M

1
10:21
Por favor, não tente definir o absoluto.
na ausência da palavras que defina o sublime
as almas entregues a si mesmas dialogam
Com gestos vindos das profundezas dos gemidos dos transcendentes.
explosão de constelação rasgam os corpos
Tudo parece se encaixar, o infinito e o espaço interior,
as mãos transpassam-se atravessando júpiter e indo além e
voltando desperadadamente vertiginosa na sua
lucidez de galáxias..e nós,
de mãos dadas com os universos perfeitos.
nos tornamos por mais de um segundo...absolutos.

por favor, não tente definir o infinito.
na ausência da lógica que comove as almas
a minha convulsão é pelo corpo da alma da musa.
pela afeto indefinível da certeza entranhada no
verbo do sentir e no túnel que brota como porta além do cotidiano.
o irremediável vento da manha que bagunça as
mascaras existências e nos arremessam num marca passo de delírios.
se deus nunca deixou de criar, desejo que ele
crie uma estrela que servirá de abrigo a
nossas nuvens pessoais.

por favor, não tente definir o sentir.
ah quantas violações de cadáver de sonhos para
termos nosso momento inexprimível.
toca um blues na penumbra da madrugada enquanto
movo-me para longe das pontas dos dedos do cume.
sinto os universos quando passeio
pelo teus poros excêntricos.
sinto rajadas de ventos com mil braços
abraçando as meu arquitetônico silencio,
minha pirotecnia de translucidez contínua,
na nevoa que cobre o campo do meu
destino para ele florescer na
hora exato enquanto corro corro corro...

Por favor, não tente definir a eternidade.
ela esta no toque mágico nos lábios de
uma estrela ou em zigue zagues no
tempo espaço de si mesmo.
no sono latente quando imaginamos as asas que já temos,
meu deus, como é delicado o rosto da realidade do sonho,
no alvoroço de crianças com rostos soterrados pela
madrugada só com a companhia de si mesma.
como é frio sentir a brisa do abismo das memórias.
sobe-me a garganta um grito com versos que pesam mais
que intermináveis chuvas de meteoros mas
eles acabam se tornando pequenas luzes no interior dos meus universos.
estamos definitivamente sentindo quando sentimos em poesia.
a vida que as vezes parece um convenção de
lógicas impossíveis torna-se o
espetáculo abstrato da matemática possível,
alcançamos graus medonhos e definhamos para afundar o
chão com o peso dos nossos desejos mútuos



por favor, não tente definir-se
so o que te defini é o indefinível.
nos corações banhados de cometas que
percorrem seus próprios universos sublimes
cavalgando em mares e montanhas vindas além do tempo
no magrittiano súbito atravessar de paredes
como parte irreversível da evolução cósmica
meu átomo com atos perfeitos ao mergulhar
nos líquidos flutuantes dos interiores
em expirais de delírios acima dos zincos das angustias
ele percorre a vida se expandido além dela.
o possível é a alma sentindo
nascemos dentro do oceano por isso
respiramos profundidades poéticas impossíveis
caímos e nos espatifamos mil vezes
por isso estamos pronto para nos arremessar destruindo barreiras
ilusões e fracassos persistiram em
pousar em nossas pálpebras
por isso estamos prontos para andar de mãos
dadas com o que antes era inalcançável.
sonhamos quando a alma sonha.
por favor, não tente definir o sonho muito menos alma
a união dos dois formam definitivamente um ser.






By: João Leno Lima
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PLANFETAGEM SUBLIMINAR

1
11:19

Estamos em Território Inimigo & o Inimigo está em nós. A primeira Grande Batalha contra o Império deve se dar dentro de Nossas Cabeças.


Libertar nossa imaginação. Poderosos Feitiços Publicitários iludem nossos Desejos mais Puros, Belos & Loucos. Mau Olhado Policial que aprisiona nossa Espontaneidade Selvagem. Engodos Geopolíticos, Castração Gramatical contendo nossa linguagem transgressora.


As raízes do Poder Total do Império estão em nossa psique e regem nosso cotidiano.


O Assustador Buraco Negro do Poder que tudo absorve & que tudo subverte & que lucra zilhões com a revolta dos Pobres Formigomens, tristes Ibus declamando discursos libertários para um Céu de Concreto.


Os Protestos & Discursos não devem mais ser Espalhafatosos & Coniventes com a lógica do Espetáculo & da Mídia.


Devem ser em Silêncio & Invisíveis: SUBLIMINARES.


Uma Terrível Conspiração agindo no subconsciente das pessoas.


O Novo Ativismo Global encontra-se num beco sem saída: A "Geração de Seattle" encontra-se presa à sua própria mitologia. Os protestos contra a guerra não deram em nada. Os tanques nas avenidas de Bagdá são um Triste Retrato de uma derrota precoce.


Precisamos de Novas Táticas. Teatro Secreto. Loucos Subversivos agindo na calada da noite. Vândalos & Bárbaros criando Novas Situações que arrebentem as correntes da Realidade Consensual.


Panfletagem Aleatória despertando Estranhos Atratores numa caótica sociedade fragmentada.


"Tornai-vos Invisíveis Nada é Real-----Tudo é Permitido Bárbaros Invisíveis que Nada Respeitam Vândalos que fodem com o Cotidiano (mas que devem, impreterivelmente, Gozar Dentro)"


Comícios em forma de Jogos Secretos. (Experimente fazer um comício em que as pessoas nem desconfiem tratar-se de um comício: PANFLETAGEM SUBLIMINAR)


Terrorismo Postal & Sabotagem Ideológica (Santo Hakim), mas lembre-se que a Segunda Grande Batalha se dá no campo da Semântica Corrompida. Aproveite que o Demônio está embrigado com seu Vinho Do Poder & que os Magos não estão do lado do Império.


Faça seu Ativismo Secreto & suas Loucas Conspirações e no mundo real: seja um Delinquente, Inconsequente & Demente.


Delinquente (por causa do estupro do espaço)----Inconsequente (por causa do estupro do tempo)----Delinquente (por causa do estupro da linguagem).


Panfletagem Subliminar Já.


Fontes : Centro de Mídia Independente (http://www.midiaindependente.org/).

Deliquentes de Curitiba (http://www.delinquente.blogger.com.br/).

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Soneto para Vênus

0
10:59
se me perguntares o que ando fazendo
vou dizer que estou
sentindo a alma da musa
como quem sente o infinito.

que os caminhos dos meus sentidos
giram em torno desse universo
na sublime certeza
de estar percorrendo um sonho

que cada metro quadrado
do meu ser procura ela
como quem procura o ar

e que ao senti-la cintila
em nossas almas chuvas
de estrelas ensopadas de eternidade.









By: João Leno Lima
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Portais magnéticos conectam o Sol e Terra

0
16:47



Durante o tempo que se leva para ler este artigo, algo vai acontecer lá em cima e que até muito recentemente, muitos cientistas não acreditavam. Um portal magnético se abrirá, ligando a Terra ao sol com 93 milhões de milhas de distância. Toneladas de partículas de alto-energia podem fluir pela abertura, antes desta se fechar novamente, até o tempo em que você chegar ao fim desta página.


"Isto é chamado de um evento de transferência de fluxo ou FTE," disse o físico espacial David Sibeck do Centro Espacial de Goddard. "Há dez anos atrás tinha certeza absoluta que eles não existiam, mas agora a evidência é incontestável".


Recentemente, Sibeck esteve num Congresso Internacional de Físicos Espaciais no Seminário de Protoplasma em Huntsville, Alabama, onde foi dito que os FTEs não são comuns, mas possivelmente duas vezes mais comum do que qualquer um tenha imaginado.


Os investigadores sabem há muito tempo que a Terra e Sol deveriam estar conectados. A magnetosfera da Terra, a bolha magnética que cerca nosso planeta, está cheia de partículas do sol que chegam através do vento solar e penetram pelas defesas magnéticas do nosso planeta. Elas entram seguindo as linhas do campo magnético que podem ser traçadas em terra firme para todo o caminho de volta até a atmosfera do sol.


"Nós pensávamos que a conexão era permanente e que o vento solar poderia atingir a qualquer hora o ambiente próximo da terra, já que o vento era ativo," disse Sibeck. "Nós estávamos errados. As conexões não são fixas. Elas são freqüentemente breves, e dinâmicas".


Vários oradores do Seminário esboçaram como se formavam os FTEs: No lado iluminado da Terra, o lado mais próximo ao sol, o campo magnético terrestre aperta o campo magnético do sol. A cada oito minutos, os dois campos se fundem brevemente ou "se reconectam" formando um portal pelo qual as partículas podem fluir.


O portal tem a forma de um cilindro magnético aproximadamente do tamanho da largura da Terra. A frota da Agência Espacial Européia composta por quatro agrupamentos de naves e cinco sondas THEMIS da NASA voaram por estes cilindros medindo as suas dimensões e verificando por onde estas partículas circulam."Elas são reais," disse Sibeck.


O físico espacial Jimmy Raeder da Universidade de New Hampshire apresentou uma simulação
no Seminário. Ele falou para seus colegas que os portais cilíndricos tendem a serem formados sobre o equador da Terra e então rolam sobre o polo de inverno da Terra. Em dezembro, os FTEs rolam em cima do polo norte; e em julho eles rolam em cima do polo sul.....
Há muitas perguntas sem respostas: Por que os Portais se formam a cada 8 minutos? Como os campos magnéticos dentro do cilindro se torcem e rolam?" Estamos fazendo um estudo profundo sobre este tema neste Seminário," disse Sibeck.


