Videoart - InVERSAMENTE

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17:13

 

Videoarte de João Leno Lima "Inversamente"

em 04-10-10.

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Manifesto dos Sem-Mídia

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09:57

Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje.


No transcurso do século XX, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa.


Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades. Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria.
Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos.


O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.


A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos. Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as.


É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos.


Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta "indignação nacional" com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é "da opinião pública", apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia. Nesse processo, a "indignação" de meia dúzia de barões da mídia é apresentada como se fosse a "da opinião pública".


O poder que a mídia tem - ou pensa que tem - é tão grande, que ela ousa insultar a ampla maioria dos brasileiros, maioria que elegeu o atual governo. A mídia insulta a maioria dizendo que esta tomou a decisão eleitoral que tomou porque é composta por "ignorantes" que se vendem por "bolsas-esmola". Retoma, assim, os fundamentos do voto censitário, que vigeu no alvorecer da República, quando, para votar, o cidadão precisava ter um determinado nível de renda e de instrução. E o pior, é que a teoria midiática para explicar por que a maioria da sociedade não acompanhou a decisão eleitoral dos barões da mídia, esconde a existência de cidadãos como estes que aqui estão, que não pertencem a partidos, não recebem "bolsas-esmola" e que, assim mesmo, não aceitam que a mídia tente paralisar um governo eleito por maioria tão expressiva criando crises depois de crises.


É óbvio que a mídia sempre dirá que suas tendências e pontos de vista coincidem com o melhor interesse do conjunto da sociedade. Dirá isso através da confortável premissa (para os beneficiários preferenciais do status quo vigente) de que as dores que a prevalência dos interesses dos estratos superiores da pirâmide social causa aos estratos inferiores, permitirão a estes, algum dia, ingressarem no jardim das delícias daqueles. É a boa e velha teoria do “bolo” que precisa primeiro crescer para depois ser dividido.
Os meios de comunicação sempre tomaram partido nos embates políticos. Demonizam políticos e partidos que grupos de interesses políticos e econômicos desaprovam e, quando não endeusam, protegem os políticos que aqueles grupos aprovam. Isso está acontecendo hoje em relação ao governo federal e à sua base de apoio parlamentar, por um lado, e em relação à oposição a esse governo e a seus governos estaduais e municipais, por outro. Resumindo: a mídia ataca o governo central em benefício de seus opositores.

Os meios de comunicação se defendem dizendo que atacam o governo central também porque ele nada faz de diferente - ou de melhor - do que fazia a facção política que governava antes, e diz, ainda por cima, que o atual governo produz "mais corrupção". Alguns veículos, mais ousados, acrescentam que os que hoje governam favorecem mais o capital do que seus antecessores. Outros veículos, mais dissimulados, ainda adotam um discurso quase socialista ao criticarem os lucros dos bancos e o cumprimento dos contratos que o governo garante. A mídia chega a fazer crer que apoiaria esse governo se ele fizesse despencar a lucratividade do sistema bancário e se rompesse contratos. Faz isso em contraposição ao que dizia dos políticos que agora estão no poder, porém no tempo em que estavam na oposição, ou seja, dizia que não poderiam chegar ao poder porque, lá chegando, descumpririam contratos e prejudicariam o sistema bancário...

 
A mídia brasileira garante que é “isenta”, que não é pautada por ideologias ou por interesses privados, e que trata os atuais governantes do país como tratou os anteriores. Não é verdade. Bastaria que nos debruçássemos sobre os jornais da época em que os que hoje se opõem ao governo federal estavam no poder e comparássemos aqueles jornais com os de hoje. Veríamos, então, como é enorme a diferença de tratamento. Nunca a oposição ao governo federal foi tão criticada pela mídia quanto na época em que os que hoje estão no governo, estavam na oposição; nunca o governo foi tão defendido pela mídia quanto era na época em que os que hoje estão na oposição, estavam no governo.


Não é preciso recorrer a registros históricos para comprovar como os pesos e medidas da mídia diferem de acordo com a facção política que ocupa o poder. Basta, por exemplo, comparar a forma como os jornais paulistas cobrem o governo do Estado de São Paulo com a forma como cobrem o governo do país.
A mesma facção política governa São Paulo há mais de uma década. Nesse período, o Estado foi tomado pelo crime organizado. A Saúde pública permanece - ou se consolida - como um verdadeiro caos, apesar das novas tecnologias e da enorme quantidade de recursos que transitam por São Paulo. A Educação pública permanece como uma das piores do país a despeito da pujança econômica paulista. Assim, começaram a eclodir desastres nunca vistos na locomotiva do Brasil que é São Paulo.


Ano passado, uma organização criminosa aterrorizou este Estado. Essa organização nasceu e se fortaleceu dentro dos presídios controlados pelo governo paulista. A Febem, destinada a recuperar jovens criminosos, consolidou-se como escola de crimes, e as prisões para adultos alcançaram o status de faculdades do crime. No início deste ano, uma rua inteira ruiu por causa de uma obra da linha quatro do metrô paulistano, administrado pelo governo paulista. Várias pessoas morreram. Foi apenas mais um entre muitos outros acidentes que ocorreram nas obras do metrô de São Paulo e a mídia não noticia nada disso, o que lhe deixa escandalosamente óbvio o intuito de proteger o grupo político que governa o Estado mais rico da Federação e que se opõe ferozmente ao governo federal.

 
A mídia exige CPIs para cada suspeita que a oposição levanta sobre o governo federal, mas não diz uma palavra de todos os escândalos envolvendo o governo de São Paulo. Omite-se quanto à violação dos direitos das minorias parlamentares na Assembléia Legislativa paulista, violação perpetrada pelas maiorias governistas, maiorias que nos últimos anos enterraram dezenas de pedidos de investigação do governo paulista, controlado por políticos que estão entre os que mais exigem investigações sobre o governo federal.
Seria possível passar dias escrevendo sobre tudo o que a imprensa paulista deveria cobrar do governo do Estado de São Paulo, mas não cobra. Ler um jornal impresso em São Paulo ou assistir a um telejornal produzido aqui só serve para tomar conhecimento do que faz de ruim - ou do que a mídia diz que faz de ruim - o governo federal. Dificilmente se encontra informações sobre o governo paulista, e críticas, muito menos. O desastre causado pela obra da linha quatro do metrô paulistano, por exemplo, foi coberto pela mídia, mas por pouco tempo - questão de dias. Depois, o assunto desapareceu do noticiário e nunca mais voltou. Dali em diante, a mídia passou a esconder e a impedir qualquer aprofundamento no caso, fazendo com que a sociedade permaneça sem satisfação quase nove meses depois da tragédia. Mas o "caos aéreo" não sai da mídia um só dia já há quase um ano.


Assim é com tudo que diga respeito a políticos e partidos dos quais a imprensa paulista gosta. E o mesmo se reproduz pelo país inteiro. A mídia carioca, a mídia baiana, a mídia gaúcha, as mídias de todas as partes do país fazem o mesmo que a paulista, pois todas são uma só, obedecem aos mesmos interesses, controladas que são por um número ridiculamente pequeno de famílias "tradicionais", por uma oligarquia que domina a comunicação no Brasil desde sempre.
O lado mais perverso desse processo é o de a mídia calar divergências. Cidadãos como estes que assinam este manifesto são tratados pelos grandes meios de comunicação como se não existissem. São os sem-mídia, somos nós que ora manifestamos nosso inconformismo. Muito dificilmente é dado espaço pela mídia para que quem pensa como nós possa criticar o seletivo moralismo midiático ou as facções políticas amigas dos barões da mídia. A quase totalidade dos espaços midiáticos é reservada àqueles que concordam com os grandes meios de comunicação. Jornalistas que ousam discordar, são postos na "geladeira". A mídia impõe uma censura branca ao país. Isso tem que parar.


