Cinco truísmos que querem silenciar o debate

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11:07

Truísmo é o nome que reservamos, em filosofia, para a banalidade que, verdadeira, produz efeitos que vão muito além daqueles que estritamente poderíamos derivar da veracidade que enuncia. Num comentário a um post de Alexandre Nodari, eu desenvolvia a tese de que o truísmo funciona mais ou menos com a dinâmica que Marx identificou para as forças produtivas. Se você se lembra, as forças produtivas, para Marx, vão se desenvolvendo até que elas já não “cabem” no modo de produção no qual elas se encontram, forçando a turbulência revolucionária a partir da qual surgiria outro. Assim (resumindo brutalmente), o desenvolvimento de um sistema de trocas mais amplo na Europa tardo-medieval foi corroendo as bases do Feudalismo e criando as condições para as revoluções burguesas, que romperam as travas que aquele modo de produção impunha às forças produtivas.

Pois bem, os truísmos funcionam assim. Todo truísmo tem seu momento liberador. Ele expressa, como todo clichê, uma banalidade que não é falsa, mas que pode muito bem funcionar para falsificar a realidade – especialmente depois que, já disseminado, passa a ser usado para travar o pensamento e, não raro, silenciar o outro. Já que tirei a semana para fazer posts que vão me servir no futuro, aproveito para tratar de cinco truísmos que encontro com frequência por aí.

1. Cada um tem sua opinião. É o pai, ou a mãe, de todos os truísmos. Como todos os outros, ele é vítima da reversibilidade: ora, se “cada um tem sua opinião”, seria possível, em tese, formular a opinião contrária – a de que cada um não tem sua opinião. Isso significa que, para que esse truísmo seja verdadeiro, ele tem que ser falso. O paradoxo é que quem recorre ao “cada um tem sua opinião” como instrumento de debate não está jamais exprimindo opinião própria. Está, invariavelmente, repetindo opinião ouvida alhures. Afinal de contas, quer afirmação mais universalizante que “cada um tem sua opinião”? Quem diz isso no interior de uma discussão não está abrindo-se para o diálogo. Está fechando-o antes que ele se inicie. Dizer “cada um tem sua opinião” é como dizer “eu sou mentiroso”: trata-se de uma afirmação que implode no momento em que ela é feita.

2. Futebol não tem lógica. Este é o truísmo a que recorremos quando fracassa nossa explicação do jogo. Como todo truísmo, ele é verdadeiro e falso. Afinal, haverá coisa no mundo que tenha mais lógica do que o futebol? Simplesmente trata-se de que o futebol não se pauta por aquilo que costumamos chamar de “lógica” no discurso cotidiano, ou seja, a lógica positivista do encadeamento das causas e efeitos, que ordena esportes mais gerenciais e matemáticos como o futebol americano e o basquete. O futebol funciona de acordo com a lógica da contingência que, se você for observar bem, está muito mais próxima da lógica que ordena o mundo.

3. Não se pode comparar (cinema e literatura): Deixo os dois termos da comparação entre parênteses porque não importa quais eles sejam. A coisa funciona da mesma forma. No caso em questão, o truísmo teve seu momento liberador quando serviu para combater certa tendência a se trabalhar adaptações de romances ou contos a partir de uma metafísica da fidelidade. Ele desnudava uma certa prepotência literária, que insistia em pensar sua arte como superior, e o cinema como acessório que não podia se ombrear com ela. Hoje esse clichê já é, como o "cada um tem sua opinião", um apêndice da preguiça de pensar. Basta relacionar um livro e um filme para que você ouça isso. É invariavelmente um instrumento para silenciar o debate. Basta estabelecer uma comparação para que alguém diga que não se podem comparar coisas diferentes. Como se houvesse algum sentido em comparar coisas idênticas. Esta crítica ao truísmo não implica, claro, que eu ache que toda comparação procede. Há que se ver caso a caso.

4. Todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça. É o truísmo favorito dos advogados (não todos, claro), ao qual recorrem quando se critica a decisão de algum Maiorana de processar um Lúcio Flávio, ou de uma Leticia W. de processar um Milton Ribeiro. Evidentemente, o argumento é verdadeiro. Todo mundo tem o direito de procurar a justiça quando se sentir ofendido. O problema é que ele é, como todo truísmo, tautologicamente reversível: a mesma Constituição que assegura o direito de cada ofendido procurar a justiça assegura a liberdade de crítica -- incluindo-se aí o direito de criticar alguém por judicializar discussões políticas ou literárias. Nas conversas sobre a daninha judicialização do debate político no Brasil, todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça não costuma funcionar como argumentação: é mecanismo de silenciamento mesmo. Uma variante dele é o truísmo cada um deve se responsabilizar pelo que diz. Ora, isso é evidente. Mas a brincadeirinha da reversibilidade se aplica aqui também: se cada um deve se responsabilizar pelas consequências do que diz, cada um deve também se responsabilizar pelas consequências de seus atos, incluindo-se o ato de decidir processar alguém por ter dito algo. Se você é escritor e decide processar alguém por uma resenha, viverá com a reputação advinda disso, a qual -- diz a história da literatura -- não costuma ser muito boa. Reitero que não sou crítico de todos os processos por injúria, calúnia ou difamação. Os critérios aqui são aqueles, óbvios: extensão do dolo, clareza do propósito de difamar, diferença de acesso aos meios de comunicação etc. Se eu fosse MV Bill, por exemplo, já teria processado Diogo Mainardi. Sim, eu sei que essa decisão cabe ao MV Bill.

5. O problema são os radicalismos dos dois lados. Eis aqui mais um que é pai, ou mãe, ou tio, de vários outros truísmos. Os que anunciam que o problema são os radicalismos dos dois lados gostam de se apresentar como moderados, ponderados, razoáveis, racionais. É o truísmo preferido dos que justificam a barbárie na Palestina Ocupada. É o truísmo favorito dos que justificam a violência policial contra estudantes (cujo movimento tem, sim, vários problemas). Esse é um truísmo particular, porque ele se baseia num uso completamente enganoso da palavra “radicalismo”. Ora, só é possível ser radical numa direção: a da raiz. Basta ir ao seu dicionário etimológico e ver de onde vem a palavra. Quando alguém reduzir um problema político ao “radicalismo dos dois lados”, você pode ter certeza de que: 1) ele não é equidistante em relação aos dois lados; 2) ele quer que você acredite que ele é isento ou equidistante com respeito aos “dois lados”.

Há muitos outros, mas comecemos com estes cinco. Estão todos convidados a completar a lista.


Escrito por Idelber
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A EMBRIAGUEZ LÚCIDA

2
16:25
Derramas sobre mim a inconstância das angustias inflexíveis.
Derramas sobre mim o epicentro colossal da tremula decadência onírica.
Derrama sobre mim o gesto subfebril dos seres desabotoados.
Derramas sobre mim tua cratera de girassóis reprimidos.
Derramas sobre mim tua incomucabilidade voraz.
Derramas sobre mim teu fluxo.
Derramas sobre mim tua quimera.
Derramas sobre mim teu ópio desconexo
dialogador de desmacanismos ocultos.
Derramas sobre mim tua epopéia de gozos frustrados.
Derramas sobre mim tua funerária declamação de poemas.
Derramas sobre mim tua natureza pálida de andarilhas idas ao abismal.
Derramas sobre mim tua inconsciência feita de mediúnica carne espiritual.
Derramas sobre mim toda a tua geometria de planos vigorosos.
Derramas sobre mim teus metros quadrados
de abrigo montanhoso e refugio oceânico.
Derramas sobre mim tua saliva envenenada
de brutais lutas consigo mesmo.
Derramas sobre mim Whitman e Rilk
e todos os poetas que ainda não nasceram
Derramas sobre mim tua coleção de livros nunca lidos
Derramas sobre mim tua ressaca de fontes sedutoras.
Derramas sobre mim tua pureza antepassada.
Derramas sobre mim... Vinhos de mundos variados!
Sou a goela insaciável da união de buracos negros incalculáveis
Quero engolir luz e trevas ao mesmo tempo
Quero o ódio e o amor em doses exorbitantes
Quero em vezes de pender, ganhar novos sentidos.
A acordar atravessando a boca de Deus
Espalhando-me em uma queda em espiral
E no seu interior escrever poesias
nas paredes interiores da sua onisciência
E se ser seu sangue poético inigualavelmente puro e eterno.














João Leno Lima
22-07-09
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Tago Mago

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09:11


Falar de Krautrock é falar do Can e de Tago Mago.
Tago Mago é um dos clássicos do movimento
que visava recolocar a alemanha
no panorama musical da arte no final dos anos 60.
Esse disco é um experiência sonora lisergica
dos mais altos graus alucinatórios.
Disco que começa jazzy, aos poucos o efeito do LSD
vai tomando conta das palhetadas de guitarras,
e fusoes jazz rock que parecem longas improvisações
procurando fazer você entrar num clima
para uma viagem por um mundo de tribal, antropofagico,
onde Damo Suzuki vai se desprendendo desse planeta,
subvertando a logica rumo ao delírio.
Encontra mágico de Maldoror com Rimbund e Allen Ginsberg.
Do primeiro a subversão obuscura e a beleza decadentista,
do segundo, a transgressão atemporal, a materia tendo que pagar
pela anarquia libertadora do espírio e do ultimo, a lisergica aguda,
a essencia humana esmagando os sistemas politicos,
os esquemas pragmaticos agregados pela vida moderna
que buscam quase anarquicamente
em seu interior colossal a nudez de si mesmos.
Tago Mago é pra ser ouvindo sob um profundo estudo,
sem preconceitos, sem amarras, e nao se preocupe,
eles nos recolocam seguros em nossos lares,
sob um céu ensolarado e nuvens,
mas claro, com sequelas e ressacados de imagens
atormentadoramente exeburantes.






