Ânsia de Horizonte

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07:32
Fotografia do Mestre ROBERT FRANK



Algo corroi nessa manhã
A perspectiva escaldante
O aroma sereno dos compassos inalteráveis
Minha mãe divagando com o silencio no fogão-divã do meio dia.
Penso a essas alturas menos em asas
E mais em fincar o pé no coração concreto.
Desisto da magia dos mecanismos de fuga.
Breve manhã de oculto alvoroço
Sou aquele que não compreendeu
A própria ausência.













João Leno Lima
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ATEMPORALMENTE HUMANO

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11:39




De repente as coisas deixam de existir
Em algum grau entre a memória e os gestos.
Sinto a impaciência flexível que se enraíza por debaixo dos meus poros
E arranco como a mão-precipicio
De uma mãe na hora que salvar seu filho de algum pequeno tropeço necessário
Os sentimentos mais indesejáveis.
Fabrico, fabrico raios e rabiscos tempestades.
Mas não sou quem inventou o céu cinza que se alastra por meu coração.
Oh grande ser alucinante dos reprimidos tatos envolvedores de olhares-frecha,
Entreaberto pássaro que se choca com redemoinhos,
Amigos e inimigos ao redor de si mesmos antes de entrar no ônibus,
Criança que me procura para ser seu colo momentâneo
E momentaneamente não faço mais parte do mundo.
Chefe indiferente aos sublimes chiliques do telefonema vindo de outras décadas,
Amiga feita de ilha que espera a passagem do próximo navio-miragem,
Irmã que olha lascivamente para si mesma,
Frações de segundos como pequeninos cães lambendo a carcaça das sensações.
Qual será teu gesto mais excessivamente embriagado?
O que significa aquele gesto impenetravelmente oculto
Em caixas soterradas debaixo das camas do sentir
Quando o olhar cruza aquele que nos faz tremer de frio nos umbigos?
Na nova casa íntima eu encontro a madrugada com novos presentes.
Na nova casa íntima,
Passo pelos cabelos do céu estrelado e definho contemplativamente.
No peito dos sonhadores abriga os pulmões do meu destino.
A mulher bem braços que afaga a tela abstrata afaga a mim também.
O amigo cheio de planos
Do tamanho do nascimento de uma criança jorra em mim.
Aquele que manda mensagens
Como frascos jogados ao mar que deixa a musa confusa, sou esse frasco.
Esse poema nasceu da gota de sangue de um uivo
Para acompanhar os passos das aves,
Para acompanhar o filho
Que vai pela primeira vez conhecer seus novos amigos na escola
E balbucia a si mesmo,
Acompanhar as primeiras fotografias do feto
Que veio sem pedir licença,
Acompanhar os detalhes da angústia do pai
Insatisfeito no trabalho e com a chuva,
Acompanhar o velho casal em mais um café da manhã engolindo a aurora,
Acompanhar a amante que não recebe a ligação a mais de um século,
Acompanhar o viajante cotidiano
Que gostaria de trocar de lugar com as nuvens,
Acompanhar a mãe que prepara um almoço sentimental.
Meu grito para o mundo é um soluço.
E o meu soluço é um dos versos que grita o mundo.












João Leno Lima
16-07-09
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LIMIARMENTE

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11:59
..
Quadro do Mestre Rene Magritte.





