OCULTO ACONTECIMENTO

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15:51




De repente veio-me o vento

sinistra erosão dos solos dos meus desejos.

Vagando na inconsciência multiplicadora,

onde a fabricação da palavra geme os ouvidos de ócio

onde germes jamais rodeiam

onde formigas gigantes pesam toneladas de sabedorias.

Narro os acontecimentos na redoma de uma extremidade oculta

montanhas mudam de lugar com meu fôlego

sou a substancia olea da engrenagem natural

as vezes o pano que danifica as rodas...

de repente sou o vento...

Num outro olhar...









João Leno Lima

10-11- 2009 Continue

"Os Cantos de Maldoror"

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08:34


Conde de Lautréamont



"Pois bem, que assim seja! Que minha guerra contra o homem se eternize, já que cada um de nós reconhece no outro sua própria degradação... já que somos ambos inimigos mortais. Quer deva eu conseguir uma vitória desastrosa ou sucumbir, o combate será belo; eu, sozinho contra a humanidade".

Lautréamont, "Os Cantos de Maldoror". Continue

HAPPY BIRTHDAY JONATHAN RICHARD GUY GREENWOOD

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09:41


Jonathan Richard Guy Greenwood, em 5 de Novembro de 1971 nascia.



Para ser um dos líderes do Radiohead




E um dos melhores guitarristas de todos os tempos





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Tempo e espaço no cyberspace

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10:35



Lenara Verle


Trabalho de conclusão da disciplina:


Comunicação na Era Digital


Prof. Flávio V. Cauduro


Mestrado em Comunicação Social


Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul


Porto Alegre, Outubro de 1997

Introdução

A idéia para este trabalho surgiu enquanto eu respondia a uma pesquisa do Departamento de Psicologia da PUC-Rio. Uma

das perguntas pedia para definir o conceito de cyberspace. Dentre outras coisas, escrevi que "no cyberspace o tempo que se

leva para percorrer uma determinada distância não depende do comprimento, mas da largura da estrada". Isso me fez refletir

sobre o nosso conceito de tempo e espaço e como ele se altera quando adentramos o cyberspace.

Um tópico interessante para se pensar dentro de uma pergunta mais ampla: - como nossa vida e nossas percepções se alteram

com as novas tecnologias da comunicação? Segundo Pierre Lévy, estamos diante de uma revolução tão grande quanto a que

nossa sociedade experimentou ao passar do registro oral para a escrita. Para ele, as tecnologias da comunicação ou, mais

amplamente, tecnologias da inteligência, estariam mudando nossas vidas radicalmente.

Como o tempo e o espaço (ou nossa percepção deles), algo tão inerente à nossa existência e a de nosso universo podem ser

alterados no "universo paralelo" do cyberspace? Para responder a essa pergunta seria necessário responder algumas outras: -

O que é tempo e espaço? O que é cyberspace? Não pretendo responder categoricamente a essas perguntas, mas lançar

algumas hipóteses que podem ajudar a explicar essas questões, até porque se achamos que sabemos muito sobre o tempo e

espaço após séculos de desenvolvimento da física, sabemos ainda muito pouco sobre o cyberspace e onde nos levarão as

novas tecnologias da comunicação.

O que é tempo e espaço?

O tempo e espaço são conceitos inerentes ao nosso universo. Não conseguimos imaginar "o que veio antes do big-bang".

Não faz sentido falar em "antes" quando o próprio tempo como o conhecemos hoje não existia, foi criado junto com o

universo.

"O conceito de tempo não tem significado antes do começo do universo. O que foi apontado pela primeira vez por Santo

Agostinho, quando indagou: 'O que Deus fazia antes de criar o universo?' Agostinho não replicou, então, que estava

preparando o inferno para as pessoas que fazem esse tipo de pergunta. Em vez disso, afirmou que o tempo era uma

propriedade do universo que Deus criou, e que não existia antes do começo do universo."

(Hawking, 1988, p.27)

Como seria o universo sem tempo nem espaço? Lá não existiriam seres como nós para indagar isto!

Primeiro, apreendemos o tempo e o espaço através de nossas experiências pessoais de deslocamento, e depois criamos leis

físicas para estudar cientificamente porque o tempo e o espaço são como são. Podemos hoje conceber intelectualmente

universos alternativos, com tempos e espaços diferentes dos nossos. Apesar de possíveis na teoria, é muito difícil para

nossas mentes imaginar a experiência de viver nesses universos.

Nossa percepção psicológica de tempo e espaço é criada a partir das experiências pessoais e coletivas de movimento.

Construímos essa noção de tempo e espaço em nossas mentes junto com as pessoas que nos cercam e habitam o mesmo

universo. Esse conhecimento é assimilado por nosso cérebro no início de nossas vidas. Pessoas que têm sua noção de tempo

e espaço alteradas por substâncias químicas ou danos no sistema nervoso podem ter grandes dificuldades de interagir com os

que as cercam.

O neurologista Oliver Sacks conta diversos casos desse tipo em seu livro "Tempo de Despertar". Afetados por uma doença

chamada encefalite letárgica, que guarda semelhanças com o mal de parkinson, seus pacientes mostram notáveis alterações

em sua noção de tempo e espaço: percebem um dia inteiro como apenas alguns minutos, ou um pequeno trecho de chão

como um grande buraco instransponível. Sua doença as fez viver em um mundo onde o tempo e o espaço não é o mesmo das

pessoas que as cercam.