João Leno Lima
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DESTEMPORALIDADE

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12:52




Voar é a morada dos pássaros
Sonhar é a dos Homens.
Deus, Clamo que juntem em mim todos as tuas fúrias,
Num cálice celestial para que eu beba como quem tem sede de eterno!
Calo-me, sou soberbo às vezes,
Sou a junção física da materialidade desnecessária.
Eu penso na dor como quem pensa nos fazeres domésticos da manhã,
Clamo por saudosistas e anarquistas
Para me limpar do lixo terrestre
Que se aloja debaixo dos tapetes do meu ser
Mas na verdade, poetas e loucos,
Que passeiam com seus carros e bicicletas pelas minhas silhuetas medrosas,
Sou quem balbucia ao dialogar com o mundo,
Sou quem viaja de ônibus como se fosse a cruzeiro invisível
Pelo próprio interior das coisas,
Sou quem paga as contas no final do mês
E guarda o resto para futuras viagens pela lua exuberante,
Sou quem observa Homens e mulheres em suas caminhadas
Que perecem voltas e voltas por um invisível trecho oculto a si mesmos.
Adormeço, choro com a criança que perdeu seu programa onírico,
Tropeço na fala ao declamar os versos dos outros e até os meus e próprios,
E quero enfatizar que sou parte do destino essencial do dia,
O que compõe a realidade com imagens sobrepostas
Recortadas das fotografias descoloridas do domingo solitário.
Adormeças comigo esse noite?
Sobre os cantos dos poemas daqueles que lamentam seu próprio aniversario?
Adormeça comigo essa noite?
Sobre os ombros daqueles que perderam seus amores
Ou sobre aquele que temem nunca encontrar?
Ou sobre aqueles que machucam
Ou sobre aquele que sempre se machucam
Ou sobre aqueles que parecem intactos
Mas na verdade são os mais quebráveis ao vento sentimental
Esmagador do tempo e da que é temporalmente findo...
...ah esse vento que leva a todos e todos parecem sentir...
Sim... Voar é a morada dos pássaros
Sonhar é a dos Homens.






João Leno Lima
20-07-09
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COESÃO

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23:18
Fotografia de Robert Frank



Quero conquistar o mundo
Mas não alcanço conquistar a mim mesmo.
Falha-me o gesto de amar-me?
Falha o reflexo refletido no espalho inverso
Somos rios embriagados de sua própria transbordação
E sulgados pela margem do que formos antepassadamentes.
Traduzo pequenas alegorias dos seres que conversam,
Reivento os cabelos da senhotira de nariz empinado,
Reescrevo as linhas da conversa entre os amantes no escuro da esquina,
Observo os passos da criança
perseguindo a bolha de sabão vulneravelmente livre!
Somos os próprios passos dentro do refluxo do destino
Sou a combinação de fotografias desajustadas
Sou os lençóis onde mãe e filha, se esquentam, no frio da madrugada,
Sou o amigo que quer salvar o amigo do invisível, mas... Lentamente corro,
Longas caminhadas meu deus, entre penhascos e percepções.

Não sou mais eu nem ninguém
Quando chega a dor.
Não sou mais eu nem ninguém
Na hora de colocar a cabeça espremidamente oculta ao mundo.
Não sou mais eu nem ninguém
No ponto exato
quando as palavras rasgam a boca com a violência dos atos naturais,
Dos acordos secretos que só dizem respeito à atemporalidade,
Que sublima a tez da loucura interior que preconiza os elementos inválidos
Que levamos em consideração quase sempre.

Acusam-me de desresponder aos quatro cantos
minhas verdadeiras intenções para com o mundo?
Acusam-me de inventar desejos que obsessivamente senti para mostrar
Na contra regra do ato puro que não passo de uma pre-fabricação violada?
Tomo esse poema como navalha e enfio no coração do que me devora
Enfio no coração da criança que gesticula para a mãe,
Enfio nos ouvidos do trompetista e na goela do declamador,
Enfio nos pés do andarilho e na asa do anjo,
Enfio nos dedos do noivo entre a aliança,
Enfio na vagina da noiva sob a fronte do feto futurístico,
Enfio no abraço, enfio na sombra que permanece deslocada,
Enfio nessa solidão que bagunça meu espírito
Como cartas embaralhadas nos intervalos dos instantes.

Quero conquistar o mundo
Mas não alcanço conquistar a mim mesmo.
Falha-me o gesto de amar-me?




João Leno Lima
19-07-09
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Poema de Arseni Tarkovski

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22:26

Agora o verão se foi
E poderia nunca ter vindo.
no sol está quente.
Mas tem de haver mais.

Tudo aconteceu,
Tudo caiu em minhas mãos
Como uma folha de cinco pontas,
Mas tem de haver mais.

A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.

Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido.
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais.

Cai a noite sobre as montanhas da Geórgia;
À minha frente ruge o Aragva.
Estou em paz e triste; há um lampejo em meus suspiros,
Meus suspiros são todos teus,
Teus, e de mais ninguém...
Minha melancolia
Está insensível a angústias e apreensões,
E meu coração arde e ama mais uma vez,
Pois nada pode fazer além de amar.

Todo instante que passávamos juntos
Era uma celebração, uma Epifania,
No mundo inteiro, nós os dois sozinhos.
Eras mais audaciosa, mais leve que a asa de um pássaro,
Estonteante como uma vertigem, corrias escada abaixo
Dois degrauas por vez, e me conduzias
Por entre lilases úmidos, até teu domínio
No outro lado, para além do espelho.
Enquanto isso o destino seguia nossos passos
Como um louco de navalha na mão.




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OLHOS PETRIFICADOS SOBRE LÁGRIMAS DE SANGUE

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22:23
Fotografia de Robert Frank


Toda a dor se mistura ao tempo,
Na atômica inocência de uma palavra,
Boca que morde as estrelas decadentes
Sobre os escombros intermináveis da lágrima.
Oh porto cheio de negras embarcações
Oh mãos sem dedo e amordaçadas.
Toda a coreografia das horas desventuradas,
Túnel de olhares naufragados,
Segundos frios dos verbos,
Correntezas que entopem os porões silenciosos
Numa orgia embaçada perto das encostas.
Toda a tentativa que beija os lábios do abismo nos degraus do silencio.
Nas almas mergulhadas no mar do abandono petrificando o corpo com sede.
Ah os dentes das ruínas
Ah espíritos feito de embriagueis clandestina.
Todos os ratos devorando os poemas escondidos,
Toda a terrível revolta dos lápis,
Todo o incêndio provocado pela noite.
Oh noite que foge freqüentemente...

Tombou a infância cheia de amnésia e espanto
Sucumbiu a distancia numa relva no meio do deserto,
Não se mexe mais os braços do grito,
Há camisa de força no invisível,
Armaduras metafísicas,
Até a sombra fugiu com o espelho,
Há um desespero obstinado,
Acumulo de pássaros debaixo da cama,
Chove mascaras num rio ocultado pelos becos,
Há ferozes poemas escritos pela essência,
Guerra e guerras de suor transcendente,
Todos e ninguém atrás da porta,
Vôo dos lamentos,
Asa no choro emergente,
Leão devorando os cadeados da madrugada,
Touro invadindo os tijolos dos calcanhares,
Numa morte surrealista que penetra nos ninhos,
Numa tristeza cigana que deixa o coração em coma,
Súbitos minutos,
Fatais paredes transformando-se em navalhas,
Câmeras lentas e amargas,
Preto e branco seios e cabelos,
Tudo cinza,
Se arrastando no meio do caminho,

Oh anjo noturno que rasga as ferraduras com poemas
Oh fúria do impossível
Oh verme da procura!
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Ânsia de Horizonte

1
07:32
Fotografia do Mestre ROBERT FRANK



Algo corroi nessa manhã
A perspectiva escaldante
O aroma sereno dos compassos inalteráveis
Minha mãe divagando com o silencio no fogão-divã do meio dia.
Penso a essas alturas menos em asas
E mais em fincar o pé no coração concreto.
Desisto da magia dos mecanismos de fuga.
Breve manhã de oculto alvoroço
Sou aquele que não compreendeu
A própria ausência.













