5

5
13:17
Quadro de Van Gogh


Ao me reconciliar com os universos eu alcanço-me.
olhares calmos mesmo no escuro
entregam-se ao absoluto sussurro.
sobrevôo os firmamentos
as esferas
os hemisférios
os quatro cantos dos cinco sentidos
e laço-me pelos campos vangohganos
como nuvens sopradas pelos deuses
para entrelaçar nossos olhos com o sublime.
com tua voz eu espero asas.
me transformo em cometa ao atingir o tempo-espaço,
o átomo que percorre os mundos para se unir a novas existências,
a matemática do invisível visível no sentir,
a música que se constrói e se desfaz
os satélites de saturnos me abraçando,
pequenos poentes brotam nas minhas mãos,
observo as nuvens para encontrar tua forma magistral.
o verme do medo devora a sombra do meu passado,
no império dos meus sentidos
decreto a infinitude do sonho,
Van Gogh e Magritte te esculpiram na minha alma possível,
blues e vinhos sentados na montanha flutuante,
nos campos verdes
almas vestidas de nuvens dançam nos nossos sentidos,
quantos sentidos são possíveis num sonho impossível?
não existe sonho impossível
existe a força na natureza do sentir...
sinto...
Chat Baker tocando nos anos luz das minhas memórias,
sinto o vento do tempo-espaço,
canto-me além de mim,
dou contornos no meu mundo,
voltas e voltas no mar das sensações,
antídoto feito de versos perfeitos,
não, não quero fugir dos universos,
não quero definhar perto da porta irreal,
sim, esse poema lança-se
buscando universos inteiros dentro e fora de mim
sim, na melancólica meia luz das noites solitárias
minha alma brilha para iluminar novos versos sendo escritos,
a profundidade de um verso é mesma de um sonho,
a profundidade do sonho é a mesma da alma,
a profundidade da alma é a mesma de uma poesia,
e a profundidade da poesia é cada um nós
e despenco para cima rumo ao sublime...
ah...reconciliando-me com todos os universos



bY: João Leno Lima

24 de Outubro de 2008
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Os Amantes

4
11:47

Quadro "Os Amantes" do mestre Magritte.


Já sinto a eternidade.
antes vácuo antes vazio
agora partículas de imensidões
causam estrondos de ondas no oceano invisível,
e o que era antes de invisível
agora é visível pelos olhos da minha alma.
sim, já sinto a eternidade.
curo minha dor percorrendo os universos dos meus sonhos.
lavo-me na fonte das nossas memórias mais sublimes,
tento domar minha sede indomável
no mar de todas as poesias,
indivisíveis cometas desbravando poentes estelares
e nuvens cinza sobrevoando densas camadas de medo e solidão,
e se não percebemos quando o impossível se torna possível
pelo simples fato de já acreditrar-mos mais?.
fundo-me em mergulhos
no gelado campo devastado lacrimejantemente
como os violinos tocando por anjos solitários num confim sem sonho,
recupero-me sendo abismo no próprio abismo,
saio de mãos dadas com a força de mil sentidos
e entrego-me a saturno e outro lugares comuns a minha alma,
ouço a voz delicada sussurrando a si mesmo como se fosse ela toda,
na praça antes deserta agora magistral
vejo meu sonho engolir os gigantes sem poesia
com a poesia de si mesma,
sucumbo as vezes mas todos sucumbem as vezes
e isso faz parte da pintura do sentir,
nossa música espectral toca nos ouvidos de deus,
preciso da inesgotalidade do mundo,
e o mundo quer devorar minha inesgotabilidade,
como o jóquei perdido no mundo estranho a si
eu fragmento-me em feixes de luz sobre os hemisférios do absoluto,
flores com formas de estradas para serem percorridas,
ventos feitos de braços estendidos para serem abraçados,
pianos que se desdobram enroscando no corpo como som de água pura,
vozes como arco-íris para fazer-se perceber ao longe,
vinis de delirios e fotografia do futuro,
acalmo teu corpo no suave escuro esconderijo onde brilha nossas almas,
Digo-te não palavras mas sim versos,
dize-me, não respostas, mas pequenos livros de cabeceira
para meu infinito onde leio e releio enquanto cruzo galáxias,
tudo isso na verdade
é por que eu...
já sinto a eternidade.


*O Titulo também é uma Referência ao Quadro
“Os Amantes” de René Magritte.
Poema de João Leno Lima
Em 17 de Outubro de 2008
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A Infinita Asa do Infinito

2
15:07

imagem do Quadro de Rene Magritte.



A solidão quer arrancar uma das asas da minha alma.
Anjos devoradores de silêncios mútuos,
baixem sobre mim
Tua chuva de calmarias vespertinas!
Qual a chave que abre a porta para fora do abismo do pesadelo?
Tua estranha presença vinda do âmago do sonho me Liberta,
Quero me exilar na tua eternidade.
Lançarei-me para teu longe mais próximo,
Mais do que a solidão dos náufragos
Ou a solidão da mãe ao perder seu filho,
A minha solidão é a solidão de uma
Nuvem que se perdeu do rebanho,
Mas ainda flutua...
Ainda desejo encontrar o absoluto.
Por favor, Deus, abra essa porta,
Quero jogar para fora Essas Memórias
Para ter mais espaço aqui dentro para novas
Memórias magníficas e inesgotáveis!
Estou ansioso pelo gole do sonho voador
Como recompensa para a Alma.
Apavora-me pensar no teu desaparecimento,
Apavora-me menos pensar no meu.
A eternidade é uma poesia com versos que jamais se repetem
Sempre novos, novos sentir;
Saídos dos sentidos que ainda nem alcançamos por Completo,
Deuses e sonhos!
Fazem com que eu não me esqueça que
Também sou infinito.
Longas esperas vulneráveis,
Fantasmas discretos trazendo suaves vertigens,
Paredes de concreto de medo e fracasso definhando,
O esquecimento da dor é um anjo de morte que me traz vida,
Jovens e alucinados, sou escravo da liberdade das poesias!
Van Gogh pousou na minha orelha
E disse-me meu novo poema, sentir...
Trazendo-me de volta
Meu rosto roça o teu rosto como se estivesse tocando um violino,
Só ha ilusão quando o sonho não é sentido
Como se fosse matéria viva interminável.
E quando ao mergulhar num sonho perdemos o ar
E nos sentimentos sufocados,
Devemos então começa a respirar sentimentos.
Às vezes minha alma visita os litorais distantes de algum mar
Vou com ela, mais do que uma obrigação,
É a força da minha natureza seguir a alma.
Ah Álvaro de campos, antes do ópio;
Beba o infinito da sua própria alma
Com a força da certeza do sentir.
Estou em paz com os crepúsculos
E preciso escrever uma musica para a aurora.
Depois de chuva e antes da chuva
Nossos pensamentos se encontraram num arco-íris.
Cada segundo é uma letra no alfabeto da nossa infinitude.
Como um poeta em estado de transcendência irremediável;
Quando estou perto de ti, estou perto de mim mesmo em absoluto.
Só o absoluto compreende os caminhos que quero traçar.
E mesmo que a solidão tente arrancar as asas da minha alma,
Eu renascerei sempre quando alguém em algum lugar do universo
Estiver... Sonhando.



By João Leno Lima
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Um unico todos os universos

2
13:25


no oceano de mim mais profundamente distante
rastros de infinitos deixam marcas no tempo,
as melodias suaves melodias
indivisíveis embalam novas auroras,
e eu, antes alma errática sobrevivente ao
vazio gole de mim e do mundo,
agora, erradio inesgotáveis sóis sobre meus
universos exuberantes,
mesmo que a historia se
repetir e eu cair
espatifando-me no abstrato chão do abismo,
minha alma ficará intacta como o vento mais perfeito,
quantos universos ainda precisarei
conhecer ate conhece-me
completamente?,
vago entre intermediarias
confusões desangustiadoras
e entulhos de muros
derrubados pela minha translucidez contínua
com a sanidade das galáxias,
estamos em todas as
dimensões ao mesmo tempo
sendo nossas almas uma, onde estrelas infinitas
giram em torno de nós
e na ausência da lógica do futuro viajamos
como cometas desbravando o espaço desconhecido,
o que será de nós se confunde
com o nascimento de uma
estrela que poderá ser
engolida por um buraco
negro ou pode se tornar o
centro de luz do magnetismo
do tempo-espaço mais inesgotáveis,
não mais um solitário oceano,
não mais um crepuscular deserto,
não mais a voz rouca de um
poente dissonante,
não mais céu sem nuvens
e auroras sem corações pulsantes,
não mais o rumo natural de precipício,
não mais nao-eu e ninguém,
atravessando os mares, Lisboa,
campos abertos nos paises baixos,
luzes vermelhas no oriente
penetrando nas densas
camadas geladas,
pelas desolações dos povos abandonados
pela respiração ofegante do nascimento de um novo ser,
pousando nas pálpebras
de um inocente pairando na
noite sem eco, pelas ruas
oblíquos às memórias,
pelos beijos roubados da noite,
pelo vento trazendo as mãos
pra perto da outra, por
nossas asas que tem o
tamanho dos universos,
nós, o poema e a poesia
unindo-se na perfeição do
sonho, nós, auroras e crepúsculos na mesma música,
gritos engolidos por silêncios esplendidos,
profundezas absolutas como pegadas visíveis,
chuvas saídas primeiro de nossos pensamentos,
luas que brotam nas mãos leves,
ventos como personagem de um quadro perfeito.



By João Leno Lima
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A Estrela da Manhã

0
11:20


Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu

ia nua Desapareceu com quem?

Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo Que me importa?

Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida Ladrão,

pulha, falsário Virgem mal-sexuada

Atribuladora dos aflitos Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigoTe esperarei com mafuás novenas cavalhadas

comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte

Pura ou degradada

até a última baixeza

eu quero a estrela da manhã!!!



By Manual Bandeira
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Profundezas

2
08:57

estou em todos os oceanos mais profundos,
nadando em correntezas revoltosas rumo ao sublime,
navegando em estradas ensopadas
de memórias dilaceradas por medo e sonhos,
o sonho nadando comigo
é a representação suprema dessa realidade,
versos-peixe trafegando em meios a encontros com o destino,
instantes saindo de pequenas crateras
e becos escuros onde também reside lagrimas
em tom claro-escuro,
meu corpo é a matéria oceânica
onde sussurros brotam para atrair algas soluçantes,
desço mais perto de mim mesmo,
adormeço perto dos dentes
feito cravos transcendentais dos tubarões
e acordo em meio a gemido uivante das baleias
que pretendem alcançar a lua mais uma vez,
vozes distantes vindos das mais distantes
profundezas oceânicas dos universos
Carregam-me nos braços
como a mãe que carrega seu bebe
ate as portas no seu oceano intimo
e vou com elas para as mais perfeitas eternidades
sabendo que o oceano é uma parte da minha alma
assim como as nuvens
e os universos inteiros
e que meu ser quebra-se como uma onda
no infinito ao alcançá-lo
e sabendo que meus sonhos jamais naufragam
assim como os oceanos que não se esgotam
nem as nuvem deixam de sobrevoá-los
eu sobrevôo a mim mesmo
como toda a profundidade dos sentidos
sim, sou todos os oceanos que sonho.