"A sra. D. ressalta as distorções fundamentais do espaço parkinsoniano, as singulares dificuldades que ela tem com

ângulos, círculos, conjuntos e limites. Ela comentou certa vez com respeito à sua 'paralisação': 'Não é tão simples como

parece. Não é que eu simplesmente paro, eu continuo indo, só que fiquei sem espaço para me mover. Sabe, meu espaço,

nosso espaço, não se parece em nada com o seu espaço - o nosso fica maior e menor, ricocheteia e dá voltas em torno de

si mesmo, até desembocar no ponto de partida'"

(Sacks, 1997, p. 365)

Essas pessoas são exceções em meio aos outros, "normais", e cada doente tem sua visão particular, única, de tempo e espaço.

Caso a mudança de percepção induzida pela doença fosse sempre a mesma, os pacientes poderiam se relacionar entre si em

um mundo à parte, onde o tempo e o espaço correriam de maneira diferente. Talvez essas pessoas construíssem para si e para

seu mundo novos artefatos tecnológicos, mais adaptados ao seu universo particular.

O que é cyberspace?

O termo cyberspace foi usado pela primeira vez por William Gibson em um conto entitulado "Burning Chrome" (1982) e

mais tarde em seu livro "Neuromancer", tornando-se popular a partir daí.

Se para os personagens de Neuromancer o conceito de cyberspace se manifestava através de um "matrix simulator" e as

pessoas "se plugavam" na "matrix", nós em 1997 "navegamos pela Internet" e "surfamos a world-wide-web".

É difícil descrever o cyberspace para quem nunca esteve lá antes. Segundo Kevin Weherley, a pergunta: "O que os

cibernautas fazem na world-wide web?" é muito difícil de responder."É como se um extraterrestre perguntasse a um ser

humano 'o que há pra se fazer na Terra?'"

Para entender um pouco o cyberspace é fundamental termos em mente as diferenças apontadas por Nicholas Negroponte

entre os átomos e os bits.

A física Einsteniana impõe limites à velocidade que podemos imprimir às coisas. Partículas sem massa podem viajar a uma

velocidade máxima de 299.792.458 metros por segundo. O suficiente para ir quase instantaneamente de um ponto a outro

qualquer na superfície de nosso planeta. É a velocidade máxima atingida pelos bits. Já partículas portadoras de massa, como

os átomos que compõem nosso corpo, têm que se contentar em viajar a velocidades muito menores. Hoje em dia levamos

várias horas para dar uma única volta em nosso planeta de avião. Uma diferença marcante.

Com as tecnologias digitais, podemos codificar diversos tipos de informações em pulsos elétricos, ou bits. O cyberspace é o

espaço virtual por onde se deslocam nossos bits. Sua representação material são as redes de cabos e ondas eletromagnéticas

que cruzam o planeta (e vão além dele), mas isso é apenas um suporte para o que realmente conta: as trocas de informações.

Não podermos "teletransportar" nosso corpo ainda, apenas informações sobre/produzidar por ele. O cyberspace é um

"espaço virtual"

No cyberspace somos pessoas desencarnadas - personas virtuais, imersas em espaço e tempo virtuais.

No cyberspace, viajamos à velocidade da luz. Segundo Virilio, "Alcançar a barreira da luz, alcançar a velocidade da luz, é um

evento que lança a história em desordem e confunde as relações dos seres humanos com o mundo".

Hoje, bits e átomos estão se tornando cada vez mais intercambiáveis. Se no começo o cyberspace era um lugar onde

trafegava apenas texto, hoje nele trafegam imagens em movimento e áudio. Apesar da chamada "realidade virtual" estar se

desenvolvendo, ela ainda é muito pobre comparada às sensações que experimentamos na realidade "real".

Mesmo assim, cada vez mais se fala sobre o fato de estarem sendo criadas "comunidades virtuais" no cyberspace. Pessoas

interagem umas com as outras e trocam seus bits através desse ambiente virtual. Pesquisadores como Sherry Turkle, no livro

"Life on the Screen" estudam as relações interpessoais no cyberspace. Outros como Derek Foster, no artigo "Can We Have

Communities in (Cyber)Space?" olham de maneira crítica o conceito de "comunidades virtuais", usando como referência

autores com Habermas, Baudrillard, MacLuhan e Paul Graham.

Alguns fatores levantados por ambos como característicos do ambiente virtual e da comunicação mediada por computadores

são a habilidade de brincar com identidade, a anonimidade, e o distanciamento do tempo e espaço.

Assim como construímos nossa noção de identidade e nossa noção de de tempo e espaço no mundo material, os habitantes

do cyberspace também começam a fazer o mesmo no mundo virtual.

Nossa percepção de tempo e espaço no cyberspace

Como percebemos o tempo e o espaço no cyberspace? Quais as diferenças entre nossa percepção de tempo e espaço no

mundo real? Como nossa percepção psicológica se altera no ambiente virtual do cyberspace? Para essas perguntas podemos

oferecer algumas hipóteses, levantadas a partir de experiências vividas por "cibernautas".

1. No cyberspace pode-se estar em vários lugares ao mesmo tempo

Algo compartilhado pela grande maioria dos computadores - nossas principais "portas de entrada" no cyberspace - é o

conceito de janelas. No mundo digital, várias coisas acontecem simultaneamente, cada uma em uma "janela".

Podemos conversar com amigos, ler um romance, ver cotações da bolsa, calcular as despesas domésticas e jogar um jogo,

tudo ao mesmo tempo. Podemos ser vários personagens em diferentes jogos, cada um em uma janela. Nossa personalidade

se divide, em uma espécie de "esquizofrenia digital". O mundo virtual nos chega através de um espaço pequeno - a tela de

um computador, onde é fácil concentrar a atenção de nossos olhos e ouvidos. Com o apertar de um botão as janelas se

alternam em nosso campo de visão.