João Leno Lima
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ATEMPORALMENTE HUMANO

1
11:39




De repente as coisas deixam de existir
Em algum grau entre a memória e os gestos.
Sinto a impaciência flexível que se enraíza por debaixo dos meus poros
E arranco como a mão-precipicio
De uma mãe na hora que salvar seu filho de algum pequeno tropeço necessário
Os sentimentos mais indesejáveis.
Fabrico, fabrico raios e rabiscos tempestades.
Mas não sou quem inventou o céu cinza que se alastra por meu coração.
Oh grande ser alucinante dos reprimidos tatos envolvedores de olhares-frecha,
Entreaberto pássaro que se choca com redemoinhos,
Amigos e inimigos ao redor de si mesmos antes de entrar no ônibus,
Criança que me procura para ser seu colo momentâneo
E momentaneamente não faço mais parte do mundo.
Chefe indiferente aos sublimes chiliques do telefonema vindo de outras décadas,
Amiga feita de ilha que espera a passagem do próximo navio-miragem,
Irmã que olha lascivamente para si mesma,
Frações de segundos como pequeninos cães lambendo a carcaça das sensações.
Qual será teu gesto mais excessivamente embriagado?
O que significa aquele gesto impenetravelmente oculto
Em caixas soterradas debaixo das camas do sentir
Quando o olhar cruza aquele que nos faz tremer de frio nos umbigos?
Na nova casa íntima eu encontro a madrugada com novos presentes.
Na nova casa íntima,
Passo pelos cabelos do céu estrelado e definho contemplativamente.
No peito dos sonhadores abriga os pulmões do meu destino.
A mulher bem braços que afaga a tela abstrata afaga a mim também.
O amigo cheio de planos
Do tamanho do nascimento de uma criança jorra em mim.
Aquele que manda mensagens
Como frascos jogados ao mar que deixa a musa confusa, sou esse frasco.
Esse poema nasceu da gota de sangue de um uivo
Para acompanhar os passos das aves,
Para acompanhar o filho
Que vai pela primeira vez conhecer seus novos amigos na escola
E balbucia a si mesmo,
Acompanhar as primeiras fotografias do feto
Que veio sem pedir licença,
Acompanhar os detalhes da angústia do pai
Insatisfeito no trabalho e com a chuva,
Acompanhar o velho casal em mais um café da manhã engolindo a aurora,
Acompanhar a amante que não recebe a ligação a mais de um século,
Acompanhar o viajante cotidiano
Que gostaria de trocar de lugar com as nuvens,
Acompanhar a mãe que prepara um almoço sentimental.
Meu grito para o mundo é um soluço.
E o meu soluço é um dos versos que grita o mundo.












João Leno Lima
16-07-09
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LIMIARMENTE

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11:59
..
Quadro do Mestre Rene Magritte.





LIMIARMENTE



Preciso encontrar o verso que traduza o intraduzível.
Aquele que produzirá dimensões
Engolidoras de bolas de fogo dos nossos destinos.
Homens, mulheres, crianças,
O abrigo nunca será minúsculo.
Preciso encontrar o verso que traduza...
Vago pela Rua Vinte e um de abril,
Pela Julio cordeiro, entre a praça e Vênus,
Entre o supermercado e as cavernas da angustia,
No alvoroço das locomotivas transbordando
E no silencioso olhar de estrelas.
Preciso encontrar o verso que traduza...
Nem a ligação telefônica nem os fraseados de blues
Que formam a trilha sonora são capazes
De encontrar o âmago,
Fui arremessado nos estreitos instantes desconhecidos
Por anjos-litorais por onde caminho sobre suas pálpebras
Por certezas que sobrevoam as ruas
Como pássaros descompassados delirantes.
Mesmo assim preciso encontrar o verso que traduza o intraduzível.
Confesso, não há nada nem ninguém
Além de mim na extremidade.
Nada
Além de doses cavalares de silencio,
Gemidos-antidotos balbuciando pianos,
Gotas de mãos caindo feito chuva desencarnada,
Germes que saem dos cabelos dos sentidos.
E cala-me!
Nenhum sentido além das esquinas e dos camelôs invisíveis,
Nenhum sentido além dos outdoors do acaso,
Nenhum sentido além dos vultos
Que sobem e descem dos ônibus pedindo a si mesmos,
Nenhum sentido além das escadarias do momento desmagico.
Não, ainda preciso encontrar o verso que traduza,
Essa...
Impaciência inatingível, essa inquietação herdada
Dos abismos, esse desejo fugitivo que
Veio com o sangue das nuvens, essa
Pressa elementar passada
Subconscientemente pelos cometas,
Essa materia-queda que ouviu os
Conselhos da chuva essa desmotivação
Motivada pelas horas gesticuladoras.
Esses dedos tocando o rosto como um
Poeta escrevendo um verso.
Olhares se entrelaçando como rios e peixes
Como um poeta no centro do poema,
Gestos contidos do bebe dialogando com o novo mundo
Como um poeta procurando o primeiro verso,
Seres enormes carregando nos
Braços o espírito numa tarde Celestial,
Como um poeta Levando nos colos seus novos versos para serem lidos,
Sorrisos colidindo com
Os raios solares e criando rajadas
Que penetram nos poros do impossível que baixa a guarda
E desliza sobre as
Linhas do poema.






Cala-te!




Não passas do encontro das águas das lagrimas de Deus
Sob a consciência coletiva da natureza,
Não passas de lábios tocando no vento
E mudando seu percurso rumo
As extremidades dos desejos demasiadamente humanos
Não passas do dialogo eterno entre os anjos,
Não passas da profanação entre
Homens e mulheres sob a benção dos deuses,
Não passa de matéria escura
Que compõe todo o universo perfeito,
OH poeta!
Não percebes que não há palavras que defina?
Não percebes que o intraduzível
É a tradução que compõe os seres?

































João Leno Lima
03-07-2009 Continue

BECO SEM PALAVRAS

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14:46

O mundo, atrevo-me a desabar sob seu olhar destilante.
O verme no meu peito carcomida as tintas dos meus poemas ocultos.
Sou parte significativa da matéria elementar.
O mundo envenena minha sombra com sabedorias passageiras,
Com controles remotos controlados em outros hemisférios.
Oh adolescentes em fúria atômica de medo e destino,
Quem poderá salva-los das lágrimas de vidro?
Crianças que gemem nuvens,
Fujam em embarcações lunares nas caldas de sagitário.
Bailarinos sonhos rodopiam abismais
E passo a desacreditar nos seres.
Goles na meia luz de gelo derretido nas costas do mundo
Que trepida...
Cavalos marinho no suor do meio dia.
Tubarões disfarçados vendendo doces nos túneis do ônibus.
Urubus desdenhando na volta do trabalho.
Cães farejando o invisível sentido nos passos.
O mundo, uma mulher arreganhada insensível as flores solares.
Mas poluída de sublimes memórias de auroras.
Sou parte das sensações desacontecidas.
Esse poema tem o gosto amargo das descoisas inenarráveis,
Este infiltrado pelos pequenos braços oceânicos no outro lado da porta de um mar desejado
Pelo trovoes arranhando as janelas de vidro interiores,
Na enchente mórbida na madrugada,
Numa orquestra de sussurros ouvidos até em outras dimensões,
Algemo minhas mãos nas asas do abismo
Enquanto descubro quem sou além do mundo interior.
Vou caindo existidamente caindo...












João Leno Lima
30 de Junho de 2009
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Pós-Mídia

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09:26

Nos anos 80 estávamos todos como que paralisados pelos acontecimentos. Além do terror que se espalhava sobre a cena política italiana, a emergência de um poder que mais parecia uma simulação midiática de natureza fantasmagórica, despontava, para quem estava atento, como a mais perigosa tendência do autoritarismo pós-moderno.


Aproveitando as brechas que as rádios livres tinham aberto, quem se insinuou foi um advogado milanês, amigo dos saqueadores socialistas. O milanês abria canais de televisão um depois do outro. "Volte para casa bem depressa que o canal 5 te espera !", anunciavam os ameaçadores outdoors nas auto-estradas


Em 1984, na Universidade Autônoma de Montreal, ocorre um colóquio sobre as novas formas de autoritarismo, e eu disse que na Itália o perigo para a democracia provinha sobretudo de um milanês, que estava comprando a mente dos italianos através de canais de televisão e da publicidade. Começava a surgir no horizonte a mais inquietante das distopias, o pesadelo de Orwell, de Apinard, de Dick e de Burroughs, qual seja, a conquista da mente social pelos agentes tecno-virais manipulados por uma máfia sorridente e assassina.


No entanto, quando eu passava em Dhuizon, na casa vizinha à clínica psiquiátrica de LaBorde, Félix Guattari me falava de uma perspectiva completamente diferente. Enquanto o sistema midiático tornava-se o agente central da colonização mental e do autoritarismo político, Félix falava da sociedade pós-midiática.


A primeira vez que ele me falou nestes termos, pensei que estivesse brincando comigo. Mas depois ele começou a se explicar. E me falou — estávamos no início dos anos 80, talvez no verão de 82 - que não era o caso de temer o predomínio da televisão sobre os fluxos da comunicação social. De fato, segundo Guattari, os progressos da informática tornariam possível uma larga difusão de combinações rizomáticas. "Relações bidimencionais e multidirecionais entre coletivos de enunciação pós-midiática", dizia ele. Estas combinações, assim como seus modelos relacionais, iriam infectar o sistema televisivo centralizado, para depois perturbar e desestruturar todas as formas hierárquicas estatais e econômicas.


Félix estava descrevendo claramente a utopia da rede, rizoma proliferante de cérebros e de máquinas. Aquela utopia se encarnou na tecnologia, na cultura, inclusive na imprensa. Mas como todas as utopias, naturalmente, não é pacífica. Assim, trava-se uma guerra no contexto do devir pós-midiático. É a guerra interminável entre o domínio e a liberdade. No transcorrer dos anos 90, o rizoma desenvolveu-se, mas foi contaminado por vírus semiotizantes de natureza centralizadora e hierarquizadora. A penetração da publicidade, do business, da televisão na rede telemática foi um dos aspectos dessa infiltração. Outro aspecto foi a imposição da propriedade intelectual do software. Mas a complexidade do sistema rizomático não pode ser reduzida definitivamente pela ação de nenhum projeto redutor. Nesse sentido, a profecia pós-midiática de Félix Guattari segue sendo desmentida a cada dia e a cada dia confirmada pela dinâmica incessante do domínio e da liberdade.