Enquanto isso, sobre nossas cabeças, um novo portal está sendo aberto e está conectando a Terra ao Sol
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UNIVERSOEU

0
16:38

tenho atração física
sublime espiritual pelos universos.

pelos tempos que me beijam
com lágrimas metálicas de outros planetas.

pelos oceanos que me abraçam invisível
a olho nu mas não invisíveis aos poros dos olhos da minha alma.

sim, estou condenado, tenho atração liquida e gasosa pelos cometas.

e se eu me desequilibrar na borda de um dialogo espectral com o tempo-espaço?

meu deus! tenho atração tridimensional pelo corpo de uma estrela!

serei refugiado em alguma cratera lunar
longe dos meus amigos feitos de constelações?

sinto uma intimidade obliqua quase
irretocável porem melindrosa e divanica pelos desertos

salivo pelos anjos sem sexo imaginando
suas vaginas feitas de versos perfeitos

estarei consumando meu declínio por olhar assim para os seres da perfeição?

ah sinto atração quântica relativamente eletroabstrata
com impulsos eletros que saem da página
de uma poesia quando observo uma nuvem

esquenta-me por dentro
dos pêlos da minha alma com convulsões vulcânicas
pausadamente quando observo os lábios da musa.

serei posto numa redoma no
centro do mundo por amar silenciosamente o infinito?

minhas mãos gélidas derretem-se em cilindros de úteros
feitos de dilatações de galáxias
quando percorro os corpo das palavras...

estarei desgraçando minhas percepções e
logo meus quatro cantos serão amarrados
pela utopia e chicoteados pela amarga solidão dos poetas?

com que violência!
sinto o cheiro sedutor da aurora
almejando engravidá-la de
sonhos feitos de sois vislumbrantes!



desespero!
sinto uma atração poética com ânsia de
universo e sexo de infinito pela perfeição de uma chuva...

estarei condenado a sensibilidade sublime de todos os sentidos?

a violência da poesia é a liberdade!

devora-me!
estraçalhe-me!
desintegra-me!
alarga-me pelos espaços inteiros!

não basta me sentir!
quero sentir
os universos inteiros!





bY: João Leno Lima
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O Nascimento de uma Poesia

1
09:54



Á Musa de Vênus.

se existe a poesia
ela se formou de todos os universos dela.
se esculpiu nascendo versos para
contemplar e lendo a eternidade.
se existe a poesia
delicados sussurros se abraçaram com a alma dela.
num confim de um final de tarde depois da chuva sublime.
se existe a poesia
anjos percorreram milhões que quilômetros
só para vim contemplá-la.
oh cada sentido meu parte-se
nascendo intensas galáxias
cheias de estrelas vivas querendo gritar-te para
ela poder me ouvir verdadeiramente.
ah se existe poesia
o corpo dela é a tez de um verso.
poetas e ultra-românticos dos espaços mais que distantes
inventam planetas saindo de dentro de nossos
goles de perdição labiríntica.
cada canto das tuas infinitas dimensões
Torna-me onipresente.
tenho sede de beber teu sangue possivelmente
cheio de tintas feitas de nuvens.
se existe poesia ela é a alma dos sonetos.
tenho nas mãos os traços do nome dela
e na minha essência ela
é o sonho que me torna a pagina da poesia.
sua voz fabrica a substancia que gira minha
cabeça para cima do meu céu frágil.
sou o átomo que quer engoli o sol para
iluminar a infinitessimamente existência dela.
meus amigos meu inimigos,
se existe poesia
foi tirado dela as partes mais sensíveis do infinito.
quando mergulho-me num oceano de magnitudes e flutuações
busco a sombra dela para ser minha sombra.
a alma dela me procura como quem procura a si mesma.
campos verdes escuros com luzes saídas
dos vaga-lumes das madrugadas
soluçam; que perdemos mais uma vez as horas.
se existe poesia
saturno se abraçará com Vênus nesse instante
para melhor representar sua impossível possível exuberância.
meu deus, seu rosto tem suaves rimas impossíveis de imitar.
meu deus, nunca criastes lábios
tão próximos do âmago das musas dos poetas
quando naquela manhã inspirada pelo amor à poesia
criastes os inomináveis lábios dela.


se existe a poesia
a presença dela é a presença da estrofe perfeita
numa música inesquecível.
seu confuso medo de se sentir poesia
causa danos nas estrelas
que passam a vagar inquietas pelos espaços.
quando ela evita a vida
evita que a chuva poetize os sentimentos
mais absolutos do ser humano
e evita que os arco-íris
tragam os sorrisos aos corações dos poetas.
quando ela resolve, por vulnerabilidades cotidianas,
apenas permanecer e não ser,
é quando o verso do poeta perde-se fugitivo a si mesmo.
se existe a poesia
tubarões passeiam pelos cometas a procura do oceano sedutor dela.
mãos se tocam provocando ondas sonoras ensurdecedoras de
silencio
grito
sussurro
soluço
gemido
vozes
voz
calar
música
meu coração
para
desaba
desafina
partituras pulsantes
ela é os dedos arquitetônicos do pianista
e minha alma são as teclas feitas dos poros dela.
fragmento-me
contornos
buracos negros de saudade sugando a luz da minha razão
via lácteas de sensações
qual o mais profundo desejo da poesia?
paro, guardo o abismo nas mãos e olho a madrugada,
as noites parecem regiões desérticas no meio do mundo.
nos passos dos meus olhos na praça
vi a criança lagrimar a solidão de si mesma
e despencar no chão onde meu rosto já estava
para fazer companhia e pensei
que a voz dela poderia me acalmar naquela hora.
se existe a poesia
a voz dela é a declaração do verso mais desejado.
trompetes e crepúsculos na mesma melodia.
se existe a poesia
meu coração desajustado
é o vento revoltoso que se espalha por todos os lados
só para poder senti-la em todas as direções
joguei fora os cadeados do meu precipício intimo.
passei a ouvir a pulsação dela que é a mesma das estrelas.
e corremos na corda bamba dos nossos corações absolutos

AO PÉ DO OUVIDO

mundos se entrelaçam em goles de violinos.
cometas vêem para contemplar os crepúsculos dos nossos sentidos.
tenho a leve ilusão de estar o tempo todo em mim.
assim como Werther; se não puder te-la aqui
será na outra vida.
Van Gogh diria que não é loucura amar.
deixemos para depois a deseternidade e
abracemos cada membro desse mar.
cada grão de areia no litoral da minha alma
deseja seu passos intermináveis rumo ao absoluto.
cravo como tatuagem os versos mais
inesgotáveis na sensível pele dessa poesia.
às vezes ouço seu chamado
como ondas sedutoras no mar distante...
às vezes almejo tanto a presença que
a ausência se esculpi verdadeiramente
nascendo o delírio e o sorriso.
as vezes ouço sua voz mesmo ela
estando do outro lado do mundo,
como se fosse a voz universal do meu ser.
as vezes ouço seus passos,
mesmo se eles caminhando na lua
eu ouço como quem ouve o movimento das galáxias.
és tu minha via Láctea?
és tu que fazes eu me sentir
um dos anéis de saturno?
és tu que dize-me segredos que
só os deuses são capazes de desvendar num
esforço tremendo de traduzir um livro de flutuações?
és tu que me dizes "minha alma esta aí contigo"?
ah se a alma se transformasse num coração ele
seria o meu nesse momento.
és quem o clamor cintila no silencio?
és quem o grito se transformou em
asas nascendo assim o desejo de ir além de todos os poetas?

JOAO LENO LIMA ESTA CONVERSANDO COM DEUSES DA POESIA.

Fernando pessoa diz "afinal, para viajar basta sentir".
Maiakovski diz "Amo firme, fiel e verdadeiramente"
Allan Ginsberg diz "o peso do mundo é o amor"
Murilo Mendes diz "quero escrever a biografia de cada atomo do seu corpo"
Olavo Bilac diz "amai para entendê-las"
Walt Whitman diz "Contradigo a mim mesmo porque sou vasto"
Rimburd diz "que venha que venha o tempo de amar"
...
NASCE UMA POESIA

se existe a poesia
ela se formou de todos os
universos inteiros completos e absolutos
imensuráveis e minúsculos
gritantes e ensurdecedoramente silenciosos
multidões de homens e mulheres
crianças anjos e anjos crianças
deus e legiões de bondade
poetas e amantes da poesia
todos e ninguém
nascidos desnascidos e ainda não nascidos
versos escritos e outros ainda serão escritos
musicas inspiradas
e músicas que ainda nem foram compostas
tocadores de flautas mágicas e
pintores de todas as épocas
de Homero a Antonio Marcelo
de Mozart a Thomas Edward Yorke
da primeira mulher a ela...
essa poesia
eu a sinto
inegavelmente
na eternidade
da aternidade
de amar.
















João Leno Lima
29 de Outubro de 2008.
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A Música das Estrelas

1
07:36

Cientistas gravaram o som de três estrelas semelhantes ao Sol usando o telescópio francês Corot. Segundo os pesquisadores, a gravação dos sons permitiu que se conseguisse captar pela primeira vez informações sobre processos que acontecem dentro das estrelas.


Os sons captados pelos cientistas revelam que as estrelas têm uma "pulsação" regular. Também é possível perceber que o som de cada uma das estrelas é levemente diferente das demais. Isso acontece porque o som das estrelas depende da idade, tamanho e composição química de cada um dos astros. A técnica de sismologia estelar, usada pelos cientistas nesta pesquisa, está tornando-se mais comum entre astrônomos, porque o som permite que se tenha uma idéia das atividades dentro das estrelas.


De acordo com o professor Eric Michel, do Observatório de Paris, a técnica já permitiu que pesquisadores tenham mais conhecimento sobre as estrelas.


"Esta é uma forma completamente nova de se olhar para as estrelas comparado com o que estava disponível nos últimos 50 anos. É muito animador", diz Michel.
O professor descobriu que a pulsação das estrelas é muito parecida com o que os cientistas imaginavam, mas há uma pequena variação. Essa variação pode indicar que os astrônomos ainda precisam refinar suas teorias sobre evolução estelar.


Os pesquisadores publicaram os resultados da pesquisa na revista científica Science. O professor Ian Roxburgh, do Queen Mary College de Londres, muitos cientistas estão tentando aperfeiçoar a técnica.


"Não é fácil. É como ouvir o som de um instrumento musical e depois tentar reconstruir a forma do instrumento", diz.
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5

5
13:17
Quadro de Van Gogh


Ao me reconciliar com os universos eu alcanço-me.
olhares calmos mesmo no escuro
entregam-se ao absoluto sussurro.
sobrevôo os firmamentos
as esferas
os hemisférios
os quatro cantos dos cinco sentidos
e laço-me pelos campos vangohganos
como nuvens sopradas pelos deuses
para entrelaçar nossos olhos com o sublime.
com tua voz eu espero asas.
me transformo em cometa ao atingir o tempo-espaço,
o átomo que percorre os mundos para se unir a novas existências,
a matemática do invisível visível no sentir,
a música que se constrói e se desfaz
os satélites de saturnos me abraçando,
pequenos poentes brotam nas minhas mãos,
observo as nuvens para encontrar tua forma magistral.
o verme do medo devora a sombra do meu passado,
no império dos meus sentidos
decreto a infinitude do sonho,
Van Gogh e Magritte te esculpiram na minha alma possível,
blues e vinhos sentados na montanha flutuante,
nos campos verdes
almas vestidas de nuvens dançam nos nossos sentidos,
quantos sentidos são possíveis num sonho impossível?
não existe sonho impossível
existe a força na natureza do sentir...
sinto...
Chat Baker tocando nos anos luz das minhas memórias,
sinto o vento do tempo-espaço,
canto-me além de mim,
dou contornos no meu mundo,
voltas e voltas no mar das sensações,
antídoto feito de versos perfeitos,
não, não quero fugir dos universos,
não quero definhar perto da porta irreal,
sim, esse poema lança-se
buscando universos inteiros dentro e fora de mim
sim, na melancólica meia luz das noites solitárias
minha alma brilha para iluminar novos versos sendo escritos,
a profundidade de um verso é mesma de um sonho,
a profundidade do sonho é a mesma da alma,
a profundidade da alma é a mesma de uma poesia,
e a profundidade da poesia é cada um nós
e despenco para cima rumo ao sublime...
ah...reconciliando-me com todos os universos



bY: João Leno Lima

24 de Outubro de 2008
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Os Amantes

4
11:47

Quadro "Os Amantes" do mestre Magritte.