O depoimento de Doug, um estudante universitário americano é um exemplo típico disso:

"Eu divido a minha mente. Estou ficando cada vez melhor nisso. Posso ver a mim mesmo como sendo dois, três ou mais.

Eu ligo e desligo partes da minha mente quando pulo de uma janela a outra. Estou tendo uma discussão em uma janela, e

em outra estou paquerando uma garota em um MUD. Outra janela pode estar rodando uma planilha ou algum programa

técnico para a universidade... E então recebo uma mensagem em tempo real (que pisca na tela assim que é mandada por

um outro usuário da rede) e acho que é da vida real. É apenas mais uma janela."

(Turkle, 1995, p. 13)

Na vida real a janela com a qual recortamos o mundo é o nosso campo de visão limitado, e para mudar o que vemos em

nosso campo de visão é preciso nos deslocarmos até um outro local. Já no cyberspace são os locais que se deslocam até nós.

A montanha vem até Maomé. As janelas se sucedem quase instantaneamente. Como as pás do ventilador que giram e criam a

ilusão de um disco, temos a sensação de estar em vários lugares ao mesmo tempo.

2. No cyberspace o tempo encolhe.

Se esperamos cinco minutos em uma fila do banco, achamos rápido. Em compensação, se tentamos nos conectar por

computador ao mesmo banco e a operação demorar mais de cinco segundos, ficamos irritados. A nossa expectativa sobre o

quanto as coisas devem demorar nos dois casos é muito diferente. Espera-se de um computador que ele seja muito mais

rápido que um ser humano.

Há algum tempo atrás ajudei uma amiga que nunca havia usado a Internet a fazer uma pesquisa sobre escolas de dança

contemporânea na Europa. Ela tinha uma lista de 5 ou 6 companhias que desejava contatar, e ao final de meia hora havíamos

conseguido contatar três delas. Apesar de termos realizado na Internet algo que demoraria talvez várias semanas através dos

meios "tradicionais", minha amiga se revelou extremamente frustrada com sua experiência na Internet. Ela me confidenciou

que esperava contatar todas as companhias da sua lista em apenas alguns minutos.

Apesar de na verdade estarmos fazendo as coisas mais rápido, temos a sensação que o tempo está demorando para passar. O

que encolheu na verdade foi a nossa expectativa. A lei da utilização do espaço em disco diz que independentemente do

espaço total disponível, o espaço livre remanescente sempre tende a zero. Ou seja: quanto mais espaço temos, menos espaço

temos. Quanto mais rápido conseguimos fazer as coisas, mais rápido ainda queremos que elas sejam feitas.

O tempo no cyberspace é um tempo frenético. Fazemos cada vez mais coisas ao mesmo tempo e mais rápido. Depois de

atingirmos a barreira da luz, talvez venha a barreira da telepatia: as coisas serão feitas antes mesmo que as desejemos.

Impossível? Já estão sendo desenvolvidos softwares de "agentes inteligentes" que aprendem nossos gostos, hábitos e

personalidades para buscar na Internet coisas de que gostaríamos, sem que precisemos pedir isso a eles. Além de

fragmentarmos nossas mentes, as replicaremos em nossos agentes e as mandaremos povoar o cyberspace.

3. No cyberspace o tempo que se leva para percorrer uma determinada distância não depende do comprimento, mas da

largura da estrada.

Para levar nossos átomos de Porto Alegre até o Japão demoramos várias horas. Para irmos até a sala vizinha no prédio

demoramos alguns segundos. O tempo dispendido nos dois deslocamentos vai depender, além do tipo de transporte utilizado

(imagine ir até o Japão a pé...), principalmente da distância entre os dois locais, ou seja, do comprimento da estrada. A

distância em metros até o Japão é milhares de vezes maior do que a distância até a sala vizinha.

Já para levarmos nossos bits (digamos, nossa foto digitalizada) de um lugar a outro, o tempo gasto no deslocamento vai

depender principalmente da largura de banda da conexão. A largura de banda é medida em bits por segundo. Um cabo de

fibra ótica pode transportar bilhões de bits por segundo. Se estivermos conectados por fibra ótica submarina até o Japão,

nossa foto vai chegar lá em algumas frações de segundo. Se a sala ao lado lado também estiver conectada por fibra ótica, a

mesma foto vai chegar em uma fração de segundo ligeiramente menor. Porém, se estivermos conectados à sala ao lado por

um modem de 300 bps, a foto pode demorar horas para chegar. Talvez seja mais prático, nesse caso, ir à pé.

No cyberspace, a noção do tempo dispendido em um deslocamento se altera. Os bits não se deslocam da mesma maneira que

os átomos. A topologia do cyberspace não coincide com a do mundo real.

"A Internet nega a geometria. Apesar de ter uma topologia definida de nós computacionais e vizinhanças irradiantes de

bits, e apesar dos locais dos nós poderem ser desenhados em mapas e produzir surpreendendes diagramas

Haussmannians, o cyberspace é fundamentalmente antiespacial. Não é nada como a Piazza Navona ou Copley Square.

Não se pode dizer onde ele está nem descrever seu formato e proporções memoráveis ou ensinar a um estranho como

chegar lá. Mas você pode achar coisas sem saber onde elas estão. A internet é envolvente - não está em nenhum lugar em

particular mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Você não vai até lá, você se "loga" nela, de onde quer que você

esteja no espaço físico."