Mas o ponto filosoficamente mais importante da profecia pós-midiática de Félix Guattari está aqui: Félix nos compele a perguntar o que quer dizer mediatização, e em que medida a mediatização envolve, incomoda, reprime, apaga a nossa singularidade corpórea. Nós estamos presos no emaranhado midiático porque isto torna possível uma expansão da nossa experiência, mas este emaranhado corre o risco de continuamente paralisar, imbecilizar, destruir a nossa singular sensibilidade.


A luta fundamental do tempo que corre é aquela que consiste em ritualizar continuamente a singular sensibilidade do nosso existir. É esta a batalha pós-midiática.


Tradução da Agência Imediata


Fonte: Rizoma.net
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LABIRINTO OCO

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10:11

Quero me disparar para imensas crateras numa gelada invisibilidade.
Traçando meu plano de não definhar antes da chuva habitual.
Sou parte do que se chama desolação social,
Fragrância lúdica de devaneios congelados,
Mudez que perfura o coração da fala e come seus restos previsíveis.
Meu coração geme na ponta da lança do instante
O que era eternidade não passa de embriaguez suprema nessa fração abstrata.
Oceanos; levem-me para o fundo sem salvas vidas poéticos.
Tremo de frio as perceber minha própria ausência.
O filosofo diz que tudo é desespero
Mas eu prefiro acreditar nas manhãs ensolaradas do destino.
Mesmo assim canso de ser nuvem.
No quintal dos meus cinco sentidos enterro-me de frente para o horizonte.
Sou a troca de telepatias entre as estrelas.
Na verdade no fundo, sou o sexo entre as letras da poesia.
Engravidado de palavras que se aglutinam na imensidão incerta.
Fecho os olhos para não ouvir os conselhos dos segundos.
Não!
Não quero as lagrimas quero as galáxias dos meus próprios sentimentos inteiros
Quero transbordar nas bordas dos litorais de Deus e sair rolando entre os mantos irretocais dos anjos numa ladeira delirante para um confim onisciente.
Chega...
Retomo a idéia de ir para o trabalho como se desse corda intermináveis no tempo,
Ele reiniciar seu processo de dilacerar-me lentamente,
Já estarei puído antes do meio dia
E serei apenas sombra nas tardes invioláveis,
Mesmo assim, mesmo assim inexoravelmente,
Mesmo assim num ato de transgressão cósmica,
Num uivo que romperá os cordões umbilicais entre matéria e espírito,
Mesmo assim, mesmo assim...
Respirarei esse instante como se ultimo ele fosse,
Fosse,
O ultima instante poético.










João Leno Lima
22-06-2009
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As 10 melhores fotos captadas pelo telescópio Hubble no espaço

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20:24
1º- A Galáxia do Sombrero - distante 28 milhões de anos luz da Terra - foi eleita a melhor foto, captada pelo Hubble. As dimensões desta Galáxia, oficialmente denominada M104, tem uma aparência espetacular, com 800 bilhões de sois e um diâmetro de 50.000 anos luz.

2º -A Nebulosa da Formiga, que é uma nuvem de poeira cósmica e gás, cujo nome técnico é Mz3, assemelha-se a uma formiga quando observada por telescópios fixos. Esta Nebulosa, esta distante da nossa Galáxia, e da Terra, entre 3.000 a 6.000 anos luz.



3º - Em terceiro lugar está a Nebulosa NGC2392, chamada Esquimó, pois se assemelha a um rosto circundado por chapéu ou gorro enrugado. Este chapéu, na realidade, é um anel formado por estruturas ou restos desagregados de estrelas mortas. A Esquimó está há 5.000 anos luz da Terra.


4º - Em 4º lugar temos a Nebulosa Olho de Gato, que tem uma aparência do olho esbugalhado do feiticeiro Sauron do filme "O senhor dos anéis".



5º - A Nebulosa Ampulheta, distante 8.000 anos luz, que tem um estrangulamento no meio, por causa dos ventos que modelam a nebulosa, serem mais fracos na sua parte central.

6º - Em 6º lugar está a Nebulosa do Cone. A parte que aparece na foto tem 2.5 anos luz de comprimento (o equivalente a 23 milhões de voltas ao redor da Lua).



7º - A Tempestade Perfeita, uma pequena região da Nebulosa do Cisne, distante 5.500 anos luz; descrita como "um borbulhante oceano de hidrogênio, e pequenas quantidades de oxigênio, enxofre e outros elementos".

8º - Noite Estrelada, assim chamada por lembrar aos astrônomos um quadro de Van Gogh com este nome. É um halo de luz que envolve uma estrela da via Láctea.


9º - Um redemoinho de olhos "furiosos" de duas galáxias, que se fundem, chamadas NGC 2207 e IC 2163, distantes 114 milhões de anos luz na distante Constelação do Cão Maior (Canis Major).



10º- A Nebulosa Trifid. É um "berçário estelar", afastado da Terra 9.000 anos luz, e é o lugar onde nascem as novas estrelas.












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Peso

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09:50

No sonho, o momento passado é um momento presente desabitado.
Desertos de palavras formam as células antepassadas e a dor comete o ato de alojar-se...
Nossos estranhos mecanismos íntimos sentem as infiltrações dos sentidos dispersos, o mar deságua no litoral do rosto entregue.
Nem sonho nem abrigo, quero desintegrar na úmida desesperança.
Blocos de gelo saem dos meus gritos.
Sou parte das paisagens invisíveis.
Meu deus, cada segundo me consome como um trago inesgotável.
Oniricamente faminto preciso das caricias sempre suaves das nuvens,
Dos conselhos sábios das estrelas
- Não há lugar algum quando não há a si mesmo, elas dizem...
Mas mesmo assim ouvirei a declamação do sol
E descansarei em alguma rocha num oceano imaginário...





















João Leno Lima
19-06-2009
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O ENIGMA dos SENTIDOS POETICOS

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13:11




São intermináveis as incertezas que motivam o ser.
Como goles de vinho passeando pelas goelas do espírito.
Prometo não me embriagar de noites solitárias de sentidos.
Quero fabricar em mim as certezas possíveis.
Com a lanterna mágica dos versos, vou vasculhando os horizontes.
E tremendo de frio na gélida tristeza que sempre adormece comigo.
Encontro no verso mais intimo de cada homem um inesgotável,
As suas almas sobrevivem e atravessam um túnel e transpassam o centro do mundo.
Nossos mundos?
Pequenos líquidos que escorrem do rosto de Deus rumo aos sublimes oceanos que se materializa...
Estamos quase sempre enganados...
O verso mais inesgotável é o que possui em si mesmo um coração inesgotável.
Meu coração em desordem crônica com o mundo
É uma criança que estende a mão para alcançar as estrelas de si mesma.

















João Leno Lima
18 de junho de 2009
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A MARCHA SENTIMENTAL

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19:18


No fundo somos selvagens anarquistas do destino.
Queremos juntar as peças,
os monilitos sonoros dos nossos proprios gritos entranhados
e recombinar com nossas asas além da invenção das horas.
Cada palavra se desmancha simetricamente.
Coloco a mão no rosto e mergulho num confim palpavel.
Tememos a indefirença mesmo a desejando inconscientemente
nas ruas sujas indo para o trabalho.
Quando a visao da minha sombra é meu espelho
sou parte desconectiva.
Elementar paisagem psicoconcreta
entre as girafas estaticas que roçam os céus.
Transfiguro-me para as bordas.

Agora sou as incertezas que brotam no jardim desemperançoso do meio dia.
atado pelo globo ocular pos-lagrimejante do amigo incalculavel.
E a ressaca dos amantes indefesos.
uma impeciencia que geme mais que uma criança solitária.
num tunel...

O mundo é um tunel desconhecido que agride nossos passos que tremem
percebo a velice dos deuses do medo
Mas o mundo cria mecanismo de defesa contra os poemas.
Somos os mecanismos.
Então fundo-me em teatros sem gente
Sou parte dos raios da chuva não desejada
O que passeia nas paginas que estão sendo açoitadas
pela maquina de escrever cansada.
Quem no mundo sentiu tal evento melindroso...
Ou quando as mãos dos que se desejavam deixaram-se...
Naquela distancia se esticando...
Mesmo que momentaneamente...quem sentiu...

Temo a realidade ilusoria
como a materia teme a putrefação dos sentidos.
Temo mais os grunidos dos urubus da memoria
do que os assassinos incontroláveis.
Porque a ponta dos meus dedos é uma lança rasgando o coração dos instantes...
Quantas mães-anjos devem estar nesse exato
momento latejando de existencias transbordantes
Quanto segredos estao sendo revelados...
Quantas faces lantamente enrugando na invisibilidade da célula poetica
Num abrir e fechar de portas
Quantos olhos fechando e nessa fraçao escura intantanea...
Quantos sonhos?

Piso nos meus proprios passos à sobrescreve-los em vão
Se o passado é irreversivel
por que tentamos evitar comete-los novamente?
eu, poeta, principio vital
que movimenta as palavas além das combinações plausiveis
Que se alimenta dos poros do mundo pensado,
planejo poesias infindaveis
Como o ludico louco que boceja perante a razão dos outros.
Na minha razão, a unica razão é o sentimento.





João Leno Lima
08-06-2009
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CANTO-ENTRANHA

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22:20




Dispara novamente sobre meu canto a insatisfação do tempo.
No intermédio desfavorável das caricias silenciosas dos ventos,
Vaga os sorrisos na contramão.
Enamorados silenciosos ventam
Cruzando os caminhos da cena frágil do olhar;
Quero devorar as horas
Insisto quero devorar a solidão.
Alimenta-la com vultos indesejáveis de sonhos
E cobri-la com meu manto oculto decapitado pelo destino.
Rendo-me
Quero devorar-me com salivas de tardes desabitadas da fala
O que é a fala se tudo em mim espatifa-se num grito incomunicável?





