Já sinto a eternidade.
antes vácuo antes vazio
agora partículas de imensidões
causam estrondos de ondas no oceano invisível,
e o que era antes de invisível
agora é visível pelos olhos da minha alma.
sim, já sinto a eternidade.
curo minha dor percorrendo os universos dos meus sonhos.
lavo-me na fonte das nossas memórias mais sublimes,
tento domar minha sede indomável
no mar de todas as poesias,
indivisíveis cometas desbravando poentes estelares
e nuvens cinza sobrevoando densas camadas de medo e solidão,
e se não percebemos quando o impossível se torna possível
pelo simples fato de já acreditrar-mos mais?.
fundo-me em mergulhos
no gelado campo devastado lacrimejantemente
como os violinos tocando por anjos solitários num confim sem sonho,
recupero-me sendo abismo no próprio abismo,
saio de mãos dadas com a força de mil sentidos
e entrego-me a saturno e outro lugares comuns a minha alma,
ouço a voz delicada sussurrando a si mesmo como se fosse ela toda,
na praça antes deserta agora magistral
vejo meu sonho engolir os gigantes sem poesia
com a poesia de si mesma,
sucumbo as vezes mas todos sucumbem as vezes
e isso faz parte da pintura do sentir,
nossa música espectral toca nos ouvidos de deus,
preciso da inesgotalidade do mundo,
e o mundo quer devorar minha inesgotabilidade,
como o jóquei perdido no mundo estranho a si
eu fragmento-me em feixes de luz sobre os hemisférios do absoluto,
flores com formas de estradas para serem percorridas,
ventos feitos de braços estendidos para serem abraçados,
pianos que se desdobram enroscando no corpo como som de água pura,
vozes como arco-íris para fazer-se perceber ao longe,
vinis de delirios e fotografia do futuro,
acalmo teu corpo no suave escuro esconderijo onde brilha nossas almas,
Digo-te não palavras mas sim versos,
dize-me, não respostas, mas pequenos livros de cabeceira
para meu infinito onde leio e releio enquanto cruzo galáxias,
tudo isso na verdade
é por que eu...
já sinto a eternidade.


*O Titulo também é uma Referência ao Quadro
“Os Amantes” de René Magritte.
Poema de João Leno Lima
Em 17 de Outubro de 2008
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A Infinita Asa do Infinito

2
15:07

imagem do Quadro de Rene Magritte.



A solidão quer arrancar uma das asas da minha alma.
Anjos devoradores de silêncios mútuos,
baixem sobre mim
Tua chuva de calmarias vespertinas!
Qual a chave que abre a porta para fora do abismo do pesadelo?
Tua estranha presença vinda do âmago do sonho me Liberta,
Quero me exilar na tua eternidade.
Lançarei-me para teu longe mais próximo,
Mais do que a solidão dos náufragos
Ou a solidão da mãe ao perder seu filho,
A minha solidão é a solidão de uma
Nuvem que se perdeu do rebanho,
Mas ainda flutua...
Ainda desejo encontrar o absoluto.
Por favor, Deus, abra essa porta,
Quero jogar para fora Essas Memórias
Para ter mais espaço aqui dentro para novas
Memórias magníficas e inesgotáveis!
Estou ansioso pelo gole do sonho voador
Como recompensa para a Alma.
Apavora-me pensar no teu desaparecimento,
Apavora-me menos pensar no meu.
A eternidade é uma poesia com versos que jamais se repetem
Sempre novos, novos sentir;
Saídos dos sentidos que ainda nem alcançamos por Completo,
Deuses e sonhos!
Fazem com que eu não me esqueça que
Também sou infinito.
Longas esperas vulneráveis,
Fantasmas discretos trazendo suaves vertigens,
Paredes de concreto de medo e fracasso definhando,
O esquecimento da dor é um anjo de morte que me traz vida,
Jovens e alucinados, sou escravo da liberdade das poesias!
Van Gogh pousou na minha orelha
E disse-me meu novo poema, sentir...
Trazendo-me de volta
Meu rosto roça o teu rosto como se estivesse tocando um violino,
Só ha ilusão quando o sonho não é sentido
Como se fosse matéria viva interminável.
E quando ao mergulhar num sonho perdemos o ar
E nos sentimentos sufocados,
Devemos então começa a respirar sentimentos.
Às vezes minha alma visita os litorais distantes de algum mar
Vou com ela, mais do que uma obrigação,
É a força da minha natureza seguir a alma.
Ah Álvaro de campos, antes do ópio;
Beba o infinito da sua própria alma
Com a força da certeza do sentir.
Estou em paz com os crepúsculos
E preciso escrever uma musica para a aurora.
Depois de chuva e antes da chuva
Nossos pensamentos se encontraram num arco-íris.
Cada segundo é uma letra no alfabeto da nossa infinitude.
Como um poeta em estado de transcendência irremediável;
Quando estou perto de ti, estou perto de mim mesmo em absoluto.
Só o absoluto compreende os caminhos que quero traçar.
E mesmo que a solidão tente arrancar as asas da minha alma,
Eu renascerei sempre quando alguém em algum lugar do universo
Estiver... Sonhando.



By João Leno Lima
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Um unico todos os universos

2
13:25


no oceano de mim mais profundamente distante
rastros de infinitos deixam marcas no tempo,
as melodias suaves melodias
indivisíveis embalam novas auroras,
e eu, antes alma errática sobrevivente ao
vazio gole de mim e do mundo,
agora, erradio inesgotáveis sóis sobre meus
universos exuberantes,
mesmo que a historia se
repetir e eu cair
espatifando-me no abstrato chão do abismo,
minha alma ficará intacta como o vento mais perfeito,
quantos universos ainda precisarei
conhecer ate conhece-me
completamente?,
vago entre intermediarias
confusões desangustiadoras
e entulhos de muros
derrubados pela minha translucidez contínua
com a sanidade das galáxias,
estamos em todas as
dimensões ao mesmo tempo
sendo nossas almas uma, onde estrelas infinitas
giram em torno de nós
e na ausência da lógica do futuro viajamos
como cometas desbravando o espaço desconhecido,
o que será de nós se confunde
com o nascimento de uma
estrela que poderá ser
engolida por um buraco
negro ou pode se tornar o
centro de luz do magnetismo
do tempo-espaço mais inesgotáveis,
não mais um solitário oceano,
não mais um crepuscular deserto,
não mais a voz rouca de um
poente dissonante,
não mais céu sem nuvens
e auroras sem corações pulsantes,
não mais o rumo natural de precipício,
não mais nao-eu e ninguém,
atravessando os mares, Lisboa,
campos abertos nos paises baixos,
luzes vermelhas no oriente
penetrando nas densas
camadas geladas,
pelas desolações dos povos abandonados
pela respiração ofegante do nascimento de um novo ser,
pousando nas pálpebras
de um inocente pairando na
noite sem eco, pelas ruas
oblíquos às memórias,
pelos beijos roubados da noite,
pelo vento trazendo as mãos
pra perto da outra, por
nossas asas que tem o
tamanho dos universos,
nós, o poema e a poesia
unindo-se na perfeição do
sonho, nós, auroras e crepúsculos na mesma música,
gritos engolidos por silêncios esplendidos,
profundezas absolutas como pegadas visíveis,
chuvas saídas primeiro de nossos pensamentos,
luas que brotam nas mãos leves,
ventos como personagem de um quadro perfeito.



By João Leno Lima
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A Estrela da Manhã

0
11:20


Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu

ia nua Desapareceu com quem?

Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo Que me importa?

Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida Ladrão,

pulha, falsário Virgem mal-sexuada

Atribuladora dos aflitos Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigoTe esperarei com mafuás novenas cavalhadas

comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte

Pura ou degradada

até a última baixeza

eu quero a estrela da manhã!!!



By Manual Bandeira
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Profundezas

2
08:57

estou em todos os oceanos mais profundos,
nadando em correntezas revoltosas rumo ao sublime,
navegando em estradas ensopadas
de memórias dilaceradas por medo e sonhos,
o sonho nadando comigo
é a representação suprema dessa realidade,
versos-peixe trafegando em meios a encontros com o destino,
instantes saindo de pequenas crateras
e becos escuros onde também reside lagrimas
em tom claro-escuro,
meu corpo é a matéria oceânica
onde sussurros brotam para atrair algas soluçantes,
desço mais perto de mim mesmo,
adormeço perto dos dentes
feito cravos transcendentais dos tubarões
e acordo em meio a gemido uivante das baleias
que pretendem alcançar a lua mais uma vez,
vozes distantes vindos das mais distantes
profundezas oceânicas dos universos
Carregam-me nos braços
como a mãe que carrega seu bebe
ate as portas no seu oceano intimo
e vou com elas para as mais perfeitas eternidades
sabendo que o oceano é uma parte da minha alma
assim como as nuvens
e os universos inteiros
e que meu ser quebra-se como uma onda
no infinito ao alcançá-lo
e sabendo que meus sonhos jamais naufragam
assim como os oceanos que não se esgotam
nem as nuvem deixam de sobrevoá-los
eu sobrevôo a mim mesmo
como toda a profundidade dos sentidos
sim, sou todos os oceanos que sonho.



By João Leno Lima
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A Natureza Intima Absoluta

2
08:18





Quero todos os universos ao mesmo tempo.
cada gota da chuva e canto do mundo,
fragmentos do espaço interior de cada ser
e restos de delírios de cada sonho,
na verdade quero cada sonho
e mergulhar minha alma
num estado transcendente
entre a nuvem e o cosmo absoluto.
quero todos os universos ao mesmo tempo,
transformar tua sombra
num bom ambiente pra leituras magníficas
e teu lábios num pequeno tesouro
com anéis de saturno em volta,
quero embarcar numa paixão inevitável
e sucumbir só quando o sol estiver sucumbindo
lá nos tempos remotos quando serei de outro mundo,
quero correr pelos poentes
a procura do melhor angulo de visão do horizonte
quero segurar nos braços do futuro
e não mais nas pontas dos dedos,
o espaço irreparável onde dois seres se cruzam
formando ecos tempestuosos, mas que jamais cessam
a chama secreta da memória viva.
preciso reencarnar dentro dos meus próprios sonhos
e ter a chance de ser todos
e ninguém ao mesmo tempo mais ume vez,
como o deserto jamais
deserto para si mesmo por ser seu todo,
como a lua inexplivacelmente radiante num céu intimo,
quero todos os universos ao mesmo tempo,
na profunda profanação da escuridão,
desdenhando espíritos mutilados por si mesmo;
que pretendem mutilar o organismo da minha liberdade,
capsular meu olhos e deixá-los turvos,
estou pronto para ser absudizo pelo útero dos deuses,
sou a esperança feita meteria,
sou aquela criança que se viu adulta
e chorou nos colos do crepúsculo
e recebeu seus conselhos que alegraram a aurora,
ah quero todos os universos ao mesmo tempo,
nenhuma fagulha de nada e vazio me engoli
por que estou dentro das profundezas
das mais âmagas das distancias intimas,
pretendo ser oceano
logo em seguida de ser um buraco negro reverso
que irradiará luz
para os cantos mais nebulosos das almas,
cada lágrima me cobrirá com seu manto celeste
vindo do silencio de um instante sublime
onde perceberei a beleza que há em viver,
no alvoroço das ruas perceberei de longe
as caricias dos sonhos sendo consumados
para dá lugar a outros sonhos,
abismos e precipícios sempre existirão
mas eu quero todos os infinitos ao mesmo tempo.