By João Leno Lima
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A Natureza Intima Absoluta

2
08:18





Quero todos os universos ao mesmo tempo.
cada gota da chuva e canto do mundo,
fragmentos do espaço interior de cada ser
e restos de delírios de cada sonho,
na verdade quero cada sonho
e mergulhar minha alma
num estado transcendente
entre a nuvem e o cosmo absoluto.
quero todos os universos ao mesmo tempo,
transformar tua sombra
num bom ambiente pra leituras magníficas
e teu lábios num pequeno tesouro
com anéis de saturno em volta,
quero embarcar numa paixão inevitável
e sucumbir só quando o sol estiver sucumbindo
lá nos tempos remotos quando serei de outro mundo,
quero correr pelos poentes
a procura do melhor angulo de visão do horizonte
quero segurar nos braços do futuro
e não mais nas pontas dos dedos,
o espaço irreparável onde dois seres se cruzam
formando ecos tempestuosos, mas que jamais cessam
a chama secreta da memória viva.
preciso reencarnar dentro dos meus próprios sonhos
e ter a chance de ser todos
e ninguém ao mesmo tempo mais ume vez,
como o deserto jamais
deserto para si mesmo por ser seu todo,
como a lua inexplivacelmente radiante num céu intimo,
quero todos os universos ao mesmo tempo,
na profunda profanação da escuridão,
desdenhando espíritos mutilados por si mesmo;
que pretendem mutilar o organismo da minha liberdade,
capsular meu olhos e deixá-los turvos,
estou pronto para ser absudizo pelo útero dos deuses,
sou a esperança feita meteria,
sou aquela criança que se viu adulta
e chorou nos colos do crepúsculo
e recebeu seus conselhos que alegraram a aurora,
ah quero todos os universos ao mesmo tempo,
nenhuma fagulha de nada e vazio me engoli
por que estou dentro das profundezas
das mais âmagas das distancias intimas,
pretendo ser oceano
logo em seguida de ser um buraco negro reverso
que irradiará luz
para os cantos mais nebulosos das almas,
cada lágrima me cobrirá com seu manto celeste
vindo do silencio de um instante sublime
onde perceberei a beleza que há em viver,
no alvoroço das ruas perceberei de longe
as caricias dos sonhos sendo consumados
para dá lugar a outros sonhos,
abismos e precipícios sempre existirão
mas eu quero todos os infinitos ao mesmo tempo.


By João Leno Lima

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Motion Picture Soundtrack

1
10:06
Vinho tinto e pílulas para dormir
Me ajudam a voltar pros seus braços
Sexo barato e filmes tristes
Me ajudam a voltar pra onde eu comecei

Eu acho que você é louco, talvez
Eu acho que você é louco, talvez

Pare de mandar cartas
Cartas sempre acabam queimadas
Não é como nos filmes
Eles nos alimentam com mentiras brancas

Eu acho que você é louco, talvez
Eu acho que você é louco, talvez


Eu verei você na próxima vida


By: Thom Yorke
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A INFINITA ORELHA DE VAN GOGH

3
19:01
Quadro de Vincent Van Gogh



Na solidão eu não encontro silencio.
Ela é como um grito
Feito numa pintura intima e recipocra
Onde pequenas crianças dançam com as nuvens,
Estou girando em partes desesticuladas
Uns véus de pensamentos tempestuosos rodeiam,
O equilíbrio é um pedaço de poema escondido de mim,
Ponho as mãos na cabeça para sentir o calor da alma,
Ha uma chuva lá fora que me persegue,
Estou calmo como os trovoes inalcançáveis,
Penso naquele olhar
Como o nascimento de um oceano sublime,
Passeio com asas pelas ruas,
Logo estou sem elas flutuando,
Meu coração é um descompasso sinfônico
Na aurora da hora exata desse poema,
Meus pensamentos são longas peças teatrais no crepúsculo,
Onde desejei vencer o medo do fracasso
Segurando nas mãos do sentir,
Não ha verdade absoluta no poema, há verdade intima,
Sinto o cansaço das relações supremas comigo mesmo,
Sinto a febre da impaciência transcendente,
Sinto a gota de água como se fosse uma represa indomável,
Disseram-me que a alma esta onde o pensamento esta,
Pois estou dentro de mim agora,
Quero beber da minha própria alma
E dá vida a vida que vem fora de mim,
As pequenas conversações
Entrelaçadas no alvoroço das ruas revelam-me o segredo:
Que faço parte das constelações.
Cada visita ao irreparável lago das almas de cores diversas
Eu toco nos rostos do ser real, a natureza,
Será que o homem deveria conhecer a si mesmo antes de amar?
Um pedaço da minha alma quer te mover pelos universos inteiros
A outra quer te acompanhar, como posso?
Quero engolir os meteoros e me tornar um viajante dos sentidos,
Quero ser levado pelas nuvens e depois fazer parte da chuva
Que se tornará o cenário para o baile do tempo
E dos amantes invisíveis
Ou inspiração para os poetas ensopados de si mesmos,
Como posso descrever num poema a mim mesmo
Sendo a existência o inicio de tudo?
Olho para fora e não ha mais chuva, mas ainda a ouço,
Ainda a gesticulo em meus versos revoltosos,
Ainda corto a orelha desse poema
Como quem quer expulsar de si
Uma infinitude se não-sensaçoes,
Talvez tenha chegado a hora de mergulhar em todos os mundos,
Todas as formas de vida,
Todos os atos de amor supremo,
Sujos e cristalinos
Eterno e limitados
Leis da razão e da abstração,
Minha alma gira-me por dentro
E faz-me olhar o horizonte a cada dia
E descobrir um poema em cada canto dos quatro cantos,
Então Fundo novo cidades,
Busco novas estrelas e guardo-as por alguns segundos
E depois as solto para iluminar novos caminhos do mundo,
Não há nada mais doloroso do que não sentir nada,
Então não sinto a dor suprema
Por que eu sinto tudo inesgotavelmente,
Como um sol eu procuro todos os cantos possíveis
E penetro em todas as direções dos meus sentidos
Mesmo contra as fortes nuvens negras da tristeza e melancolia,
Praticar o maior golpe contra si mesmo e não permitir-se sentir
É estar oco perante o todo
É mergulhar num mar e sobreviver
Mas não aceitar a própria sobrevivência
E agir como se a vida fosse
Um lugar indesejável e impossível de viver,
O impossível me atrai como um quadro
Que não consigo pintar mesmo se pudesse,
O impossível é uma poesia que não precisa ser escrita
E sim sentida para poder escrever suas sensações e não explica-las,
O maior gesto é o gesto do sonho
Que faz o outro sonhar e da música aos sentidos,
Longe do sonho o homem se afasta dele mesmo
Para só trabalhar sem sentido,
Para só observar a existência passando
Na sua janela intima impressionista,
O ser sem o sonho não é uma poesia
É um objeto que cumpre com honra seu dever,
O ser, com sonho, alem de cumprir seu dever;
Cumpre o seu dever para com sua alma,
O de sonhar e sentir o sonho da poesia.




By: João Leno Lima
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Deuses Astronautas

1
04:39

Descrições dos antigos vindas do espaço

As marcas e imagens gravadas na pedra, de grande antiguidade, são indícios importantes. Mais importante ainda é o testemunho dos homens de um passado não tão remoto: desenhos e relatos escritos do surgimento de estranhos aparelhos no céu e dos seres que deles desembarcavam. Existem milhares de referências assim: clipei ardentis (escudos redondos brilhantes) eram fenômeno freqüente nos céus da Roma antiga. Registra-se uma observação no ano 77 de nossa era, e outra de "um disco acompanhado de reflexos de luz", avistado no ano 60 a.C.. Plínio, o Velho, Sêneca e Tito Lívio falam deles, qualificando-os como "prodígios do céu". Muito mais antigas são as passagens de certos livros hindus, como o Ramayana e o Mahabarata. Ali está escrito como os indianos, há milhares de anos, sabiam construir máquinas aéreas chamadas vimanas capazes de elevarem-se "esplendorosamente no céu", e como haviam aprendido essas coisas "dos deuses vindos do céu em veículos mais poderosos".


É por exemplo o caso do Samarangana Sutradhara, documento que os antigos indianos classificam como "manusa", ou seja, "estritamente verídico", e que diz textualmente:
"Por meio dessas máquinas os seres humanos podem viajar ao céu e os seres celestes podem descer a Terra".


Em outras palavras, os antigos indianos estavam acostumados a visitantes vindos do espaço, tanto que a isso faziam referências em seus escritos, não escondendo que com eles haviam aprendido muitas coisas.


Noutro ponto da mesma obra afirma sem a menor hesitação "que alguns vimanas fechados podiam subir às regiões solares (surymandala) e até as regiões estelares (naksatramandala)", o que se pressupõe habilidade e meios para vôos no espaço, conhecimento naturalmente ensinado por seres acostumados a fazê-lo.


As Estâncias de Dizan são uma velha compilação de antiqüíssimas lendas orientas, conservadas pela tradição oral até que surgiu a escrita. O livro foi escrito há pelo menos 3000 anos atrás, mas alguns estudiosos julgam que alguns dos fatos nele descritos remontam há até 10.000 anos. Seja como for, existe neste livro uma passagem impressionante que relata, com riqueza de detalhes, a vinda à Terra de homens do espaço:
"… Um grupo de entes celestes veio à Terra muitos milhares de anos atrás num barco de metal que antes de pousar circulou a Terra várias vezes. Estes seres estabeleceram-se aqui e eram reverenciados pelos homens entre os quais viviam. Com o tempo, porém, surgiram rixas entre eles, e um determinado grupo separou-se, indo-se instalar em outra cidade, levando consigo suas mulheres e seus filhos.


