Entrevista com David Lynch

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18:38

entrevista de um dos mestres do cinema moderno, com sua lógica do absurdo e abstratas dimensões oniricas torna o encontro com a arte filmada de David Lynch, obrigatória.



Muitas pessoas acreditam que seus filmes seguem a lógica dos sonhos. Mas você escreve no livro que é muito raro tirar idéias de algum sonho para um filme.


Lynch: É verdade, eu quase nunca tiro idéias dos sonhos que tenho dormindo. Mas sonhar acordado é uma outra coisa. É uma forma ótima de ter idéias. O desejo é a isca. Se você deseja enquanto está sonhando acordado, as idéias vêm à sua mente. Você pode não gostar delas, mas outras virão. Você pode estar sentado em uma cadeira, pode estar andando ou almoçando num restaurante. Uma pequena coisa pode engatilhá-la. Daí você precisa botar no papel. Diga a todos: sempre escreva as idéias pelas quais você se apaixona, porque você não pode esquecê-las.


Como foi a experiência de trabalhar na TV com Twin Peaks? O tempo mais longo da série em relação a um filme permite um fluxo melhor das idéias?


Lynch: Sim, contar uma história numa série é emocionante, porque as idéias não precisam ser concluídas de forma tão rápida como em um longa-metragem. O problema é que a TV consome demais o seu tempo. Em um ponto de Twin Peaks, eu parei de escrever e de me envolver com a série. E daí deixou de ser divertido. Eu filmei o longa Coração selvagem [1990] em meio à série. Não é a forma certa de fazer as coisas. Você tem que estar envolvido o tempo todo, estar dentro do processo, sentir o trabalho.


No livro, você conta que estava obcecado com o julgamento de O.J. Simpson durante a filmagem de A estrada perdida, e que isso se refletiu no filme (como Simpson, o protagonista teria sofrido uma “fuga psicogênica”, em que sua mente se ilude para não pensar no horror cometido). Você parece um artista mais voltado para seu interior do que para o mundo externo. Foi uma surpresa saber que você acompanhava um fato tão mundano como o julgamento de Simpson. De que forma você acompanha questões urgentes do dia-a-dia, como as eleições americanas, por exemplo?


Lynch: Antes de responder, tenho que dizer que vou votar em Barack Obama... Bom, eu sempre fico obcecado por certas coisas, e o julgamento de O.J. Simpson foi uma delas. Eu costumo dizer que seres humanos são como detetives, nós pensamos no mundo como eles. Pistas dispersas vêm de todos os lugares, TV, rádio, revistas, e nós tentamos usá-las para desvendar o grande quadro.



História real (1999) é um trabalho de encomenda, com uma narrativa muito mais linear que a maioria de seus filmes, embora ainda tenha várias marcas de sua obra. Foi mais difícil trabalhar dessa forma, já que essa não é a maneira como sua cabeça geralmente funciona? Você acha que Hollywood tornou-se linear e óbvia em excesso?


Lynch: Com certeza. Mas talvez tenha sido sempre assim. Eu costumo dizer que História real é meu filme mais experimental, porque há uma emoção que eu tentei tirar da narrativa, mas poucos elementos se movimentando para isso. Essa história de uma pessoa na tela chorar, mas o sentimento não se traduzir para o espectador... É delicado, arriscado. Mas às vezes uma pessoa ri na tela e todos vão junto. É uma mágica. Como acontece? Não sei. Por isso digo que esse é um filme experimental.


Cidade dos sonhos tem uma visão dura de Hollywood. De certa forma, o filme compara os produtores com mafiosos. Isso reflete sua opinião sobre Hollywood?


Lynch: Essa é sua visão do filme. Não há uma maneira de um único filme representar toda a Hollywood. É sempre uma pequena fatia de algo. Como acontece com meu filme preferido, Crepúsculo dos deuses [1950], de Billy Wilder, que captura o sentimento de Hollywood em uma época específica.


Você diz que não há só uma Hollywood. E, observando a vista do seu estúdio, dá para entender por que você gosta daqui como um espaço geográfico. Mas como é sua relação com os estúdios?


Lynch: Eu nunca trabalharia em um estúdio. Apesar de sabermos que essa é uma cidadecheia de absurdos, certas coisas podem ser muito dolorosas. Mas há algo de mágico em Hollywood também: ela é sempre a mesma, mas está sempre mudando.Se você quer sobreviver, é melhor encontrar o balanço no sucesso e no fracasso. Aí você estará OK.


Muitos espectadores tentaram decifrar quais partes de Cidade dos sonhos eram pesadelo, imaginação ou realidade. Você considera esse tipo de interpretação válida ou preferia que as pessoas simplesmente aceitassem o mistério do filme? Por que você sempre se recusa a explicar seu trabalho ou a gravar faixas de comentários para seus DVDs?


Lynch: É perfeitamente normal tentar fazer qualquer interpretação do filme. A razão pela qual eu não falo sobre meus filmes é que o que eu tenho a dizer realmente não importa. Sou apenas mais uma pessoa. Se disser algo, é o que representa para mim. Eu não quero estragar as interpretações de ninguém. É importante tentar manter o filme o mais puro possível.Ele leva muito tempo para ser feito. Depois que está concluído, nada deve ser adicionado, nada deve ser tirado.


No livro, você diz que não faz idéia do que a caixa e a chave representam em Cidade dos sonhos. É verdade?


Eu sei o que é para mim. Mas não quero arruinar a visão das outras pessoas sobre o assunto.


Depois das experiências com vídeo digital em Império dos sonhos, para onde vai sua carreira no cinema?


Lynch: Não sei. Estou fazendo um documentário sobre a turnê que fiz por 50 países falando de meditação e paz. Quando terminar, verei o que acontece. Quero saber aonde as coisas estão indo, porque o cinema não é mais o mesmo. Onde um filme será exibido? Que mundo será esse? Eu estou em uma fase de contemplação.


Vou mencionar dois fatos que podem ter te deixado com raiva de Hollywood em diferentes épocas e você me diz se a meditação ajudou a superá-los: o primeiro foi não ter o corte final de Duna (1984) e o outro foi não ter encontrado distribuidor americano para Império dos sonhos (2006).


Lynch: Foi uma tristeza e um pesadelo não ter o corte final de Duna. Eu sabia, intelectualmente, que não deveria aceitar isso. E, assim que topei, percebi que estava me vendendo. Mas não haveria um corte do qual eu me orgulharia, porque comecei a me vender já na fase do roteiro. Sabendo que [o produtor] Dino [De Laurentiis] pensava de um jeito, eu tentei conseguir tudo que queria dele, mas certas coisas eu sabia que não ia conseguir, elas saíram do caminho. No fim do processo, eu estava destruído internamente. Porque o filme sempre sou eu. Eu me identifico tanto com meu trabalho que, se ele é ferido, eu também saio machucado. Eu juro: se eu não estivesse meditando, algo muito ruim teria acontecido comigo.


Como tentar se matar?


Lynch: Ou isso ou ter ficado muito, muito doente. Eu não podia suportar. Mas, de alguma forma, vi que ia passar. Não foi divertido, mas eu aprendi uma lição e superei. Com Império dos sonhos, foi bem diferente. Se você faz um filme no qual realmente acredita e ele não vai bem no mercado, você pode viver com isso facilmente. Se você faz um filme como Duna, no qual não acredita, e ele ainda fracassa, você morre duas vezes. Império dos sonhos é um filme que me levou a lugares lindos, a uma promessa de futuro. Eu amo o filme, então não me importa se ele foi bem ou não no mercado. Além disso, ele foi lançado em uma época que o cinema está mudando radicalmente, como a música. Os lançamentos em salas de cinema raramente se pagam, o DVD também está em crise, tudo acaba desaguando na internet. Império dos sonhos foi pego no meio dessa transição. Além disso, claro, é um filme com três horas de duração que quase ninguém entende. Mas há pessoas que amam o filme. E eu sou uma delas.



Você sempre foi um defensor dos experimentos visuais na internet. E, depois da experiência com o vídeo digital em Império dos sonhos, declarou que a película está morta. A sala de cinema também está em vias de extinção?


Lynch: Está e não está. Há algo sobre uma sala de cinema e uma experiência compartilhada que eu não vejo muito como pode morrer. Mas acho que o cinema vai se tornar cada vez mais uma arena de eventos. Vai ser difícil para as pequenas salas sobreviver. Também acho que os centros de entretenimento caseiros vão se tornar cada vez melhores. Eu acredito que ver um filme é um evento sagrado. Não posso dizer às pessoas o que fazer, mas acho que a luz deve estar baixa, não deve haver interrupções, o som deve ser incrível e a tela a maior possível, para que você tenha a chance de ir para outro mundo. Eu tenho um home theater, e os DVDs ficam lindos nele. Se a imagem está definida demais, você pode tirar um pouco do foco e ter uma grande experiência.


Você continua freqüentando o cinema? Que filmes recentes lhe agradaram?


Eu gostei de Onde os fracos não têm vez, dos irmãos Coen, com exceção do fim. Assim que o herói foi morto, o que nós nem vimos acontecer, eu saí completamente do filme, não me importei com nada do que veio depois.


Como foi sua infância? Você identifica algo naquele período de sua vida que ajuda a explicar o cineasta que você se tornou?


Lynch: Tudo que você assimila quando criança é importante. Meu pai era um pesquisador do Departamento de Agricultura. Ele cresceu em Montana e amava árvores de uma maneira que você não pode imaginar. Ele me levava de tempos em tempos à floresta. E eu continuo indo hoje. Amo as árvores do Noroeste americano, principalmente o pinho. Já a minha mãe cresceu no Brooklyn. Quando eu era pequeno, era comum sair desse clima de floresta do Noroeste para Nova York. E esse contraste violento impressiona uma criança. No Brooklyn, eu sentia uma incrível tensão no ar, violência, medo. Já a floresta eu achava amigavelmente misteriosa. Você podia sentar, ouvir e olhar por horas. Parecia que não acontecia muita coisa, mas era mágico. Não há nada como a natureza.


Você era considerado uma criança excêntrica?


Não. Na verdade, eu nunca tive uma idéia original até eu chegar a 19, 20 anos.E qual foi essa idéia?Não me lembro. Mas me recordo de pensar algo que era mais meu do que de qualquer outra pessoa. Era algo relacionado ao meu trabalho como pintor.


Quando você descobriu que a pintura não seria suficiente para você?