By João Leno Lima

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Motion Picture Soundtrack

1
10:06
Vinho tinto e pílulas para dormir
Me ajudam a voltar pros seus braços
Sexo barato e filmes tristes
Me ajudam a voltar pra onde eu comecei

Eu acho que você é louco, talvez
Eu acho que você é louco, talvez

Pare de mandar cartas
Cartas sempre acabam queimadas
Não é como nos filmes
Eles nos alimentam com mentiras brancas

Eu acho que você é louco, talvez
Eu acho que você é louco, talvez


Eu verei você na próxima vida


By: Thom Yorke
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A INFINITA ORELHA DE VAN GOGH

3
19:01
Quadro de Vincent Van Gogh



Na solidão eu não encontro silencio.
Ela é como um grito
Feito numa pintura intima e recipocra
Onde pequenas crianças dançam com as nuvens,
Estou girando em partes desesticuladas
Uns véus de pensamentos tempestuosos rodeiam,
O equilíbrio é um pedaço de poema escondido de mim,
Ponho as mãos na cabeça para sentir o calor da alma,
Ha uma chuva lá fora que me persegue,
Estou calmo como os trovoes inalcançáveis,
Penso naquele olhar
Como o nascimento de um oceano sublime,
Passeio com asas pelas ruas,
Logo estou sem elas flutuando,
Meu coração é um descompasso sinfônico
Na aurora da hora exata desse poema,
Meus pensamentos são longas peças teatrais no crepúsculo,
Onde desejei vencer o medo do fracasso
Segurando nas mãos do sentir,
Não ha verdade absoluta no poema, há verdade intima,
Sinto o cansaço das relações supremas comigo mesmo,
Sinto a febre da impaciência transcendente,
Sinto a gota de água como se fosse uma represa indomável,
Disseram-me que a alma esta onde o pensamento esta,
Pois estou dentro de mim agora,
Quero beber da minha própria alma
E dá vida a vida que vem fora de mim,
As pequenas conversações
Entrelaçadas no alvoroço das ruas revelam-me o segredo:
Que faço parte das constelações.
Cada visita ao irreparável lago das almas de cores diversas
Eu toco nos rostos do ser real, a natureza,
Será que o homem deveria conhecer a si mesmo antes de amar?
Um pedaço da minha alma quer te mover pelos universos inteiros
A outra quer te acompanhar, como posso?
Quero engolir os meteoros e me tornar um viajante dos sentidos,
Quero ser levado pelas nuvens e depois fazer parte da chuva
Que se tornará o cenário para o baile do tempo
E dos amantes invisíveis
Ou inspiração para os poetas ensopados de si mesmos,
Como posso descrever num poema a mim mesmo
Sendo a existência o inicio de tudo?
Olho para fora e não ha mais chuva, mas ainda a ouço,
Ainda a gesticulo em meus versos revoltosos,
Ainda corto a orelha desse poema
Como quem quer expulsar de si
Uma infinitude se não-sensaçoes,
Talvez tenha chegado a hora de mergulhar em todos os mundos,
Todas as formas de vida,
Todos os atos de amor supremo,
Sujos e cristalinos
Eterno e limitados
Leis da razão e da abstração,
Minha alma gira-me por dentro
E faz-me olhar o horizonte a cada dia
E descobrir um poema em cada canto dos quatro cantos,
Então Fundo novo cidades,
Busco novas estrelas e guardo-as por alguns segundos
E depois as solto para iluminar novos caminhos do mundo,
Não há nada mais doloroso do que não sentir nada,
Então não sinto a dor suprema
Por que eu sinto tudo inesgotavelmente,
Como um sol eu procuro todos os cantos possíveis
E penetro em todas as direções dos meus sentidos
Mesmo contra as fortes nuvens negras da tristeza e melancolia,
Praticar o maior golpe contra si mesmo e não permitir-se sentir
É estar oco perante o todo
É mergulhar num mar e sobreviver
Mas não aceitar a própria sobrevivência
E agir como se a vida fosse
Um lugar indesejável e impossível de viver,
O impossível me atrai como um quadro
Que não consigo pintar mesmo se pudesse,
O impossível é uma poesia que não precisa ser escrita
E sim sentida para poder escrever suas sensações e não explica-las,
O maior gesto é o gesto do sonho
Que faz o outro sonhar e da música aos sentidos,
Longe do sonho o homem se afasta dele mesmo
Para só trabalhar sem sentido,
Para só observar a existência passando
Na sua janela intima impressionista,
O ser sem o sonho não é uma poesia
É um objeto que cumpre com honra seu dever,
O ser, com sonho, alem de cumprir seu dever;
Cumpre o seu dever para com sua alma,
O de sonhar e sentir o sonho da poesia.




By: João Leno Lima
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Deuses Astronautas

1
04:39

Descrições dos antigos vindas do espaço

As marcas e imagens gravadas na pedra, de grande antiguidade, são indícios importantes. Mais importante ainda é o testemunho dos homens de um passado não tão remoto: desenhos e relatos escritos do surgimento de estranhos aparelhos no céu e dos seres que deles desembarcavam. Existem milhares de referências assim: clipei ardentis (escudos redondos brilhantes) eram fenômeno freqüente nos céus da Roma antiga. Registra-se uma observação no ano 77 de nossa era, e outra de "um disco acompanhado de reflexos de luz", avistado no ano 60 a.C.. Plínio, o Velho, Sêneca e Tito Lívio falam deles, qualificando-os como "prodígios do céu". Muito mais antigas são as passagens de certos livros hindus, como o Ramayana e o Mahabarata. Ali está escrito como os indianos, há milhares de anos, sabiam construir máquinas aéreas chamadas vimanas capazes de elevarem-se "esplendorosamente no céu", e como haviam aprendido essas coisas "dos deuses vindos do céu em veículos mais poderosos".


É por exemplo o caso do Samarangana Sutradhara, documento que os antigos indianos classificam como "manusa", ou seja, "estritamente verídico", e que diz textualmente:
"Por meio dessas máquinas os seres humanos podem viajar ao céu e os seres celestes podem descer a Terra".


Em outras palavras, os antigos indianos estavam acostumados a visitantes vindos do espaço, tanto que a isso faziam referências em seus escritos, não escondendo que com eles haviam aprendido muitas coisas.


Noutro ponto da mesma obra afirma sem a menor hesitação "que alguns vimanas fechados podiam subir às regiões solares (surymandala) e até as regiões estelares (naksatramandala)", o que se pressupõe habilidade e meios para vôos no espaço, conhecimento naturalmente ensinado por seres acostumados a fazê-lo.


As Estâncias de Dizan são uma velha compilação de antiqüíssimas lendas orientas, conservadas pela tradição oral até que surgiu a escrita. O livro foi escrito há pelo menos 3000 anos atrás, mas alguns estudiosos julgam que alguns dos fatos nele descritos remontam há até 10.000 anos. Seja como for, existe neste livro uma passagem impressionante que relata, com riqueza de detalhes, a vinda à Terra de homens do espaço:
"… Um grupo de entes celestes veio à Terra muitos milhares de anos atrás num barco de metal que antes de pousar circulou a Terra várias vezes. Estes seres estabeleceram-se aqui e eram reverenciados pelos homens entre os quais viviam. Com o tempo, porém, surgiram rixas entre eles, e um determinado grupo separou-se, indo-se instalar em outra cidade, levando consigo suas mulheres e seus filhos.


"A separação não trouxe a paz e sua ira chegou a tal ponto que um dia o governante da cidade original tomou consigo um grupo de homens e viajando num esplendoroso barco aéreo de metal voaram para a cidade do inimigo. Ainda a grande distância lançaram contra ela um dardo flamejante que voava com o rugido de um trovão. Quando ele atingiu a cidade inimiga destruiu-a numa imensa bola de fogo, que se elevou ao céu, quase até as estrelas. Todos os que estavam na cidade pereceram horrivelmente queimados. Os que estavam fora da cidade, mas nas suas proximidades, morreram também. Os que olharam para a bola de fogo ficaram cegos para sempre. Aqueles que mais tarde entraram a pé na cidade adoeceram e morreram. Até a poeira que cobria a cidade ficou envenenada, assim como o rio que passava por ela. Ninguém mais voltou a se aventurar lá e seus escombros acabaram sendo destruídos pelo tempo e esquecidos pelos homens.


"Vendo o que tinha feito contra sua própria gente, o chefe retirou-se para seu palácio, recusando-se receber quem quer que fosse. Dias depois reuniu os homens que ainda lhe sobravam, suas mulheres e filhos, e embarcaram todos nos navios aéreos. Um a um, afastaram-se da Terra para não mais voltar…"


Numa simples descrição encontramos referência a vôo orbital, descida de seres do espaço, mísseis dirigidos, explosões nucleares e contaminação radioativa. Nada de novo sobre a Terra…
Aleksadr Kasantsev, cientista russo, escritor e arqueólogo, revela que foram encontrados no deserto de Gobi os esqueletos de um bisonte e de um hominídeo tipo Neandertal, próximos um do outro. Ambos tinham o crânio perfurado por projéteis de alta velocidade, a julgar pelos orifícios perfeitos neles encontrados. Há 50 mil anos atrás alguém esteve ali, armado com um tipo avançado de arma de fogo, e os matou. O exame dos ossos confirma que morreram na mesma época. E quando isso se deu, não existia ainda a civilização atlante, nem a indiana.