"A separação não trouxe a paz e sua ira chegou a tal ponto que um dia o governante da cidade original tomou consigo um grupo de homens e viajando num esplendoroso barco aéreo de metal voaram para a cidade do inimigo. Ainda a grande distância lançaram contra ela um dardo flamejante que voava com o rugido de um trovão. Quando ele atingiu a cidade inimiga destruiu-a numa imensa bola de fogo, que se elevou ao céu, quase até as estrelas. Todos os que estavam na cidade pereceram horrivelmente queimados. Os que estavam fora da cidade, mas nas suas proximidades, morreram também. Os que olharam para a bola de fogo ficaram cegos para sempre. Aqueles que mais tarde entraram a pé na cidade adoeceram e morreram. Até a poeira que cobria a cidade ficou envenenada, assim como o rio que passava por ela. Ninguém mais voltou a se aventurar lá e seus escombros acabaram sendo destruídos pelo tempo e esquecidos pelos homens.


"Vendo o que tinha feito contra sua própria gente, o chefe retirou-se para seu palácio, recusando-se receber quem quer que fosse. Dias depois reuniu os homens que ainda lhe sobravam, suas mulheres e filhos, e embarcaram todos nos navios aéreos. Um a um, afastaram-se da Terra para não mais voltar…"


Numa simples descrição encontramos referência a vôo orbital, descida de seres do espaço, mísseis dirigidos, explosões nucleares e contaminação radioativa. Nada de novo sobre a Terra…
Aleksadr Kasantsev, cientista russo, escritor e arqueólogo, revela que foram encontrados no deserto de Gobi os esqueletos de um bisonte e de um hominídeo tipo Neandertal, próximos um do outro. Ambos tinham o crânio perfurado por projéteis de alta velocidade, a julgar pelos orifícios perfeitos neles encontrados. Há 50 mil anos atrás alguém esteve ali, armado com um tipo avançado de arma de fogo, e os matou. O exame dos ossos confirma que morreram na mesma época. E quando isso se deu, não existia ainda a civilização atlante, nem a indiana.




Fonte: CUB
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8 e Meio de Federico Fellini

0
23:53
* O MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS*

Oito e Meio contém todos os filmes feitos e anuncia os futuros, aqueles em que Fellini adquire definitivamente sua personalidade cinematográfica, aquele misto de fantasia, de reminiscências autobiográficas e de observação da sociedade italiana. É ao mesmo tempo o filme da cristalização e da ruptura: ruptura com a herança neo-realista e cristalização de um estilo próprio.
Quando da sua saída, Oito e Meio desconcertou a todos. A complexidade da estrutura, melhor, da relação do filme com a sua própria realidade a espelhar a realidade do seu criador, era novidade no cinema. Um filme narrado numa flexão ambígua que se situaria entre a primeira e a terceira pessoa do singular. Não realmente o "eu" de uma biografia, tampouco o "ele" de uma ficção.
Ainda hoje, trata-se de um objeto sui generis.Autobiográfico: Fellini conta a história de Guido, cineasta em crise, em meio às suas lembranças de infância, sua relação com as mulheres e a religião.Fantástico: sonho e realidade se entrelaçam, os cenários apresentam-se banhados em luz, em meio às sombras ou envoltos em névoa, os personagens que habitam a fantasia e a memória de Guido misturam-se aos personagens "reais".Auto-referente: há um filme a ser feito e Oito e meio constrói-se a partir dessa necessidade, encerrando-se quando, por fim, Guido encontra a resposta para a sua angústia.
Talvez essa ambiguidade da narração ("eu" ou "ele"?) possa ser comparada a outra forma de cinema, a projeção do inconsciente. Oito e Meio começa com um sonho. No sonho, ensina a psicanálise, muitas vezes o "eu", multiplica-se, espelha-se no "ele". Depois, o filme volta a uma estrutura mais coerente, realista, condizente com uma descrição da realidade. Mas trata-se de uma coerência relativa. As situações muitas vezes são verossímeis, porém não são "razoáveis". Há uma confusão constante, um entrar e sair incessante, em meio a imagens quase oníricas, como as sequências nas termas. A isso misturam-se as lembranças de Guido e suas fantasias, numa espécie de devaneio, de sonhar acordado. Ou seja, Oito e Meio começa com um sonho e continua como um sonho.
É nessa relação subjetiva ao eu – lembranças, fantasias, culpas, angústias – que o filme se constrói e fascina. Ao dar de certa forma voz ao inconsciente, o filme de Fellini vem carregado de uma incrível força criativa, de uma energia vital que o perpassa. O que poderia ter sido apenas um vaidoso ego-trip é um dos mais belos filmes sobre a angústia do criador, a difícil relação entre o artista e a sua arte. Para retomar uma frase de Raymond Bellour: "Oito e Meio está entre os filmes que permitem saber melhor o que é o cinema, portanto, o que é uma obra de arte e o homem que a cria".
Oito e Meio é pura lição de cinema, como Um Corpo que Cai de Hitchcock ou Terra em Transe de Glauber Rocha. A forma que Fellini dá a essa voz do inconsciente é o que faz o filme erguer-se acima de uma simples historieta. No trabalho da imagem, na beleza de um preto e branco levado ao limite de suas possibilidades expressivas e no uso dos movimentos de câmera. No trabalho sutil do som. Este filme demonstra todo o potencial expressivo do uso da dublagem. Técnica sistematicamente utilizada pela escola italiana, a dublagem sempre foi criticada pela artificialidade dos sons obtidos em estúdio, pela impostação das falas, etc. Aqui, é justamente essa falta de realismo que Fellini explora para dar tessitura onírica ao filme. As vozes parecem sussurradas ao ouvido, há uma curiosa distância entre a voz e o corpo que supostamente a emite. A proximidade da voz, principalmente a de Mastroianni/Guido/Fellini, é talvez o principal veículo para entrar nessa impressão de total subjetividade, de devaneio pessoal ao qual o espectador se identifica.
O filme que Guido quer realizar não acontece, porém vai se desenhando aos olhos do espectador uma espécie de auto-retrato cubista, cada faceta abordando um ângulo diferente da personalidade de Guido/Fellini. E o filme de Fellini, este sim, vai nascendo assim, se construindo aos poucos nessas facetas, de maneira lúdica, livre. Há um tremendo risco nessa tentativa retratar um filme se fazendo. É um caminhar na corda bamba, a qualquer momento pode-se perder o fio, a tensão, o propósito, a coesão e em vez de um retrato obter uma colcha de retalhos. Oito e Meio consegue chegar até o outro lado do abismo, e saímos do filme cheios de entusiasmo, esse mesmo entusiasmo que Guido reencontra, pois fizemos parte da travessia.



Por: Carim Azeddine



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ABISMO E INQUIETAÇÃO

1
18:41

Na poesia, o sonho corre desenfreiado além de mim,

véus e curvas rondam as rodas do infinito,

qualquer lágrima é transformada num coliseu revisitado

num ritual solitario,

o mundo é uma cinematografia asimetrica,

seus personagens sao gotas banhadas no vulcao do tempo,

no campo de batalha dos meus pensamentos,

eu morro inumeras vezes antes de voltar para casa,

no teatro mais sincero da minha percepção

eu procuro-me como o personagem invisivel

que recusa-se a entrar em cena,

nao é justo recolher-me toda a vez que vejo uma faisca de fracasso,

sou um acrobata que faz celebraçoes num abismo esquizofrenico,

minha memoria é uma fotografia em preto em branco,

minhas maõs covardas se entrelaçam numa nuvem de horizontes,

meurs amores no fundo,

sao apenas paisagens de um universo inalcançavel,

no sonho, a poesia corre se esculpindo alem de mim,

traçando meu caminho paralelo aos oceanos,

qualquer duvida, sou aquele que fugiu num cometa de desolaçoes

mas que voltará em breve,

aos maoes tocam os rostos como se fossem outras maos,

no delirio de uma dor intranspasavel febre a retina,

no teatro magico de uma rua;

olhares viram bocas mstigando minha alma,

chego cuspido no embiente de trabalho

e ainda resta-me o abrigo das obriagaçoes inviolaveis,

no fundo todos nós somos versos,

no fundo a maior mentira é quando nao ha poesia,

no fundo nao é preciso fugir da solidao,

ela te abandona quanto tu nao queres mais te abandonar,

no final do dia fecha-se as cortinas e abre--se o crepusculo

e desse movimento nasce eu

depois de ser a sombra do dia,

na noite vasculho fronteiras,

esse poema escrito na hora horizontal do dia...

é apenas um abismo, uma inquietação,

apenas uma inquietação,

um abismo,

um abismo inquietante

uma inquietaçao abismal,

uma abismo de inquietação

ou uma inquietação de abismo?
By: João Leno Lima
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SEPARAÇÃO MOLECULAR

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18:01
Quando as luzes do sonho se apagaram como uma paixão inicialmente muda, como quando atravesso o caminho obscuro de mim mesma e encontro com as mágoas infantis coaguladas dispersas em nós subterrâneos com dimensões crepusculares e nunca consoláveis...
Perdi o mundo como a vida perde a inocência e anoitece deixando tudo irrecuperável e a existência com a boca cheia de cacos e restos de cotidiano que sabem seu destino em um horizonte sempre entardecendo na goela mágica e multicolorida que se contrai como quem fundamenta o suicídio.
O poema se perdeu nos labirintos da hora e nas palavras que se repetem e no dejavú da página em branco esperando ser fecundada como uma desconhecida que supera a si mesma e está esgotada de se percorrer e perder a força, perder o sentido, perder-se em seu próprio vazio... É quando a sensibilidade dá os braços ao desequilíbrio fragilizada por ter envelhecido anos luz além de suas possibilidades que acima de qualquer coisa não se sente, não se fere nem se afaga apenas vagueia no mar impenetrável da consciência cardíaca de alguém que percebeu a si e não contava com a angústia desproporcional ao seu corpo.
Neste momento, até a dor se perde e os instantes não se descuidam de coisa alguma e suponho que perdi teu afeto também, mas o acaso me entrega boletins que matematicamente apostam na manhã completamente subjetiva e fisicamente os olhos abrem a biologia desperta os membros rastejam fora da cama cruel da madrugada a luz do imprevisível alimenta os olhos da alma antes de maltratar, antes de mostrar o inevitável, antes de assustar, antes de deixar tudo só, tudo inalcançável dentro de si e além como as nuvens que não tocam o oceano, mas estão sempre pertos em paralelas tempestuosas até se desfazerem em partículas inimagináveis no infinito.
O distante da mente espera o sol, espera ser soterrado de luz e calor todos os dias, as cartas esperam respostas, a sensação acontece horizontal e não se pode querer mais do Universo do que sentir, a intensidade é o abismo de ambos.
O sonho é toda realidade, um pensamento que se alarga iluminado e também se perde, um poema interminável que tece sua teia com fios imaginários e pontos possíveis por todo o tempo, mas este sonho jamais cruzaria as pontas aéreas da dor real, não há coexistência para estes mundos. O sonho espera terminar entre anjos e eternidade, espera nascer depois que a dor termina ou depois que todos se descuidam e o sentido se desfaz dentro de sua própria estética, depois do palácio das palavras não ditas, abaixo de cada inalcançável particular, do lado esquerdo da minha alma, dentro do furacão das horas, em cada molécula da vontade, acima da repetição dos pensamentos, por entre as pernas impossíveis do absoluto e desde o primeiro poema imaginadoejaculado dos confins obscuros de alguma alma atormentada que também se perdeu antes destes versos.
Em que fração de segundo as mãos da infância se desprendem da ternura e se abandonam na selva insensível das previsibilidades? Quando o silencio chega ao litoral inabalável do coração? O amanhã sabe das portas inacessíveis que deve arrombar para poder escapar de seus fantasmas aniquiladores com chaves irreais, em assombrações interiores jamais vistas para que seu sol não se perca e para o luar impiedoso possa cruzar as fronteiras medonhas da noite que seduz o pensamento a uma embarcação desconhecida com um oceano feroz fazendo constelações com suas próprias lágrimas e para jamais cambalear para o redemoinho secular com fundo falso do amor, o núcleo de abismo e naufrágio da espera sem par com a tontura das sensações crescentes até o desespero no pátio das emoções e o cair de máscaras involuntariamente depois de três princípios o pensamento desaba de cara no chão e no ponto de todas as coisas se perde.
A nascente do dia não tira nada do seu lugar a manhã chega ao cais da vida e observa o mundo funcionando com olhos onde a noite foi sepultada e todas as torturas acendem suas luzes para o breu da minha covardia o Cosmo afunda proporcionalmente em mim a instabilidade dos sentimentos que antes de terminar já estão perdidos. Continue

