SAMPLER

0
10:31

De: Júlio Siqueira

 

Na contramão de cada percurso distingue-se devaneios e extremidades,como loucos procurando a saída num barco naufragado,mas com o mar a volta para lembrar do longo caminho; desejamos por ventura que não houvesse obstáculos mas, uma vida num deserto evitaria a presença movediça dos fantasmas?

Calo sobre o espiral do olhar dos outros, observo a estranha boca cheia de razões dos meus amigos,seus padrões de vidas anti-redomas,vitrines para longos modelos de invulnerabilidades prodigiosas.

Mas num vento contrário, que racha o leme e parte o remo do tratado do equilíbrio, acudimos o espelho com longas massagens que gemem em Lagrimas, tanto para o assassino como para o anjo, a paz é desejada sedentamente, a diferença é o grau da estrada passageira.

Recolho-me, e os pés da multidão desviam-se como água ao redor da rocha,quero apenas o afago intrometido da paisagem recriada,minha insatisfação abre uma fissura na gravidade me expando junto aos universos.

 

 

Poema para o livro

“Onírico Percurso por dentro do movimento” de Júlio Siqueira

Continue

Videoart: Olhar

0
09:26

De João Leno Lima

Continue

COLIDIR

0
09:03

De: Júlio Siqueira

No absurdo momento deparo-me com a

verdade, sou um átomo.

Choca-me as dúvidas como punhais,

sangro no chão mais disfarço,

so há um caminho, um túnel que me levará a

ponte entre a vertigem e a lagrima.

Mas no absurdo momento, disparo-me

acidentalmente perto de uma criança

e diluo-me, e deixo apenas rastros pelas teclas dos

computadores, e deixo apenas vestígios pelos arredores das

esquinas, me esquivo de cada sombra,

percebo nos retrovisores, invulneráveis

deformações da manhã,

no absurdo momento,

adormeço num esconderijo entre a janela dos

onibus mágico e os movimentos bailarinos

dos gestos indefesos ao sentido das coisas.

sou um átomo vulnerável ao meu próprio

sentir.

.

 

Poemas para o livro

Onírico Percurso por dentro do Movimento” de Júlio Siqueira

Continue

BREVIEDADE

0
12:57

De: Júlio Siqueira

 

 

 Na respiração de todas as incertezas há um acúmulo ofegante de medo serpenteando cobrindo como um nevoeiro os pensamentos que passeiam nas orlas do meio dia.

Nenhum salmo afaga nesse momento nenhuma lança também transcreve o sague no chão febril da tarde.

O que sinto é uma imensidão capaz de dá voltas e voltas no mundo - aquecendo suas mais vulneráveis impaciências.

Ah meus amigos,

a plantação que nasce nos hemisférios

exteriores e dá vida aos campos

brota em mim mil quilômetros ao longe,

estendo os braços e toco dá cidade às verdes razões da natureza.

mas assim, como num truque da inconsciência, de Jung à ortodoxos pensamentos arbitrários, mesmo na incerteza, respiro através de uma fissura atômica aberta sem data, onde despejo minúsculos pergaminhamentos imateriais em forma de claves que só serão ouvidas pelos cometas em tempos em tempos.

 

POEMAS PARA O LIVRO

“ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO” de Júlio Siqueira

Continue

21 MIL SENTIDOS

0
12:16

De: Júlio Siqueira

E então, que quereis?...

 

Se sou redemoinho és estático e sem ar,

se sou água és deserto,

se sou nuvem és céu azul cinza,

se sou poeta és a página vazia...

E então, que quereis?...

se atravesso os descampados, foges pelo mar,

se corro nas rodovias ensurdecedores, vais de bicicletas pelas trilhas imperfeitas,

se mergulho em Grutas oníricas, sentas sobre a rocha na ponta das montanhas íntimas...

E então, que quereis?...

se morro, renasce,

se sobrevivo estais prestar a desfalecer,

se assola-me a febre, em ti abraça-te o calor do sol das manhãs,

se naufrago, te atolas,

E então, que quereis?...

 

Se dialogo, gritas

se grito silencia com passos distantes,

se distancio torna-te frio,

se esfrio, afunda no esquecimento,

se permaneço quem eu sou, nao mudas,

se por alguns instantes convergimos

foi como linhas se cruzando

antes de se tornarem imaginárias

na memória volúvel do tempo.

 

POEMAS PARA O LIVRO

“ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO” de Júlio Siqueira

Continue

Tímida pressa

0
12:00

de: Júlio Siqueira

Abrindo a porta nessa manhã,Uma habitável incerteza num delírio desavisado. Tomou-me nos braços e gritou paredes de palavras que machucaram na pele o meu presente.

Seu peso era feito de toneladas de disfarças íntimos soterrando como um golpe certeiro no rosto; as porventura, razões contínuas.

Meus sentidos, todos inquietos, dialogaram numa conferencia eletrizante à margem da minha lucidez que se distraia com as crianças alvejadas pela cólera cochichando na contramão do cotidiano onde carros e trens se chocavam na minha intimidade.

Observei o manhã, sem lupas, mas oque espero do dia é apenas uma carta sublime vindas das profundezas do vento roçando aquilo que eu quisera que fosse verdade...

Essa, a verdade, uma caixinha de música, no lugar invisível do destino.

POEMAS PARA O LIVRO “ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO”

Continue

Esculpir o Tempo (PDF) – Andrei Tarkovski

1
10:35

 

Download

 

Mais do que um estudo sobre o cinema, ou uma autobiografia cinematográfica, Esculpir o tempo do mestre Tarkovsky é um estudo sobre a significância da arte.

O cultuado e absurdamente desconhecido Diretor, filho do Poeta Arseni tarkovaki, foi um verdadeiro poeta das imagens e dos símbolos. Avesso as grandes montagens (base do cinema atual) seus filmes esculpiam o tempo, moldando a realidade presente dentro da película e se tornando assim atemporal na poética.