Lynch: Não é que não era suficiente. Eu amava e ainda amo a pintura. O que aconteceu foi o seguinte: eu acabei indo estudar na Pennsylvania Academy of Fine Arts, na Filadélfia. Eu nunca quis pisar na Filadélfia. Mas eu estava lá. E foi um grande lugar para mim, porque os alunos eram pintores sérios, e nós inspiramos uns aos outros. Eu tinha um cubículo em um grande estúdio na escola. E estava lá fazendo uma pintura de um jardim à noite. Eu estava olhando para a pintura e de dentro dela veio um vento que moveu as plantas. Eu pensei: uma pintura em movimento! Havia um concurso de pintura experimental no fim de cada ano. E decidi fazer justamente uma pintura em movimento, um filme com um loop de 1 min sobre uma tela esculpida, com um barulho de sirene ao fundo. Chamava-se Seis homens ficando doentes. Ganhei o primeiro prêmio. E esse foi meu começo no cinema.


Logo depois da escola de arte, você começou a filmar Eraserhead e a praticar meditação transcendental. No livro, você conta que foi uma época turbulenta em sua vida pessoal, e o filme reflete o conflito do protagonista com a idéia de casamento e da paternidade. A meditação também ajudou nessas questões íntimas?

Lynch: Eu me casei e me separei três vezes. Então você pode dizer que tenho problemas no departamento matrimonial. Mas, na minha cabeça, as coisas mudaram. Os eventos na sua vida podem permanecer basicamente os mesmos quando você começa a meditar, mas a maneira como você os enfrenta certamente melhora com o tempo. As relações melhoram. Mesmo as relações estremecidas. Os problemas continuam lá, mas há uma gentileza e uma compreensão maiores pela outra pessoa. Tudo pode estar desmoronando, mas isso não vai mais matar as duas pessoas.


É verdade a história de que, ao ser apresentado à atriz Isabella Rossellini (que depois se tornaria sua namorada por quatro anos), você teria comentado: “Você poderia ser a filha de Ingrid Bergman!” (sem saber que, na verdade, Isabella é realmente filha de Ingrid com o cineasta Roberto Rossellini)?



Lynch: História verdadeira. Eu estava com outras três pessoas. A gente foi apresentado em um restaurante de Nova York. Eu estou lá sentado e olhando para Isabella. Daí fiz aquele comentário. A outra garota na mesa me olhou como se eu fosse um idiota. Mas a Isabella levou na boa.


E quanto à história de que você teria sido convidado por George Lucas para dirigir O retorno do Jedi (1983), depois que ele viu seu trabalho em O homem elefante?


Lynch: Sim, é verdade. Mas era uma história do George. Eu apenas respondi que ele mesmo deveria dirigir.


Depois do fracasso de Duna, você se consagrou com Veludo azul, que tem muito das marcas do seu cinema posterior. Eu gostaria de saber como nasce a idéia de um filme tão peculiar como esse,de entender um pouco seu processo de criação.


Lynch: Quando Bobby Vinton gravou a música “Blue Velvet”, eu não gostei muito. Não era rock’n’roll. Mas, quando a ouvi de novo anos depois, ela despertou algo em mim. Ela tinha o clima do que o filme se tornaria. Eu escutei a música e pensei em gramados verdes de noite, lábios vermelhos e um carro. Isso foi o começo. O filme nunca aparece para mim de uma só vez, ele vem em fragmentos. Esses foram os primeiros.



Entrevista cedida a resvista Trip, em seu estúdio em Los Angeles, em 18 de julho, 2008
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Phoenix confirma existência de água em Marte

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00:54

A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta quinta-feira que testes de laboratório realizados por sua sonda espacial Phoenix confirmaram a existência de água em Marte.
Há anos os cientistas sabiam que havia gelo em Marte. Phoenix foi enviada para o quarto planeta do Sistema Solar para estabelecer se se tratava de gelo formado por água, dióxido de carbono ou outro tipo de substância.
A amostra de gelo foi recolhida na quarta-feira pelo braço robótico de Phoenix e depositada em um instrumento que identifica vapores produzidos pelo aquecimento do material.
"Nós temos água", disse William Boynton, da Universidade do Arizona, responsável pelo analisador termal da Phoenix. "Nós vimos indícios desta água congelada antes em observações feitas pela nave Mars Odyssey e em fragmentos que se diluíram aos serem observados pela Phoenix no mês passado, mas esta foi a primeira vez que água marciana foi tocada e testada."
A amostra de solo foi extraída de uma perfuração de aproximadamente cinco centímetros no solo. Neste ponto, o braço robótico deparou com uma camada dura de material congelado.
'Surpresas'
O material foi exposto por dois dias e parte da água na amostra começou a evaporar, tornando o solo mais fácil de manipular.
"Marte está nos trazendo algumas surpresas", disse o principal investigador da missão, Peter Smith, da Universidade de Arizona.
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores mantém alguma cautela. Segundo eles, a constatação não prova que o gelo existia na forma líquida na superfície do planeta, ou que as condições em Marte alguma vez tenham sido favoráveis a isso. Serão necessários mais testes para verificar isso.
Os pesquisadores precisam verificar se água congelada já derreteu alguma vez o suficiente para estar disponível para a sustentação de vida e se substâncias com carbono e outras matérias-primas para a vida estão presentes.
Os resultados obtidos por Phoenix levaram ainda a Nasa a estender sua missão, que terminaria em agosto.
Agora a sonda, que desceu no superfície marciana em 25 de maio, vai prosseguir com suas observações em solo marciano até 30 de setembro.


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Os Oito Circuitos da Consciência

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09:53

por: Robert Anton Wilson

Trecho do livro "Cosmic Trigger: Final Secret of the Illuminati"["Gatilho Cósmico: O segredo final dos Illuminati"]


Vamos tentar entender a perspectiva do Dr. Leary a respeito desses mistérios. Para compreender o espaço neurológico, o Dr. Leary supõe que o sistema nervoso consiste de oito circuitos potenciais, ou "engrenagens", ou mini-cérebros. Quatro desses cérebros estão no lóbulo esquerdo, geralmente ativo, e estão preocupados com nossa sobrevivência terrestre; quatro são extraterrestres, residem no lado direito, "mudo" ou inativo, e são para uso em nossa evolução futura. Isso explica porque o lóbulo direito é geralmente inativo nesse estágio de nosso desenvolvimento, e porque se torna ativo quando a pessoa ingere psicodélicos. (A visão do cérebro simplificada por hemisférios direito-esquerdo é hoje contestada, mas a idéia permanece válida enquanto metáfora, já que a localização dos "cérebros" não interessa na verdade. N. do T.) Iremos explicar brevemente cada um desses oito "cérebros".



I. O CIRCUITO DA BIO-SOBREVIVÊNCIA Este cérebro invertebrado foi o primeiro a evoluir (2 a 3 bilhões de anos atrás) e é o primeiro ativado quando a criança humana nasce. Ele programa as percepções em uma tabela dividida em Coisas úteis-alimentíceas (das quais se aproxima) e Coisas prejudiciais-perigosas (Das quais ele foge, ou as quais ataca). A impressão desse circuito condiciona a atitude básica de confiança ou suspeita a qual sempre afetará os gatilhos de aproximação ou esquiva.


II. O CIRCUITO EMOCIONAL Esse segundo bio-computador, um pouco mais avançado, formou-se quando os vertebrado apareceram e começaram a competir por território (talvez 500.000.000 AC). No indivíduo essa realidade-túnel ampliada é ativada quando a fita mestre de DNA aciona a metamorfose de rastejar para caminhar. Como qualquer pai sabe, o neném já não é mais uma criança passiva (bio-sobrevivência) mas um mamífero político, cheio de exigências territoriais (e psíquicas), em pouco tempo se meterá nos negócios da família e na tomada de decisões. Novamente a primeira impressão desse circuito permanece constante pela vida inteira (exceto quando eliminado por lavagem cerebral) e identifica os estímulos aos quais engatilhará comportamentos dominantes/agressivos ou submissivos/cooperativos. Quando dizemos que uma pessoa está se comportando emocionalmente, egoisticamente ou 'como uma criança de dois anos', estamos querendo dizer que ele/a está seguindo cegamente um dos túneis-realidadel impressos nesses circuito.


III. O CIRCUITO DA DESTREZA/SIMBOLISMO Esse terceiro cérebro se formou quando os hominídeos começaram a se diferenciar dos outros primatas (cerca de 4 a 5 milhões de anos atrás) e é ativado pelas funções lineares do lóbulo esquerdo do cérebro, determina nossos padrões convencionais de manufatura de artefatos e pensamento conceitual. Esta é a terceira "mente" circuito. Não é por acidente portanto que nossa lógica (e nosso desenvolvimento de computadores) siga a estrutura binária desses circuitos. Não é acidente que nossa geometria, até o século passado, tenha sido Euclidiana. A geometria de Euclides, a lógica de Aristóteles e a física de Newton são meta-programas sintetizando e generalizando as programações para frente/para trás do primeiro cérebro, para baixo/para cima do segundo cérebro e esquerda/direita do terceiro cérebro.