TRANSCRIÇÃO ESTRELAR

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17:37
Hoje não quero maltratar minhas notas conclusivas do tempo;
Não quero desaparecer na imaginação monstruosa dos acontecimentos;
Não quero nos meus seios as mãos grosseiras da dor nem os fantasmas da percepção vagueando pelas ruelas crepusculares da minha voz, interceptando o sentimento e a vida como um guarda metafísico cumprindo a burocracia urbana.
Dispenso a boca enorme do medo que destrói a força e me deixa neste estado de alimento em digestão do mundo esperando para ser defecado liquidamente pelo cu do Universo e sempre me escarra insultos e humilhações abstratas, porém não deixo de desejar te-la entre as pernas da minha libidinosa galáxia pois gostaria de acalma-la em sufocamentos profundos.
Não deixarei as bruxas mal amadas da insegurança sussurrarem ao meu ouvido os depoimentos de incerteza e sofrimento obscuro entalados na garganta inflamada do caos que lateja como um batimento cardíaco infantil na assustadora gruta trágica da lágrima dependurada nos cantos imaginários da existência e sempre goteja e não termina e sempre maltrata e encharca as flores dos sonhos quando estão em suas primaveras querendo desabrochar na película sensível da minha alma... Agora acreditarei no sol, o bom sol que salvará meu peito do inverno escuro e tristonho e fará luz nos quartos sombrios da minha verdade quando a cara da poesia estará na janela esperando a iluminação das palavras no momento que Ginsberg esteja digno para a chegada do poema, no momento em que Mardou espera estar aquecida, no momento das cartas de amor saltarem para dentro das portas da realidade, no momento em que os poetas serão condenados no tribunal do Cosmo à Eternidade dos sentimentos.
Quero a luz da liberdade interior para preencher o meu vazio, para curar a cegueira psicológica que me faz tropeçar para os abismos da concordância e me faz confundir a intenção de todas as coisas, me faz ser atropelada pelos carros do cotidiano nas pistas surrealistas de horizontes inalcançáveis das coisas mais simples, me faz ridícula perante todos os rostos sociais que riem e me assombram toda noite antes de dormir apontando dedos fascistas e obscenos por todo meu corpo nu como uma tortura greco romana em cenas de ficção científica.
Todo o transe energético percebido por detrás dos olhos inebriados da noite que rompa os portais ultrapassados de si mesmo e alcance o terreno abandonado na periferia do cérebro e construa edificações astrológicas com muralhas musicais dentro de mim para que eu possa compor a canção tema do drama em miniatura da mais inominável das imagens fragmentadas do mural dos sonhos abandonados e desejos sem pontos de exitação.
Mas não quero cantar o fracasso da estética cheia de fraturas das manifestações murchas do meu oceano interno nem molestar as crianças lunáticas da existência com o grunido cheio de cos e tentáculos maníacosda voz da tristeza e decepção pois elas devem respirar longe deste ar com oxigênio mortífero que asfixia os sentidos eafunda os rostos das emoções em travesseiros suicídas.
Quero terminar esta ode despertica de depoimentos vomitados por um estômago nausedo pelas amebas do cansaço e dedos sujos de vísceras mundanas na garganta e poder envenenar todas as doenças da alma uma a uma e deixar esta dor tirana se arrastando agonizando pelos corredores da desistência onde já me esfreguei por tantas vezes sentindo as dores cheias de furacões cósmicossecos que desejam beber a fonte apoteótica do profundo de nós mesmos. Me recuso a servir de alimento para as ratazanas fantasmagóricas da consciência pois a vida me satisfaz e a poesia é o vinho nas veias da minha percepção uivante.
Hoje não me importo com a tragédia da alma. Continue

Nuvens

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15:48



No dia triste o meu coração mais triste que o dia...

Obrigações morais e civis?

Complexidade de deveres, de consequências?

Não, nada...O dia triste, a pouca vontade para tanto...Nada...

Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol

(também estive ao sol, ou supus que estive)

Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,

Vaidade, alegria e sociabilidade,

E emigraram para voltar, ou para não voltar,

Em navios que os transportam simplesmente.

Não sentem o que há de morte em toda a partida,

De mistério em toda a chegda,

De horrível em todo o novo...

Não sentem: Por isso são deputados e financeiros,

Dançam e são empregados no comercio,

Vão a todos os teatros e conhecem gente...

Não sentem: para que haveriam de sentir?

Gado vestido dos currais dos Deuses,

Deixá-lo passar engrinaldo para o sacrifício

Sob o sol, alacre, vivo, contente e sentir-se...

Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda

Para o mesmo destino!

Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,

Vou com ele sem desconhecer...

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...

No dia triste todod os dias...No dia tão triste...