Esculpir O tempo faz uma análise sobre os valores, conceitos do cinema e da arte, procurando expor uma espiritualidade que torna a comunhão com a obra (dele ou de qualquer artista) fundamental. O livro é um passeio e uma aula de um sábio, de um mestre que reinventou o cinema para além da tela.

TARKOVSKI, Andrei. Esculpir o Tempo. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1998. 314 págs

Continue

Livro (PDF) – DIALOGO IMPOSSIVEL de João Leno Lima

0
12:29

2

Download

 

TODOS OS POEMAS ESCRITOS POR JOÃO LENO LIMA ENTRE 2005 E 2007.

Continue

RIZOMA - INTERVENÇÕES

0
11:05

 

Reunião de textos traduzidos e escritos por Ricardo Rosas na sessão “Intervenções” do clássico e já desativado site, um dos mais completos e undergrounds da rede. 

 

Download

Continue

Livreto-Zine – ZOOM NAS VÍSCERAS de João Leno Lima (versão em PDF)

0
10:50

imagemmm_thumb[5]

Download

 

 

Poemas:

.Vazio Atravessando a Rua
.A Marcha Sentimental
.Fugitiva Constelação
.Nuvens Internas
.Trombetas
.A Procissão dos Mil sentidos
.A Infinita Asa do Infinito
.Entre os Raios da Eternidade
.Sail to the Moon
.Desacordo
.A Persistência do Impossível
.Oculto espaço em Branco

.Exaltação de um percurso Íntimo
.A Natureza Intima absoluta
.Quando o instante é uma pequena eternidade
.A Lei Poética

Todos de João Leno Lima

 

Obrigado a todos que baixarem ou lerem esses versos*

Continue

GRUPO FLUXUS: VIDA ARTE VIDEOARTE (1962-1973)

0
11:57
 

Performance de Yoko Ono, Cut a Piece
Foi um movimento artístico organizado primeiramente em 1961 pelo lituano George Maciunas, através da Revista Fluxus que tinha como objetivo publicar textos dos artistas da vanguarda de várias nacionalidades que colaboravam entre si. Fluxus incorporou diferentes tipos de arte, como performances, vídeos e música.
Participaram do movimento, entre outros artistas, George Brecht, John Cage, Jackson Mac Low e Toshi Ichijanagi, Joseph Beuys, Dick Higgins, Gustav Metzger, Nam June Paik, Wolf Vostell e Yoko Ono.
O grupo Fluxus desenvolveu uma atuação social e política radical que contestava o sistema museológico. Assim, teve um profundo impacto nas artes das décadas de 60 e 70 a partir de sua
postura radical e subversiva, trabalhava com o efêmero, misturando arte e cotidiano, visando destruir convenções e valorizar a criação coletiva.


O estilo dos artistas e da teoria do Fluxus foi muito comparado a estética do Dadaísmo e da Pop art. A partir da década de 90, a comunidade Fluxus começou a se reorganizar através da internet e comunidades on-line em todo mundo trocando experiências reais de poesias visuais, performances culturais, música e vídeo. A unidade entre arte e vida é a ideia principal do grupo Fluxus.


"Fluxus não foi um momento na história ou um movimento artístico. É um modo de fazer coisas (...), uma forma de viver e morrer". Com essas palavras D. Higgins define o movimento, enfatizando o seu principal traço. Menos que um estilo, um conjunto de procedimentos, um grupo específico ou uma coleção de objetos, Fluxus traduz uma atitude diante do mundo, do fazer artístico e da cultura que se manifesta nas mais diversas formas de arte: música, dança, teatro, artes visuais, poesia, vídeo, fotografia etc. Seu nascimento oficial está ligado ao Festival Internacional de Música Nova, em Wiesbaden, Alemanha, 1962, e a George Maciunas (1931-1978), artista lituano radicado nos Estados Unidos, que batiza o movimento com uma palavra de origem latina, que significa fluxo, movimento, escoamento.

O termo, originalmente criado para dar título a uma publicação de arte de vanguarda, passa a caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa, entre 1961 e 1963. São elas que estão na raiz de festivais - os Festum Fluxorum - realizados em Copenhague, Paris, Düsseldorf, Amsterdã e Nice. De feitio internacional, interdisciplinar e plural do ponto de vista das artes, Fluxus mobiliza artistas na França - Ben Vautier (1935) e R. Filiou; Estados Unidos - D. Higgins, Robert Watts (1923-1988), George Brecht (1926), Yoko Ono (1933); Japão - Shigeko Kubota (1937), Takato Saito; países nórdicos - E. Andersen, Per Kirkeby (1938) - e Alemanha - Wolf Vostell (1932-1998), Joseph Beuys (1912-1986), N. June Paik. As músicas de John Cage e Nam June Paik, comprometidas com a exploração de sons e ruídos tirados do cotidiano, têm lugar central na definição da atitude artística de Fluxus.

Trata-se de romper as barreiras entre arte/não-arte, dirigindo a criação artística às coisas do mundo, seja à natureza, seja à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. Além da música experimental, as principais fontes do movimento podem ser encontradas num certo espírito anárquico de contestação que caracterizou o dadaísmo, nos ready-mades de Marcel Duchamp (1887-1968), e em sua crítica à institucionalização da arte, e na action paiting de Jackson Pollock (1912-1956), com sua ênfase no processo de criação ancorado no gesto e na ação.

As performances e happenings, amplamente realizados pelos artistas ligados ao Fluxus, remetem ainda a uma vigorosa tendência da arte norte-americana de finais dos anos 50, por exemplo, aos trabalhos de Robert Rauschenberg (1925 - 2008) ligados ao teatro e à dança, às esculturas junk de D. Smith e Richard Peter Stankiewicz (1922-1983), feitas a partir da combinação de refugos e materiais descartáveis e aos eventos de Allan Kaprow (1927), aluno de Cage em cursos em que o compositor combinava idéias de Duchamp e Artaud, com a filosofia zen-budista.