João Leno Lima
07-06-2009 Continue

O ENIGMA DA CHEGADA DO MEIO DIA

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13:31

Titulo do Poema Retirado de um titulo do Quadro de Giorgio De Chirico




Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.
Com vogais esfaqueando os umbigos dissonantes das
Palavras ocultas num dialogo comigo mesmo.
Disparo para perto,
Sou a construção desconstrutiva das leis da natureza intima
Sou os blocos de gelo queimando os corpos do orgulho
E a bola de fogo atravessando a garganta do medo metafísico.
Trabalhadores navegando nos seus próprios passos
Num trem invisível da memória.
Como posso conte-los?
E declamar meus poemas ocultos até a mim?
E aquela criança com envergadura de nuvem?
Como posso convencê-la
que sou pequenos feixes de luz que falham as vezes?
Às vezes dissonantes versos com cabeça de manhãs
tropeçam rachando o chão ensolarado
E ruindo o horizonte.
Dou voltas e voltas neles
Meus corrimões desaparecem ensolarados pela sombra das horas.
O que são as horas perante a vastidão da eternidade?
"Cala-te"
Diz Rimbund pegando seu café vulcânico
que queima os lábios dos instantes.
Leopardos se acumulam a minha espera na porta do trabalho.
Querem eles me caçar ou me ajudar a caçar a mim mesmo?
Serei eu um leopardo metafísico
que geme tubarões num mar decapitado pela razão?
Desintegro-me pelos trovoes da chegada.
Perco pernas e braço na colisao com a queda intima
E desço longos tubos da inquietação matinal.
Sou mais manhã ou mais noite?
A tarde presa nos túneis do trompete
desafinando a melodia desejada.
Dança os segundos uns com os outros
e desaparecem num limbo inconsciente
Pequenos rostos sobrevoam a calçada carcomida
Mãos atravessam o outro lado de si mesmas se beijando
Pressa insaciável
Deixa-me!
Minha angustia espera na parada de ônibus
Pássaros desviam da minha sombra
Cuspo cometas...
Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.











João Leno Lima
05-06-2009
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DIALOGO COM AS NUVENS

0
13:35


Se junto os fragmentos dos instantes
Como cacos espalhados num chão entrelaçado com o espírito,
Junto a construção refletida de mim mesmo por algum momento.
Não cabe eu compreender os espaços atemporais do tempo
Nem os longos dentes afiados dos leopardos
Da minha momentânea desesperança em mim mesmo.
Só cabe a mim,
Atravessar as paredes da irremediável
onisciência dos universos completos.
Levo os fragmentos além das portas,
Passo indesejavelmente cinza pelo asfalto
E logo o céu-azul-espelho espalha-me pelos longos corredores do dia.
Sinto-me gigante
Com os cabelos roçando a extremidade das nuvens...
Sentes a atemporalidade?
Sentes a união dos passos formando pequenas estrelas nas calçadas?
Sentes o vácuo deixado pela presença do esquecimento?
Sentes o hálito da noite apos longas caminhadas longe de si mesmo?
Sentes como Deus sopra os tempestuosos navios-nuvens
Como uma criança transbordando o sublime?
E nos traz um quadro de sensações que titilam nos poros do mundo?
Ousou Deus imitar Van Gogh inconscientemente?
Fragmenta-me.
Sou o espaço interior refletido na eternidade.
Meu grito abraça meu silencio
E sobrevoa o poema sem asas
E ambos despencam em minhas mãos flutuantes.
Junto-me...
Volto para casa...











João Leno Lima
04-06-2009
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11

0
19:56




Quando o universo e eu seremos um só?
Quando as cartas de Rilk serão escritas na minha alma?
Pertencerei ao mundo exterior arremessado no sonho?
Reluz minha respiração,
O vasto raio de sombra anoitece a aurora,
Pianos confundem os segundos,
Cai o lápis da minha mão
Antes que eu chegasse no fundo do poema,
Deslizo pelos para brisas da memória,
Desço ate as altas camadas congeladas das palavras,
Atravessando as intermináveis feições oceânicas dos desejos,
Pego uma embarcação e penetro na gélida ilusão do auto-retrato,
Caminho pelos confins imaginários
Para contemplar de perto a perfeição,
Quem seria eu nesse instante?
Adormeço no portal transcendental da lembrança.
Sonho com objetos inanimados
E rostos que flutuam por serem si mesmos,
A dor de existir e maior quando chega a noite,
Adormece no meu colo o absoluto,
Engulo a madrugada misturando-a ao copo d água,
Quando acordo não sou nem mais eu nem ninguém,
As cordas vocais falham como se fosse a opera do fim do mundo,
Treme fantasmagoricamente a insuportabilidade,
Desando e patino pelas montanhas brancas e congelo,
Antes ainda apalpo teu rosto contendo desesperadamente o calor,
Torno-me vulcão que avança destruindo as cidades
Do outro lado do mundo da minha angustia,
Misturo-me ao todo
E o todo tem a exatidão de mim.



João Leno Lima
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SAIL TO THE MOON

2
12:00
Vi pessoas humildes se reunindo com suas almas gigantes
e senti a eternidade como quem sente uma chuva inesperada
na contra mão dos corações soterrados de tristezas.
Margulhar na eternidade;
com seus dentes sublimes de tubarões imaginários
devorando com destreza a mim,
é devorar buracos negros insatisfeitos e contemplativos
de imensas tempestades, as vezes, maior que nossas
próprias sombras.
Essas pessoas tinham nos olhos
suas próprias almas penduradas nas palpebras.
E suas vibrações sonoras ensurdecem
com rosnar de violinos e grito-pianos
as horas mortas de sentir.
O que é o delírio perante crianças brincando
no vasto campo aberto de si mesmas?
O que é a insatisfação perante o olhar recipocro
dos invenciveis amentes pendurados
na magia sentimental das almas?
Penduro a chuva na minha pulsação noturna
e canto a canção de flutuação inesgotada.
As vezes minha desafinação pulsa por longos quilometros
acorrentada as nuvens ilusórias de mim mesmo
Mas, sempre volto... como pequenos versos sublimes
com litorais de crianças com brinquedos mágicos
que se cercam em volta da existência
como quem ouve os conselhos
de todos os universos...







João Leno Lima
28-05-09
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REVERSA VISIBILIDADE

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07:09





O universo,
Me oprime.
Luzes oceânicas brotam lentamente,
Assim como Chaplin em o Grande ditador
Carregou o mundo nas mãos eu o carrego e o arremesso,
O universo,
Me oprime.
Grita o milésimo olhar transcendente
Abocanha arrancando o coração do acaso
Quantos acasos formam um universo?
O oceano se espatifa
Em pequenas gotas de lágrimas,
Minha cabeça gira pelas escadarias abaixo dos instantes,
Sou meu próprio livro do desassossego,
Assim como Allen Ginsberg subiu no topo do prédio da RCA
Subo ate as altas montanhas invisíveis do sentir
O que sinto?
Observo de longe a vasta multidão,
O cotidiano tem nas pontas dos dedos
O fio de cabelo da minha desolação cronometrada,
Eu, uma queda para cima.
Assim como Maldoror passeia com seu buldogue
Passeio com meus fantasmas pelos litorais crepusculares,
Sou o fumo esquecido na ultima respiração de Artaud,
Desintegro meu coração para que ele possa respirar,
Comprimo meu fôlego e entrego aos segundos,
Eles caminham mais acelerados
Por que eu caminho mais acelerado,
O universo me comprime
Eu comprimo o universo,
Nossa troca dissonante de musicas inesgotáveis
Embala o sono latejante dos poetas,
Na rua reencarno-me a cada passo,
Tenho a sensação de estar na bolha de um sonho,
No tentáculo arquitetônico do existir em si,
Assim como Withiman escreveu as folhas da relva
Na sua infinita eternidade,
Escreverei a folha de todos os instantes da alma humana
Em suas sensações eternamente finitamente infinita.





João Leno Lima
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RELVA INVISIVEL

0
02:03




Morre dentro de mim o universo
Cala minha voz eternamente vulcânica
Sangra meu desejo oco por transcendência
Atinge a ultima torre gélida da aurora
Pratica sexo com minha infinitude alucinante
Quem poderia ser eu a não ser, relva.
Punhado de poças de lamas flutuantes
Convexos inesgotáveis
Substancias alquimistas do cosmo
Estrelas que saem das bocas das crianças
Atalho que leva a nuvem
Olhar que devora ate os ossos os movimentos
Não há movimento que não seja inconscientemente observado
Não há desejo sem trasnconciencia mágica
Não há formula que contenha todas as formulas oniscientes
Fujo ate poente
O poente foge-me entre os dedos
invento a leitura matinal da minha alma
Os livros da minha alma estão cheio de traças poéticas
Quero declarar a independência da minha matéria inócua
Que salivar meus sonhos nos ouvidos da inesgotabilidade
Quero atravessar os oceanos dos sentidos
Apenas num absoluto pensamento
Rasgo as folhas em branco
É melhor um poema do que o nada
É melhor o nada do que desaparecimento inevitável
É melhor uma vida do que uma não-vida respirando
A idéia de Deus é oca a idéia que o universo se expande
Este escrito na minha existencialidade
Cada lágrima contem a segredo que move o mundo
Ou cada lágrima contem o segredo que me move
Ou seja, quem será mais improvável eu ou minha sombra?
Minha sombra sangra por mim eu sangro por minha alma
Minha alma sangra mundo o mundo sangra no meu ser
Sua loucura e raciocínio me faze delirar
Numa orgia desesperante e lenta, mas elétrica, mas extraordinária.
Mas inexplorável, mas inalcançável,
mas incompreensível,
mas infinitamente humana...












