11

0
19:56




Quando o universo e eu seremos um só?
Quando as cartas de Rilk serão escritas na minha alma?
Pertencerei ao mundo exterior arremessado no sonho?
Reluz minha respiração,
O vasto raio de sombra anoitece a aurora,
Pianos confundem os segundos,
Cai o lápis da minha mão
Antes que eu chegasse no fundo do poema,
Deslizo pelos para brisas da memória,
Desço ate as altas camadas congeladas das palavras,
Atravessando as intermináveis feições oceânicas dos desejos,
Pego uma embarcação e penetro na gélida ilusão do auto-retrato,
Caminho pelos confins imaginários
Para contemplar de perto a perfeição,
Quem seria eu nesse instante?
Adormeço no portal transcendental da lembrança.
Sonho com objetos inanimados
E rostos que flutuam por serem si mesmos,
A dor de existir e maior quando chega a noite,
Adormece no meu colo o absoluto,
Engulo a madrugada misturando-a ao copo d água,
Quando acordo não sou nem mais eu nem ninguém,
As cordas vocais falham como se fosse a opera do fim do mundo,
Treme fantasmagoricamente a insuportabilidade,
Desando e patino pelas montanhas brancas e congelo,
Antes ainda apalpo teu rosto contendo desesperadamente o calor,
Torno-me vulcão que avança destruindo as cidades
Do outro lado do mundo da minha angustia,
Misturo-me ao todo
E o todo tem a exatidão de mim.



João Leno Lima
Continue

SAIL TO THE MOON

2
12:00
Vi pessoas humildes se reunindo com suas almas gigantes
e senti a eternidade como quem sente uma chuva inesperada
na contra mão dos corações soterrados de tristezas.
Margulhar na eternidade;
com seus dentes sublimes de tubarões imaginários
devorando com destreza a mim,
é devorar buracos negros insatisfeitos e contemplativos
de imensas tempestades, as vezes, maior que nossas
próprias sombras.
Essas pessoas tinham nos olhos
suas próprias almas penduradas nas palpebras.
E suas vibrações sonoras ensurdecem
com rosnar de violinos e grito-pianos
as horas mortas de sentir.
O que é o delírio perante crianças brincando
no vasto campo aberto de si mesmas?
O que é a insatisfação perante o olhar recipocro
dos invenciveis amentes pendurados
na magia sentimental das almas?
Penduro a chuva na minha pulsação noturna
e canto a canção de flutuação inesgotada.
As vezes minha desafinação pulsa por longos quilometros
acorrentada as nuvens ilusórias de mim mesmo
Mas, sempre volto... como pequenos versos sublimes
com litorais de crianças com brinquedos mágicos
que se cercam em volta da existência
como quem ouve os conselhos
de todos os universos...







João Leno Lima
28-05-09
Continue

REVERSA VISIBILIDADE

0
07:09





O universo,
Me oprime.
Luzes oceânicas brotam lentamente,
Assim como Chaplin em o Grande ditador
Carregou o mundo nas mãos eu o carrego e o arremesso,
O universo,
Me oprime.
Grita o milésimo olhar transcendente
Abocanha arrancando o coração do acaso
Quantos acasos formam um universo?
O oceano se espatifa
Em pequenas gotas de lágrimas,
Minha cabeça gira pelas escadarias abaixo dos instantes,
Sou meu próprio livro do desassossego,
Assim como Allen Ginsberg subiu no topo do prédio da RCA
Subo ate as altas montanhas invisíveis do sentir
O que sinto?
Observo de longe a vasta multidão,
O cotidiano tem nas pontas dos dedos
O fio de cabelo da minha desolação cronometrada,
Eu, uma queda para cima.
Assim como Maldoror passeia com seu buldogue
Passeio com meus fantasmas pelos litorais crepusculares,
Sou o fumo esquecido na ultima respiração de Artaud,
Desintegro meu coração para que ele possa respirar,
Comprimo meu fôlego e entrego aos segundos,
Eles caminham mais acelerados
Por que eu caminho mais acelerado,
O universo me comprime
Eu comprimo o universo,
Nossa troca dissonante de musicas inesgotáveis
Embala o sono latejante dos poetas,
Na rua reencarno-me a cada passo,
Tenho a sensação de estar na bolha de um sonho,
No tentáculo arquitetônico do existir em si,
Assim como Withiman escreveu as folhas da relva
Na sua infinita eternidade,
Escreverei a folha de todos os instantes da alma humana
Em suas sensações eternamente finitamente infinita.