(Mitchell, 1997)

É o mesmo que fala Negroponte sobre sua experiência de "se logar" no cyberspace:

"No meu caso, eu sei onde meu endereço - @hq.media.mit.edu - se encontra fisicamente: numa máquina HP/Unix de dez

anos de idade que fica num gabinete próximo do meu escritório. Mas, quando as pessoas me enviam mensagens, elas as

mandam para mim, não para o tal gabinete. Podem deduzir que estou em Boston (o que, em geral, não é verdade).

Normalmente, estou num outro fuso horário, de modo que o que se tem não é apenas uma mudança de espaço, mas de

tempo também." (Negroponte, 1995, p.160)

O espaço real e o cyberspace se tocam através de "portas de acesso" mas sua topologia não é a mesma. Podemos estar na

mesma localidade física - nosso escritório por exemplo - acessando diversos locais do cyberspace; ou em diferentes locais

físicos acessando a mesma caixa postal de correio eletrônico.

Quando nos locomovemos pelo cyberspace, jogamos fora nossos mapas, nossas bússolas e nossa concepção de geometria.

Depois que entramos lá, que "nos logamos", começamos a nos movimentar pelas regras dos bits. Entramos em um outro

tempo e espaço.

Bibliografia:

Foster, Derek. Can We Have Communities in (Cyber)Space? 1997. http://www.carleton.ca/~jweston/27523/papers/foster

Hawking, Stephen W. Uma breve história do tempo. Rio de Janeiro, 1988. Ed. Rocco.

Katsura, Hattori. The Transition from the Material World to the Information World. 1997 http://

www0.nexsite.nttdata.jp/info/eye-think3.jhtml

Lévy, Pierre. As tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro,1994. Editora 34.

--- O Digital e a Inteligência Coletiva. Folha de São Paulo, 06 de julho de1997

Mitchell, W. City of Bits. 1997, MIT Press http://mitpress.mit.edu/e-books/City_of_Bits/index.html

Negroponte, Nicholas. A Vida Digital. São Paulo, 1995. Editora Schwartz.

Sacks, Oliver. Tempo de despertar. São Paulo, 1997. Companhia das Letras.

Thompson, Richard L. (Sadaputa Dasa). Paradoxes of Time and Space. 1997 http://albert.ccae.virginia.edu/~svg4j/VEDA/

vedic-time-space.html

Turkle, Sherry. Life on the screen. New York, 1995. Simon & Schuster

Virilio, Paul. Speed and Information: Cyberspace Alarm!. 1997, CTheory. http://www.ctheory.com/a30-

cyberspace_alarm.html

Weherley, Kevin. Charles Darwin in Cyberspace: Electronic Evolution and Technological Selection. 1997. http://

www.csuchico.edu/anth/CASP/Weherley_K.html
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Infância Redescoberta

2
21:48



O olhar do passáro é o olhar sobrio de quem sabe que o céu é seu.


Não há nada que ele tema mais que a prisao.
Que a insatisfação dos Homens que não podem voar espontaneamente rumo a qualquer direação.
Os passáros tem um rumo apenas; o de rumar sobrevoando o âmago de cada momento,
curta destreza lírica que sobrevoa o espaço como um colar visivel que contemplamos invejosamente.

Ah onde estão as asas quando se precisa delas?
Para um encontro do pássaro-homem com a liberdade?

Minha asas me levariam a saturno
e voltaria para visitas esporádicas
Teria morada no céu, contruiria um pequeno ninho na árvore mais alta
e lá recomeçaria a ser eu mesmo, mesmo até antes de ser...



Poeta.















Helena Límia


Helena Límia é um poetisa pouco conhecida, de origem desconhecida, alguns dizem que veio de Portugal - terra de Antonio Ramos Rosa e Álvaro de campos - outros a chamam de poeta do campo, que teria nascido no interior do Pará mas vivido boa parte do tempo em São-Paulo, em casa em casa de amigos até desaparecer. Dexou alguns escritos ma seu rumo até hoje está incerto.

De poesia voltada para um existencialismo contemplativo, naturalista e de versos exaltando os animais e a beleza dos pequenos gestos das coisas humanas. Helena Límia releva um poesia esperançosa que passa por leves melancolias até encontrar na poética sua morada. Continue

Vernissage

0
21:58




Bem, a arte morreu, e agora? Vamos para casa? Algumas possibilidades de transformação na arte e através da arte.

O que é tão engraçado a respeito da Arte?

A Arte foi gargalhada até a morte pelo dada? Ou talvez este sardonicídio se deu ainda antes, com a primeira performance do Ubu Rei? Ou com a gargalhada sarcástica de fantasma-da-ópera do Baudelaire, que tanto perturbava seus bons amigos burgueses?

O que é engraçado a respeito da Arte (apesar de ser mais engraçado-peculiar do que engraçado-haha) é a visão do cadáver que se recusa a cair, este gincana de mortos-vivos, este teatro de marionetes macabro com todas as cordas ligadas ao Capital (um plutocrata inchado tipo Diego Rivera), este simulacro moribundo zumbizando freneticamente por aí, fingindo ser a única coisa viva de verdade em todo o Universo.

Em face de uma ironia como esta, uma duplicidade tão extrema que chega a um abismo intransponível, qualquer poder de cura de uma gargalhada-na-arte tem que ser no mínimo tomado como suspeito, a propriedade ilusória de uma auto-proclamada elite ou pseudo-vanguarda. Para haver uma vanguarda genuína, a Arte deveria estar indo a algum lugar, e há muito tempo já que este não é o caso. Mencionamos Rivera; certamente nenhum outro artista político genuínamente engraçado chegou a pintar em nosso século - mas para que fim? Trotskysmo! A mais morta e sem saída das políticas do século XX! Sem poder de cura aqui - apenas o barulho oco da zombaria sem poder, ecoando através do abismo.