João Leno Lima
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DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL

0
10:11

















Em que adianta a filosofia da tua existência
Se o que importa para o caos é a orgia
O teu ninfomaníaco vazio atraído pelo teu nada
Ah
Dessa relação nascem fetos-silencio
Estuprados com violência pelos espelhos
Vindos dos cabarés dos reflexos
E da radiografia desse reflexo
Sonhos utópicos de existência

















TITULO DO QUADRO DE MAX ERNST
DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL
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TRANSVERSAL

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17:26

Despenca sobre mim o impossível.
Sangrando, debatendo-se nos meus poros mundanos,
Vestido de noiva do meu absoluto
Em coito com a magnificência do caos ,
O tempo e o espaço beijando-se no infinito,
Tremendo de frio com olhares,
Castrado sonho que rodopia,
Vagina que ancora sobre a criança chorando,
A visão que perfura a antevisão,
Tecido nervoso que pula de pára-quedas,
Crânio esmagado pelas escalas oitavadas da musica,
Meu copo banqueteado pela lagrima,
Vagando pelos vácuos inaudíveis,
Onde tudo se fragmenta lentamente,
Onde minhas palavras poluem no ambiente da poesia,
Quebro as ondas sonoras da minha memória,
E arremesso-me...Não sou mais eu digo a mim mesmo,
Sou metade tempo metade espaço
Metade vazio metade tudo
Metade silencio metade grito
Metade trasncedentalismo
Metade efemeridade,
A poesia que vem de mim tem gosto inalcansabilidade,
A poesia que vem de mim tem sombra de imensas tempestades,
A poesia que vem de mim não encontra
O amor nem seus mais nebulosos demônios,
Visão que perfura a antevisão
Alastra-me em ódio carnal pela nuvem,
Uma nuvem ataca-me,E me absorve,
Leva-meSou só nuvem agora,
Flutu-o sem rumo pelas bordas da noite do meu sonho,
Qual o maior desejo da minha poesia?
Desabafos infinitos do infinito da pagina,
Vomito minhas vísceras e ela vira palavra,
Que se espalham pelos tubos de ar do cotidiano
Contaminando a manhã com infinitudes,
Escolho a mim mesmo
Escolho o mundo transversal da poesia
Escolho a lógica do impossível.







João Leno Lima Continue

MOMENTO IRREVERSIVEL

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07:31


A minha forma fantasmagoricamente
se arrasta pelas frechas dos olhos inalcançáveis.
Eu procuro a proteção da minha sombra fragmentada pelo tempo.
Na calçada eu acorrento meus poros numa nuvem desavisada.
Meus olhos procuram o oceano de almas naufragadas para mergulhar.
Mas só encontra o chão para se deitar no caos cinza sem horizonte.





João Leno Lima
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DESCOSMO

0
13:58



Ah Fernando pessoa não passa de um vinho,
Tomado pelo meu desespero.
A morte, essa inesgotável companheira ausente,
De mãos dadas com o invisível.
Traduz certos desvarios nebulosos.
Anti-materia que mordo os calcanhares.
Meu lábio revirando as caixas de segredos da inconsciência mutua,
Traduz teus mecanismos.
Sou a nuvem que paira no teu rosto de vinho.
O cansaço toma-me pelo pescoço.
A febre mutila meu desejo de sobrevoar-me.
Tira-me de mim a inércia carcomida,
Tira esses blocos de concretos sobre meus passos leopardianos,
Fere-me com utopias maçantes e magníficas.
Ah mundo inteiros cabem num só verso
Mas constelações precisam de novos poemas
Para não implodirem de si mesmas.
Escrevo correndo pelos longos túneis do meu trabalho.
Esses olhares em volta pregados nas paredes das razões,
Como quadros abandoados pela ausência fétida da luz do sonho.
Olhando as paisagens ao redor esqueço
Dos imensos terremotos que saboreiam meu fôlego nas noites insones,
Das embarcações-tempestades viajando rumo ao lugar nenhum de mim.
Rumo ao catedrais analgésicas que se recriam na fabula do nada,
Rumo a extensa lista de oníricos inacabados.
Longas línguas ensopando as barbas das angustias,
Espinhos de aço perfurando o gelo do nao-delirio da manhã.
Se espero a letal união futuristica vinda na sonolência imediata,
Espero ter tocado nas sombras de Deus pelo menos na metade quebrável de um segundo.
Canto a canção desrefletida pelos anjos,
Canto o jardim sinfônico regado pelo verso-poeta de tez lúdica
Canto a desafinação momentânea da minha alma.
Em partículas particulares de vozes declamando nuvens-monstros pisoteadores de ausências.
Tua visão extra-corpórea é a nudez que me alucina.
Os lábios cotidianos estão borrados de vermelho sangue
De asas que nunca viram a luz da manhã,
Alguém proclamou a inconsciência dos atos,
Alguém apagou os poemas nunca escritos, mas sentidos com exatidão.
Mesmo assim não é impossível traduzir o poeta,
Já faz poesia quem existe inesgotavelmente existindo.








João Leno Lima
20-05-09
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Mar Intraduzível

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18:44







Meu coração é um verso numa tarde em frente ao horizonte
Meu horizonte se traduz num poema
Meu poema deságua num oceano de paginas incalculáveis







João Leno Lima
19-05-09
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"impacto é anterior à extinção"

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17:14

Desde 1980, um asteroide é o principal suspeito da extinção dos dinossauros. Dois novos estudos mostram que eles sobreviveram ao impacto

Em Fantasia, o clássico filme da Disney de 1940 que uniu animação e música erudita, o episódio "Gênesis" faz uma alegoria sobre a evolução da vida na Terra (ao som de "A sagração da primavera", de Igor Stravinsky). "Gênesis" se desenrola na era mesozoica, dos répteis gigantes que habitaram o planeta entre 220 milhões e 65 milhões de anos atrás. O grande astro – meio século antes de O parque dos dinossauros – era o tiranossauro. Em Fantasia, o longo reinado dos dinossauros acaba em tempestades de areia, calor asfixiante e sol abrasador.


Quando só restam esqueletos num mar de dunas, o solo se abre e engole tudo. Cordilheiras projetam-se às alturas, apenas para ser tragadas pelo dilúvio universal. O cataclismo reflete uma concepção ultrapassada da extinção dos dinossauros. Desde 1980, sabe-se que o vilão foi a queda de um meteoro no México. Será?


Dois estudos publicados no final de abril podem afundar a teoria do meteoro. Num deles, a geóloga alemã Gerta Keller, de 64 anos, da Universidade Princeton, diz que o meteoro não causou a extinção. No outro, James Fassett, de 76 anos, geólogo aposentado do Serviço Geológico americano, não descarta que o meteoro tenha sido responsável pela extinção – mas seu efeito não foi imediato. Ele descobriu que havia dinossauros na Terra 500 mil anos depois do impacto.


Entender a causa da extinção dos monstros "antediluvianos" é uma meta da ciência desde 1842, quando o inglês Richard Owen cunhou o termo dinossauro (do grego deinos, terrível, e sauros, lagarto). Teorias nunca faltaram. A primeira foi a do dilúvio. O fim dos dinos já foi creditado a uma supernova, uma estrela vizinha do Sol que explodiu, banhando a Terra com radiação mortífera. Em outra hipótese, a Terra cruzou uma nuvem de gás interestelar que teria sufocado os bichos. Culpou-se até um vírus, que seria causador de uma pandemia planetária.


Essas teorias começaram a ser descartadas em 1980, quando os americanos Luis Alvarez, um físico ganhador do Nobel, e seu filho Walter, um geólogo, disseram que o vilão veio do espaço. Eles descobriram um acúmulo anormal do elemento químico irídio numa estreita faixa de rochas de 65,5 milhões de anos, o chamado limite K/T. Abaixo dele, estão as últimas rochas do período Cretáceo (K), quando ainda havia dinossauros.


Acima, estão as rochas terciárias (T), onde eles desapareceram. O irídio quase não existe na Terra, mas é abundante em meteoros. Luis e Walter Alvarez calcularam que a concentração de irídio decorreria da queda de um astro de 10 quilômetros de diâmetro, voando a 20 mil quilômetros por hora. O impacto teria gerado uma explosão igual a 5 bilhões de bombas de Hiroxima. Montanhas de rocha pulverizada foram lançadas na estratosfera, cobrindo o Sol por séculos. Segundo a tese, os animais que não morreram de imediato sucumbiram à fome e ao frio.


Em 1991, a teoria ganhou ares de fato comprovado. Prospecções petrolíferas no Golfo do México detectaram a cratera do meteoro. Ela tem 180 quilômetros de diâmetro e está soterrada por 2 quilômetros de rocha, sob a cidade de Chicxulub, na Península do Yucatán, no México. Escavações provaram sua idade: 65,5 milhões de anos. Tudo levava a crer que Luis e Walter Alvarez tinham razão. Ou não?


Os paleontólogos nunca se convenceram. Eles sabem que o meteoro poupou as espécies menores e muitas de grande porte. Os tubarões surgiram há 400 milhões de anos e sobreviveram incólumes.