Claro precisa ficar que os cidadãos que assinam este manifesto não pretendem, de forma alguma, calar a mídia. Os que qualificam qualquer crítica a ela como tentativa de calá-la, agem com má-fé. É o contrário, o que nos move. O que pedimos é que a mídia fale ou escreva muito mais, pois queremos que fale ou escreva tudo o que interessa a todos e não só aquilo que lhe interessa particularmente e àqueles que estão ao seu lado, pois a mídia tem lado, sim, apesar de dizer que não tem, e esse lado não é o de todos e nem, muito menos, o da maioria.

Mais do que um direito, fiscalizar governos, difundir idéias e ideologias, é obrigação da mídia. Assim sendo, os signatários deste manifesto em nada se opõem a que essa mesma mídia critique governo nenhum, facção política nenhuma, ideologia de qualquer espécie. O que nos indigna, o que nos causa engulhos, o que nos afronta a consciência, o que nos usurpa o direito de cidadãos, é a seletividade do moralismo político midiático, é o sufocamento da divergência, é o soterramento ideológico de corações e mentes.
Por tudo isso, os signatários deste manifesto, fartos de uma conduta dos meios de comunicação que viola o próprio Estado de Direito, vieram até a frente desse jornal dizer o que ele e seus congêneres teimam em ignorar. Viemos dizer que existimos, que todos têm direito de ter espaço para seus pontos de vista, pois a mídia privada também se alimenta de recursos públicos, da publicidade oficial, e, assim sendo, tem obrigação de não usar os amplos espaços de que dispõe como se deles proprietária fosse. Seu papel, seu dever é o de reproduzir os diversos matizes políticos e ideológicos, de forma que o conjunto da sociedade possa tomar suas decisões de posse de todos os fatos e matizes opinativos.


Em prol desse objetivo, hoje está sendo fundado o Movimento dos Sem-Mídia. Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural. Aqui, hoje, começamos a lutar pelo direito de todos os segmentos da sociedade de terem como expor suas razões, opiniões e anseios e de receberem informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser "jornalismo".


São Paulo, 15 de setembro de 2007

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Yomango

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12:15

INVENTAR NOVOS GESTOS
Yomango Barcelona

91298228

 

Trata-se de inventar novos gestos
Que, em sua repetição, abram
Novos mundos nos quais habitar

............................................................
A situação atual leva-nos a grande parte da sociedade, cada dia mais excluída, cada dia mais perseguida, cada dia mais pobre, a viver precariamente em cada vez mais aspectos de nossa vida. Já não somos precários só em nosso trabalho, toda nossa vida se rodeia dessa sensação de precariedade. É um circulo vicioso no qual vemos cada dia mais pessoas fadadas a cair; precariedade no trabalho; aumento do preço da moradia, só com fins especulativos; cada dia mais necessidades criadas pelo mercado que te oferece algum objeto novo e necessário sem o qual nos sentiremos mais excluídos. Uma situação que dá para poucas alegrias. E será que não as merecemos?

O controle estabelecido pela UE, como um manto pesado que nos cobre, a guerra global proclamada aos quatro ventos - que nos converte, além de pobres e precários, em suspeitos de tudo, mais ainda se somos migrantes - nos deixa imóveis com nosso fardo cotidiano. Uma situação que dá para poucas respostas. Ou talvez a solução seja mais fácil do que parece?

A desobediência é uma das melhores maneiras das que dispomos para liberar-nos do pesado manto do controle. Desobedecer é legitimar nossa existência, legitimar nossa vida e fazer-nos responsáveis por ela e nossos atos. Mas é uma ferramenta a que temos que dar forma entre todos e todas, criar os mecanismos que façam da desobediência algo cotidiano em nossa vida. Uma ferramenta que nos constitua como corpos desobedientes, para que nossos gestos cotidianos configurem uma força criadora e nova.

Mas nós não podemos ficar só dizendo: "desobedeçamos". Temos que criar, entre todos, formas cotidianas de fazê-lo, ferramentas cotidianas, fáceis de usar, que nos alegrem a vida e provoquem aos que nos provocam.

YOMANGO é um projeto de desobediência cotidiana. "Manguemos" (1) nessas grandes cadeias/redes de lojas que nos encarceram, que especulam na bolsa, que traficam com armas e com vidas, e que nos obrigam a comprar-lhes a preço de ouro o fruto do esforço de mãos escravas, de corpos sensíveis e mentes inteligentes. Manguemos para fazer a compra diária, manguemos a roupa que nós gostamos e nos faz sentir belos - ou será que não podemos nos sentir belos? -, manguemos esses objetos que nos alegram um pouco mais a vida, façamos isso sozinhos ou em companhia, com público ou reservadamente, acostumemo-nos a utilizar esses gestos cotidianos que abram novos mundos nos quais habitar.

YOMANGO é um projeto de livre circulação de pessoas e dos objetos que elas queiram utilizar, compartilhar, presentear, ou simplesmente mangar. A felicidade é difícil de definir, sobretudo quando se é pobre. Os espaços públicos cada dia mais se vêem reduzidos a ruas comerciais ou grandes shoppings, assépticos, onde a uniformização da sociedade por cânones marcados pela moda e pelo consumo fazem que seja muito mais visível nossa condição de precariedade, de migrante. Centro comerciais que concentram em seu interior o consumo e espaços de lazer e cultura; cadeias/redes de livrarias, cadeias/redes de cinemas, restaurantes. YOMANGO abre uma possibilidade de utilização diferente destes espaços. No momento em que entra num shopping com uma intenção diferente da de comprar, você se torna um alegre ator que interpreta um personagem de comprador, a visão do espaço muda totalmente, e portanto sua utilização. Isto pode chegar a liberar totalmente o espaço, utilizando-o para o que queira, sobretudo se sua atividade se desenvolve em grupo. Liberar os espaços públicos, reclamando sua gratuidade, sua utilização como espaço público num sentido real, sentir a liberdade de criar novos usos, novos mundos.

O roubo em shoppings não é algo novo, assim como o aspecto final de YOMANGO não o é. Se YOMANGO fosse só uma campanha de roubo em grandes áreas seria um conceito supérfluo. A diferença se baseia no fato de que YOMANGO cumpre e desenvolve várias funções: é uma proposta com sua argumentação teórico-política de confrontação, de desobediência aos esquemas impostos pelo consumo, nos reapropriando dos logos e da cultura que as grandes redes difundem para gerir nossas necessidades e desejos. Como marca comercial, YOMANGO tem seus catálogos, seus anúncios publicitários, suas campanhas de temporada, mas não vende nada de nada. Não produz nenhum objeto. YOMANGO sugere uma forma de vida, está desenhado para que qualquer pessoa ou grupo se reaproprie dele, como queira, onde queira, transformando-o, plagiando-o, ampliando-o. Trata-se de uma livre circulação de idéias que em sua evolução cotidiana nos fará mais livres.

YOMANGO

No shopping mais próximo de você.

Nota:

1. Manguemos: roubemos, furtemos (Nota do Tradutor).

Tradução de g. e Gérson de Oliveira

 

(ARQUIVO RIZOMA)

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PALIDA SENSATEZ

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10:40

 

Leve-me espectro.

