O Mistério dos Sumérios

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Os primeiros registros dos sumérios remontam mais de 3.000 anos antes de nossa era. Sua origem ainda permanece desconhecida. O que sabemos no entanto, é que os Sumérios possuíam uma cultura superior, plenamente desenvolvida, a qual impunham aos semitas, em parte ainda bárbaros.

Quanto aos seus deuses, estes os procuravam nos cumes da montanhas, ou, quando não haviam montanhas onde se encontravam, faziam aterros formando morros artificiais.

Conhecimentos e Tecnologia

A astronomia suméria era extremamente avançada. Seus observatórios eram capazes de obter cálculos do ciclo lunar que diferiam somente 0.4 segundos dos nossos cálculos atuais. Foi encontrado também, na colina de Kuyundjick (a antiga Nínive), um cálculo com impressionantes 15 casas, com resultado final igual a 195.955.200.000.000. Os gregos, no auge de seu saber, não se atreveram a ultrapassar o número 10.000, considerando tudo o que passasse deste valor como infinito.


Na cidade de Nipur, a 150 quilômetros de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições cuneiformes.

Suas tábulas de argila contém informações preciosas sobre o Sistema Solar. O mais impressionante são os dados sobre Plutão – planeta só (re)descoberto em 1930! Eles possuíam conhecimentos sobre o tamanho, composições químicas e físicas de Plutão e afirmavam que este era na verdade um satélite de Saturno que se “desprendeu” e ganhou nova órbita. A Lua era por eles chamada de “pote de chumbo” e diziam que seu núcleo era uma cabaça de ferro. Durante o programa Apollo, a NASA confirmou estes dados…

Idades Avançadas

Segundo os escritos cuneiformes encontrados, os sumérios conseguiram alcançar idades fantásticas. Segundo estes escritos, os dez primeiros reis governaram, no total, 456.000 anos e os vinte e três reis seguintes, 24.510 anos, 3 meses e 3 dias e meio – período o qual trouxe muitos aborrecimentos a estes reis, ocasionados pela era pós-dilúvio, tempo de reconstrução geral.

O Dilúvio Segundo os Sumérios: Influência Extraterrestre?

Reza um escrito cuneiforme sumério: “E depois veio o dilúvio e após o dilúvio a realeza tornou a descer mais uma vez do céu…”

Este trecho, de uma das placas encontradas, faz parte da mais antiga descrição do dilúvio que temos conhecimento. Mais antiga até que o poema épico de Gilgamés.

Na mais antiga das placas até hoje encontradas, o “Noé” dos sumerianos chamado Ziusudra, morava em Shuruppak e lá construiu sua arca. Os sumérios foram edificando ao longo dos séculos torres, pirâmides e casas com todo o conforto para seus “deuses” a quem ofereciam sacrifícios enquanto aguardavam o regresso – e a cada cem anos eles retornavam.

Seria possível que seres extraterrestres tivessem descido nesta região da terra, passado um pouco de seus conhecimentos para os sumérios e de tempos em tempos voltassem para saber como estavam seus “pupilos”? Isso explicaria a fantástica vida dos reis sumérios e sua incrível tecnologia.


Na tradução das placas de barro sumérias encontradas, diz-se que a Terra teve origem extraterrestre, através da colisão de dois corpos celestes. Parte dos destroços caíram aqui e no outro corpo celeste chamado Nibiru.

Os sumérios acreditavam que seus deuses vieram deste planeta – “o décimo segundo planeta” – que completa uma volta ao Sol a cada 3.600 anos.

A história diz ainda que após 35 milhões de anos, Nibiru corria risco de se acabar totalmente, então, como a Terra era o único planeta com condições favoráveis para a sua sobrevivência, fizeram misturas genéticas entre os primatas e a sua espécie. Esta mesma história conta que estes eram seres humanóides gigantes que, com o passar do tempo, misturaram-se com os humanos, gerando assim novas raças e etnias: os “filhos dos deuses”.

Estas plaquetas também contém advertências dos ET’s sobre as calamidades que o planeta iria passar. Segundo estas advertências, o planeta Nibiru passaria muito perto da Terra, fazendo com que a atração gravitacional dos dois planetas provocasse um cataclisma.

Investigando a mitologia sumeriana e algumas plaquetas e quadros acádicos, temos que os “deuses” sumerianos não tinham forma humana, e o símbolo de cada um dos deuses era invariavelmente ligado a uma estrela. Nos quadros acádicos, as estrelas estão reproduzidas assim como desenharíamos hoje. O singular porém, é que estas estrelas são rodeadas de planetas de diversos tamanhos. Como poderiam saber os sumérios que uma estrela possui planetas?

Os “Deuses” Sumerianos

Os deuses sumerianos correspondiam a estrelas / astros. Seu deus supremo, Marduk (Marte), segundo o que se sabe, teve construída em sua homenagem, uma estátua em ouro puro, de oitocentos talentos de peso; isso correspondia a uma imagem de 24 toneladas de ouro puro!

Ninurta (Sírio) era o juiz do Universo. Este pronunciava sentenças sobre os mortais. Há placas com inscrições dirigidas à Marte, Sírio e às Plêiades.

Suas descrições sobre as armas utilizadas por estes deuses para combater os inimigos, nos remontam a bomba atômica! Foram encontrados desenhos e até uma maquete de uma residência assemelhando-se a um abrigo anti-atômico pré-fabricado, redondo e tosco e com uma única entrada estranhamente emoldurada. Por que e como um povo de mais de 3 mil anos iria construir um abrigo anti-aéreo?

Curiosidades Encontradas nas Terras do Sumérios

- Em Geoy Tepe, desenhos espirais, uma raridade há 6 mil anos;
- Em Gar Kobeh, uma indústria de pederneiras, a qual se atribuem 4 mil anos de idade;
- Em Baradostian, achados idênticos com idade provável de 30 mil anos;
- Em Tepe Asiab, figuras, túmulos e instrumentos de pedra com data anterior a 13 mil anos passados;
- No mesmo local foram encontrados excrementos petrificados de origem desconhecida (não humana);
- Em Karim Schair encontraram-se buris e outras ferramentas;
- Em Barda Balka, foram desenterradas ferramentas e armas de pederneira;
- Na caverna de Schandiar foram encontrados esqueletos de homens adultos e de uma criança, que datam cerca de 47 mil anos, conforme avaliação realizada pelo processo de C-14.

Conclusão

Estas são somente algumas descobertas feitas no espaço geográfico de Súmer. Temos então que a cerca de 40 mil anos, na região de Súmer, vivia um aglomerado de seres humanos primitivos. De repente, por motivos até agora desconhecidos (ou não divulgados) pela nossa ciência, lá estavam os sumérios com sua astronomia, cultura e técnicas.

Fontes:

Eram os Deuses Astronautas?, Erick Von Däniken; Continue
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Os maiores buracos na camada de ozônio serão vistos nos próximos 20 anos, afirma o físico Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Isso porque, segundo ele, a destruição do ozônio está mais relacionada com a atividade solar do que com a emissão dos clorofluorcarbonos (CFCs) usados em abundância na década de 70 em tubos de spray e geladeiras.

Nas últimas semanas, o buraco sobre a Antártica tem aumentado rapidamente, já tendo alcançado 27 milhões de quilômetros quadrados, mais do que o máximo registrado em 2007. Até agora, o ano de 2006 foi o que apresentou a maior destruição da camada de ozônio, com o buraco chegando a 29,5 milhões de quilômetros quadrados.

Pesquisadores defendem que, se não fosse o Protocolo de Montreal, ratificado em 1987, pelo qual 193 países se comprometeram em eliminar a produção e uso dos CFCs em 95%, o afinamento da camada de ozônio dobraria em 2050 a quantidade da radiação ultravioleta capaz de alcançar a superfície terrestre no hemisfério norte e quadruplicaria a do hemisfério sul.

Já, pela teoria defendida por Molion, a produção da radiação ultravioleta é reduzida quando o Sol está em uma fase de pouca atividade. E, como o ultravioleta é essencial para produção de ozônio (pois quebra a molécula de oxigênio que, ao se recombinar, forma o ozônio), a falta dessa radiação faz com que a camada fique menor.

O físico acrescenta que é um erro fundamental dizer que o ozônio filtra os raios ultravioleta. “Na verdade, para formação do ozônio, o ultravioleta é consumido, é diferente”.

Ele explica ainda que o Sol possui ciclos de 90 anos e que o ponto máximo de atividade solar foi registrado pela última vez em 1960. “Com base nisso, eu posso prever que lá pelo ano de 2050 a camada de ozônio se recuperará e voltará aos mesmos níveis, independente de CFCs ou não”, afirma.

Atualmente, no entanto, o Sol se encaminha para o mínimo de atividade, o que fará com que a camada de ozônio continue diminuindo, explica Molion. “Eu não tenho dúvida de que vamos presenciar nesses próximos 20 anos, enquanto o Sol estiver quieto, os maiores buracos na camada de ozônio já vistos até então”, declara.

As opiniões de Molion têm sido deixadas de lado pela comunidade científica desde a década de 90, quando Mário Molina, recebeu o Prêmio Nobel de Química com uma série de seis equações químicas, sendo que a quinta delas era crucial para explicar a liberação do cloro que viria a destruir o ozônio. Com isso, os CFCs foram acusados como responsáveis pela destruição da camada de ozônio.

Na época, Molion argumentou que a tal equação química não seria a realizada pela natureza, porque seguia num caminho de maior consumo de energia, enquanto, segundo ele, a natureza sempre opta pela baixa energia. “Eu simplesmente argumentei sob o ponto de vista teórico, mas com aquele conjunto de equações o Mário Molina virou Prêmio Nobel de Química em 1995. E eu fui posto na geladeira entre 1992 e 1997, e nunca mais fui convidado para nada”, recorda.

Eis que em abril deste ano pesquisadores da NASA deram força para Molion retomar a defesa de sua teoria. Experimentos realizados em um dos laboratórios da agência espacial norte-americana demonstraram que a probabilidade da quinta equação descrita pelo vencedor do Prêmio Nobel ocorrer é de 10-7. “Ou seja, não existe”, exclama Molion.

“Finalmente apareceu alguém para mostrar que, mesmo em laboratório, é muito difícil conseguir que essa reação exista. Portanto o cloro não pode ser liberado e não pode cataliticamente destruir o ozônio”, enfatiza o físico.

Ele explica que, como a molécula de CFC tem um peso molecular de cinco a seis vezes maior do que o ar, é muito difícil fazê-la subir na atmosfera. “Se levantar ar seco já é difícil, imagina uma molécula mais pesada, que ainda teria de viajar, passar pela propopausa (que é uma inversão de temperatura) e chegar a 40 quilômetros de altura, para depois ser quebrada pelo ultravioleta e liberar o cloro que destrói o ozônio”, indaga Molion ao destacar que o Protocolo de Montreal foi tão rapidamente aceito por prever sanções severas aos países que não o assinassem.