As realizações Fluxus justapõem não apenas objetos mas também sons, movimentos e luzes num apelo simultâneo aos diversos sentidos: visão, olfato, audição, tato. Nelas, o espectador é convocado a participar dos espetáculos experimentais, em geral, descontínuos, sem foco definido, não-verbais e sem seqüência previamente estabelecida. Já em 1957, John Cage definia a direção das novas produções artísticas: "Para onde vamos a partir de agora? Em direção ao teatro. Essa arte, mais que a música, liga-se à natureza. Temos olhos, assim como ouvidos, e é nossa tarefa utilizá-los".


As performances conhecem inflexões distintas, podendo adquirir tom minimalista ou acento mais teatral e provocador. Aquelas concebidas por Joseph Beuys na Alemanha se particularizam pelas conexões que estabelecem com um universo mitológico, mágico e espiritual. Nelas chamam a atenção o uso freqüente de animais - por exemplo, as lebres em The Chief - Fluxus Chant, Copenhague, 1963 -, a ênfase nas ações que conferem sentidos aos objetos e o uso de sons e ruídos de todos os tipos, num apelo às experiências anteriores à linguagem articulada e ao reino dos instintos, que os animais representam.


No Brasil, alguns críticos apontam parentescos entre o Grupo Rex, criado em São Paulo por Wesley Duke Lee (1931), Nelson Leirner (1932), Geraldo de Barros (1923-1998), Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945) e Frederico Nasser (1945), com o movimento Fluxus. Integrantes do Fluxus estiveram presentes na 17ª Bienal Internacional de São Paulo (1983) que teve uma ala dedicada à exposição de obras e documentos do grupo.

As propostas do grupo eram politizadas e de cunho libertário, se aproximando muito dos ideais primeiro sugeridos pelo Dadaísmo e o Construtivismo russo. Ela a partir de então se une ao grupo.
Em 1964, Yoko Ono lança o livro Grapefruit, uma compilação de "instruções de obra de arte" (entre elas Hide & Go Seek: "Se esconda até que todos se esqueçam de você. Se esconda até que todos morram.") e começa uma longa série de happenings.

 

 

MATERIA ENCONTRADA EM> lINK

Continue

Bradley Manning, a fonte do WikiLeaks, preso político torturado nas masmorras de Obama

0
13:45

 

O jovem ex-soldado do exército dos Estados Unidos, Bradley Manning, está preso na Base dos Fuzileiros Navais em Quântico, Virgínia, desde julho de 2010, sob a acusação pelo governo ianque de “conluio com o inimigo”. O Departamento de Estado americano o acusa de “vazar” documentos secretos do Exército para o WikiLeaks e divulgar na internet vídeo no qual militares estadunidenses metralharam e assassinaram a sangue frio dezenas de civis iraquianos desarmados. As condições carcerárias às quais está submetido Manning são as piores possíveis, além de serem totalmente ilegais. Não tem direito a habeas corpus, está em confinamento solitário num cubículo, é obrigado a ficar nu nos “interrogatórios”, impedido de dormir exposto a luzes intensas e vigiado 24 horas por câmeras de TV. Enquanto isso, Julian Assange... lança livros, prepara um filme produzido pelo hollywoodiano Steven Spielberg, abocanha quantias milionárias junto a ONGs e a grande mídia burguesa.

A prisão imediata de Bradley Manning é uma ilegalidade até mesmo do ponto de vista da Constituição americana em sua 6ª Emenda (todo acusado em qualquer processo criminal tem direito a julgamento rápido e público). Mas a situação é a tal ponto esdrúxula que a prisão foi justificada pelo porta-voz militar de Quântico, Coronel Thomas V. Johnson, em declaração ao Washington Post (15/3), da seguinte forma: “Manning foi colocado em custódia máxima porque sua fuga pode representar um risco para a vida, a propriedade ou à segurança nacional”. Para o Pentágono, este jovem franzino acometido por depressão e sem qualquer antecedente criminal, é um elemento de “alta periculosidade” que desafia o regime político ianque. Assim, o único “julgamento” a que Manning vai ser submetido é aquele que já o condenou a priori e, muito provavelmente, baterá o martelo pela prisão perpétua, não descartando-se a possibilidade da pena de morte devido à acusação de “alta traição”.

Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, é apresentado pela grande imprensa e por setores da “esquerda” como o responsável por colocar em xeque o establishment mundial a partir das revelações dos dados vazados por Manning. Seria ele um perigoso revolucionário como difunde a mídia venal mundo afora ou um militante das causas sociais como assevera a esquerda revisionista? Não. Muito longe disso!

O jovem soldado Bradley Manning foi o verdadeiro responsável por dar visibilidade mundial ao WikiLeaks. Captou os dados da “Net Centric Diplomacy”, um imenso arquivo que contém toda a corrupção e patifarias ianques provenientes da “diplomacia secreta” de todas as nações do planeta enquanto prestava serviço militar no Iraque. Na prática, é um centro ativo de espionagem intimamente vinculado a CIA. Manning forneceu a Julian Assange 250 mil telegramas secretos retirados destes arquivos, além do vídeo “Colateral” em que mostra o massacre de civis metralhados por um helicóptero americano em Bagdá em 2007. Em um dos diálogos dos soldados no vídeo aparece a ordem que muito bem expressa os “valores” do imperialismo ianque: “Light'em all up. Shoot” (“Acendam eles todos. Atirem” [nos civis]). Em consequência desta macabra descoberta, todos os “louros” da divulgação ficaram com Assange. A Manning restou o sofrimento da prisão e as feridas da tortura.