Fonte: CUB
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8 e Meio de Federico Fellini

0
23:53
* O MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS*

Oito e Meio contém todos os filmes feitos e anuncia os futuros, aqueles em que Fellini adquire definitivamente sua personalidade cinematográfica, aquele misto de fantasia, de reminiscências autobiográficas e de observação da sociedade italiana. É ao mesmo tempo o filme da cristalização e da ruptura: ruptura com a herança neo-realista e cristalização de um estilo próprio.
Quando da sua saída, Oito e Meio desconcertou a todos. A complexidade da estrutura, melhor, da relação do filme com a sua própria realidade a espelhar a realidade do seu criador, era novidade no cinema. Um filme narrado numa flexão ambígua que se situaria entre a primeira e a terceira pessoa do singular. Não realmente o "eu" de uma biografia, tampouco o "ele" de uma ficção.
Ainda hoje, trata-se de um objeto sui generis.Autobiográfico: Fellini conta a história de Guido, cineasta em crise, em meio às suas lembranças de infância, sua relação com as mulheres e a religião.Fantástico: sonho e realidade se entrelaçam, os cenários apresentam-se banhados em luz, em meio às sombras ou envoltos em névoa, os personagens que habitam a fantasia e a memória de Guido misturam-se aos personagens "reais".Auto-referente: há um filme a ser feito e Oito e meio constrói-se a partir dessa necessidade, encerrando-se quando, por fim, Guido encontra a resposta para a sua angústia.
Talvez essa ambiguidade da narração ("eu" ou "ele"?) possa ser comparada a outra forma de cinema, a projeção do inconsciente. Oito e Meio começa com um sonho. No sonho, ensina a psicanálise, muitas vezes o "eu", multiplica-se, espelha-se no "ele". Depois, o filme volta a uma estrutura mais coerente, realista, condizente com uma descrição da realidade. Mas trata-se de uma coerência relativa. As situações muitas vezes são verossímeis, porém não são "razoáveis". Há uma confusão constante, um entrar e sair incessante, em meio a imagens quase oníricas, como as sequências nas termas. A isso misturam-se as lembranças de Guido e suas fantasias, numa espécie de devaneio, de sonhar acordado. Ou seja, Oito e Meio começa com um sonho e continua como um sonho.
É nessa relação subjetiva ao eu – lembranças, fantasias, culpas, angústias – que o filme se constrói e fascina. Ao dar de certa forma voz ao inconsciente, o filme de Fellini vem carregado de uma incrível força criativa, de uma energia vital que o perpassa. O que poderia ter sido apenas um vaidoso ego-trip é um dos mais belos filmes sobre a angústia do criador, a difícil relação entre o artista e a sua arte. Para retomar uma frase de Raymond Bellour: "Oito e Meio está entre os filmes que permitem saber melhor o que é o cinema, portanto, o que é uma obra de arte e o homem que a cria".
Oito e Meio é pura lição de cinema, como Um Corpo que Cai de Hitchcock ou Terra em Transe de Glauber Rocha. A forma que Fellini dá a essa voz do inconsciente é o que faz o filme erguer-se acima de uma simples historieta. No trabalho da imagem, na beleza de um preto e branco levado ao limite de suas possibilidades expressivas e no uso dos movimentos de câmera. No trabalho sutil do som. Este filme demonstra todo o potencial expressivo do uso da dublagem. Técnica sistematicamente utilizada pela escola italiana, a dublagem sempre foi criticada pela artificialidade dos sons obtidos em estúdio, pela impostação das falas, etc. Aqui, é justamente essa falta de realismo que Fellini explora para dar tessitura onírica ao filme. As vozes parecem sussurradas ao ouvido, há uma curiosa distância entre a voz e o corpo que supostamente a emite. A proximidade da voz, principalmente a de Mastroianni/Guido/Fellini, é talvez o principal veículo para entrar nessa impressão de total subjetividade, de devaneio pessoal ao qual o espectador se identifica.
O filme que Guido quer realizar não acontece, porém vai se desenhando aos olhos do espectador uma espécie de auto-retrato cubista, cada faceta abordando um ângulo diferente da personalidade de Guido/Fellini. E o filme de Fellini, este sim, vai nascendo assim, se construindo aos poucos nessas facetas, de maneira lúdica, livre. Há um tremendo risco nessa tentativa retratar um filme se fazendo. É um caminhar na corda bamba, a qualquer momento pode-se perder o fio, a tensão, o propósito, a coesão e em vez de um retrato obter uma colcha de retalhos. Oito e Meio consegue chegar até o outro lado do abismo, e saímos do filme cheios de entusiasmo, esse mesmo entusiasmo que Guido reencontra, pois fizemos parte da travessia.



Por: Carim Azeddine



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ABISMO E INQUIETAÇÃO

1
18:41

Na poesia, o sonho corre desenfreiado além de mim,

véus e curvas rondam as rodas do infinito,

qualquer lágrima é transformada num coliseu revisitado

num ritual solitario,

o mundo é uma cinematografia asimetrica,

seus personagens sao gotas banhadas no vulcao do tempo,

no campo de batalha dos meus pensamentos,

eu morro inumeras vezes antes de voltar para casa,

no teatro mais sincero da minha percepção

eu procuro-me como o personagem invisivel

que recusa-se a entrar em cena,

nao é justo recolher-me toda a vez que vejo uma faisca de fracasso,

sou um acrobata que faz celebraçoes num abismo esquizofrenico,

minha memoria é uma fotografia em preto em branco,

minhas maõs covardas se entrelaçam numa nuvem de horizontes,

meurs amores no fundo,

sao apenas paisagens de um universo inalcançavel,

no sonho, a poesia corre se esculpindo alem de mim,

traçando meu caminho paralelo aos oceanos,

qualquer duvida, sou aquele que fugiu num cometa de desolaçoes

mas que voltará em breve,

aos maoes tocam os rostos como se fossem outras maos,

no delirio de uma dor intranspasavel febre a retina,

no teatro magico de uma rua;

olhares viram bocas mstigando minha alma,

chego cuspido no embiente de trabalho

e ainda resta-me o abrigo das obriagaçoes inviolaveis,

no fundo todos nós somos versos,

no fundo a maior mentira é quando nao ha poesia,

no fundo nao é preciso fugir da solidao,

ela te abandona quanto tu nao queres mais te abandonar,

no final do dia fecha-se as cortinas e abre--se o crepusculo

e desse movimento nasce eu

depois de ser a sombra do dia,

na noite vasculho fronteiras,

esse poema escrito na hora horizontal do dia...

é apenas um abismo, uma inquietação,

apenas uma inquietação,

um abismo,

um abismo inquietante

uma inquietaçao abismal,

uma abismo de inquietação

ou uma inquietação de abismo?
By: João Leno Lima
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SEPARAÇÃO MOLECULAR

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18:01
Quando as luzes do sonho se apagaram como uma paixão inicialmente muda, como quando atravesso o caminho obscuro de mim mesma e encontro com as mágoas infantis coaguladas dispersas em nós subterrâneos com dimensões crepusculares e nunca consoláveis...
Perdi o mundo como a vida perde a inocência e anoitece deixando tudo irrecuperável e a existência com a boca cheia de cacos e restos de cotidiano que sabem seu destino em um horizonte sempre entardecendo na goela mágica e multicolorida que se contrai como quem fundamenta o suicídio.
O poema se perdeu nos labirintos da hora e nas palavras que se repetem e no dejavú da página em branco esperando ser fecundada como uma desconhecida que supera a si mesma e está esgotada de se percorrer e perder a força, perder o sentido, perder-se em seu próprio vazio... É quando a sensibilidade dá os braços ao desequilíbrio fragilizada por ter envelhecido anos luz além de suas possibilidades que acima de qualquer coisa não se sente, não se fere nem se afaga apenas vagueia no mar impenetrável da consciência cardíaca de alguém que percebeu a si e não contava com a angústia desproporcional ao seu corpo.
Neste momento, até a dor se perde e os instantes não se descuidam de coisa alguma e suponho que perdi teu afeto também, mas o acaso me entrega boletins que matematicamente apostam na manhã completamente subjetiva e fisicamente os olhos abrem a biologia desperta os membros rastejam fora da cama cruel da madrugada a luz do imprevisível alimenta os olhos da alma antes de maltratar, antes de mostrar o inevitável, antes de assustar, antes de deixar tudo só, tudo inalcançável dentro de si e além como as nuvens que não tocam o oceano, mas estão sempre pertos em paralelas tempestuosas até se desfazerem em partículas inimagináveis no infinito.
O distante da mente espera o sol, espera ser soterrado de luz e calor todos os dias, as cartas esperam respostas, a sensação acontece horizontal e não se pode querer mais do Universo do que sentir, a intensidade é o abismo de ambos.
O sonho é toda realidade, um pensamento que se alarga iluminado e também se perde, um poema interminável que tece sua teia com fios imaginários e pontos possíveis por todo o tempo, mas este sonho jamais cruzaria as pontas aéreas da dor real, não há coexistência para estes mundos. O sonho espera terminar entre anjos e eternidade, espera nascer depois que a dor termina ou depois que todos se descuidam e o sentido se desfaz dentro de sua própria estética, depois do palácio das palavras não ditas, abaixo de cada inalcançável particular, do lado esquerdo da minha alma, dentro do furacão das horas, em cada molécula da vontade, acima da repetição dos pensamentos, por entre as pernas impossíveis do absoluto e desde o primeiro poema imaginadoejaculado dos confins obscuros de alguma alma atormentada que também se perdeu antes destes versos.
Em que fração de segundo as mãos da infância se desprendem da ternura e se abandonam na selva insensível das previsibilidades? Quando o silencio chega ao litoral inabalável do coração? O amanhã sabe das portas inacessíveis que deve arrombar para poder escapar de seus fantasmas aniquiladores com chaves irreais, em assombrações interiores jamais vistas para que seu sol não se perca e para o luar impiedoso possa cruzar as fronteiras medonhas da noite que seduz o pensamento a uma embarcação desconhecida com um oceano feroz fazendo constelações com suas próprias lágrimas e para jamais cambalear para o redemoinho secular com fundo falso do amor, o núcleo de abismo e naufrágio da espera sem par com a tontura das sensações crescentes até o desespero no pátio das emoções e o cair de máscaras involuntariamente depois de três princípios o pensamento desaba de cara no chão e no ponto de todas as coisas se perde.
A nascente do dia não tira nada do seu lugar a manhã chega ao cais da vida e observa o mundo funcionando com olhos onde a noite foi sepultada e todas as torturas acendem suas luzes para o breu da minha covardia o Cosmo afunda proporcionalmente em mim a instabilidade dos sentimentos que antes de terminar já estão perdidos. Continue