Por Sabrina Domingos, do Carbono Brasil
(Envolverde/CarbonoBrasil)

Este artigo foi publicado em 13 outubro de 2008 Continue

Popol Vuh, In den Gärten Pharaos

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Por Ricardo Gross



Tão bom como aquilo que referi a propósito dos exemplos anteriormente citados é o que se reúne neste disco dos Popol Vuh, In den Gärten Pharaos. A banda de Florian Fricke, Holger Trulzsch e Frank Fiedler teve o mérito de imaginar uma música só sua a partir de elementos cultural e geograficamente díspares, que sendo francamente moderna (e então à época, inícios de 70!) trazia consigo uma qualquer marca de tempos imemoriais. Chega-se ao âmago do trabalho dos Popol Vuh por um processo de desarmamento da interpretação. O caminho vai da impressão causada pelos sons naquilo que estes têm de concreto, para que depois se dê o passo seguinte. Uma rota que se permite ser tão pessoal quanto mais numerosos sejam os destinatários. Imagino a música deste disco como a interpretação que uma civilização extraterrestre faria a partir da recolha de elementos musicais do nosso planeta a que a mesma teria tido acesso na sua forma rarefeita. A música de In den Gärten Pharaos oferece espaço de arejamento para que o seu poder sugestivo possa assumir as mais diversas formas. Exótica e muito além.

http://devaneios-ricardo.blogspot.com/2008/10/discutir-em-vo.html Continue

Andrei Tarkovsky: Notas sobre O Espelho e Stalker

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“Você olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Você tenta compreender como ele funciona e o desmonta. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de compreender…”


Andrei Tarkovsky

Uma coisa que se pode dizer sobre o cineasta Andrei Tarkovsky é que ele, em toda sua obra, soube utilizar as mais sublimes ocorrências que o cotidiano da vida humana nos oferece gratuitamente. O “montar e desmontar relógios”, em sua obra, pode se referir à fragmentação da vida, ou das vidas às quais fez parte, e sua subseqüente pincelagem (seleção temática) e seqüencialização (montagem), dotadas de primazia e exatidão, se concretizam numa espécie de espinha dorsal da narrativa de cada um de seus filmes mesmo que esta apresente forma não-linear, anti-convencional.



Como um recorte da vida, sua narrativa dramática consegue ser, ao mesmo tempo, lenta, porém aparentemente curta tal como a própria vida, devido ao grau de envolvimento que toda a mise-en-scène de suas obras (enquadramentos, música, ações e, principalmente, diálogos) incita aos espectadores. Mais do que incitar, seus filmes requerem, ou melhor, exigem do espectador essa aproximação, esse alto nível de atenção tamanha complexidade narrativa e plástica que carregam. Assim sendo, entretenimento é tudo que Tarkovsky parece jamais ter buscado.

A narrativa

A obra do diretor é carregada de enormes planos-seqüências utilizados para dar fluência à apresentação da narrativa, que chamarei aqui de indireta. Indireta porque toda a história diegética de seus filmes nos é explicitada durante o decorrer da obra através dos diálogos entre os personagens, sem qualquer tipo de narração extra-diegética. Os diálogos, assim, parecem ter sido (e não há dúvidas de que foram) ensaiados exaustivamente antes das tomadas finais, tamanha a fluidez com que são apresentados e tamanha é a eficácia e funcionalidade narrativas que contêm. Os personagens, em frequentes conversas no desenrolar dos filmes, dividem quase tudo uns com os outros: fatos que já aconteceram, que podem vir a acontecer, ou que nem chegam a ser exibidos, mas, de alguma forma, afetam o ocorrido naquela história. Esses diálogos, complexos e demorados, nos abrem espaço para mergulharmos fundo na consciência das personagens.

Juntamente a isso, os diálogos ainda se apresentam questionando filosoficamente a humanidade, desde sua conduta à importância de sua existência. Através da dialética entre, geralmente, dois ou três personagens, Tarkovsky expõe sua preocupação com questões existenciais como a metafísica, a fé, a condição do homem em sua jornada espiritual através dos tempos e a exploração dos conflitos que abalam o nosso universo interior. Para isso, lança mão de recursos inerentes à linguagem cinematográfica tais como cenas longas e sem cortes, trilha sonora pautada em ambiências, movimentação extremamente lenta da câmera, iluminação artística (porém natural). Pode-se dizer que esses elementos, em sua obra, são o que fazem com que Tarkovsky seja, hoje, aproximado à importância de Dostoievski, na Rússia devido à densidade e complexidade buscada.

Para efeito de exemplificação, esse texto se focará em duas de suas obras, Espelho (1974) e Stalker (1979), respectivamente.


-Espelho

Após apresentar o mundo através dos olhos de uma criança (em A Infância de Ivan, 1962) e de um artista pictórico (em Andrey Rublev, 1966), chegara a hora de Tarkovsky voltar-se para o seu próprio passado em O Espelho (1974), uma complexa odisséia da memória. O filme se apresenta como uma junção de memórias de um homem prestes a morrer, algo como um último suspiro.



Não necessariamente com início, meio e fim definidos e organizados linearmente, a obra se apresenta, na verdade, como uma reunião de cenas, imagens e idéias que, a princípio, pouco têm em comum. Entretanto, ganham certo sentido quando complementadas pelos poemas de Arseni Tarkovsky, pai do diretor, que ajudam a tecer o fio narrativo. O tempo diegético é totalmente subvertido, com intermitentes flashbacks que mostram não exatamente o passado, mas os fatos como o personagem lembra. Trata-se, como o próprio Tarkovsky não faz questão de esconder, de um filme dramaticamente autobiográfico.

A não compactualidade direta das cenas, entre si e em relação aos poemas lidos em voz over, nos permite ainda uma maior aproximação com o filme, pelo fato de abrir espaço para insights pessoais de cada espectador, que podem analisar cada seqüência com base nas próprias vivências. Tarkovsky parece, nesse filme, tentar nos deixar livres para tirar conclusões. Ou seja, o filme parece precisar de um envolvimento sensível da parte do espectador.


•Stalker

Em 1979, ao realizar o sublime Stalker, o cineasta confirmava-se independente dentro do cinema soviético, nem padronizado, nem cumpridor de cânones. E aqui, ia mais longe. Além da adequação de cada diálogo em prol da narrativa, cada simples gesto, cada pequena contração dos músculos faciais carregava uma representação simbólica (e isso se dá fortemente nos diversos primeiros planos que Tarkovsky faz de seus atores/personagens).



Os personagens principais dessa trama são três: Stalker (uma espécie de andarilho de caminhar titubeante), o professor e o escritor. E são os três que partem numa jornada a uma terra abandonada e proibida, a Zona. Perigosa e nascida de uma catástrofe, essa área reclama visitas por possuir uma caverna que supostamente preenche os desejos mais escondidos.

O filme gira, então, em torno da busca da fé. Cada frase, principalmente as do personagem Stalker, e cada expressão facial vêm para requerer essa fé, seja ela dos outros personagens (o professor e o escritor), seja ela dos próprios espectadores. Mesmo que contemplativamente, o espectador parece precisar crer para o filme fazer sentido. Tarkovsky, então, ao longo da narrativa, vai colocando gradativamente essa semente de crença em nossas mentes.

E isso só tem a se exacerbar com cada enquadramento, cada música, cada fala. Enfim, cada plano, com seus corpos, objetos, paisagens, vento e neve contribuindo, indiretamente, para tecer o fio narrativo. O cinema de Tarkovsky carrega a característica primeira das coisas perfeitas: o que ali não aparece, com certeza seria excesso.

Fotografia e outros aspectos ligados a Direção:

Antes de começar a apontar para as escolhas da direção em relação à fotografia de O Espelho e Stalker, é interessante expor o que Andrei Tarkovsky entende por imagem cinematográfica:

“A imagem cinematográfica assume uma forma quadridimensional e visível. De nenhum modo, porém, é possível elevar cada tomada à condição de uma imagem do mundo; o mais comum é que ela se limite à descrição de algum aspecto específico. Em si mesmos, os fatos registrados naturalisticamente são absolutamente inadequados para a criação da imagem cinematográfica. No cinema, a imagem baseia-se na capacidade de apresentar como uma observação a percepção pessoal de um objeto.” (TARKOVSKI, p. 126)

Em outras palavras: ela não é meramente denotativa. Não devemos “ler” a imagem exibida na tela apenas como apresentação daquilo que fôra previamente captado, mas sim como um reflexo disso em função do imaginário do autor e também do espectador, é claro. Com este raciocínio em mente, torna-se mais plausível a compreensão da carga poética concebida a cada plano de seus filmes - poesia esta expressa não só por meio das escolhas relativas à fotografia, mas também pelo som e pela montagem, entre outras etapas da experiência fílmica.

Abre-se aqui um breve parêntese quanto à concepção imagética de O Espelho. Em seu livro Esculpir o Tempo, Tarkovsky conta que quando o set da casa de campo de sua mãe foi construído sobre os alicerces de uma casa em ruínas, ele ia até lá freqüentemente, junto com a sua equipe, para assistir o nascer e o pôr do sol. Estudava o ambiente interno e externo em diferentes períodos do dia, sob diferentes condições climáticas. Desta forma, emergiam as idéias de como deveria ser a iluminação ideal para cada cena.

Comparando a fotografia e alguns aspectos da direção também dos filmes aqui abordados, notamos mais semelhanças do que divergências. Para dinamizar esta análise, podemos apontar para características da relação entre direção e fotografia por meio dos tópicos, a seguir:

Decupagem:

A opção por planos longos e movimentos de câmera sutis (geralmente travellings para frente ou para os lados) é bastante recorrente em ambos, principalmente em cenas nas quais algum cenário importante para a narrativa é apresentado pela primeira vez. Bastam como exemplos a cena de introdução do quarto do “Stalker” - onde este se encontra dormindo numa cama de casal com sua mulher e sua filha, no início do longa homônimo - e a cena de O Espelho na qual parte da casa de Aleksey (adulto) é apresentada enquanto ele conversa com sua mãe pelo telefone.

Enquadramento e Iluminação:

Tanto em O Espelho como em Stalker, o enquadramento dos personagens pode variar bastante dentro de um mesmo plano - seja por causa dos seus movimentos em cena ou devido os movimentos de câmera -, em virtude da longa duração da maioria dos planos.

A iluminação é bastante realista em ambos, sendo a de O Espelho praticamente radical diante das tomadas no interior da casa de campo dos pais de Aleksey, pois mesmo as diurnas são bastante escuras. Um fragmento ímpar neste longa é aquele no qual Natalya encontra-se na casa de uma suposta amiga da família, prestes a decepar um frango. O próprio diretor arrepende-se de tal:

“Quando a protagonista do filme, exausta e prestes a desmaiar, pensa se vai ou não cortar a cabeça do galo, nós a filmamos em close-up, em alta velocidade nos últimos noventa fotogramas, e com uma iluminação evidentemente artificial. (…) estamos levando o espectador a mergulhar no estado de espírito da protagonista, estamos retardando aquele momento, acentuando-o. Isso não é bom, pois a tomada começa a ter um significado puramente literário. (…) Servimos a emoção que desejamos, forçando a sua exteriorização através de nossos próprios meios - os do diretor. O estado de espírito do personagem fica excessivamente claro e legível. E na interpretação do estado de espírito de um personagem, sempre se deve deixar algo em segredo.” (TARKOVSKY, p. 129)

Muitos dos planos de O Espelho e Stalker parecem pinturas vivas, pois por maior que seja a estaticidade de cada um deles, sempre há um mínimo movimento dentro do quadro, ou de câmera. Sobretudo em Stalker, no qual há mais planos em sépia com a iluminação carregada de contrastes, evidenciando muitos detalhes cenográficos na tela, o que se aproxima da arte barroca.