Assange, outrora um ilustre desconhecido, atuava no meio hacker sob a alcunha de “Mandrax” (o mentiroso). Define-se a si mesmo como um jornalista disposto a “democratizar as informações” e de modo algum enfrentar-se abertamente contra a democracia burguesa porque é parte integrante dela, na condição de liberal. Eis o supra-sumo de seu pensamento: “Ela [a web] não é uma tecnologia que favoreça a liberdade de expressão. Não é uma tecnologia que favoreça os direitos humanos. Não é uma tecnologia que favoreça a vida civil. É mais uma tecnologia que pode ser usada para estabelecer um regime totalitário de espionagem, de contornos nunca vistos. Ou, por outro lado, se tomada por nós, se tomada por ativistas e por todos aqueles que querem uma trajetória diferente para o mundo tecnológico, pode ser algo que todos esperamos”. A seu “dispor”, Assange tem um incomensurável banco de dados acumulados em nível mundial resultante da tecnologia da internet.

Hoje, com a fama adquirida, apesar das perseguições políticas, trata de colocar números em sua calculadora para planejar como será seu faturamento das parcerias com o The Guardian, El Pais, New York Times, Le Monde, Der Spiegel, ONGs e direitos sobre livros e filmes a respeito do WikiLeaks. Neste sentido, ninguém menos que Steven Spielberg já comprou os direitos do livro “WikiLeaks: Inside Julian Assange’s War on Secrecy” (Wikileaks: Por dentro da guerra de Julian Assange contra o serviço secreto), dos jornalistas David Leigh e Luke Harding, do jornal britânico “The Guardian”, para produzir um filme sobre a vida de Assange.

A tarefa da derrubada da diplomacia secreta e do modo de produção capitalista, portanto, só pode ser levada a cabo pela ação revolucionária do proletariado no enfrentamento direto com a ditadura dos bancos e megaempresas monopolistas transnacionais, as quais mantêm no limbo diplomático os chamados segredos comercias e militares. Julian Assange, nada tem a ver com os interesses do proletariado mundial, haja vista que defende a manutenção do status quo do sistema capitalista, de seu regime da propriedade privada e do monopólio dos meios de comunicação. Precisamente por isso, Assange entrega os documentos secretos à grande imprensa pró-imperialista, aos mais raivosos defensores dos grandes monopólios econômicos e dos interesses imperialistas dos EUA e Europa. Assange não é um ativista anti-imperialista como entusiasticamente proclamam setores da esquerda, os mesmos que relegam ao esquecimento o próprio Bradley Manning! Exigimos a liberdade imediata para Bradley Manning e não reconhecemos nenhuma autoridade moral no imperialismo e de nenhum Estado capitalista para encarcerar e perseguir o ex-soldado. Ao mesmo tempo nos opomos a toda sanha neomacarthista voltada a calar o WikiLeaks, sem nutrir a menor confiança política neste Portal de informações e muito menos no seu pérfido fundador, que abandonou Manning a própria sorte!

[07/04/2011; 18h20min]

 

MATÉRIA ORIGINAL EM > lbiqi

Continue

Bradley Manning e os "valores estadunidenses"

0
13:29

.
Há poucos dias o mundo assistiu a um discurso do Presidente Barack Obama onde este evocava a defesa dos "valores estadunidenses" para justificar a intervenção imperialista na Líbia. [1]
Tais valores seriam os direitos humanos, as liberdades individuais e a democracia; itens os quais os Estados Unidos, nas palavras dos seus sucessivos dirigentes, seriam os campeões da defesa e da prática.


O que Obama supostamente defende e cobra no plano externo - já que é preciso lembrar que os Estados Unidos são amigos de muitos regimes que não praticam tais valores - não se verifica muito no plano interno. Pelo menos é o que atesta explicitamente o caso do jovem soldado de 23 anos, Bradley Manning.
Manning está preso desde julho de 2010 sob a acusação de "conluio com o inimigo". [2]


Qual conluio? Ele é suspeito de vazar documentos para o Wikileaks onde constam crimes de guerra e embaraços comprometedores da diplomacia internacional. Ele teria sido também o responsável por divulgar um vídeo onde soldados estadunidenses assassinaram civis iraquianos desarmados - crianças inclusive!
Mas se estas são as acusações que pesam sob os ombros de Manning quem seria o inimigo com o qual ele estaria em conluio? Tal inimigo seria o direito de acesso a informação? Seria a verdade dos fatos que o regime, "modelo a ser seguido", quer esconder?
Fosse Bradley Manning soldado de um regime inimigo dos Estados Unidos certamente assistiríamos a discursos inflamados de Obama e Hillary Clinton em defesa deste que seria um "herói dos direitos humanos" que teria tido a "coragem de denunciar os excessos de um regime bárbaro que havia praticado crimes contra a humanidade" e estariam em campanha internacional por um "Nobel da Paz" ao jovem.
Mas como não

é o caso, assistimos a P.J. Crowley, porta-voz de Hillary Clinton, ser forçado a pedir demissão após criticar a tortura a qual havia sido submetido o jovem soldado na prisão. Crowley não criticou a prisão, pois a defende, mas os excessos. Ele se deu conta, minimamente, da contradição constrangedora do discurso do império com a sua prática:


"Meus comentários tiveram a intenção de chamar atenção para o impacto maior e estratégico de ações das agências de segurança nacional em nossa liderança global"
(...)
"O exercício do poder no ambiente atual de desafios e de uma mídia persistente deve ser prudente e coerente com nossas leis e valores."
[3]