Para curar, é preciso primeiro destruir - e a arte política que falha em destruir o alvo de seu riso acaba fortificando exatamente as forças que pretende atacar. "O que não me mata me deixa mais forte," diz com desprezo a figura suína em sua cartola brilhante (imitando Nietzsche, é claro, pobre Nietzsche, que tentou gargalhar todo o século dezenove até a morte, mas acabou como um cadáver vivo, cuja irmã lhe amarrou cordas em seus membros para fazê-lo dançar para os fascistas).

Não há nada particularmente misterioso ou metafísico sobre o processo. As circunstâncias, a pobreza, certa vez forçaram Rivera a aceitar um trabalho para vir aos EUA e pintar um mural - para Rockfeller! - o próprio arquétipo máximo de leitão da Wall Street! Rivera fez de seu trabalho uma peça gritante de panfletagem comunista - e então Rockfeller a obliterou. Como se isto não fosse engraçado o bastante, a piada de verdade é que Rockfeller poderia ter saboreado a vitória ainda mais docemente sem destruir o trabalho, mas pagando por ele e o exibindo, transformando-o em Arte, esse parasita banguela da decoração de interiores, essa piada.

O sonho do Romantismo: que a o mundo-realidade dos valores burgueses poderia de alguma maneira ser persuadido a consumir, a absorver, uma arte que à primeira vista se parecesse com todo o resto da arte (livros para ler, quadros para pendurar na parede, etc.), mas que secretamente infeccionaria a realidade com algo mais, algo que mudaria a maneira como é vista, viraria a mesa, colocaria no lugar os valores revolucionários da arte.

Este também foi o sonho do surrealismo. Até mesmo o dada, apesar de seu descarado show de cinismo, ainda ousava ter esperanças. Do Romantismo ao Situacionismo, de Blake a 1968, o sonho de cada vitória sobre o ontem se tornou conversinha decorativa de cada amanhã - comprado, mastigado, reproduzido, vendido, consignado a museus, bibliotecas, universidades e outros mausoléus, esquecido, perdido, ressurecto, tornado em loucura nostálgica, reproduzido, vendido, etc., etc., ad nauseam.

Para entender o quanto Cruikshank ou Daumier ou Grandville ou Rivera ou Tzara ou Duchamp destruíram a visão do mundo burguesa de seus tempos, é preciso se enterrar numa tempestade de referências históricas e se alucinar - já que de fato a destruição-pelo-riso foi um sucesso teóríco mas um fracasso na realidade - o peso morto da ilusão falhou em mover uma polegada com a gargalhada histérica, o ataque do riso. Não foi a sociedade burguesa que entrou em colapso no final, foi a arte.

Á luz do trote que foi pregado em nós, é como se o artista contemporâneo fosse colocado entre duas escolhas (uma vez que o suicídio não é uma solução): um, seguir lançando ataque atrás de ataque, movimento atrás de movimento, na esperança de que um dia (logo) "a coisa" vai ficar tão fraca, tão vazia, que vai evaporar e nos deixar sozinhos no campo de batalha; ou dois, começar imediatamente agora a viver como se a batalha já estivesse vencida, como se hoje o artista já não fosse um tipo especial de pessoa, mas cada pessoa um tipo especial de artista (foi isto que os Situacionistas chamaram de "a supressão e realização da arte").

Ambas estas opções são tão "impossíveis" que agir em qualquer uma delas seria uma piada. Não precisaríamos fazer arte "engraçada" por que apenas fazer arte seria engraçado o suficiente para soltar os intestinos. Mas pelo menos seria a nossa piada (quem pode dizer com certeza que falharíamos? "Eu amo não conhecer o futuro" - Nietzsche). Para que possamos começar a jogar este jogo, devemos provavelmente estabelecer certas regras para nós mesmos:

1. Não há questões. Não existe esse negócio de sexismo, fascismo, especismo, visualismo, ou nenhum outra "franquia de questão" que possa ser separada do complexo social e tratada com um "discurso" como um "problema". Há apenas a totalidade que divide todas estas "questões" ilusórias na completa falsidade de seu discurso, fazendo de todas as opiniões, prós e contras, em apenas bens-de-pensamento para serem compradas e vendidas. E esta totalidade é ela própria uma ilusão, um pesadelo maligno do qual estamos tentando (através da arte, do humor, ou de qualquer outro meio) despertar.

2. Tanto quanto possível, qualquer coisa que façamos deve ser feita fora da estrutura psíquica/econômica gerada pela totalidade como o espaço permissível para o jogo da arte. Como, você pergunta, nós ganharemos a vida sem galerias, agentes, museus, publicação comercial, a NEA* e outras agências em benefício das artes? Bem, ninguém precisa pedir pelo improvável. Mas ainda devemos exigir o "impossível" - ou então, por que catzo uma pessoa é artista?! Não é o suficiente ocupar um pedestal sagrado e especial chamado Arte de cima do qual se zomba da estupidez e injustiça do mundo "quadrado". A arte é parte do problema. O Mundo da Arte enfiou sua cabeça na própria bunda, e se faz necessário sair disto - ou então viver em uma paisagem cheia de merda.