Em Stalker, é interessante como Tarkovsky introduz o protagonista ao espectador. No início do filme, durante as primeiras vezes que a objetiva o enquadra, mal vemos sua face. Ora está voltada para um lado, ou pouco iluminada, ou ainda, distante da objetiva. Sucede-se certo suspense em relação ao seu rosto, cujos detalhes só podem ser bem observados depois que ele chega na Zona, junto com o professor e o cientista.

Cor:

Uma característica comum e bem notável entre os filmes aqui abordados é a opção pela intercalação entre cenas coloridas e sépia. Em O Espelho, Tarkovsky não limita esta escolha ao tempo diegético exibido, pois há flashbacks em sépia - como exemplo, o da hipnose no início do filme - e coloridos, como o da garota ruiva de quem Aleksey se recorda enquanto conversa com seu filho, Ignat, por telephone. Um exemplo interessante: na sequência em que a mãe de Aleksey (ou seria sua ex-esposa?) vai para o trabalho, discute com outra funcionária e toma um banho, há planos monocromáticos ora amarelos, ora ciano, ora magenta.

Em Stalker, inicialmente, parece que a opção pelo sépia se dá para as tomadas da cidade e do trajeto a caminho da Zona; e quanto às tomadas desta, coloridas. Porém, também ocorrem alguns (poucos) planos em sépia enquanto o stalker, o cientista e o professor estão na Zona, bem como planos coloridos dentro da cidade, sendo o mais notável, o plano-seqüência final da filha do Stalker, debruçada à mesa, movendo os copos, aparentemente, por tele cinese.

Tarkovsky explica o porquê dessas intercalações:

“O caráter pictórico de uma tomada, que em geral deve-se apenas à qualidade do filme, é mais um elemento artificial que oprime a imagem, e é preciso fazer alguma coisa para neutralizar essa tendência, se o objetivo for a fidelidade para com a vida. (…) Se a cor torna-se o elemento dramático dominante de uma tomada, isto significa que o diretor e o câmera-man estão empregando os métodos do pintor para atingir o público. (…) A fotografia em cores entra em conflito com a expressividade da imagem.

Talvez a maneira de neutralizar o efeito produzido pelas cores seja alternar seqüências coloridas e monocromáticas, de tal maneira que a impressão criada pelo espectro completo seja espaçada, diminuída. (…) Por mais estranho que pareça, embora o mundo seja colorido, a imagem em preto e branco aproxima-se mais da verdade psicológica e naturalista da arte, fundamentada em propriedades especiais da visão e da audição.” (TARKOVSKY, p. 166)

Podemos concluir ainda que, apesar da sua intenção de neutralizar o colorido em função da imagem cinematográfica, podem ocorrer escolhas cromáticas relativas ao tempo e ao espaço diegéticos, mas é notável o predomínio da dimensão psicológica dos personagens e das sensações que o diretor quer nos passar, ora optando pelo sépia, ora pelo colorido.



Alguns aspectos do Som:

Sendo Andrei Tarkovsky um cineasta diferenciado, é claro que quanto ao som não poderia ser diferente. Para Tarkovky e em suas palavras: “Organizado adequadamente num filme, o mundo sonoro é musical em sua essência - e é essa a verdadeira música do cinema”. Assim, para que sua intenção artística se concretizasse por completo, Tarkovsky trabalhou a atmosfera sonora de seus filmes convidando um conterrâneo seu, o compositor Edward Artemiev. Essa parceria começou no terceiro longa do diretor, Solaris (1971): “Ele me disse que não precisava de um compositor, de modo algum. Ele precisava do ouvido do compositor e sua maestria no comando do som, para mixar a música e fazer os efeitos sonoros.”, palavras de Artemiev.

Com o amigo, Andrei se abre, assim, para o suporte da música eletroacústica, pois o companheiro utilizava sintetizadores em suas composições. Essa caracteristica, ou melhor, essas escolhas musicais e sonoras, pode-se dizer que nasceram a partir do encontro que Artemiev teve com um dos precursores do sintetizador, Eugene Murzin. O encontro é um fato que modificou definitivamente a sonoridade das composições do músico russo.

Em Stalker (1979), a concepção sonora/musical do diretor pode-se ser claramente exemplificada. De novo, Artemiev:

No final de Stalker, um trem está passando e junto com o barulho das rodas, ouvimos entonações familiares. Nona Sinfonia de Beethoven. Outra sinfonia popular conhecida… Bizet… não me lembro de todas agora… uma série de obras famosas…que atingiram o espectador subconscientemente, porque todos já ouviram, elas são diariamente transmitidas no rádio. Perguntei a Tarkovski: ‘Por que você precisa disso?’ Ele disse que quando um trem passa por perto ou você anda de trem… eu concordo… você ouve uma música no barulho do trem, de acordo com o ritmo do barulho das rodas. Eu também ouço. Como em uma cachoeira, se você prestar atenção o suficiente, começará a perceber uma circulação melódica da água, alguns sons. Ele só queria mostrar isso.

A trilha sonora de Stalker, como a maioria dos filmes de Tarkovsky, possui uma organização muito bem definida, grandes trechos de som direto e ambiência pura na banda sonora, entrecortados por pequenos (mas não menos importantes) trechos de trilha musical original e por peças eruditas. Ao longo do filme observamos como Tarkovsky confunde intencionalmente esses tipos de sons, demonstrando sua forma única de conferir valores musicais aos sons aleatórios do ambiente urbano e do campo. Ele usa o som de um trem para mostrar o quão musical o mesmo já não seria por si só (anexando a ele a Nona de Beethoven e o Bolero de Ravel). Ao longo do filme, o tratamento especial que o diretor dá aos diversos sons provenientes da água, desde pingos, até a enorme massa de uma cachoeira volumosa, agrega à película a fama de ser a mais úmida da história do cinema.

Por fim, uma sequência chave. Verificamos como o conceito sonoro revolucionário dos dois potencializa a dramaticidade das cenas, através da criativa exploração de sons diegéticos naturais e também o uso de sintetizadores na sequência em que os três personagens estão na vagonete rumo ao interior da “Zona“. Nesse trecho, Artemiev explora brilhantemente o efeito dramático provocado pela utilização distorcida eletronicamente do som original das rodas da vagonete percutindo o trilho…


Conclusão


O presente ensaio a partir de pinceladas em fatores da narrativa, direção, fotografia e som tentou traçar um fugaz retrato do realizador que, como se pode ver a partir de alguns detalhes aqui mencionados e rapidamente analisados, tem em seu modo de realização uma complexa construção. Construção essa que reúne todas as áreas envolvidas na feitura de um filme, de modo ainda mais amplo e, de certa forma, rígido do que se expõe aqui. Tarkovsky, vale resumir sem reduzir, é um cineasta das pequenas coisas que significam muito.

http://www.ufscar.br/rua/site/?p=1793 Continue
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GAMBIARRA – ALGUNS PONTOS PARA SE PENSAR
UMA TECNOLOGIA RECOMBINANTE (1)

Ricardo Rosas

“A rua acha seus próprios usos para as coisas.”
William Gibson, “Burning Chrome”.

Dois fatos contemporâneos: em 11 de março de 2004, em Madri, bombas explodem em estações de trem e metrô, matando milhares de civis. Entre 12 e 16 de maio de 2006, em São Paulo, ações coordenadas por celular pelo comando do PCC (Primeiro Comando da Capital), promovem ataques a diversos pontos da cidade, espalhando o pânico. Em ambos os casos, trata-se de ações que aterrorizaram a sociedade e tiveram impacto profundo no cotidiano dessas cidades.

Mais além de se associar essas ações com as práticas de terrorismo urbano, outro elemento aproxima os eventos. Um elemento talvez essencial em seus funcionamentos, sem o qual não teriam funcionado. Elemento que talvez tenha passado quase desapercebido, tão subliminar e imperceptível na feitura, mas crucial na execução: as ações foram executadas provavelmente a partir de recursos restritos ou precários, com dispositivos gerados no improviso, ou seja, gambiarras.

Boa parte dos celulares usados nas prisões, antes, durante e quiçá mesmo depois dos ataques do PCC provêm de aparelhos roubados adaptados a chips igualmente roubados, procedimento usual na prática da clonagem. As bombas detonadas em Madri eram compostas de dinamite e nitroglicerina acopladas a um celular.

E assim, oxalá, nem tudo são más notícias. A mesma época que presencia o uso da gambiarra como bomba, vê igualmente seu uso como criadora de soluções, como reciclagem de sucatas e outros materiais e tecnologias descartados pela sociedade de consumo, e como obra de arte. .

O que é, afinal, gambiarra? Definições de um dicionário como o Houaiss, vinculam-na ao famoso puxadinho, ou gato, “extensão puxada fraudulentamente para furtar energia elétrica” ou a definição, mais comportada, de “extensão elétrica, de fio comprido, com uma lâmpada na extremidade” (2). A gambiarra, no entanto, é aplicada correntemente, pelo senso comum, para definir qualquer desvio ou improvisação aplicados a determinados usos de espaços, máquinas, fiações ou objetos antes destinados a outras funções, ou corretamente utilizados em outra configuração, assim postos e usados por falta de recursos, de tempo ou de mão de obra.

Mais do que isso, porém, a gambiarra tem um sentido cultural muito forte, especialmente no Brasil. É usada para definir uma solução rápida e feita de acordo com as possibilidades à mão. Esse sentido não escapou à esfera artística, com várias criações no terreno próprio das artes plásticas. É dessa seara que podemos captar mais alguns conceitos reveladores da natureza da gambiarra e seu significado simbólico-cultural. Em um ensaio sobre o tema da gambiarra nas artes brasileiras, “O malabarista e a gambiarra”, Lisette Lagnado sugere que a gambiarra é uma peça em torno da qual um tipo de discurso está ganhando velocidade. Articulação de coisas banidas do sistema funcional, a gambiarra, tomada “como conceito, envolve transgressão, fraude, tunga – sem jamais abdicar de uma ordem, porém de uma ordem muito simples” (3). O mecanismo da gambiarra, para Lagnado, teria, além disso, um acento político além do estético. Baseada na falta de recursos, a “gambiarra não se faz sem nomadismo nem inteligência coletiva”.