Obama, que durante a campanha eleitoral chegou a dar declarações de repúdio aos tratamentos dados a prisioneiros sob responsabilidade dos Estados Unidos e prometeu providências, considerou "apropriado" o tratamento dado a Manning na prisão.
"Eu perguntei ao Pentágono se os procedimentos de confinamento (de Manning) são apropriados ou não e se estão de acordo com as novas normas básicas. Eles me asseguraram que estão". [4]
A organização estadunidense Aclu, que defende os direitos civis, revelou quais são as condições "apropriadas" do prisioneiro, em carta enviada ao Secretário da Defesa, Robert Gates:
"Escrevemos ao senhor para expressar nossa grande preocupação com as condições desumanas em que está detido o soldado Bradley Manning na prisão militar de Quantico"
(...)
"A Suprema Corte estabeleceu que o governo viola a VIII emenda da Constituição proibindo castigos cruéis e não habituais quando ''inflige um sofrimento arbitrário e sem motivo''
(...)
"Nenhuma razão legítima justifica deixar Bradley Manning (...) em isolamento sem qualquer atividade, privado de sono, com as inspeções multiplicadas durante a noite, sem a possibilidade de se exercitar, mesmo em sua cela, e sem seus óculos para que não possa ler"
(...)
O Pentágono "não tem mais motivo legítimo para exigir que o soldado Manning que fique totalmente nu, de pernas afastadas, com as genitais expostas diante dos guardas e agentes presentes" (...) "O real objetivo de um tratamento como esse é humilhar e traumatizar"
. [5]


Manning encontra-se em tal situação sem que tenha sido sequer condenado. Se for, pode pegar prisão perpétua. Mas houve até quem, na "terra da liberdade", chegou a defender a aplicação da pena capital - a qual de fato ele corria o risco de ser sentenciado.
O jovem soldado não é o único a ter os supostos "valores estadunidenses" violados. Recentemente 35 pessoas foram presas na Virgínia por fazer um ato em solidariedade a ele, evento que reuniu 400 pessoas. Entre os presos estavam Daniel Ellsberg, que vazou os "Papeis do Pentágono" durante a guerra do Vietnã, e Ann Wright, Coronel que se opôs a invasão do Iraque. [6]


O país que mantém um preso político, encarcerado sem condenação e torturado, reprime a liberdade de opinião e expressão; busca convencer o mundo de que está invadindo países para exportar seus "nobres" valores. Acredita quem quer e apóia quem se beneficia!

 

 

MATÉRIA ORIGINAL EM > Monblog

Continue

Os super-ricos do mundo

0
08:18

Os multimilionários prosperam e as desigualdades aprofundam-se quando as economias "recuperam"

por James Petras

As operações de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milionários passaram a multimilionários e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relatório anual da revista de negócios Forbes, há 1210 indivíduos – e em muitos casos clãs familiares – com um valor líquido de mil milhões de dólares (ou mais). O seu valor líquido total é de 4,5 milhões de milhões de dólares, maior do que o valor total de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. A actual concentração de riqueza ultrapassa qualquer período anterior da história; desde o Rei Midas, os Marajás, e os Barões Ladrões [1] até aos magnates de Silicon Valley [2] e Wall Street na actual década.


Uma análise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribuição na economia mundial e os métodos de acumulação esclarece diversas diferenças importantes com profundas consequências políticas. Vamos identificar essas características especiais dos super-ricos, a começar pelos Estados Unidos e faremos depois uma análise ao resto do mundo.


Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos
Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da actividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de acções. Esta é a percentagem mais alta de qualquer dos principais países na Europa ou na Ásia (com a excepção da Inglaterra). A enorme concentração de riqueza nas mãos desta pequena classe dirigente parasita é uma das razões por que os EUA têm as piores desigualdades de qualquer economia avançada e se situa entre as piores em todo o mundo.

Os especuladores não empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de operações de salvamento e depois pressionam cortes no orçamento social, dado que não precisam de uma força de trabalho saudável e instruída (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da população mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises económicas, que inicialmente reduziram a riqueza total do país, fizeram-no de modo desigual – atingindo de modo mais grave a maioria dos operários e empregados. A operação de salvamento Bush-Obama levou à recuperação económica, não da "economia em geral", mas restringiu-se a reforçar ainda mais a riqueza dos multimilionários – o que explica porque é que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque é que a dívida fiscal e o défice comercial aumentam e o estado baixa os impostos às grandes empresas e reduz os orçamentos municipais, estatais e federais. O sector "dinâmico" formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, não exporta produtos, paga impostos mais baixos e impõem maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos.

No caso dos multimilionários dos EUA, a sua riqueza é fortemente acrescida através da pilhagem do erário público e da economia produtiva e através da especulação no sector das tecnologias de informação que alberga um quinto dos multimilionários do topo.
BRIC: Os novos multimilionários: A explorar o trabalho da natureza


Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. Segundo os últimos dados no Forbes (Março de 2011), o número de multimilionários no BRIC aumentou mais de 56% de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa.


O forte crescimento do BRIC levou à concentração e centralização de capital, em todos os casos promovidos pelas políticas de estado que proporcionam empréstimos a juros baixos, subsídios, incentivos fiscais, exploração ilimitada de recursos naturais e mão-de-obra, expropriação dos pequenos proprietários e privatização de empresas públicas.


O crescimento dinâmico de multimilionários no BRIC levou às desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos países do BRIC, a China lidera o caminho com o maior número de multimilionários (115) e as piores desigualdades em toda a Ásia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o país mais igualitário do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que provém da exploração da força de trabalho no sector da manufactura, da especulação no imobiliário e da construção e comércio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequência da super-exploração da mão-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasitário nos EUA.


Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China está a fazer incursões significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobiliário. Em consequência da luta da classe trabalhadora, os salários têm vindo a aumentar entre 10% a 20% nos últimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das famílias urbanas contra as expropriações feitas pelos especuladores imobiliários e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano.


A riqueza dos multimilionários russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos públicos (petróleo, gás, alumínio, ferro, aço, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilionários russos depende da exportação de bens, da pilhagem e da devastação do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamentação. O contraste entre as condições de vida e de trabalho entre os multimilionários virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa é sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordinários, incluindo propriedades de muitos milhões de dólares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilionários da Rússia parecem-se com os 'senhorios' parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo Pérsico.