João Leno Lima
Continue

RELVA INVISIVEL

0
02:03




Morre dentro de mim o universo
Cala minha voz eternamente vulcânica
Sangra meu desejo oco por transcendência
Atinge a ultima torre gélida da aurora
Pratica sexo com minha infinitude alucinante
Quem poderia ser eu a não ser, relva.
Punhado de poças de lamas flutuantes
Convexos inesgotáveis
Substancias alquimistas do cosmo
Estrelas que saem das bocas das crianças
Atalho que leva a nuvem
Olhar que devora ate os ossos os movimentos
Não há movimento que não seja inconscientemente observado
Não há desejo sem trasnconciencia mágica
Não há formula que contenha todas as formulas oniscientes
Fujo ate poente
O poente foge-me entre os dedos
invento a leitura matinal da minha alma
Os livros da minha alma estão cheio de traças poéticas
Quero declarar a independência da minha matéria inócua
Que salivar meus sonhos nos ouvidos da inesgotabilidade
Quero atravessar os oceanos dos sentidos
Apenas num absoluto pensamento
Rasgo as folhas em branco
É melhor um poema do que o nada
É melhor o nada do que desaparecimento inevitável
É melhor uma vida do que uma não-vida respirando
A idéia de Deus é oca a idéia que o universo se expande
Este escrito na minha existencialidade
Cada lágrima contem a segredo que move o mundo
Ou cada lágrima contem o segredo que me move
Ou seja, quem será mais improvável eu ou minha sombra?
Minha sombra sangra por mim eu sangro por minha alma
Minha alma sangra mundo o mundo sangra no meu ser
Sua loucura e raciocínio me faze delirar
Numa orgia desesperante e lenta, mas elétrica, mas extraordinária.
Mas inexplorável, mas inalcançável,
mas incompreensível,
mas infinitamente humana...












João Leno Lima
Continue

DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL

0
10:11

















Em que adianta a filosofia da tua existência
Se o que importa para o caos é a orgia
O teu ninfomaníaco vazio atraído pelo teu nada
Ah
Dessa relação nascem fetos-silencio
Estuprados com violência pelos espelhos
Vindos dos cabarés dos reflexos
E da radiografia desse reflexo
Sonhos utópicos de existência

















TITULO DO QUADRO DE MAX ERNST
DUAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADAS POR UM ROUXINOL
Continue

TRANSVERSAL

0
17:26

Despenca sobre mim o impossível.
Sangrando, debatendo-se nos meus poros mundanos,
Vestido de noiva do meu absoluto
Em coito com a magnificência do caos ,
O tempo e o espaço beijando-se no infinito,
Tremendo de frio com olhares,
Castrado sonho que rodopia,
Vagina que ancora sobre a criança chorando,
A visão que perfura a antevisão,
Tecido nervoso que pula de pára-quedas,
Crânio esmagado pelas escalas oitavadas da musica,
Meu copo banqueteado pela lagrima,
Vagando pelos vácuos inaudíveis,
Onde tudo se fragmenta lentamente,
Onde minhas palavras poluem no ambiente da poesia,
Quebro as ondas sonoras da minha memória,
E arremesso-me...Não sou mais eu digo a mim mesmo,
Sou metade tempo metade espaço
Metade vazio metade tudo
Metade silencio metade grito
Metade trasncedentalismo
Metade efemeridade,
A poesia que vem de mim tem gosto inalcansabilidade,
A poesia que vem de mim tem sombra de imensas tempestades,
A poesia que vem de mim não encontra
O amor nem seus mais nebulosos demônios,
Visão que perfura a antevisão
Alastra-me em ódio carnal pela nuvem,
Uma nuvem ataca-me,E me absorve,
Leva-meSou só nuvem agora,
Flutu-o sem rumo pelas bordas da noite do meu sonho,
Qual o maior desejo da minha poesia?
Desabafos infinitos do infinito da pagina,
Vomito minhas vísceras e ela vira palavra,
Que se espalham pelos tubos de ar do cotidiano
Contaminando a manhã com infinitudes,
Escolho a mim mesmo
Escolho o mundo transversal da poesia
Escolho a lógica do impossível.







João Leno Lima Continue

MOMENTO IRREVERSIVEL

0
07:31


A minha forma fantasmagoricamente
se arrasta pelas frechas dos olhos inalcançáveis.
Eu procuro a proteção da minha sombra fragmentada pelo tempo.
Na calçada eu acorrento meus poros numa nuvem desavisada.
Meus olhos procuram o oceano de almas naufragadas para mergulhar.
Mas só encontra o chão para se deitar no caos cinza sem horizonte.