3. Claro que se deve "ganhar a vida" de alguma maneira - mas o essencial aqui é viver. Seja o que for que fizermos, qualquer que seja a opção que escolhamos (talvez todas elas), o o quanto nos comprometamos, devemos orar para nunca confundir arte com vida: a Arte é breve, a Vida é longa. Devemos estar preparados para navegar, nomadizar, escorregar de todas as redes, nunca estabilizar, viver através de várias artes, fazer nossas vidas melhores que nossa arte, fazer da arte nosso grito no lugar de nossa desculpa.

4. O riso que cura (em oposição à gargalhada corrosiva e venenosa) pode apenas surgir de uma arte que é séria - séria, mas não sóbria. Morbidez sem sentido, niilismo cínico, tendências de frivolidade pós-moderna, resmungar/praguejar/reclamar/ (o culto liberal da "vítima"), exaustão, hiperconformidade irônica Baudrillardiana - nenhuma destas opções é séria o suficiente, e ao mesmo tempo nenhuma é intoxicada o bastante para servir aos nossos propósitos, muito menos para merecer o nosso riso.


Nota:

* - National Endowment for the Arts, uma entidade governamental americana que financia as artes


Mestre Hakim Bey
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...E por falar em Radiohead...

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16:45




The most gigantic lying mouth of all time:

Radiohead Tv

Chris Bran, 2004
IndieLisboa, 2006



Bizarro. Cápsula anti-tv. Absurdo, quase. E por isso delicioso. The most gigantic lying mouth of all time é uma quase-mentira. Uma pacote de experiências de levitação. É o produto final de um projecto abortado: na altura de lançamento do álbum Hail to the thief os Radiohead anunciaram a abertura do seu canal próprio, o radiohead-tv. Este filme (?), documentário (?) é o fruto inacabado e vai ficar assim, como objecto final. Um conjunto dos primeiros quatro episódios, que compila material enviado por admiradores e outro produzido pelos próprios Radiohead e apresenta ainda um conjunto de temas inéditos dos magos britânicos.

Momento épico, da máquina a amamentar o recém-nascido com óleo ou diesel ou petróleo ácido, progressiva programação de sentidos, a, b, h, delete, insert, e Spinning Plates (amnesiacquiano) a ganhar visual, inquietante.

Amargo na língua, de tão delicioso. Mas é preciso estar dentro, bater bem a porta para evitar correntes de ar, aborrecimentos por não se perceber o universo radiohead. Sobretudo, é preciso gostar dos génios de Oxford, ter lágrimas cravadas em Ok Computer, desenhos de minúsculos monstros rebeldes no caderno, «against demons», «i might be wrong», «Fitter, happier, more productive, comfortable, not drinking too much, regular exercise at the gym (3 days a week)...», letras de Kid A no impresso para entregar nas finanças, histeria quando se ouve Street Spirit (Fade out) perdida numa radiofonia qualquer. Reunidas estas pétalas de loucura, The most gigantic lying mouth of all time torna-se ultradigerível, entranha as imagens mais absurdas (que as há, que são fatia grande de cada episódio) no mais orgulhoso absurdo do ser. É pura masturbação.

Entrevistas sem sentido com Thom Yorke, viagens sem dentes de ouro pelo experimentalismo da animação, Yorke a solo no piano, Hail to the thief por todos os poros, magnitude de imagem conjugada com uma ou outra, ou mais, absolutamente incompreensível, lição de política internacional declarada (das animações com melhor realização) a Bush e Blair, primeiras-damas do mundo, nódoa de sangue e de luz a pintar o escuro, distorções de imagens, de voz, de faces, de ideias – os Radiohead e a comunidade que os abraça, sem espinhas. Hino à libertação, desaconselhado aos que não resistem a paisagens cinzentas

http://www.rascunho.iol.pt/critica.php?id=895 Continue

Thomas Edward Yorke sopra as velinhas hoje!

1
18:01


O mais genial compositor da minha geração nascia em 7 de Outubro de 1968 pra ser o frontman dos já lendários Radiohead.


Estar ali, há alguns metros dessa entidade da arte moderna em 22 de Março de 2009 em São Paulo foi umas das experiências mais inesquecíveis de todos os meus anos.

Ouvi-lo é ouvir uma voz bela, atormentada, rara, emocional, confessional, seria a voz das estrelas cadentes, ou seria o sussurros dos oceanos? o sopro dos ventos mais delicados, estranhamente confusos, confusamente inimaginaveis, lúdicos como os poetas, frágeis como seus versos e sinceros como sua alma.








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04:19

1
12:21


Basta uma faísca e sonhamos sonhos montanhosos,
cumes impensáveis onde deixamos lá marcas indecifráveis de nós,
rios de redemoinhos e gotas De águas que correm em direções secretas...
arremessando mascaras e gestos contidos num baú entreaberto num deserto voador,
tudo é belo e cortante como se fosse inalcançável,
tudo se dilacera mas na verdade se refaz em minúsculos braços de lagrimas
que ajudam a remar em direções impossíveis,
e na materia-sonho encontramos o abrigo de um colo,
como a folha solta dialogando com a ventania,
como a embarcação com as ondas,
pareço flutuar agora não na imaginação,
livremente me embrenhando pelos arcos e léguas...
largo-me...
num baile de ventos...
eu, solto em mim mesmo.




