Vitrines sem reflexo,

Cadeiras vazias,

Salas cheia de esquecimento,

Ar condicionado orando em mantra,

homens de óculos dialogando com o invisível,

Moças pequenas acelerando os passos,

bruscas quedas de energia,

motim de alucinações realistas,

procuro a razão na bolsa da chefa indefesa,

Mesas de jantar esperam a comunhão fantasma,

a boca enorme sintética é desdentada por versos,

grades disfarçadas nos corredores e escadarias que levam ao tropeço da saída,

lá fora um a chuva colorida é como um colírios para meus passos,

antes, bebo o chão,

e como uma câmera man febril

Observando o delinqüente vai e vem dos pés escaldados dos peregrinos urbanos

da pequena cidade suja,

Um ônibus - como uma lança – rasga o pano e leva-me

como uma cavalo mecânico até os lugares

onde serei uma turva lembrança momentânea do caminho.

 

 

 

 

 

João Leno Lima

Set/2010

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ASA QUE GEME

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10:38

Descaverno-me.

imitar de incertezas,

germes favoritos caçando,

suor da tempestade,

atrevo-me a olhar as nuvens.

Atalho para o final do estabelecido, rumando nos litorais da embriaguez.

Fragrância poluída, bálsamo que corta o asfalto da esfera do caminho,

como um leme irreversível mutilando o vento,

pouco me importa o espaço,

chama-me de atencioso com as gaiolas das palavras,

alimenta-me de chão,

beija-me primeiro na alma.

Um tenebroso vírus infesta o lápis,

Tento acudir as palavras,

Boca a boca verbal e sacudo a desesinspiração,

Balbuciando algo,

a respiração-alga afunda-me por entre as colunas das casas,

Socorro o pálido momento com a ternura que alcança lá no âmago

da cratera do desmoronamento

o corpo do incompreensível sentimento que corre corre corre...

 

 

 

 

João Leno Lima

Set/2010

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Contra o voto obrigatório, Voto Nulo

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01:44

voto-livre-i

 

_ Votar é um direito, não deveria ser considerado um dever. Diferentemente do que acontece nos países democráticos, no Brasil o voto é obrigatório – algumas pessoas são inclusive, sem que hajam cometido crime algum, condenadas a um dia de trabalhos gratuitos para o Tribunal Eleitoral. Dizem alguns que “a penalidade ao descumprimento é leve...” Não há pena leve ao objetor de consciência! Desde quando deixar de exercer um direito civil (como casar-se, ter ou deixar de ter uma religião) implica em receber uma multa, pouco importa de que tamanho, e outras sanções do Estado?


_ A vasta maioria, de bom-grado ficaria em casa no dia das votações, particularmente por não se interessar no teatrinho que muda alguns nomes mas mantém o cerne das questão, o encaminhamento econômico da Nação, exatamente como está.


_ A decisão final para o cargo majoritário (a Presidência da República), portanto de todos os subalternos, de “situação” e “oposição”, acerca do encaminhamento da política econômica nacional já está tomada. Caberá ao eleitor decidir, se para o encaminhamento da economia brasileira a favor do Mercado (sobretudo “de capitais”), portanto contra os interesses do povo brasileiro deverá ser eleito o/a candidato/a A, B ou C.


_ As campanhas centradas na Propaganda esvaziam o espaço público, transformam o cidadão em consumidor e o candidato em mercadoria. Está fora da pauta dos debates políticos durante a campanha o cerne de todas as questões: a economia continuará a ser dirigida pelo grande capital financeiro ou o povo brasileiro se unirá contra essa tirania?


_ Durante a campanha eleitoral se debate quase tudo e todos os candidatos manifestam opiniões concordantes com aquelas da maioria de seu eleitorado. Já o exercício da função para a qual se elegem não tem absolutamente nada a ver com o que disse (ou prometeu, ou mesmo “registrou em cartório”) durante a campanha. Assim, digam os candidatos o que disserem durante a campanha, já não é mais desculpável sequer fingirmos acreditar. Mas o Estado Nacional Brasileiro nos obriga a votar! Contra o voto obrigatório exercemos o nosso protesto através do VOTO NULO.


_ A Urna Eletrônica como única forma de votar só existe no Brasil e no Paraguai. Sem que a população esteja informada em profundidade acerca de como é feito o processamento de dados, durante o dia de votações sempre se reportam inúmeros
casos de falhas, defeitos e fraudes. Ainda assim, o resultado é anunciado antes mesmo que todos os eleitores tenham sufragado a sua vontade.


_ Esclarecendo que o voto em Branco, no Brasil, é computado para o candidato ou partido que é majoritário, portanto deve ser evitado. Para votar nulo, deve-se digitar um número de candidato inexistente (“00000” ou “999999”) e a tecla “Confirma”. O Estado Nacional Brasileiro, se faz presente junto ao Eleitor na Urna, através de sua própria propaganda avisando com caracteres e ruídos diferentes que, assim fazendo, estaremos “votando errado”.
Como se não bastasse nos obrigarem a sair de casa, entrar em filas e nos dirigirmos às máquinas de votação, ao anular o voto, o Estado Nacional Brasileiro se intromete na intimidade do momento do voto e afirma “assim fazendo, você está errando”. Supere a repugnância e confirme! Com um número significativo de votos nulos forçaremos o Estado Nacional Brasileiro a suprimir esta obrigatoriedade espúria que nos oprime.


Campanha pelo Voto Nulo – 2010 – Distribua livremente, participe e, sobretudo, mantenha-se informado acerca dos meandros da política brasileira. É nauseante, mas fundamental!

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09:16

P1010155

Amo o cheiro das ilusões.

como um bálsamo feito de panos úmidos cobrindo

os olhos mas nem por isso deixamos de enxergar.

É como andar dentro do abismo

e sentir os lábios frios do medo.

ah... amo o cheiro das ilusões.

Acreditamos no que não nos parece exatos

e os calafrios das incertezas passa a ser a certeza

que podamos pela manhã.

A metamorfose das ilusões é

capaz de brotar em nós

ciclones que bagunçam a tola

normalidade do dia.

Por alguns instantes não

observamos as pedras no

caminho que na verdade se

revelam espelhos onde as

células-vidraças se diluíram

nas taças da hora que corre.

Sim, amo o cheiro das ilusões.

Poetas riem e loucos debatem-se com cigarros-poemas

cheio de colicas.

Não há meio termo

dentro da poesia mas

sentiremos suas garras em

momentos diferentes.

Assim é a ilusão.

nascimento do que

foi desejado.

tragédia desacontecida, ilhas de aço

nas longínquas memórias,

Promessas de para quedas e

e seguros pisos que não estremecem.

A ilusão causa mais estrago

que a colisão de um cometa

sobre a superfície.

Flores deixam de brotar em solos

antes verdejantes e crianças

desviam do caminhos antes

prezeroso, o olhar pesa mas

não se petrifica e as mãos

passam a dormir no relento

como orfãs dos raios do sol.

Amo o cheiro das ilusões.

Seu balaio e sedutor

percurso que trasforma os

poros em portais-precipicios

e os sentidos; um viajante

que resolveu seguir os

pássaros que acabavam de aprender a voar;abrindo mão

das pegadas que o garatiam a volta para casa.

Rastro de encontro nunca acontecido.

Rastro de vendaval na palma da Mao.

Rastro de percurso pela metade do esboço de ser lugar algum

Rastro de sorriso rabiscado no lápis.

Rastro de razão cheia de paredes.

Rastro materno de preservação interior.

Rastro de contos infantis e inquietação juvenil

com estrelas úmidas debaixo da cama do olhar.

saio do poema seguindo a mão oculta

que guia até as extremidades...

 

o mundo grita do outro lado da rua

"acorda!!! poeta!"

ah...amo o cheiro das ilusões.