João Leno Lima
Continue

DESCOSMO

0
13:58



Ah Fernando pessoa não passa de um vinho,
Tomado pelo meu desespero.
A morte, essa inesgotável companheira ausente,
De mãos dadas com o invisível.
Traduz certos desvarios nebulosos.
Anti-materia que mordo os calcanhares.
Meu lábio revirando as caixas de segredos da inconsciência mutua,
Traduz teus mecanismos.
Sou a nuvem que paira no teu rosto de vinho.
O cansaço toma-me pelo pescoço.
A febre mutila meu desejo de sobrevoar-me.
Tira-me de mim a inércia carcomida,
Tira esses blocos de concretos sobre meus passos leopardianos,
Fere-me com utopias maçantes e magníficas.
Ah mundo inteiros cabem num só verso
Mas constelações precisam de novos poemas
Para não implodirem de si mesmas.
Escrevo correndo pelos longos túneis do meu trabalho.
Esses olhares em volta pregados nas paredes das razões,
Como quadros abandoados pela ausência fétida da luz do sonho.
Olhando as paisagens ao redor esqueço
Dos imensos terremotos que saboreiam meu fôlego nas noites insones,
Das embarcações-tempestades viajando rumo ao lugar nenhum de mim.
Rumo ao catedrais analgésicas que se recriam na fabula do nada,
Rumo a extensa lista de oníricos inacabados.
Longas línguas ensopando as barbas das angustias,
Espinhos de aço perfurando o gelo do nao-delirio da manhã.
Se espero a letal união futuristica vinda na sonolência imediata,
Espero ter tocado nas sombras de Deus pelo menos na metade quebrável de um segundo.
Canto a canção desrefletida pelos anjos,
Canto o jardim sinfônico regado pelo verso-poeta de tez lúdica
Canto a desafinação momentânea da minha alma.
Em partículas particulares de vozes declamando nuvens-monstros pisoteadores de ausências.
Tua visão extra-corpórea é a nudez que me alucina.
Os lábios cotidianos estão borrados de vermelho sangue
De asas que nunca viram a luz da manhã,
Alguém proclamou a inconsciência dos atos,
Alguém apagou os poemas nunca escritos, mas sentidos com exatidão.
Mesmo assim não é impossível traduzir o poeta,
Já faz poesia quem existe inesgotavelmente existindo.








João Leno Lima
20-05-09
Continue

Mar Intraduzível

0
18:44







Meu coração é um verso numa tarde em frente ao horizonte
Meu horizonte se traduz num poema
Meu poema deságua num oceano de paginas incalculáveis







João Leno Lima
19-05-09
Continue

"impacto é anterior à extinção"

0
17:14

Desde 1980, um asteroide é o principal suspeito da extinção dos dinossauros. Dois novos estudos mostram que eles sobreviveram ao impacto

Em Fantasia, o clássico filme da Disney de 1940 que uniu animação e música erudita, o episódio "Gênesis" faz uma alegoria sobre a evolução da vida na Terra (ao som de "A sagração da primavera", de Igor Stravinsky). "Gênesis" se desenrola na era mesozoica, dos répteis gigantes que habitaram o planeta entre 220 milhões e 65 milhões de anos atrás. O grande astro – meio século antes de O parque dos dinossauros – era o tiranossauro. Em Fantasia, o longo reinado dos dinossauros acaba em tempestades de areia, calor asfixiante e sol abrasador.


Quando só restam esqueletos num mar de dunas, o solo se abre e engole tudo. Cordilheiras projetam-se às alturas, apenas para ser tragadas pelo dilúvio universal. O cataclismo reflete uma concepção ultrapassada da extinção dos dinossauros. Desde 1980, sabe-se que o vilão foi a queda de um meteoro no México. Será?


Dois estudos publicados no final de abril podem afundar a teoria do meteoro. Num deles, a geóloga alemã Gerta Keller, de 64 anos, da Universidade Princeton, diz que o meteoro não causou a extinção. No outro, James Fassett, de 76 anos, geólogo aposentado do Serviço Geológico americano, não descarta que o meteoro tenha sido responsável pela extinção – mas seu efeito não foi imediato. Ele descobriu que havia dinossauros na Terra 500 mil anos depois do impacto.