IV. O CIRCUITO SEXUAL/SOCIAL O quarto cérebro, lidando com as transmissões de cultura étnica ou tribal através das gerações, introduz a quarta dimensão, tempo. Já que cada um desses túneis-realidade consiste de impressões bioquímicas ou matrizes no sistema nervoso, cada uma delas e especificamente acionada por neurotransmissores e outras drogas. Para ativar o primeiro cérebro tome um opiáceo. Mamãe Ópio e Irmã Morfina trarão você lá para baixo, até a inteligência celular, até a passividade da bio-sobrevivência, até a consciência flutuante do recém nascido. (Esta é a razão pela qual os Freudianos identificam adição aos opiáceos como um desejo de retorno a infância.) Para ativar o segundo túnel-realidade, tome uma quantidade abundante de álcool. Padrões territoriais dos vertebrados e política emocional mamífera aparecem imediatamente enquanto a bebida desce, como Thomas Nashe intuitivamente percebeu quando categorizou os vários estados alcóolicos com rótulos: "bêbado como um asno", "bêbado como um bode", "bêbado como um porco", "bêbado como um urso", etc. Para ativar o terceiro circuito, tente café ou chá, uma dieta rica em proteínas, anfetaminas ou cocaína. O neurotransmissor específico para o quarto circuito ainda não foi sintetizado, mas é gerado pelas glândulas após a puberdade e flui vulcanicamente através dos condutos sangüíneos dos adolescentes. NENHUMA DESSAS DROGAS TERRESTRES ALTERAM AS IMPRESSÕES BIOQUÍMICAS BÁSICAS. Os comportamentos que elas acionam são aqueles que foram armazenados no sistema nervoso durante os primeiros estágios de vulnerabilidade à impressão. O circuito II bêbado exibe os jogos emocionais aprendidos dos pais na infância. O circuito III "mente" nunca vai além das permutações e combinações desses túneis-realidade originalmente impressas, ou com abstrações associadas com essas impressões através de condicionamento posterior. E assim por diante. Mas todo esse robotismo Pavloviano/Skinneriano muda drasticamente e dramaticamente quando nos viramos para o lóbulo direito, os circuitos futuros e os químicos extraterrestres. Os quatro futuros "cérebros" são:


V. O CIRCUITO NEUROSSOMÁTICO Quando esses quinto "corpo-cérebro" é ativado, configurações planas Euclidianas explodem multi-dimensionalmente. Mudança gestalt, nos termos de McLuhan, do ESPAÇO VISUAL linear para um todo-penetrante ESPAÇO SENSÓRIO. Uma excitação hedonística ocorre, uma surpresa extasiante, um desprendimento dos mecanismos compulsivos dos primeiros quatro circuitos. Eu acionei esses circuitos com maconha e Tantra. Esse quinto cérebro começou a aparecer cerca de 4.000 anos atrás nas primeiras civilizações que mantiveram uma "classe de lazer" e tem aumentado estatisticamente nos séculos mais recentes (mesmo antes da Revolução das Drogas), um fato demonstrado pelas artes hedonísticas da Índia, China, Roma e outras sociedades influentes. Mais recentemente, Ornstein e sua escola demonstraram com eletroencefalogramas que este circuito representa o primeiro salto do linear lóbulo esquerdo para o analógico lóbulo direito. A abertura e impressão desses circuito tem sido a preocupação dos "técnicos do oculto" — xamãs tântricos e hatha yogis. Enquanto a quinta realidade-túnel pode ser atingida por privação sensorial, isolamento social, estresse psicológico ou choque brutal (táticas de terror cerimonial praticadas por gurus patifes tais como Don Juan Matus ou Aleister Crowley), tem sido mais tradicionalmente atingida pela aristocracia educada das sociedades de lazer que resolveram os quatro problemas de sobrevivência terrestres. Cerca de 20.000 anos atrás, o quinto neurotransmissor específico foi descoberto por xamãs na área do Mar Cáspio na Ásia e rapidamente se espalhou por outros magos através da Eurásia e África. É, claro, a cannabis. Erva. Mamãe Maria Joana. Não é acidental o fato de que o "cabeção-emaconhado" geralmente refere-se a seu estado neural como "alto", ou "fora do espaço". A transcendência das orientações planetárias gravitacionais, digitais, lineares, ou Aristotélicas, ou Euclidianas, ou Newtonianas (circuitos I-IV) é, numa perspectiva evolucionária, parte de nossa preparação neurológica para a inevitável migração de nosso planeta natal, hoje em seus primórdios. Esta é a razão pela qual tantos "cabeções-emaconhacos" são freaks de Jornada nas Estrelas e adeptos da ficção científica. (Berkeley, California, certamente a Capital da Cannabis dos EUA, tem um Posto de Troca da Federação na Avenida dos Telégrafos, onde o abonado pode facilmente gastar US$500 ou mais num único dia, comprando contos, revistas, bugigangas em geral).O significado extraterrestre de estar "alto" é confirmado pelo astronautas; 85% daqueles que já entraram na queda livre da gravidade zero descrevem "experiências místicas" de êxtase típicas do circuito neurossomático. "Nenhuma foto pode mostrar quão bela a Terra parecia," delira o Capitão Ed Mitchell, descrevendo sua Iluminação em queda livre. Ele soa como qualquer yogi ou "cabeção-emaconhado" bem sucedido. Nenhuma câmara pode mostrar essas experiências, já que elas ocorrem dentro do sistema nervoso. QUEDA LIVRE, NO MOMENTO EVOLUCIONÁRIO CORRETO, ACIONA A MUTAÇÃO NEUROSSOMÁTICA, crê Leary. A princípio essa mutação foi alcançada "artificialmente" por treinamento yogico ou xamânico ou pelo estimulante do quinto circuito, a cannabis. Surfar, esquiar, mergulhar e a nova cultura sexual (massagem sensual, vibradores, arte Tântrica importada, etc.) evoluíram ao mesmo tempo como parte de uma conquista hedonista da gravidade. O estado "Ligado" é sempre descrito como "flutuante", ou na metáfora Zen, "um pé acima do chão."


VI. O CIRCUITO NEUROELÉTRICO No sexto cérebro o sistema nervoso se torna consciente de si mesmo como separado de mapas de realidade gravitacionais (circuitos I-IV) e mesmo separado do êxtase-corporal (circuito V). O semantista Conde Korzybski, chama este estado de "consciência da abstração." O Dr. John Lilly chama ele "metaprogramação", i.e., consciência de programar a própria programação. Essa conteligência (consciência-inteligência) Einsteiniana relativística reconhece, por exemplo, que os mapas da realidade Euclideanos, Aristotélicos e Neutonianos são somente três entre bilhões de possíveis programas ou modelos para a experiência. Eu liguei esse circuito com Peyote, LSD e os metaprogramas de "Magick" de Aleister Crowley. Esse nível de funcionamento cerebral parece ter sido primeiro relatado lá por 500 BC entre vários grupos "ocultos" ligados pela rota da Seda (Roma - Norte da Índia) Está tão além dos túneis-realidade terrestres que aqueles que o alcançaram mal podem falar sobre ele para a humanidade comum (circuitos I-IV) e podem dificilmente ser entendidos mesmo pelos Engenheiros do Êxtase do quinto circuito. As características do circuito neuroelétrico são alta velocidade, escolha múltipla, relatividade, e a fissão-fusão de todas as percepções em universos paralelos de possibilidades alternativas como os da Ficção Científica. As políticas mamíferas que monitoram as lutas por poder entre a humanidade terrestre são aqui transcendidas, i.e., vistas como estáticas, artificiais, uma charada elaborada. A pessoa não é nem manipulada coercivamente até uma realidade territorial alheia nem é forçada a lutar contra ela com um joguinho emocional recíproco (o costumeiro dramalhão de novela). A pessoa simplesmente escolhe, conscientemente, se vai ou não, e até onde, compartilhar o modelo-de-realidade do outro. Táticas para a abertura e impressão do sexto circuito são descritas e raramente experimentadas em rajah yoga avançada, e nos manuais herméticos (codificados) dos alquimistas e Illuminati medievais-Renascentistas. Nenhum químico específico para o sexto circuito é disponível ainda, mas psicodélicos fortes como a mescalina (do cactus sagrado, o peyotl) e a psilocibina (do "cogumelo mágico" Mexicano, teonactl) abrem o sistema nervoso para uma serie misturada dos canais V e VI. Isso é apropriadamente chamado "viajar", como distinguido do "se ligar" ou "ficar alto" exclusivos do V circuito. A supressão de pesquisa científica nessa área tem trazido o resultado desafortunado de trazer a cultura marginal das drogas de volta ao hedonismo do quinto circuito e as realidades-túnel pré-científicas (a revivescência do ocultismo, solipsismo, Orientalismo Pop, etc.). Sem a disciplina e metodologia científicas, poucos conseguem decodificar com sucesso sinais de metaprogramação que são muitas vezes assustadores (mas filosoficamente cruciais). Cientistas que continuam a estudar esse assunto não ousam publicar seus resultados (que são ilegais) e cada vez mais as largas realidades-túnel somente são percebidas em conversações privadas — como os eruditos da era da Inquisição. (Voltaire anunciou a Era da Razão dois séculos atrás. Nós ainda estamos na Era Negra. A maioria dos alquimistas underground desistiram de tal desafiante e arriscado trabalho individual e restringiram suas viagens aos túneis eróticos do quinto circuito.) A função evolucionária do sexto circuito é permitir a nós uma comunicação na relatividade Eisteiniana e na velocidade neuro-elétrica, não usando os símbolos laringísticos do terceiro circuito mas diretamente via feedback, telepatia e ligação computadorizada. Sinais neuroelétricos irão continuamente substituir a "fala" (grunhidos hominídeos) depois da migração espacial. Quando os humanos tiverem escalado para fora do meio de atmosfera-gravidade da vida planetária, a conteligência acelerada do sexto circuito tornará possíveis a comunicação de alta-energia com "Inteligências mais Altas", i.e., nós-mesmos-no-futuro e outras raças pós terrestres. É charmosamente simples e óbvio, a partir do momento que percebemos que nossas experiências neurais fora-do-espaço são realmente extraterrestres, ficar alto e sair do espaço passam a ser metáforas acuradas. O êxtase neurossomático do quinto circuito é uma preparação para o próximo passo em nossa evolução, migração para fora do planeta. O circuito VI é uma preparação para um passo após isto, comunicação entre as espécies com entidades possuidoras de túneis-realidade eletrônicos (pós-verbais). O Circuito VI é o "tradutor universal" muitas vezes imaginado pelos escritores de ficção científica, já embutido em nossos cérebros pela fita de DNA. Da mesma forma eu os circuitos da borboleta futura já estão embutidos na lagarta.