 

 

 

 

João Leno Lima

Set/2010

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21:55

baleia-ok

Ela continua lá

ouvindo o tic tac das ondas

inundar as profundezas dos seus sonhos.

Ela continua lá.

Indefesa como as nuvens

gigante como os poemas.

Sua lágrima faz transbordar o oceano e ensopar os pátios do deus.

Ela continua lá,

arranhando as costas da areia

seu socorro tem a melodia dos poetas solitários de palavras

suas duvidas sao sobrepostas a nova duvidas úmidas

Se morrer é a passagem, o litoral estende a mão,

não há canto exato

coloco a mão no rosto para não ver sua alma misturar-se ao mar.

Ah...se pudesse a movia com meu olhar e a colocaria num poema,

ela beberia versos e nadaria entre as metáforas

e o litoral de mim mesmo seria seu refugio.

Meu deus... As embarcações passam longinquamente,

paixes grandes e pequenos se abraçam

meu canto é um grito lançado dentro das garrafas das páginas,

nunca estive tão perto do rosto da desolação.

 

 

João Leno Lima

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18:58

cartier_bresson_boston

Das incertezas que possuo
uma é como um frasco
tomado antes das extremidade;
Onde nasce o vento?
Disparo em direção ao desconhecido
sob a olhar atento de um Ícaro - momento
sempre rodopiando nas altas horas íntimas de frio.
A distância entre o que somos e nosso essencial ser
tem a dimensão oculta adentrada na janela da alma das crianças.
Sábios e loucos pisoteiam a si mesmo no final da tarde.
Por alguns segundos podemos segurar o sol na palma das mãos
antes da escuridão das horas
quando vagamos entre luzes artificiais
e planetas que chamamos casas, ruas e outros fragmentos
que brilham
-que vistos pela lupa de deus nos confins-
Pulsam imensidões verdadeiras.

 

 

 

 

 

João Leno Lima
Setembro/2010

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13:43

Queria ser uma harpa

e ser tocado pelos semi deuses imateriais.

Resoaria nos quatro cantos da atemporalidade

e me submeteria ao canto dos pássaros.

Ser harpa faria eu ser desejado pelas almas

dos elementos da natureza

e seria eu traduzido por mil línguas desconhecidas,

seria tocado pelas dedos das musas

e lagrimaria pelos litorais de mim como se oceano me tornasse.

eu na condição de harpa,

queria estar presente celebrando o nascimento de uma estrela

ou saida sublime do feto na hora suprema.

sendo harpa, até os ventos me roçariam com sua sabedoria

e eu sentiria doces calafrios por meus poros sonoros.

na madrugada ao descansar,

sonharia com canções assoviadas pelos solitários trovadores

ou no exato momento da inspiração,

serei parte íntima do artista gigantes de mãos invulneráveis.

Submetido aos cuidados da delicadeza,

eu como harpa me espalharia

e seguraria uma nuvem na palma das minhas Mao

e materalizado,

choraria nos ombros de deus.

 

João Leno Lima

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11:29

 

 

Hoje me sinto uma rua.

Sentindo como as teclas do piano ao ser tocado

pelo pianista mágico os passos montanhosos dos seres irreversíveis.

O balsamo frio que envolve as sombras.

Os minúsculos pés das crianças e sua estranha liberdade.

Os diálogos de cabeça para baixo dos amantes na esquina.

O toque pontiagudo dos cães indefesos

e o cheiro de vapor que se desprende

como fantasmas grisalhos das tardes pós chuva.

Sinto o toque prematuro das carruagens futurísticas da manhã.

A correria pálida das horas horizontais.

Ser uma rua é a perpetuação suprema do sentido que não existia;

O rumo inerte a mim mais presente a todos,

ser essa rua que desconheço-me agride e conforma-te,

converso com outras ruas e percebo suas aflições,

elas queriam não ter fim

mas as consolo acreditando que somos eternas ruas

que levam a extremidade onde os seres encontram novos sentidos

que os deixaram esperançosos,

confio que a rua que sou

é fundamental para as realizações mais perspicazes do dia.

Mesmo no cansaço do meio dia,

onde o sol impiedoso lembra-me

que a chuva virá para pentear meus cabelos asfalticos

e me perderei em sonhos que me levam a ruas inigualáveis

que terminaram de frente para o mar...

Mas agora, eu rua, adormeço...

Tantos sonhos passaram por mim,

tantos anseios,

tantas embarcações invisíveis

que dobraram a esquina e jamais voltei a sentir,

tantas tuneis e portas foram desbravadas

até que os seres passarem por mim,

eles que pouco se comunicam entre si

e tão pouco me percebem,

mas os sinto, desejo a eles sempre a melhor passagem,

consola-me saber quem me tocarão novamente

e serei importante como as coisas importantes despercebidas,

eu, uma rua, ouço os passos dos solitários no limiar da aurora

E adormeço no chão de mim.

 

 

João Leno Lima

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Downloads e o Controle social

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11:43

Um dia essa história acaba. Assim espero.

O caso do Radiohead é estranho. A banda lançou em 2007 o ótimo “In Rainbows” via Internet, naquele esquemão pague-quanto-puder-ou-quiser. A Lily Allen logo estrilou, dizendo que a banda só podia fazer isso porque era o Radiohead, mas que o ato era um tiro no pé da indústria e dos artistas.

Passados três anos, o assunto volta à tona, dessa vez “oficialmente”. A RIAA (Record Industry Association of America), aquela associação cheio de velhos, engravatados e donos de gravadoras, que vêem o montante mensal diminuir a cada dia que passa, mandou avisar um monte de blogues que era para eles tirarem os links e conteúdo do “In Rainbows” do ar.

Eu acho tarde demais. Quem quisesse ter o “In Raibowns” já o tem, certo? Mas a questão não é esse ou aquele disco, claro. O problema é maior: a associação quer acabar acabar com os downloads ilegais, de qualquer maneira. Porém, basta um cidadão colocar as músicas no ar e pronto, já era, amigo, perdeu. Como controlar todo mundo?

No caso do Radiohead, é pior, afinal a própria banda deu de graça seu disco. Outras bandas fazem o mesmo (“vazam” o disco de propósito, sem dizer que foram elas). É propaganda gratuita, é melhor e mais barato e menos humilhante do que jabá pra rádio.

Outro dia, Lobão deu a seguinte entrevista à Billboard brasileira, dizendo que estamos todos errados (inclusive ele, quando lançava discos em banca de jornal, com a Revista Outracoisa). Um dos trechos:

Pergunta: E como você situa a figura do músico na atualidade, em um cenário marcado pela divulgação online e uma suposta queda da indústria fonográfica?

Resposta: Não é nada disso, esse que é o grande problema. Não existe queda nenhuma da indústria fonográfica, isso é um absurdo, é uma falácia. Eles nunca ganharam tanto dinheiro. O (produtor) Marcos Maynard, que é uma raposa velha, já está com um tal de Restart… E tem uma outra coisa: quem detém o monopólio das rádios continua vendendo disco. Essa coisa de achar que você bota no seu MySpace e está feito com 20 mil amigos, isso é um grande erro. A internet não vai salvar ninguém! O caminho que a gente abriu no final dos anos 70 e começo dos 80 era de fazer música pop para tocar no rádio, “vamos invadir o Chacrinha”. A mesma coisa tem que ser feita novamente. As pessoas não podem achar que não podem fazer (Domingão do) Faustão. Que merda é essa? Tá no Brasil ou tá aonde? Você acha que lá fora o cara não vai ao programa da (apresentadora americana de TV) Oprah? É o circuito, tem que fazer. Tem que fazer, sim! Agora, para poder alterar esse circuito, você tem que entrar nele. De fora, você não vai conseguir nada.