Entender a causa da extinção dos monstros "antediluvianos" é uma meta da ciência desde 1842, quando o inglês Richard Owen cunhou o termo dinossauro (do grego deinos, terrível, e sauros, lagarto). Teorias nunca faltaram. A primeira foi a do dilúvio. O fim dos dinos já foi creditado a uma supernova, uma estrela vizinha do Sol que explodiu, banhando a Terra com radiação mortífera. Em outra hipótese, a Terra cruzou uma nuvem de gás interestelar que teria sufocado os bichos. Culpou-se até um vírus, que seria causador de uma pandemia planetária.


Essas teorias começaram a ser descartadas em 1980, quando os americanos Luis Alvarez, um físico ganhador do Nobel, e seu filho Walter, um geólogo, disseram que o vilão veio do espaço. Eles descobriram um acúmulo anormal do elemento químico irídio numa estreita faixa de rochas de 65,5 milhões de anos, o chamado limite K/T. Abaixo dele, estão as últimas rochas do período Cretáceo (K), quando ainda havia dinossauros.


Acima, estão as rochas terciárias (T), onde eles desapareceram. O irídio quase não existe na Terra, mas é abundante em meteoros. Luis e Walter Alvarez calcularam que a concentração de irídio decorreria da queda de um astro de 10 quilômetros de diâmetro, voando a 20 mil quilômetros por hora. O impacto teria gerado uma explosão igual a 5 bilhões de bombas de Hiroxima. Montanhas de rocha pulverizada foram lançadas na estratosfera, cobrindo o Sol por séculos. Segundo a tese, os animais que não morreram de imediato sucumbiram à fome e ao frio.


Em 1991, a teoria ganhou ares de fato comprovado. Prospecções petrolíferas no Golfo do México detectaram a cratera do meteoro. Ela tem 180 quilômetros de diâmetro e está soterrada por 2 quilômetros de rocha, sob a cidade de Chicxulub, na Península do Yucatán, no México. Escavações provaram sua idade: 65,5 milhões de anos. Tudo levava a crer que Luis e Walter Alvarez tinham razão. Ou não?


Os paleontólogos nunca se convenceram. Eles sabem que o meteoro poupou as espécies menores e muitas de grande porte. Os tubarões surgiram há 400 milhões de anos e sobreviveram incólumes.


O mesmo se deu com os crocodilos. Quem sumiu foram os grandes répteis, nas versões alada (pterossauros) e marinha (plesiossauros), e a maioria dos terrestres, os dinossauros. Nem todos. Alguns sobreviveram. São as aves


Desde 1989, Keller quer provar que a queda do meteoro não acabou com os dinossauros. "Nos últimos 20 anos, tenho sido a bad girl da geologia", disse a ÉPOCA, enfatizando seu distanciamento dos colegas geólogos, para quem a teoria do meteoro era fato consumado.


Em 2004, Keller foi ao México coletar rochas em torno do limite K/T. Ao analisá-las, achou fósseis de 52 espécies de animais abaixo da faixa de irídio. As mesmas 52 espécies continuavam presentes nos 9 metros de sedimento acima da faixa, depositados durante 300 mil anos. "É a prova de que o meteoro precedeu à extinção em 300 mil anos", diz Keller no estudo publicado no Journal of the Geological Society of London. "Nenhuma espécie se extinguiu como resultado do impacto."


Se não foi o meteoro, o que causou a extinção? "Sabe-se que, bem antes da extinção, os dinossauros sofriam uma redução de biodiversidade", diz Keller. "A extinção não foi repentina. Ela se deu ao longo de 2 milhões de anos, em quatro ondas sucessivas." Keller achou evidências dessas extinções em amostras coletadas no México, no Texas e no Oceano Índico. Todas apontam um culpado: a megaerupção vulcânica iniciada há 68 milhões de anos nas Deccan Traps, um planalto formado pelo acúmulo de lava no centro-sul da Índia. "A primeira erupção ocorreu 2 milhões de anos antes do meteoro", diz Keller. "As outras três se deram acima do limite K/T. A última foi a pior de todas. Ocorreu 300 mil anos após o impacto em Chicxulub." As erupções provocaram um colossal vazamento de magma, que cobriu com 3,5 quilômetros de lava uma área do tamanho do Amazonas, alterando o clima do planeta. "As espécies que não se adaptaram à mudança climática desapareceram", diz Keller. "Foi o caso dos dinossauros."