VII. O CIRCUITO NEUROGENÉTICO O sétimo cérebro começa a agir quando o sistema nervoso começa a receber sinais de DENTRO DO NEURÔNIO INDIVIDUAL, do diálogo DNA-RNA. Os primeiros a alcançar essa mutação falam de "memórias das vidas passadas", "reencarnação", "imortalidade", etc. Que esses adeptos estão falando de algo real é indicado pelo fato de muitos deles (especialmente Hindus e Sufis) deram visões poéticas maravilhosamente acuradas da evolução, 1000 ou 2000 anos antes de Darwin, e previram a Super-humanidade antes de Nietzsche. Os "registros akáshicos" da Teosofia, o "inconsciente coletivo" de Jung, "o inconsciente filogenético" de Grof e Ring, são três metáforas modernas para este circuito. As visões de passado e futuro descritas por aqueles que tem experiências "fora do corpo" durante os episódios de proximidade da morte também descrevem o circuito transtemporal da realidade-túnel VII. Exercícios específicos para acionar o circuito VII não serão achados em ensinamentos yogis; após muitos anos do rajah yoga avançada, normalmente acontece, se é que chega a acontecer, o desenvolvimento de circuitos do tipo VI. O neurotransmissor específico do circuito é, é claro, o LSD. (Peyote e psilocibina também produzem algumas experiências do tipo). O circuito VII é melhor entendido, em termos da ciência de 1977, como os arquivos genéticos, ativados por proteínas anti-histônicas. (A ciência de 1996 ainda não contestou isso. N. do T.) A memória DNA se enrolando até a aurora da vida. Um sentido de inevitabilidade da imortalidade e simbiose entre espécies é comum aos mutantes do circuito VII, nós agora percebemos que isto, também, é uma coisa preparada pela evolução, já que ESTAMOS AGORA NO LIMITE ENTRE LONGEVIDADE EXTENDIDA E IMORTALIDADE. O papel exato do circuitos do hemisfério direito e a razão da seu acionamento pela revolução cultural dos anos 60 se torna clara. Como o sociólogo F. M. Esfandiary escreveu em UPWINGERS, "Hoje quando falamos de imortalidade ou de ir para outro mundo nós não mais estamos falando destes em seu sentido teológico e metafísico. As pessoas estão viajando para outros mundos. As pessoas estão lutando pela imortalidade. Transcendência não é mais um conceito metafísico. Ele se tornou realidade." A função evolutiva do sétimo circuito e de sua realidade-túnel é nos preparar para imortalidade consciente e simbiose entre espécies.


VIII. O CIRCUITO NEURO-ATOMICO Segurem seus chapéus e respirem fundo — esse é o ponto mais avançado onde a inteligência humana já se aventurou: Consciência provavelmente precede a unidade biológica, ou fita DNA. "Experiências fora do corpo," "projeção astral," contato com "entidades" alienígenas (extraterrestres?) ou com uma Super-mente galáctica, etc., como as que eu já experimentei, tem sido descritas por milhares de anos, não somente pelo ignorante, o supersticioso, o simplório, mas freqüentemente pelas mentes mais conceituadas entre nós (Sócrates, Giordano Bruno, Edison, Buckminster Fuller, etc.). Tais experiências são relatadas diariamente a parapsicólogos e foram experimentadas por cientistas como o Dr. John Lilly e Carlos Castañeda. O Dr. Kenneth Ring atribuiu a esses fenômenos o que ele chama, muito apropriadamente, de "inconsciente extraterrestre." O Dr. Leary afirma que o circuito VIII é literalmente neuro-atômico — infra, supra e meta-fisiológico — um modelo quântico da consciência e/ou um modelo consciente da mecânica quântica pelos físicos "ligadões" discutidos anteriormente (Prof John Archibald Wheeler, Saul-Paul Sirag, Dr. Fritjof Capra, Dr. Jack Sarfatti, etc.) indicam enfaticamente que a "consciência atômica" primeiro sugerida por Leary em As Sete Línguas de Deus (1962, The Seven Tongues of God) é a conexão que unificará parapsicologia e parafísica nos primeiros experimentos científicos empíricos teológicos da história. Quando o sistema nervoso é ligado nesse circuito de nível quântico, o espaço-tempo se destrói. A barreira da velocidade da luz einsteniana é transcendida; na metáfora do Dr. Sarfatti, escapamos ao "chauvinismo eletromagnético." A conteligência dentro da barraca da projeção quântica É o "cérebro" cósmico inteiro, da mesma forma que a espiral de DNA é um cérebro micro-miniaturizado guiando a evolução planetária. Como Lao-tsé disse de sua própria perspectiva do oitavo circuito, "O maior está dentro do menor." O Circuito VIII é acionado pela ketamina, um neuro-químico pesquisado pelo Dr. John Lilly, o qual é também (de acordo com um boato generalizado, mas não confirmado) dado aos astronautas para prepará-los para o espaço. Altas doses de LSD também produzem alguma consciência quântica do VIII circuito. Essa conteligência neuro-atômica está quatro mutações além da domestificação terrestre. (A corrente rixa ideológica está entre os moralistas tribais do IV circuito e os individualistas hedonistas do V.) Quando nossa necessidade por maior inteligência, maior envolvimento na escritura cósmica, maior transcendência, não mais se satisfizer em corpos físicos, nem mesmo por corpos imortais se movendo pelo espaço-tempo em "Warp 9", o circuito VIII abrirá uma nova fronteira. Novos universos e realidades. "Além da teologia: a arte e a ciência de se tornar Deus," como Alan Watts uma vez escreveu. É portanto possível que as misteriosas "entidades" (anjos e extraterrestres) monotonamente registrados pelos visionários do VIII circuito sejam membros de raças que já alcançaram esse nível. Mas também é possível, como Leary e Sarfatti sugeriram recentemente, que Eles sejam apenas nós-mesmos-no-futuro. Os circuitos do hemisfério esquerdo contém as lições aprendidas por nosso passado (e presente) evolutivo. Os circuitos extraterrestres do lado direito são o roteiro evolucionário de nosso futuro. Até agora existem duas explicações diferentes do acontecimento da Revolução das Drogas. A primeira é apresentada de forma sofisticada pelo antropolólogo Weston LaBarre, e numa maneira ignorante e moralista pela maioria das propagandas anti-drogas nas escolas e mídia de massa. Essa explicação diz, em essência, que milhões saíram das drogas legais "para baixo" (downers) para as drogas "para cima" (uppers) ilegais porque estávamos vivendo tempos conturbados e muitos procuraram escapar na fantasia. Essa teoria, no que há de melhor nela, somente parcialmente explica o aspecto mais feio e mais divulgado dessa revolução — o abuso irresponsável de drogas, característico dos imaturos. Não diz nada a respeito dos milhões de doutores respeitáveis, advogados, engenheiros, etc., que haviam se desligados da intoxicação do segundo circuito com álcool para o êxtase do quinto circuito com maconha. Nem fala ela das investigações pensativas, filosóficas de pessoas de alta sensibilidade e inteligência tais como Aldous Huxley, Dr. Stanley Grof, Masters-Houston, Alan W. Watts, Carlos Castañeda, Dr. John Lilly e milhares de outros pesquisadores da consciência, científicos ou leigos. Uma teoria mais plausível, desenvolvida pelo psiquiatra Norman Zinberg a partir do trabalho de Marshall McLuhan, diz que a moderna mídia eletrônica mudou tanto os parâmetros do sistema nervoso que os jovens não apreciariam mais drogas "lineares" tais como o álcool e achariam significado apenas nos psicodélicos e erva "não-lineares". Certamente isso é parcialmente verdade, mas é muito estreito e supervaloriza computadores e TV sem contar com a cena tecnológica como um todo — a revolução da Ficção Científica da qual os mais significativos aspectos são Migração Espacial (Space Migration), Inteligência Aumentada (Increased Intelligence) e Prolongamento da Vida (Life Extension), a qual Leary condensou em sua fórmula SMIILE. Migração Espacial mais Inteligência Aumentada mais Prolongamento da Vida indicam a expansão da humanidade em todo o espaço tempo. SM + I2 + LE = infinito. Sem totalmente aceitar o misticismo tecnológico de Charles Fort, é óbvio que a metáfora do metaprograma do DNA para evolução planetária é muito mais sábia que qualquer um de nossos sistemas nervosos individuais, que são, de certa forma, robôs ou sensores gigantes ou sensores para o DNA. A ficção científica inicial de escritores brilhantes tais como Stapleton, Clarke, Heinlen; 2001 de Kubrick, estavam todos aumentando os sinais claros do DNA transmitido através do hemisfério direito dos artistas sensíveis, nos preparando para mutação extraterrena. É pouco coincidente que intelectuais "literários" do mainstream — os herdeiros da tradição platônica-aristocrática de que um gentleman jamais usa suas mãos, brinca com ferramentas ou aprende um trabalho manual — desprezem tanto a ficção científica quanto a cultura da droga. Também não é coincidência o fato de que os WHOLE EARTH CATALOGS — criados por Stewart Brand, um graduando dos Travessos Felizes de Ken Kesey — são o Novo Testamento da cultura rural drop-out, cada exemplar com toneladas de informações sobre todos conhecimentos manuais, habilidosos, engenhoquísticos, que Platão e seus herdeiros consideravam apropriados somente para escravos. Não é de surpreender que a última publicação de Brand, CO-EVOLUTION QUATERLY, tenha sido destinada a divulgar o habitat espacial do Prof. Gerard O'Neill, o L5. Não é um acidente que os drogadões prefiram ficção científica a qualquer outra literatura, incluindo aí as escrituras Hindus cheias de aspectos extraterrestres e os poetas viajandões ocultistas-xamânicos dos circuitos VI a VIII como Crowley e Hesse. As drogas do VI circuitos podem ter contribuído muito para a consciência de metaprogramação que tem levado a consciência súbita de "chauvinismo masculino" (feminismo não-facista), "chauvinismo das espécies" (ecologia, os estudos com golfinhos do Dr. Lilly), "chauvinismo de estrela de média grandeza" (Carl Sagan), mesmo "chauvinismo do oxigênio" (a conferência CETI), etc. As realidades-túnel que se identificam alguém como "branco-macho-americano-terrestre", etc. ou "preta-fêmea-cubana", etc, não são mais suficientes para conter nossa conteligência explosiva. Como a revista Time disse em 26 de novembro de 1973, "Dentro de dez anos, de acordo com farmacêuticos, eles terão aperfeiçoado pílulas e eletrodos para o crânio que proverão êxtase contínuo durante toda a vida de qualquer um sobre a terra." (De fato o conhecimento farmacológico na década de 90 pode ser percebido dessa forma, vide Prozac e outras drogas em teste. N. do T.) A histeria dos anos 60 sobre erva e ácido era somente a rompimento dessa passagem para o quinto circuito. Nathan S. Kline, M.D., prevê afrodisíacos verdadeiros (MDMA, Ecstasy, sintetizado em 79 e moda dos anos 90, N. do T.), drogas ampliadoras da rapidez de aprendizado (provavelmente E4Euh — "Intellex", N. do T.) ou, drogas para acionar ou acabar com qualquer comportamento. Alguns foram queimados ou enjaulados no início da revolução da Tecnologia Externa. Alguns que foram enjaulados ou surrados por policiais nos anos 60 eram pioneiros da revolução da Tecnologia Interna. Jornada nas Estrelas é um melhor guia para realidade emergente do que qualquer coisa na New York Review of Books (uma seção de crítica literária de um dos maiores periódicos norte-americanos, N. do T.) O engenheiro dos sistemas de defesa e suporte a vida, Scotty (circuito I), o emocional-sentimental Dr. McCoy (circuito II), o oficial lógico-científico Sr. Spock (circuito III) e o alternadamente paternalista ou romântico Capitão Kirk (circuito IV) estão perpetuamente viajando através de nossa história neurológica futura e encontrando inteligências dos circuitos V, VI, VII e VIII, por mais que sejam toscamente representadas. (O ser chamado "Q" em um dos episódios é claramente uma visão moralista de IV circuito de um ser no VIII, toscamente representado comicamente e pejorativamente pela visão IV circuito dos redatores. N. do T.) Em resumo, os vários níveis de consciência e circuitos que nós estivemos discutindo, e exemplificando, são todos impressões bioquímicas na evolução do sistema nervoso. Cada impressão nova cria um túnel-realidade maior. Na metáfora Sufi, o macaco em que nós cavalgamos vira um novo macaco a cada impressão. O metaprogramador continuamente aprende mais e se torna cada vez mais hábil de se tornar consciente da operação de si mesmo. Nós estamos portanto evoluindo para inteligência-estudando-inteligência (o sistema nervoso estudando o sistema nervoso) e a cada passo nos tornamos mais capazes de acelerar nossa própria evolução. Leary agora simboliza a inteligência-estudando-inteligência pelo logo: I2. Nos níveis baixos, você vê com um "I" somente, generalizando. Nos níveis altos, você vê com muitos "I"s. (Trocadilho impossível em português: "I" se pronuncia igual a "Eye" — "Olho", em inglês, além de ser o pronome pessoal "Eu", N. do T.) E o espaço-tempo rompe das três dimensões euclidianas para a multidimensionalidade não-euclidiana.


