Farsa do Aquecimento Global

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Carta aberta de 60 cientistas a convidar o primeiro-ministro do Canadá a reflectir sobre a teoria aquecimento global

Debate acerca do Protocolo de Quioto
Carta aberta de 60 cientistas a convidar o primeiro-ministro do Canadá a reflectir sobre a teoria aquecimento global
pelos signatários [*]

Estimado Primeiro-ministro,

Como especialistas reconhecidos em Climatologia e disciplinas científicas relacionadas, vimos propor a realização de debates públicos, abertos, para analisar o fundamento científico dos planos do Governo federal sobre alterações climáticas. Isto seria inteiramente consistente com os seu recente compromisso de conduzir uma revisão do Protocolo de Quioto. Embora muitos de nós tenham feito a mesma sugestão aos então primeiros-ministros, Martin e Chretien, nenhum deles respondeu e, até à data, nenhuma revisão formal e independente foi efectuada no Canadá. .Grande parte dos milhares de milhões de dólares destinados à implementação do protocolo no Canadá serão desperdiçados sem uma avaliação adequada dos desenvolvimentos recentes da ciência do clima.

A prova das observações não suporta os resultados dos actuais modelos climáticos informatizados, pelo que existem poucas razões para confiar nas predições do futuro realizadas com esses modelos. Contudo, isto foi precisamente o que fez as Nações Unidas ao criar e promover Quioto, e ainda continua a fazê-lo com previsões alarmistas sobre as quais são baseadas as políticas climáticas do Canadá. Mesmo que os modelos climáticos fossem realistas, o impacto ambiental do Canadá ao protelar a implementação do Protocolo, ou de quaisquer outros esquemas de redução de gases com efeito de estufa, pendente do término de consultas, seria insignificante. Levar o seu governo a promover audiências mais equilibradas e abertas, tão logo quanto possível, seria uma rota de acção mais prudente e responsável.

Enquanto as afirmações confiantes de grupos ambientalistas cientificamente não qualificados podem proporcionar manchetes sensacionais, elas não servem de base para a formulação de uma política ponderada. O estudo das alterações climáticas é, como V. Exa. disse, uma "ciência emergente", uma vez que é talvez a mais complexa alguma vez abordada. Poderão ser necessários ainda muitos anos de estudo até que possamos compreender correctamente o sistema climático da Terra. Não obstante, avanços significativos têm sido alcançados desde que o Protocolo foi assinado, muitos dos quais nos conduziram a afastar preocupações acerca das consequências do crescimento das emissões dos gases com efeito de estufa. Se, regredindo a meados dos anos 1990, soubéssemos o que sabemos hoje acerca do clima, o Protocolo de Quioto quase certamente não existiria porque teríamos de concluir que era desnecessário.

Compreendemos as dificuldades que qualquer governo tem para formular uma política científica inteligente quando as vozes mais ruidosas parecem sempre empurrar no sentido oposto. Entretanto, num debate aberto, com consultas imparciais, aos canadianos seria permitido ouvir os especialistas de ambos os lados do debate da comunidade científica do clima. Quando o público começar a compreender que não há nenhum "consenso" entre cientistas climáticos acerca da importância relativa das várias causas de alterações climáticas globais, o governo estará numa posição muito melhor para tomar medidas que reflictam a realidade e assim beneficiem tanto o ambiente como a economia.

"As alterações climáticas são reais" é uma frase sem sentido utilizada repetidamente por activistas para convencer o público que está iminente uma catástrofe climática e de que o homem é o responsável. Nenhum destes temores se justifica. Alterações climáticas verificam-se a todo momento devido a causas naturais e o impacto provocado pelo homem ainda permanece impossível de distinguir dentro deste "ruído" natural. O compromisso do novo governo canadiano para reduzir a poluição do ar, da terra e da água é recomendável, mas a afectação de recursos financeiros para "lutar contra as alterações climáticas" seria irracional. É necessário continuar a investigação intensiva das causas reais das alterações climáticas e ajudar os nossos concidadãos mais vulneráveis a adaptarem-se a quaisquer condições que a Natureza nos apresente no futuro.

Nós acreditamos que o público e os decisores governamentais canadianos precisam e merecem ouvir todo o conjunto de opiniões referentes a esta questão muito complexa. Há apenas 30 anos muitos dos alarmistas do aquecimento global estavam a dizer-nos que o mundo estaria em meio de uma catástrofe de arrefecimento global. Mas a ciência continuou a evoluir e, ainda o faz, embora muitos prefiram ignorá-la quando ela não se ajusta a agendas políticas predeterminadas.

Esperamos que V. Exa. examine a nossa proposta cuidadosamente e ficamos inteiramente à disposição para fornecer mais informação sobre este tópico crucialmente importante.

C/C ao ministro do Ambiente, Rona Ambrose, e ao ministro dos Recursos Naturais, Gary Lunn.

Sinceramente,

- Dr. Ian D. Clark, Prof., Isotope Hydrogeology and Paleoclimatology, Dept. of Earth Science, University of Ottawa
- Dr. Tad Murty, former Senior Research Scientist, Dpt. Of Fisheries and Oceans, forme Director of Australia's National Tidal Facility and Prof. of Earth Sciernces, Flinders University, Adelaide, currently adjunct Prof., Dept. of Civil Engineering and Earth , University of Ottwa
- Dr. R. Timothy Patterson, professor, Dept. of Earth Sciences (paleoclimatology), Carleton University, Ottawa
- Dr. Fred Michel, director, Institute of Environmental Science and associate professor, Dept. of Earth Sciences, Carleton University, Ottawa
- Dr. Madhav Khandekar, former research scientist, Environment Canada. Member of editorial board of Climate Research and Natural Hazards
- Dr. Paul Copper, FRSC, professor emeritus, Dept. of Earth Sciences, Laurentian University, Sudbury, Ont.
- Dr. Ross McKitrick, associate professor, Dept. of Economics, University of Guelph, Ont.
- Dr. Tim Ball, former professor of climatology, University of Winnipeg; environmental consultant
-Dr. Andreas Prokoph, adjunct professor of earth sciences, University of Ottawa; consultant in statistics and geology
-Mr. David Nowell, M.Sc. (Meteorology), fellow of the Royal Meteorological Society, Canadian member and past chairman of the NATO Meteorological Group, Ottawa
- Dr. Christopher Essex, professor of applied mathematics and associate director of the Program in Theoretical Physics, University of Western Ontario, London, Ont.
- Dr. Gordon E. Swaters, professor of applied mathematics, Dept. of Mathematical Sciences, and member, Geophysical Fluid Dynamics Research Group, University of Alberta
- Dr. L. Graham Smith, associate professor, Dept. of Geography, University of Western Ontario, London, Ont.
- Dr. G. Cornelis van Kooten, professor and Canada Research Chair in environmental studies and climate change, Dept. of Economics, University of Victoria
- Dr. Petr Chylek, adjunct professor, Dept. of Physics and Atmospheric Science, Dalhousie University, Halifax
- Dr./Cdr. M. R. Morgan, FRMS, climate consultant, former meteorology advisor to the World Meteorological Organization. Previously research scientist in climatology at University of Exeter, U.K.
- Dr. Keith D. Hage, climate consultant and professor emeritus of Meteorology, University of Alberta
- Dr. David E. Wojick, P.Eng., energy consultant, Star Tannery, Va., and Sioux Lookout, Ont.
- Rob Scagel, M.Sc., forest microclimate specialist, principal consultant, Pacific Phytometric Consultants, Surrey, B.C.
- Dr. Douglas Leahey, meteorologist and air-quality consultant, Calgary
- Paavo Siitam, M.Sc., agronomist, chemist, Cobourg, Ont.
- Dr. Chris de Freitas, climate scientist, associate professor, The University of Auckland, N.Z.
- Dr. Richard S. Lindzen, Alfred P. Sloan professor of meteorology, Dept. of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology
- Dr. Freeman J. Dyson, emeritus professor of physics, Institute for Advanced Studies, Princeton, N.J.
- Mr. George Taylor, Dept. of Meteorology, Oregon State University; Oregon State climatologist; past president, American Association of State Climatologists
- Dr. Ian Plimer, professor of geology, School of Earth and Environmental Sciences, University of Adelaide; emeritus professor of earth sciences, University of Melbourne, Australia
- Dr. R.M. Carter, professor, Marine Geophysical Laboratory, James Cook University, Townsville, Australia
- Mr. William Kininmonth, Australasian Climate Research, former Head National Climate Centre, Australian Bureau of Meteorology; former Australian delegate to World Meteorological Organization Commission for Climatology, Scientific and Technical Review
- Dr. Hendrik Tennekes, former director of research, Royal Netherlands Meteorological Institute
- Dr. Gerrit J. van der Lingen, geologist/paleoclimatologist, Climate Change Consultant, Geoscience Research and Investigations, New Zealand
- Dr. Patrick J. Michaels, professor of environmental sciences, University of Virginia
- Dr. Nils-Axel Morner, emeritus professor of paleogeophysics & geodynamics, Stockholm University, Stockholm, Sweden
- Dr. Gary D. Sharp, Center for Climate/Ocean Resources Study, Salinas, Calif.
- Dr. Roy W. Spencer, principal research scientist, Earth System Science Center, The University of Alabama, Huntsville
- Dr. Al Pekarek, associate professor of geology, Earth and Atmospheric Sciences Dept., St. Cloud State University, St. Cloud, Minn.
- Dr. Marcel Leroux , professor emeritus of climatology, University of Lyon, France; former director of Laboratory of Climatology, Risks and Environment, CNRS
- Dr. Paul Reiter, professor, Institut Pasteur, Unit of Insects and Infectious Diseases, Paris, France. Expert reviewer, IPCC Working group II, chapter 8 (human health)
- Dr. Zbigniew Jaworowski, physicist and chairman, Scientific Council of Central Laboratory for Radiological Protection, Warsaw, Poland
- Dr. Sonja Boehmer-Christiansen, reader, Dept. of Geography, University of Hull, U.K.; editor, Energy & Environment
- Dr. Hans H.J. Labohm, former advisor to the executive board, Clingendael Institute (The Netherlands Institute of International Relations) and an economist who has focused on climate change
- Dr. Lee C. Gerhard, senior scientist emeritus, University of Kansas, past director and state geologist, Kansas Geological Survey
- Dr. Asmunn Moene, past head of the Forecasting Centre, Meteorological Institute, Norway
- Dr. August H. Auer, past professor of atmospheric science, University of Wyoming; previously chief meteorologist, Meteorological Service (MetService) of New Zealand
- Dr. Vincent Gray, expert reviewer for the IPCC and author of The Greenhouse Delusion: A Critique of 'Climate Change 2001,' Wellington, N.Z.
- Dr. Howard Hayden, emeritus professor of physics, University of Connecticut
- Dr Benny Peiser, professor of social anthropology, Faculty of Science, Liverpool John Moores University, U.K.
- Dr. Jack Barrett, chemist and spectroscopist, formerly with Imperial College London, U.K.
- Dr. William J.R. Alexander, professor emeritus, Dept. of Civil and Biosystems Engineering, University of Pretoria, South Africa. Member, United Nations Scientific and Technical Committee on Natural Disasters, 1994-2000
- Dr. S. Fred Singer, professor emeritus of environmental sciences, University of Virginia; former director, U.S. Weather Satellite Servisse
- Dr. Harry N.A. Priem, emeritus professor of planetary geology and isotope geophysics, Utrecht University; former director of the Netherlands Institute for Isotope Geosciences; past president of the Royal Netherlands Geological & Mining Society
- Dr. Robert H. Essenhigh, E.G. Bailey professor of energy conversion, Dept. of Mechanical Engineering, The Ohio State University
- Dr. Sallie Baliunas, astrophysicist and climate researcher, Boston, Mass.
- Douglas Hoyt, senior scientist at Raytheon (retired) and co-author of the book The Role of the Sun in Climate Change; previously with NCAR, NOAA, and the World Radiation Center, Davos, Switzerland
- Dipl.-Ing. Peter Dietze, independent energy advisor and scientific climate and carbon modeller, official IPCC reviewer, Bavaria, Germany
- Dr. Boris Winterhalter, senior marine researcher (retired), Geological Survey of Finland, former professor in marine geology, University of Helsinki, Finland
- Dr. Wibjorn Karlen, emeritus professor, Dept. of Physical Geography and Quaternary Geology, Stockholm University, Sweden
- Dr. Hugh W. Ellsaesser, physicist/meteorologist, previously with the Lawrence Livermore National Laboratory, Calif.; atmospheric consultant.
- Dr. Art Robinson, founder, Oregon Institute of Science and Medicine, Cave Junction, Ore.
- Dr. Arthur Rorsch, emeritus professor of molecular genetics, Leiden University, The Netherlands; past board member, Netherlands organization for applied research (TNO) in environmental, food and public health
- Dr. Alister McFarquhar, Downing College, Cambridge, U.K.; international economist
- Dr. Richard S. Courtney, climate and atmospheric science consultant, IPCC expert reviewer, U.K.