Leia o trecho gratuito da entrevista aqui. Lobão é porra-louca, mas tá perto de ser gênio – ou apenas um tresloucado.

Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand, em entrevista recente à BBC 6Music, da Inglaterra, conta uma história de como reagiu ao vazamento de um disco seu.

“Fizemos um show com o Arcade Fire, e filmamos”, explica. “Distribuímos cópias do CD para os caras que trabalharam no show com a gente. Foi um cameraman que vazou o álbum. Nós conseguimos rastreá-lo com facilidade porque havia uma marca naqueles discos”.

O vocalista disse que então foi tirar uma satisfação com o cidadão: “nós demos pra você o disco, confiamos em você, você estava trabalhando com a gente, pensávamos que estávamos fazendo algo de bom aqui. Aí o cara se virou e disse ‘eu não acredito no capitalismo’. Você não acredita no capitalismo? Bem, eu não vou te pagara as 20 mil libras por filmar o show pra gente, seu merda. As pessoas que fazem isso não dão a mínima. Querem ser o ‘cara que que vazou o disco do Arctic Monkeys’”.

A animosidade de Kapranos mostra que os próprios artistas andam divididos nessa questão. Muita gente, principalmente os novos, por não conseguir acesso às grandes gravadoras, como Lobão prega, apelam para a Internet. O acesso às músicas é livre, mas não é garantido: como fazer para as pessoas saberem que sua banda tem aquelas músicas e que elas são legais? É só mais uma forma de divulgação, que não garante nada.

Grande bandas, por outro lado, sofrem com isso. Vazar o disco com antecedência, antes do lançamento oficial, frustra qualquer estratégia de divulgação – mas vai esperar o que dos fãs, que eles fiquem parados, passivos, esperando o novo material? Eles são fãs e, por isso, são ansiosos.

A preocupação deveria ser apenas os grandes “vazadores”, os piratas mesmo, esses que vendem os discos nas barracas de rua, a preços ridículos, que não pagam um centavo aos artistas, para pessoas que não têm dinheiro para ir aos shows.

Mas, como a história de Kapranos mostra, basta um cidadão colocar o disco na Internet e já era. Não precisa esse cara ser pirata profissional. Aí, as gravadoras e artistas vão fazer o quê? Vão fechar e proibir a Internet?

É irreversível, portanto, meus amigos. Grande ou pequena, a banda tem que se acostumar com isso e buscar outras formas de ganhar dinheiro com sua música. É um triste desafio pros artistas, eu sei. Não é fácil ver seu trabalho ser afanado por todo canto. Ninguém gostaria disso.

Infelizmente, lutar contra isso é gastar energia na batalha errada. Qual seria a saída honrosa e novamente lucrativa nesse cenário?

 

Link> Botequimdeideias

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A guerra do Afeganistão desmascarada

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23:53

– WikiLeaks divulga 75 mil relatórios militares secretos dos EUA

por Wiki Leaks

 

O sítio web WikiLeaks divulgou hoje mais de 75 mil relatórios militares secretos cobrindo a guerra no Afeganistão.
O Diário da guerra afegã é um extraordinário compêndio secreto com mais de 91 mil relatórios que cobrem a guerra no Afeganistão de 2004 a 2010. Os relatórios descrevem a maioria das acções militares letais envolvendo os militares dos Estados Unidos. Eles incluem o número de pessoas declaradas internamente a serem mortas, feridas ou detidas durante cada acção, junto com a localização geográfica precisa de cada evento e as unidades militares envolvidas e principais sistemas de armas utilizados.
O Diário da guerra afegã é o mais significativo arquivo da realidade da guerra a ter alguma vez sido divulgado durante o decorrer de uma guerra. As mortes de dezenas de milhares são normalmente apenas uma estatística mas o arquivo revela as localizações e os eventos chave por trás da maior parte destas mortes. Esperamos que a sua divulgação conduzirá a um entendimento abrangente da guerra no Afeganistão e proporcione os ingredientes primários que são necessários para mudar o seu curso.


A maior parte das entradas foi escrito por soldados e oficiais de inteligência que ouviam relatórios transmitidos pelo rádio de posições nas linhas de frente. Contudo, os relatórios também contém informação relacionada a partir da inteligência dos Fuzileiros Navais (Marines), de Embaixadas dos EUA e de relatórios acerca de corrupção e actividades em desenvolvimento por todo o Afeganistão.


Cada relatório contém o tempo e a localização geográfica precisa de um evento que o Exército dos EUA considera significativo. Eles incluem vários campos adicionais padronizados: O tipo genérico do evento (combate, não combate, propaganda, etc); a categoria do evento conforme classificação das Forças estado-unidenses, quantos foram detidos, feridos e mortos entre civis, aliados, nação hospedeira e forças inimigas: o nome da unidade que relata e um certo número de outros campos, o mais significativo dos quais é o sumário – uma descrição em inglês dos eventos cobertos no relatório.


O Diário está disponível na web e pode ser visionado em ordem cronológica e por mais de 100 categorias assinaladas pelas Forças dos EUA, tais como: "escalada de força", "fogo amigo", "reunião de desenvolvimento", etc. Os relatórios também podem ser visionados pela nossa medida de "severidade" – o número total de pessoas mortas, feridas ou detidas. Todos os incidentes foram colocados num mapa do Afeganistão e podem ser visionados no Google Earth limitado a um espaço de tempo ou de lugar particular. Por este meio pode-se ver o desdobramento da guerra ao longo dos últimos seis anos.


O material mostra que os encobrimentos começam no terreno. Quando relatam as suas próprias actividades as Unidades dos EUA são inclinadas a classificar mortes civis como mortes insurgentes, minimizar o número de pessoas mortas ou então arranjar desculpas para si próprias. Os relatórios, quando efectuados acerca de outras unidades militares dos EUA são mais prováveis serem verdadeiros, mas ainda reduzem o criticismo. Inversamente, quando relatam sobre acções de forças não-EUA na ISAF os relatórios tendem a ser francos ou críticas e quando relatam acerca do Taliban ou outros grupos rebeldes ou mau comportamento é descrito com amplos pormenores. O comportamento do Exército Afegão e das autoridades afegãs frequentemente também são descritos.


Os relatórios provém do Exército dos EUA com excepção da maior parte das actividades das Forças Especiais. Os relatórios geralmente não cobrem operações top-secret ou operações europeias e de outras forças ISAF. Contudo, quando ocorre uma operação combinada envolvendo unidades regulares do Exército, pormenores dos parceiros do Exército são muitas vezes revelados. Exemplo: um certo número de operações sangrentas executadas pela Task Force 373, uma unidade secreta de assassínios das Forças Especiais dos EUA, são reveladas no Diário – incluindo um raid que levou à morte de sete crianças.


Este arquivo mostra o vasto conjunto de pequenas tragédias que quase nunca são relatadas pela imprensa mas que representam a esmagadora maioria das mortes e ferimentos.
Atrasámos a divulgação de cerca de 15 mil relatórios do arquivo total com parte de um processo de minimização de danos pedido pela nossa fonte. Após nova revisão, estes relatórios serão divulgados, com redacções ocasionais e, finalmente, em pleno, quando a situação de segurança no Afeganistão o permita.
Informação adicional dos nossos parceiros nos media:


Der Spiegel: http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,708314,00.html
The Guardian: http://www.guardian.co.uk/world/series/afghanistan-the-war-logs
The New York Times: http://www.nytimes.com/interactive/world/war-logs.html


Diário da guerra afegã – Guia de leitura

O Diário da guerra afegã (Afghn War Diary, AWD como abreviação) consiste de mensagens de vários importantes sistemas de comunicações militares dos EUA. Os sistemas de mensagens têm mudado ao longo do tempo; assim como padrões de relatório e formatos de mensagem também mudaram. Este guia de leitura tenta proporcionar algumas pistas úteis sobre a interpretação e o entendimento das mensagens contidas no AWD.