TRANSCRIÇÃO ESTRELAR

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17:37
Hoje não quero maltratar minhas notas conclusivas do tempo;
Não quero desaparecer na imaginação monstruosa dos acontecimentos;
Não quero nos meus seios as mãos grosseiras da dor nem os fantasmas da percepção vagueando pelas ruelas crepusculares da minha voz, interceptando o sentimento e a vida como um guarda metafísico cumprindo a burocracia urbana.
Dispenso a boca enorme do medo que destrói a força e me deixa neste estado de alimento em digestão do mundo esperando para ser defecado liquidamente pelo cu do Universo e sempre me escarra insultos e humilhações abstratas, porém não deixo de desejar te-la entre as pernas da minha libidinosa galáxia pois gostaria de acalma-la em sufocamentos profundos.
Não deixarei as bruxas mal amadas da insegurança sussurrarem ao meu ouvido os depoimentos de incerteza e sofrimento obscuro entalados na garganta inflamada do caos que lateja como um batimento cardíaco infantil na assustadora gruta trágica da lágrima dependurada nos cantos imaginários da existência e sempre goteja e não termina e sempre maltrata e encharca as flores dos sonhos quando estão em suas primaveras querendo desabrochar na película sensível da minha alma... Agora acreditarei no sol, o bom sol que salvará meu peito do inverno escuro e tristonho e fará luz nos quartos sombrios da minha verdade quando a cara da poesia estará na janela esperando a iluminação das palavras no momento que Ginsberg esteja digno para a chegada do poema, no momento em que Mardou espera estar aquecida, no momento das cartas de amor saltarem para dentro das portas da realidade, no momento em que os poetas serão condenados no tribunal do Cosmo à Eternidade dos sentimentos.
Quero a luz da liberdade interior para preencher o meu vazio, para curar a cegueira psicológica que me faz tropeçar para os abismos da concordância e me faz confundir a intenção de todas as coisas, me faz ser atropelada pelos carros do cotidiano nas pistas surrealistas de horizontes inalcançáveis das coisas mais simples, me faz ridícula perante todos os rostos sociais que riem e me assombram toda noite antes de dormir apontando dedos fascistas e obscenos por todo meu corpo nu como uma tortura greco romana em cenas de ficção científica.
Todo o transe energético percebido por detrás dos olhos inebriados da noite que rompa os portais ultrapassados de si mesmo e alcance o terreno abandonado na periferia do cérebro e construa edificações astrológicas com muralhas musicais dentro de mim para que eu possa compor a canção tema do drama em miniatura da mais inominável das imagens fragmentadas do mural dos sonhos abandonados e desejos sem pontos de exitação.
Mas não quero cantar o fracasso da estética cheia de fraturas das manifestações murchas do meu oceano interno nem molestar as crianças lunáticas da existência com o grunido cheio de cos e tentáculos maníacosda voz da tristeza e decepção pois elas devem respirar longe deste ar com oxigênio mortífero que asfixia os sentidos eafunda os rostos das emoções em travesseiros suicídas.
Quero terminar esta ode despertica de depoimentos vomitados por um estômago nausedo pelas amebas do cansaço e dedos sujos de vísceras mundanas na garganta e poder envenenar todas as doenças da alma uma a uma e deixar esta dor tirana se arrastando agonizando pelos corredores da desistência onde já me esfreguei por tantas vezes sentindo as dores cheias de furacões cósmicossecos que desejam beber a fonte apoteótica do profundo de nós mesmos. Me recuso a servir de alimento para as ratazanas fantasmagóricas da consciência pois a vida me satisfaz e a poesia é o vinho nas veias da minha percepção uivante.
Hoje não me importo com a tragédia da alma. Continue

Nuvens

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15:48



No dia triste o meu coração mais triste que o dia...

Obrigações morais e civis?

Complexidade de deveres, de consequências?

Não, nada...O dia triste, a pouca vontade para tanto...Nada...

Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol

(também estive ao sol, ou supus que estive)

Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,

Vaidade, alegria e sociabilidade,

E emigraram para voltar, ou para não voltar,

Em navios que os transportam simplesmente.

Não sentem o que há de morte em toda a partida,

De mistério em toda a chegda,

De horrível em todo o novo...

Não sentem: Por isso são deputados e financeiros,

Dançam e são empregados no comercio,

Vão a todos os teatros e conhecem gente...

Não sentem: para que haveriam de sentir?

Gado vestido dos currais dos Deuses,

Deixá-lo passar engrinaldo para o sacrifício

Sob o sol, alacre, vivo, contente e sentir-se...

Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda

Para o mesmo destino!

Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,

Vou com ele sem desconhecer...

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...

No dia triste todod os dias...No dia tão triste...



o Mestre Álvaro de Campos
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A NEUROECONOMIA