18/Fevereiro/2007

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Por trás do prémio Nobel da paz de 2009

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21:08



A atribuição do Prémio Nobel da Paz deu lugar a um coro de elogios entre os líderes da Aliança Atlântica, mas também suscitou cepticismo no mundo. Ao invés de debater as razões que poderiam justificar esta escolha surpreendente, Thierry Meyssan expõe a corrupção do Comité Nobel e as relações que unem o seu presidente, Thorbjørn Jagland, aos colaboradores de Obama.

"Esta manhã, quando ouvia as notícias, a minha filha aproximou-se e disse-me: 'Papá, ganhaste o Prémio Nobel da paz' ".

Esta é a comovente história que o presidente dos Estados Unidos contou aos acomodados jornalistas para comprovar que nunca desejou esta distinção e foi o primeiro a ficar surpreendido. Sem procurar saber mais, os títulos que aqueles jornalistas imediatamente apresentaram nos seus jornais falavam da "humildade" do homem mais poderoso do mundo.

Para dizer a verdade, não sabemos o que mais surpreende: a atribuição de uma tão prestigiosa distinção a Barack Obama, a encenação grotesca que a acompanha, ou ainda o método utilizado para corromper o júri e retirar a este prémio a sua vocação inicial.

Em primeiro lugar, relembremos que, segundo o regulamento do Comité Nobel, as candidaturas são apresentadas por instituições (parlamentos nacionais e academias políticas) e por personalidades qualificadas, principalmente magistrados e antigos laureados. Em teoria, uma candidatura pode ser apresentada sem que o candidato tenha sido disso avisado. Não obstante, assim que o júri decide, estabelece uma ligação directa com o candidato de modo a que ele seja informado uma hora antes da conferência de imprensa. Pela primeira vez na sua história, o Comité Nobel terá omitido esta cortesia. Isso aconteceu porque, assegura-nos o seu porta-voz, o Comité não ousaria acordar o Presidente dos EUA à noite. Talvez ignore que há conselheiros que se reúnem na Casa Branca para receber as chamadas urgentes e acordar o presidente se necessário.

O gracioso número protagonizado pela sua filha anunciando o Prémio Nobel ao seu papá não basta para dissipar o mal-estar provocado por esta distinção. Segundo o desejo de Alfred Nobel, o prémio recompensa «a personalidade que [durante o ano precedente] mais ou melhor contribuiu para a aproximação dos povos, a supressão ou redução dos exércitos permanentes, a aproximação e divulgação dos avanços pela paz». No espírito do fundador, tratava-se de manter uma acção militante e não de atribuir um diploma de boas intenções a um chefe de estado. Tendo os laureados por vezes escarnecido do direito internacional depois de terem recebido o prémio, o Comité Nobel decidiu, há quatro anos, não voltar a recompensar um acto particular mas honrar apenas personalidades que tenham consagrado a sua vida à paz. Deste modo, Barack Obama teria sido o mais meritório dos militantes da paz em 2008 e não teria cometido nenhum atentado ao direito internacional em 2009. Sem mencionar os detidos em Guantánamo e em Bagram, nem os afegãos e os iraquianos confrontados com uma ocupação estrangeira, que pensarão disto os hondurenhos esmagados por uma ditadura militar ou os paquistaneses cujo país se tornou o novo alvo do Império?

Vamos à questão fundamental, a qual a "comunicação" da Casa Branca e os media anglo-saxónicos querem esconder do público: os laços sórdidos entre Barack Obama e o Comité Nobel.

Em 2006, o Comando Europeu (isto é, o comando regional das tropas dos EUA cuja autoridade abrangia então simultaneamente a Europa e o essencial da África) solicitou ao senador de origem queniana Barack Obama que participasse numa operação secreta entre agências (CIA-NED-USAID-NSA). Tratava-se de utilizar o seu estatuto de parlamentar para efectuar um périplo africano que permitisse ao mesmo tempo defender os interesses dos grupos farmacêuticos (face às produções não patenteadas) e de rechaçar a influência chinesa no Quénia e no Sudão [1] . Apenas o episódio queniano nos interessa aqui.

A desestabilização do Quénia

Barack Obama e a sua família, acompanhados de um assessor de imprensa (Robert Gibbs) e de um conselheiro político-militar (Mark Lippert) chegam a Nairobi num avião especial fretado pelo Congresso. O seu avião é seguido por um segundo, este fretado pelo Exército dos EUA, transportando uma equipa de especialistas em guerra psicológica comandada pelo general J. Scott Gration, pretensamente à beira da reforma.

O Quénia estava então em plena expansão económica. Logo após os começos da presidência de Mwai Kibaki, o crescimento passou de 3,9% a 7,1% do PIB e a pobreza desceu de 56% para 46%. Estes resultados excepcionais foram obtidos reduzindo os laços económicos pós-coloniais com os anglo-saxónicos e substituindo-os por acordos mais justos com a China. Para acabar com o milagre queniano, Washington e Londres decidiram derrubar o presidente Kibaki e impor um oportunista devoto, Raila Odinga [2] . Neste sentido, o National Endowment for Democracy suscitou a criação duma nova formação política, o Movimento laranja, e armou secretamente uma "revolução colorida" por ocasião das eleições legislativas seguintes em Dezembro de 2007.

O senador Obama é acolhido como um filho do país e a sua viagem é extraordinariamente mediatizada. Intromete-se na vida política local e participa nas reuniões de Raila Odinga. Apela a uma "revolução democrática" enquanto o seu "acompanhante", general Gration, entrega a Odinga um milhão de dólares líquidos. Estas intervenções desestabilizam o país e suscitam os protestos oficiais de Nairobi junto de Washington.

Por ocasião deste périplo, Obama e o general Gration reportam ao general James Jones (então chefe do Comando Europeu e comandante supremo da NATO) em Estugarda, antes de regressar aos EUA.

A operação continua. Madeleine Albright, na qualidade de presidente do NDI (a filial do National Endowment for Democracy [3] especializada no tratamento de partidos de esquerda) viaja até Nairobi, onde supervisiona a organização do Movimento Laranja. Depois, John McCain, na qualidade de presidente do IRI (a filial do National Endowment for Democracy especializada no tratamento dos partidos de direita) vem completar a coligação de oposição no tratamento de pequenas formações de direita [4] .