Os multimilionários da Índia são uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza através da exploração dos trabalhadores industriais de salários baixos, das populações de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobiliário, tecnologia informática e software. Os multimilionários da Índia acumularam a sua riqueza através das suas ligações familiares com os escalões mais altos, muito corruptos, da classe política, assegurando monopólios através de contratos com o estado. O forte crescimento da Índia na última década (7% em média) e a explosão de multimilionários de 55 para 2011, estão ambos ligados às políticas neo-liberais de desregulamentação, privatização e globalização, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milhões.


A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direcção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufacturas. Apesar das afirmações dos líderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de salário mínimo (380 dólares por mês em Março de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da América Latina. Uma análise da origem da riqueza entre os multimilionários brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finanças, imobiliário e seguros (FIRE) e só um deles (3%) no sector de capital ou manufactura intermédia.

A explosão do Brasil em crescimento económico e em multimilionários encaixa no perfil de uma 'economia colonial': com grande peso no consumo excessivo, na exportação de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove políticas neoliberais. No decurso da última década, apesar do teatro político populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores "centro-esquerda", o principal resultado sócio-económico foi o crescimento duma classe de multimilionários "super-ricos" concentrados na banca com poderosas ligações aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os têxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e intermédios.


Os países BRIC estão a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as potências imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas também estão a produzir desigualdades e concentrações monstruosas de riqueza. As consequências sócio-económicas já se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na Índia, onde a exploração intensiva e a expropriação provocaram a acção das massas. A elite política chinesa parece estar mais consciente da ameaça política colocada pela concentração crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de salários e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a 'memória histórica' da 'revolução cultural' e a herança maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite política para os perigos políticos resultantes dos "excessos capitalistas" associados aos altos níveis de exploração e ao rápido crescimento duma classe de clãs politicamente relacionados, baseados em multimilionários.


Médio Oriente


Na última década, o país mais dinâmico no Médio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democrático liberal de inspiração islâmica, a Turquia tem liderado a região no crescimento do PIB e na produção de multimilionários. O desempenho económico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes pós ditatoriais no mundo árabe – de 'alto crescimento', uma economia diversificada baseada na crescente concentração de riqueza.

A Turquia tem mais 35% de multimilionários (37) do que os estados do Golfo e do Norte de África em conjunto (24). O 'segredo' do crescimento turco é as altas taxas de investimento em diversas indústrias e a exploração intensiva da força de trabalho. Muitos multimilionários turcos (14) obtêm a sua riqueza através de 'conglomerados', investimentos em diversos sectores de manufactura, finança e construção. Para além dos multimilionários de 'conglomerados', há 'multimilionários especialistas' que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da construção e do processamento de alimentos. Uma das razões de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no Médio Oriente é porque os seus capitalistas estão ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo árabe. Com excepção do sistema político americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o público na Europa e na Ásia encararam favoravelmente a oposição da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e à violação da lei internacional em águas marítimas. Se um moderno regime islâmico liberal pode crescer rapidamente através da rápida expansão duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no rápido crescimento duma classe de multimilionários altamente diferenciada.


Israel, com 16 multimilionários é um país em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na região – com o mais alto número de multimilionários per capita do mundo… Os "sectores de crescimento" de Israel, software, indústrias militares, finança, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, são liderados por multimilionários e multi-multimilionários que beneficiaram das dádivas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos países da ex-URSS e da transferência de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e também de empreendimentos conjuntos com multimilionários judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de "segurança".


A alta percentagem de multimilionários em Israel, numa época de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirmação de ser uma 'social-democracia' no meio dos 'xeicados'. A propósito, Israel tem o dobro de multimilionários (16) da Arábia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os países do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilionários per capita do que qualquer outro país não impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milhões de dólares na década passada. Contrariamente ao passado, a actual concentração de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira… as doações a Israel são uma questão política: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilionários de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso não vai acontecer apenas porque o poder sionista na América impõe que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo.


Conclusão


As "crises económicas" de 2008-2009 infligiram apenas perdas temporárias a alguns multimilionários (EUA-UE) e a outros não (asiáticos). Graças às operações de salvamento de milhões de milhões de dólares/euros/ienes, a classe multimilionária recuperou e alargou-se, apesar de os salários nos EUA e na Europa terem estagnado e os 'padrões de vida' terem sido atingidos por cortes maciços na saúde, na educação, no emprego e nos serviços públicos.
O que é chocante quanto à recuperação, crescimento e expansão dos multimilionários mundiais é como a sua acumulação de riqueza depende e está baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas políticas neoliberais que levaram à apropriação a preços de saldos de empresas públicas privatizadas; como a desregulamentação estatal permite a pilhagem do ambiente para a extracção de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expansão da actividade especulativa no imobiliário, na finança e nos fundos de pensões, enquanto encorajava o crescimento de monopólios, oligopólios e conglomerados que captaram "super lucros" – taxas acima do "nível histórico". Os multimilionários no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Japão) foram os principais beneficiários das reduções fiscais e da eliminação de programas sociais e de direitos laborais.


O que é perfeitamente claro é que é o estado, e não o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentração e centralização de riqueza na história mundial, quer facilitando a pilhagem do erário publico e do ambiente, quer aumentando a exploração da força de trabalho, directa e indirectamente.


As variantes nos caminhos para o estatuto de 'multimilionário' são chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC – com excepção da Rússia – predominam diversos sectores que incorporam multimilionários da manufactura, do software, da finança e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso económico entre os multimilionários e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobiliários e as famílias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, forçando a aumentos significativos de salários (mais de 20% nos últimos três anos) e à exigência de maiores gastos públicos na educação, saúde e habitação. Nada de comparável está a acontecer nos EUA, na UE ou noutros países do BRIC.