LIMIARMENTE



Preciso encontrar o verso que traduza o intraduzível.
Aquele que produzirá dimensões
Engolidoras de bolas de fogo dos nossos destinos.
Homens, mulheres, crianças,
O abrigo nunca será minúsculo.
Preciso encontrar o verso que traduza...
Vago pela Rua Vinte e um de abril,
Pela Julio cordeiro, entre a praça e Vênus,
Entre o supermercado e as cavernas da angustia,
No alvoroço das locomotivas transbordando
E no silencioso olhar de estrelas.
Preciso encontrar o verso que traduza...
Nem a ligação telefônica nem os fraseados de blues
Que formam a trilha sonora são capazes
De encontrar o âmago,
Fui arremessado nos estreitos instantes desconhecidos
Por anjos-litorais por onde caminho sobre suas pálpebras
Por certezas que sobrevoam as ruas
Como pássaros descompassados delirantes.
Mesmo assim preciso encontrar o verso que traduza o intraduzível.
Confesso, não há nada nem ninguém
Além de mim na extremidade.
Nada
Além de doses cavalares de silencio,
Gemidos-antidotos balbuciando pianos,
Gotas de mãos caindo feito chuva desencarnada,
Germes que saem dos cabelos dos sentidos.
E cala-me!
Nenhum sentido além das esquinas e dos camelôs invisíveis,
Nenhum sentido além dos outdoors do acaso,
Nenhum sentido além dos vultos
Que sobem e descem dos ônibus pedindo a si mesmos,
Nenhum sentido além das escadarias do momento desmagico.
Não, ainda preciso encontrar o verso que traduza,
Essa...
Impaciência inatingível, essa inquietação herdada
Dos abismos, esse desejo fugitivo que
Veio com o sangue das nuvens, essa
Pressa elementar passada
Subconscientemente pelos cometas,
Essa materia-queda que ouviu os
Conselhos da chuva essa desmotivação
Motivada pelas horas gesticuladoras.
Esses dedos tocando o rosto como um
Poeta escrevendo um verso.
Olhares se entrelaçando como rios e peixes
Como um poeta no centro do poema,
Gestos contidos do bebe dialogando com o novo mundo
Como um poeta procurando o primeiro verso,
Seres enormes carregando nos
Braços o espírito numa tarde Celestial,
Como um poeta Levando nos colos seus novos versos para serem lidos,
Sorrisos colidindo com
Os raios solares e criando rajadas
Que penetram nos poros do impossível que baixa a guarda
E desliza sobre as
Linhas do poema.






Cala-te!




Não passas do encontro das águas das lagrimas de Deus
Sob a consciência coletiva da natureza,
Não passas de lábios tocando no vento
E mudando seu percurso rumo
As extremidades dos desejos demasiadamente humanos
Não passas do dialogo eterno entre os anjos,
Não passas da profanação entre
Homens e mulheres sob a benção dos deuses,
Não passa de matéria escura
Que compõe todo o universo perfeito,
OH poeta!
Não percebes que não há palavras que defina?
Não percebes que o intraduzível
É a tradução que compõe os seres?

































João Leno Lima
03-07-2009 Continue

BECO SEM PALAVRAS

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14:46

O mundo, atrevo-me a desabar sob seu olhar destilante.
O verme no meu peito carcomida as tintas dos meus poemas ocultos.
Sou parte significativa da matéria elementar.
O mundo envenena minha sombra com sabedorias passageiras,
Com controles remotos controlados em outros hemisférios.
Oh adolescentes em fúria atômica de medo e destino,
Quem poderá salva-los das lágrimas de vidro?
Crianças que gemem nuvens,
Fujam em embarcações lunares nas caldas de sagitário.
Bailarinos sonhos rodopiam abismais
E passo a desacreditar nos seres.
Goles na meia luz de gelo derretido nas costas do mundo
Que trepida...
Cavalos marinho no suor do meio dia.
Tubarões disfarçados vendendo doces nos túneis do ônibus.
Urubus desdenhando na volta do trabalho.
Cães farejando o invisível sentido nos passos.
O mundo, uma mulher arreganhada insensível as flores solares.
Mas poluída de sublimes memórias de auroras.
Sou parte das sensações desacontecidas.
Esse poema tem o gosto amargo das descoisas inenarráveis,
Este infiltrado pelos pequenos braços oceânicos no outro lado da porta de um mar desejado
Pelo trovoes arranhando as janelas de vidro interiores,
Na enchente mórbida na madrugada,
Numa orquestra de sussurros ouvidos até em outras dimensões,
Algemo minhas mãos nas asas do abismo
Enquanto descubro quem sou além do mundo interior.
Vou caindo existidamente caindo...












João Leno Lima
30 de Junho de 2009
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Pós-Mídia

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09:26

Nos anos 80 estávamos todos como que paralisados pelos acontecimentos. Além do terror que se espalhava sobre a cena política italiana, a emergência de um poder que mais parecia uma simulação midiática de natureza fantasmagórica, despontava, para quem estava atento, como a mais perigosa tendência do autoritarismo pós-moderno.