Aquando das eleições legislativas de Dezembro de 2007, uma sondagem financiada pelo USAID anuncia a vitória de Odinga. No dia das eleições, John McCain declara que o presidente Kibaki falseou o resultado do escrutínio a favor do seu partido e que na realidade é a oposição conduzida por Odinga que ganhou. A NSA, em parceria com os operadores locais de rádio, dirige SMS anónimos à população. Nas zonas povoadas pelos Luos (as etnias de Odinga), estes dizem: "Caros Quenianos, os Kikuyus roubaram o futuro das nossas crianças… Devemos tratá-los da única forma que compreendem… a violência". Entretanto, nas zonas povoadas pelos Kikuyus, os SMS dizem: «não será derramado o sangue de nenhum Kikuyu inocente. Massacrá-los-emos até ao coração da capital. Para que se faça justiça, estabeleçam uma lista dos Luos que conhecem. Enviar-vos-emos os números de telefone para onde transmitir essas informações». Em poucos dias, esse país sereno perde-se em confrontos sociais. Os distúrbios fazem mais de 1 000 mortos e 300 mil desalojados. 500 mil postos de trabalho são destruídos.

Madeleine Albright está de regresso. Propõe a sua mediação entre o presidente Kibaki e a oposição que tenta derrubá-lo. Com discrição, distancia-se e coloca em cena o Oslo Center for Peace and Human Rights [N. do T.: Centro de Oslo para a Paz e Direitos Humanos]. Esta respeitada ONG é novamente presidida pelo antigo primeiro-ministro da Noruega, Thorbjørn Jagland. Rompendo com a tradição de imparcialidade do Centro, ele coloca dois mediadores em cena, cujas despesas são integralmente pagas pelo NDI de Madeleine Albright (quer dizer, pelo orçamento do Departamento de Estado dos EUA): um outro antigo primeiro-ministro norueguês, Kjell Magne Bondevik, e o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan (o ganês tem estado muito presente nos estados escandinavos depois de ter casado com a sobrinha de Raoul Wallenberg).

Para estabelecer a paz civil a aceitar o compromisso que lhe impõem, o presidente Kibaki é obrigado a aceitar criar um posto de primeiro-ministro e de o confiar a Raila Odinga. Este começa imediatamente a reduzir as trocas com a China.

Pequenos presentes entre amigos

Se a operação queniana acabou ali, a vida dos protagonistas continua. Thorbjørn Jagland negoceia um acordo entre o National Endowment for Democracy e o Oslo Center, formalizado em Setembro de 2008. Uma fundação conjunta é criada em Minneapolis permitindo à CIA subsidiar indirectamente a ONG norueguesa. Esta intervém por conta de Washington em Marrocos e sobretudo na Somália [5] .

Obama é eleito presidente dos EUA. Odinga proclama vários dias de festa nacional no Quénia para celebrar o resultado das eleições nos EUA. O General Jones torna-se conselheiro de segurança nacional. Nomeia Mark Lippert como chefe de gabinete e o general Gration como adjunto.

Durante a transição presidencial nos EUA, o presidente do Oslo Center, Thorbjørn Jagland, é eleito presidente do Comité Nobel, não obstante o risco que representa para a instituição um político tão artificioso [6] . A candidatura de Barack Obama ao Prémio Nobel da Paz é enviada o mais tardar a 31 de Janeiro de 2009 (data limite regulamentar [7] ), ou seja, doze dias depois da sua tomada de posse na Casa Branca. Vivos debates animam o Comité que não chegou ainda a um acordo sobre um nome no princípio de Setembro, conforme previsto pelo calendário habitual [8] . A 29 de Setembro, Thorbjørn Jagland é eleito secretário-geral do Conselho da Europa em seguimento de um acordo de secretaria ente Washington e Moscovo [9] . Esta boa acção pede outra em troca. Ainda que a qualidade de membro do Comité Nobel seja incompatível com uma função política executiva de relevo, Jagland não desiste. Argumenta que a letra do regulamento interdita a acumulação de uma função ministerial e nada diz sobre o Conselho da Europa. Chega então a Oslo a 2 de Outubro. No mesmo dia, o Comité designa o Presidente Obama Prémio Nobel da paz de 2009.

No seu comunicado oficial, o Comité declara, não por graça: "é muito raro que uma pessoa, na instância Obama, tenha conseguido captar a atenção de todos e dar-lhes esperança num mundo melhor. A sua diplomacia baseia-se no conceito de acordo com o qual aqueles que governam o mundo devem fazê-lo guiados por um conjunto de valores e de comportamentos partilhados pela maioria dos habitantes do planeta. Durante 108 anos, o Comité do Prémio Nobel procurou estimular este estilo de política internacional de que Obama é o principal porta-voz".

Por seu turno, o feliz laureado declarou: "Aceito a decisão do Comité Nobel com surpresa e profunda humildade. (…) Aceitarei esta recompensa como um apelo à acção, um apelo lançado a todos os países para que enfrentem os desafios comuns do século XXI". Deste modo, este homem "humilde" crê encarnar "todos os países". Aqui está algo que não augura nada de pacífico.

http://resistir.info/


13/Outubro/2009 Continue

"O golpe não poderia ter ocorrido sem a cumplicidade dos EUA"

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21:06


Honduras:


"O golpe não poderia ter ocorrido sem a cumplicidade dos EUA"
 

Chury: Ao iniciar nosso panorama internacional de notícias, como sempre às segundas-feiras, temos as análises ponderadas de James Petras nos Estados Unidos. Bem vindo, Petras.

Petras: Aqui estamos a analisar os acontecimentos em Honduras e as respostas internacionais num panorama por um lado muito claro e por outro muito escuro.

Chury: Certamente quando me falas de escuro referes-te a Honduras.

Petras: Sim, falamos do golpe de estado e das respostas dos diferentes organismos internacionais, regionais e também a resposta da Venezuela e do presidente Zelaya.

Chury: Aqui há expectativa sobre qual é a atitude assumida pelo governo norte-americano frente ao primeiro golpe que se verifica sob o governo de Barak Obama.

Petras: Bem, mais uma vez uma divisão. Um sector de esquerda analisa os vínculos entre os militares hondurenhos, o Pentágono e organizações clandestinas norte-americanas como a CIA e as fundações com as ONGs golpistas e concluem que os EUA estavam implicados, são cúmplices, porque o controle que têm, a influência que tiveram os militares norte-americanos nas Honduras, é muito profunda e de muito longo prazo...

Chury: Que vem do tempo dos contra também.

Petras: Sem, há muito tempo Honduras foi trampolim para o golpe contra Arbenz em 1954; foi a ponta de lança para a invasão de Cuba em 1961; foi a casa dos contras com 20 mil soldados mercenários lançados a partir de Honduras. É um país muito colonizado desde há muito tempo e Zelaya, por outro lado, é um burguês reformista tibiamente crítico ou, poderíamos dizer, independente de algumas políticas norte-americanas do passado e da actualidade e tenta conseguir benefícios ligando-se à Venezuela por causa da ajuda petrolífera, a ajuda económica. O facto de ter assumido uma autonomia relativa em relação à integração do ALBA associando-se à Venezuela foi a razão para o deslocarem. Agora, a política de Obama é muito mais subtil do que no passado. Diplomaticamente condenaram a situação de violência e em primeira instância não condenaram os militares pelo golpe, mas depois de a OEA o ter feito de forma unânime é que eles se somaram à denúncia. Mas sabemos que o que dizem em público, em fóruns onde não têm alternativa, é uma coisa e o que fazem a partir dos seus contactos e ligações em Honduras é outra. Agora, a prova do envolvimento ou não dos Estados Unidos vai passar pelas medidas que tome a OEA. Há várias possibilidades. A política é: as forças devem dialogar com os golpistas no Congresso e o presidente títere trata de resolver o conflito. Como só restam seis meses do regime eleito, poderiam prolongar as negociações para que ele volte ao governo por pouco tempo mas sem possibilidade de aprovar a reforma da Constituição.

Há que reconhecer várias coisas: Zelaya não propunha um referendo. Era uma consulta que não tinha força de lei. E segundo, foram os militares que se negaram a cumprir as ordens do presidente eleito. E, neste contexto, dizer simplesmente que haja um diálogo entre os violentos, os ilegais, os golpistas, com o presidente eleito parece-me um disparate. Por esta razão: Washington quer castigá-lo como um exemplo para os outros países no Caribe, do que lhes poderia acontecer se eles se envolvem com Chávez. E é uma dupla política. O que a esquerda deveria saber, inclusive alguns que deveriam conhecer isso melhor, é que simplesmente criticar formalmente não significa nada com este presidente que temos. É o mesmo que se passou no Irão com o golpe fracassado, criticar o processo eleitoral enquanto estão a fomentar e financiar os golpistas nas ruas.

Neste caso utilizaram uma parte da institucionalidade e no Irão lançaram os estudantes e os sectores mais pró ocidentais às ruas. Mas é o segundo golpe do senhor Obama, muito bem disfarçado e com a cumplicidade da esquerda que só enfoca no aspecto mais superficial: os militares, que são simplesmente instrumentos da política norte-americana. Todos treinados pelos Estados Unidos, todos assessorados pelos Estados Unidos, todos receberam ajuda financeira e armas dos Estados Unidos. Actualmente há inclusive assessores norte-americanos que funcionam na Embaixada e temos o caso dos militares norte-americanos que em momento algum intervêm para dizer "nós nos opomos a este acontecimento".

Chury: Quer dizer então que na realidade é muito hipócrita a posição do governo de Obama.