Fassett não inocenta o meteoro. Mas afirma que nem todos os dinossauros sumiram. Ao estudar amostras de solo coletadas no Novo México e no Colorado, 500 mil anos mais recentes que a faixa de irídio, Fassett achou 34 ossos de um alamossauro, um dino bípede de 10 metros de comprimento – conforme narra no periódico Palaeontologia Electronica. "Os ossos não foram espalhados pela erosão. A conclusão é que o animal viveu 500 mil anos após o impacto", disse a ÉPOCA. "É uma evidência inequívoca de que os dinossauros não se extinguiram de imediato."


Entre os paleontólogos, é quase consenso que o meteoro é página virada. "As Deccan Traps estavam causando um enorme estresse ambiental antes do impacto", diz Donald Prothero, um respeitado paleontólogo americano. "Apesar da fascinação da imprensa com o modelo do asteroide, a extinção foi complexa demais para ser explicada por uma pedra do espaço."


Fonte>http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3508&Itemid=88
Continue

MORNING BELL

1
13:38

No jornal dessa manhã
Vi frágeis crianças se dissolvendo nas salivas do abandono.
Foi quando me tornei mais veloz
Que os leopardos flutuantes da minha angustia
E pensei no absoluto.
Nessa manhã insuportável para algumas almas
A minha encontrava o sublime no alvoroço da inevitabilidade do dia
Encontrava leves seres desacordados após delírios antepassados das madrugadas
Leves viajantes dos ônibus subaquáticos dos oceanos dos instantes
Leves e tão ou mais perdidos que eu sob as nuvens das obrigações
Meu deus... Basta-me o sublime!
Para perceber além dos cinzentos fatos dessa manhã.

























João Leno Lima
19-05-09
Continue

FEBRE COSMICA

1
13:00

Atravesso um túnel
Com paredes de soluço
E encontro abrigo
Do outro lado da alma...

Do outro lado da alma
Onde encontro abrigo
Atravesso um túnel
Com paredes de soluços

Encontro abrigo
No outro lado da alma
Com paredes de soluços
Atravesso um túnel

Com paredes de soluço
O túnel atravesso
Para encontrar no outro
Lado da alma o abrigo

Atravessoatravessoatravesatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravessoatravesso

Tuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltuneltunel

Paredesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedesparedes

Soluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluçosoluço

Encontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontroencontro

Abrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigoabrigo

Outrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutrooutro

Ladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladoladolado...

...Da alma.





João Leno Lima
15-05-2009
Continue

CANIBALESCO

0
14:02



...
Sinto-me...
Vácuo Vácuo VácuoVácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo VácuoVácuoVácuo...
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo
Vácuo Vácuo
Vácuo... Vácuo... Vácuo
Vácuo Vácuo Vácuo...
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
Vácuo
... Vácuo
SINTO-ME?
Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo Vácuo...






João Leno Lima
14-05-2009 Continue

CAN - Tago-Mago (1971)

0
01:55

Esse disco é uma experiência psiquica iniqualável.