Aproveitando as brechas que as rádios livres tinham aberto, quem se insinuou foi um advogado milanês, amigo dos saqueadores socialistas. O milanês abria canais de televisão um depois do outro. "Volte para casa bem depressa que o canal 5 te espera !", anunciavam os ameaçadores outdoors nas auto-estradas


Em 1984, na Universidade Autônoma de Montreal, ocorre um colóquio sobre as novas formas de autoritarismo, e eu disse que na Itália o perigo para a democracia provinha sobretudo de um milanês, que estava comprando a mente dos italianos através de canais de televisão e da publicidade. Começava a surgir no horizonte a mais inquietante das distopias, o pesadelo de Orwell, de Apinard, de Dick e de Burroughs, qual seja, a conquista da mente social pelos agentes tecno-virais manipulados por uma máfia sorridente e assassina.


No entanto, quando eu passava em Dhuizon, na casa vizinha à clínica psiquiátrica de LaBorde, Félix Guattari me falava de uma perspectiva completamente diferente. Enquanto o sistema midiático tornava-se o agente central da colonização mental e do autoritarismo político, Félix falava da sociedade pós-midiática.


A primeira vez que ele me falou nestes termos, pensei que estivesse brincando comigo. Mas depois ele começou a se explicar. E me falou — estávamos no início dos anos 80, talvez no verão de 82 - que não era o caso de temer o predomínio da televisão sobre os fluxos da comunicação social. De fato, segundo Guattari, os progressos da informática tornariam possível uma larga difusão de combinações rizomáticas. "Relações bidimencionais e multidirecionais entre coletivos de enunciação pós-midiática", dizia ele. Estas combinações, assim como seus modelos relacionais, iriam infectar o sistema televisivo centralizado, para depois perturbar e desestruturar todas as formas hierárquicas estatais e econômicas.


Félix estava descrevendo claramente a utopia da rede, rizoma proliferante de cérebros e de máquinas. Aquela utopia se encarnou na tecnologia, na cultura, inclusive na imprensa. Mas como todas as utopias, naturalmente, não é pacífica. Assim, trava-se uma guerra no contexto do devir pós-midiático. É a guerra interminável entre o domínio e a liberdade. No transcorrer dos anos 90, o rizoma desenvolveu-se, mas foi contaminado por vírus semiotizantes de natureza centralizadora e hierarquizadora. A penetração da publicidade, do business, da televisão na rede telemática foi um dos aspectos dessa infiltração. Outro aspecto foi a imposição da propriedade intelectual do software. Mas a complexidade do sistema rizomático não pode ser reduzida definitivamente pela ação de nenhum projeto redutor. Nesse sentido, a profecia pós-midiática de Félix Guattari segue sendo desmentida a cada dia e a cada dia confirmada pela dinâmica incessante do domínio e da liberdade.


Mas o ponto filosoficamente mais importante da profecia pós-midiática de Félix Guattari está aqui: Félix nos compele a perguntar o que quer dizer mediatização, e em que medida a mediatização envolve, incomoda, reprime, apaga a nossa singularidade corpórea. Nós estamos presos no emaranhado midiático porque isto torna possível uma expansão da nossa experiência, mas este emaranhado corre o risco de continuamente paralisar, imbecilizar, destruir a nossa singular sensibilidade.


A luta fundamental do tempo que corre é aquela que consiste em ritualizar continuamente a singular sensibilidade do nosso existir. É esta a batalha pós-midiática.


Tradução da Agência Imediata


Fonte: Rizoma.net
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LABIRINTO OCO