Petras: Bem, é muito inteligente manejar melhor as relações públicas e o que cala é bom para que a OEA não condene os Estados Unidos mas condene simplesmente os militares, e enquanto isso as declarações da OEA são que os protestos devem respeitar o âmbito constitucional. Que âmbito constitucional existe quando o Congresso, o Tribunal Supremo e os militares destituíram o presidente eleito? Não há âmbito constitucional; é um quadro anti-democrático e anti-constitucional. Então só querem que a gente marche em protesto e volte para casa. Os sindicatos e os camponeses têm outro projecto: uma greve geral indefinida e marcha permanentes até que o governo de Zelaya retorne. Então há uma diferença subtil que devemos anotar porque as grandes manchetes dizem "OEA repudia o golpe", muito bem. Mas e depois? Como vão manejar a situação, a negociar com estes poderes golpistas que são uma frente muito poderosa? E o que poderia sair disso, desarmar a possibilidade de um voto constitucional e retorna Zelaya como preso na presidência sem capacidade de criar um quadro melhor para que os processos democráticos marchem em Honduras? Por isso digo que há uma parte clara e uma parte escura nisso. Por que todo o mundo aplaude que as Nações Unidas, a OEA, o ALBA, o Mercosul, a Unasur, condenem o golpe. Sim, está bem, mas quais são as acções práticas? Vão impor um embargo, vão romper relações com os golpistas, vão organizar algum embargo sobre o comércio? Que medidas práticas vão tomar? Os Estados Unidos vão retirar o seu embaixador, vão retirar seus assessores golpistas?

Porque uma denúncia simplesmente folclórica e que tudo siga normalmente económica e politicamente parece-me um acto meramente simbólico e inconsequente.

Chury: Petra, isto leva-me a Roma e Júlio César. Parece que para Honduras a sorte está lançada.

Petras: Bem, não sei em que grau. Por exemplo, o que preocupa Bachelet e os outros governos burgueses na América Latina é que este golpe é contra um governo burguês liberal, o de Zelaya, que não mudou nenhuma propriedade, não nacionalizou, não fez nenhuma reforma agrária mas apenas facilitou os direitos democráticos das organizações sociais para que possam articular as suas reivindicações. Nesse sentido é um democrata, mas sem nenhuma radicalidade em medidas sócio-económicas. Por isso queria rever a Constituiçã para introduzir algumas mudanças sócio-económicas, mas até agora as medidas mais progressistas estão na política externa. Mas todos os governos da América Latina devem estar muito preocupados porque eles se podem identificar com um governo liberal democrata e se há um golpe contra Zelaya por que não se podem multiplicar os golpes agora na América Latina a partir das crises económicas e das dificuldades para continuar com a política económica actual? São os seus próprios interesses que estão em jogo agora. Inclusive o governo do Uruguai deve considerar que um golpe na América Central pode parecer algo comum e que não está neste círculo, mas os militares têm um modo de tomar lições do que se passa em outras partes e do que se pode fazer, que podem não escapar a um castigo exemplar. Por esta razão todos querem condenar o golpe; porque poderia ser um efeito dominó: um golpe em Honduras, depois um golpe no Equador, um golpe na Bolíva, ... E por esta razão que é muito perigoso e Washington está a olhar para ver como tudo isso vai acontecer. A primeira prioridade de Washington é deslocar um aliado de Chávez e a segunda, o mal menor, é que volte a ser governo mas enquadrado num contexto em que não possa continuar a mandar, como um presidente preso no palácio presidencial. E depois, em Novembro, em menos de seis meses, outra eleição em que o partido liberal muda o candidato, põe um reaccionário de turno e termina o perigo de uma aliança centro-americana com Chávez.

Há dois carris em Washington: um é simplesmente deslocar Zelaya e o outro é terminar com um prolongamento falso deste governo.

Uma indicação de tudo isso é a reportagem da BBC que lemos esta manhã. Tem uns 15 parágrafos e 13 estão a dar a voz e a opinião da direita. Inclusive a dizer mentiras, como que o senhor Zelaya queria fazer uma emenda à Constituição, o que é falso porque era uma simples consulta, não era propriamente um referendo. E segundo, há comentários do governo dos golpistas, comentários de alguém na rua que diz estar alegre por ter caído o governo.

É um artigo pró golpe esse da BBC, o qual é um media muito degenerado nos últimos anos. Os media reflectem algo do que realmente pensam em Washington e os argumentos que vão mencionar: que os militares estavam apoiados pelo Tribunal Suprema, que não é uma violação ao governo civil e sim que os militares estão a controlar, revertendo a ordem completamente. Tratam de esconder com uma nuvem de fumo o grande significado do golpe, dar-lhe legitimidade enfatizando o novo presidente do Congresso. Dizem que era o segundo na hierarquia presidencial, etc. Devemos ler com atenção o que dizem os media neste sentido, que tentam minimizar o significado da derrubada.

Chury: Em síntese, Petras, os Estados Unidos são alheios a este golpe em Honduras ou são parte dele?

Petras: Eu creio que estão implicados e há que dizê-lo. Os EUA não tiveram problemas em convencer os militares devido aos seus próprios interesses e ideologia e toda a oligarquia estava contra simplesmente porque não controlava Zelaya tão bem como controlava todos os mal chamados presidentes passados. Então foi uma confluência de interesses imperialistas, oligárquicos e militares. E não tenho nenhuma dúvida de que com a presença norte-americana, a presença militar profunda em Honduras, não há nenhuma possibilidade de este golpe ter ocorrido sem a cumplicidade dos Estados Unidos.

Ninguém pode imaginar forças armadas mais subordinadas ao Pentágono que as de Honduras, que não actuam simplesmente por sua conta, não actuam independentemente dos EUA, não actuam sem que os EUA e os militares, que funcionam nos mesmos quartéis, nos mesmos Ministérios, não se pode imaginar que o general do exército de Honduras possa actuar sem a cumplicidade activa dos Estados Unidos.

Chury: Vamos deixar este tema, que certamente vai dar muito o que falar. Tivemos eleições no Rio da Prata. As eleições para a renovação do Congresso argentina e a eleições internas do Uruguai.

Petras: Da Argentina recebemos a notícia de que os Kirchner estão muito enfraquecidos, que subiu a direita dura e, como previmos, com a crise económica o centro-esquerda que é responsável pela política de dependência sofreu muito e então a direita é a primeira beneficiária, mas Pino Solanas [NR] aumentou enormemente a votação.

Chury: Sim, é a surpresa.

Petras: Sim, mas também é uma expressão de como as crises dividiram o país e Pino teve a capacidade de aglutinar uma força, ao passo que todos os trotsquistas, o Partido Obrero, os PTS e os demais fragmentam-se não conseguem nada. O mesmo de sempre: quando aumentam de um por cento para um vírgula cinco crêem que é um grande êxito. Neste sentido creio que é um sinal de que o centro-esquerda está em crise. Dissemos isso há um ano aqui. Que frente à crise económica isto de tentar equilibrar forças entre exportadores, burgueses, industriais, operários, não tinha mais caminho, que não poderia continuar. Mas Kirchner e Cristina Fernández continuaram a mesma política anterior e à crise e a polarização vai contra eles, porque ambos assumem a responsabilidade pelos efeitos da crise capitalista porque são o governo e a direita aproveita na sua posição contra o governo para colher votos dos descontentes. Agora, poderias informar-me se Mujica subiu em relação a Astori e Tabaré?

Chury: Sim, mas não é o principal da eleição de ontem no Uruguai. O principal é que o Partido Nacional, con Lacalle à cabeça, ficou acima da Frente Ampla.

Petras: Repete-se o que se passou na Argentina. Repito: o centro-esquerda em tempos de crise é culpável pelos problemas sociais que surgem. Assumiram toda a responsabilidade pela trajectória capitalista, o capitalismo entra em crise e as pessoas deslocam-se para a oposição, independentemente de que a oposição vá continuar e aprofundar as mesmas medidas de crise que a Frente Ampla. Há uma votação significativa da classe média que diz: quem está a provocar as minhas dores, quem está a afectar o emprego?: é o governo. O governo é a Frenta Ampla, então assume todos os custos de continuar a sua política económica. O que se passa é que a esquerda não é suficientemente forte e diferenciada da Frente Ampla para aproveitar um deslocamento da Frente Ampla para a esquerda. É uma lástima, é trágico que por muito tempo a esquerda tenha estado associada com a Frente Ampla e por esta razão não acumulou uma imagem suficientemente crítica e contra ela para que possam servir como um pólo de atracção. Então ganham o Partido Nacional, Macri na Argentina...

Considero que isso vai ser um fenómeno continental: onde o centro esquerda maneja e manda neste período de crise, sofrerá golpes eleitores.

Chury: Petras, como estamos no final do tempo, tenho que agradecer a análise e dar-te um abraço muito grande. Encontramo-nos segunda-feira como sempre.

Petras: Um abraço para todos.


02/Julho/2009

[*] Entrevista à CX36, Rádio Centenário, do Uruguai, a 29/Junho/2009.

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ . Continue

REDEMOINHANDO

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13:28


O tempo espalha-se como anjos dilacerados pelo abandono.

rompemos os liquidos de concreto que cimenteia a lágrima
nas arterias dos gestos onde escorre a superficie do litoral dos mares intimos.

como cascas?

como cascas depravadas que se arreganham nas extremidade das vigas dos nossos olhares
se espreguiçando em forma de tunel dentro de nós
e escorrendo gritos mais impiedoses que a piedade das anjos.
um anjo vestido de cratera espera um coração para dar-lhe vida essencial...
ele rebusca as imensidões e com sua mão desentrelaça os initerrupnos nós da nossa mente avessa.
realmente desejas o esconderijo?
o ludico incosnciente externo onde passei nossas crianças ancestrais.
adoradoras das particulas brancas que sobem os corredores azuis.

meu deus, sentes medo como eu sinto?
sente o frio na espinha dos sentidos que desloca a retina para dentro da palma da mao da distancia desconexa?
ja sentiu o vento vinda da memoria e soprar sensação desacontecidas que rugem como animais fabricados pelo tempo?

ah...o tempo...

mera invenção que guia a finitude
com os dentes mais intransponiveis e afiados dilacero os pulmoes dos segundos
e ponho meus prorpios pulmoes neles...
e puxo o ar, puxo, cresço interno, espalho-me...solto-me

Agora sou chuva... Continue

OCULTO ACONTECIMENTO

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15:51




De repente veio-me o vento

sinistra erosão dos solos dos meus desejos.