o Mestre Álvaro de Campos
Continue

A NEUROECONOMIA

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15:39

De: Robert Anton Wilson


A sociedade deriva do sexo, das relações reprodutivas. Enquanto unidades de trabalho, os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos mamíferos (as emoções impressas de afeição e confiança). No centro, o eixo central, encontrava-se a ternura orgásmica – ato partilhado, no acasalamento, do amor genital. Dele irradiou a ternura “sublimada” da relação entre pai e filho, irmão e irmã, e tios, tias e avós, toda a “família alargada”, ou bando caçador/coletor de alimentos. O Estado conquistador, e a subseqüente fissão da sociedade em classes distintas de privilegiados e carentes, criou a pobreza. Enquanto instituição humana, a pobreza deriva da conquista, da formação de governos (o bando guerreiro invasor que ficava para reger as suas conquistas) e da instituição de “leis” perpetuando a divisão classista entre Invasores e Invadidos. Como qualquer outro primata, o ser humano contém circuitos neurogenéticos prontos para serem impressos por laços de casal e laços de bando. O objetivo evolucionário destes laços continua a ser classicamente mamífero: assegurar a biossobrevivência e o status do bando, além de programar a maioria das sementes com os comportamentos heterossexuais-reprodutivos necessários à sobrevivência do bando, o que assegura por sua vez a biossobrevivência das gerações futuras. A ascensão do Estado conquistador, o Estado feudal, e eventualmente do Estado capitalista moderno, minou e subverteu progressivamente os laços tribais de bando (“a família alargada”). Na nação capitalista mais avançada, os EUA, restam muito poucos destes laços tribais. Muito poucos cidadãos americanos se deterão para dar boléias ou esmolas aos pobres, não confiando sequer nos vizinhos. A maioria nem sequer conhece os vizinhos. Os comportamentos normais de bando, como a confiança, a solidariedade, a afeição, etc., passíveis ainda de serem encontrados nas nações feudais, encontram-se aqui atrofiados. A raiz das célebres “anomias”, “ansiedades”, “alienações”, etc., da sociedade capitalista encontra-se nesta ausência de normais laços de bando. Falando em termos etológicos, os circuitos onde normalmente são impressos os laços de bando sobrevivem ainda. (Poderíamos exprimir o mesmo pensamento em linguagem psicológica dizendo que a necessidade de assegurar a biossobrevivência se mantém ainda). Esta constante mamífera deve ser satisfeita, e numa sociedade abstrata essa satisfação torna-se também abstrata. Na sociedade capitalista, o dinheiro de papel torna-se a impressão da biossobrevivência. William S. Burroughs comparou o capitalismo ao vício da heroína, assinalando os terríveis paralelos: o junkie precisa de doses regulares; o cidadão capitalista precisa igualmente de receber injeções regulares de dinheiro. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num feixe espasmódico de ansiedades; se não tiver dinheiro, o cidadão capitalista atravessa um trauma de carência em tudo semelhante. Quando a droga escasseia, os junkies comportam-se de forma desesperada, chegando ao ponto de roubar e mesmo matar. Se o dinheiro escasseia, o cidadão capitalista também é capaz de roubar e matar. Segundo o dr. Timothy Leary, as drogas opiáceas funcionam como neurotransmissores do circuito da biossobrevivência, isto é, ativam as redes neuronais relacionadas com os laços mãe-filho. (Em termos de psicologia freudiana pré-neurológica, o junkie regressa ao êxtase infantil no regaço da Mãe Ópio). Numa sociedade desprovida dos normais laços mamíferos de bando, o dinheiro é sujeito a uma impressão semelhante, através do condicionamento, sobre os reflexos infantis, de uma série de associações aprendidas. O cidadão capitalista aprende neurologicamente que dinheiro equivale a segurança e falta de dinheiro equivale a insegurança. Muito cedo na evolução hominídea, a ansiedade da separação infantil (o medo de perder a Mãe toda-importante) generalizou-se à ansiedade da separação tribal. Quem fosse expulso da tribo por comportamento delinqüente ou anti-social experimentava verdadeira ansiedade de biossobrevivência. (Em condições primitivas, uma tribo possui uma capacidade de sobrevivência muito superior à de um indivíduo só. À época, o ostracismo significava geralmente a morte, assim como o ostracismo da mãe pode significar a morte da criança.) Já que, na sociedade capitalista, o dinheiro substituiu a tribo, a maioria dos cidadãos imprimiu no dinheiro as emoções mamíferas tradicionalmente associadas aos laços de sobrevivência filho-mãe e dos bandos individuais. Esta impressão é mantida por associações condicionadas criadas por experiências de privação real. Nas sociedades capitalistas, antes de surgir a segurança social as pessoas morriam mesmo, e em grande número, por carência de dinheiro; ainda hoje isso sucede ocasionalmente entre os muito ignorantes, os muito tímidos ou os muito velhos. (Por exemplo, há alguns anos, um casal idoso da cidade de Buffalo morreu congelado no mês de janeiro, quando a companhia local lhes corou o aquecimento por falta de pagamento da conta de eletricidade.) A observação, que fazem os europeus, de que os americanos são “loucos por dinheiro” significa simplesmente que a abstração capitalista e o declínio da tribo se encontram mais avançados aqui do que nos estados capitalistas europeus. Carente de dinheiro, o americano vagueia como um lunático possesso. A “ansiedade”, a “anomia”, a “alienação”, etc., vão crescendo exponencialmente, reforçadas por reais privações de segurança. Nas sociedades menos abstratas, os pobres partilham os laços de bando e “amam-se” uns aos outros (a nível de aldeia). Carentes de quaisquer laços de bando, e viciados apenas em dinheiro, os americanos pobres odeiam-se uns aos outros. Isto explica a observação paradoxal, que muitos comentaristas fizeram, de como nas sociedades tradicionais a pobreza conserva ainda a sua dignidade e mesmo algum orgulho, mas surge na América como desonrosa e vergonhosa. Na realidade, os americanos pobres não se odeiam apenas uns aos outros; freqüentemente, e talvez em geral, eles odeiam-se a si próprios. Esses fatos da neuroeconomia encontram-se de tal forma carregados de dor e embaraço que a maioria dos americanos se recusa pura e simplesmente a discuti-los. O puritanismo sexual do século XIX transformou-se no puritanismo monetário. Pelo menos entre o terço mais avant da população, as pessoas conseguem falar muito explicitamente sobre as vertentes fetichistas das suas impressões sexuais (“Sinto-me pleno quando uso a roupa interior da minha mulher”, ou coisas do gênero), mas uma fraqueza equivalente sobre as nossas necessidades monetárias faz gelar a conversa, podendo mesmo esvaziar a sala. Por detrás do embaraço e dor superficiais encontra-se o terror mamífero máximo: a ansiedade da biossobrevivência. A mobilidade das sociedades modernas faz aumentar ainda mais esta síndrome de ansiedade monetária. Durante a depressão dos anos 30, por exemplo, muitas mercearias e outras “lojas de esquina” permitiram aos seus clientes a acumulação de grandes contas, por vezes durante meses a fio. Este procedimento baseava-se nos últimos farrapos dos tradicionais laços tribais e no fato de, nessa altura, há 40 anos, quase toda a gente das mesmas redondezas se conhecer. Hoje isso não aconteceria. Vivemos, como diz um romance, “num mundo cheio de estranhos”. No primeiro capítulo de The Confidence Man, Melville contrasta o “fanático religioso” que carrega um cartaz dizendo “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” comos comerciantes cujos avisos dizem “NÃO FAÇO FIADO”. A idéia desta ironia era fazer-nos refletir sobre a inquieta mistura de cristianismo e capitalismo na América do século XIX – cristianismo esse que, como o budismo e as outras religiões pós-urbanas, parece ser em grande medida uma tentativa, a nível místico, de recriação dos laços tribais no seio da era “civilizada” (isto é, imperialista). A segurança social representa a tentativa de falsificação desses laços por parte do Estado (de forma mesquinha e paranóica, de acordo com o espírito da lei capitalista). O totalitarismo surge como a erupção, possuída de fúria assassina, da mesma tentativa de converter o estado num nexus tribal de confiança mútua e apoio à biossobrevivência. Quando a filosofia libertária surgiu na América, ela representava duas tendências principais, que os libertários modernos parecem ter esquecido – imprudentemente, caso se provar a justeza da análise acima feita. Refiro-me à ênfase na associação voluntária – a retribalização a um nível superior, através de objetivos evolucionários partilhados – e nas moedas alternativas. As associações voluntárias, ou comunas, desprovidas de moeda alternativa são rapidamente absorvidas pelo nexus da moeda capitalista. As associações voluntárias dispondo de moeda alternativa, abertamente declarada, são empurradas para os tribunais e destruídas. É possível que, tal como acontece em Illuminatus!, existam realmente associações voluntárias usando moedas secretas ou dissimuladas, a julgar por indícios ou códigos em algumas publicações libertárias de direita. Nas condições presentes, nenhuma forma de libertarianismo ou anarquismo (incluindo o anarco-capitalismo e o anarco-comunismo) pode competir eficazmente com o estado do bem estar social (welfare state) ou o totalitarismo. As práticas atuais do bem estar social resultaram de 70 anos de lutas entre liberais e conservadores, tendo estes últimos vencido a maioria das batalhas. O sistema funciona de modo a fazer crescer a síndrome do vício. O desempregado recebe uma pequena dose de dinheiro no princípio do mês, muito bem calculada para sustentar um averento extremamente frugal até por volta do dia 10 desse mês. Mediante a dura experiência, o beneficiário do bem estar social aprende a fazer render a dose até o dia 15, ou talvez mesmo até o dia 20. O resto do mês é passado sofrendo de aguda ansiedade de biossobrevivência. Como qualquer traficante ou condicionador comportamental sabe, este período de privação é que sustenta o ciclo todo. No primeiro dia do mês seguinte vem outra dose de dinheiro, e todo o drama recomeça. O rol de beneficiários do desemprego não pára de crescer, já que – apesar da maior redundância e ineficácia – a tendência do industrialismo continua a ser, como diz Buckminster Fuller, fazer-mais-com-menos e a tudo-tornar-efêmero (omni-ephemerize,[2]). A cada nova década, haverá cada vez menos empregos e cada vez mais pessoas dependentes do bem estar social. (Já hoje, 0,5 por cento da população detém setenta por cento da riqueza, deixando os outros 99,5 por cento para competirem violentamente pelo restante). O resultado final poderá muito bem ser uma sociedade totalmente condicionada, motivada apenas pelo vício neuro-químico do dinheiro. Para medir o seu progresso em direção a este estado, tente o leitor imaginar vividamente o que faria se amanhã todo o seu dinheiro e fontes de rendimento desaparecessem. É importante termos bem presente que estamos aqui a discutir comportamentos mamíferos tradicionais. Em pesquisas recentes, alguns chimpanzés foram ensinados a usar dinheiro. Indicam os relatórios que eles desenvolveram atitudes “americanas” normais para com esses ícones misteriosamente poderosos. A Pirâmide dos Illuminati, que vem impressa nas notas de um dólar, e similares emblemas “mágicos”, como a Fleur de Lys, a suástica, a águia bicéfala, estrelas, luas, sóis, etc., com que outras nações acharam por bem decorar as suas notas e documentos de estado, são intrínsecos à “fantasmagoria” do monopólio que o Estado detém sobre o maná, ou energia psíquica. Temos aqui dois pedaços de papel verde; um é dinheiro, o outro não. A diferença é o primeiro ter sido “abençoado” pelos feiticeiros do tesouro. O trabalhador capitalista vive num estado de ansiedade perpétua, em tudo semelhante ao do viciado em opiáceos. Originalmente, a segurança da biossobrevivência, a neuroquímica da sensação de segurança, encontra-se sempre ligada a um poder externo. Esta cadeia condicionada dinheiro equivale a segurança, falta de dinheiro equivale a terror é reforçada sempre que vemos alguém ser “despedido” ou vivendo na miséria. Psicologicamente, este estado pode se caracterizar como paranóia clínica de baixo grau. Politicamente, a manifestação deste desequilíbrio neuroquímico é conhecida por Fascismo: a mentalidade Archie Bunker(3)/Arnold Schickelgruber(4)/Richard Nixon. Como diz Leary, “A nossa vida social é agora dominada por restrições que o medo e a raiva impõem à liberdade (...). O medo e a violência restritiva podem tornar-se prazeres viciantes, reforçados por dirigentes esquizofrênicos e um sistema econômico que depende da restrição da liberdade, da produção de medo e do incitamento ao comportamento violento”. Na metáfora perfeita de Desmond Morris, o macaco nu comporta-se tal qual um animal de zoológico: a essência da experiência da jaula é o desespero. No nosso caso, as grades da jaula são as intangíveis regras impressas no jogo: os “grilhões forjados pela mente” de Blake. Somos literalmente o ceguinho que está a ser roubado. Abandonamos literalmente os nossos sentidos. O ícone incondicional, o dinheiro-símbolo, controla totalmente o nosso bem estar mental. Era aparentemente isto o que Norman O. Brown tentava explicar nas suas obras oculto-freudianas sobre a destruição da nossa “natureza polimorfa” (o êxtase natural do corpo) no processo de condicionamento do sexo sublimado (os laços de bando) em jogos sociais como o dinheiro. A Ressurreição do Corpo prevista por Brown só poderá acontecer através da mutação neurossomática, ou, como lhe chama Leary, engenharia hedônica. Historicamente, os únicos grupos que lograram libertar-se efetivamente da ansiedade do jogo social foram: 1) as aristocracias absolutamente seguras, livres para explorar os vários prazeres “mentais” e “físicos”; e 2) as comunas de pobreza voluntária, uma forma de retribalização alcançada através da pura força de vontade. À semelhança dos outros idealistas de Esquerda e de Direita, os libertários sofrem geralmente de uma dolorosa percepção do horrendo fosso que separa os seus objetivos evolucionários da presente e triste realidade. Esta sensação complica enormemente a resolução da sua própria síndrome de ansiedade monetária. Como resultado, virtualmente todas essas pessoas sentem uma culpa intensa relativa ao modo como adquirem o dinheiro necessário para sobreviver no mundo de macacos domesticados que nos rodeia. “Ele se vendeu”, “Ela se vendeu”, “Eu me vendi”, são acusações ouvidas diariamente em todas os grupos idealistas. Qualquer processo de “fazer dinheiro” expõe-nos automaticamente às vibrações culpabilizantes de uma das facções, da mesma forma que, paradoxalmente, nos livra de mais vibrações culpabilizantes oriundas da outra facção. O Catch-22 (5), a Ligação Dupla, O Princípio SNAFU (6), etc. não passam de extensões da ratoeira neuroeconômica básica: Não É Possível Viver Sem Dinheiro. Como concluiu Joseph Labadie, “A pobreza transforma-nos a todos em covardes”. Em última análise, existe um certo prazer em suportar a pobreza. É como o prazer de sobreviver ao desgosto e luto causados pela morte de um ente querido; o przer que sentia Hemingway em manter-se firme e continuar a disparar sobre o leão que carregava; o przer que sente o santo em perdoar aos seus perseguidores. Não se trata de masoquismo mas sim de orgulho: fui mais forte do julgava possível. “Não chorei nem desatei aos gritos”. Foi esta a alegria sentida por Nietszche e Gurdjieff ao ignorarem as suas doenças dolorosas para só escreverem sobre os estados “despertos”, ultrapassando todos os laços e emoções. A paranóia direitista sobre o dinheiro de papel (as várias teorias conspiratórias sobre a manipulação da oferta e a retirada de moeda) será sempre epidêmica nas sociedades capitalistas. Os junkies nutrem mitos do gênero sobre os traficantes. São alimentos autênticos, roupas autênticas e abrigos autênticos que são ameaçados quando o dinheiro é suprimido, ainda que por pouco tempo, assim como é autêntica a privação que ocorre quando o dinheiro é suprimido durante qualquer período de tempo. O macaco domesticado é apanhado num jogo de símbolos mentais, e a armadilha é mortal Existe uma espécie de prazer masoquista em analisar um assunto doloroso em profundidade, em todas as ramificações e complexidades dos seus labirínticos tormentos. Existe algo deste gênero subjacente à “objetividade” de Marx, Veblen, Freud, Brooks, Adams. Estes autores parecem querer assegurar-nos, e a si próprios também, que “Por pior que a coisa seja, pelo menos conseguimos enfrenta-la sem gritar”. “Só aqueles que beberam da mesma taça nos conhecem”, disse Solzhenitsyn. Referia-se à prisão e não à pobreza, mas as duas experiências assemelham-se enquanto castigos tradicionais para a dissidência. Enchemo-nos de orgulho por havermos conseguido suportá-los, caso consigamos sobreviver. Uma crença muito difundida sugere que a contracultura dos anos 60 foi espancada até a morte pelos bastões da polícia, rusgas antidroga e outros tipos de violência direta. A minha impressão é que a deixaram simplesmente morrer de fome. O fluxo de dinheiro foi cortado e, após privações suficientes, os sobreviventes treparam no primeiro salva-vidas capitalista que passou por perto. Jack London escreveu que o capitalismo tem o seu próprio céu (a riqueza) e o seu próprio inferno (a pobreza). “E o inferno é bem verdadeiro”, escreveu, baseando-se na sua amarga experiência pessoal. Se, na melhor das hipóteses, a paternidade é uma tarefa problemática, então no capitalismo ela se torna um trabalho de herói. Atualmente, quando o fluxo de dinheiro é cortado, o pai de família americano experimenta ansiedade múltipla: medo por si e medo pelos que o amam e nele confiam. Só o capitão de um navio que naufraga conhece esta vertigem, esta chaga. Sobreviver ao terror constitui a essência da verdadeira Iniciação. Porque os que vivem mais felizes são os que mais perdoaram e, como disse Nietszche, aquilo que não me mata, me torna mais forte. Publicado originalmente no boletim No Governor. 1. Este texto faz parte da coletânea de artigos reunida sob o título de The Illuminati Papers, tradução portuguesa: O livro dos Ilumunati, ed. Via Optima, de onde este foi retirado. R.A.W. assina aqui como Hagbard Celine. O capitão Hagbard Celine, para quem não sabe, é um personagem fictício dos romances da trilogia Illuminatus!, de Robert Anton Wilson e Robert Shea. Ele luta contra os Illuminati com seu submarino dourado. É uma espécie de Capitão Nemo discordiano e filósofo anarquista (Nota do Rizoma). 2. Neologismo de Buckminster Fuller (N. do Rizoma). 3. Archie Bunker é um famoso personagem conservador da sitcom americana All in the Family (N. do Rizoma). 4. Arnold Schickelgruber é um trocadilho com o nome do ator Arnold Schwarzenegger e o verdadeiro nome de Hitler, Adolf Schickelburger Hiedler (N. do Trad.). 5. Termo militar, nos EUA, cujo significado básico é: se há uma regra, não importa o que seja essa regra, há sempre uma exceção para ela. É uma espécie de misterioso mecanismo regulador que forma, em essência, um argumento circular (N. do Rizoma). 5. SNAFU é o acrônimo de Situation Normal All Fucked Up (Situação Normal Está Tudo Fodido), aludindo a uma situação de confusão e desorganização provocada por excesso de regulamentações e rotinas. (N. do Rizoma).Tradução de Luís Torres Fontes