É provável que seja o álbum mais amado dos CAN
aquele que desenvolveu maior e irresistível aura mítica em seu redor.
Um catálogo de experiências sónicas, que teria feito Stockhausen e Berio
desmaiar de inveja nos seus estúdios,
enquanto buscavam o definitivo som hipnótico.
Capa propositadamente ingénua em “primitive-painting”,
título anunciando a palavra mágica de uma primordial linguagem,
que se poderá repetir até à exaustão.
Depois das espasmódicas e perturbantes gravações com Malcolm Mooney
em “Monster Movie” (há ainda “Delay 1968”, editado postumamente) de 1969
e em metade de “Soundtracks” (há temas recuperados em “Unlimited Edition”,
mais tarde, vocalizados por Malcolm),
os CAN encetaram uma empolgante trilogia com Damo Suzuki,
esticando como ninguém o conceito de fusão experimental.
Donos de uma genialidade subversiva,
foram uma voz essencial de um movimento musical
sediado no coração da Europa industrial, denominado “Krautrock”
(possivelmente num “brainstorming” de um crítico americano),
epíteto nada abonatório para diferençar a excêntrica música alemã,
fora do puzzle e sem bases claras no rhythm & blues.
Cá para nós faz mais sentido o termo “rock alemão”.
Estabelecer coordenadas
para um disco tão arrevesado como este não é tarefa fácil.
Os CAN tal como os Faust, subiram a cordilheira a pique,
e há uma foto admirável no livrete
em que os cinco músicos escalam uma montanha,
metáfora fascinante para caracterizar
a herança que legaram à música popular.
Os CAN sempre estiveram cinco milhas acima,
e estudando “Tago-Mago”
podemos pensar nos universos de H.P. Lovecraft
e Philip K. Dick, em utopias de ficção científica,
nos Novos Expressionistas ou no Realismo Fantástico,
nas heranças étnicas e no poder macrobiótico,
para nomear aleatoriamente.
“Tago-Mago” abre com o psicadelismo, “Paperhouse”
e “Mushroom” são duas faces da mesma alteração caleidoscópica;
“Paperhouse” é enérgico e nervoso, repleto de ritmos trepidantes;
“Mushroom” é uma dança narcótica arrastada pelo coração aos pulos.
Ambos os temas revelam finalmente a maturidade do grupo
e uma inequívoca união criativa,
Holger Czukay referindo-se ao grupo
viu-o como um “enorme e vibrante organismo”.
Todo o psicadelismo posterior viria absorver aqui,
envergonhado com o estigma do rock progressivo,
uma linguagem sóbria distante da paleta de cores “hippie”,
veja-se o caso dos Sonic Youth, My Blood Valentine
ou obviamente todos os grupos de Manchester e Liverpool.
Aliás “Mushroom” é porventura o duradouro ícone da canção psicadélica,
se Syd Barrett nos autorizar pois não vamos esquecer
“Astronomy Domine” e “Lucifer Sam”.
A carga apocalíptica, a guitarra atingindo subliminarmente o cérebro
em cicatrizes dolorosas, a bateria inconfundível de Jaki Liebezeit
(portento de baterista ao lado de Bill Bruford
e Dave Kerman, este nos dias de hoje!)
insistindo num ritmo selvagem (tem passos de elefante),
escutado secretamente em algum ritual ancestral.
“Oh Yeah” começa no campo da explosão nuclear de “Mushroom”,
uma cavalgada feérica programada pelos teclados de Schmidt,
a voz de Suzuki a ditar textos ao contrário,
um breve momento de paisagismo vespertino,
logo incendiado por rifes de guitarra em chamase percussão ensimesmada.
“Halleluhwah” é um mantra “rockligioso” afinado pelo “wah-wah” das guitarras
e um baixo mais sóbrio, os teclados esfumando-se em resquícios estelares,
a bateria presa a um ponto qualquer do espaço,
movimentando-se em padrões circulares.
Ainda há tempo para Karoli improvisar em límpida guitarra acústica
e num violino tocado pela luz do Ganges.
Na parte final, o baixo vai na dianteira banhando-se
em aquáticas ondulações dos teclados,
tudo inesperadamente sugado
por um buraco negro em desvario concêntrico,
os instrumentos peneirados no cosmos e Suzuki acordando da câmara de sono,
exaltado com novas vistas além.
“Aumgn” e “Peking O” são de outra nascença,
toda a sequência do primeiro é inimitável na música popular
e abala-nos profundamente, mas no segundo
já é fácil soltarmos um sorriso nervoso face a toda aquela neurose extravagante.
“Aumgn”, distorção animalesca do som sagrado Aum (ou Om),
nunca apareceria num disco dos Moody Blues, vá não vamos brincar,
mete tanto medo como “Nature Unveiled” dos Current 93
ou “Saint Of the Pit” de Diamanda Gàlas.
Há vibrações, ruídos e lamentações,
contrabaixos sufocados para surtirem o efeito cavernoso,
a devoção vinda do susto, instrumentos atirados ao chão;
há pânico, gritos, berros e urros,
é impressão minha ou Suzuki chega a ladrar,
transfigurado em lobisomem no estúdio?
A visita correu mal, somos apanhados no meio de mil tambores
que criam uma sequência impressionante,
os teclados indicam erro, a percussão insistente redobra a cadência,
urros abafados e num abrir e fechar de olhos estamos a salvo,
toca a conquistar outro planeta, teremos sorte desta vez?
Não, a julgar pelo discurso de camisa-de-força
do ditador na tribuna de “Peking O”.
Ainda há um interregno lounge,
onde as caixas de ritmo adoçam a disfunção,
mas Suzuki é irredutível na sua demente personagem,
as caixas de ritmo não têm antídoto e saltitam,
Suzuki disparata com garatujas vocais,
impropérios em línguas desconhecidas,
onomatopeias atormentadas, a um passo do precipício nesta insanidade.
E o grupo com culpa no cartório, atirando-se para cima dos instrumentos:
exorcismo ou catarse?Para serenar os sentidos,
Czukay e comparsas trazem uma certa bonança em “Bring Me Coffee or Tea”,
um órgão delicioso traz bom vento
e os CAN estão de férias no País das Maravilhas,
em ácida sugestão de bebidas modificadas (Ei, Gong!)
e o álbum desloca-se em serenidade aparentemente controlada,
mas a encerrar um certo entusiasmo na despedida
deixa adivinhar que puseram qualquer coisa no chá…
“Tago-Mago” é um padrão de descobrimentos,
competindo com o marco de estrada dos Kraftwerk.
Continue