A maior parte das mensagens segue uma estrutura pré-estabelecida que é destinada a tornar mais fácil o processamento automático dos conteúdos. É melhor pensar acerca das mensagens em termos de um diário de registos (logbook) colectivo geral da guerra afegã. O AWD contém os eventos relevantes, ocorrências e experiências de inteligência dos militares, partilhada entre muitos receptores.

A ideia básica é que todas as mensagens tomadas em conjunto deveriam proporcionar um quadro completo dos eventos importantes do dia, da inteligência, advertências e outras estatísticas. Cada unidade, posto avançado, comboio ou outra acção militar gera relatório acerca de eventos diários relevantes. O conjunto de tópico é vasto: Dispositivos Improvisados de Explosivos encontrados, operações ofensivas, tomada de fogo inimigo, confrontos com possíveis forças hostis, conversas com aldeões idosos, número de feridos, mortos e detido, sequestros, informação genérica de inteligência e advertências de ameaças explícitas de radio-comunicações interceptadas, de informadores locais ou da polícia afegã. Também inclui queixas do dia a dia acerca de falta de equipamento e abastecimentos.


A descrição dos eventos nas mensagens é frequentemente concisa e seca. Para apanhar o estilo do relatar, é útil entender as condições sob as quais as mensagens são compostas e enviadas. Muitas vezes elas vêm de unidades de campo que estiveram sob fogo ou sob condições de stress o dia inteiro e encaram o relatório escrito como papelada aborrecida, que precisa ser preenchida aparentemente com pouco benefício a esperar. Assim os relatos são mantidos com o mínimo necessário, com tão pouca teclagem quanto possível. As unidades de campo também precisam aguardar perguntas dos escalões mais altos ou medidas disciplinares por eventos registados nas mensagens, de modo que tenderão a encobrir violações de regras de confronto e outros comportamentos problemáticos; muitas vezes os relatórios são pormenorizados quando discutem acções ou interacções com forças inimigas. Desde que se esteja nas mensagens AWD, faz-se parte oficialmente do registo – está-se sujeito a análises e exames. A veracidade e completude, especialmente de descrições de eventos, devem sempre ser cuidadosamente consideradas. Circunstâncias que mudam completamente o significado de um evento relatado podem ter sido omitidas.


Os relatórios precisam responder a questões críticas: Quem, O que, Onde, O que, Com quem, o que Significa e Por que. As mensagens AWD não são dirigidas a indivíduos mas a grupos de receptores que estão a cumprir certas funções, tais como oficiais de serviço numa certa região. Os sistemas onde as mensagens têm origem efectuam a distribuição com base em critérios como região, nível de classificação e outra informação. O objectivo da distribuição é proporcionar àqueles com acesso e necessidade de saber toda a informação que é relevante para os seus deveres. Na prática, isto parece estar a trabalhar imperfeitamente. As mensagens contêm informação de geo-localização nas formas de latitude-longitude, grelha de coordenadas militares e região.


As mensagens contém um grande número de abreviaturas que são essenciais para o entendimento dos seus conteúdos. Ao folhear através das mensagens, abreviações sublinhadas surgem pop ups com pequenas explicações, quando o rato está a passar sobre eles. Os significados e utilizações de algumas abreviaturas mudou ao longo do tempo, outras por vezes são ambíguas ou têm vários significados que são utilizados conforme o contexto, região ou unidade que relata. Se descobrir o significado de um acrónimo ou abreviatura até então não resolvido, ou se tiver correcções, é favor submetê-las a wl-office@sunshinepress.org .


Uma referência especialmente útil a nomes de unidade militares e de forças-tarefa e suas respectivas responsabilidades pode ser encontrada em http://www.globalsecurity.org/military/ops/enduring-freedom.htm
O sítio também contém uma lista de bases e aeródromos: http://www.globalsecurity.org/military/facility/afghanistan.htm
Os seus nomes de localização também são frequentemente abreviados com acrónimos de três caractéres.
As mensagens podem conter informação da data e do tempo. As datas são apresentadas principalmente ou na forma numérica dos EUA (Ano-Mês-Dia, ex. 2009-09-04) ou várias abreviaturas de estilo europeu (Dia-Mês-Ano, ex. 2 Jan 04 ou 02-Jan-04 ou 2jan04, etc).
Os tempos são frequentemente anotados com um identificados de fuso horário por trás do tempo, ex. "09:32Z". Os mais comuns são Z (Zulu Time, também conhecido como fuso horário UTC). D (Delta Time, também conhecido como UTC+4 horas) e B (Bravo Time, também conhecido como UTC + 2 horas). Uma lista completa de fusos horários pode ser encontrada aqui: http://www.timeanddate.com/library/abbreviations/timezones/military/
Outros tempos são anotadas sem qualquer identificador de fuso horário. O fusão do Afeganistão é AFT (UTC + 4:30), o que pode complicar as coisas se estiver a olhar mensagens baseadas no tempo local.


Descobrir mensagens que relatem acontecimentos conhecidos pode ser complicado pela data e mudança de fuso horário: se o evento for à noite ou de manhã cedo, isto pode fazer com que o relatório seja mal arquivado. É aconselhável sempre para qualquer evento olhar registos de mensagens antes e após.
David Leigh, editor de investigações do Guardian, explica as ferramentas on line que criaram para ajudá-lo a entender os ficheiros militares secretos dos EUA sobre a guerra no Afeganistão: www.guardian.co.uk/world/datablog/video/2010/jul/25/...
Compreender a estrutura do relatório

  • A mensagem começa com um único ReportKey; ele pode ser usado para descobrir mensagens e também para referência a elas.
  • O próximo campo é DateOccurred: isto fornece a data e tempo do evento ou mensagem. Ver formatods de Tempo e Data para pormenores sobre os formados utilizados.
  • Type contém tipicamente uma classificação vasta do tipo de evento, como Acção Amistosa, Acção Inimiga, Evento Não-Combate. Pode ser utilizado para filtrar mensagens de um certo tipo.
  • Category outra descreve que espécie de evento a mensagem trata. Há muitas categorias, desde propaganda, descobertas de esconderijos de armas a vários tipos de actividades de combate.
  • TrackingNumber é um número interno de rastreio.
  • Title contém o título da mensagem.
  • Summary é a descrição real do evento. Habitualmente contém o essencial do conteúdo da mensagem.
  • Region contém a região em termos amplos do evento.
  • AttackOn contém a informação de quem foi atacado durante um evento.
  • ComplexAttack é um sinal (flag) que significa que um ataque foi uma operação mais vasta que exigiu mais planeamento, coordenação e preparação. Isto é utilizado como um critério de filtro rápido para detectar eventos que foram fora do habitual em termos de capacidades inimigas.
  • ReportingUnit, UnitName, TypeOfUnit contém a informação sobre a unidade militar que foi autora do relatório.
  • Wounded and death (Feridos e Mortos) são listados como valores numéricos, ordenados pela afiliação. WIA é a abreviação para Wounded In Action. KIA é a abreviação para Killed In Action. Os números são registados nos campos FriendlyWIA,FriendlyKIA,HostNationWIA,HostNationKIA, CivilianWIA,CivilianKIA,EnemyWIA,EnemyKIA
  • Inimigos capturados são numerados no campo EnemyDetained.
  • A localização de eventos é registada nos campos MGRS (Military Grid Reference System), Latitude, Longitude.
  • O grupo seguinte de campos contém informação sobre a unidade militar geral, como ISAF Headquarter, que originou a mensagem ou actualizou-a. Frequentemente ocorrem actualizações quando um grupo de análise, como um que investigou um incidente ou examinou a constituição de um Dispositivo Explosivo Improvisado, acrescenta seus resultados à mensagem.
  • OriginatorGroup, UpdatedByGroup
  • CCIR Commander's Critical Information Requirements
  • Se uma actividade que é relatada é considerada "significativa", isto é anotado no campo Sigact. Actividades significativas são analisadas e avaliadas por um grupo especial na estrutura de comando.
  • Affiliation descreve se o evento era amistoso ou de natureza inimiga.
  • DColor controla a cor de apresentação da mensagem no sistema de mensagens e vistas de mapa. Mensagens relatando actividade inimiga tem a cor Vermelha, aquelas relatando actividade amistosa são coloridas em Azul.
  • Classification contém o nível de classificação da mensagem, ex.: Secreto.