A gambiarra está igualmente muito próxima do conceito de bricolagem formulado por Claude Lévi-Strauss em O Pensamento Selvagem. Pensando o bricoleur como “aquele que trabalha com suas mãos, utilizando meios indiretos se comparado ao artista” (4), seu conjunto de meios não é definível por um projeto, como é o caso do engenheiro, mas se define apenas por sua instrumentalidade, com elementos que são recolhidos e conservados em função do princípio de que “isso sempre pode servir”. O bricoleur cria usando expedientes e meios sem um plano preconcebido, afastado dos processos e normas adotados pela técnica, com materiais fragmentários já elaborados, e suas criações se reduzem sempre a um arranjo novo de elementos cuja natureza só é modificada à medida que figurem no conjunto instrumental ou na disposição final. A diferenciação que Lévi-Strauss faz entre o bricoleur e o engenheiro é essencial para se entender a gambiarra, essa livre criação mais além dos manuais de uso e das restrições projetuais da funcionalidade, como uma prática essencialmente de bricolagem.

Acima de tudo, para se entender a gambiarra não apenas como prática, criação popular, mas também como arte ou intervenção na esfera social, é preciso ter em mente alguns elementos quase sempre presentes. Alguns deles seriam: a precariedade dos meios; a improvisação; a inventividade; o diálogo com a realidade circundante, local, com a comunidade; a possibilidade de sustentabilidade; o flerte com a ilegalidade; a recombinação tecnológica pelo re-uso ou novo uso de uma dada tecnologia, entre outros. Tais elementos não necessariamente aparecerão juntos ou estarão sempre presentes. De qualquer modo, alguns deles sempre aparecem por uma circunstância ou por outra.

Além disso, sempre temos aqui uma parcela de imprevisibilidade, de forma que as coisas podem ser o que parecem – ou não. Some-se a isso, como veremos mais à frente, as presentes condições tecnológicas, que ampliam infinitamente as possibilidades recombinantes das tecnologias, aparatos e artefatos que nos circundam, dilatando ainda mais o conceito e definição do que seria ou não gambiarra.

Por questões de espaço e pelo número gigantesco de criações, nos restringiremos a produções brasileiras e latino-americanas.
Podemos começar abordando a gambiarra de teor propriamente popular, aquela que conhecemos das ruas. A gambiarra é indubitavelmente vernacular, por sua natureza e origem. Nasce nos meandros da espontaneidade, do improviso diário para a sobrevivência, algumas vezes no terreno do pirateado, do ilícito, outras vezes dando um adicional criativo no meio do caos e da pobreza diária. O escopo é imenso, mas podemos pensar aqui numa ainda incipiente cartografia de aparatos e configurações:

Gatos, ou puxadinhos, ou seja, as fiações de energia elétrica ilegais; as “TVs a gato”, pegando ilegalmente programações de TVs a cabo; as montagens de bicicletas com caixas de som para propaganda popular em Belém do Pará, chamadas “bikes elétricas”; O Triciclo Amarelinho do seu Pelé, no Rio de Janeiro, conforme Gabriela Gusmão (6), que junta aparelho de som 3 em 1, TV, farol, baterias, capa de chuva, despertador e luzes de natal; ; os já “estabelecidos” trios elétricos, como sua mistura de caminhão e caixas de som de sound-system;; as transformações de sound systems em verdadeiros painéis de controle de naves espaciais nos bailes funk cariocas, entre outras variantes;

Algumas produções na esfera artística retratam esse universo da gambiarra popular, seja por um lado mais de registro e estudo como design, caso das fotos de Gabriela de Gusmão Pereira, ou nos registros de Christian Pierre Kasper, ou ainda nas fotos e vídeos de Cao Guimarães.

Reinterpretações sutis e sofisticadas do universo da gambiarra tecnológica popular têm sido feitas, por exemplo, por um coletivo brasileiro como o Bijari, que reutiliza muito do imaginário popular em pesquisas com camelôs, catadores e gambiarras, entre as quais se destaca seu atual projeto de pesquisa, sobre “tecnologias resistentes”.

Não poderíamos deixar de mencionar igualmente as práticas usuais na arena digital e catalogar algumas práticas como a pirataria digital, o crackeamento de programas, o war-driving (invasão de redes sem fio desprotegidas), utilizando, por exemplo, tubos de batatas Pringles, entre outras. O mesmo raciocínio vale para a crescente comunidade de desenvolvedores de software livre e open source. Baseados numa rede de intensa troca de informações e de códigos, seus criadores estão sempre criando, improvisando configurações, inventando novas modalidades de uso, de aplicação, verdadeiras “gambiarras de códigos”, abertas à interferência e ao aprimoramento do programa por quem se habilitar a fazê-lo.


Um outro tipo de gambiarras seriam aquelas criadas por artistas ou ativistas, através, por exemplo, de recriações de máquinas, suas alterações ou perversões ou novos usos. Ligações entre práticas artísticas e a invenção/alteração de máquinas não são nenhuma novidade. Engenhocas imaginadas ou produzidas por artistas povoam a imaginação humana já de longa data, se pensamos em criadores como Leonardo da Vinci ou Athanasius Kircher, para ficarmos em exemplos bem remotos. Uma máquina interessante, sem garantias, todavia, de bom funcionamento, é o Brain decooder plus, do artista recifense Moacir Lago. Divulgada como um “decodificador de pensamentos”, é uma invenção licenciada pela empresa Obsoletch Brasil,


outra criação do artista. Elecumpriria a função que a tecnologia ainda não teria alcançado: decodificar o que há de mais íntimo e pessoal, ou seja, pensamentos e desejos. Por meio da ironia, Lago quer estimular a reflexão em torno da questão da ética na ciência e no avanço tecnológico, bem como a relação entre os artefatos tecnológicos e o cotidiano das pessoas. Para ele, as invenções tecnológicas criam desejos de consumo nas pessoas, que passam a achar obsoletos os equipamentos que possuem, frente a lançamentos novos e mais modernos. Além de questionar o uso da tecnologia pela arte e vice-versa, o artista põe em discussão a apropriação e democratização do conhecimento tanto na ciência como na arte.


Questionando a legitimação da arte por uma galeria, ele transformou o espaço da galeria da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, em dois ambientes da Obsoletch.
Mais envolvido com pesquisas de som, Paulo Nenflídio é um criador de engenhocas e geringonças sonoras que misturam materiais impensados e surpreendentes, como um berimbau com mouse e bobina de campainha ou instrumentos musicais que funcionam com o vento. Como instrumento de intervenção no espaço público, sua Bicicleta Maracatu é sem dúvida das que mais chama atenção. Uma engenhoca instalada na traseira da bicicleta repete o ritmo do maracatu tocando um agogô quando se pedala. Gambiarras sonoras seriam igualmente as instalações e apresentações do grupo de músicos-artistas Chelpa Ferro, como um saco plástico preso a um motor, chamado de “Jungle” pela sonoridade rítmica semelhante à batida do jungle, ou a instalação Nadabrahma”, que chacoalha mecanicamente galhos de árvores secos com sementes, entre outras “máquinas sonoras”.
Artista

proveniente da cena de mídia-arte, Lucas Bambozzi volta e meia trabalha com transgressões na esfera tecnológica. De especial interesse aqui é seu recente Spio Project, um robô aspirador Roomba hackeado para ser equipado com câmeras CCTV infravermelhas sem fio e de alta sensibilidade, e um diodo emissor de luz (led) para rastreamento no escuro. Spio transmite imagens em tempo real de acordo com a posição do robô, como uma espécie de gerador contínuo e autônomo de imagens sem autoria humana, e seus movimentos são seguidos por duas câmeras. Num “curto-circuito” em parte previsto, o robô tende a comportamentos e movimentos caóticos, enquanto ao mesmo tempo irrita os visitantes. Uma das intenções do projeto é discutir a quase desapercebida invasão de nossas casas por aparelhos aparentemente inocentes, os quais podem muito bem estar equipados com dispositivos de vigilância ou localização remota. Spio alude às novas práticas emergentes na cultura digital, como o sampling e o remix, a inefetividade da intenção em trabalhos interativos, as mudanças na noção de autoria ou o trânsito contínuo entre altas e baixas tecnologias. Obviamente, o alvo maior de Spio é mesmo a vigilância que cada vez mais faz parte de nossa rotina, traduzida aqui numa paródia bem humorada e desfuncional de um pequeno gadget cativante (ou irritante) representando o arquétipo do olho eletrônico das sociedades de vigilância.


Sem estardalhaço, Etienne Delacroix, talvez mais do que qualquer outro, é dos artistas que mais incorporam muitas das questões aqui já discutidas. Belga e morando atualmente no Brasil, ele trafega numa zona indistinta onde se borram as fronteiras entre arte e engenharia, inclusão tecnológica e criatividade, gambiarra e design, ativismo cultural e educação, apropriação e reinvenção, teoria e prática. Bricoleur dos computadores, é um tipo de artista muito mais do processo que do produto. Formado em física, já passou, por exemplo, pelo MIT, onde tentou implementar seus “workshops nômades”, cuja idéia básica era criar uma interface de custo baixo entre a gestualidade do artista tradicional e os fundamentos das ciências da informática e da engenharia elétrica. Reunindo estudantes de engenharia, computação, artes, comunicação, design, arquitetura e música, por um lado, e a crescente massa de sucata computacional, o projeto só começou a decolar mesmo na Universidad de La Republica em Montevidéu. Ali, em seus ateliês, computadores sucateados são desmontados, os dispositivos ainda operantes são selecionados e reaproveitados e usados não somente para construir computadores mas para fazer grandes instalações de arte. Não se trata aqui de algo como uma “reciclagem” de máquinas com propósitos de inclusão social ou digital, mas antes de uma atitude mais fundamentalmente experimental, de uma processualidade técnica que envolve a sensibilidade de forma mais complexa, sem por isso deixar de lado essa mesma inclusão digital. Não será novidade nenhuma afirmar que no Brasil a gambiarra é uma prática “endêmica”. Mesmo assim, por que até hoje não hã uma teoria que lhe contemplasse a práxis? . Este texto é só um primeiro passo nesse sentido. Talvez possamos ver razões para essa situação nos contextos em que as teorias sobre tecnologia, arte eletrônica, arte e tecnologia, ou mídia-arte florescem no Brasil. Deveríamos, pois, nos voltar mais ao que acontece à nossa volta, nas ruas, em vez de apenas estarmos a par das novas tendências nos EUA ou na Europa. Mais do que isso, talvez, se engajar num entendimento da gambiarra tecnológica demandaria igualmente abandonar pressupostos, vícios e preconceitos que ainda dominam algumas dessas cenas. Acima de tudo, abrir os olhos para um possível excesso de auto-complacência, um esnobismo para com as práticas mais populares. Da mesma forma que uma “arte pela arte”, as criações de arte e tecnologia muitas vezes correm o risco do ostracismo da “arte pela tecnologia”.


Nesse meio tempo, fecha-se os olhos para fenômenos que abundam não apenas na arena do imaginário popular, nas ruas de nossas grandes e pequenas cidades, entre bancas de camelôs ou nas esquinas das favelas, mas que estão igualmente disseminados, talvez com outros nomes, na cultura geek, nas cada vez mais criativas e abundantes produções das novas mídias, assim como são moeda corrente nas ações e máquinário de midiativistas e praticantes de mídias táticas.
Na cultura geek, como não perceber todas as práticas disseminadas na programação, nas instalações de sistemas, de tentativas com novos programas na comunidade de software livre, por exemplo, numa contínua reinvenção e práticas de testes? Isso sem contar o crescente número de modificações de aparelhos por usuários, as customizações, os hackings de games, de robôs, entre outros.