Fonte: O livro dos Iluminati, Ed. Via Optima, Porto, 1999.

Arquivo Rozoma.net
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Arquivo UFO

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14:01

A França se transformou em 2007 no primeiro país do mundo a publicar na internet os arquivos de seu grupo de cientistas dedicados à busca de OVNI’s e à pesquisa de fenômenos aeroespaciais não identificados, informou a agência de notícias EFE no final do março último. O Grupo de Estudos e Informações de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados (Geipan), sediado em Paris, abriu a publicamente, pela primeira vez, a sua documentação considerada até então como segredo de Estado e segurança nacional – e faz isso porque permanecer no silêncio, diante de “tantas evidências acumuladas” em seu acervo, foi classificado como “irresponsabilidade científica, divulgou reportagem da Revista Isto É publicada na edição de 18 de abril e divulgada na Internet no dia 15 de abril.
Conforme a reportagem, nunca os relatos sobre supostos objetos voadores não identificados (óvnis) e seus tripulantes foram bancados de forma oficial por um governo como fazem agora as autoridades francesas. Ao todo são 400 depoimentos de eventuais casos de aparição de ETs, todos minuciosamente investigados ao longo dos últimos 30 anos e que se acumulam em cerca de 200 mil páginas – os depoimentos destacados com exclusividade nessa reportagem, com indicação de local e ano, integram esse calhamaço.Os 1.600 casos analisados pelo Grupo de Estudo e de Informação sobre Fenômenos Aeroespaciais Não Identificados (Geipan, sigla em francês) serão paulatinamente publicados na rede e poderão ser consultados por qualquer um. Embora o grupo não existisse até a década de 70, o primeiro testemunho do tipo foi recolhido na França em 1937.Como aperitivo, os aficionados e especialistas poderão ter acesso a 400 casos por meio da página do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), do qual depende o Geipan. O restante dos dados, incluindo seis mil testemunhos e três mil interrogatórios, serão publicados oportunamente. No total, cerca de 100 mil páginas estarão à disposição do público.
Ali, podem ser encontradas as investigações, os dados e as provas dos casos estudados pelo grupo de cientistas que, em muitas ocasiões, teve que concluir que se tratava de fenômenos inexplicáveis. "Não se deve esperar de nossos arquivos revelações, mas esperamos que sirvam aos cientistas, e que o fenômeno dos OVNI’s se transforme, finalmente, em um objeto de estudo como qualquer outro", explicou o atual responsável pelo Geipan.Alguns casos serão representam paradigmas na história da busca de OVNI’s, como o avistado pelos membros da tripulação de um vôo francês. Um objeto que descreveram como algo em forma de lentilha, com cerca de 200 a 300 metros de diâmetro foi claramente visto perto de Paris pelo piloto, o co-piloto e outro membro da tripulação de um vôo da Air France que ia de Nice a Londres, em 28 de janeiro de 1994.
Os radares do Exército francês também detectaram seu rastro, o que levou os especialistas a considerá-lo um OVNI, por não encontrarem outra explicação razoável.Também não encontraram explicação científica para o relato de um pedreiro aposentado que assegurou que, em 1981, viu pousar, perto de seu jardim, uma espécie de disco voador de cerca de 2,5 metros de diâmetro. Quando os cientistas foram investigar o caso, encontraram provas incompreensíveis: o lugar no qual supostamente aterrissou a nave espacial apresentava restos de terra que, segundo os laboratórios consultados, tinha sido submetida a temperaturas em torno de 600°C e tinha suportado um objeto de entre 500 e 700 quilos.
Além disso, a análise dos pés de alfafa que estavam perto do lugar revelou que os vegetais sofriam um enfraquecimento no processo de fotossíntese que os botânicos só puderam explicar como conseqüência de contato com um campo elétrico intenso. Provas suficientes para qualificar o caso como inexplicável. De acordo com o site do jornal americano Los Angeles Times, em três horas de operação o servidor da agência e seu site principal (cnes.fr) saíram do ar.
Foi ficando cada vez mais comum dizermos a frase eles estão chegando quando nos referimos a seres extraterrestres – cinema e literatura alimentam-nos a imaginação. Numa boa mesa de bar, quem já não divagou em conversas sobre a existência ou não existência de ETs? Na semana passada, esse tema voltou a ser assunto, só que estampado nos principais jornais de todo o mundo. “Eu não conseguia acreditar, jamais vira algo parecido com aquilo. Pensei em guardar o segredo comigo para não passar por louco. Mas decidi contar. Acho que estamos sendo observados por seres altamente evoluídos.” Esse é o relato de um comandante de vôo da Air France (o governo não revela nomes de depoentes), que no dia 28 de janeiro de 1994, numa viagem de Nice a Londres, deparou com o que diz inimaginável: um grande disco marrom-avermelhado cuja forma mudava constantemente e voltava ao formato original. Delírio? Não.
Em terra, controladores da torre de comando, perplexos com o surgimento repentino e inexplicável dessa “coisa” à esquerda da aeronave, esgoelavam para que o comandante fosse prudente. Viagem no tempo“Estamos, felizmente, rompendo agora as barreiras jurídicas e também o medo que nos impedia de abrir o arquivo. Queremos mostrar que o assunto deve ser tratado com seriedade”, diz o diretor do Geipan, Jacques Patenet. Nesse arquivo há fotos, vídeos, mapas e desenhos fornecidos pelas testemunhas desses fenômenos (como se fossem retratos falados). Há também explicações do que aconteceu, a maioria delas atestando que os fatos continuam, sob a ótica da física e da astronomia, como “incógnitas científicas”. “Muitas nações têm programas oficiais de pesquisas ufológicas, mas nunca se admitiu isso, tampouco houve a iniciativa de expor os arquivos à sociedade. A França deu um passo decisivo para a opinião pública mundial encarar essa questão”, disse a ISTOÉ o internacionalmente conceituado ufólogo e químico brasileiro Ademar Gevaerd, que há duas décadas estuda o assunto em 39 países. Para ele, o universo está repleto de civilizações avançadas, com emprego de tecnologias ainda por nós desconhecidas. “No arquivo francês existem desenhos que mostram qual a trajetória de vôo adotada pelas naves. Os discos voadores utilizam meios de navegação e propulsão que nem imaginamos”, diz ele. Os anos de estudo e a intensa pesquisa levaram Gevaerd à conclusão de que os seres extraterrestres podem manipular simultaneamente espaço e tempo: “A distância entre um planeta e outro é imensa.
É evidente que esses ETs não viajam através do espaço, mas sim através do tempo. Estão muito à frente de nós.” Garagem de ETsA especulação sobre possíveis programas secretos governamentais criados para investigar seres extraterrestres também estourou em todo o mundo, nos últimos dias, com as incisivas declarações do físico nuclear americano Robert Lazar. Ele afirma ter trabalhado de 1988 a 1989 na famosa Área 51, base secreta americana localizada a 190 quilômetros a noroeste de Las Vegas, no deserto de Nevada. Segundo Lazar, essa região (que não consta dos mapas oficiais de Nevada) tem esse nome pelo fato de os EUA serem divididos em 50 Estados e esse local, com área equivalente à da Suíça, seria uma espécie de 51º Estado. Nele haveria um complexo subterrâneo que já cumpriu a função de “garagem” para naves alienígenas. “Quando fui trabalhar lá não sabia do que se tratava. Eu e outros 22 engenheiros estudávamos o sistema de propulsão das naves e a princípio pensei estar lidando com uma tecnologia terrestre altamente desenvolvida. Conforme fui analisando as máquinas, notei que aquilo não tinha sido feito por um ser humano. Ainda não temos tanto conhecimento”, diz ele. Lazar assegura que suas suspeitas se confirmaram quando encontrou um memorando no qual havia muitas informações, segundo ele, sobre a presença de óvnis. “Fiquei impressionado com o que li.
Falava sobre a existência de seres cinzas com grandes cabeças calvas, que vieram da galáxia Zeta Reticuli. Também estava citado um incidente ocorrido em 1979, em que os alienígenas mataram militares e cientistas da base”, diz Lazar. Recentemente questionado sobre essas revelações, o Departamento de Defesa dos EUA, oficialmente, não admitiu, mas também não negou o funcionamento da Área 51. Já a Nasa prefere não se manifestar.Fatos e fraudesOs relatos agora divulgados pelo governo francês também evidenciam que, se o assunto não deve ser ignorado, também há fraudes que devem ser desmascaradas. “Há casos que não passam de invenções e de mentiras”, diz Patenet. “Mas também temos evidências de pouso de óvnis na Terra e é preciso ter critério para distinguir ciência e fraude.
Para isso, é necessário apurar tudo.” É isso que o Grupo de Estudos e Informações de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados vem fazendo. Com a iniciativa do governo da França, inicia-se assim um novo ciclo para pesquisas referentes à ufologia. Mais: daqui para a frente haverá menos mistério e menos temor acerca desse assunto porque, certamente, virão a público novos relatos em outros países. Talvez o homem não seja mesmo o único ser inteligente a habitar o espaço, mas para se decifrar essa questão é preciso que as informações não sejam escondidas – o que não significa fazer delas sensacionalismo nem deixar de analisá-las com critério. Esse é o mérito do Geipan na França, conclui a reportagem da Revista Isto É.
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A LOGICA INVISIVEL