Tradução e notas de Eduardo Pinheiro.

Fonte: (Arquivo Rizoma)
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Alpha - Come From Heaven ou a união espacial dos sentidos

0
16:24

com Come From Heavan podemos viajar no espaço.
formado por Andy Jenks e Corin Dingley o alpha,
grupo britanico de downbets nos aremessa pela primeira vez em seu jazz espacial com vocais negros bluseiros e ambiantes retro com camadas noturnas de madrugadas solitarias.
Com uma carreita ate hoje impecavel,
aqui no alpha em seu debut de 1997 cometou o ato de ser sublime.
Rain, por exemplo, nos afunda em cordas e pianos constantes que pulsam em nossa materia flexivel e doses de melodia irresistivel.
Gravado no estudio criado pelos Massive Attack, o alpha ainda bebe em portishead e no classic jazz e penetra nos ambientes com aveludados delirios eletronicos.
Sometime Later é uma camera lenta descendo pelos nossos sentidos,
capturando cada detalhe em gruas poeticamente angustiante cançao que pulsa melancolica,
cançao indispensável para se entender o faz o Alpha e qual o poder arrebatador de uma cançao.
Canções hipnotizantes como Slim ou alucinaçoes auditivais como a faixa titulo como from heaven, torna essa pérola dividiva em quartoze pedaços de canções-nuvens em luzes que dialogam com o interior da alma e voltamos para casa ou melhor para nosso mundo nas asas de Somewhere Not Here agora com vocal feminino, nossos sentidos recuperam-se lentamente mas nao foi um vertigio temos marcars de infinitudes nos nossos ouvidos e coraçoes...



Por: João Leno Lima
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R.E.M - UP

0
16:56

1. Airportman
2. Lotus
3. Suspicion
4. Hope
5. At My Most Beautiful
6. The Apologist
7. Sad Professor
8. You're In The Air
9. Walk Unafraid
10. Why Not Smile
11. Daysleeper
12. Diminished
13. Parakeet
14. Falls To Climb
Automatic For The People (1992) é um dos melhores discos de todos os tempos mas o meu disco favorito do R.E.M é Up (1998), depois da saida do baterista Bill Berry a banda mostrou que ao juntas os cacos ainda restava a genialidade sublime da melodia que poucas bandas conseguem sustentar por tanto tempo, pianos se entrelaçando com sinterizadores e baterias eletronicas envolvidas com letras desconsoladas embrulhada num vocal arrebatador.
pOr: João Leno Lima
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Aniversário

1
14:07
Quadro de Rene Magritte

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...



By Alvaro de Campo
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Arquivo UFO

1
13:25

PERGUNTAS FREQUÊNTES SOBRE UFOLOGIA
PROF. LAÉRCIO FONSECA


Quando foi criada a ufologia? Por que?

Em 1947 começaram a ocorrer muitas aparições de ÓVNIS por todo o mundo e isso obrigou a busca de explicações para esses fenômenos impares. Assim foi criada a Ufologia, ou seja o estudo dos objetos voadores não identificados por uma necessidade fundamental de enfrentar esses mistérios profundamente reais, fotografados e filmados pelas próprias autoridades militares em todo mundo.

A ufologia pode ser considerada uma ciência? Por que?

Como a ufologia está sendo atualmente desenvolvida por muitos grupos leigos e sem conhecimentos científicos, ela passa a ser conduzida de uma forma extremamente amadorística e sendo assim não pode ser considerada uma ciência. No entanto, estamos desenvolvendo modelos altamente científicos para poder teorizar e dar explicações mais claras para esses fenômenos. Por isso lancei o Livro Física Quântica e Ufologia que traz uma abordagem nunca vista até então no mundo sobre esse tema. Essa minha abordagem consiste nas mais modernas teorias da física quântica para explicar a fenomenologia Ufo.

A ufologia é marginalizada? Por que?

Ela é marginalizada porque é feita de forma extremamente amadorística e em muitos casos por grupos religiosos que misturam muito suas crenças pessoais com a fenomenologia ufo, no entanto estamos procurando mudar essa conotação e trazer cientistas sérios para essa área de investigação discutindo ufologia de uma forma bastante avançada. Eu mesmo tenho levado minhas idéias para universidades e estamos começando a fazer discussões muito serias sobre o tema.

O que é preciso para se tornar um ufólogo?

Como não é uma ciência oficial, qualquer um que goste do tema e comece a estuda-lo já se considera um ufólogo e sai dando palestras e assim por diante. Por isso não há critérios rígidos e estabelecidos para ser um ufólogo.

No Brasil, a ufologia ocupa que lugar de destaque?

Junto às instituições cientificas ela não ocupa lugar nenhum. Poucos cientistas se interessam pelo tema. Por isso desenvolvi uma metodologia altamente cientifica para tratar esse tema para que possa ser de interesse de grandes cientistas. Atualmente meu livro de Física Quântica e Ufologia é quase incompreensível pelos ditos ufólogos, pois a maioria não possue conhecimentos de física avançada para acompanhar as idéias exposta nessa obra.

Existe um avanço na aceitação da ufologia no Brasil? Por que?

Os obstáculos são muitos. Existe muito ceticismo e é muito difícil convencer as pessoas de algo que ela não pode apalpar e pegar e colocar em um laboratório. No entanto, estamos trabalhando para que a ufologia se torne mais objetiva e com modelos matemáticos e físicos aceitáveis pela comunidade de céticos. Meu livro é exatamente uma obra para convencer os céticos de plantão e mostrar a todos eles a possibilidade teórica da possibilidade real da presença extraterrestre entre nós.

Quais os principais obstáculos para a aceitação da ufologia?

Exatamente uma linguagem e um tratamento altamente cientifico que os ufólogos amadores não conseguem fazer. Minha proposta de uma nova Ufologia desenvolvida nesse livro foi lançada apenas a alguns meses e estamos pouco a pouco penetrando nos meios acadêmicos e convencendo muitos céticos sobre esse tema. Em breve creio que poderemos mudar o cenário brasileiro e quem sabe o mundial sobre a ufologia.

Os discos voadores existem? Quais as evidências?

Atualmente as evidencias ufológicas consiste de fotos, casos reais de avistamentos, de abduções e contatados de vários níveis, relatos feitos por autoridades militares brasileiras e estrangeiras por todo mundo.

Por que ninguém acredita em discos voadores?

Isso não é verdade. Uma pesquisa séria feita nos Estados Unidos comprovou que cerca de 70% da população acredita em discos voadores. No Brasil uma pesquisa assim nunca foi feita.

O que foi o caso Roswell? E o caso Varginha?

Do meu ponto de vista uma grande fraude ufológica sem precedentes e com interesses altamente pessoais nesses casos. Nunca me convenceram até hoje destes casos.

O que são contatos de primeiro, segundo e terceiro graus?

Contato de primeiro grau consiste de apenas um avistamento de objetos nos céus.
Contato de segundo grau seria quando o ufo deixa marcas físicas no local, como marcas de pouso ou queimaduras em pessoas ou plantas.
Contato de terceiro grau é quando a nave pousa e os tripulantes dessa nave têm um contato com um humano fora da nave.
Contatos de quarto grau é quando um humano é levado para o interior de uma nave extraterrestre.
Contatos de quinto são todos os contatos psíquicos que possam ocorrer com essas inteligências que podem ocorrer sem a presença de naves próximas.

Estima-se que quantas pessoas já tenham tido contato com extraterrestres?

Um pesquisador americano Bud Hopkins estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas já tiveram algum tipo de contato.

O que é abdução?

Abdução seria o rapto de seres humanos realizados pelos seres extraterrestres sem o consentimento do humano.

Qual a relação da ufologia com a religião?

É aqui que reside a grande confusão entre as diversas facetas da ufologia atual. Muitos fenômenos ufológicos envolvem mecanismos paranormais e quando são analisados por grupos ou pessoas com tendências religiosas especificas esse fato produz uma conexão inevitável com temas religiosos. Muitas pessoas não conseguem separar as coisas e tudo se processe envolvendo as crenças pessoais de cada um.

O que é a arte ufológica? O que ela representa?