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15:39

De: Robert Anton Wilson


A sociedade deriva do sexo, das relações reprodutivas. Enquanto unidades de trabalho, os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos mamíferos (as emoções impressas de afeição e confiança). No centro, o eixo central, encontrava-se a ternura orgásmica – ato partilhado, no acasalamento, do amor genital. Dele irradiou a ternura “sublimada” da relação entre pai e filho, irmão e irmã, e tios, tias e avós, toda a “família alargada”, ou bando caçador/coletor de alimentos. O Estado conquistador, e a subseqüente fissão da sociedade em classes distintas de privilegiados e carentes, criou a pobreza. Enquanto instituição humana, a pobreza deriva da conquista, da formação de governos (o bando guerreiro invasor que ficava para reger as suas conquistas) e da instituição de “leis” perpetuando a divisão classista entre Invasores e Invadidos. Como qualquer outro primata, o ser humano contém circuitos neurogenéticos prontos para serem impressos por laços de casal e laços de bando. O objetivo evolucionário destes laços continua a ser classicamente mamífero: assegurar a biossobrevivência e o status do bando, além de programar a maioria das sementes com os comportamentos heterossexuais-reprodutivos necessários à sobrevivência do bando, o que assegura por sua vez a biossobrevivência das gerações futuras. A ascensão do Estado conquistador, o Estado feudal, e eventualmente do Estado capitalista moderno, minou e subverteu progressivamente os laços tribais de bando (“a família alargada”). Na nação capitalista mais avançada, os EUA, restam muito poucos destes laços tribais. Muito poucos cidadãos americanos se deterão para dar boléias ou esmolas aos pobres, não confiando sequer nos vizinhos. A maioria nem sequer conhece os vizinhos. Os comportamentos normais de bando, como a confiança, a solidariedade, a afeição, etc., passíveis ainda de serem encontrados nas nações feudais, encontram-se aqui atrofiados. A raiz das célebres “anomias”, “ansiedades”, “alienações”, etc., da sociedade capitalista encontra-se nesta ausência de normais laços de bando. Falando em termos etológicos, os circuitos onde normalmente são impressos os laços de bando sobrevivem ainda. (Poderíamos exprimir o mesmo pensamento em linguagem psicológica dizendo que a necessidade de assegurar a biossobrevivência se mantém ainda). Esta constante mamífera deve ser satisfeita, e numa sociedade abstrata essa satisfação torna-se também abstrata. Na sociedade capitalista, o dinheiro de papel torna-se a impressão da biossobrevivência. William S. Burroughs comparou o capitalismo ao vício da heroína, assinalando os terríveis paralelos: o junkie precisa de doses regulares; o cidadão capitalista precisa igualmente de receber injeções regulares de dinheiro. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num feixe espasmódico de ansiedades; se não tiver dinheiro, o cidadão capitalista atravessa um trauma de carência em tudo semelhante. Quando a droga escasseia, os junkies comportam-se de forma desesperada, chegando ao ponto de roubar e mesmo matar. Se o dinheiro escasseia, o cidadão capitalista também é capaz de roubar e matar. Segundo o dr. Timothy Leary, as drogas opiáceas funcionam como neurotransmissores do circuito da biossobrevivência, isto é, ativam as redes neuronais relacionadas com os laços mãe-filho. (Em termos de psicologia freudiana pré-neurológica, o junkie regressa ao êxtase infantil no regaço da Mãe Ópio). Numa sociedade desprovida dos normais laços mamíferos de bando, o dinheiro é sujeito a uma impressão semelhante, através do condicionamento, sobre os reflexos infantis, de uma série de associações aprendidas. O cidadão capitalista aprende neurologicamente que dinheiro equivale a segurança e falta de dinheiro equivale a insegurança. Muito cedo na evolução hominídea, a ansiedade da separação infantil (o medo de perder a Mãe toda-importante) generalizou-se à ansiedade da separação tribal. Quem fosse expulso da tribo por comportamento delinqüente ou anti-social experimentava verdadeira ansiedade de biossobrevivência. (Em condições primitivas, uma tribo possui uma capacidade de sobrevivência muito superior à de um indivíduo só. À época, o ostracismo significava geralmente a morte, assim como o ostracismo da mãe pode significar a morte da criança.) Já que, na sociedade capitalista, o dinheiro substituiu a tribo, a maioria dos cidadãos imprimiu no dinheiro as emoções mamíferas tradicionalmente associadas aos laços de sobrevivência filho-mãe e dos bandos individuais. Esta impressão é mantida por associações condicionadas criadas por experiências de privação real. Nas sociedades capitalistas, antes de surgir a segurança social as pessoas morriam mesmo, e em grande número, por carência de dinheiro; ainda hoje isso sucede ocasionalmente entre os muito ignorantes, os muito tímidos ou os muito velhos. (Por exemplo, há alguns anos, um casal idoso da cidade de Buffalo morreu congelado no mês de janeiro, quando a companhia local lhes corou o aquecimento por falta de pagamento da conta de eletricidade.) A observação, que fazem os europeus, de que os americanos são “loucos por dinheiro” significa simplesmente que a abstração capitalista e o declínio da tribo se encontram mais avançados aqui do que nos estados capitalistas europeus. Carente de dinheiro, o americano vagueia como um lunático possesso. A “ansiedade”, a “anomia”, a “alienação”, etc., vão crescendo exponencialmente, reforçadas por reais privações de segurança. Nas sociedades menos abstratas, os pobres partilham os laços de bando e “amam-se” uns aos outros (a nível de aldeia). Carentes de quaisquer laços de bando, e viciados apenas em dinheiro, os americanos pobres odeiam-se uns aos outros. Isto explica a observação paradoxal, que muitos comentaristas fizeram, de como nas sociedades tradicionais a pobreza conserva ainda a sua dignidade e mesmo algum orgulho, mas surge na América como desonrosa e vergonhosa. Na realidade, os americanos pobres não se odeiam apenas uns aos outros; freqüentemente, e talvez em geral, eles odeiam-se a si próprios. Esses fatos da neuroeconomia encontram-se de tal forma carregados de dor e embaraço que a maioria dos americanos se recusa pura e simplesmente a discuti-los. O puritanismo sexual do século XIX transformou-se no puritanismo monetário. Pelo menos entre o terço mais avant da população, as pessoas conseguem falar muito explicitamente sobre as vertentes fetichistas das suas impressões sexuais (“Sinto-me pleno quando uso a roupa interior da minha mulher”, ou coisas do gênero), mas uma fraqueza equivalente sobre as nossas necessidades monetárias faz gelar a conversa, podendo mesmo esvaziar a sala. Por detrás do embaraço e dor superficiais encontra-se o terror mamífero máximo: a ansiedade da biossobrevivência. A mobilidade das sociedades modernas faz aumentar ainda mais esta síndrome de ansiedade monetária. Durante a depressão dos anos 30, por exemplo, muitas mercearias e outras “lojas de esquina” permitiram aos seus clientes a acumulação de grandes contas, por vezes durante meses a fio. Este procedimento baseava-se nos últimos farrapos dos tradicionais laços tribais e no fato de, nessa altura, há 40 anos, quase toda a gente das mesmas redondezas se conhecer. Hoje isso não aconteceria. Vivemos, como diz um romance, “num mundo cheio de estranhos”. No primeiro capítulo de The Confidence Man, Melville contrasta o “fanático religioso” que carrega um cartaz dizendo “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” comos comerciantes cujos avisos dizem “NÃO FAÇO FIADO”. A idéia desta ironia era fazer-nos refletir sobre a inquieta mistura de cristianismo e capitalismo na América do século XIX – cristianismo esse que, como o budismo e as outras religiões pós-urbanas, parece ser em grande medida uma tentativa, a nível místico, de recriação dos laços tribais no seio da era “civilizada” (isto é, imperialista). A segurança social representa a tentativa de falsificação desses laços por parte do Estado (de forma mesquinha e paranóica, de acordo com o espírito da lei capitalista). O totalitarismo surge como a erupção, possuída de fúria assassina, da mesma tentativa de converter o estado num nexus tribal de confiança mútua e apoio à biossobrevivência. Quando a filosofia libertária surgiu na América, ela representava duas tendências principais, que os libertários modernos parecem ter esquecido – imprudentemente, caso se provar a justeza da análise acima feita. Refiro-me à ênfase na associação voluntária – a retribalização a um nível superior, através de objetivos evolucionários partilhados – e nas moedas alternativas. As associações voluntárias, ou comunas, desprovidas de moeda alternativa são rapidamente absorvidas pelo nexus da moeda capitalista. As associações voluntárias dispondo de moeda alternativa, abertamente declarada, são empurradas para os tribunais e destruídas. É possível que, tal como acontece em Illuminatus!, existam realmente associações voluntárias usando moedas secretas ou dissimuladas, a julgar por indícios ou códigos em algumas publicações libertárias de direita. Nas condições presentes, nenhuma forma de libertarianismo ou anarquismo (incluindo o anarco-capitalismo e o anarco-comunismo) pode competir eficazmente com o estado do bem estar social (welfare state) ou o totalitarismo. As práticas atuais do bem estar social resultaram de 70 anos de lutas entre liberais e conservadores, tendo estes últimos vencido a maioria das batalhas. O sistema funciona de modo a fazer crescer a síndrome do vício. O desempregado recebe uma pequena dose de dinheiro no princípio do mês, muito bem calculada para sustentar um averento extremamente frugal até por volta do dia 10 desse mês. Mediante a dura experiência, o beneficiário do bem estar social aprende a fazer render a dose até o dia 15, ou talvez mesmo até o dia 20. O resto do mês é passado sofrendo de aguda ansiedade de biossobrevivência. Como qualquer traficante ou condicionador comportamental sabe, este período de privação é que sustenta o ciclo todo. No primeiro dia do mês seguinte vem outra dose de dinheiro, e todo o drama recomeça. O rol de beneficiários do desemprego não pára de crescer, já que – apesar da maior redundância e ineficácia – a tendência do industrialismo continua a ser, como diz Buckminster Fuller, fazer-mais-com-menos e a tudo-tornar-efêmero (omni-ephemerize,[2]). A cada nova década, haverá cada vez menos empregos e cada vez mais pessoas dependentes do bem estar social. (Já hoje, 0,5 por cento da população detém setenta por cento da riqueza, deixando os outros 99,5 por cento para competirem violentamente pelo restante). O resultado final poderá muito bem ser uma sociedade totalmente condicionada, motivada apenas pelo vício neuro-químico do dinheiro. Para medir o seu progresso em direção a este estado, tente o leitor imaginar vividamente o que faria se amanhã todo o seu dinheiro e fontes de rendimento desaparecessem. É importante termos bem presente que estamos aqui a discutir comportamentos mamíferos tradicionais. Em pesquisas recentes, alguns chimpanzés foram ensinados a usar dinheiro. Indicam os relatórios que eles desenvolveram atitudes “americanas” normais para com esses ícones misteriosamente poderosos. A Pirâmide dos Illuminati, que vem impressa nas notas de um dólar, e similares emblemas “mágicos”, como a Fleur de Lys, a suástica, a águia bicéfala, estrelas, luas, sóis, etc., com que outras nações acharam por bem decorar as suas notas e documentos de estado, são intrínsecos à “fantasmagoria” do monopólio que o Estado detém sobre o maná, ou energia psíquica. Temos aqui dois pedaços de papel verde; um é dinheiro, o outro não. A diferença é o primeiro ter sido “abençoado” pelos feiticeiros do tesouro. O trabalhador capitalista vive num estado de ansiedade perpétua, em tudo semelhante ao do viciado em opiáceos. Originalmente, a segurança da biossobrevivência, a neuroquímica da sensação de segurança, encontra-se sempre ligada a um poder externo. Esta cadeia condicionada dinheiro equivale a segurança, falta de dinheiro equivale a terror é reforçada sempre que vemos alguém ser “despedido” ou vivendo na miséria. Psicologicamente, este estado pode se caracterizar como paranóia clínica de baixo grau. Politicamente, a manifestação deste desequilíbrio neuroquímico é conhecida por Fascismo: a mentalidade Archie Bunker(3)/Arnold Schickelgruber(4)/Richard Nixon. Como diz Leary, “A nossa vida social é agora dominada por restrições que o medo e a raiva impõem à liberdade (...). O medo e a violência restritiva podem tornar-se prazeres viciantes, reforçados por dirigentes esquizofrênicos e um sistema econômico que depende da restrição da liberdade, da produção de medo e do incitamento ao comportamento violento”. Na metáfora perfeita de Desmond Morris, o macaco nu comporta-se tal qual um animal de zoológico: a essência da experiência da jaula é o desespero. No nosso caso, as grades da jaula são as intangíveis regras impressas no jogo: os “grilhões forjados pela mente” de Blake. Somos literalmente o ceguinho que está a ser roubado. Abandonamos literalmente os nossos sentidos. O ícone incondicional, o dinheiro-símbolo, controla totalmente o nosso bem estar mental. Era aparentemente isto o que Norman O. Brown tentava explicar nas suas obras oculto-freudianas sobre a destruição da nossa “natureza polimorfa” (o êxtase natural do corpo) no processo de condicionamento do sexo sublimado (os laços de bando) em jogos sociais como o dinheiro. A Ressurreição do Corpo prevista por Brown só poderá acontecer através da mutação neurossomática, ou, como lhe chama Leary, engenharia hedônica. Historicamente, os únicos grupos que lograram libertar-se efetivamente da ansiedade do jogo social foram: 1) as aristocracias absolutamente seguras, livres para explorar os vários prazeres “mentais” e “físicos”; e 2) as comunas de pobreza voluntária, uma forma de retribalização alcançada através da pura força de vontade. À semelhança dos outros idealistas de Esquerda e de Direita, os libertários sofrem geralmente de uma dolorosa percepção do horrendo fosso que separa os seus objetivos evolucionários da presente e triste realidade. Esta sensação complica enormemente a resolução da sua própria síndrome de ansiedade monetária. Como resultado, virtualmente todas essas pessoas sentem uma culpa intensa relativa ao modo como adquirem o dinheiro necessário para sobreviver no mundo de macacos domesticados que nos rodeia. “Ele se vendeu”, “Ela se vendeu”, “Eu me vendi”, são acusações ouvidas diariamente em todas os grupos idealistas. Qualquer processo de “fazer dinheiro” expõe-nos automaticamente às vibrações culpabilizantes de uma das facções, da mesma forma que, paradoxalmente, nos livra de mais vibrações culpabilizantes oriundas da outra facção. O Catch-22 (5), a Ligação Dupla, O Princípio SNAFU (6), etc. não passam de extensões da ratoeira neuroeconômica básica: Não É Possível Viver Sem Dinheiro. Como concluiu Joseph Labadie, “A pobreza transforma-nos a todos em covardes”. Em última análise, existe um certo prazer em suportar a pobreza. É como o prazer de sobreviver ao desgosto e luto causados pela morte de um ente querido; o przer que sentia Hemingway em manter-se firme e continuar a disparar sobre o leão que carregava; o przer que sente o santo em perdoar aos seus perseguidores. Não se trata de masoquismo mas sim de orgulho: fui mais forte do julgava possível. “Não chorei nem desatei aos gritos”. Foi esta a alegria sentida por Nietszche e Gurdjieff ao ignorarem as suas doenças dolorosas para só escreverem sobre os estados “despertos”, ultrapassando todos os laços e emoções. A paranóia direitista sobre o dinheiro de papel (as várias teorias conspiratórias sobre a manipulação da oferta e a retirada de moeda) será sempre epidêmica nas sociedades capitalistas. Os junkies nutrem mitos do gênero sobre os traficantes. São alimentos autênticos, roupas autênticas e abrigos autênticos que são ameaçados quando o dinheiro é suprimido, ainda que por pouco tempo, assim como é autêntica a privação que ocorre quando o dinheiro é suprimido durante qualquer período de tempo. O macaco domesticado é apanhado num jogo de símbolos mentais, e a armadilha é mortal Existe uma espécie de prazer masoquista em analisar um assunto doloroso em profundidade, em todas as ramificações e complexidades dos seus labirínticos tormentos. Existe algo deste gênero subjacente à “objetividade” de Marx, Veblen, Freud, Brooks, Adams. Estes autores parecem querer assegurar-nos, e a si próprios também, que “Por pior que a coisa seja, pelo menos conseguimos enfrenta-la sem gritar”. “Só aqueles que beberam da mesma taça nos conhecem”, disse Solzhenitsyn. Referia-se à prisão e não à pobreza, mas as duas experiências assemelham-se enquanto castigos tradicionais para a dissidência. Enchemo-nos de orgulho por havermos conseguido suportá-los, caso consigamos sobreviver. Uma crença muito difundida sugere que a contracultura dos anos 60 foi espancada até a morte pelos bastões da polícia, rusgas antidroga e outros tipos de violência direta. A minha impressão é que a deixaram simplesmente morrer de fome. O fluxo de dinheiro foi cortado e, após privações suficientes, os sobreviventes treparam no primeiro salva-vidas capitalista que passou por perto. Jack London escreveu que o capitalismo tem o seu próprio céu (a riqueza) e o seu próprio inferno (a pobreza). “E o inferno é bem verdadeiro”, escreveu, baseando-se na sua amarga experiência pessoal. Se, na melhor das hipóteses, a paternidade é uma tarefa problemática, então no capitalismo ela se torna um trabalho de herói. Atualmente, quando o fluxo de dinheiro é cortado, o pai de família americano experimenta ansiedade múltipla: medo por si e medo pelos que o amam e nele confiam. Só o capitão de um navio que naufraga conhece esta vertigem, esta chaga. Sobreviver ao terror constitui a essência da verdadeira Iniciação. Porque os que vivem mais felizes são os que mais perdoaram e, como disse Nietszche, aquilo que não me mata, me torna mais forte. Publicado originalmente no boletim No Governor. 1. Este texto faz parte da coletânea de artigos reunida sob o título de The Illuminati Papers, tradução portuguesa: O livro dos Ilumunati, ed. Via Optima, de onde este foi retirado. R.A.W. assina aqui como Hagbard Celine. O capitão Hagbard Celine, para quem não sabe, é um personagem fictício dos romances da trilogia Illuminatus!, de Robert Anton Wilson e Robert Shea. Ele luta contra os Illuminati com seu submarino dourado. É uma espécie de Capitão Nemo discordiano e filósofo anarquista (Nota do Rizoma). 2. Neologismo de Buckminster Fuller (N. do Rizoma). 3. Archie Bunker é um famoso personagem conservador da sitcom americana All in the Family (N. do Rizoma). 4. Arnold Schickelgruber é um trocadilho com o nome do ator Arnold Schwarzenegger e o verdadeiro nome de Hitler, Adolf Schickelburger Hiedler (N. do Trad.). 5. Termo militar, nos EUA, cujo significado básico é: se há uma regra, não importa o que seja essa regra, há sempre uma exceção para ela. É uma espécie de misterioso mecanismo regulador que forma, em essência, um argumento circular (N. do Rizoma). 5. SNAFU é o acrônimo de Situation Normal All Fucked Up (Situação Normal Está Tudo Fodido), aludindo a uma situação de confusão e desorganização provocada por excesso de regulamentações e rotinas. (N. do Rizoma).Tradução de Luís Torres Fontes