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23:32



a logica absurda da poesia é sentir.
odeio a lógica mas amo o absurdo,
crio enigmas que serão desvendados só por mim,
a chuva acida de sonhos pela metade me fabrica,
goles de venenos subconscientes esfaqueia-me por dentro,
confesso que já decidi viver e não apenas existir,
apertarei o botão de autodestruição na hora vestical,
abismos abstratos percorrem o interior
dos meus olhos causando lagrimas
que so serão sentidas quando eu mergulhar em mim mesmo
escrevo agora sob o efeitos de cacos de vidros
formando a tez da madrugada.,
qual a lógica da tua alma e qual tua simetria?
se eu quisesse desvendar teu corpo
viajairia ate os confins procurando
rastros de finitas nuvens de desejos,
de qualquer formas as formas descritivas
nao cabem na memória soterrada de verdades,
o mundo dorme enquanto sonhamos acordados,
somos estranhos anjos poetas
nos versos infernais da cidade caótica,
caminhamos invisíveis pelo horror
pos-sonho e adentramos
com tubos de pura matemática
os números acorrentados no chão invulnerável,
sentimos a dor infitessima dor de ser
nós mesmo perante o mundo,
o mundo se ressente por termos o nosso próprio mundo,
ele quer nos alcançar não sendo ele mesmo,
quando nuvens de pensamentos
me carca gritando tempestuosidades
e soprando violentamente as paginas da poesia para longe
eu mergulho nela e não fujo,
termino poema como começo, sentindo por completo.
mesmo assim, o fracasso é um satélite
que paira nos meus ombros e observa-me sutilmente,
ilumindando meu mundo com cores crepusculares
e de aurora com tons feitos de noites oblíquos
e madrugadas que vagam solitárias a procura de companhia,
a solidao mais cheia de companhias solitárias é a solidão de si mesmo,
personagens caminham pela noite
e se arrastam com medo da manha
como seu houvesse um grande abismo a baixo das horas,
no diálogo espacial com meu amigo
as vezes estou do outro lado da conversa observando-me,
sou aquela fantasma que assusta-me,
a inquietude é como um vulcão
no centro gravitacional do meu coração desconsolado
meu grito nao é nem de liberdade nem de desespero
é um grito de quem engoliu o infinito.



By: João Leno Lima
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Entrevista com David Lynch

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18:38

entrevista de um dos mestres do cinema moderno, com sua lógica do absurdo e abstratas dimensões oniricas torna o encontro com a arte filmada de David Lynch, obrigatória.



Muitas pessoas acreditam que seus filmes seguem a lógica dos sonhos. Mas você escreve no livro que é muito raro tirar idéias de algum sonho para um filme.


Lynch: É verdade, eu quase nunca tiro idéias dos sonhos que tenho dormindo. Mas sonhar acordado é uma outra coisa. É uma forma ótima de ter idéias. O desejo é a isca. Se você deseja enquanto está sonhando acordado, as idéias vêm à sua mente. Você pode não gostar delas, mas outras virão. Você pode estar sentado em uma cadeira, pode estar andando ou almoçando num restaurante. Uma pequena coisa pode engatilhá-la. Daí você precisa botar no papel. Diga a todos: sempre escreva as idéias pelas quais você se apaixona, porque você não pode esquecê-las.


Como foi a experiência de trabalhar na TV com Twin Peaks? O tempo mais longo da série em relação a um filme permite um fluxo melhor das idéias?


Lynch: Sim, contar uma história numa série é emocionante, porque as idéias não precisam ser concluídas de forma tão rápida como em um longa-metragem. O problema é que a TV consome demais o seu tempo. Em um ponto de Twin Peaks, eu parei de escrever e de me envolver com a série. E daí deixou de ser divertido. Eu filmei o longa Coração selvagem [1990] em meio à série. Não é a forma certa de fazer as coisas. Você tem que estar envolvido o tempo todo, estar dentro do processo, sentir o trabalho.


No livro, você conta que estava obcecado com o julgamento de O.J. Simpson durante a filmagem de A estrada perdida, e que isso se refletiu no filme (como Simpson, o protagonista teria sofrido uma “fuga psicogênica”, em que sua mente se ilude para não pensar no horror cometido). Você parece um artista mais voltado para seu interior do que para o mundo externo. Foi uma surpresa saber que você acompanhava um fato tão mundano como o julgamento de Simpson. De que forma você acompanha questões urgentes do dia-a-dia, como as eleições americanas, por exemplo?


Lynch: Antes de responder, tenho que dizer que vou votar em Barack Obama... Bom, eu sempre fico obcecado por certas coisas, e o julgamento de O.J. Simpson foi uma delas. Eu costumo dizer que seres humanos são como detetives, nós pensamos no mundo como eles. Pistas dispersas vêm de todos os lugares, TV, rádio, revistas, e nós tentamos usá-las para desvendar o grande quadro.



História real (1999) é um trabalho de encomenda, com uma narrativa muito mais linear que a maioria de seus filmes, embora ainda tenha várias marcas de sua obra. Foi mais difícil trabalhar dessa forma, já que essa não é a maneira como sua cabeça geralmente funciona? Você acha que Hollywood tornou-se linear e óbvia em excesso?


Lynch: Com certeza. Mas talvez tenha sido sempre assim. Eu costumo dizer que História real é meu filme mais experimental, porque há uma emoção que eu tentei tirar da narrativa, mas poucos elementos se movimentando para isso. Essa história de uma pessoa na tela chorar, mas o sentimento não se traduzir para o espectador... É delicado, arriscado. Mas às vezes uma pessoa ri na tela e todos vão junto. É uma mágica. Como acontece? Não sei. Por isso digo que esse é um filme experimental.


Cidade dos sonhos tem uma visão dura de Hollywood. De certa forma, o filme compara os produtores com mafiosos. Isso reflete sua opinião sobre Hollywood?


Lynch: Essa é sua visão do filme. Não há uma maneira de um único filme representar toda a Hollywood. É sempre uma pequena fatia de algo. Como acontece com meu filme preferido, Crepúsculo dos deuses [1950], de Billy Wilder, que captura o sentimento de Hollywood em uma época específica.


Você diz que não há só uma Hollywood. E, observando a vista do seu estúdio, dá para entender por que você gosta daqui como um espaço geográfico. Mas como é sua relação com os estúdios?


Lynch: Eu nunca trabalharia em um estúdio. Apesar de sabermos que essa é uma cidadecheia de absurdos, certas coisas podem ser muito dolorosas. Mas há algo de mágico em Hollywood também: ela é sempre a mesma, mas está sempre mudando.Se você quer sobreviver, é melhor encontrar o balanço no sucesso e no fracasso. Aí você estará OK.


Muitos espectadores tentaram decifrar quais partes de Cidade dos sonhos eram pesadelo, imaginação ou realidade. Você considera esse tipo de interpretação válida ou preferia que as pessoas simplesmente aceitassem o mistério do filme? Por que você sempre se recusa a explicar seu trabalho ou a gravar faixas de comentários para seus DVDs?


Lynch: É perfeitamente normal tentar fazer qualquer interpretação do filme. A razão pela qual eu não falo sobre meus filmes é que o que eu tenho a dizer realmente não importa. Sou apenas mais uma pessoa. Se disser algo, é o que representa para mim. Eu não quero estragar as interpretações de ninguém. É importante tentar manter o filme o mais puro possível.Ele leva muito tempo para ser feito. Depois que está concluído, nada deve ser adicionado, nada deve ser tirado.