A a gambiarra é sem dúvida uma prática política. Tal política pode se dar não apenas enquanto ativismo (ou ferramenta de suporte para ele), mas porque a própria prática da gambiarra implica uma afirmação política. E, consciente ou não, em muitos momentos a gambiarra pode negar a lógica produtiva capitalista, sanar uma falta, uma deficiência, uma precariedade, reinventar a produção, utopicamente vislumbrar um novo mundo, uma revolução, ou simplesmente tentar curar certas feridas abertas do sistema, trazer conforto ou uma voz a quem é negado.

A gambiarra é ela mesma uma voz, um grito, de liberdade, de protesto, ou simplesmente, de existência, de afirmação de uma criatividade inata.
Por outro lado, ela não necessariamente implica num “produto final”, pois também é processo, um “work in progress”.

Talvez o processo seja mais importante, talvez exatamente por que a gambiarra nunca é final, sempre há algo para acrescentar ou aprimorar. No entanto, há algo mais. Como vimos pelos exemplos dos ativistas brasileiros, a gambiarra também é método. É modo, modus operandi, tática, de guerrilha, de ação, de transmissão, de disseminação. Isso pode ser observado não apenas no modo de funcionamento dos grupos ativistas de mídia mas também nas práticas dos coletivos artísticos, locais e redes alternativas. Espaços alternativos em todo o Brasil, como a Casa de Contracultura de São Paulo, o já extinto Gato Negro, Espaço Insurgente, Espaço Impróprio e Espaço Estilingue são lugares não apenas de encontro mas, numa espécie de “gambiarra processual” anarquista, efetuam residências, ocupações, trocas e estratégias auto-sustentáveis para manter suas existências e realizar intercâmbios entre artistas, ativistas e grupos.


As presentes condições da tecnologia têm permitido a proliferação cada vez maior de aparatos, possibilidades de conexão e convergências, redes on-line e off-line cada vez mais interconectadas, onde dispositivos móveis, wi-fi, aparatos de localização à distância, GPS, RFID e outros sistemas dialogam e possibilitam igualmente a mixagem de tecnologias analógicas e digitais, low e hi-tech, no que a teórica Gisele Beiguelman tem denominado de cultura cíbrida.


Essa intensa convergência tecnológica, por sua vez, têm coincidido com um verdadeiro boom, na área de novas mídias e arte e tecnologia, da prática da invenção (ou reinvenção) usando instrumentos e aparelhos pré-existentes, gerando uma infinidade de geringonças, gizmos e engenhocas os mais estranhos e com os fins mais variados, de formas diferentes de comunicabilidade a novas estratégias de ativismo, de maneiras impensadas de lidar com o espaço urbano a tentativas inovadoras de se adaptar a uma provável ubiqüidade das máquinas computacionais. Tais condições têm de certa forma borrado os limites entre o artista e o engenheiro, algo tão sonhado pelos produtivistas russos, e embaralham as noções estanque que Levi-Strauss criara ao separar o bricoleur do engenheiro, por um lado, e do artista, por outro. Todas essas circunstâncias abrem perspectivas de futuro quase imprevisíveis para os praticantes e criadores de gambiarras. Poderíamos mesmo fazer algum exercício de especulação futurista sobre o que a gambiarra nos reserva. Para tanto, podemos recorrer a alguém que de certa forma já vislumbrou alguma paisagem para essas geringonças que nos cercam, o escritor de ficção científica Bruce Sterling, que tem ultimamente escrito sobre os objetos e aparatos de hoje e de amanhã. Sterling, num exercício de especulação que chamou de design fiction, uma “ficção de design”, forma mais “desenhada” de ficção científica, imagina nosso futuro a partir de nossa relação com os objetos. Em seu último livro, Shaping Things, um espécie de libelo do design sustentável para o futuro, ele acredita que “estamos em perigo porque desenhamos, construímos e usamos hardware desfuncional”. Sterling, muito sensatamente nos diz que a presente forma de exploração das classes dominantes usa formas arcaicas de energia e materiais que são finitos e tóxicos. Tal regime destrói o clima, envenena a população e gera guerras por recursos.

Ou seja, não tem futuro.
Em sua escrita peculiar, Sterling tenta nos mostrar, numa linha evolutiva, como o homem, em seu trajeto tecnológico, passou da produção e utilização de artefatos, a dada altura na história – pelo final do império Mongol, segundo o autor -, para o uso de máquinas que substituíram os artefatos, transformando os seus utilizadores em clientes. Séculos à frente, depois da Primeira Guerra Mundial, estes clientes são transformados em consumidores, quando as máquinas evoluem para produtos, através da distribuição, comercialização e fabrico anônimo e uniforme. Esta evolução implicaria em especializações na manufatura e uso das coisas, especializações que se agudizariam no momento seguinte, segundo Sterling, iniciado em 1989, quando apareceram os gizmos (engenhocas, gadgets) e consumidores viram utilizadores-finais na “Nova Desordem Mundial” em que vivemos agora. Os gizmos são, pois, objetos altamente instáveis, alteráveis pelo utilizador, tremendamente multifuncionais e normalmente programáveis. Têm também um período de vida curto. Os gizmos oferecem tanta funcionalidade que é normalmente mais barato importar novas funcionalidades para o objeto do que seria simplificá-lo. . A evolução seguinte seria o que Sterling define como spime. Tecnicamente, spimes – um neologismo do autor - ainda não existem enquanto tais. Na previsão de Sterling, o spime é maquinário interativo, novo, inventivo, objeto fabricado cujo suporte informativo ou dados armazenados são tantos e tão ricos que conformam a materialização de um sistema imaterial. Spimes começam e terminam como dados. São sustentáveis, aprimoráveis, com identidade única e feito de substâncias que podem ser retornadas à cadeia de produção de outros futuros spimes. Como diz Sterling, “Spimes são informação fundida com sustentabilidade”.


Muito embora Sterling não cite a produção “faça-você-mesmo” de forma direta e o spime incorpore dados da história do próprio objeto (entre outras formas, pelo sistema RFID), sofisticação esta muito distante de boa parte das atuais criações de gambiarras, não há como não ver em sua visualização do spime um pouco da multi-função, da sempre presente possibilidade de recriação, de alteração e modificação que define o caráter recombinante da gambiarra. Numa trajetória quase biológica, como poderíamos pensar com Gilbert Simondon ou Bernard Stiegler, o objeto técnico (o aparelho, o aparato, o que seja) pode se aprimorar com o tempo, gerando compostos, se transformando, numa linha quiçá realmente evolutiva. E nessa linha, a gambiarra bem poderia ser uma irmã mais criativa, mais arriscada dos gizmos, ou seja, uma precursora do spime. Ou então será que, com suas constantes atualizações e reatualizações,

a gambiarra já não é ela mesma um spime?
*

Texto publicado originalmente no Caderno

Videobrasil-Arte Mobilidade e Sustentabilidade 2006.


Associação Cultural Videobrasil.
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Não há aquecimento global!

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18:29
"Aquecimento Global é terrorismo climático" - Luiz Carlos Molion


Rodrigo Rangel


Isto é nº1967
11/7/2007


Pesquisador diz que tendência dos próximos anos é o esfriamento da Terra e que efeito estufa é tese manipulada pelos países ricos.
O professor Luiz Carlos Molion é daqueles cientistas que não temem nadar contra a corrente. Na Rio 92 (ou Eco 92), quando o planeta discutia o aumento do buraco na camada de ozônio, ele defendeu que não havia motivo para tamanha preocupação.

Numa conferência, peitou o badalado mexicano Mario Molina, mais tarde Nobel de Química, um dos primeiros a fazer o alerta. Agora, a guerra acadêmica de Molion tem outro nome: aquecimento global. Pós-doutor em meteorologia formado na Inglaterra e nos Estados Unidos, membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial, esse paulista de 61 anos defende com veemência a tese de que a temperatura do planeta não está subindo e que a ação do homem, com a emissão crescente de gás carbônico (CO2) e outros poluentes, nada tem a ver com o propalado aquecimento global. Boa notícia?


Nem tanto, diz. Molion sustenta que está em marcha um processo de resfriamento do planeta. "Estamos entrando numa nova era glacial, o que para o Brasil poderá ser pior", pontifica. Para Molion, por trás da propagação catastrófica do aquecimento global há um movimento dos países ricos para frear o desenvolvimento dos emergentes. O professor ainda faz uma reclamação: diz que cientistas contrários à tese estão escanteados pelas fontes de financiamento de pesquisa.


ISTOÉ - Com base em que o sr. diz que não há aquecimento global?


Molion - É difícil dizer que o aquecimento é global. O Hemisfério Sul é diferente do Hemisfério Norte, e a partir disso é complicado pegar uma temperatura e falar em temperatura média global. Os dados dos 44 Estados contíguos dos EUA, que têm uma rede de medição bem mantida, mostram que nas décadas de 30 e 40 as temperaturas foram mais elevadas que agora. A maior divergência está no fato de quererem imputar esse aquecimento às atividades humanas, particularmente à queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, e à agricultura, atrás da agropecuária, que libera metano. Quando a gente olha a série temporal de 150 anos usada pelos defensores da tese do aquecimento, vê claramente que houve um período, entre 1925 e 1946, em que a temperatura média global sofreu um aumento de cerca de 0,4 grau centígrado.

Aí a pergunta é: esse aquecimento foi devido ao CO2?
Como, se nessa época o homem liberava para a atmosfera menos de 10% do que libera hoje? Depois, no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo também, houve uma queda nas temperaturas.


ISTOÉ - Qual seria a origem das variações de temperatura?


Molion - Há dez anos, descobriu-se que o Oceano Pacífico tem um modo muito singular na variação da sua temperatura.
Me parece lógico que o Pacífico interfira no clima global. Primeiro, a atmosfera terrestre é aquecida por debaixo, ou seja, temos temperaturas mais altas aqui na superfície e à medida que você sobe a temperatura vai caindo - na altura em que voa um jato comercial, por exemplo, a temperatura externa chega a 45 ou 50 graus abaixo de zero. Ora, o Pacífico ocupa um terço da superfície terrestre. Juntando isso tudo, claro está que, se houver uma variação na temperatura da superfície do Pacífico, vai afetar o clima.


ISTOÉ - O IPCC

Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU) está errado?


Molion - O painel não leva em consideração todos os dados. Outra coisa que incomoda bastante, e que o Al Gore [exvice- presidente dos EUA e estrela do documentário Uma verdade inconveniente, sobre mudanças no clima] usa muito, é a concentração de CO2. O IPCC diz claramente que a concentração atingida em 2005, de 339 partes por milhão, ou ppm, foi a maior dos últimos 650 mil anos. Isso é uma coisa ridícula. Eles usam uma série iniciada em 1957 e não fazem menção a medições de concentração de gás carbônico anteriores.