João Leno Lima
07-10-09 Continue

O COLO PRIMORDIAL

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11:11





Preciso, preciso de poesia para viver.
versos, inversos, cadáveres de sonhos, destinos inalterados,
tempestades, venham em me ouçam!
preciso, preciso de poesia para viver
venham todos, ludicamente todos.
saídos do lodo das embarcações atracadas nos litorais da solidão,
saídos do moinho abraçado ao pé da estrada,
saído das poças das paradas de ônibus, saídos dos terminais invisíveis dos desejos,
de dentro da boca das mulheres mal amadas e dos homens mal amados,
preciso, preciso de poesia para viver
resgata-me desse naufrágio cíclico, desse alvoroço flamejante que cobre a cidade de alma dissolvida
numa xícara oca que vaza almas esbravejantes,
meu deus, o ritual das mascaras tem seu apogeu quando abrimos um túmulo de sensações
e despejamos sonhos dentro
e pisoteamos com areis do mar-visagem da lágrima todos
encimentando o dia...
preciso, preciso de poesia para viver.
preciso do ato, do primeiro passo apos o abismo,
do trem viajante que leve apenas os sonhadores,
do fênix-verso eternamente possuído de destreza,
eternamente gritando como o poeta que grita o seu silencio,
como a dançarina união de todos,
como o brotar colossal das arvores dos nossos sentidos
engalfinhando como raízes o âmago dos deuses
e escavando as artérias das nuvens e os pulmões do mar...
nem eu , nem eu, nem eu nem ninguém cessa essa insatisfação
tão gigantes quanto todas as crianças ao mesmo tempo,
ah o poeta deixa o mundo de pernas para o ar puxando o seu tapete real
e aremessando num sopro suas obscuridades e montanhas de medo...
sim, também tenho medo...
só peço-te um abraço oh fantasmas todos,
só por um instante solte-me que lentamente depois voltarei a ser oque queres,
lentamente voltarei a ser poeta...
mas agora quero tomar forma de todas as páginas de poemas do mundo
quero ter no sangue todas as tintas e dialogar usando como dialeto o verso,
e num vento saltimbanco estar no colo – como página- de todos – exatamente todos –
para que todos possam ler o meu sentir
naqueles minutos onde a eternidade
tem o nosso próprio tamanho essencial.







João Leno Lima
01-10-09 Continue

TEMPORIZAR

0
10:11







Algumas almas são como um trem

seguindo uma trilha certa, coerente...

as vezes por algum momento se desalinha

mas não significa que saiu dos trilhos....

Eu já me sinto como uma ave

seguindo um rumo desconhecido

as vezes e muitas vezes eu vôo bem alto...bem alto...

depois desabo...

desço fundo, quebro uma asa...

depois... retorno

seguindo e sentindo tudo novamente.
























João Leno Lima

30-09-09 Continue

LONGINQUO ESPAÇO ENTRE AS MÃOS

0
00:56





Para o poeta sempre falta o infinito
as longas caldas do sentir
envolve o corpo celeste da alma,
entrelaça-se pelo seu pescoço
e sufoca suas dores puídas de pus e rastro
lançando para o céu gritos
capazes de pentear os cabelos da eternidade...
Para o poeta sempre falta o infinito.























João Leno Lima
30 -09-2009 Continue

DESACORDO

1
13:53




Não!
nao quero constelações hoje
chega de abraçar estrelas,
chega de desbravar cometas
chega de dialogar com as galáxias
hoje quero o calor da alma
hoje quero o sorriso inigualável da criança
quero hoje o sol frente a frente
e mesmo que meus olhos queimem
quero hoje apalpar o rosto dos que tem rosto
quero nem que seja por hoje
Cumprimentar o visível não sendo eu o invisível que passa...
ah...se pudesse nem poeta queria ser hoje...
Só queria ser simples...
como a poesia das coisas poéticas do dia...
como as constelações e as estrelas da manhã...




















João Leno Lima
29-09-09 Continue

APROXIMAÇÃO

0
13:30








Certa tarde me preparando para atravessar a movimentada esquina
do centro da cidade um - menino da rua –
se aproximou olhou no meus olhos, pisou no meu sapato e disse-me:
“Porque tu pisa no meu pé?”
e sumiu como se tivesse voltado ao subsolo da invisivibilidade...
ser poeta é ser alvo da poesia viva,
latejante, dilaceradora, insaciavelmente mundana
inegostávelmente real, tão lucidamente abstrata
quanto qualquer realidade possível.




















João Leno Lima
28-09-2009 Continue

Labirinto

1
11:12








Eu sempre entendo...

Às vezes penso...será que deveria mudar

e não entender nada?

Na verdade...

Nao entendo...só sinto.

Ela diz....

-Tenho pensando agora

tenho um monte de coisa pra contar

(tá, não é tanta coisa)

eu disse...

-claro que é...

cada pequena coisa é uma galáxia e uma galáxia é grande coisa

É, eu sempre entendo.

Mas na verdade...

não entendemos

Só sentimos.

























João Leno Lima e Nádia

28-09-09 Continue

DESNADA

0
00:00






Ele abraça a si mesmo

como a ilha ao mar.

desapega-se das convenções das sombras

deixa-se levar como a folha solta aos ventos arquitetônicos....

como as escuridões para as luzes da manhã...

Ele geme de boca invertida

pronto para receber os cometas

invocados num ritual onde só a noite compareceu...

como um viajante sempre estrangeiro a si,

Ele se abraça como os pés do feto nas areias do destino...

deixando em sua palma da mão do seu outro eu

a experiência com as borboletas dos instantes mais montanhosos...

oh montanhas de sentidos se abraçando mutuamentemente

misturando-se como o sangue aos ralos íntimos dos nossos corpos...

como ele está abrigado,

desabrigado à solidão

mas acorrentado à certeza de possuir a si mesmo,

como é notório que seus batimentos cardíacos

tem a pulsação das maiores estrelas

e seus olhar está mais distante que os confins de Van Gogh...