    26/Julho 2010

    O original encontra-se em Wardiary.wikileaks.org

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    08:33



    Estranha ausência que se esculpe


    na contra Mao das canções que jamais haviam acontecido.

    maestro vento roçando a memória.

    o céu com um esqueleto branco de nuvens alucina as percepções.

    como um bálsamo.

    escarrando no auto escarro.

    Funde-se com o ambiente cheio de saudade.

    Ninguém poderia imaginar

    que a ausência se entranharia dividindo

    a célula em dois hemisférios.

    o infinito e a infinitude.

    a Mao e a sombra intocável.

    estou possuído por mil olhares.

    Minha boca fala por mil bocas

    Grito mais que a supernova

    mas ainda não alcancei o inalcansávelmente.



























    João Leno Lima

    Julho/2010 Continue

    NÃO-PIEDADE

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    08:03

     

    À Roberto Piva

     

    Há um espaço que separa as mãos daquelas

    que sentem a alma do outro.

    vielas e corredores

    por vezes abismos de cabeças pra baixo

    com estrelas que sopradas bailam no ar.

    Não há mistério nas crianças nem nas nuvens

    Porque todas são pegadas de perfeição em si mesmas.

    Lagrimo e crio o mar...

    Grito e crio os ventos...

    Calo-me e escrevo poemas...

    Resta-me o mundo.

    o mundo entre nossos dedos

    Entrecortando a razão.

    O universo respira nossas incertezas impiedosas...

     

     

     

     

    04 de Julho 2010

    Continue

    Roberto Piva - 1937/2010

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    23:22

    Adeus ao mestre eterno

     

    O poeta Roberto Piva morreu ontem em São Paulo, aos 72 anos, com falência múltipla dos órgãos decorrente de insuficiência renal. Um câncer na próstata o havia levado ao Hospital das Clínicas, onde estava internado desde maio. O câncer atingiu os ossos.

    Poeta de importância nacional, Piva nasceu em São Paulo, onde escreveu sua obra prima, a coleção de poemas Paranoia, publicada em 1963. Também foi uma voz dissonante nos meios artísticos da cidade, num tempo em que os escritores ainda se juntavam em grupos.

    Ele fez parte de uma geração brilhante mas posteriormente marginalizada, com fortes influências dos poetas beats americanos. Apesar disso, Piva não era facilmente classificável.

    O ministro da Cultura Juca Ferreira divulgou nota em que afirma: "Se a morte de um poeta é sempre uma tragédia, a morte de alguém como Piva é um imenso baque a mais, já que a energia que alimentava sua poesia era a exaltação da carnalidade. Essa sua energia enfrentou, nos anos 60 e 70, além da repressão, a estranheza que se voltava contra pregadores, como ele, de uma poética do desregramento. Piva assumiu a responsabilidade de expressar as nossas carências e delírios extremos".

    O poeta foi cremado na manhã deste domingo.

     

     

    A PIEDADE

     

    Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento

    abatido na extrema paliçada

    os professores falavam da vontade de dominar e da

    luta pela vida

    as senhoras católicas são piedosas

    os comunistas são piedosos

    os comerciantes são piedosos

    só eu não sou piedoso

    se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria

    aos sábados à noite

    eu seria um bom filho meus colegas me chamariam

    cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio

    bóia? por que prego afunda?

    eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as

    estátuas de fortes dentaduras

    iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos

    pederastas ou barbudos

    eu me universalizaria no senso comum e eles diriam

    que tenho todas as virtudes

    eu não sou piedoso

    eu nunca poderei ser piedoso

    meus olhos retinem e tingem-se de verde

    Os arranha-céus de carniça se decompõem nos

    pavimentosos adolescentes nas escolas bufam como cadelas

    asfixiadas

    arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através

    dos meus sonhos

    Continue

    A arte negra da "administração de notícias"

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    09:46


    "Os mestres do ilusionismo, que concebem a propaganda negra e arranjam falsos pretextos para a chicana política e para guerras e atrocidades, tais como o Iraque e o assalto israelense à flotilha da paz de Gaza"
    por John Pilger
    Como começam as guerras? Com um "ilusionista mestre", segundo Ralph McGehee, um dos pioneiros da CIA em "propaganda negra", hoje conhecida como "administração de notícias". Em 1983, ele descreveu-me como a CIA havia forjado um "incidente" que se tornou a "prova conclusiva da agressão do Vietname do Norte". Isto seguia-se a uma afirmação, também forjada, de que navios com torpedos haviam atacado um vaso de guerra americano no Golfo de Tonquim em Agosto de 1964.

    "A CIA", disse ele, "carregou um junco, um junco norte-vietnamita, com armas comunistas – a Agência mantém arsenais comunistas nos Estados Unidos e por todo o mundo. Eles rebocaram este junco ao longo da costa do Vietname central. Então dispararam sobre ele e fizeram aparentar que tinha havido um incêndio, e levaram isto à imprensa americana. Com base nesta evidência, duas equipes de Marines aterraram em Danang e uma semana depois disso a força aérea americana começou o bombardeio regular do Vietname do Norte". Uma invasão que ia custar três milhões de vida estava a iniciar.

    Os israelenses têm jogado este jogo assassino desde 1948. O massacre de activistas da paz em águas internacionais a 31 de Maio foi uma "pirueta" para o público israelense durante a semana passada, preparando-o para ainda mais assassínios por parte do seu governo, com a flotilha desarmada de trabalhadores humanitários a serem descritos como terroristas ou enganados por terroristas. A BBC ficou tão intimidada que relatou a atrocidade basicamente como um "potencial desastre de relações públicas para Israel", a perspectiva dos assassinos, e uma desgraça para o jornalismo.

    Um ilusionismo semelhante preocupa actualmente os governos asiáticos. Em 20 de Maio a Coreia do Sul anunciou que tinha "prova esmagadora" de que um dos seus navios de guerra, o Cheonan, fora afundado em Março por um torpedo disparado por um submarino norte-coreano com a perda de 46 marinheiros. Os Estados Unidos mantêm 28 mil soldados na Coreia do Sul, onde o sentimento popular há muito apoia uma distensão com Pyongyang.