É como se nunca ninguém tivesse se preocupado com isso.
O aumento de CO2 não é um fenômeno novo.
Nos últimos 150 anos, já chegou a 550, 600 ppm.
Como é que se jogam fora essas medidas? Só porque não interessam ao argumento? O leigo, quando vê a coisa da maneira que é apresentada, pensa que só começaram a medir nos últimos 50 anos. O Al Gore usou no filme a curva do CO2 lá embaixo há 650 mil anos e, agora, decolando. Ridículo, palhaço.


ISTOÉ - Esses temores são cíclicos?


Molion - Eu tenho fotos da capa da Time em 1945 que dizia: "O mundo está fervendo." Depois, em 1947, as manchetes diziam que estávamos indo para uma nova era glacial. Agora, de novo se fala em aquecimento. Não é que os eventos sejam cíclicos, porque existem muitos fatores que interferem no clima global.


Sem exagero, eu digo que o clima da Terra é resultante de tudo o que ocorre no universo. Se a poeira de uma supernova que explodiu há 15 milhões de anos for densa e passar entre o Sol e a Terra, vai reduzir a entrada de radiação solar no sistema e mudar o clima. Esse ciclo de aquecimento muito provavelmente já terminou em 1998. Existem evidências, por medidas feitas via satélite e por cruzeiros de navio, de que o oceano Pacífico está se aquecendo fora dos trópicos - daí o derretimento das geleiras - e o Pacífico tropical está esfriando, o que significa que estamos entrando numa nova fase fria. Quando esfria é pior para nós.


ISTOÉ - Por que é pior?


Molion - Porque quando a atmosfera fica fria ela tem menor capacidade de reter umidade e aí chove menos. Eu gostaria que aquecesse realmente porque, durante o período quente, os totais pluviométricos foram maiores, enquanto de 1946 a 1976 a chuva no Brasil como um todo ficou reduzida.

O aumento de CO2 não é novo. Nos últimos 150 anos, já atingiu 600 ppm. Mas o Al Gore usou a curva do CO2 de 650 mil anos atrás


ISTOÉ - No que isso pode interferir na vida do brasileiro?


Molion - As conseqüências para o Brasil são drásticas. O Sul e o Sudeste devem sofrer uma redução de chuvas da ordem de 10% a 20%, dependendo da região. Mas vai ter invernos em que a freqüência de massas de ar polar vai ser maior, provocando uma freqüência maior de geadas. A Amazônia vai ter uma redução de chuvas e, principalmente, a Amazônia oriental e o sul da Amazônia vão ter uma freqüência maior de seca, como foi a de 2005.

O Nordeste vai sofrer redução de chuva. O que mais me preocupa é que, do ponto de vista da agricultura, as regiões sul do Maranhão, leste e sudeste do Pará, Tocantins e Piauí são as que apresentam sinais mais fortes. Essas regiões preocupam porque são a fronteira de expansão da soja brasileira. A precipitação vai reduzir e certamente vai haver redução de produtividade. Infelizmente, para o Brasil é pior do que seria se houvesse o aquecimento.


ISTOÉ - A quem interessaria o discurso do "aquecimento"?


Molion - Quando eu digo que muito provavelmente estamos num processo de resfriamento, eu faço por meio de dados. O IPCC, o nome já diz, é constituído de pessoas que são designadas por seus governos. Os representantes do G-7 não vão aleatoriamente. Vão defender os interesses de seus governos. No momento em que começa uma pressão desse tipo, eu digo que já vi esse filme antes, na época do discurso da destruição da camada de ozônio pelos CFCs, os compostos de clorofluorcarbonos. Os CFCs tinham perdido o direito de patente e haviam se tornado domínio público. Aí inventaram a história de que esses compostos estavam destruindo a camada de ozônio.

Começou exatamente com a mesma fórmula de agora. Em 1987, sob liderança da Margaret Thatcher, fizeram uma reunião em Montreal de onde saiu um protocolo que obrigava os países subdesenvolvidos a eliminar os CFCs. O Brasil assinou. Depois, ficamos sabendo que assinou porque foi uma das condições impostas pelo FMI para renovar a dívida externa brasileira.
É claro que o interesse por trás disso certamente não é conservacionista.


ISTOÉ - Mas reduzir a emissão de CFCs não foi uma medida importante?


Molion - O Al Gore no filme dele diz "nós resolvemos um problema muito crucial que foi a destruição da camada de ozônio". Como resolveram, se cientistas da época diziam que a camada de ozônio só se recuperaria depois de 2100?


Na Eco 92, eu disse que se tratava de uma atitude neocolonialista. No colonialismo tradicional se colocam tropas para manter a ordem e o domínio. No neocolonialismo a dominação é pela tecnologia, pela economia e, agora, por um terrorismo climático como é esse aquecimento global. O fato é que agora a indústria, que está na Inglaterra, França, Alemanha, no Canadá, nos Estados Unidos, tem gases substitutos e cobra royalties de propriedade. E ninguém fala mais em problema na camada de ozônio, sendo que, na realidade, a previsão é de que agora em outubro o buraco será um dos maiores da história.


ISTOÉ - O sr. também vê interesses econômicos
por trás do diagnóstico do aquecimento global?


Molion - É provável que existam interesses econômicos por detrás disso, uma vez que os países que dominam o IPCC são os mesmos países que já saíram beneficiados lá atrás.


ISTOÉ - Não é teoria conspiratória concluir que há uma tentativa de frear o desenvolvimento dos países emergentes?


Molion - O que eu sei é que não há bases sólidas para afirmar que o homem seja responsável por esse aquecimento que, na minha opinião, já acabou.

Em 1798, Thomas Malthus, inglês, defendeu que a população dos países pobres, à medida que crescesse, iria querer um nível de desenvolvimento humano mais adequado e iria concorrer pelos recursos naturais existentes. É possível que a velha teoria malthusiana esteja sendo ressuscitada e sendo imposta através do aquecimento global, porque agora querem que nós reduzamos o nosso consumo de petróleo, enquanto a sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo.


ISTOÉ - Para aceitar a tese do sr., é preciso admitir que há desonestidade dos cientistas que chancelam o diagnóstico do aquecimento global...


Molion - Eu digo que cientistas são honestos, mas hoje tem muito mais dinheiro nas pesquisas sobre clima para quem é favorável ao aquecimento global. Dinheiro que vem dos governos, que arrecadam impostos das indústrias que têm interesse no assunto. Muitos cientistas se prostituem, se vendem para ter os seus projetos aprovados. Dançam a mesma música que o IPCC toca.


ISTOÉ - O sr. se considera prejudicado por defender a linha oposta?


Molion - Na Eco 92, eu debati com o Mario Molina, que foi quem criou a hipótese de que os clorofluorcarbonos estariam destruindo o ozônio. Ele, em 1995, virou prêmio Nobel de Química. E o professor Molion ficou na geladeira. De 1992 a 1997 eu não fui mais convidado para nenhum evento internacional. Eu tinha US$ 50 mil que o Programa das Nações Unidas havia repassado para fazer uma pesquisa na Amazônia e esse dinheiro foi cancelado.
Em 1987, sob Thatcher, países subdesenvolvidos foram obrigados a eliminar os CFCs. Foi uma das condições impostas pelo FMI


ISTOÉ - O cenário que o sr. traça inclui ou exclui o temor de cidades litorâneas serem tomadas pelo aumento do nível dos oceanos?


Molion - Também nesse aspecto, o que o IPCC diz não é verdade. É possível que, com o novo ciclo de resfriamento, o gelo da Groenlândia possa aumentar e pode ser até que haja uma ligeira diminuição do nível do mar.


ISTOÉ - Pela sua tese, seria o começo de uma nova era glacial?


Molion - Como já faz 15 mil anos que a última Era Glacial terminou, e os períodos interglaciais normalmente são de 12 mil anos, é provável que nós já estejamos dentro de uma nova era glacial. Obviamente a temperatura não cai linearmente, mas a tendência de longo prazo certamente é decrescer, o que é mau para o homem. Eu gostaria muito que houvesse realmente um aquecimento global, mas na realidade os dados nos mostram que, infelizmente, estamos caminhando para um resfriamento. Mas não precisa perder o sono, porque vai demorar uns 100 mil anos para chegar à temperatura mínima. E quem sabe, até lá, a gente não encontre as soluções para a humanidade.

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DIALOGO IMPERTINENTE

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14:06



Me proponho a tentar descobrir tua alma.
Aceitas?
Mergulhar em teus subsolos enveredando
por teus antigos delírios,
Debaixo das saias dos teus pensamentos,
Entre as entranhas da tua memória
pelos teus desejos mais longínquos,
Como a criança que pergunta incontrolavelmente,
Como as mãos dos amantes que se entrelaçam
Como se entrelaça o crepúsculo e a noite.
Permitiras que eu vague pelas cores desbotadas dos teus anos,
Tropeçando pelas verrugas e olheiras que vão maquiando o teu tempo?
Deixaras que eu abra o baú dos teus segredos, quebre seus cadeados
E jogue pra fora no chão abismal teus punhais e fetiches?
Tuas embarcações imóveis?
Teus origames de corações rasgados?
Tua coleção de cartas jamais respondidas?
Deixaras que dialogue com tua subconsciência
e convença ela a se revelar
E se despir para mim
e permitirias que eu procrie com ela numa noite escaldante
Onde os heterônimos dos nossos corpos tornar-se-ão vulcões
Te derretendo por dentro e provocando em ti
náusea de contradições religiosas
E catarro de transgressões juvenis não vividas irreversivelmente?
Se colidindo com as paredes das cólicas das frustrações perfeitas
Em constatações em beira de estradas vazias,
Em viagens de ônibus
como se fosse um carrossel cíclico de uma manhã qualquer,
Em diálogos impenetráveis que jamais cintilam as intenções âmagas,
Deixaras que eu afunde minha cabeça nas tuas lágrimas?
E nade até as grutas
onde tu gritas insensatamente desde quando percebestes a si mesmo?
Deixaras?
Deixaras que eu chegue até lá com um mapa que me foi enviado
Por um anjo oculto que saiu do teu solitário monologo,
Confessa?
Esperavas por mim nesse instante como esperavas por alguém para olhar-te
Com um olhar de abraço e que te ouvisse como se aprecia uma música?
Deixaras que eu descubra tuas mentiras e as deixe morrerem de frio
Desabrigadas por ti mesmo?
Lançaras mão do teu labirinto intimo e permitiras que eu te encontre?
Dizes-me, esperas que te encontre para ti mesmo?
Me proponho a ser tu mesmo, aceitas?
Aceitas ser eu?
Aquele que mergulha em ti mesmo.




João Leno Lima
31 de Agosto de 2009
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INDIVIsÍVEL

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17:37


Aquilo que me separa de mim mesmo.
Aquilo que geme,
Como o coração da flauta na canção mágica.
Aquilo que agoniza,
Como as crianças sujas nas ruas pálidas.
Como os jovens-pássaros que jamais envelhecerão.
Aquilo que se petrifica,
Como aquele amor declarado mais jamais vivido.
Bálsamo de dias consolando o imediato.
Meus amigos sempre jovens e seus filhos futurísticos.
Como a gota que ainda despencou.
O que se passa em seu coração nessa fração-intervalo?