Muitos sensitivos, ou até mesmo artistas plásticos “normais” costumam realizar obras com temáticas ufológicas e isso inspira o ser humano a refletir mais sobre esses temas. Muitos filmes são realizados sobre esse tema, muitos quadros são pintados, novelas da rede globo já encenaram temas ufológicos, enfim de uma maneira geral essas formas de expressão podem colaborar ou em alguns casos até atrapalhar a verdadeira compreensão e facetas reais do fenômeno em questão.
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Flaming Lips The Soft Bulletin

0
13:34

por Cassiano Fagundes


Robert O’Connor, do semanário New York Press, sugere que todos nós precisamos às vezes de amigos imaginários, e que no caso ele poderia ser o Flaming Lips. Porque a imprensa americana trata Wayne Coyne e sua banda como o primo mais novo que ficou louco de ácido e nunca mais voltou, suas armações são sempre vistas sob a lente da compaixão (condescência). "Soft Bulletin" deve reafirmar a imagem de um trio de lunáticos, mas também pode dar a idéia de que sua piada esquisita é necessária para o bem-estar da música no momento pasteurizado pelo qual passamos. Piada para quem não gosta de ficção científica. Numa canção logo no começo do CD, um órgão meio John Paul Jones abre alas para Coyne (Race For the Prize): "Two Scientists are racing for the good of all mankind/both of them side by side, so determined/ Locked In heated battle for the cure that is the prize/It’s so dangerous, but they’re determined..." (Dois cientistas estão disputando pelo bem de toda a humanidade/os dois lado-a-lado, tão determinados/ Envolvidos em batalha brava pela cura que é o prêmio/ é tão perigoso, mas eles estão determinados"; ou para quem não acha genuína a tentativa de explicar o começo dos tempos no encarte (lê-se que "What Is The Light" é sobre a hipótese não testada de que a mesma reação química em nossos cérebros que nos faz sentir amor causou o Big Bang que deu origem ao universo em expansão).
A co-produção impecável de Dave Fridmann (ex-Mercury Rev, a banda irmã dos Lips) e uma mixagem que distanciou os instrumentos ao máximo uns dos outros a fim de realçar a forma (e efeitos) de cada som deram ao disco uma delicadeza sombria que por vezes causa estranheza quando se tenta combinar as imagens sugeridas pelas palavras à música. A tensão causada pode perturbar ou ser até difícil de engolir para não-iniciados, porém quando se descobre que "Soft Bulletin" é do tipo que funciona como um álbum e deve ser escutado do começo ao fim para se ter prazer, há uma grande possibilidade de você achar que está diante de um dos melhores sons dos últimos 12 anos. Já se você não entende inglês e está acostumado a se contentar com a melodia dos vocais, deve desconsiderar todos as convenções de como um bom vocalista deve ser. Do contrário, há o risco de implicar com a voz de Coyne.
Sinto no ar de Soft Bulletin pretensão não levada à sério. E uma pegada claramente Led Zeppelin em alguns momentos que contrabalançam a melancolia festiva e por vezes épica dos 14 números. Não há nada de novo e revolucionário aqui. Só a certeza de que nunca houve nada tão novo e revolucionário.
20 anos atrás, se alguém houvesse tentado prever como seria o disco do ano de 1999, o resultado não teria sido muito diferente deste que está tocando no meu som nesse exato segundo.
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Visão de São Paulo à noite - Poema Antropófago sob Narcótico

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12:05




mais um poema do mestre Roberto Piva*

Na esquina da rua São Luís uma procissão de mil pessoas acende velas no meu crânio há místicos falando bobagens ao coração das viúvas e um silêncio de estrela partindo em vagão de luxo fogo azul de gim e tapete colorindo a noite, amantes chupando-se como raízes Maldoror em taças de maré alta na rua São Luís o meu coração mastiga um trecho da minha vidaa cidade com chaminés crescendo, anjos engraxates com sua gíria feroz na plena alegria das praças, meninas esfarrapadas definitivamente fantásticas há uma floresta de cobras verdes nos olhos do meu amigoa lua não se apóia em nada eu não me apóio em nada sou ponte de granito sobre rodas de garagens subalternas teorias simples fervem minha mente enlouquecidahá bancos verdes aplicados no corpo das praças há um sino que não toca há anjos de Rilke dando o cú nos mictórios reino-vertigem glorificado espectros vibrando espasmos beijos ecoando numa abóbada de reflexos torneiras tossindo, locomotivas uivando, adolescentes roucos enlouquecidos na primeira infânciaos malandros jogam ioiô na porta do Abismo eu vejo Brama sentado em flor de lótus Cristo roubando a caixa dos milagres Chet Baker ganindo na vitrola eu sinto o choque de todos os fios saindo pelas portas partidas do meu cérebro eu vejo putos putas patacos torres chumbo chapas chopes vitrinas homens mulheres pederastas e crianças cruzam-se e abrem-se em mim como lua gás rua árvores lua medrosos repuxos colisão na ponte cego dormindo na vitrina do horror disparo-me como uma tômbola a cabeça afundando-me na garganta chove sobre mim a minha vida inteira, sufoco ardo flutuo-menas tripas, meu amor, eu carrego teu grito como um tesouro afundado quisera derramar sobre ti todo meu epiciclo de centopéias libertas ânsia fúria de janelas olhos bocas abertas, torvelins de vergonha, correias de maconha em piqueniques flutuantes vespas passeando em voltas das minhas ânsias meninos abandonados nus nas esquinas angélicos vagabundos gritando entre as lojas e os templos entre a solidão
e o sangue,
entre as colisões,
o parto
e o Estrondo




Roberto Piva (1963)
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Manifesto Antropofagico

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09:15

Quadro O Abaporu, de Tarsila do Amaral

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove.
No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha."
(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)
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Boicote à Cultura Policial

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Hakim Bey


Se podemos dizer que um personagem ficcional tem dominado a cultura popular atual, esse personagem é o policial. Os meganhas desgraçados estão em todo lugar. É pior do que na vida real. Que chateação incrível.
Policiais poderosos – protegendo os manos e humildes – à custa de mais ou menos meia dúzia de artigos da declaração dos Direitos Civis – "Dirty Harry". Ótimos policiais, humanos, lidando bem com a perversidade humana, agridoces, você sabe, durões e arrogantes, mas mesmo assim, meigos por dentro: Hill Street Blues – o mais maléfico programa de TV de todos os tempos.
Tiras negros sabichões fazendo observações espirituosas e racistas contra tiras brancos e jecas, mas todos se amando no final – Eddie Murphy, traidor da classe. Numa dessas histórias masoquistas, vemos policiais corrompidos que ameaçam implodir nossa Realidade Konfortável e Konsensual, como tênias solitárias desenhadas por Giger, mas que naturalmente são detonados na hora H pelo último policial honesto, Robocop, amálgama ideal de próteses e pieguice.
Somos obsediados por policiais desde o início – mas os guardas de outrora atuavam como tolos empavonados. Car 54, Where Are You?, trouxas feitos na medida para serem arrasados e ridicularizados por Fatty Arbuckle ou Buster Keaton. Mas, no drama ideal dos nossos dias, o "pequeno homem", que uma vez detonou centenas de varejeiras azuis com aquela bomba anarquista inocentemente usada para acender um cigarro – o Vagabundo, a vítima com o repentino poder do coração puro –, não tem mais um lugar no centro da narrativa. Antes, "nós" éramos aquele vagabundo, aquele herói caótico quase surrealista que, através do wu-wei, sai-se vitorioso sobre ridículos meganhas de uma Ordem irrelevante e desprezível. Mas, agora, "nós" estamos reduzidos ao status de vítimas sem poder, ou criminosos. Já não representamos o papel principal; já não somos os heróis de nossas próprias histórias, fomos marginalizados e substituídos pelo Outro, o policial.
Dessa forma, o show policial possui apenas três personagens – a vítima, o criminoso e o policial –, mas os dois primeiros não logram ser completamente humanos – apenas o meganha é real. Estranhamente, a sociedade humana de agora (como percebida pelas outras mídias) algumas vezes parece ser constituída pelos mesmos três clichês/arquétipos. Primeiro, as vítimas, as minorias chorosas reclamando por seus "direitos" – e, por deus, quem não pertence a alguma "minoria" hoje? Porra, até mesmo os meganhas reclamaram que seus "direitos" estavam sendo infringidos. Depois, os criminosos: em sua maioria, não brancos (apesar da obrigatória e delirante "integração" mostrada pela mídia), muitos pobres (ou então obscenamente ricos, e portanto ainda mais distantes) e pervertidos (isto é, os espelhos proibidos de "nossos" desejos).
Ouvi dizer que uma em cada quatro casas nos Estados Unidos é assaltada todo ano e que todo ano cerca de meio milhão de pessoas são presas só por fumar maconha. Diante de tais estatísticas (mesmo pressupondo que elas não passam de "mentiras deslavadas"), perguntamos a nós mesmo quem NÃO é vítima ou criminoso em nosso estado-de-consciência-policial. Os detetives policias devem fazer a mediação por todos nós, por mais que a interface seja obscura – eles são apenas sacerdotes-guerreiros, embora profanos.
O America's Most Wanted – o programa de TV mais bem-sucedido dos anos 1980 – possibilitou para todos nós o papel de tira amador, até então uma mera fantasia da mídia produzida pelos sentimentos de ressentimento e vingança da classe média. Naturalmente, ninguém é mais odiado pelo policial da vida real do que aqueles que resolvem cuidar da própria comunidade – veja o que acontece à s iniciativas de autoproteção comunitária de vizinhanças pobres e/ou não brancas, como os muçulmanos que tentaram eliminar o tráfico de crack no Brooklyn: os tiras afugentaram os muçulmanos, os traficantes ficaram livres. Vigias de verdade ameaçam o monopólio do cumprimento da lei, lèse majesté, o que é mais abominável do que incesto ou assassinato.
Mas os vigilantes da mídia (mediados) funcionam perfeitamente bem dentro do estado Policial. De fato, seria mais acurado considerá-los informantes não pagos (eles nem mesmo possuem um conjunto de malas que combinam!): emissários telemétricos, pombos eletrônicos, dedos-duros por um dia.
O que é que a "América mais procura"? Essa frase refere-se aos criminosos – ou a crimes, a objetos de desejo em sua presença real, não representados, não mediados, literalmente roubados e apropriados? A América mais procura... dar um "foda-se" para o trabalho, abandonar o casamento, drogar-se (porque somente as drogas fazem você se sentir tão bem quanto as pessoas que aparecem nos comerciais de TV parecem se sentir), fazer sexo com ninfetas núbeis, sodomia, arrombamentos, sim, o inferno! Quais prazeres não mediados NÃO são ilegais? Até mesmo churrascos ao ar livre violam regulamentos sobre emissão de fumaça, hoje em dia. As diversões mais simples acabam por infringir alguma lei; por fim, o prazer torna-se estressante, apenas a TV permanece – e o prazer da vingança, a traição vicária, a emoção doentia do mexerico. A América não pode ter o que ela mais procura, então, em vez disso, ela tem o America's Most Wanted. Uma nação de bobalhões ginasianos lambendo o rabo de uma elite de brutamontes ginasianos.
É claro que o programa ainda sofre de algumas poucas e estranhas distorções da realidade: por exemplo, os segmentos dramatizados são interpretados no estilo cinema-verdade por atores; alguns telespectadores são tão estúpidos que acreditam que estão assistindo a uma filmagem real de crimes reais. Por isso, os atores são continuamente importunados e mesmo presos, junto com (ou no lugar de) os verdadeiros criminosos cujas fotos de identificação são exibidas depois de cada pequeno documentóide. Que curioso, não? Ninguém experimenta nada de verdade – todos estão reduzidos ao status de fantasmas – imagens da mídia se descolam e se deslocam de qualquer contato com a vida real de cada dia – telessexo – sexo virtual. A transcendência final do corpo: cibergnose.
Os policiais da mídia, assim como os seus precursores televangélicos, preparam-nos para o advento, a vinda final ou o Êxtase do estado policial – as "guerras" ao sexo e à s drogas – controle total e totalmente esvaziado de qualquer conteúdo; um mapa sem coordenadas, em nenhum espaço conhecido; muito além do mero Espetáculo; puro êxtase ("permanêcia-fora-do-corpo"); simulacro obsceno; violentos espasmos sem significado elevados ao último princípio de governo. A imagem de um país consumido por imagens de ódio a si mesmo, guerra entre as metades esquizóides de uma personalidade dividida, Super-Ego contra Id Kid, para o campeonato de pesos pesados de uma paisagem abandonada, queimada, poluída, vazia, desolada, irreal.
Assim como o romance policial é sempre um exercício de sadismo, o seriado policial, sempre envolve a contemplação do controle. A imagem do inspetor ou detetive mede a imagem de "nossa" falta de substância autônoma, nossa transparência ante o olhar fixo da autoridade. Nossa perversidade, nossa impotência. Não importa se o consideramos "bons" ou "maus", nossa invocação obsessiva dos espectros policiais revela a extensão da nossa aceitação da perspectiva maniqueísta que eles simbolizam. Milhões de meganhas minúsculos formigam em toda parte, como larvas de fantasmas famintos – eles enchem a tela, como no famoso filme de Keaton, abarrotando o primeiro plano, uma Antártica onde nada se move a não ser multidões de sinistros pingüins azuis.
Propomos uma exegese hermenêutica e esotérica do slogan surrealista "Mort aux vaches!" (1) Não o usamos ao nos referir à morte de policiais individuais ("vacas", na gíria da época) – o que seria uma mera fantasia de vingança esquerdista – sadismo mesquinho à s avessas –, mas à morte da imagem do policial, o Controle interior e suas miríades de reflexos no Lugar Nenhum da mídia – o "quarto cinza", como Burroughs o chama. Autocensura, medo do próprio desejo, "consciência" com a voz interiorizada da autoridade consensual. O assassínio dessas "forças de segurança" de fato libertaria uma enchente de energia libidinosa, mas não a violenta irrupção prevista pela teoria da Lei e da Ordem.
A "auto-superação" nietzschiana provê o princípio da organização para o espírito livre (e também para a sociedade anarquista, ao menos em teoria). Na personalidade do estado policial, a energia libidinosa é represada e desviada para a auto-repressão; qualquer ameaça ao Controle resulta em espasmos de violência. Na personalidade do espírito livre, a energia flui desimpedida e portanto turbulenta, mas gentil – o seu caos encontra o seu estranho atrator, permitindo que novas ordens espontâneas surjam.
Sendo assim, clamamos por um boicote à imagem do Policial e por uma moratória da sua produção na arte. Sendo assim...