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10:11

Quero me disparar para imensas crateras numa gelada invisibilidade.
Traçando meu plano de não definhar antes da chuva habitual.
Sou parte do que se chama desolação social,
Fragrância lúdica de devaneios congelados,
Mudez que perfura o coração da fala e come seus restos previsíveis.
Meu coração geme na ponta da lança do instante
O que era eternidade não passa de embriaguez suprema nessa fração abstrata.
Oceanos; levem-me para o fundo sem salvas vidas poéticos.
Tremo de frio as perceber minha própria ausência.
O filosofo diz que tudo é desespero
Mas eu prefiro acreditar nas manhãs ensolaradas do destino.
Mesmo assim canso de ser nuvem.
No quintal dos meus cinco sentidos enterro-me de frente para o horizonte.
Sou a troca de telepatias entre as estrelas.
Na verdade no fundo, sou o sexo entre as letras da poesia.
Engravidado de palavras que se aglutinam na imensidão incerta.
Fecho os olhos para não ouvir os conselhos dos segundos.
Não!
Não quero as lagrimas quero as galáxias dos meus próprios sentimentos inteiros
Quero transbordar nas bordas dos litorais de Deus e sair rolando entre os mantos irretocais dos anjos numa ladeira delirante para um confim onisciente.
Chega...
Retomo a idéia de ir para o trabalho como se desse corda intermináveis no tempo,
Ele reiniciar seu processo de dilacerar-me lentamente,
Já estarei puído antes do meio dia
E serei apenas sombra nas tardes invioláveis,
Mesmo assim, mesmo assim inexoravelmente,
Mesmo assim num ato de transgressão cósmica,
Num uivo que romperá os cordões umbilicais entre matéria e espírito,
Mesmo assim, mesmo assim...
Respirarei esse instante como se ultimo ele fosse,
Fosse,
O ultima instante poético.










João Leno Lima
22-06-2009
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As 10 melhores fotos captadas pelo telescópio Hubble no espaço

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20:24
1º- A Galáxia do Sombrero - distante 28 milhões de anos luz da Terra - foi eleita a melhor foto, captada pelo Hubble. As dimensões desta Galáxia, oficialmente denominada M104, tem uma aparência espetacular, com 800 bilhões de sois e um diâmetro de 50.000 anos luz.

2º -A Nebulosa da Formiga, que é uma nuvem de poeira cósmica e gás, cujo nome técnico é Mz3, assemelha-se a uma formiga quando observada por telescópios fixos. Esta Nebulosa, esta distante da nossa Galáxia, e da Terra, entre 3.000 a 6.000 anos luz.



3º - Em terceiro lugar está a Nebulosa NGC2392, chamada Esquimó, pois se assemelha a um rosto circundado por chapéu ou gorro enrugado. Este chapéu, na realidade, é um anel formado por estruturas ou restos desagregados de estrelas mortas. A Esquimó está há 5.000 anos luz da Terra.


4º - Em 4º lugar temos a Nebulosa Olho de Gato, que tem uma aparência do olho esbugalhado do feiticeiro Sauron do filme "O senhor dos anéis".



5º - A Nebulosa Ampulheta, distante 8.000 anos luz, que tem um estrangulamento no meio, por causa dos ventos que modelam a nebulosa, serem mais fracos na sua parte central.

6º - Em 6º lugar está a Nebulosa do Cone. A parte que aparece na foto tem 2.5 anos luz de comprimento (o equivalente a 23 milhões de voltas ao redor da Lua).



7º - A Tempestade Perfeita, uma pequena região da Nebulosa do Cisne, distante 5.500 anos luz; descrita como "um borbulhante oceano de hidrogênio, e pequenas quantidades de oxigênio, enxofre e outros elementos".

8º - Noite Estrelada, assim chamada por lembrar aos astrônomos um quadro de Van Gogh com este nome. É um halo de luz que envolve uma estrela da via Láctea.


9º - Um redemoinho de olhos "furiosos" de duas galáxias, que se fundem, chamadas NGC 2207 e IC 2163, distantes 114 milhões de anos luz na distante Constelação do Cão Maior (Canis Major).



10º- A Nebulosa Trifid. É um "berçário estelar", afastado da Terra 9.000 anos luz, e é o lugar onde nascem as novas estrelas.












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Peso

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09:50

No sonho, o momento passado é um momento presente desabitado.
Desertos de palavras formam as células antepassadas e a dor comete o ato de alojar-se...
Nossos estranhos mecanismos íntimos sentem as infiltrações dos sentidos dispersos, o mar deságua no litoral do rosto entregue.
Nem sonho nem abrigo, quero desintegrar na úmida desesperança.
Blocos de gelo saem dos meus gritos.
Sou parte das paisagens invisíveis.
Meu deus, cada segundo me consome como um trago inesgotável.
Oniricamente faminto preciso das caricias sempre suaves das nuvens,
Dos conselhos sábios das estrelas
- Não há lugar algum quando não há a si mesmo, elas dizem...
Mas mesmo assim ouvirei a declamação do sol
E descansarei em alguma rocha num oceano imaginário...





