Vagando na inconsciência multiplicadora,

onde a fabricação da palavra geme os ouvidos de ócio

onde germes jamais rodeiam

onde formigas gigantes pesam toneladas de sabedorias.

Narro os acontecimentos na redoma de uma extremidade oculta

montanhas mudam de lugar com meu fôlego

sou a substancia olea da engrenagem natural

as vezes o pano que danifica as rodas...

de repente sou o vento...

Num outro olhar...









João Leno Lima

10-11- 2009 Continue

"Os Cantos de Maldoror"

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08:34


Conde de Lautréamont



"Pois bem, que assim seja! Que minha guerra contra o homem se eternize, já que cada um de nós reconhece no outro sua própria degradação... já que somos ambos inimigos mortais. Quer deva eu conseguir uma vitória desastrosa ou sucumbir, o combate será belo; eu, sozinho contra a humanidade".

Lautréamont, "Os Cantos de Maldoror". Continue

HAPPY BIRTHDAY JONATHAN RICHARD GUY GREENWOOD

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09:41


Jonathan Richard Guy Greenwood, em 5 de Novembro de 1971 nascia.



Para ser um dos líderes do Radiohead




E um dos melhores guitarristas de todos os tempos





Continue

Tempo e espaço no cyberspace

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10:35



Lenara Verle


Trabalho de conclusão da disciplina:


Comunicação na Era Digital


Prof. Flávio V. Cauduro


Mestrado em Comunicação Social


Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul


Porto Alegre, Outubro de 1997

Introdução

A idéia para este trabalho surgiu enquanto eu respondia a uma pesquisa do Departamento de Psicologia da PUC-Rio. Uma

das perguntas pedia para definir o conceito de cyberspace. Dentre outras coisas, escrevi que "no cyberspace o tempo que se

leva para percorrer uma determinada distância não depende do comprimento, mas da largura da estrada". Isso me fez refletir

sobre o nosso conceito de tempo e espaço e como ele se altera quando adentramos o cyberspace.

Um tópico interessante para se pensar dentro de uma pergunta mais ampla: - como nossa vida e nossas percepções se alteram

com as novas tecnologias da comunicação? Segundo Pierre Lévy, estamos diante de uma revolução tão grande quanto a que

nossa sociedade experimentou ao passar do registro oral para a escrita. Para ele, as tecnologias da comunicação ou, mais

amplamente, tecnologias da inteligência, estariam mudando nossas vidas radicalmente.

Como o tempo e o espaço (ou nossa percepção deles), algo tão inerente à nossa existência e a de nosso universo podem ser

alterados no "universo paralelo" do cyberspace? Para responder a essa pergunta seria necessário responder algumas outras: -

O que é tempo e espaço? O que é cyberspace? Não pretendo responder categoricamente a essas perguntas, mas lançar

algumas hipóteses que podem ajudar a explicar essas questões, até porque se achamos que sabemos muito sobre o tempo e

espaço após séculos de desenvolvimento da física, sabemos ainda muito pouco sobre o cyberspace e onde nos levarão as

novas tecnologias da comunicação.

O que é tempo e espaço?

O tempo e espaço são conceitos inerentes ao nosso universo. Não conseguimos imaginar "o que veio antes do big-bang".

Não faz sentido falar em "antes" quando o próprio tempo como o conhecemos hoje não existia, foi criado junto com o

universo.

"O conceito de tempo não tem significado antes do começo do universo. O que foi apontado pela primeira vez por Santo

Agostinho, quando indagou: 'O que Deus fazia antes de criar o universo?' Agostinho não replicou, então, que estava

preparando o inferno para as pessoas que fazem esse tipo de pergunta. Em vez disso, afirmou que o tempo era uma

propriedade do universo que Deus criou, e que não existia antes do começo do universo."

(Hawking, 1988, p.27)

Como seria o universo sem tempo nem espaço? Lá não existiriam seres como nós para indagar isto!

Primeiro, apreendemos o tempo e o espaço através de nossas experiências pessoais de deslocamento, e depois criamos leis

físicas para estudar cientificamente porque o tempo e o espaço são como são. Podemos hoje conceber intelectualmente

universos alternativos, com tempos e espaços diferentes dos nossos. Apesar de possíveis na teoria, é muito difícil para

nossas mentes imaginar a experiência de viver nesses universos.

Nossa percepção psicológica de tempo e espaço é criada a partir das experiências pessoais e coletivas de movimento.

Construímos essa noção de tempo e espaço em nossas mentes junto com as pessoas que nos cercam e habitam o mesmo

universo. Esse conhecimento é assimilado por nosso cérebro no início de nossas vidas. Pessoas que têm sua noção de tempo

e espaço alteradas por substâncias químicas ou danos no sistema nervoso podem ter grandes dificuldades de interagir com os

que as cercam.

O neurologista Oliver Sacks conta diversos casos desse tipo em seu livro "Tempo de Despertar". Afetados por uma doença

chamada encefalite letárgica, que guarda semelhanças com o mal de parkinson, seus pacientes mostram notáveis alterações

em sua noção de tempo e espaço: percebem um dia inteiro como apenas alguns minutos, ou um pequeno trecho de chão

como um grande buraco instransponível. Sua doença as fez viver em um mundo onde o tempo e o espaço não é o mesmo das

pessoas que as cercam.

"A sra. D. ressalta as distorções fundamentais do espaço parkinsoniano, as singulares dificuldades que ela tem com

ângulos, círculos, conjuntos e limites. Ela comentou certa vez com respeito à sua 'paralisação': 'Não é tão simples como

parece. Não é que eu simplesmente paro, eu continuo indo, só que fiquei sem espaço para me mover. Sabe, meu espaço,

nosso espaço, não se parece em nada com o seu espaço - o nosso fica maior e menor, ricocheteia e dá voltas em torno de

si mesmo, até desembocar no ponto de partida'"

(Sacks, 1997, p. 365)

Essas pessoas são exceções em meio aos outros, "normais", e cada doente tem sua visão particular, única, de tempo e espaço.

Caso a mudança de percepção induzida pela doença fosse sempre a mesma, os pacientes poderiam se relacionar entre si em

um mundo à parte, onde o tempo e o espaço correriam de maneira diferente. Talvez essas pessoas construíssem para si e para

seu mundo novos artefatos tecnológicos, mais adaptados ao seu universo particular.

O que é cyberspace?

O termo cyberspace foi usado pela primeira vez por William Gibson em um conto entitulado "Burning Chrome" (1982) e

mais tarde em seu livro "Neuromancer", tornando-se popular a partir daí.

Se para os personagens de Neuromancer o conceito de cyberspace se manifestava através de um "matrix simulator" e as

pessoas "se plugavam" na "matrix", nós em 1997 "navegamos pela Internet" e "surfamos a world-wide-web".

É difícil descrever o cyberspace para quem nunca esteve lá antes. Segundo Kevin Weherley, a pergunta: "O que os

cibernautas fazem na world-wide web?" é muito difícil de responder."É como se um extraterrestre perguntasse a um ser

humano 'o que há pra se fazer na Terra?'"

Para entender um pouco o cyberspace é fundamental termos em mente as diferenças apontadas por Nicholas Negroponte

entre os átomos e os bits.

A física Einsteniana impõe limites à velocidade que podemos imprimir às coisas. Partículas sem massa podem viajar a uma

velocidade máxima de 299.792.458 metros por segundo. O suficiente para ir quase instantaneamente de um ponto a outro

qualquer na superfície de nosso planeta. É a velocidade máxima atingida pelos bits. Já partículas portadoras de massa, como

os átomos que compõem nosso corpo, têm que se contentar em viajar a velocidades muito menores. Hoje em dia levamos

várias horas para dar uma única volta em nosso planeta de avião. Uma diferença marcante.

Com as tecnologias digitais, podemos codificar diversos tipos de informações em pulsos elétricos, ou bits. O cyberspace é o

espaço virtual por onde se deslocam nossos bits. Sua representação material são as redes de cabos e ondas eletromagnéticas

que cruzam o planeta (e vão além dele), mas isso é apenas um suporte para o que realmente conta: as trocas de informações.

Não podermos "teletransportar" nosso corpo ainda, apenas informações sobre/produzidar por ele. O cyberspace é um

"espaço virtual"

No cyberspace somos pessoas desencarnadas - personas virtuais, imersas em espaço e tempo virtuais.

No cyberspace, viajamos à velocidade da luz. Segundo Virilio, "Alcançar a barreira da luz, alcançar a velocidade da luz, é um

evento que lança a história em desordem e confunde as relações dos seres humanos com o mundo".

Hoje, bits e átomos estão se tornando cada vez mais intercambiáveis. Se no começo o cyberspace era um lugar onde

trafegava apenas texto, hoje nele trafegam imagens em movimento e áudio. Apesar da chamada "realidade virtual" estar se

desenvolvendo, ela ainda é muito pobre comparada às sensações que experimentamos na realidade "real".

Mesmo assim, cada vez mais se fala sobre o fato de estarem sendo criadas "comunidades virtuais" no cyberspace. Pessoas

interagem umas com as outras e trocam seus bits através desse ambiente virtual. Pesquisadores como Sherry Turkle, no livro

"Life on the Screen" estudam as relações interpessoais no cyberspace. Outros como Derek Foster, no artigo "Can We Have

Communities in (Cyber)Space?" olham de maneira crítica o conceito de "comunidades virtuais", usando como referência

autores com Habermas, Baudrillard, MacLuhan e Paul Graham.

Alguns fatores levantados por ambos como característicos do ambiente virtual e da comunicação mediada por computadores

são a habilidade de brincar com identidade, a anonimidade, e o distanciamento do tempo e espaço.