Ele está certo, somos sugados pelas incertezas;

mas nosso destino é a certeza de encontrar o que sempre procurar...

Enquanto Ele abraça a si mesmo,

não teme, rola-se pelas tapetes que ainda nem flutuam,

acreditando que jamais fugirá de si de novo

-aquela noite onde a lágrima parecia apenas um copo d’agua

do oceano interior...

Não devemos temer também,

somos a construção feita de blocos de sonhos concretos

e sopros de uivos chamando sempre a vida...

onde estáis?

oh empalidecido fim do poema que na verdade

é o inicio do dialogo com cada ser...

seres?

Sejam acima de tudo...

o abraço essencial à própria essencialidade das coisas eternas!













João Leno Lima

25-09-2009 Continue

OS NÓS DE NÓS

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13:27




Quem, dentro das incertezas do destino ousou desistir da poética de ser?


e porque qual razão seu corrimão de dores o levou a desgraça?

E se abandonarmos as nós mesmo

para nos entregarmos as caricias dos abismos

quem sonharia por nós?

Todos que respiram são poetas!

E ser poeta é ser sua própria razão.























João Leno Lima

25-09-2009 Continue

“STALKER”

0
10:39






Traduzo-me
Perco-me
Como um vento indesejado
descabelando o nascente das coisas.
Traduzo-me
Perco-me
Verme malabaristisco que se embrenha pelas encostas das costas do mundo.
Vulto de pele ressecada que intraduz o traduzível.
-sim... como o tempo...
Não há mais pressa somos gêmeos da loucura,
idealista de natureza desapegada, básicos sonhadores rompendo laços com o visível,
no sangue das minhas veias escorre o liquido poética
que saciará as imensidões dos poetas.
Traduzo-me
Perco-me...
Não por maldade lamentável e gratuita, lamento na verdade não ser os colos de todos os deuses ao mesmo tempo, eles me contariam suas dores tão mortais quanto a dor da criança ao chorar por sua mãe desencontrada,
tão ou mais hiperbólica que a solidão naufragaria do amante abandonado na porta do seu próprio coração-cratera.
Aquele sorriso, aquelas manifestações poéticas na esquina,
os amigos mais que amigos que se espreitam a si mesmo para não machucar o rastro de harmonia dos desabrigados momentâneos da praça,
reconheceria tua insatisfação mesmo se estivesse do outro lado do mundo,
empalpo teu resto e emlagrimo tua expressão
e a guardo no bolso-gruta em movimentos raros...
Adivinha o que descobri?
há seres maiores que os poetas do outro lado da poesia...acreditas? mas advinha...eles são poetas em si mesmo...meu deus...só há poetas nesse mundo?...infelizmente nao, só há sonhos.
Traduzo-me
Perco-me...
Toco na invadida transilusao da monotonia,
solto-me como a pena ignorada entre os arranhas céus,
enfrento a chuva de meteoros cotidiano,
calo-me só quando o grito já fala por si só ,
silencio ao olhar os pássaros em vôos tão profundos que nem ouso imaginar o que passam por suas imaginações que deve ter gigantes braços dobrando todas as ruas possíveis.
-Sim...traduzo-me- perco-me.
Continuo procurando dentro dos formigueiros de incertezas,
continuo vasculhando os baús das angustias,
continuo - até as mãos envelhecerem - desatar os nós dos nós de nós mesmos,
continuo -com a lanterna do além-olhar - tentando trazer ao alcance aquele sussurro que só as enmadrugadas avessas poderiam explicar,
continuo aqui, como um trovao-ser atravessando a céu- página.
Nos leopardos-nuvens do meu eu está entre seus dentes,
na velocidade irradiante de seus passos continentais
a certeza que somos elementares
como as leis mais intraduzíveis da natureza.








João Leno Lima

24-09-2009

“Stalker” do título é uma referência ao filme do Andrei Tarkovsky

e significa “Espreitador” Continue

APRENDI A OLHAR SEMPRE PARA AS NUVENS

1
09:38



Aprendi a olhar sempre para as nuvens.

Como um fugitivo sempre eternamente se adaptando a si mesmo,
heróis e deuses...permitam-me...o fracasso momentâneo.
Esse poema se entrelaça com a sombra ao chão,
como o touro em sua líquida insanidade lúcida
em movimento múltiplos antes de descansar em paz
e trazer ao algoz a satisfação momentanea e solitaria,
como o átomo de sorriso da criança
em movimentos desaguando em imperceptivel repressas
de horizonteamentos na porta do olhar,
Ainda restam os ventos e suas cordas vocais líricas e roucas de tanto me chamar...
Vou?
-Passageira intantaneidade vultosa,
no saltimbanco desejo entre as gramas da praça.

Na verdade a verdade me atormenta
a verdade de não ser nada e tudo no todo imaterial da matéria essencial.
Ah Álvaro de Campos se soubesses
o quanto esforço-me para ser eu mesmo perante eu mesmo...

Aprendi a olhar sempre para as nuvens.















João Leno Lima
23-09-2009 Continue

CATASTROFEVERSO

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14:02



Abre as asas e recolhe-se
Num vendaval intacto
Onde o dilacerante impacto
Intimamente espalha-se.

Explosão de fragmentos,
Num alvoroço tenaz
Que me deixa em febre incapaz
De submergir-me dos sentidos

Prisão circular indivisível
Que geme poluindo as paredes
Na impaciente putrefação incalculável.

Como num palácio inexorávelmente intimo
Onde as redomas dos gritos agem
Tornondo-me visagem de mim mesmo.













Najda Lima Continue