João Leno Lima
19-06-2009
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O ENIGMA dos SENTIDOS POETICOS

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13:11




São intermináveis as incertezas que motivam o ser.
Como goles de vinho passeando pelas goelas do espírito.
Prometo não me embriagar de noites solitárias de sentidos.
Quero fabricar em mim as certezas possíveis.
Com a lanterna mágica dos versos, vou vasculhando os horizontes.
E tremendo de frio na gélida tristeza que sempre adormece comigo.
Encontro no verso mais intimo de cada homem um inesgotável,
As suas almas sobrevivem e atravessam um túnel e transpassam o centro do mundo.
Nossos mundos?
Pequenos líquidos que escorrem do rosto de Deus rumo aos sublimes oceanos que se materializa...
Estamos quase sempre enganados...
O verso mais inesgotável é o que possui em si mesmo um coração inesgotável.
Meu coração em desordem crônica com o mundo
É uma criança que estende a mão para alcançar as estrelas de si mesma.

















João Leno Lima
18 de junho de 2009
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A MARCHA SENTIMENTAL

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19:18


No fundo somos selvagens anarquistas do destino.
Queremos juntar as peças,
os monilitos sonoros dos nossos proprios gritos entranhados
e recombinar com nossas asas além da invenção das horas.
Cada palavra se desmancha simetricamente.
Coloco a mão no rosto e mergulho num confim palpavel.
Tememos a indefirença mesmo a desejando inconscientemente
nas ruas sujas indo para o trabalho.
Quando a visao da minha sombra é meu espelho
sou parte desconectiva.
Elementar paisagem psicoconcreta
entre as girafas estaticas que roçam os céus.
Transfiguro-me para as bordas.

Agora sou as incertezas que brotam no jardim desemperançoso do meio dia.
atado pelo globo ocular pos-lagrimejante do amigo incalculavel.
E a ressaca dos amantes indefesos.
uma impeciencia que geme mais que uma criança solitária.
num tunel...

O mundo é um tunel desconhecido que agride nossos passos que tremem
percebo a velice dos deuses do medo
Mas o mundo cria mecanismo de defesa contra os poemas.
Somos os mecanismos.
Então fundo-me em teatros sem gente
Sou parte dos raios da chuva não desejada
O que passeia nas paginas que estão sendo açoitadas
pela maquina de escrever cansada.
Quem no mundo sentiu tal evento melindroso...
Ou quando as mãos dos que se desejavam deixaram-se...
Naquela distancia se esticando...
Mesmo que momentaneamente...quem sentiu...

Temo a realidade ilusoria
como a materia teme a putrefação dos sentidos.
Temo mais os grunidos dos urubus da memoria
do que os assassinos incontroláveis.
Porque a ponta dos meus dedos é uma lança rasgando o coração dos instantes...
Quantas mães-anjos devem estar nesse exato
momento latejando de existencias transbordantes
Quanto segredos estao sendo revelados...
Quantas faces lantamente enrugando na invisibilidade da célula poetica
Num abrir e fechar de portas
Quantos olhos fechando e nessa fraçao escura intantanea...
Quantos sonhos?

Piso nos meus proprios passos à sobrescreve-los em vão
Se o passado é irreversivel
por que tentamos evitar comete-los novamente?
eu, poeta, principio vital
que movimenta as palavas além das combinações plausiveis
Que se alimenta dos poros do mundo pensado,
planejo poesias infindaveis
Como o ludico louco que boceja perante a razão dos outros.
Na minha razão, a unica razão é o sentimento.





João Leno Lima
08-06-2009
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CANTO-ENTRANHA

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22:20




Dispara novamente sobre meu canto a insatisfação do tempo.
No intermédio desfavorável das caricias silenciosas dos ventos,
Vaga os sorrisos na contramão.
Enamorados silenciosos ventam
Cruzando os caminhos da cena frágil do olhar;
Quero devorar as horas
Insisto quero devorar a solidão.
Alimenta-la com vultos indesejáveis de sonhos
E cobri-la com meu manto oculto decapitado pelo destino.
Rendo-me
Quero devorar-me com salivas de tardes desabitadas da fala
O que é a fala se tudo em mim espatifa-se num grito incomunicável?





