MORT AUX VACHES!



Nota



"Mort aux vaches!" significa "Morte às vacas" (N.R.)
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O Status Ontológico da Teoria da Conspiração

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Hakim Bey



A teoria da conspiração é uma ilusão da Direita que também infectou a Esquerda? Teóricos da conspiração esquerdistas algumas vezes fazem um uso acrítico dos textos dos mais direitistas teóricos da conspiração – pesquisando por detalhes do Assassinato de JFK no trabalho do Liberty Lobby (1), adquirindo noções no estilo da John Birch Society (2) sobre os internacionalistas "liberais" CFR/Bilderberg/Rockefeller (3) etc. etc. Como o anti-semitismo pode ser encontrado tanto na Esquerda quanto na Direita, ecos dos Protocolos podem ser escutados de ambas as direções. Mesmo alguns anarquistas são atraídos pelo "Revisionismo Histórico". O anticapitalismo (4) ou populismo econômico na Direita tem seu contraponto na Esquerda com o "Fascismo Vermelho", que irrompeu na superfície da História no pacto Hitler/Stalin, e retornou para nos assombrar na bizarra combinação européia de "Terceira Onda" do extremismo de esquerda com o de direita, um fenômeno que aparece nos EUA com o niilismo libertino e o "satanismo" de grupos anarco-fascistas como a Amok Press (5) e a Radio Werewolf (6) – e a teoria da conspiração desempenha um importante papel em todas estas ideologias.
Se a teoria da conspiração é essencialmente da facção da direita, só pode ser assim por que ela pressupõe uma visão da História como o trabalho de indivíduos mais que de grupos. De acordo com este argumento, uma teoria no estilo de Mae Brussel (7) (ela acreditava que os nazistas tinham se infiltrado na Inteligência e Governo americanos no nível administrativo) poderia parecer esquerdista mas de fato não fornece nenhuma sustentação para uma genuína análise dialética, uma vez que ignora a economia e a luta de classes como forças causais, e em vez disso atribui todos os eventos às maquinações de indivíduos "escondidos".
Mesmo a Esquerda anti-autoritária pode algumas vezes adotar esta opinião rasa sobre a teoria da conspiração, apesar do fato de não estar presa a nenhuma crença dogmática no determinismo econômico. Tais anarquistas concordariam que acreditar em teoria da conspiração é acreditar que as elites podem influenciar a História. O anarquismo postula que as elites são simplesmente arrastadas pelo fluxo da História e que sua crença em seu próprio poder ou instrumentalidade é pura ilusão. Se fosse para se acreditar no contrário, tais anarquistas argumentam, então Marx e Lênin estariam certos, e o vanguardismo conspiratório seria a melhor estratégia para o "movimento do social". (A existência do vanguardismo prova que a Esquerda – ou pelo menos a Esquerda autoritária – não foi simplesmente contaminada acidentalmente pela teoria da conspiração: o vanguardismo É conspiração!) Os Leninistas dizem que o estado é uma conspiração, seja de Direita ou de Esquerda – faça a sua escolha. Os anarquistas argumentam que o estado não "tem" poder em nenhum sentido absoluto ou essencial, mas que ele meramente ursupa o poder que, em essência, "pertence" a cada indivíduo, ou à sociedade em geral. O aspecto aparentemente conspiratório do estado é portanto ilusório – pura masturbação ideológica da parte de políticos, espiões, banqueiros e outras escórias, servindo cegamente aos interesses de sua classe. A teoria da conspiração é, por conseguinte, de interesse apenas como um tipo de sociologia da cultura, um rastreamento das fantasias ilusórias de certos grupos de incluídos e de excluídos – mas a própria teoria da conspiração não tem nenhum status ontológico.
Esta é uma hipótese interessante de muito valor, especialmente como uma ferramenta crítica. No entanto, como uma ideologia, ela sofre da mesma falha que qualquer outra ideologia. Ela constrói uma Idéia absoluta, então explica a realidade em termos de absolutos.
A Direita e a Esquerda autoritárias compartilham uma visão do status ontológico das elites ou das vanguardas na História; a resposta anti-autoritária é transferir o peso ontológico-histórico para indivíduos ou grupos; mas nenhuma das teorias se importou em questionar o status ontológico da História, ou, quanto a isso, da própria ontologia.
No sentido tanto de confirmar quanto de negar a teoria da conspiração categoricamente, deve-se acreditar na categoria da "História". Mas desde o século 19, a "História" se fragmentou em dúzias de partículas conceituais – etno-história, psico-história, história social, história das coisas e idéias e mentalidades, cliometria ( 8 ), micro-história – tais não são ideologias históricas rivais, mas simplesmente uma multiplicidade de histórias. A noção de que a História é o resultado da luta cega entre interesses econômicos, ou de que a História "É" sob qualquer condição algo específico, não pode realmente sobreviver a esta fragmentação numa infinidade de narrativas. A abordagem produtiva a uma tal idéia fixa não é ontológica mas epistemológica; ou seja, agora perguntamos não o que a "História" "é", mas de preferência o que e como podemos saber sobre e a partir das muitíssimas estórias, supressões, aparecimentos e desaparecimentos, palimpsestos e fragmentos dos múltiplos discursos e múltiplas histórias das complexidades inextricavelmente emaranhadas do devir humano.
Então deveríamos pressupor (como um exercício epistemológico, se nada mais) a noção de que embora seres humanos sejam arrastados ou movidos por interesses de classe, forças econômicas, etc., podemos também aceitar a possibilidade de um mecanismo de feedback, por meio do qual as ideologias e ações tanto de indivíduos quanto de grupos possam modificar as reais "forças" que as produzem.
De fato, me parece que, como anarquistas de um tipo ou de outro, devemos adotar uma tal visão das coisas, ou então aceitar que nossa agitação, educação, propaganda, formas de organização, levantes, etc., são essencialmente fúteis, e que só a "evolução" pode ou irá ocasionar qualquer mudança significativa na estrutura da sociedade e da vida. Isto pode ou não ser verdade a respeito da longa duração do devir humano, mas é evidentemente falso no nível da experiência individual da vida cotidiana. Aqui, uma espécie de existencialismo tosco prevalece, de tal forma que devemos agir como se nossas ações pudessem ser efetivas, ou então sofrer em nós mesmos uma escassez de devir. Sem a vontade da auto-expressão em ação, somos reduzidos a nada. Isto é inaceitável. Portanto, mesmo que se pudesse provar que toda ação é ilusão (e não acredito que qualquer evidência nesse sentido esteja disponível), ainda nos defrontaríamos com o problema do desejo. Paradoxalmente somos forçados (sob a pena da total negação) a agir como se livremente escolhêssemos agir, e como se a ação pudesse causar mudança.
Com base nisso, parece possível elaborar uma teoria da conspiração não-autoritária que nem negue isso completamente, nem o eleve ao status de uma ideologia. Em seu sentido literal de "respirar junto", a conspiração pode até ser pensada como um princípio natural de organização anarquista. Face a face, não mediados por qualquer controle, juntos construímos nossa realidade social para nós mesmos. Se devemos portanto fazê-lo clandestinamente, no sentido de evitar os mecanismos de mediação e controle, então perpetramos um tipo de conspiração. Mas tem mais: podemos também ver que outros grupos podem se organizar clandestinamente não para evitar o controle mas para tentar impô-lo. É inútil fingir que tais tentativas são sempre fúteis, porque mesmo que eles fracassem em influenciar a "História" (ou o que quer que isso seja), eles podem certamente ter impacto e se intersectar com nossas vidas cotidianas.
Para tomar um exemplo, qualquer um que negue a realidade da conspiração deve certamente encarar uma difícil tarefa quando tentar justificar as atividades de certos elementos dentro da Inteligência e do Partido Republicano nos EUA durante as últimas poucas décadas. Não importa o Assassinato de Kennedy, esta perda de tempo espetacular; esqueça os remanescentes da Organização Gehlen (9) que estavam à espreita em Dallas; porém, como se pode sequer começar a discutir sobre os arapongas de Nixon, o Irã-Contra, a "crise" das poupanças e empréstimos (S&L) (10), as guerras-show contra a Líbia, Granada, Panamá e Iraque, sem alguma recorrência ao conceito de "conspiração"? E mesmo que acreditemos que os conspiradores estavam agindo como agentes de forças ocultas, etc., etc., podemos negar que suas ações tenham realmente produzido ramificações no nível de nossas próprias vidas cotidianas? Os Republicanos lançaram uma aberta "Guerra às Drogas", por exemplo, enquanto secretamente usaram dinheiro da cocaína para financiar insurreições de direita na América Latina. Alguém que você conhecia morreu na Nicarágua? Alguém que você conhecia foi apanhado na hipócrita "guerra" à maconha? Alguém que você conhecia caiu na desgraça do vício em crack? (Não vamos nem mencionar os negócios da CIA com heroína no sudeste da Ásia ou no Afeganistão).