Assim como construímos nossa noção de identidade e nossa noção de de tempo e espaço no mundo material, os habitantes

do cyberspace também começam a fazer o mesmo no mundo virtual.

Nossa percepção de tempo e espaço no cyberspace

Como percebemos o tempo e o espaço no cyberspace? Quais as diferenças entre nossa percepção de tempo e espaço no

mundo real? Como nossa percepção psicológica se altera no ambiente virtual do cyberspace? Para essas perguntas podemos

oferecer algumas hipóteses, levantadas a partir de experiências vividas por "cibernautas".

1. No cyberspace pode-se estar em vários lugares ao mesmo tempo

Algo compartilhado pela grande maioria dos computadores - nossas principais "portas de entrada" no cyberspace - é o

conceito de janelas. No mundo digital, várias coisas acontecem simultaneamente, cada uma em uma "janela".

Podemos conversar com amigos, ler um romance, ver cotações da bolsa, calcular as despesas domésticas e jogar um jogo,

tudo ao mesmo tempo. Podemos ser vários personagens em diferentes jogos, cada um em uma janela. Nossa personalidade

se divide, em uma espécie de "esquizofrenia digital". O mundo virtual nos chega através de um espaço pequeno - a tela de

um computador, onde é fácil concentrar a atenção de nossos olhos e ouvidos. Com o apertar de um botão as janelas se

alternam em nosso campo de visão.

O depoimento de Doug, um estudante universitário americano é um exemplo típico disso:

"Eu divido a minha mente. Estou ficando cada vez melhor nisso. Posso ver a mim mesmo como sendo dois, três ou mais.

Eu ligo e desligo partes da minha mente quando pulo de uma janela a outra. Estou tendo uma discussão em uma janela, e

em outra estou paquerando uma garota em um MUD. Outra janela pode estar rodando uma planilha ou algum programa

técnico para a universidade... E então recebo uma mensagem em tempo real (que pisca na tela assim que é mandada por

um outro usuário da rede) e acho que é da vida real. É apenas mais uma janela."

(Turkle, 1995, p. 13)

Na vida real a janela com a qual recortamos o mundo é o nosso campo de visão limitado, e para mudar o que vemos em

nosso campo de visão é preciso nos deslocarmos até um outro local. Já no cyberspace são os locais que se deslocam até nós.

A montanha vem até Maomé. As janelas se sucedem quase instantaneamente. Como as pás do ventilador que giram e criam a

ilusão de um disco, temos a sensação de estar em vários lugares ao mesmo tempo.

2. No cyberspace o tempo encolhe.

Se esperamos cinco minutos em uma fila do banco, achamos rápido. Em compensação, se tentamos nos conectar por

computador ao mesmo banco e a operação demorar mais de cinco segundos, ficamos irritados. A nossa expectativa sobre o

quanto as coisas devem demorar nos dois casos é muito diferente. Espera-se de um computador que ele seja muito mais

rápido que um ser humano.

Há algum tempo atrás ajudei uma amiga que nunca havia usado a Internet a fazer uma pesquisa sobre escolas de dança

contemporânea na Europa. Ela tinha uma lista de 5 ou 6 companhias que desejava contatar, e ao final de meia hora havíamos

conseguido contatar três delas. Apesar de termos realizado na Internet algo que demoraria talvez várias semanas através dos

meios "tradicionais", minha amiga se revelou extremamente frustrada com sua experiência na Internet. Ela me confidenciou

que esperava contatar todas as companhias da sua lista em apenas alguns minutos.

Apesar de na verdade estarmos fazendo as coisas mais rápido, temos a sensação que o tempo está demorando para passar. O

que encolheu na verdade foi a nossa expectativa. A lei da utilização do espaço em disco diz que independentemente do

espaço total disponível, o espaço livre remanescente sempre tende a zero. Ou seja: quanto mais espaço temos, menos espaço

temos. Quanto mais rápido conseguimos fazer as coisas, mais rápido ainda queremos que elas sejam feitas.

O tempo no cyberspace é um tempo frenético. Fazemos cada vez mais coisas ao mesmo tempo e mais rápido. Depois de

atingirmos a barreira da luz, talvez venha a barreira da telepatia: as coisas serão feitas antes mesmo que as desejemos.

Impossível? Já estão sendo desenvolvidos softwares de "agentes inteligentes" que aprendem nossos gostos, hábitos e

personalidades para buscar na Internet coisas de que gostaríamos, sem que precisemos pedir isso a eles. Além de

fragmentarmos nossas mentes, as replicaremos em nossos agentes e as mandaremos povoar o cyberspace.

3. No cyberspace o tempo que se leva para percorrer uma determinada distância não depende do comprimento, mas da

largura da estrada.

Para levar nossos átomos de Porto Alegre até o Japão demoramos várias horas. Para irmos até a sala vizinha no prédio

demoramos alguns segundos. O tempo dispendido nos dois deslocamentos vai depender, além do tipo de transporte utilizado

(imagine ir até o Japão a pé...), principalmente da distância entre os dois locais, ou seja, do comprimento da estrada. A

distância em metros até o Japão é milhares de vezes maior do que a distância até a sala vizinha.

Já para levarmos nossos bits (digamos, nossa foto digitalizada) de um lugar a outro, o tempo gasto no deslocamento vai

depender principalmente da largura de banda da conexão. A largura de banda é medida em bits por segundo. Um cabo de

fibra ótica pode transportar bilhões de bits por segundo. Se estivermos conectados por fibra ótica submarina até o Japão,

nossa foto vai chegar lá em algumas frações de segundo. Se a sala ao lado lado também estiver conectada por fibra ótica, a

mesma foto vai chegar em uma fração de segundo ligeiramente menor. Porém, se estivermos conectados à sala ao lado por

um modem de 300 bps, a foto pode demorar horas para chegar. Talvez seja mais prático, nesse caso, ir à pé.

No cyberspace, a noção do tempo dispendido em um deslocamento se altera. Os bits não se deslocam da mesma maneira que

os átomos. A topologia do cyberspace não coincide com a do mundo real.

"A Internet nega a geometria. Apesar de ter uma topologia definida de nós computacionais e vizinhanças irradiantes de

bits, e apesar dos locais dos nós poderem ser desenhados em mapas e produzir surpreendendes diagramas

Haussmannians, o cyberspace é fundamentalmente antiespacial. Não é nada como a Piazza Navona ou Copley Square.

Não se pode dizer onde ele está nem descrever seu formato e proporções memoráveis ou ensinar a um estranho como

chegar lá. Mas você pode achar coisas sem saber onde elas estão. A internet é envolvente - não está em nenhum lugar em

particular mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Você não vai até lá, você se "loga" nela, de onde quer que você

esteja no espaço físico."

(Mitchell, 1997)

É o mesmo que fala Negroponte sobre sua experiência de "se logar" no cyberspace:

"No meu caso, eu sei onde meu endereço - @hq.media.mit.edu - se encontra fisicamente: numa máquina HP/Unix de dez

anos de idade que fica num gabinete próximo do meu escritório. Mas, quando as pessoas me enviam mensagens, elas as

mandam para mim, não para o tal gabinete. Podem deduzir que estou em Boston (o que, em geral, não é verdade).

Normalmente, estou num outro fuso horário, de modo que o que se tem não é apenas uma mudança de espaço, mas de

tempo também." (Negroponte, 1995, p.160)

O espaço real e o cyberspace se tocam através de "portas de acesso" mas sua topologia não é a mesma. Podemos estar na

mesma localidade física - nosso escritório por exemplo - acessando diversos locais do cyberspace; ou em diferentes locais

físicos acessando a mesma caixa postal de correio eletrônico.

Quando nos locomovemos pelo cyberspace, jogamos fora nossos mapas, nossas bússolas e nossa concepção de geometria.

Depois que entramos lá, que "nos logamos", começamos a nos movimentar pelas regras dos bits. Entramos em um outro

tempo e espaço.

Bibliografia:

Foster, Derek. Can We Have Communities in (Cyber)Space? 1997. http://www.carleton.ca/~jweston/27523/papers/foster

Hawking, Stephen W. Uma breve história do tempo. Rio de Janeiro, 1988. Ed. Rocco.

Katsura, Hattori. The Transition from the Material World to the Information World. 1997 http://

www0.nexsite.nttdata.jp/info/eye-think3.jhtml

Lévy, Pierre. As tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro,1994. Editora 34.

--- O Digital e a Inteligência Coletiva. Folha de São Paulo, 06 de julho de1997

Mitchell, W. City of Bits. 1997, MIT Press http://mitpress.mit.edu/e-books/City_of_Bits/index.html

Negroponte, Nicholas. A Vida Digital. São Paulo, 1995. Editora Schwartz.

Sacks, Oliver. Tempo de despertar. São Paulo, 1997. Companhia das Letras.

Thompson, Richard L. (Sadaputa Dasa). Paradoxes of Time and Space. 1997 http://albert.ccae.virginia.edu/~svg4j/VEDA/

vedic-time-space.html

Turkle, Sherry. Life on the screen. New York, 1995. Simon & Schuster

Virilio, Paul. Speed and Information: Cyberspace Alarm!. 1997, CTheory. http://www.ctheory.com/a30-

cyberspace_alarm.html

Weherley, Kevin. Charles Darwin in Cyberspace: Electronic Evolution and Technological Selection. 1997. http://

www.csuchico.edu/anth/CASP/Weherley_K.html
Continue

Infância Redescoberta

2
21:48



O olhar do passáro é o olhar sobrio de quem sabe que o céu é seu.


Não há nada que ele tema mais que a prisao.
Que a insatisfação dos Homens que não podem voar espontaneamente rumo a qualquer direação.
Os passáros tem um rumo apenas; o de rumar sobrevoando o âmago de cada momento,
curta destreza lírica que sobrevoa o espaço como um colar visivel que contemplamos invejosamente.