João Leno Lima
07-06-2009 Continue

O ENIGMA DA CHEGADA DO MEIO DIA

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13:31

Titulo do Poema Retirado de um titulo do Quadro de Giorgio De Chirico




Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.
Com vogais esfaqueando os umbigos dissonantes das
Palavras ocultas num dialogo comigo mesmo.
Disparo para perto,
Sou a construção desconstrutiva das leis da natureza intima
Sou os blocos de gelo queimando os corpos do orgulho
E a bola de fogo atravessando a garganta do medo metafísico.
Trabalhadores navegando nos seus próprios passos
Num trem invisível da memória.
Como posso conte-los?
E declamar meus poemas ocultos até a mim?
E aquela criança com envergadura de nuvem?
Como posso convencê-la
que sou pequenos feixes de luz que falham as vezes?
Às vezes dissonantes versos com cabeça de manhãs
tropeçam rachando o chão ensolarado
E ruindo o horizonte.
Dou voltas e voltas neles
Meus corrimões desaparecem ensolarados pela sombra das horas.
O que são as horas perante a vastidão da eternidade?
"Cala-te"
Diz Rimbund pegando seu café vulcânico
que queima os lábios dos instantes.
Leopardos se acumulam a minha espera na porta do trabalho.
Querem eles me caçar ou me ajudar a caçar a mim mesmo?
Serei eu um leopardo metafísico
que geme tubarões num mar decapitado pela razão?
Desintegro-me pelos trovoes da chegada.
Perco pernas e braço na colisao com a queda intima
E desço longos tubos da inquietação matinal.
Sou mais manhã ou mais noite?
A tarde presa nos túneis do trompete
desafinando a melodia desejada.
Dança os segundos uns com os outros
e desaparecem num limbo inconsciente
Pequenos rostos sobrevoam a calçada carcomida
Mãos atravessam o outro lado de si mesmas se beijando
Pressa insaciável
Deixa-me!
Minha angustia espera na parada de ônibus
Pássaros desviam da minha sombra
Cuspo cometas...
Se apodera de mim a irreversível herança absoluta.











João Leno Lima
05-06-2009
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DIALOGO COM AS NUVENS

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13:35


Se junto os fragmentos dos instantes
Como cacos espalhados num chão entrelaçado com o espírito,
Junto a construção refletida de mim mesmo por algum momento.
Não cabe eu compreender os espaços atemporais do tempo
Nem os longos dentes afiados dos leopardos
Da minha momentânea desesperança em mim mesmo.
Só cabe a mim,
Atravessar as paredes da irremediável
onisciência dos universos completos.
Levo os fragmentos além das portas,
Passo indesejavelmente cinza pelo asfalto
E logo o céu-azul-espelho espalha-me pelos longos corredores do dia.
Sinto-me gigante
Com os cabelos roçando a extremidade das nuvens...
Sentes a atemporalidade?
Sentes a união dos passos formando pequenas estrelas nas calçadas?
Sentes o vácuo deixado pela presença do esquecimento?
Sentes o hálito da noite apos longas caminhadas longe de si mesmo?
Sentes como Deus sopra os tempestuosos navios-nuvens
Como uma criança transbordando o sublime?
E nos traz um quadro de sensações que titilam nos poros do mundo?
Ousou Deus imitar Van Gogh inconscientemente?
Fragmenta-me.
Sou o espaço interior refletido na eternidade.
Meu grito abraça meu silencio
E sobrevoa o poema sem asas
E ambos despencam em minhas mãos flutuantes.
Junto-me...
Volto para casa...











