares – com um valor líquido de mil milhões de dólares (ou mais). O seu valor líquido total é de 4,5 milhões de milhões de dólares, maior do que o valor total de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. A actual concentração de riqueza ultrapassa qualquer período anterior da história; desde o Rei Midas, os Marajás, e os Barões Ladrões [1] até aos magnates de Silicon Valley [2] e Wall Street na actual década.


Uma análise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribuição na economia mundial e os métodos de acumulação esclarece diversas diferenças importantes com profundas consequências políticas. Vamos identificar essas características especiais dos super-ricos, a começar pelos Estados Unidos e faremos depois uma análise ao resto do mundo.


Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos
Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da actividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de acções. Esta é a percentagem mais alta de qualquer dos principais países na Europa ou na Ásia (com a excepção da Inglaterra). A enorme concentração de riqueza nas mãos desta pequena classe dirigente parasita é uma das razões por que os EUA têm as piores desigualdades de qualquer economia avançada e se situa entre as piores em todo o mundo.

Os especuladores não empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de operações de salvamento e depois pressionam cortes no orçamento social, dado que não precisam de uma força de trabalho saudável e instruída (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da população mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises económicas, que inicialmente reduziram a riqueza total do país, fizeram-no de modo desigual – atingindo de modo mais grave a maioria dos operários e empregados. A operação de salvamento Bush-Obama levou à recuperação económica, não da "economia em geral", mas restringiu-se a reforçar ainda mais a riqueza dos multimilionários – o que explica porque é que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque é que a dívida fiscal e o défice comercial aumentam e o estado baixa os impostos às grandes empresas e reduz os orçamentos municipais, estatais e federais. O sector "dinâmico" formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, não exporta produtos, paga impostos mais baixos e impõem maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos.

No caso dos multimilionários dos EUA, a sua riqueza é fortemente acrescida através da pilhagem do erário público e da economia produtiva e através da especulação no sector das tecnologias de informação que alberga um quinto dos multimilionários do topo.
BRIC: Os novos multimilionários: A explorar o trabalho da natureza


Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. Segundo os últimos dados no Forbes (Março de 2011), o número de multimilionários no BRIC aumentou mais de 56% de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa.


O forte crescimento do BRIC levou à concentração e centralização de capital, em todos os casos promovidos pelas políticas de estado que proporcionam empréstimos a juros baixos, subsídios, incentivos fiscais, exploração ilimitada de recursos naturais e mão-de-obra, expropriação dos pequenos proprietários e privatização de empresas públicas.


O crescimento dinâmico de multimilionários no BRIC levou às desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos países do BRIC, a China lidera o caminho com o maior número de multimilionários (115) e as piores desigualdades em toda a Ásia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o país mais igualitário do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que provém da exploração da força de trabalho no sector da manufactura, da especulação no imobiliário e da construção e comércio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequência da super-exploração da mão-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasitário nos EUA.


Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China está a fazer incursões significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobiliário. Em consequência da luta da classe trabalhadora, os salários têm vindo a aumentar entre 10% a 20% nos últimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das famílias urbanas contra as expropriações feitas pelos especuladores imobiliários e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano.


A riqueza dos multimilionários russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos públicos (petróleo, gás, alumínio, ferro, aço, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilionários russos depende da exportação de bens, da pilhagem e da devastação do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamentação. O contraste entre as condições de vida e de trabalho entre os multimilionários virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa é sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordinários, incluindo propriedades de muitos milhões de dólares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilionários da Rússia parecem-se com os 'senhorios' parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo Pérsico.


Os multimilionários da Índia são uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza através da exploração dos trabalhadores industriais de salários baixos, das populações de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobiliário, tecnologia informática e software. Os multimilionários da Índia acumularam a sua riqueza através das suas ligações familiares com os escalões mais altos, muito corruptos, da classe política, assegurando monopólios através de contratos com o estado. O forte crescimento da Índia na última década (7% em média) e a explosão de multimilionários de 55 para 2011, estão ambos ligados às políticas neo-liberais de desregulamentação, privatização e globalização, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milhões.


A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direcção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufacturas. Apesar das afirmações dos líderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de salário mínimo (380 dólares por mês em Março de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da América Latina. Uma análise da origem da riqueza entre os multimilionários brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finanças, imobiliário e seguros (FIRE) e só um deles (3%) no sector de capital ou manufactura intermédia.

A explosão do Brasil em crescimento económico e em multimilionários encaixa no perfil de uma 'economia colonial': com grande peso no consumo excessivo, na exportação de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove políticas neoliberais. No decurso da última década, apesar do teatro político populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores "centro-esquerda", o principal resultado sócio-económico foi o crescimento duma classe de multimilionários "super-ricos" concentrados na banca com poderosas ligações aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os têxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e intermédios.


Os países BRIC estão a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as potências imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas também estão a produzir desigualdades e concentrações monstruosas de riqueza. As consequências sócio-económicas já se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na Índia, onde a exploração intensiva e a expropriação provocaram a acção das massas. A elite política chinesa parece estar mais consciente da ameaça política colocada pela concentração crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de salários e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a 'memória histórica' da 'revolução cultural' e a herança maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite política para os perigos políticos resultantes dos "excessos capitalistas" associados aos altos níveis de exploração e ao rápido crescimento duma classe de clãs politicamente relacionados, baseados em multimilionários.


Médio Oriente


Na última década, o país mais dinâmico no Médio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democrático liberal de inspiração islâmica, a Turquia tem liderado a região no crescimento do PIB e na produção de multimilionários. O desempenho económico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes pós ditatoriais no mundo árabe – de 'alto crescimento', uma economia diversificada baseada na crescente concentração de riqueza.