O mesmo se deu com os crocodilos. Quem sumiu foram os grandes répteis, nas versões alada (pterossauros) e marinha (plesiossauros), e a maioria dos terrestres, os dinossauros. Nem todos. Alguns sobreviveram. São as aves


Desde 1989, Keller quer provar que a queda do meteoro não acabou com os dinossauros. "Nos últimos 20 anos, tenho sido a bad girl da geologia", disse a ÉPOCA, enfatizando seu distanciamento dos colegas geólogos, para quem a teoria do meteoro era fato consumado.


Em 2004, Keller foi ao México coletar rochas em torno do limite K/T. Ao analisá-las, achou fósseis de 52 espécies de animais abaixo da faixa de irídio. As mesmas 52 espécies continuavam presentes nos 9 metros de sedimento acima da faixa, depositados durante 300 mil anos. "É a prova de que o meteoro precedeu à extinção em 300 mil anos", diz Keller no estudo publicado no Journal of the Geological Society of London. "Nenhuma espécie se extinguiu como resultado do impacto."


Se não foi o meteoro, o que causou a extinção? "Sabe-se que, bem antes da extinção, os dinossauros sofriam uma redução de biodiversidade", diz Keller. "A extinção não foi repentina. Ela se deu ao longo de 2 milhões de anos, em quatro ondas sucessivas." Keller achou evidências dessas extinções em amostras coletadas no México, no Texas e no Oceano Índico. Todas apontam um culpado: a megaerupção vulcânica iniciada há 68 milhões de anos nas Deccan Traps, um planalto formado pelo acúmulo de lava no centro-sul da Índia. "A primeira erupção ocorreu 2 milhões de anos antes do meteoro", diz Keller. "As outras três se deram acima do limite K/T. A última foi a pior de todas. Ocorreu 300 mil anos após o impacto em Chicxulub." As erupções provocaram um colossal vazamento de magma, que cobriu com 3,5 quilômetros de lava uma área do tamanho do Amazonas, alterando o clima do planeta. "As espécies que não se adaptaram à mudança climática desapareceram", diz Keller. "Foi o caso dos dinossauros."


Fassett não inocenta o meteoro. Mas afirma que nem todos os dinossauros sumiram. Ao estudar amostras de solo coletadas no Novo México e no Colorado, 500 mil anos mais recentes que a faixa de irídio, Fassett achou 34 ossos de um alamossauro, um dino bípede de 10 metros de comprimento – conforme narra no periódico Palaeontologia Electronica. "Os ossos não foram espalhados pela erosão. A conclusão é que o animal viveu 500 mil anos após o impacto", disse a ÉPOCA. "É uma evidência inequívoca de que os dinossauros não se extinguiram de imediato."


Entre os paleontólogos, é quase consenso que o meteoro é página virada. "As Deccan Traps estavam causando um enorme estresse ambiental antes do impacto", diz Donald Prothero, um respeitado paleontólogo americano. "Apesar da fascinação da imprensa com o modelo do asteroide, a extinção foi complexa demais para ser explicada por uma pedra do espaço."


Fonte>http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3508&Itemid=88
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MORNING BELL

1
13:38

No jornal dessa manhã
Vi frágeis crianças se dissolvendo nas salivas do abandono.
Foi quando me tornei mais veloz
Que os leopardos flutuantes da minha angustia
E pensei no absoluto.
Nessa manhã insuportável para algumas almas
A minha encontrava o sublime no alvoroço da inevitabilidade do dia
Encontrava leves seres desacordados após delírios antepassados das madrugadas
Leves viajantes dos ônibus subaquáticos dos oceanos dos instantes
Leves e tão ou mais perdidos que eu sob as nuvens das obrigações
Meu deus... Basta-me o sublime!
Para perceber além dos cinzentos fatos dessa manhã.

























João Leno Lima
19-05-09
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FEBRE COSMICA

1
13:00

Atravesso um túnel
Com paredes de soluço
E encontro abrigo
Do outro lado da alma...

Do outro lado da alma
Onde encontro abrigo
Atravesso um túnel
Com paredes de soluços

Encontro abrigo
No outro lado da alma
Com paredes de soluços
Atravesso um túnel

Com paredes de soluço
O túnel atravesso
Para encontrar no outro
Lado da alma o abrigo

Atravessoatravessoatravesatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravesso

Tuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltunel

Paredesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedes

Soluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluço

Encontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontro

Abrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigo

Outrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutro

Ladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladolado...

...Da alma.





João Leno Lima
15-05-2009
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CANIBALESCO

0
14:02



...
Sinto-me...
Vácuo Vácuo VácuoVácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo VácuoVácuoVácuo...
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo
Vácuo... Vácuo... Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo...
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
... Vácuo
SINTO-ME?
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo...






João Leno Lima
14-05-2009 Continue

CAN - Tago-Mago (1971)

0
01:55

Esse disco é uma experiência psiquica iniqualável.

É provável que seja o álbum mais amado dos CAN
aquele que desenvolveu maior e irresistível aura mítica em seu redor.
Um catálogo de experiências sónicas, que teria feito Stockhausen e Berio
desmaiar de inveja nos seus estúdios,
enquanto buscavam o definitivo som hipnótico.
Capa propositadamente ingénua em “primitive-painting”,
título anunciando a palavra mágica de uma primordial linguagem,
que se poderá repetir até à exaustão.
Depois das espasmódicas e perturbantes gravações com Malcolm Mooney
em “Monster Movie” (há ainda “Delay 1968”, editado postumamente) de 1969
e em metade de “Soundtracks” (há temas recuperados em “Unlimited Edition”,
mais tarde, vocalizados por Malcolm),
os CAN encetaram uma empolgante trilogia com Damo Suzuki,
esticando como ninguém o conceito de fusão experimental.
Donos de uma genialidade subversiva,
foram uma voz essencial de um movimento musical
sediado no coração da Europa industrial, denominado “Krautrock”
(possivelmente num “brainstorming” de um crítico americano),
epíteto nada abonatório para diferençar a excêntrica música alemã,
fora do puzzle e sem bases claras no rhythm & blues.
Cá para nós faz mais sentido o termo “rock alemão”.
Estabelecer coordenadas
para um disco tão arrevesado como este não é tarefa fácil.
Os CAN tal como os Faust, subiram a cordilheira a pique,
e há uma foto admirável no livrete
em que os cinco músicos escalam uma montanha,
metáfora fascinante para caracterizar
a herança que legaram à música popular.
Os CAN sempre estiveram cinco milhas acima,
e estudando “Tago-Mago”
podemos pensar nos universos de H.P. Lovecraft
e Philip K. Dick, em utopias de ficção científica,
nos Novos Expressionistas ou no Realismo Fantástico,
nas heranças étnicas e no poder macrobiótico,
para nomear aleatoriamente.
“Tago-Mago” abre com o psicadelismo, “Paperhouse”
e “Mushroom” são duas faces da mesma alteração caleidoscópica;
“Paperhouse” é enérgico e nervoso, repleto de ritmos trepidantes;
“Mushroom” é uma dança narcótica arrastada pelo coração aos pulos.
Ambos os temas revelam finalmente a maturidade do grupo
e uma inequívoca união criativa,
Holger Czukay referindo-se ao grupo
viu-o como um “enorme e vibrante organismo”.
Todo o psicadelismo posterior viria absorver aqui,
envergonhado com o estigma do rock progressivo,
uma linguagem sóbria distante da paleta de cores “hippie”,
veja-se o caso dos Sonic Youth, My Blood Valentine
ou obviamente todos os grupos de Manchester e Liverpool.
Aliás “Mushroom” é porventura o duradouro ícone da canção psicadélica,
se Syd Barrett nos autorizar pois não vamos esquecer
“Astronomy Domine” e “Lucifer Sam”.
A carga apocalíptica, a guitarra atingindo subliminarmente o cérebro
em cicatrizes dolorosas, a bateria inconfundível de Jaki Liebezeit
(portento de baterista ao lado de Bill Bruford
e Dave Kerman, este nos dias de hoje!)
insistindo num ritmo selvagem (tem passos de elefante),
escutado secretamente em algum ritual ancestral.
“Oh Yeah” começa no campo da explosão nuclear de “Mushroom”,
uma cavalgada feérica programada pelos teclados de Schmidt,
a voz de Suzuki a ditar textos ao contrário,
um breve momento de paisagismo vespertino,
logo incendiado por rifes de guitarra em chamase percussão ensimesmada.
“Halleluhwah” é um mantra “rockligioso” afinado pelo “wah-wah” das guitarras
e um baixo mais sóbrio, os teclados esfumando-se em resquícios estelares,
a bateria presa a um ponto qualquer do espaço,
movimentando-se em padrões circulares.
Ainda há tempo para Karoli improvisar em límpida guitarra acústica
e num violino tocado pela luz do Ganges.
Na parte final, o baixo vai na dianteira banhando-se
em aquáticas ondulações dos teclados,
tudo inesperadamente sugado
por um buraco negro em desvario concêntrico,
os instrumentos peneirados no cosmos e Suzuki acordando da câmara de sono,
exaltado com novas vistas além.
“Aumgn” e “Peking O” são de outra nascença,
toda a sequência do primeiro é inimitável na música popular
e abala-nos profundamente, mas no segundo
já é fácil soltarmos um sorriso nervoso face a toda aquela neurose extravagante.
“Aumgn”, distorção animalesca do som sagrado Aum (ou Om),
nunca apareceria num disco dos Moody Blues, vá não vamos brincar,
mete tanto medo como “Nature Unveiled” dos Current 93
ou “Saint Of the Pit” de Diamanda Gàlas.
Há vibrações, ruídos e lamentações,
contrabaixos sufocados para surtirem o efeito cavernoso,
a devoção vinda do susto, instrumentos atirados ao chão;
há pânico, gritos, berros e urros,
é impressão minha ou Suzuki chega a ladrar,
transfigurado em lobisomem no estúdio?
A visita correu mal, somos apanhados no meio de mil tambores
que criam uma sequência impressionante,
os teclados indicam erro, a percussão insistente redobra a cadência,
urros abafados e num abrir e fechar de olhos estamos a salvo,
toca a conquistar outro planeta, teremos sorte desta vez?
Não, a julgar pelo discurso de camisa-de-força
do ditador na tribuna de “Peking O”.
Ainda há um interregno lounge,
onde as caixas de ritmo adoçam a disfunção,
mas Suzuki é irredutível na sua demente personagem,
as caixas de ritmo não têm antídoto e saltitam,
Suzuki disparata com garatujas vocais,
impropérios em línguas desconhecidas,
onomatopeias atormentadas, a um passo do precipício nesta insanidade.
E o grupo com culpa no cartório, atirando-se para cima dos instrumentos:
exorcismo ou catarse?Para serenar os sentidos,
Czukay e comparsas trazem uma certa bonança em “Bring Me Coffee or Tea”,
um órgão delicioso traz bom vento
e os CAN estão de férias no País das Maravilhas,
em ácida sugestão de bebidas modificadas (Ei, Gong!)
e o álbum desloca-se em serenidade aparentemente controlada,
mas a encerrar um certo entusiasmo na despedida
deixa adivinhar que puseram qualquer coisa no chá…
“Tago-Mago” é um padrão de descobrimentos,
competindo com o marco de estrada dos Kraftwerk.
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krautrock