João Leno Lima
04-06-2009
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11

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19:56




Quando o universo e eu seremos um só?
Quando as cartas de Rilk serão escritas na minha alma?
Pertencerei ao mundo exterior arremessado no sonho?
Reluz minha respiração,
O vasto raio de sombra anoitece a aurora,
Pianos confundem os segundos,
Cai o lápis da minha mão
Antes que eu chegasse no fundo do poema,
Deslizo pelos para brisas da memória,
Desço ate as altas camadas congeladas das palavras,
Atravessando as intermináveis feições oceânicas dos desejos,
Pego uma embarcação e penetro na gélida ilusão do auto-retrato,
Caminho pelos confins imaginários
Para contemplar de perto a perfeição,
Quem seria eu nesse instante?
Adormeço no portal transcendental da lembrança.
Sonho com objetos inanimados
E rostos que flutuam por serem si mesmos,
A dor de existir e maior quando chega a noite,
Adormece no meu colo o absoluto,
Engulo a madrugada misturando-a ao copo d água,
Quando acordo não sou nem mais eu nem ninguém,
As cordas vocais falham como se fosse a opera do fim do mundo,
Treme fantasmagoricamente a insuportabilidade,
Desando e patino pelas montanhas brancas e congelo,
Antes ainda apalpo teu rosto contendo desesperadamente o calor,
Torno-me vulcão que avança destruindo as cidades
Do outro lado do mundo da minha angustia,
Misturo-me ao todo
E o todo tem a exatidão de mim.



João Leno Lima
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SAIL TO THE MOON

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12:00
Vi pessoas humildes se reunindo com suas almas gigantes
e senti a eternidade como quem sente uma chuva inesperada
na contra mão dos corações soterrados de tristezas.
Margulhar na eternidade;
com seus dentes sublimes de tubarões imaginários
devorando com destreza a mim,
é devorar buracos negros insatisfeitos e contemplativos
de imensas tempestades, as vezes, maior que nossas
próprias sombras.
Essas pessoas tinham nos olhos
suas próprias almas penduradas nas palpebras.
E suas vibrações sonoras ensurdecem
com rosnar de violinos e grito-pianos
as horas mortas de sentir.
O que é o delírio perante crianças brincando
no vasto campo aberto de si mesmas?
O que é a insatisfação perante o olhar recipocro
dos invenciveis amentes pendurados
na magia sentimental das almas?
Penduro a chuva na minha pulsação noturna
e canto a canção de flutuação inesgotada.
As vezes minha desafinação pulsa por longos quilometros
acorrentada as nuvens ilusórias de mim mesmo
Mas, sempre volto... como pequenos versos sublimes
com litorais de crianças com brinquedos mágicos
que se cercam em volta da existência
como quem ouve os conselhos
de todos os universos...







João Leno Lima
28-05-09
Continue

REVERSA VISIBILIDADE

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07:09





O universo,
Me oprime.
Luzes oceânicas brotam lentamente,
Assim como Chaplin em o Grande ditador
Carregou o mundo nas mãos eu o carrego e o arremesso,
O universo,
Me oprime.
Grita o milésimo olhar transcendente
Abocanha arrancando o coração do acaso
Quantos acasos formam um universo?
O oceano se espatifa
Em pequenas gotas de lágrimas,
Minha cabeça gira pelas escadarias abaixo dos instantes,
Sou meu próprio livro do desassossego,
Assim como Allen Ginsberg subiu no topo do prédio da RCA
Subo ate as altas montanhas invisíveis do sentir
O que sinto?
Observo de longe a vasta multidão,
O cotidiano tem nas pontas dos dedos
O fio de cabelo da minha desolação cronometrada,
Eu, uma queda para cima.
Assim como Maldoror passeia com seu buldogue
Passeio com meus fantasmas pelos litorais crepusculares,
Sou o fumo esquecido na ultima respiração de Artaud,
Desintegro meu coração para que ele possa respirar,
Comprimo meu fôlego e entrego aos segundos,
Eles caminham mais acelerados
Por que eu caminho mais acelerado,
O universo me comprime
Eu comprimo o universo,
Nossa troca dissonante de musicas inesgotáveis
Embala o sono latejante dos poetas,
Na rua reencarno-me a cada passo,
Tenho a sensação de estar na bolha de um sonho,
No tentáculo arquitetônico do existir em si,
Assim como Withiman escreveu as folhas da relva
Na sua infinita eternidade,
Escreverei a folha de todos os instantes da alma humana
Em suas sensações eternamente finitamente infinita.