Fonte: O livro dos Iluminati, Ed. Via Optima, Porto, 1999.

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Arquivo UFO

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14:01

A França se transformou em 2007 no primeiro país do mundo a publicar na internet os arquivos de seu grupo de cientistas dedicados à busca de OVNI’s e à pesquisa de fenômenos aeroespaciais não identificados, informou a agência de notícias EFE no final do março último. O Grupo de Estudos e Informações de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados (Geipan), sediado em Paris, abriu a publicamente, pela primeira vez, a sua documentação considerada até então como segredo de Estado e segurança nacional – e faz isso porque permanecer no silêncio, diante de “tantas evidências acumuladas” em seu acervo, foi classificado como “irresponsabilidade científica, divulgou reportagem da Revista Isto É publicada na edição de 18 de abril e divulgada na Internet no dia 15 de abril.
Conforme a reportagem, nunca os relatos sobre supostos objetos voadores não identificados (óvnis) e seus tripulantes foram bancados de forma oficial por um governo como fazem agora as autoridades francesas. Ao todo são 400 depoimentos de eventuais casos de aparição de ETs, todos minuciosamente investigados ao longo dos últimos 30 anos e que se acumulam em cerca de 200 mil páginas – os depoimentos destacados com exclusividade nessa reportagem, com indicação de local e ano, integram esse calhamaço.Os 1.600 casos analisados pelo Grupo de Estudo e de Informação sobre Fenômenos Aeroespaciais Não Identificados (Geipan, sigla em francês) serão paulatinamente publicados na rede e poderão ser consultados por qualquer um. Embora o grupo não existisse até a década de 70, o primeiro testemunho do tipo foi recolhido na França em 1937.Como aperitivo, os aficionados e especialistas poderão ter acesso a 400 casos por meio da página do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), do qual depende o Geipan. O restante dos dados, incluindo seis mil testemunhos e três mil interrogatórios, serão publicados oportunamente. No total, cerca de 100 mil páginas estarão à disposição do público.
Ali, podem ser encontradas as investigações, os dados e as provas dos casos estudados pelo grupo de cientistas que, em muitas ocasiões, teve que concluir que se tratava de fenômenos inexplicáveis. "Não se deve esperar de nossos arquivos revelações, mas esperamos que sirvam aos cientistas, e que o fenômeno dos OVNI’s se transforme, finalmente, em um objeto de estudo como qualquer outro", explicou o atual responsável pelo Geipan.Alguns casos serão representam paradigmas na história da busca de OVNI’s, como o avistado pelos membros da tripulação de um vôo francês. Um objeto que descreveram como algo em forma de lentilha, com cerca de 200 a 300 metros de diâmetro foi claramente visto perto de Paris pelo piloto, o co-piloto e outro membro da tripulação de um vôo da Air France que ia de Nice a Londres, em 28 de janeiro de 1994.
Os radares do Exército francês também detectaram seu rastro, o que levou os especialistas a considerá-lo um OVNI, por não encontrarem outra explicação razoável.Também não encontraram explicação científica para o relato de um pedreiro aposentado que assegurou que, em 1981, viu pousar, perto de seu jardim, uma espécie de disco voador de cerca de 2,5 metros de diâmetro. Quando os cientistas foram investigar o caso, encontraram provas incompreensíveis: o lugar no qual supostamente aterrissou a nave espacial apresentava restos de terra que, segundo os laboratórios consultados, tinha sido submetida a temperaturas em torno de 600°C e tinha suportado um objeto de entre 500 e 700 quilos.
Além disso, a análise dos pés de alfafa que estavam perto do lugar revelou que os vegetais sofriam um enfraquecimento no processo de fotossíntese que os botânicos só puderam explicar como conseqüência de contato com um campo elétrico intenso. Provas suficientes para qualificar o caso como inexplicável. De acordo com o site do jornal americano Los Angeles Times, em três horas de operação o servidor da agência e seu site principal (cnes.fr) saíram do ar.
Foi ficando cada vez mais comum dizermos a frase eles estão chegando quando nos referimos a seres extraterrestres – cinema e literatura alimentam-nos a imaginação. Numa boa mesa de bar, quem já não divagou em conversas sobre a existência ou não existência de ETs? Na semana passada, esse tema voltou a ser assunto, só que estampado nos principais jornais de todo o mundo. “Eu não conseguia acreditar, jamais vira algo parecido com aquilo. Pensei em guardar o segredo comigo para não passar por louco. Mas decidi contar. Acho que estamos sendo observados por seres altamente evoluídos.” Esse é o relato de um comandante de vôo da Air France (o governo não revela nomes de depoentes), que no dia 28 de janeiro de 1994, numa viagem de Nice a Londres, deparou com o que diz inimaginável: um grande disco marrom-avermelhado cuja forma mudava constantemente e voltava ao formato original. Delírio? Não.
Em terra, controladores da torre de comando, perplexos com o surgimento repentino e inexplicável dessa “coisa” à esquerda da aeronave, esgoelavam para que o comandante fosse prudente. Viagem no tempo“Estamos, felizmente, rompendo agora as barreiras jurídicas e também o medo que nos impedia de abrir o arquivo. Queremos mostrar que o assunto deve ser tratado com seriedade”, diz o diretor do Geipan, Jacques Patenet. Nesse arquivo há fotos, vídeos, mapas e desenhos fornecidos pelas testemunhas desses fenômenos (como se fossem retratos falados). Há também explicações do que aconteceu, a maioria delas atestando que os fatos continuam, sob a ótica da física e da astronomia, como “incógnitas científicas”. “Muitas nações têm programas oficiais de pesquisas ufológicas, mas nunca se admitiu isso, tampouco houve a iniciativa de expor os arquivos à sociedade. A França deu um passo decisivo para a opinião pública mundial encarar essa questão”, disse a ISTOÉ o internacionalmente conceituado ufólogo e químico brasileiro Ademar Gevaerd, que há duas décadas estuda o assunto em 39 países. Para ele, o universo está repleto de civilizações avançadas, com emprego de tecnologias ainda por nós desconhecidas. “No arquivo francês existem desenhos que mostram qual a trajetória de vôo adotada pelas naves. Os discos voadores utilizam meios de navegação e propulsão que nem imaginamos”, diz ele. Os anos de estudo e a intensa pesquisa levaram Gevaerd à conclusão de que os seres extraterrestres podem manipular simultaneamente espaço e tempo: “A distância entre um planeta e outro é imensa.
É evidente que esses ETs não viajam através do espaço, mas sim através do tempo. Estão muito à frente de nós.” Garagem de ETsA especulação sobre possíveis programas secretos governamentais criados para investigar seres extraterrestres também estourou em todo o mundo, nos últimos dias, com as incisivas declarações do físico nuclear americano Robert Lazar. Ele afirma ter trabalhado de 1988 a 1989 na famosa Área 51, base secreta americana localizada a 190 quilômetros a noroeste de Las Vegas, no deserto de Nevada. Segundo Lazar, essa região (que não consta dos mapas oficiais de Nevada) tem esse nome pelo fato de os EUA serem divididos em 50 Estados e esse local, com área equivalente à da Suíça, seria uma espécie de 51º Estado. Nele haveria um complexo subterrâneo que já cumpriu a função de “garagem” para naves alienígenas. “Quando fui trabalhar lá não sabia do que se tratava. Eu e outros 22 engenheiros estudávamos o sistema de propulsão das naves e a princípio pensei estar lidando com uma tecnologia terrestre altamente desenvolvida. Conforme fui analisando as máquinas, notei que aquilo não tinha sido feito por um ser humano. Ainda não temos tanto conhecimento”, diz ele. Lazar assegura que suas suspeitas se confirmaram quando encontrou um memorando no qual havia muitas informações, segundo ele, sobre a presença de óvnis. “Fiquei impressionado com o que li.
Falava sobre a existência de seres cinzas com grandes cabeças calvas, que vieram da galáxia Zeta Reticuli. Também estava citado um incidente ocorrido em 1979, em que os alienígenas mataram militares e cientistas da base”, diz Lazar. Recentemente questionado sobre essas revelações, o Departamento de Defesa dos EUA, oficialmente, não admitiu, mas também não negou o funcionamento da Área 51. Já a Nasa prefere não se manifestar.Fatos e fraudesOs relatos agora divulgados pelo governo francês também evidenciam que, se o assunto não deve ser ignorado, também há fraudes que devem ser desmascaradas. “Há casos que não passam de invenções e de mentiras”, diz Patenet. “Mas também temos evidências de pouso de óvnis na Terra e é preciso ter critério para distinguir ciência e fraude.
Para isso, é necessário apurar tudo.” É isso que o Grupo de Estudos e Informações de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados vem fazendo. Com a iniciativa do governo da França, inicia-se assim um novo ciclo para pesquisas referentes à ufologia. Mais: daqui para a frente haverá menos mistério e menos temor acerca desse assunto porque, certamente, virão a público novos relatos em outros países. Talvez o homem não seja mesmo o único ser inteligente a habitar o espaço, mas para se decifrar essa questão é preciso que as informações não sejam escondidas – o que não significa fazer delas sensacionalismo nem deixar de analisá-las com critério. Esse é o mérito do Geipan na França, conclui a reportagem da Revista Isto É.
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