0
12:26


Julian Cope editou em 1995 o livro Krautrocksampler, obra fundamental na redescoberta da cena “krautrock” alemã surgida em finais dos anos 60/princípios dos anos 70. Segue-se uma listagem por ordem alfabética dos 50 álbuns mais representativos do género para o bardo louco dos Teardrop Explodes.


Um breve guia para iniciar a viagem ao maravilhoso mundo da “kosmische musik”.


1. Amon Düül I - Paradieswärts Düül (1970)
2. Amon Düül II - Phallus Dei (1969)
3. Amon Düül II – Yeti (1970)
4. Amon Düül II - Carnival In Babylon (1972)
5. Amon Düül II - Wolf City (1972)
6. Ash Ra Tempel - Ash Ra Tempel (1971)
7. Ash Ra Tempel – Schwingungen (1972)
8. Ash Ra Tempel & Timothy Leary – Seven Up (1973)
9. Ash Ra Tempel - Join Inn (1973)
10. Can - Monster Movie (1969)
11. Can – Soundtracks (1970)
12. Can - Tago Mago (1971)
13. Can - Ege Bamyasi (1972)
14. Can – Delay 1968 (1981)
15. Cluster - Cluster II (1972)
16. Cluster – Zuckerzeit (1974)
17. Cluster – Sowiesoso (1996)
18. Tony Conrad w/ Faust - Outside The Dream Syndicate (1972)
19. Cosmic Jokers - Cosmic Jokers (1973)
20. Cosmic Jokers - Galactic Supermarket (1974)
21. Cosmic Jokers - Planeten Sit-In (1974)
22. Cosmic Jokers - Sci-Fi Party (1974)
23. Cosmic Jokers & Sternmadchen - Gilles Zeitschiff (1974)
24. Faust – Faust (1971)
25. Faust - So Far (1972)
26. Faust - The Faust Tapes (1973)
27. Faust – IV (1974)
28. Sergius Golowin - Lord Krishna Von Goloka (1973)
29. Guru Guru - U.F.O. (1970)
30. Harmonia - Musik Von Harmonia (1974)
31. Harmonia – Deluxe (1975)
32. Kraftwerk - Kraftwerk (1970)
33. La Dusseldorf - La Dusseldorf (1976)
34. La Dusseldorf – Viva (1978)
35. Moebius & Plank – Rastakraut Pasta (1980)
36. Neu! - Neu! (1972)
37. Neu! - Neu! 2 (1973)
38. Neu! - Neu! '75 (1975)
39. Popol Vuh – Affenstunde (1970)
40. Popol Vuh - In Den Gärten Pharaos (1971)
41. Popol Vuh - Einjäger & Siebenjäger (1974)
42. Popol Vuh - Hosianna Mantra (1972)
43. Tangerine Dream - Electronic Meditation (1970)
44. Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971)
45. Tangerine Dream - Zeit (1972)
46. Tangerine Dream – Atem (1973)
47. Klaus Schulze – Irrlicht (1972)
48. Klaus Schulze - Black Dance (1974)
49. Walter Wegmuller – Tarot (1973)
50. Witthuser & Westrupp - Trips & Traume (1971)
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"FRAGMANTO"

0
11:29




Confesso...
Tentei senti todo os universos de uma só vez...
Restaram poemas,
que são pequena formas de reconciliação
e asas que são pequenos pergaminhos escritos
em nossos sentidos para traduzirmos com poesia.
sim confesso de uma só vez...
cometi o ato-poema
e sinto-me NELE e
Perto de todos os universos
mas ainda longe de mim por completo.











João Leno Lima
13-05-09
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MOMENTÂNEO

0
14:02


Ao som do relâmpago inicio o poema.
Mas antes de inicia-lo bebo as manhãs chuvosas lá fora incompreendias.
Colido com as gotas.
Há frascos-destino rachando.
Planejo palavras que nao saem,
e rabiscos poemas invisíveis sobre o poema visível.
O choque entre as nuvens dos meus pensamentos ensurdece o espírito.
ah viajantes solitários,
viajo em cada gota da chuva que irá se chocar com o solo-abismo.
suicidando-me para melhor sentir os fragmentos do todo
clamo pela eletrecidade do caos.
suspiro nos litorais-asas onde perco o foco.
bebo rimbund como se vinho fosse.
enveneno-me com as páginas mudas
meus dias ocultos a mim e nublados com sol.
clamo pelo próximo relâmpago.
penetrarei no véu das estrelas cadentes
e sentarei na pedra que separou o sonho e o poeta
quem, quem ira conter a ausência?
planto fôlegos e latejamentos.
há um quintal de delírio no quarto vulcânico.
a rua Vinte e um de Abril
são os longos degraus por onde adormeço e acordo vácuo.
quero vômita-la nos anéis de saturno fronteirissos.
quero ser a comunicação entre as nuvens.
leve-me para uma breve eternidade ó anjos
e solte-me desse cansaço de ser.
nao quero mecanismo.
nao quero formulas acabadas.
nao quero olhares de descaso.
nao quero ser possuido pela certeza fria.
nao quero ouvir minha razao kamikaze.
nao quero simplesmente flutuar.
nao quero vagar pelos ceu da boca de Deus.
entao...
ao som do relâmpago inicio o poema.






João Leno Lima
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MAR LAPSIANTE

0
09:43


No leme azul dos fragmentos ,
algo poça vira um mar
que assola a consciência do grito asfixiado.

No leme azul dos fragmentos,
meus pedaços são arremessados
nas bocas úmidas do leopardo da noite.

No leme azul dos fragmentos,
a memória arranha seu corpo
com estilhaços da hora metralhada pelo destino.

No leme azul dos fragmentos,
um câncer vazio carcomida os litorais irreversíveis do ser
desbotado de delírios...

Ah! leme azul dos fragmentos
que esse navio-ser encontre a direção irremediável
do sonho-abraço recipocro.











João Leno Lima
12-05-2009
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PULSAR DESERTICO

1
10:28


à Nádia


Ao Som de “Trouble”
de Elliot Smith.


Há sobre a alma um canto desolado.
Há sobre a alma uma chuva de pianos.
Há sobre a alma uma febre fragmentaria.
Há sobre a alma a sede no centro do mar da lágrima.
Há sobre a alma a pulsação que comove deus
Há sobre a alma um grito oculto vindo do feto ao encontrar a luz do mundo.
Há sobre a alma a ausência dos versos de um poema.
Há sobre a alma as mãos que vão embora.
Há sobre a alma o suor fantasmagórico das idas e vindas.
Há sobre a alma o amor as estrelas e universos de cada um.
Há sobre a alma um leve sopro de deserto.
Há sobre a alma dentes que se arranham de angustias.
Há sobre a alma mecanismos de noites de frio descamacado.
Há sobre a alma olhos que se olham mas não se sentem.
Há sobre a alma crianças brincando no útero da noite.
Há sobre a alma bêbados mergulhados em si mesmos.
Há sobre a alma lisérgicos homens despencando das escadarias da solidão.
Há sobre a alma um uivo partido.
Há sobre a alma verbos asfixiados pela mudez.
Há sobre a alma as palavras que fogem ou que nunca se fazem presentes.
Há sobre a alma o poema rabiscado que chora desprezado.
Há sobre alma a música ferozmente criada, mas mutilada pelo esquecimento.
Há sobre a alma as asas dos desejos.
Há sobre a alma o cúmplice olhar para si.
Há sobre a alma o peso recipocro de existir.
Há sobre a alma um esfarelamento de sentidos.
Há sobre a alma migalhas de horas absolutas.
Há sobre a alma túneis secretos sem saída.
Há sobre a alma papeis borrados irreversíveis.
Há sobre a alma mãos ao rosto-abrigo.
Há sobre a alma cansaço tempestuoso.
Há sobre a alma neblinas de sombras de outroras.
Há sobre a alma
Há sobre a alma
O peso de
Ser.









João Leno Lima
11-05-2009
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