João Leno Lima
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RELVA INVISIVEL

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02:03




Morre dentro de mim o universo
Cala minha voz eternamente vulcânica
Sangra meu desejo oco por transcendência
Atinge a ultima torre gélida da aurora
Pratica sexo com minha infinitude alucinante
Quem poderia ser eu a não ser, relva.
Punhado de poças de lamas flutuantes
Convexos inesgotáveis
Substancias alquimistas do cosmo
Estrelas que saem das bocas das crianças
Atalho que leva a nuvem
Olhar que devora ate os ossos os movimentos
Não há movimento que não seja inconscientemente observado
Não há desejo sem trasnconciencia mágica
Não há formula que contenha todas as formulas oniscientes
Fujo ate poente
O poente foge-me entre os dedos
invento a leitura matinal da minha alma
Os livros da minha alma estão cheio de traças poéticas
Quero declarar a independência da minha matéria inócua
Que salivar meus sonhos nos ouvidos da inesgotabilidade
Quero atravessar os oceanos dos sentidos
Apenas num absoluto pensamento
Rasgo as folhas em branco
É melhor um poema do que o nada
É melhor o nada do que desaparecimento inevitável
É melhor uma vida do que uma não-vida respirando
A idéia de Deus é oca a idéia que o universo se expande
Este escrito na minha existencialidade
Cada lágrima contem a segredo que move o mundo
Ou cada lágrima contem o segredo que me move
Ou seja, quem será mais improvável eu ou minha sombra?
Minha sombra sangra por mim eu sangro por minha alma
Minha alma sangra mundo o mundo sangra no meu ser
Sua loucura e raciocínio me faze delirar
Numa orgia desesperante e lenta, mas elétrica, mas extraordinária.
Mas inexplorável, mas inalcançável,
mas incompreensível,
mas infinitamente humana...












João Leno Lima
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DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL

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10:11

















Em que adianta a filosofia da tua existência
Se o que importa para o caos é a orgia
O teu ninfomaníaco vazio atraído pelo teu nada
Ah
Dessa relação nascem fetos-silencio
Estuprados com violência pelos espelhos
Vindos dos cabarés dos reflexos
E da radiografia desse reflexo
Sonhos utópicos de existência

















TITULO DO QUADRO DE MAX ERNST
DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL
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TRANSVERSAL

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17:26

Despenca sobre mim o impossível.
Sangrando, debatendo-se nos meus poros mundanos,
Vestido de noiva do meu absoluto
Em coito com a magnificência do caos ,
O tempo e o espaço beijando-se no infinito,
Tremendo de frio com olhares,
Castrado sonho que rodopia,
Vagina que ancora sobre a criança chorando,
A visão que perfura a antevisão,
Tecido nervoso que pula de pára-quedas,
Crânio esmagado pelas escalas oitavadas da musica,
Meu copo banqueteado pela lagrima,
Vagando pelos vácuos inaudíveis,
Onde tudo se fragmenta lentamente,
Onde minhas palavras poluem no ambiente da poesia,
Quebro as ondas sonoras da minha memória,
E arremesso-me...Não sou mais eu digo a mim mesmo,
Sou metade tempo metade espaço
Metade vazio metade tudo
Metade silencio metade grito
Metade trasncedentalismo
Metade efemeridade,
A poesia que vem de mim tem gosto inalcansabilidade,
A poesia que vem de mim tem sombra de imensas tempestades,
A poesia que vem de mim não encontra
O amor nem seus mais nebulosos demônios,
Visão que perfura a antevisão
Alastra-me em ódio carnal pela nuvem,
Uma nuvem ataca-me,E me absorve,
Leva-meSou só nuvem agora,
Flutu-o sem rumo pelas bordas da noite do meu sonho,
Qual o maior desejo da minha poesia?
Desabafos infinitos do infinito da pagina,
Vomito minhas vísceras e ela vira palavra,
Que se espalham pelos tubos de ar do cotidiano
Contaminando a manhã com infinitudes,
Escolho a mim mesmo
Escolho o mundo transversal da poesia
Escolho a lógica do impossível.







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MOMENTO IRREVERSIVEL

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07:31


A minha forma fantasmagoricamente
se arrasta pelas frechas dos olhos inalcançáveis.
Eu procuro a proteção da minha sombra fragmentada pelo tempo.
Na calçada eu acorrento meus poros numa nuvem desavisada.
Meus olhos procuram o oceano de almas naufragadas para mergulhar.
Mas só encontra o chão para se deitar no caos cinza sem horizonte.





João Leno Lima
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