krautrock

0
12:26


Julian Cope editou em 1995 o livro Krautrocksampler, obra fundamental na redescoberta da cena “krautrock” alemã surgida em finais dos anos 60/princípios dos anos 70. Segue-se uma listagem por ordem alfabética dos 50 álbuns mais representativos do género para o bardo louco dos Teardrop Explodes.


Um breve guia para iniciar a viagem ao maravilhoso mundo da “kosmische musik”.


1. Amon Düül I - Paradieswärts Düül (1970)
2. Amon Düül II - Phallus Dei (1969)
3. Amon Düül II – Yeti (1970)
4. Amon Düül II - Carnival In Babylon (1972)
5. Amon Düül II - Wolf City (1972)
6. Ash Ra Tempel - Ash Ra Tempel (1971)
7. Ash Ra Tempel – Schwingungen (1972)
8. Ash Ra Tempel & Timothy Leary – Seven Up (1973)
9. Ash Ra Tempel - Join Inn (1973)
10. Can - Monster Movie (1969)
11. Can – Soundtracks (1970)
12. Can - Tago Mago (1971)
13. Can - Ege Bamyasi (1972)
14. Can – Delay 1968 (1981)
15. Cluster - Cluster II (1972)
16. Cluster – Zuckerzeit (1974)
17. Cluster – Sowiesoso (1996)
18. Tony Conrad w/ Faust - Outside The Dream Syndicate (1972)
19. Cosmic Jokers - Cosmic Jokers (1973)
20. Cosmic Jokers - Galactic Supermarket (1974)
21. Cosmic Jokers - Planeten Sit-In (1974)
22. Cosmic Jokers - Sci-Fi Party (1974)
23. Cosmic Jokers & Sternmadchen - Gilles Zeitschiff (1974)
24. Faust – Faust (1971)
25. Faust - So Far (1972)
26. Faust - The Faust Tapes (1973)
27. Faust – IV (1974)
28. Sergius Golowin - Lord Krishna Von Goloka (1973)
29. Guru Guru - U.F.O. (1970)
30. Harmonia - Musik Von Harmonia (1974)
31. Harmonia – Deluxe (1975)
32. Kraftwerk - Kraftwerk (1970)
33. La Dusseldorf - La Dusseldorf (1976)
34. La Dusseldorf – Viva (1978)
35. Moebius & Plank – Rastakraut Pasta (1980)
36. Neu! - Neu! (1972)
37. Neu! - Neu! 2 (1973)
38. Neu! - Neu! '75 (1975)
39. Popol Vuh – Affenstunde (1970)
40. Popol Vuh - In Den Gärten Pharaos (1971)
41. Popol Vuh - Einjäger & Siebenjäger (1974)
42. Popol Vuh - Hosianna Mantra (1972)
43. Tangerine Dream - Electronic Meditation (1970)
44. Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971)
45. Tangerine Dream - Zeit (1972)
46. Tangerine Dream – Atem (1973)
47. Klaus Schulze – Irrlicht (1972)
48. Klaus Schulze - Black Dance (1974)
49. Walter Wegmuller – Tarot (1973)
50. Witthuser & Westrupp - Trips & Traume (1971)
Continue

"FRAGMANTO"

0
11:29




Confesso...
Tentei senti todo os universos de uma só vez...
Restaram poemas,
que são pequena formas de reconciliação
e asas que são pequenos pergaminhos escritos
em nossos sentidos para traduzirmos com poesia.
sim confesso de uma só vez...
cometi o ato-poema
e sinto-me NELE e
Perto de todos os universos
mas ainda longe de mim por completo.