As origens da riqueza dos multimilionários são, quando muito, devidas apenas em parte a 'inovações empresariais'. A sua riqueza pode ter começado, numa fase inicial, a partir da produção de bens ou serviços úteis; mas, à medida que as economias capitalistas 'amadurecem' e se viram para a finança, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo políticas neoliberais, o perfil económico da classe multimilionários muda para o modelo parasita dos centros imperialistas instituídos.


Os multimilionários nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilionários do petróleo do Médio Oriente que são rentistas que vivem das 'rendas' da exploração do petróleo, do gás e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os países BRIC, só a oligarquia multimilionária russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilionários chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das políticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a retórica de 'paladinos nacionais', que promovem os seus próprios 'interesses' em nome duma 'economia emergente de sucesso'. Mas mantêm-se as questões básicas de classe: "crescimento para quem? e a quem é que beneficia?" Até agora, o registo histórico mostra que o crescimento de multimilionários tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilionários, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na Rússia e nos estados do Golfo, ou exploradores da força de trabalho como nos países BRIC.

 
Post Scriptum


A revolta árabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os 'clãs capitalistas de rentistas. A intervenção ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e políticas da "oposição" é um esforço para substituir uma classe governante capitalista 'neoliberal'. Essa "nova classe" será baseada na exploração da mão-de-obra e na expropriação dos actuais possuidores dos recursos clã-família-amigos. As principais empresas serão transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras são as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na Índia, que se opõem à exploração e à expropriação de rentistas e capitalistas.

NT
[1] Barão ladrão – termo pejorativo usado para um poderoso homem de negócios e banqueiro americano do século XIX.
[2] Sillicon Valley – situa-se a Sul da área da baía de S. Francisco, na Califórnia. Esta região alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electrónica do mundo.


O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23907 .


Tradução de Margarida Ferreira.

Continue

ARTE É FATO – TERCEIRA EDIÇÃO

0
12:09

pele_05

Capa/Mutarelli

 

ARTE É FATO – TERCEIRA EDIÇÃO

Edição: João Leno Lima e Leila Leile.

Link download

PDF

Continue

Nova operação colonial contra a Líbia

0
00:17

 

por Domenico Losurdo [*]

Não satisfeitos com o bloqueio solitário de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando o expansionismo de Israel na Palestina ocupada, os Estados Unidos vêm hoje se apresentar novamente como os intérpretes e campeões da "comunidade internacional". Convocaram o Conselho de Segurança, e não foi para condenar a intervenção das tropas sauditas em Bahrein, mas sim para exigir e finalmente impor o lançamento da "no-fly zone" e outras medidas guerreiras contra a Líbia.


Algumas medidas agressivas já eram tomadas unilateralmente por Washington e por alguns de seus aliados, como a aproximação da frota militar americana das costas da Líbia e o apelo ao instrumento clássico da política do canhão. Mas Obama não parou por aí: nestes últimos dias vinha intimando Kadafi de modo ameaçador a abandonar o poder e pressionava o exército líbio a dar um golpe de Estado.


Mais grave ainda, desde há algum tempo os agentes estadunidenses, juntos com os da França e Grã-Bretanha, vinham deixando os funcionários líbios diante de um dilema: ou passar para o lado dos rebeldes ou serem processados perante o Tribunal Penal Internacional e passarem os restos das suas vidas encarcerados por "crimes contra a humanidade".


A fim de dar cobertura à retomada das práticas colonialistas mais infames, o gigantesco aparelho midiático de manipulação e desinformação lançou sua campanha e, entretanto, basta ler com atenção a própria imprensa burguesa para perceber o engodo. Por exemplo, diz-se há dias que a aviação de Kadafi bombardeia a população civil. Mas em 1° de março o jornal La Stampa escreve, pag. 6, e pela pena de Guido Ruotolo: "É verdade, provavelmente não houve bombardeio".


Mudou radicalmente a situação nos dias seguintes? Dia 16 de março, Lorenzo Cremonesi escreve de Tobruk no Corriere della Sera: "Como já aconteceu nas outras localidades onde interveio a aviação, o que houve foram apenas raids de advertência". "Eles queriam assustar; muito barulho por nada", disse-nos pelo telefone um dos porta-vozes do governo provisório. São, portanto, os próprios rebeldes que desmentem os 'massacres' invocados para justificar a intervenção 'humanitária'.


A propósito dos rebeldes. Eles são celebrados dia após dia como os campeões da democracia em toda a sua pureza, eis porém a forma como foi relatada por Lorenzo Cremonesi, no Corriere della Sera de 12 de março, sua retirada frente à contra-ofensiva do exército líbio: "Na confusão geral, acontecem também atos de pilhagem. O mais notório é o do hotel El Fadeel, de onde levaram televisores, colchões, cobertores, transformaram as cozinhas em lixeiras e os corredores em acampamentos imundos". Não parece ser o comportamento de um exército de liberação, e o mínimo que se pode dizer é que a visão maniqueísta do conflito na Líbia não tem o menor fundamento.


Há mais. A cada dia denunciam as "atrocidades" da repressão na Líbia. Mas, falando de Bahrein, conta Nicholas D. Kristoff no International Herald Tribune: "No curso destas ultimas semanas, vi cadáveres de manifestantes, quase todos executados de perto por armas de fogo, vi uma moça retorcendo-se de dor após ter sido espancada, vi o pessoal das ambulâncias ser golpeado por tentar salvar manifestantes".


Um vídeo de Bahrein mostra o que parecem ser forças de segurança atingir com uma bomba lacrimogênea um homem de meia-idade e desarmado, a poucos metros delas. O homem cai no chão e tenta levantar-se. Atiram então nele, na cabeça, outra bomba. Caso não seja suficiente, vale lembrar que "nestes últimos dias, as coisas vão de mal a pior". Antes mesmo da repressão, é na vida quotidiana que a violência se expressa; a maioria xiita é submetida a um regime de "apartheid".