A Turquia tem mais 35% de multimilionários (37) do que os estados do Golfo e do Norte de África em conjunto (24). O 'segredo' do crescimento turco é as altas taxas de investimento em diversas indústrias e a exploração intensiva da força de trabalho. Muitos multimilionários turcos (14) obtêm a sua riqueza através de 'conglomerados', investimentos em diversos sectores de manufactura, finança e construção. Para além dos multimilionários de 'conglomerados', há 'multimilionários especialistas' que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da construção e do processamento de alimentos. Uma das razões de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no Médio Oriente é porque os seus capitalistas estão ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo árabe. Com excepção do sistema político americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o público na Europa e na Ásia encararam favoravelmente a oposição da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e à violação da lei internacional em águas marítimas. Se um moderno regime islâmico liberal pode crescer rapidamente através da rápida expansão duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no rápido crescimento duma classe de multimilionários altamente diferenciada.


Israel, com 16 multimilionários é um país em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na região – com o mais alto número de multimilionários per capita do mundo… Os "sectores de crescimento" de Israel, software, indústrias militares, finança, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, são liderados por multimilionários e multi-multimilionários que beneficiaram das dádivas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos países da ex-URSS e da transferência de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e também de empreendimentos conjuntos com multimilionários judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de "segurança".


A alta percentagem de multimilionários em Israel, numa época de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirmação de ser uma 'social-democracia' no meio dos 'xeicados'. A propósito, Israel tem o dobro de multimilionários (16) da Arábia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os países do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilionários per capita do que qualquer outro país não impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milhões de dólares na década passada. Contrariamente ao passado, a actual concentração de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira… as doações a Israel são uma questão política: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilionários de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso não vai acontecer apenas porque o poder sionista na América impõe que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo.


Conclusão


As "crises económicas" de 2008-2009 infligiram apenas perdas temporárias a alguns multimilionários (EUA-UE) e a outros não (asiáticos). Graças às operações de salvamento de milhões de milhões de dólares/euros/ienes, a classe multimilionária recuperou e alargou-se, apesar de os salários nos EUA e na Europa terem estagnado e os 'padrões de vida' terem sido atingidos por cortes maciços na saúde, na educação, no emprego e nos serviços públicos.
O que é chocante quanto à recuperação, crescimento e expansão dos multimilionários mundiais é como a sua acumulação de riqueza depende e está baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas políticas neoliberais que levaram à apropriação a preços de saldos de empresas públicas privatizadas; como a desregulamentação estatal permite a pilhagem do ambiente para a extracção de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expansão da actividade especulativa no imobiliário, na finança e nos fundos de pensões, enquanto encorajava o crescimento de monopólios, oligopólios e conglomerados que captaram "super lucros" – taxas acima do "nível histórico". Os multimilionários no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Japão) foram os principais beneficiários das reduções fiscais e da eliminação de programas sociais e de direitos laborais.


O que é perfeitamente claro é que é o estado, e não o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentração e centralização de riqueza na história mundial, quer facilitando a pilhagem do erário publico e do ambiente, quer aumentando a exploração da força de trabalho, directa e indirectamente.


As variantes nos caminhos para o estatuto de 'multimilionário' são chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC – com excepção da Rússia – predominam diversos sectores que incorporam multimilionários da manufactura, do software, da finança e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso económico entre os multimilionários e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobiliários e as famílias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, forçando a aumentos significativos de salários (mais de 20% nos últimos três anos) e à exigência de maiores gastos públicos na educação, saúde e habitação. Nada de comparável está a acontecer nos EUA, na UE ou noutros países do BRIC.


As origens da riqueza dos multimilionários são, quando muito, devidas apenas em parte a 'inovações empresariais'. A sua riqueza pode ter começado, numa fase inicial, a partir da produção de bens ou serviços úteis; mas, à medida que as economias capitalistas 'amadurecem' e se viram para a finança, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo políticas neoliberais, o perfil económico da classe multimilionários muda para o modelo parasita dos centros imperialistas instituídos.


Os multimilionários nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilionários do petróleo do Médio Oriente que são rentistas que vivem das 'rendas' da exploração do petróleo, do gás e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os países BRIC, só a oligarquia multimilionária russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilionários chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das políticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a retórica de 'paladinos nacionais', que promovem os seus próprios 'interesses' em nome duma 'economia emergente de sucesso'. Mas mantêm-se as questões básicas de classe: "crescimento para quem? e a quem é que beneficia?" Até agora, o registo histórico mostra que o crescimento de multimilionários tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilionários, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na Rússia e nos estados do Golfo, ou exploradores da força de trabalho como nos países BRIC.

 
Post Scriptum


A revolta árabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os 'clãs capitalistas de rentistas. A intervenção ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e políticas da "oposição" é um esforço para substituir uma classe governante capitalista 'neoliberal'. Essa "nova classe" será baseada na exploração da mão-de-obra e na expropriação dos actuais possuidores dos recursos clã-família-amigos. As principais empresas serão transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras são as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na Índia, que se opõem à exploração e à expropriação de rentistas e capitalistas.

NT
[1] Barão ladrão – termo pejorativo usado para um poderoso homem de negócios e banqueiro americano do século XIX.
[2] Sillicon Valley – situa-se a Sul da área da baía de S. Francisco, na Califórnia. Esta região alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electrónica do mundo.


O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23907 .


Tradução de Margarida Ferreira.

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ARTE É FATO – TERCEIRA EDIÇÃO

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Edição: João Leno Lima e Leila Leile.

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