Que inveja dos pássaros...

Aquilo que é guardado em segredo
E aquilo que é indisfarçável timbrando o instante.
Aquilo que não pode ser dito
Mas que foge pelos poros das palavras.
Aquilo que esperamos como um próximo ônibus
E o que esperamos como um próximo cometa...
Aquilo que me separa de mim mesmo.








João Leno Lima
29-08-09
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ARRANHANDO A MANHÃ

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11:39


Há um abismo entre o eu e essa manhã?
Desconheço as intenções do dia, mas sei que há ventos que sopram longe...
O vácuo entre a matéria e o espírito sou eu atravessando a esquina
Entre um naufrágio e os diálogos das sombras das árvores melindrosas.
Despedaço cada gota da tempestade
A força dos dentes do destino rasga os sentimentos indefesos
Como uma febre de aço se apossando envenenadamente
Socorro deus! Sou ácido a mim mesmo
Há um abismo entre o eu e essa manhã?
Capaz de cintilar a dor avessa
Capaz de parafrasear os gritos dos indomáveis poetas
Capaz de poluir a intrépida anacronia dos passos
Capaz de possuir o corpo da eternidade apenas por uma noite.
Há um abismo entre o eu e essa manhã?
Que afunda começando pelas pontas dos dedos
Que geme a filha aprisionada pelo coração dos pais
Que sapateia como o menino cinematográfico
Que nos mostra as silhuetas dos espaços interiores.
Há um abismo entre o eu e essa manhã?
Como o olhar da moça solitária a espera do que me é desconhecido.
Como o abrir e fechar de portas de uma dimensão inalcançável.
Contemplo as flores como quem contemplo um poema.
Elas me dizem..
Há um abismo entre o eu e essa manhã?
Nos pequenos átomos de cada olhar
Na indemonstrável reencarnação dos sentidos
Na pele lisa do futuro
Na face petrificada dos antepassados íntimos
Na bandeira tremulando num deserto enluarado
Nas trocas de caricias entre solidões temporárias
No dialogo entre as lágrimas antes delas partirem despencando para o mundo
Na troca de olhares entre a ponta dos pés e a extremidade...











João Leno Lima
28-08-09
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COMO UM FRASCO

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14:38


Sim sou parte ignóbil das moscas
Ferramenta de latrocínio dos selvagens felinos
Febre transpassada dos moribundos
Ausência da filha desejada
Dor invisível do pai desprezador
Amigo oculto à própria amizade
Cólera de vertigens perfeitas
Comunhão da pele dos amantes
Oração atropelada por um pássaro
Busca que se auto mutila
Queres sentir a inquietude que move os vulcões impenetráveis?
Queres ser esbofeteado pelo hálito escaldante do meio dia?
Diga-me para esse tímido poeta...
Queres ser molestado pela poesia?
Dizes baixinho...
Não, não dizes... Apenas sente...
Sim sou parte disso e de tudo
Como todos e ninguém
Como alguém e o nada
E de resto,
Resta-me ainda mais um pouco de mim.














João Leno Lima
20-08-09
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HÁ UM ACUMULO DE CHUVAS NA ALMA

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10:43


-como pode?
-pode simplesmente
-transpassa-me cada gota
-como pode?
-pode simplesmente
-temporalidade
-núcleo indefeso como um recém nascido pássaro
-como pode?
-pode simplesmente.
-Corredor de arvores que gemem primeiro nos pulmões dos ventos.
-até onde?
-até os indesejáveis corrimões da morte
-até onde?
-varando o descampado das nuvens-deusas em metamorfoses soberanas
-até onde?
-atravessando as costas de aço do destino
e perfurando o coração desesperanço rumo ao atemporalmente possível...
-com asas?
-com asas...
-como pode?
-pode simplesmente...
-não sinto
-não sentes?
-não, não sinto.
-a alma?
-como?
-não sentes a alma?
-não...
-como podes?
-pode simplesmente
-dói o abismo?
-crateras me esperam com arco-íris em volta
-na queda?
-não há queda, flutuo num limbo cavernoso
onde minha meteria é levada pelas fortes correntezas da morte...
-como pode?
-pode simplesmente...
-atormenta-te
-sim, como os punhos do boxeador colidindo com o rosto do destino.
-até onde?
-rumando nas tempestuosas reuniões cerimoniais
dos gritos reprimidos mil vezes
-ate onde?
-embarcando em submarinamente nas águas salgadas das lágrimas
da criança indefesa do tempo -até onde?
-tremendo de frio nas calçadas invisíveis do tempo-espaço físico
-até onde?
-definhando estendendo a mão...
-para quem?
-para os cometas...
-como pode?
-pode simplesmente
-o que faremos?
-o de sempre
-sentiremos?
-sim
-a alma
-não sentes?
-agora sinto
-a alma?
-a mim...
-como pode?
-como podes?
- pode simplesmente
-e a chuva?
-chuva?
-acumulada?
-não era chuva
-é não era chuva...
-eram almas trazendo um minúsculo infinito para ser contemplado
-como pode...
-pode simplesmente...

















João Leno Lima
14-08-09
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CHUVA INVERSA

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11:05

Catapulto-me!

Atravesso os interiores das nuvens
Seus órgãos sublimes
Sua tez embranquecida
Sua lucidez de criança indivisível
Transpasso-me em gemidos
Soluços feitos da contra mão de mim mesmo
Matéria viva que brinca de me abandonar
Pensamento que se enrosca como um felino nas pernas do seu dono essencial
Obsolvo suas ilustrações bem definidas
Seus litorais supremos que enraizam-se em meus poros
Tateio o verso como se rosto fosse
Sinto o calor melindroso dos lábios
Os pequenos corredores que levam aos olhos
As cercas eletrificadas de pálpebras desarticuladas
Sinto-me a artéria tremula
Arrastam-me nesse fosso branco
Nesse átomo andarilho que passe deixando flores ensangüentadas de angustias
Ânsia pelo alvo incerto que leva as dimensões medonhas,
Rodopio como um furacão dançando sobre o mar inenarrável
Trago comigo a sensação turva do passado
A inversão dos pólos da transcendência
Esforço sobre humano de voltar a despencar...
Tempo espaço ou o outro lado disso
Tempo espaço ou a união
Tempo espaço com a colisão
Tempo espaço com a desintegração do impossível.
Minhas mãos tocam a pagina que se rasga
A flutuação não é algo material
A asa da poesia tem seus próprios sentidos.
Somos sentimentais quando queremos ser nós mesmos.
Deixo-me pelos arredores e a alma se encarrega que seguir o percurso.
Não há limites, longos cabelos separam as extremidades,
Vou me debatendo nas gargantas da aurora e finalmente sou cuspido para fora de mim...







João Leno Lima
13-08-09
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ATRAVESSANDO O PUNHAL

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14:58


Nos imensos blocos de gelo do destino vou perfurando o que parecia indivisível.
Como pude resvalar meus olhos na farsa das coisas passageiras
E esquecer a comunhão com os anjos-poetas?
Quem na quimera dos dias possuiu em si as imensidões necessárias?
Alegorias gigantes sendo derrubadas
Como elefantes voadores nos quatro cantos do momento.
Aves e aviões cruzando os braços nas passagens das tempestades primordiais.
Descobertas cientificas sobre mim mesmo.
Livros de cabeceira deteriorados pelas imagens obscuras.
Sou a condenação suprema do esboço de planetas em cada resquício salivador de medo...
A dissonância dos versos está no espírito e não nas palavras.
Sou apenas a partícula suprema de mim mesmo.
O espaço interior do poema
Como quem rege uma constelação de orquestras intimas
Cada um observa o sussurro do mundo de cada mundo interior.
Todos eles rodeiam o verso-sangue nas artérias invisíveis
Sob a respiração vazia dos pensamentos
Sob o rastro-mapa que apunha-la por dentro todos os rastro antepassados
Frio...
Sou o alcance do inalcançável
Congela-me deus!
Transpasso o invisível de mim e sangro multidões...







João Leno Lima
12-08-2009
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violenta colisão entre planetas

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14:55

A Nasa, agência espacial americana, divulgou nesta segunda-feira em seu site uma concepção artística que mostra uma possível colisão em alta velocidade entre dois planetas ao redor de uma jovem estrela.

O impacto, segundo evidências captadas pelo telescópio espacial Spitzer, envolveu dois corpos rochosos - um deles tão grande quanto a Lua e outro do tamanho de Mercúrio - e teria ocorrido nos últimos mil anos ou mais.

Os astrônomos informaram que a gigantesca colisão destruiu o corpo celeste de menor tamanho, espalhando enormes quantidades de rocha e expelindo camadas de lava quente pelo espaço. Os detectores infravermelhos do Spitzer captaram sinais das rochas vaporizadas e de fragmentos recongelados de lava, chamados de tectitas (tipo de mineral de vidro natural que se forma no espaço).

"O choque deve ter sido enorme e incrivelmente em alta velocidade para a rocha ter se vaporizado e derretido", disse o cientista Carey M. Lisse, da Universidade Johns Hopkins e principal autor do estudo, descrito na edição de agosto da revista Astrophysical Journal. Conforme o pesquisador, a colisão foi similar à que causou a formação da Lua há 4 bilhões de anos, quando um corpo do tamanho de Marte se chocou contra a Terra.

Para se ter uma ideia da força da colisão, os astrônomos explicaram que os dois planetas estariam viajando a uma velocidade de pelo menos 10 km/s antes de se baterem.

A estrela observada pelo Spitzer é a de nome HD 172555, que teria 12 milhões de anos e está localizada a cerca de 100 anos-luz da Terra, ao sul da constelação Peacock (Pavão). Em comparação com a idade da estrela, os cientistas lembraram que o Sistema Solar tem 4,5 bilhões de anos.



Fonte: CUB

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Ash Ra Tempel

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10:15


Esqueça Pink Floyd! (brincando! ou não ^^)

Ash Ra Tempel é uma lenda do Krautrock.
(rock pisdodelico-politico-ácido-lisergico-anarquico alemão).
Procurem se puderem um tal álbum chamado "Jon iin".
Uma bolacha de duas músicas, duas epopéias lisérgicas, Regadas a uma sessão interminável de solos de guitarras com linhas de baixo que provocam náuseas delirantes e tons graves de delírio melindroso e demência lúcida. Num ambiente árido, cyborgs se mutilando nos arredores Enquanto seres humanos são levados para outras dimensões E são desintegrados em 19min e 13seg (só a primeira parte) de uma jam session inigualável. Visitar outras planetas nunca causou tamanha adrenalina e comoção febril e êxtase sonoro.