No livro, você diz que não faz idéia do que a caixa e a chave representam em Cidade dos sonhos. É verdade?


Eu sei o que é para mim. Mas não quero arruinar a visão das outras pessoas sobre o assunto.


Depois das experiências com vídeo digital em Império dos sonhos, para onde vai sua carreira no cinema?


Lynch: Não sei. Estou fazendo um documentário sobre a turnê que fiz por 50 países falando de meditação e paz. Quando terminar, verei o que acontece. Quero saber aonde as coisas estão indo, porque o cinema não é mais o mesmo. Onde um filme será exibido? Que mundo será esse? Eu estou em uma fase de contemplação.


Vou mencionar dois fatos que podem ter te deixado com raiva de Hollywood em diferentes épocas e você me diz se a meditação ajudou a superá-los: o primeiro foi não ter o corte final de Duna (1984) e o outro foi não ter encontrado distribuidor americano para Império dos sonhos (2006).


Lynch: Foi uma tristeza e um pesadelo não ter o corte final de Duna. Eu sabia, intelectualmente, que não deveria aceitar isso. E, assim que topei, percebi que estava me vendendo. Mas não haveria um corte do qual eu me orgulharia, porque comecei a me vender já na fase do roteiro. Sabendo que [o produtor] Dino [De Laurentiis] pensava de um jeito, eu tentei conseguir tudo que queria dele, mas certas coisas eu sabia que não ia conseguir, elas saíram do caminho. No fim do processo, eu estava destruído internamente. Porque o filme sempre sou eu. Eu me identifico tanto com meu trabalho que, se ele é ferido, eu também saio machucado. Eu juro: se eu não estivesse meditando, algo muito ruim teria acontecido comigo.


Como tentar se matar?


Lynch: Ou isso ou ter ficado muito, muito doente. Eu não podia suportar. Mas, de alguma forma, vi que ia passar. Não foi divertido, mas eu aprendi uma lição e superei. Com Império dos sonhos, foi bem diferente. Se você faz um filme no qual realmente acredita e ele não vai bem no mercado, você pode viver com isso facilmente. Se você faz um filme como Duna, no qual não acredita, e ele ainda fracassa, você morre duas vezes. Império dos sonhos é um filme que me levou a lugares lindos, a uma promessa de futuro. Eu amo o filme, então não me importa se ele foi bem ou não no mercado. Além disso, ele foi lançado em uma época que o cinema está mudando radicalmente, como a música. Os lançamentos em salas de cinema raramente se pagam, o DVD também está em crise, tudo acaba desaguando na internet. Império dos sonhos foi pego no meio dessa transição. Além disso, claro, é um filme com três horas de duração que quase ninguém entende. Mas há pessoas que amam o filme. E eu sou uma delas.



Você sempre foi um defensor dos experimentos visuais na internet. E, depois da experiência com o vídeo digital em Império dos sonhos, declarou que a película está morta. A sala de cinema também está em vias de extinção?


Lynch: Está e não está. Há algo sobre uma sala de cinema e uma experiência compartilhada que eu não vejo muito como pode morrer. Mas acho que o cinema vai se tornar cada vez mais uma arena de eventos. Vai ser difícil para as pequenas salas sobreviver. Também acho que os centros de entretenimento caseiros vão se tornar cada vez melhores. Eu acredito que ver um filme é um evento sagrado. Não posso dizer às pessoas o que fazer, mas acho que a luz deve estar baixa, não deve haver interrupções, o som deve ser incrível e a tela a maior possível, para que você tenha a chance de ir para outro mundo. Eu tenho um home theater, e os DVDs ficam lindos nele. Se a imagem está definida demais, você pode tirar um pouco do foco e ter uma grande experiência.


Você continua freqüentando o cinema? Que filmes recentes lhe agradaram?


Eu gostei de Onde os fracos não têm vez, dos irmãos Coen, com exceção do fim. Assim que o herói foi morto, o que nós nem vimos acontecer, eu saí completamente do filme, não me importei com nada do que veio depois.


Como foi sua infância? Você identifica algo naquele período de sua vida que ajuda a explicar o cineasta que você se tornou?


Lynch: Tudo que você assimila quando criança é importante. Meu pai era um pesquisador do Departamento de Agricultura. Ele cresceu em Montana e amava árvores de uma maneira que você não pode imaginar. Ele me levava de tempos em tempos à floresta. E eu continuo indo hoje. Amo as árvores do Noroeste americano, principalmente o pinho. Já a minha mãe cresceu no Brooklyn. Quando eu era pequeno, era comum sair desse clima de floresta do Noroeste para Nova York. E esse contraste violento impressiona uma criança. No Brooklyn, eu sentia uma incrível tensão no ar, violência, medo. Já a floresta eu achava amigavelmente misteriosa. Você podia sentar, ouvir e olhar por horas. Parecia que não acontecia muita coisa, mas era mágico. Não há nada como a natureza.


Você era considerado uma criança excêntrica?


Não. Na verdade, eu nunca tive uma idéia original até eu chegar a 19, 20 anos.E qual foi essa idéia?Não me lembro. Mas me recordo de pensar algo que era mais meu do que de qualquer outra pessoa. Era algo relacionado ao meu trabalho como pintor.


Quando você descobriu que a pintura não seria suficiente para você?


Lynch: Não é que não era suficiente. Eu amava e ainda amo a pintura. O que aconteceu foi o seguinte: eu acabei indo estudar na Pennsylvania Academy of Fine Arts, na Filadélfia. Eu nunca quis pisar na Filadélfia. Mas eu estava lá. E foi um grande lugar para mim, porque os alunos eram pintores sérios, e nós inspiramos uns aos outros. Eu tinha um cubículo em um grande estúdio na escola. E estava lá fazendo uma pintura de um jardim à noite. Eu estava olhando para a pintura e de dentro dela veio um vento que moveu as plantas. Eu pensei: uma pintura em movimento! Havia um concurso de pintura experimental no fim de cada ano. E decidi fazer justamente uma pintura em movimento, um filme com um loop de 1 min sobre uma tela esculpida, com um barulho de sirene ao fundo. Chamava-se Seis homens ficando doentes. Ganhei o primeiro prêmio. E esse foi meu começo no cinema.


Logo depois da escola de arte, você começou a filmar Eraserhead e a praticar meditação transcendental. No livro, você conta que foi uma época turbulenta em sua vida pessoal, e o filme reflete o conflito do protagonista com a idéia de casamento e da paternidade. A meditação também ajudou nessas questões íntimas?

Lynch: Eu me casei e me separei três vezes. Então você pode dizer que tenho problemas no departamento matrimonial. Mas, na minha cabeça, as coisas mudaram. Os eventos na sua vida podem permanecer basicamente os mesmos quando você começa a meditar, mas a maneira como você os enfrenta certamente melhora com o tempo. As relações melhoram. Mesmo as relações estremecidas. Os problemas continuam lá, mas há uma gentileza e uma compreensão maiores pela outra pessoa. Tudo pode estar desmoronando, mas isso não vai mais matar as duas pessoas.


É verdade a história de que, ao ser apresentado à atriz Isabella Rossellini (que depois se tornaria sua namorada por quatro anos), você teria comentado: “Você poderia ser a filha de Ingrid Bergman!” (sem saber que, na verdade, Isabella é realmente filha de Ingrid com o cineasta Roberto Rossellini)?



Lynch: História verdadeira. Eu estava com outras três pessoas. A gente foi apresentado em um restaurante de Nova York. Eu estou lá sentado e olhando para Isabella. Daí fiz aquele comentário. A outra garota na mesa me olhou como se eu fosse um idiota. Mas a Isabella levou na boa.


E quanto à história de que você teria sido convidado por George Lucas para dirigir O retorno do Jedi (1983), depois que ele viu seu trabalho em O homem elefante?


Lynch: Sim, é verdade. Mas era uma história do George. Eu apenas respondi que ele mesmo deveria dirigir.


Depois do fracasso de Duna, você se consagrou com Veludo azul, que tem muito das marcas do seu cinema posterior. Eu gostaria de saber como nasce a idéia de um filme tão peculiar como esse,de entender um pouco seu processo de criação.


Lynch: Quando Bobby Vinton gravou a música “Blue Velvet”, eu não gostei muito. Não era rock’n’roll. Mas, quando a ouvi de novo anos depois, ela despertou algo em mim. Ela tinha o clima do que o filme se tornaria. Eu escutei a música e pensei em gramados verdes de noite, lábios vermelhos e um carro. Isso foi o começo. O filme nunca aparece para mim de uma só vez, ele vem em fragmentos. Esses foram os primeiros.



Entrevista cedida a resvista Trip, em seu estúdio em Los Angeles, em 18 de julho, 2008
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Phoenix confirma existência de água em Marte

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00:54

A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta quinta-feira que testes de laboratório realizados por sua sonda espacial Phoenix confirmaram a existência de água em Marte.
Há anos os cientistas sabiam que havia gelo em Marte. Phoenix foi enviada para o quarto planeta do Sistema Solar para estabelecer se se tratava de gelo formado por água, dióxido de carbono ou outro tipo de substância.
A amostra de gelo foi recolhida na quarta-feira pelo braço robótico de Phoenix e depositada em um instrumento que identifica vapores produzidos pelo aquecimento do material.
"Nós temos água", disse William Boynton, da Universidade do Arizona, responsável pelo analisador termal da Phoenix. "Nós vimos indícios desta água congelada antes em observações feitas pela nave Mars Odyssey e em fragmentos que se diluíram aos serem observados pela Phoenix no mês passado, mas esta foi a primeira vez que água marciana foi tocada e testada."
A amostra de solo foi extraída de uma perfuração de aproximadamente cinco centímetros no solo. Neste ponto, o braço robótico deparou com uma camada dura de material congelado.
'Surpresas'
O material foi exposto por dois dias e parte da água na amostra começou a evaporar, tornando o solo mais fácil de manipular.
"Marte está nos trazendo algumas surpresas", disse o principal investigador da missão, Peter Smith, da Universidade de Arizona.
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores mantém alguma cautela. Segundo eles, a constatação não prova que o gelo existia na forma líquida na superfície do planeta, ou que as condições em Marte alguma vez tenham sido favoráveis a isso. Serão necessários mais testes para verificar isso.
Os pesquisadores precisam verificar se água congelada já derreteu alguma vez o suficiente para estar disponível para a sustentação de vida e se substâncias com carbono e outras matérias-primas para a vida estão presentes.
Os resultados obtidos por Phoenix levaram ainda a Nasa a estender sua missão, que terminaria em agosto.
Agora a sonda, que desceu no superfície marciana em 25 de maio, vai prosseguir com suas observações em solo marciano até 30 de setembro.


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