Para reforçar o aparelho de repressão, agem os "mercenários estrangeiros" com tanques de assalto, armas e gás lacrimogêneo estadunidenses. O papel dos Estados Unidos é decisivo, como o explica o jornalista do International Herald Tribune, ao contar um episódio por si esclarecedor: "Umas semanas atrás, um colega meu do New York Times, Michael Slackman, foi capturado pelas forças de segurança de Bahrein. Ele me contou que chegaram a apontar-lhe armas. Receoso de alguém atirar nele sem mais nem menos, ele pega seu passaporte e grita que é jornalista dos Estados Unidos. A partir dali, o humor do grupo muda de repente. O chefe chega perto dele, aperta a sua mão e muito animado, lhe diz "Não se preocupe. Nós gostamos dos Estados Unidos!".


De fato, a Quinta Frota dos Estados Unidos tem base em Bahrein. Inútil dizer que tem como dever defender ou impor a democracia: sempre que não seja em Bahrein ou mesmo no Iêmen, e sim… na Líbia ou em algum outro país que, por sua vez, entre na mira de Washington.


Por mais repugnante que seja a hipocrisia do imperialismo, não é uma razão suficiente para esconder as responsabilidades de Kadafi. Embora tenha, historicamente, o mérito de ter acabado com a dominação colonial e as bases militares que intimidavam seu país, ele não soube estabelecer uma camada dirigente bastante ampla. Além do mais, utilizou os lucros do petróleo para construir improváveis projetos "internacionalistas" sob a bandeira do "Livro Verde", em vez de desenvolver uma economia nacional, moderna e independente.

Perdeu-se assim uma oportunidade única de pôr fim à estrutura tribal da Líbia e ao antigo dualismo entre Tripolitânia e Cirenáica, e de contrapor uma sólida estrutura econômico-social diante das manobras renovadas e das pressões do imperialismo.
E temos não obstante, de um lado, um líder do Terceiro Mundo que, de forma rústica, confusa, contraditória e bizarra, segue uma linha de independência nacional, enquanto, de outro lado, em Washington, um dirigente expressa de forma elegante, educada e sofisticada as razões do neocolonialismo e do imperialismo.

Somente um surdo à causa da emancipação dos povos e da democracia nas relações internacionais, ou então quem se deixa conduzir antes pelo esteticismo que pelo raciocínio político, pode alinhar-se com Obama, Cameron e Sarkozy!
Aliás, será tão elegante assim este refinado Obama que, embora condecorado com o prêmio Nobel da Paz, não leva sequer por um instante em consideração a sábia proposição dos países sul-americanos, ou seja, o convite de Chávez e outros dirigido às duas partes em luta na Líbia para que se esforcem por chegar a uma solução pacífica do conflito, em benefício da salvação e da integridade territorial do país?


Imediatamente após a votação da ONU, e indo ainda além da proposição que mal acabava de ser votada, o presidente dos Estados Unidos lançava um ultimato a Kadafi, que teve a pretensão de ação em nome da "comunidade internacional". Desde sempre, a ideologia dominante revela o seu racismo ao identificar a humanidade com o Ocidente; agora, desta vez, são excluídos da "comunidade internacional" não apenas os dois países cuja população é a mais numerosa, mas também um país chave da União Européia. Quando se coloca como intérprete da dita "comunidade internacional", Obama demonstra uma arrogância racista ainda pior do que aqueles que, no passado, reduziram os seus ancestrais à escravidão.


Será tão elegante e refinado este Cameron que, para vencer em sua casa a oposição à guerra, repete até a obsessão que ela corresponde aos "interesses nacionais" da Grã-Bretanha, como se o apetite em relação ao petróleo não fosse já bastante claro?


E que dizer enfim de Sarkozy? Nos jornais, pode-se ler tranqüilamente que, mais do que no petróleo, ele pensa nas eleições: quantos líbios o presidente francês tem necessidade de matar para que sejam esquecidos os seus escândalos, suas gafes e tenha maior possibilidade de ser reeleito?


Os jornalistas e os intelectuais da corte gostam de pintar um Kadafi isolado, acuado por um povo unido. Porém, para quem acompanha atentamente os acontecimentos, é fácil perceber o grotesco dessa representação. O voto recente no Conselho de Segurança desmascarou outra manipulação: aquela que inventa a fábula sobre uma "comunidade internacional" unida na luta contra a barbárie. Na realidade, abstiveram-se e expressaram fortes reservas China, Rússia, Brasil, Índia e Alemanha!


Os dois primeiros países não foram além da abstenção e não usaram o seu poder de veto por uma série de motivos. Pois não é fácil sempre desafiar a superpotência solitária. Não se trata apenas disso e tanto China quanto Rússia conseguiram em troca que não se enviem tropas de terra (e de ocupação colonial); evitaram intervenções militares unilaterais de Washington e de seus aliados mais próximos, semelhantes às intervenções contra a Iugoslávia em 1999 e o Iraque em 2003; tentaram conter as manobras dos círculos mais agressivos do imperialismo, que gostariam de deslegitimar a ONU e substituí-la pela OTAN e a Aliança das Democracias; enfim, apareceu uma contradição no seio do imperialismo ocidental conduzido pelos EUA, como o mostra o voto da Alemanha.


Ao fazer referência a um país como a China, dirigida por um partido comunista, deve-se observar que o compromisso que ela quis aceitar em nada engaja os povos do mundo. Mao Zedong explicou em seu tempo que as exigências de política internacional e os próprios compromissos dos países de orientação socialista ou progressista são uma coisa; outra coisa, por sua vez, é a linha política de povos, classes sociais e partidos políticos que não conquistaram o poder e por isso não estão engajados na construção de uma nova sociedade.


Fica claro então que a agressão à Líbia torna mais urgente que nunca o ressurgimento da luta contra a guerra e o imperialismo.

25/Março/2011

A tradução, de Ana Maria Dávila, encontra-se em Correio da Cidadania

Continue

Serenidade

0
09:38

 

De João Leno Lima

Continue