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A BRINCADEIRA CÓSMICA DE ROLF-ULRICH KAISER

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11:58

Muita da música confeccionada na Alemanha durante o fecundo período de finais da década de 1960 até ao início da década de 1980, está envolta numa neblina de mistério. Embora os Cosmic Jokers não sejam decerto o mais obscuro exemplo musical da era a que nos reportamos - em sonoridade e em acessibilidade -, à sua génese associa-se um empolgamento empreendedor que, fora do estúdio, terá ajudado a delinear a excelência de muitos dos projectos que, como este, por aqui são destacados.

Foi do mítico estúdio de Dieter Dierks que saiu o melhor grupo de música psicadélica alemã que jamais existiu: os Cosmic Jokers. À parte a penumbra que naturalmente envolve acontecimentos passados há mais de 30 anos, o contexto das gravações do grupo contribuem, por si só, para que a linha temporal dos acontecimentos seja misturada de confusão, encontros e desencontros.
Na primeira metade da década de 1970, Rolf-Ulrich Kaiser, visionário jornalista alemão e mentor de editoras-estandarte da cena alemã, como a Pilz, Ohr ou Kosmische Musik, idealizou criar um produto musical capaz de transcender as fronteiras da realidade, editando projectos que fundiam a abordagem psicadélica e cenários místicos e esotéricos com rock espacial. A tradução prática desta ideia foi “Die Kosmischen Kuriere”, etiqueta subsidiária da Ohr que albergou os trabalhos de Sergius Golowin e de Walter Wegmuller, para além de Seven-Up, com os Ash Ra Tempel e Timothy Leary.


Kaiser foi o mentor da ideia por detrás dos Cosmic Jokers. Sob o pretexto da criação improvisada, organizou encontros de músicos, de Fevereiro a Maio de 1973, no estúdio de Dierks, em Colónia, dando-lhes em troca acesso sem restrições a alucinogéneos. Do ácido festim constavam Dieter Dierks, os membros dos Ash Ra Tempel, Manuel Göttching e Klaus Schulze e Jurgen Dollase e Harald Grosskopf dos Wallenstein. Kaiser juntou as longas horas de material e uma vez devidamente trabalhado decidiu editar os discos na sua editora Kosmische Musik, tudo isto sem os músicos terem qualquer conhecimento.


Em 1974 foram editados três discos – The Cosmic Jokers, Galactic Supermarket e Planeten Sit-In –, para além de mais duas compilações da referida editora, mais tarde também creditadas a estes brincalhões cósmicos, Sci-Fi Party e Gilles Zeitschiff. O primeiro disco, homónimo, está dividido em duas faixas, uma para cada lado do vinil: “Galactic Joke” onde imperam os sintetizadores e as guitarras filtradas por uma panóplia de efeitos; e “Cosmic Joy” que complementa a música ambiental do primeiro tema com delírios percussivos plenos de efeitos. No segundo álbum, Galactic Supermarket, Rosi, namorada de Göttsching, e Gille Lettman, namorada de Kaiser, participam nas gravações, emprestando narrações celestiais à viagem intergaláctica. Tal como o seu predecessor, este segundo registo é composto por duas longas músicas, mas aqui os arranjos de Mellotron são bastante mais complexos, aproximando-se das orquestrações dos Wallenstein.

O terceiro e último registo é consideravelmente distinto, pois trata-se e uma verdadeira manta de retalhos, com temas de curta duração compostos por pequenos fragmentos sonoros das extensas sessões de gravação, editados e misturados para dar uma ideia de continuidade ao longo do disco . Um pequeno embuste diríamos, quando comparado com a grande trama engendrada em torno deste projecto.Reza a lenda que, algures em 1974, ao entrar numa loja de discos em Berlim, Manuel Göttsching, líder dos Ash Ra Tempel, ficou deveras surpreendido pela música, ao mesmo tempo estranha e familiar, que vertia dos altifalantes do estabelecimento comercial. Intrigado, dirigiu-se ao balcão e perguntou ao empregado que disco estava a tocar. Para seu espanto tratava-se dele próprio. A sua fotografia bem visível na capa do disco não dava lugar a qualquer dúvida. Os intentos megalomaníacos de Kaiser acabaram então por chocar com a sóbria realidade quando Klaus Schulze decidiu activar as vias legais e processar Kaiser, levando a que os discos fossem retirados do mercado em 1975, e a que Kaiser fugisse da Alemanha, precipitando também o fim do seu império discográfico.



Esquecendo o exemplo de desonestidade para com o trabalho artístico, este projecto representa, talvez, uma das facetas mais eloquentes da psicadélia alemã. Sem alguma vez terem existido, os Cosmic Jokers são uma viagem musical sob a batuta da guitarra ácida de Göttching e das manipulações sintetizadas de Schulze que, para gáudio dos apreciadores, brotou da astuta mente de Rolf-Ulrich Kaiser.

posted by Henrique Vicente
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Cinco truísmos que querem silenciar o debate

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11:07

Truísmo é o nome que reservamos, em filosofia, para a banalidade que, verdadeira, produz efeitos que vão muito além daqueles que estritamente poderíamos derivar da veracidade que enuncia. Num comentário a um post de Alexandre Nodari, eu desenvolvia a tese de que o truísmo funciona mais ou menos com a dinâmica que Marx identificou para as forças produtivas. Se você se lembra, as forças produtivas, para Marx, vão se desenvolvendo até que elas já não “cabem” no modo de produção no qual elas se encontram, forçando a turbulência revolucionária a partir da qual surgiria outro. Assim (resumindo brutalmente), o desenvolvimento de um sistema de trocas mais amplo na Europa tardo-medieval foi corroendo as bases do Feudalismo e criando as condições para as revoluções burguesas, que romperam as travas que aquele modo de produção impunha às forças produtivas.

Pois bem, os truísmos funcionam assim. Todo truísmo tem seu momento liberador. Ele expressa, como todo clichê, uma banalidade que não é falsa, mas que pode muito bem funcionar para falsificar a realidade – especialmente depois que, já disseminado, passa a ser usado para travar o pensamento e, não raro, silenciar o outro. Já que tirei a semana para fazer posts que vão me servir no futuro, aproveito para tratar de cinco truísmos que encontro com frequência por aí.

1. Cada um tem sua opinião. É o pai, ou a mãe, de todos os truísmos. Como todos os outros, ele é vítima da reversibilidade: ora, se “cada um tem sua opinião”, seria possível, em tese, formular a opinião contrária – a de que cada um não tem sua opinião. Isso significa que, para que esse truísmo seja verdadeiro, ele tem que ser falso. O paradoxo é que quem recorre ao “cada um tem sua opinião” como instrumento de debate não está jamais exprimindo opinião própria. Está, invariavelmente, repetindo opinião ouvida alhures. Afinal de contas, quer afirmação mais universalizante que “cada um tem sua opinião”? Quem diz isso no interior de uma discussão não está abrindo-se para o diálogo. Está fechando-o antes que ele se inicie. Dizer “cada um tem sua opinião” é como dizer “eu sou mentiroso”: trata-se de uma afirmação que implode no momento em que ela é feita.

2. Futebol não tem lógica. Este é o truísmo a que recorremos quando fracassa nossa explicação do jogo. Como todo truísmo, ele é verdadeiro e falso. Afinal, haverá coisa no mundo que tenha mais lógica do que o futebol? Simplesmente trata-se de que o futebol não se pauta por aquilo que costumamos chamar de “lógica” no discurso cotidiano, ou seja, a lógica positivista do encadeamento das causas e efeitos, que ordena esportes mais gerenciais e matemáticos como o futebol americano e o basquete. O futebol funciona de acordo com a lógica da contingência que, se você for observar bem, está muito mais próxima da lógica que ordena o mundo.

3. Não se pode comparar (cinema e literatura): Deixo os dois termos da comparação entre parênteses porque não importa quais eles sejam. A coisa funciona da mesma forma. No caso em questão, o truísmo teve seu momento liberador quando serviu para combater certa tendência a se trabalhar adaptações de romances ou contos a partir de uma metafísica da fidelidade. Ele desnudava uma certa prepotência literária, que insistia em pensar sua arte como superior, e o cinema como acessório que não podia se ombrear com ela. Hoje esse clichê já é, como o "cada um tem sua opinião", um apêndice da preguiça de pensar. Basta relacionar um livro e um filme para que você ouça isso. É invariavelmente um instrumento para silenciar o debate. Basta estabelecer uma comparação para que alguém diga que não se podem comparar coisas diferentes. Como se houvesse algum sentido em comparar coisas idênticas. Esta crítica ao truísmo não implica, claro, que eu ache que toda comparação procede. Há que se ver caso a caso.

4. Todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça. É o truísmo favorito dos advogados (não todos, claro), ao qual recorrem quando se critica a decisão de algum Maiorana de processar um Lúcio Flávio, ou de uma Leticia W. de processar um Milton Ribeiro. Evidentemente, o argumento é verdadeiro. Todo mundo tem o direito de procurar a justiça quando se sentir ofendido. O problema é que ele é, como todo truísmo, tautologicamente reversível: a mesma Constituição que assegura o direito de cada ofendido procurar a justiça assegura a liberdade de crítica -- incluindo-se aí o direito de criticar alguém por judicializar discussões políticas ou literárias. Nas conversas sobre a daninha judicialização do debate político no Brasil, todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça não costuma funcionar como argumentação: é mecanismo de silenciamento mesmo. Uma variante dele é o truísmo cada um deve se responsabilizar pelo que diz. Ora, isso é evidente. Mas a brincadeirinha da reversibilidade se aplica aqui também: se cada um deve se responsabilizar pelas consequências do que diz, cada um deve também se responsabilizar pelas consequências de seus atos, incluindo-se o ato de decidir processar alguém por ter dito algo. Se você é escritor e decide processar alguém por uma resenha, viverá com a reputação advinda disso, a qual -- diz a história da literatura -- não costuma ser muito boa. Reitero que não sou crítico de todos os processos por injúria, calúnia ou difamação. Os critérios aqui são aqueles, óbvios: extensão do dolo, clareza do propósito de difamar, diferença de acesso aos meios de comunicação etc. Se eu fosse MV Bill, por exemplo, já teria processado Diogo Mainardi. Sim, eu sei que essa decisão cabe ao MV Bill.

5. O problema são os radicalismos dos dois lados. Eis aqui mais um que é pai, ou mãe, ou tio, de vários outros truísmos. Os que anunciam que o problema são os radicalismos dos dois lados gostam de se apresentar como moderados, ponderados, razoáveis, racionais. É o truísmo preferido dos que justificam a barbárie na Palestina Ocupada. É o truísmo favorito dos que justificam a violência policial contra estudantes (cujo movimento tem, sim, vários problemas). Esse é um truísmo particular, porque ele se baseia num uso completamente enganoso da palavra “radicalismo”. Ora, só é possível ser radical numa direção: a da raiz. Basta ir ao seu dicionário etimológico e ver de onde vem a palavra. Quando alguém reduzir um problema político ao “radicalismo dos dois lados”, você pode ter certeza de que: 1) ele não é equidistante em relação aos dois lados; 2) ele quer que você acredite que ele é isento ou equidistante com respeito aos “dois lados”.

Há muitos outros, mas comecemos com estes cinco. Estão todos convidados a completar a lista.


Escrito por Idelber
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