Ah onde estão as asas quando se precisa delas?
Para um encontro do pássaro-homem com a liberdade?

Minha asas me levariam a saturno
e voltaria para visitas esporádicas
Teria morada no céu, contruiria um pequeno ninho na árvore mais alta
e lá recomeçaria a ser eu mesmo, mesmo até antes de ser...



Poeta.















Helena Límia


Helena Límia é um poetisa pouco conhecida, de origem desconhecida, alguns dizem que veio de Portugal - terra de Antonio Ramos Rosa e Álvaro de campos - outros a chamam de poeta do campo, que teria nascido no interior do Pará mas vivido boa parte do tempo em São-Paulo, em casa em casa de amigos até desaparecer. Dexou alguns escritos ma seu rumo até hoje está incerto.

De poesia voltada para um existencialismo contemplativo, naturalista e de versos exaltando os animais e a beleza dos pequenos gestos das coisas humanas. Helena Límia releva um poesia esperançosa que passa por leves melancolias até encontrar na poética sua morada. Continue

Vernissage

0
21:58




Bem, a arte morreu, e agora? Vamos para casa? Algumas possibilidades de transformação na arte e através da arte.

O que é tão engraçado a respeito da Arte?

A Arte foi gargalhada até a morte pelo dada? Ou talvez este sardonicídio se deu ainda antes, com a primeira performance do Ubu Rei? Ou com a gargalhada sarcástica de fantasma-da-ópera do Baudelaire, que tanto perturbava seus bons amigos burgueses?

O que é engraçado a respeito da Arte (apesar de ser mais engraçado-peculiar do que engraçado-haha) é a visão do cadáver que se recusa a cair, este gincana de mortos-vivos, este teatro de marionetes macabro com todas as cordas ligadas ao Capital (um plutocrata inchado tipo Diego Rivera), este simulacro moribundo zumbizando freneticamente por aí, fingindo ser a única coisa viva de verdade em todo o Universo.

Em face de uma ironia como esta, uma duplicidade tão extrema que chega a um abismo intransponível, qualquer poder de cura de uma gargalhada-na-arte tem que ser no mínimo tomado como suspeito, a propriedade ilusória de uma auto-proclamada elite ou pseudo-vanguarda. Para haver uma vanguarda genuína, a Arte deveria estar indo a algum lugar, e há muito tempo já que este não é o caso. Mencionamos Rivera; certamente nenhum outro artista político genuínamente engraçado chegou a pintar em nosso século - mas para que fim? Trotskysmo! A mais morta e sem saída das políticas do século XX! Sem poder de cura aqui - apenas o barulho oco da zombaria sem poder, ecoando através do abismo.

Para curar, é preciso primeiro destruir - e a arte política que falha em destruir o alvo de seu riso acaba fortificando exatamente as forças que pretende atacar. "O que não me mata me deixa mais forte," diz com desprezo a figura suína em sua cartola brilhante (imitando Nietzsche, é claro, pobre Nietzsche, que tentou gargalhar todo o século dezenove até a morte, mas acabou como um cadáver vivo, cuja irmã lhe amarrou cordas em seus membros para fazê-lo dançar para os fascistas).

Não há nada particularmente misterioso ou metafísico sobre o processo. As circunstâncias, a pobreza, certa vez forçaram Rivera a aceitar um trabalho para vir aos EUA e pintar um mural - para Rockfeller! - o próprio arquétipo máximo de leitão da Wall Street! Rivera fez de seu trabalho uma peça gritante de panfletagem comunista - e então Rockfeller a obliterou. Como se isto não fosse engraçado o bastante, a piada de verdade é que Rockfeller poderia ter saboreado a vitória ainda mais docemente sem destruir o trabalho, mas pagando por ele e o exibindo, transformando-o em Arte, esse parasita banguela da decoração de interiores, essa piada.

O sonho do Romantismo: que a o mundo-realidade dos valores burgueses poderia de alguma maneira ser persuadido a consumir, a absorver, uma arte que à primeira vista se parecesse com todo o resto da arte (livros para ler, quadros para pendurar na parede, etc.), mas que secretamente infeccionaria a realidade com algo mais, algo que mudaria a maneira como é vista, viraria a mesa, colocaria no lugar os valores revolucionários da arte.

Este também foi o sonho do surrealismo. Até mesmo o dada, apesar de seu descarado show de cinismo, ainda ousava ter esperanças. Do Romantismo ao Situacionismo, de Blake a 1968, o sonho de cada vitória sobre o ontem se tornou conversinha decorativa de cada amanhã - comprado, mastigado, reproduzido, vendido, consignado a museus, bibliotecas, universidades e outros mausoléus, esquecido, perdido, ressurecto, tornado em loucura nostálgica, reproduzido, vendido, etc., etc., ad nauseam.

Para entender o quanto Cruikshank ou Daumier ou Grandville ou Rivera ou Tzara ou Duchamp destruíram a visão do mundo burguesa de seus tempos, é preciso se enterrar numa tempestade de referências históricas e se alucinar - já que de fato a destruição-pelo-riso foi um sucesso teóríco mas um fracasso na realidade - o peso morto da ilusão falhou em mover uma polegada com a gargalhada histérica, o ataque do riso. Não foi a sociedade burguesa que entrou em colapso no final, foi a arte.

Á luz do trote que foi pregado em nós, é como se o artista contemporâneo fosse colocado entre duas escolhas (uma vez que o suicídio não é uma solução): um, seguir lançando ataque atrás de ataque, movimento atrás de movimento, na esperança de que um dia (logo) "a coisa" vai ficar tão fraca, tão vazia, que vai evaporar e nos deixar sozinhos no campo de batalha; ou dois, começar imediatamente agora a viver como se a batalha já estivesse vencida, como se hoje o artista já não fosse um tipo especial de pessoa, mas cada pessoa um tipo especial de artista (foi isto que os Situacionistas chamaram de "a supressão e realização da arte").

Ambas estas opções são tão "impossíveis" que agir em qualquer uma delas seria uma piada. Não precisaríamos fazer arte "engraçada" por que apenas fazer arte seria engraçado o suficiente para soltar os intestinos. Mas pelo menos seria a nossa piada (quem pode dizer com certeza que falharíamos? "Eu amo não conhecer o futuro" - Nietzsche). Para que possamos começar a jogar este jogo, devemos provavelmente estabelecer certas regras para nós mesmos:

1. Não há questões. Não existe esse negócio de sexismo, fascismo, especismo, visualismo, ou nenhum outra "franquia de questão" que possa ser separada do complexo social e tratada com um "discurso" como um "problema". Há apenas a totalidade que divide todas estas "questões" ilusórias na completa falsidade de seu discurso, fazendo de todas as opiniões, prós e contras, em apenas bens-de-pensamento para serem compradas e vendidas. E esta totalidade é ela própria uma ilusão, um pesadelo maligno do qual estamos tentando (através da arte, do humor, ou de qualquer outro meio) despertar.

2. Tanto quanto possível, qualquer coisa que façamos deve ser feita fora da estrutura psíquica/econômica gerada pela totalidade como o espaço permissível para o jogo da arte. Como, você pergunta, nós ganharemos a vida sem galerias, agentes, museus, publicação comercial, a NEA* e outras agências em benefício das artes? Bem, ninguém precisa pedir pelo improvável. Mas ainda devemos exigir o "impossível" - ou então, por que catzo uma pessoa é artista?! Não é o suficiente ocupar um pedestal sagrado e especial chamado Arte de cima do qual se zomba da estupidez e injustiça do mundo "quadrado". A arte é parte do problema. O Mundo da Arte enfiou sua cabeça na própria bunda, e se faz necessário sair disto - ou então viver em uma paisagem cheia de merda.

3. Claro que se deve "ganhar a vida" de alguma maneira - mas o essencial aqui é viver. Seja o que for que fizermos, qualquer que seja a opção que escolhamos (talvez todas elas), o o quanto nos comprometamos, devemos orar para nunca confundir arte com vida: a Arte é breve, a Vida é longa. Devemos estar preparados para navegar, nomadizar, escorregar de todas as redes, nunca estabilizar, viver através de várias artes, fazer nossas vidas melhores que nossa arte, fazer da arte nosso grito no lugar de nossa desculpa.

4. O riso que cura (em oposição à gargalhada corrosiva e venenosa) pode apenas surgir de uma arte que é séria - séria, mas não sóbria. Morbidez sem sentido, niilismo cínico, tendências de frivolidade pós-moderna, resmungar/praguejar/reclamar/ (o culto liberal da "vítima"), exaustão, hiperconformidade irônica Baudrillardiana - nenhuma destas opções é séria o suficiente, e ao mesmo tempo nenhuma é intoxicada o bastante para servir aos nossos propósitos, muito menos para merecer o nosso riso.


Nota:

* - National Endowment for the Arts, uma entidade governamental americana que financia as artes


Mestre Hakim Bey
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...E por falar em Radiohead...

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16:45




The most gigantic lying mouth of all time:

Radiohead Tv

Chris Bran, 2004
IndieLisboa, 2006



Bizarro. Cápsula anti-tv. Absurdo, quase. E por isso delicioso. The most gigantic lying mouth of all time é uma quase-mentira. Uma pacote de experiências de levitação. É o produto final de um projecto abortado: na altura de lançamento do álbum Hail to the thief os Radiohead anunciaram a abertura do seu canal próprio, o radiohead-tv. Este filme (?), documentário (?) é o fruto inacabado e vai ficar assim, como objecto final. Um conjunto dos primeiros quatro episódios, que compila material enviado por admiradores e outro produzido pelos próprios Radiohead e apresenta ainda um conjunto de temas inéditos dos magos britânicos.