João Leno Lima
13-05-09
Continue

MOMENTÂNEO

0
14:02


Ao som do relâmpago inicio o poema.
Mas antes de inicia-lo bebo as manhãs chuvosas lá fora incompreendias.
Colido com as gotas.
Há frascos-destino rachando.
Planejo palavras que nao saem,
e rabiscos poemas invisíveis sobre o poema visível.
O choque entre as nuvens dos meus pensamentos ensurdece o espírito.
ah viajantes solitários,
viajo em cada gota da chuva que irá se chocar com o solo-abismo.
suicidando-me para melhor sentir os fragmentos do todo
clamo pela eletrecidade do caos.
suspiro nos litorais-asas onde perco o foco.
bebo rimbund como se vinho fosse.
enveneno-me com as páginas mudas
meus dias ocultos a mim e nublados com sol.
clamo pelo próximo relâmpago.
penetrarei no véu das estrelas cadentes
e sentarei na pedra que separou o sonho e o poeta
quem, quem ira conter a ausência?
planto fôlegos e latejamentos.
há um quintal de delírio no quarto vulcânico.
a rua Vinte e um de Abril
são os longos degraus por onde adormeço e acordo vácuo.
quero vômita-la nos anéis de saturno fronteirissos.
quero ser a comunicação entre as nuvens.
leve-me para uma breve eternidade ó anjos
e solte-me desse cansaço de ser.
nao quero mecanismo.
nao quero formulas acabadas.
nao quero olhares de descaso.
nao quero ser possuido pela certeza fria.
nao quero ouvir minha razao kamikaze.
nao quero simplesmente flutuar.
nao quero vagar pelos ceu da boca de Deus.
entao...
ao som do relâmpago inicio o poema.






João Leno Lima
Continue

MAR LAPSIANTE

0
09:43


No leme azul dos fragmentos ,
algo poça vira um mar
que assola a consciência do grito asfixiado.

No leme azul dos fragmentos,
meus pedaços são arremessados
nas bocas úmidas do leopardo da noite.

No leme azul dos fragmentos,
a memória arranha seu corpo
com estilhaços da hora metralhada pelo destino.

No leme azul dos fragmentos,
um câncer vazio carcomida os litorais irreversíveis do ser
desbotado de delírios...

Ah! leme azul dos fragmentos
que esse navio-ser encontre a direção irremediável
do sonho-abraço recipocro.











João Leno Lima
12-05-2009
Continue

PULSAR DESERTICO

1
10:28


à Nádia


Ao Som de “Trouble”
de Elliot Smith.


Há sobre a alma um canto desolado.
Há sobre a alma uma chuva de pianos.
Há sobre a alma uma febre fragmentaria.
Há sobre a alma a sede no centro do mar da lágrima.
Há sobre a alma a pulsação que comove deus
Há sobre a alma um grito oculto vindo do feto ao encontrar a luz do mundo.
Há sobre a alma a ausência dos versos de um poema.
Há sobre a alma as mãos que vão embora.
Há sobre a alma o suor fantasmagórico das idas e vindas.
Há sobre a alma o amor as estrelas e universos de cada um.
Há sobre a alma um leve sopro de deserto.
Há sobre a alma dentes que se arranham de angustias.
Há sobre a alma mecanismos de noites de frio descamacado.
Há sobre a alma olhos que se olham mas não se sentem.
Há sobre a alma crianças brincando no útero da noite.
Há sobre a alma bêbados mergulhados em si mesmos.
Há sobre a alma lisérgicos homens despencando das escadarias da solidão.
Há sobre a alma um uivo partido.
Há sobre a alma verbos asfixiados pela mudez.
Há sobre a alma as palavras que fogem ou que nunca se fazem presentes.
Há sobre a alma o poema rabiscado que chora desprezado.
Há sobre alma a música ferozmente criada, mas mutilada pelo esquecimento.
Há sobre a alma as asas dos desejos.
Há sobre a alma o cúmplice olhar para si.
Há sobre a alma o peso recipocro de existir.
Há sobre a alma um esfarelamento de sentidos.
Há sobre a alma migalhas de horas absolutas.
Há sobre a alma túneis secretos sem saída.
Há sobre a alma papeis borrados irreversíveis.
Há sobre a alma mãos ao rosto-abrigo.
Há sobre a alma cansaço tempestuoso.
Há sobre a alma neblinas de sombras de outroras.
Há sobre a alma
Há sobre a alma
O peso de
Ser.









João Leno Lima
11-05-2009
Continue

O Subtexto da chuva

1
11:29





Nesses dias de chuva,

há algo de extremidade no Fôlego.

Pequenas aglutinações

de estreitos mecanismos-ponte.

O silêncio não é mais só o silêncio,

Ele é um abismo...

Não despenco dessa vez.

Pairo...

Nas paisagens...

Não se pode conter a eternidade.








João Leno Lima
08-05-09 Continue