    A 26 de Maio, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, foi a Seul e afirmou que a "comunidade internacional deve responder" ao "ultraje da Coreia do Norte". Ela viajou a seguir ao Japão, onde a nova "ameaça" da Coreia Norte convenientemente eclipsou a breve política externa independente do primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama, eleito no ano passado com a popular oposição à ocupação militar permanente do Japão pelos Estados Unidos. A "prova esmagadora" é uma hélice de torpedo que "tem estado a corroer-se durante pelo menos vários meses", informou o Korea Times. Em Abril, o director da inteligência nacional da Coreia do Sul, Won See-hoon, disse a um comité parlamentar que não havia prova ligando o afundamento do Cheonan à Coreia do Norte. O ministro da Defesa concordou. O chefe de operações militares da marinha da Coreia do Sul disse: "Nenhum vaso de guerra norte coreano foi detectado nas águas em que o acidente se verificou". A referência a "acidente" sugere que o navio abalroou um recife e partiu-se em dois.

    Para os media americanos, a culpa da Coreia da Norte é indubitável, assim como não havia dúvida da culpa do Vietname do Norte, nem de que Saddam Hussein dispunha de armas de destruição em massa, nem de que Israel pode aterrorizar com impunidade. Contudo, ao contrário do Vietname e do Iraque, a Coreia do Norte tem armas nucleares, as quais ajudam a explicar porque não foi atacada, ainda não: uma lição saudável para outros países, tais como o Irão, actualmente no centro das atenções.

    Na Grã-Bretanha, temos os nossos próprios ilusionistas mestres. Imagine alguém no estado apanhado a beneficiar-se de £40 mil [€45,4 mil] de dinheiro dos contribuintes numa fraude com uma segunda casa. Seguir-se-ia quase certamente uma sentença de prisão. David Laws, secretário chefe do Tesouro, fez o mesmo e é assim descrito:

    "Sempre admirei a sua inteligência, seu sentido do dever público e sua integridade pessoal" (Nick Clegg, vice-primeiro-ministro). "O sr. é um homem bom e honrado. Estou certo de que foi sempre motivado pelo desejo de proteger a sua privacidade ao invés de qualquer outra coisa". (David Cameron, primeiro-ministro). Laws é "um homem de nobreza bastante excepcional" (Julian Grover, Guardian ). Uma "mente brilhante" (BBC).

    O Clube Oxbridge e seus membros associados à política e aos media tentaram ligar o "erro de julgamento" e a "ingenuidade" de Laws ao seu "direito à privacidade" como gay, uma irrelevância. A "mente brilhante" é um rico banqueiro de investimento cultivado em Cambridge e corrector de ouro dedicdo à nobre tarefa de cortar os serviços públicos da maior parte das pessoas pobres e honestas.

    Agora imagine outro responsável público, um dos grandes criminosos e mentirosos de guerra. Este responsável "articulou" a invasão ilegal de um país indefeso que resultou na morte de pelo menos um milhão de pessoas e o despojamento de muitos mais: com efeito, o esmagamento de uma sociedade humana. Se isto fosse nos Balcãs na África, ele muito provavelmente teria sido processado pelo Tribunal Penal Internacional.

    Mas o crime compensa para os membros do clube. Em sintonia com o caso Laws, esta verdade foi demonstrada pela contínua celebração de Alastair Campbell, cujas frequentes aparições nos media proporcionam uma emoção indirecta para a intelligensia liberal. Para o Guardian, Campbell é "obstinado, por vezes mal direccionado, mas sem medo de pressionar onde outros podiam ter hesitado". O interesse imediato do Guardian é a publicação "exclusiva" dos diários "politicamente explosivos" e "não censurados" de Campbell. Aqui está uma amostra: "Sábado 14 de Maio. Telefonei a Peter [Mandelson] e perguntei porque ele não respondeu aos meus telefonemas de ontem. 'Você sabe porque'. "Não, não sei'. Ele disse que estava em brasa com a minha entrevista ao Newsnight".

    Numa entrevista promocional ao Guardian, Campbell dispensou deste incesto datado, referindo-se assim ao banho de sangue de que foi o principal apologista: "Fez-nos o Iraque perder apoio em 2005?", perguntou retoricamente. "Sem dúvida..." Portanto, uma tragédia criminosa de escala igual à do genocídio de Rwanda foi minimizada como uma "perda" para o New Labour: um ilusionista mestre de notável brutalidade.


    03/Junho/2010

    O original encontra-se em http://www.johnpilger.com/page.asp?partid=578 Continue

    "10 estratégias de manipulação" das elites

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    09:56
    "10 estratégias de manipulação" das elites




    ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO POLÍTICA



    O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como "companheiro de viagem" da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Seus estudos sobre gramática generativa tiveram enorme impacto na área da linguística, que ele considera um ramo da psicologia cognitiva. Seu trabalho magistral, "Syntatic Structures", publicado em 1957, não somente influenciou sua área de trabalho, mas diversas outras.



    Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que "a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o Estado totalitário". Como ativista político, manifestou-se contra a guerra do Vietnã e contra o processo de dominação imposto pelo sistema capitalista.

    1- A estratégica da distração.



    O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração

    que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes

    e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante

    a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de

    informações insignificantes.



    A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao

    público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da

    ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da

    cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos

    verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância

    real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo

    para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do

    texto "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")" .



    2- Criar problemas, depois oferecer soluções.



    Este método também é chamado "problema-reaçã o-solução". Cria-se um

    problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público,

    a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer

    aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a

    violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o

    público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo

    da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar

    como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o

    desmantelamento dos serviços públicos.



    3- A estratégia da degradação.



    Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente

    aplicar progressivamente, em "degradado", sobre uma duração de 10

    anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas

    têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990.. Desemprego em massa,

    precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos

    decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se

    tivessem sido aplicadas de forma brusca.



    4- A estratégica do deferido.



    Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de

    apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação

    pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um

    sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o

    esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público,

    a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá

    melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto

    dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de

    aceitá-la com resignação quando chegue o momento.



    5- Dirigir-se ao público como crianças de pouca idade.



    A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso,

    argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas

    vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de

    baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar

    enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.

    Por que?

    "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12

    anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa

    probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido

    critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver "Armas

    silenciosas para guerras tranqüilas")" .



    6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.



    Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um

    curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos

    indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite

    abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar

    idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir

    comportamentos…



    7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.



    Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e

    os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade

    da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e

    medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira

    entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e

    permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver

    "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")" .



    8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.



    Promover ao público o achar legal o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…



    9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.



    Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua

    própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de

    suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se

    contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se,

    o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a

    inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!



    10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.



    No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência

    têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e

    aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à

    biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem

    desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma

    física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor

    o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa

    que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um

    grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.



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    SERENO

    1
    17:20



    Caio no silencio...


    não grito

    apenas caio no silencio...

    nada de gemidos

    subitamente caio no silencio

    num véu incomunicável

    na esfera muralhiana das incertezas.

    Caio no silencio

    como aquele derremoto no chile

    ou o furacão vestido de jazz

    sim...caio no silencio

    como o amigo indefeso que precisa de braços

    como essas paredes que não se lembram

    meu deus...caio no silêncio

    as vozes todas nas ruas exteriores

    a procisao de música que desprezo

    os diálogos por baixo das superfícies da chuva

    na glória de mais um dia

    na carta de desdida do sol para mais esse dia

    soliciando considerações para a noite

    a lua que não vejo a séculos de horas

    no espanto de possuir a palavra

    tudo se faz e refaz

    e em algum lugar alguém silencia

    o onipresentamente alguém grita

    e a vida segue independente das constatações

    o interior dos poetas é o interior das crianças

    e ao abir o olhos para mais um dia

    e ao fechar os olhos nas madrugadas

    traduzo minha elementar presença ausente em tudo.






    João Leno Lima Continue