Como aponta Carl Oglesby, a teoria da conspiração mais sofisticada não pressupõe nenhuma trama singular, todo-poderosa, suprema, a cargo da "História".
Isso com certeza seria uma forma de paranóia estúpida, seja da Esquerda ou da Direita. Conspirações ascendem e caem, brotam e decaem, migram de um grupo para outro, competem entre si, fazem conluio, se colidem, implodem, explodem, falham, têm sucesso, suprimem, forjam, esquecem, desaparecem. Conspirações são sintomas das grandes "forças ocultas" (e portanto úteis como metáforas, se nada mais), mas elas também realimentam essas forças e algumas vezes até afetam ou infectam ou têm efeito sobre elas. Conspirações, de fato, não são A forma com que a história é feita, mas são antes partes de um vasto conjunto de miríades de formas nas quais nossas múltiplas estórias são construídas. A Teoria da Conspiração não pode explicar tudo mas pode explicar algo. Se ela não tem status ontológico, ainda assim ela realmente tem seus usos epistemológicos.
Aqui vai uma hipótese:
A história (com "h" minúsculo) é um tipo de caos. Dentro da história estão embutidos outros caos, se se pode usar um tal termo. O capitalismo "democrático" tardio é mais um destes caos, no qual o poder e o controle se tornaram extraordinariamente sutis, quase alquímicos, difíceis de localizar, talvez impossíveis de definir. Os escritos de Debord, Foucault, e Baudrillard, levantaram a possibilidade de que o "poder em si" está vazio, "desaparecido", e foi substituído pela mera violência do espetáculo. Mas se a história é um caos, o espetáculo só pode ser visto como um "atrator estranho" (11), mais que como algum tipo de força causadora. A idéia de "força" pertence à física clássica e tem pouca função a desempenhar na teoria do caos. E se o capitalismo é um caos e o espetáculo um atrator estranho, então a metáfora pode ser ampliada – podemos dizer que as conspirações "Republicanas" são como os reais padrões gerados pelo atrator estranho. As conspirações não são causais – mas, então, nada é realmente "causal" no velho sentido clássico do termo.
Uma maneira útil pela qual podemos, por assim dizer, investigar no caos que é a história, é olhar através das lentes fornecidas pelas conspirações. Podemos ou não acreditar que as conspirações são meras simulações do poder, meros sintomas do espetáculo – mas não podemos rejeitá-las como desprovidas de qualquer significação.
Mais que falar da teoria da conspiração, poderíamos em vez disso tentar elaborar uma poética da conspiração. Uma conspiração seria tratada como um constructo estético, ou constructo de linguagem, e poderia ser analisada como um texto. Robert Anton Wilson fez isso com sua longa e divertida fantasia "Illuminatti". Podemos também usar a teoria da conspiração como uma arma de agit-prop. Conspirações do "poder" fazem uso da pura desinformação; o mínimo que podemos fazer em retaliação é rastreá-la até sua origem. Sem dúvida deveríamos evitar a mística da teoria da conspiração, a ilusão de que a conspiração é todo-poderosa. Conspirações podem ser dinamitadas. Elas podem até mesmo ser impedidas. Mas temo que elas não possam simplesmente ser ignoradas. A recusa em admitir qualquer validez à teoria da conspiração é ela mesma uma forma de ilusão espetacular – crença cega no mundo cor-de-rosa liberal, racional, no qual todos temos "direitos", no qual "o sistema funciona", no qual "valores democráticos prevalecerão a longo prazo" por que a natureza assim o determinou.
A História é uma grande bagunça. Talvez conspirações não funcionem. Mas temos de agir como se elas realmente funcionassem. Na realidade, o movimento não-autoritário não somente necessita de sua própria teoria da conspiração, ele necessita de suas próprias conspirações. "Funcionem" elas ou não. Ou respiramos juntos ou nos sufocamos todos por iniciativa própria. "Eles" estão conspirando, nunca duvide disso, esses palhaços sinistros. Não apenas deveríamos nos armar com a teoria da conspiração, deveríamos ter nossas próprias conspirações – nossas TAZ – nosso comando de mercenários da guerrilha ontológica – nossos Terroristas Poéticos – nossas maquinações do caos – nossas sociedades secretas. Proudhon assim o disse. Bakunin assim o disse. Malatesta assim o disse. É a tradição anarquista.
Notas
Controversa organização política direitista de Washington, DC, conhecida como anti-comunista e anti-semita, e que através de seu jornal Spotlight lançou uma campanha contra o agente da CIA E. Howard Hunt, acusando-o de conspirador no assassinato de J. F. Kennedy. (Nota do Tradutor)
Organização de ultradireita criada em 1958 em Indianápolis em homenagem a um agente da CIA e também missionário protestante. (N. do T.)
Conta a lenda que o CFR (Council on Foreign Relations), o Conselho de Relações Exteriores, é o braço americano de uma sociedade ultra-secreta originalmente organizada na Inglaterra, com os planos de instruir e governar todas as fases da política externa americana, e o objetivo final de dissolver as fronteiras mundiais e estabelecer um governo mundial único. Do CFR teriam participado quase todos os diretores da CIA e todos os secretários da Defesa dos EUA. Os Bilderberg seriam uma poderosíssima e semi-secreta sociedade da elite internacional que se reúne anualmente para definir os programas econômicos e políticos mundiais, com representantes somente do mundo anglo-saxão e da Europa ocidental. David Rockefeller, por sua vez, teria sido patrono do CFR, membro dos Bilderberg e criador da denominada Comissão Trilateral, outra dessas sociedades secretas da elite mundial que incluiria aqui membros do Japão. Teorias conspiratórias "clássicas" ligam essas três organizações ao grupo dos Illuminati, numa trama de dominação mundial. (N. do T.)
O anticapitalismo de direita se traduz, entre outras coisas, pela nostalgia aristocrática de um passado pré-industrial por certos grupos ultradireitistas, como, por exemplo, a TFP no Brasil, ou certos grupos monarquistas. (N. Do T.)
Editora underground de Los Angeles, célebre nos meios contraculturais por publicar os Amok Dispatches, verdadeiras fontes bibliográficas de todo tipo de material subterrâneo, conspiratório, transgressor, banido. (N. do T.)
Banda gótico-eletrônica de tendência satanista formada por Nickolas Schreck e Zeena LaVey, filha de Anton LaVey, fundador da Igreja de Satã.(N. do T.)
Mae Magnin Russel é tida como a "rainha das teorias da conspiração". Ela acreditava, por exemplo, que os assassinatos de Kennedy e de Martin Luther King, os assassinatos perpertrados por Charles Manson e seu grupo, e o sequestro de Patty Hearst tinham todos sido planejados pela extrema direita juntamente com a CIA, o FBI e a Máfia numa massiva conspiração feita para desacreditar a esquerda e estabelecer um estado fascista. (N. do T.)
Cliometrics ou "história social-científica quantitativa" designa uma técnica de análise histórica fundada na quantificação de dados empíricos. Seus defensores mais radicais consideram-na o método científico por excelência da análise histórica.
Organização de inteligência baseada na Alemanha, a Gehlen Org seria composta de antigos agentes da SS e da Gestapo – incluindo, entre outros, Klaus Barbie -, tendo sido fundada, na Alemanha do pós-guerra, com a ajuda do advogado dos Rockfeller, Allen Dulles, que teria contratado o espião alemão Reinhart Gehlen para reviver a agência de espionagem SS e se tornaria depois a agência espiã BND da Alemanha Ocidental. Na verdade, a CIA teria sido formada a partir da Gehlen. (N. do T.)
S & L (Savings and Loans) – No final da década de 80 e início da de 90, as "poupanças e empréstimos" norte-americanos faliram. Em 1984, a administração e o Congresso dos EUA acreditavam que a crise das poupanças e depósitos era em torno de 20 a 30 milhões de dólares. Operadores do setor então inundaram Washington com lobistas, contribuições para campanhas, e viagens gratuitas de avião para recantos paradisíacos, entre outros agrados. Como resultado, o problema foi varrido para debaixo do tapete. Ele só voltou a aparecer nas eleições presidenciais de 1988, quando se descobriu uma crise que alcançava entre 400 e 500 bilhões de dólares. (N. do T.)
Na teoria do caos, atratores estranhos são sistemas dinâmicos atraentes e magnéticos que quando entram em estado de caos passam a ser designados como tais. Em 1970, físicos passaram a estudar os sistemas dinâmicos do imprevisível, denominando-os de atratores estranhos, expressão usada por David Ruelle e Floris Takens. Pelo fato dos atratores não serem nem curvas e nem superfícies lisas, mas objetos de dimensões não inteiras, Benoît Mandelbrot denominou-os de fractais. (N. do T.)
Traduzido por Ricardo Rosas
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