Momento épico, da máquina a amamentar o recém-nascido com óleo ou diesel ou petróleo ácido, progressiva programação de sentidos, a, b, h, delete, insert, e Spinning Plates (amnesiacquiano) a ganhar visual, inquietante.

Amargo na língua, de tão delicioso. Mas é preciso estar dentro, bater bem a porta para evitar correntes de ar, aborrecimentos por não se perceber o universo radiohead. Sobretudo, é preciso gostar dos génios de Oxford, ter lágrimas cravadas em Ok Computer, desenhos de minúsculos monstros rebeldes no caderno, «against demons», «i might be wrong», «Fitter, happier, more productive, comfortable, not drinking too much, regular exercise at the gym (3 days a week)...», letras de Kid A no impresso para entregar nas finanças, histeria quando se ouve Street Spirit (Fade out) perdida numa radiofonia qualquer. Reunidas estas pétalas de loucura, The most gigantic lying mouth of all time torna-se ultradigerível, entranha as imagens mais absurdas (que as há, que são fatia grande de cada episódio) no mais orgulhoso absurdo do ser. É pura masturbação.

Entrevistas sem sentido com Thom Yorke, viagens sem dentes de ouro pelo experimentalismo da animação, Yorke a solo no piano, Hail to the thief por todos os poros, magnitude de imagem conjugada com uma ou outra, ou mais, absolutamente incompreensível, lição de política internacional declarada (das animações com melhor realização) a Bush e Blair, primeiras-damas do mundo, nódoa de sangue e de luz a pintar o escuro, distorções de imagens, de voz, de faces, de ideias – os Radiohead e a comunidade que os abraça, sem espinhas. Hino à libertação, desaconselhado aos que não resistem a paisagens cinzentas

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Thomas Edward Yorke sopra as velinhas hoje!

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18:01


O mais genial compositor da minha geração nascia em 7 de Outubro de 1968 pra ser o frontman dos já lendários Radiohead.


Estar ali, há alguns metros dessa entidade da arte moderna em 22 de Março de 2009 em São Paulo foi umas das experiências mais inesquecíveis de todos os meus anos.

Ouvi-lo é ouvir uma voz bela, atormentada, rara, emocional, confessional, seria a voz das estrelas cadentes, ou seria o sussurros dos oceanos? o sopro dos ventos mais delicados, estranhamente confusos, confusamente inimaginaveis, lúdicos como os poetas, frágeis como seus versos e sinceros como sua alma.








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04:19

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12:21


Basta uma faísca e sonhamos sonhos montanhosos,
cumes impensáveis onde deixamos lá marcas indecifráveis de nós,
rios de redemoinhos e gotas De águas que correm em direções secretas...
arremessando mascaras e gestos contidos num baú entreaberto num deserto voador,
tudo é belo e cortante como se fosse inalcançável,
tudo se dilacera mas na verdade se refaz em minúsculos braços de lagrimas
que ajudam a remar em direções impossíveis,
e na materia-sonho encontramos o abrigo de um colo,
como a folha solta dialogando com a ventania,
como a embarcação com as ondas,
pareço flutuar agora não na imaginação,
livremente me embrenhando pelos arcos e léguas...
largo-me...
num baile de ventos...
eu, solto em mim mesmo.




















João Leno Lima
07-10-09 Continue

O COLO PRIMORDIAL

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11:11





Preciso, preciso de poesia para viver.
versos, inversos, cadáveres de sonhos, destinos inalterados,
tempestades, venham em me ouçam!
preciso, preciso de poesia para viver
venham todos, ludicamente todos.
saídos do lodo das embarcações atracadas nos litorais da solidão,
saídos do moinho abraçado ao pé da estrada,
saído das poças das paradas de ônibus, saídos dos terminais invisíveis dos desejos,
de dentro da boca das mulheres mal amadas e dos homens mal amados,
preciso, preciso de poesia para viver
resgata-me desse naufrágio cíclico, desse alvoroço flamejante que cobre a cidade de alma dissolvida
numa xícara oca que vaza almas esbravejantes,
meu deus, o ritual das mascaras tem seu apogeu quando abrimos um túmulo de sensações
e despejamos sonhos dentro
e pisoteamos com areis do mar-visagem da lágrima todos
encimentando o dia...
preciso, preciso de poesia para viver.
preciso do ato, do primeiro passo apos o abismo,
do trem viajante que leve apenas os sonhadores,
do fênix-verso eternamente possuído de destreza,
eternamente gritando como o poeta que grita o seu silencio,
como a dançarina união de todos,
como o brotar colossal das arvores dos nossos sentidos
engalfinhando como raízes o âmago dos deuses
e escavando as artérias das nuvens e os pulmões do mar...
nem eu , nem eu, nem eu nem ninguém cessa essa insatisfação
tão gigantes quanto todas as crianças ao mesmo tempo,
ah o poeta deixa o mundo de pernas para o ar puxando o seu tapete real
e aremessando num sopro suas obscuridades e montanhas de medo...
sim, também tenho medo...
só peço-te um abraço oh fantasmas todos,
só por um instante solte-me que lentamente depois voltarei a ser oque queres,
lentamente voltarei a ser poeta...
mas agora quero tomar forma de todas as páginas de poemas do mundo
quero ter no sangue todas as tintas e dialogar usando como dialeto o verso,
e num vento saltimbanco estar no colo – como página- de todos – exatamente todos –
para que todos possam ler o meu sentir
naqueles minutos onde a eternidade
tem o nosso próprio tamanho essencial.







João Leno Lima
01-10-09 Continue

TEMPORIZAR

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10:11







Algumas almas são como um trem

seguindo uma trilha certa, coerente...

as vezes por algum momento se desalinha

mas não significa que saiu dos trilhos....

Eu já me sinto como uma ave

seguindo um rumo desconhecido

as vezes e muitas vezes eu vôo bem alto...bem alto...

depois desabo...

desço fundo, quebro uma asa...

depois... retorno

seguindo e sentindo tudo novamente.
























João Leno Lima

30-09-09 Continue

LONGINQUO ESPAÇO ENTRE AS MÃOS

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00:56





Para o poeta sempre falta o infinito
as longas caldas do sentir
envolve o corpo celeste da alma,
entrelaça-se pelo seu pescoço
e sufoca suas dores puídas de pus e rastro
lançando para o céu gritos
capazes de pentear os cabelos da eternidade...
Para o poeta sempre falta o infinito.























João Leno Lima
30 -09-2009 Continue

DESACORDO

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13:53




Não!
nao quero constelações hoje
chega de abraçar estrelas,
chega de desbravar cometas
chega de dialogar com as galáxias
hoje quero o calor da alma
hoje quero o sorriso inigualável da criança
quero hoje o sol frente a frente
e mesmo que meus olhos queimem
quero hoje apalpar o rosto dos que tem rosto
quero nem que seja por hoje
Cumprimentar o visível não sendo eu o invisível que passa...
ah...se pudesse nem poeta queria ser hoje...
Só queria ser simples...
como a poesia das coisas poéticas do dia...
como as constelações e as estrelas da manhã...




















João Leno Lima
29-09-09 Continue

APROXIMAÇÃO

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13:30








Certa tarde me preparando para atravessar a movimentada esquina
do centro da cidade um - menino da rua –
se aproximou olhou no meus olhos, pisou no meu sapato e disse-me:
“Porque tu pisa no meu pé?”
e sumiu como se tivesse voltado ao subsolo da invisivibilidade...
ser poeta é ser alvo da poesia viva,
latejante, dilaceradora, insaciavelmente mundana
inegostávelmente real, tão lucidamente abstrata
quanto qualquer realidade possível.




















João Leno Lima
28-09-2009 Continue

Labirinto

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11:12








Eu sempre entendo...

Às vezes penso...será que deveria mudar

e não entender nada?

Na verdade...

Nao entendo...só sinto.

Ela diz....

-Tenho pensando agora

tenho um monte de coisa pra contar

(tá, não é tanta coisa)

eu disse...

-claro que é...

cada pequena coisa é uma galáxia e uma galáxia é grande coisa

É, eu sempre entendo.

Mas na verdade...

não entendemos

Só sentimos.

























João Leno Lima e Nádia

28-09-09 Continue

DESNADA

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Ele abraça a si mesmo

como a ilha ao mar.

desapega-se das convenções das sombras

deixa-se levar como a folha solta aos ventos arquitetônicos....

como as escuridões para as luzes da manhã...

Ele geme de boca invertida

pronto para receber os cometas

invocados num ritual onde só a noite compareceu...

como um viajante sempre estrangeiro a si,

Ele se abraça como os pés do feto nas areias do destino...

deixando em sua palma da mão do seu outro eu

a experiência com as borboletas dos instantes mais montanhosos...

oh montanhas de sentidos se abraçando mutuamentemente

misturando-se como o sangue aos ralos íntimos dos nossos corpos...

como ele está abrigado,

desabrigado à solidão

mas acorrentado à certeza de possuir a si mesmo,

como é notório que seus batimentos cardíacos

tem a pulsação das maiores estrelas

e seus olhar está mais distante que os confins de Van Gogh...

Ele está certo, somos sugados pelas incertezas;

mas nosso destino é a certeza de encontrar o que sempre procurar...

Enquanto Ele abraça a si mesmo,

não teme, rola-se pelas tapetes que ainda nem flutuam,

acreditando que jamais fugirá de si de novo

-aquela noite onde a lágrima parecia apenas um copo d’agua

do oceano interior...

Não devemos temer também,

somos a construção feita de blocos de sonhos concretos

e sopros de uivos chamando sempre a vida...

onde estáis?

oh empalidecido fim do poema que na verdade

é o inicio do dialogo com cada ser...

seres?

Sejam acima de tudo...

o abraço essencial à própria essencialidade das coisas eternas!













João Leno Lima

25-09-2009 Continue